OGM – Os críticos insistem, mas os factos mostram o contrário

Opinião

Os reaccionários da modificação genética

Os críticos dos OGM insistem que estes não são seguros,
regulamentados, necessários ou desejados.
Mas os factos mostram o contrário.

8 Janeiro 2012 – Público

As pessoas em todo o mundo estão cada vez mais vulneráveis ??ao uso daquilo a que o químico vencedor do Prémio Nobel, Irving Langmuir, denominou “ciência patológica” – a “ciência das coisas que não o são” – para justificar a regulamentação governamental ou outras políticas.

É uma especialidade de grupos autodesignados de interesse público, cujo objectivo, muitas vezes, não se traduz na protecção da saúde pública ou do ambiente, mas sim numa oposição à investigação, produtos ou tecnologia de que não gostam.

Por exemplo, as técnicas modernas de engenharia genética – também conhecidas como biotecnologia, tecnologia de ADN recombinante, ou a modificação genética (GM) – fornecem as ferramentas que permitem que plantas velhas façam coisas novas espectaculares. No entanto, estas ferramentas são constantemente mal apresentadas ao público.

Mais de 17 milhões de agricultores em cerca de três dezenas de países em todo o mundo utilizam culturas geneticamente modificadas para produzir maiores rendimentos com menos recursos e com menor impacto ambiental. A maioria dessas novas variedades são concebidas para resistir aos ataques de pragas e doenças, de modo a que os agricultores possam adoptar práticas de plantio directo mais ecológicas e utilizar herbicidas menos nocivos.

Os críticos de produtos produzidos a partir de OGM insistem que estes não são submetidos a testes, não são seguros, não são regulamentados, não são necessários nem desejados. Mas os factos mostram o contrário.

Para começar, existe um amplo consenso de longa data entre cientistas que consideram que as técnicas de ADN recombinante são essencialmente uma extensão, ou um refinamento, de anteriores métodos de modificação genética e que a transferência de genes com recurso a estas técnicas moleculares precisas e previsíveis não apresenta por si qualquer risco.

Na sequência do cultivo de mais de mil milhões de hectares de culturas GM em todo o mundo – e do seu consumo que, só na América do Norte, representa mais de dois biliões de doses de alimentos que contêm ingredientes geneticamente modificados – não se registou um único caso de danos causados a pessoas nem de perturbação de ecossistemas. Entretanto, nos benefícios das culturas GM estão incluídos rendimentos mais elevados, um menor recurso a pesticidas químicos e a produção de biocombustíveis.

Benefícios significativos

Longe de estarem pouco regulamentadas, as plantas (e outros organismos) geneticamente modificadas foram alvo de uma a sobre-regulamentação dispendiosa, discriminatória e não científica, que limitou o sucesso comercial do milho, do algodão, da colza, da soja e da papaia, entre outras culturas.

Na verdade, frequentemente, as opiniões contrárias consideram que o cultivo comercial de culturas GM foi uma decepção, porque ofereceu pouco benefício directo aos consumidores. Mas muitos benefícios foram já conseguidos. E as culturas GM actualmente em desenvolvimento trarão ao consumidor ainda mais benefícios directos e facilmente identificáveis.

Considere-se, por exemplo, que, dado que as culturas GM não requerem uma quantidade tão elevada de pesticidas químicos, é menor o risco de toxicidade para os agricultores e respectivas famílias, por via do escoamento para os cursos de água e lençóis freáticos. De 1996 a 2009, a quantidade de pesticidas pulverizados sobre as culturas em todo o mundo sofreu uma diminuição de 393 milhões de kg – 1,4 vezes a quantidade total de pesticidas aplicados anualmente nas culturas na União Europeia.

Além disso, os níveis mais baixos de micotoxinas em milho resistente a pragas significam uma menor ocorrência de malformações congénitas, como spina bifida e menor toxicidade para o gado. Estas culturas de alimentos de consumo geral também podem ser modificadas por forma a conterem nutrientes adicionais.

As técnicas agrícolas de plantio directo, nas quais o solo não é arado, implicam menor erosão do solo, menor escoamento de produtos químicos agrícolas e menor consumo de combustíveis e de emissões de carbono por parte dos equipamentos mecânicos agrícolas. De 1996 a 2009, a mudança para as culturas biotecnológicas reduziu as emissões de carbono em 17,6 mil milhões kg, o equivalente à remoção de 7,8 milhões de carros das estradas, por um ano.

As culturas GM apresentam igualmente benefícios económicos significativos. O aumento dos rendimentos e a redução dos custos de produção provocaram a redução dos preços globais dos produtos de base (milho, soja e derivados), resultando em maiores rendimentos agrícolas, num melhor abastecimento de produtos alimentares e alimentos para animais e numa maior disponibilidade de calorias de alta qualidade.

Rendimento elevado

Com efeito, o rendimento da exploração agrícola registou um aumento de cerca de 65 milhões de dólares entre 1996 e 2009, as culturas biotecnológicas aumentaram a produção mundial de milho e soja em 130 milhões e 83 milhões de toneladas, respectivamente, devido ao aumento do rendimento e, no caso da Argentina, em resultado do cultivo da soja de segunda cultura. Como resultado, em 2007, os preços globais do milho e da soja registaram um decréscimo de cerca de 6% e 10%, respectivamente, uma redução que não teria sido possível, se os agricultores não tivessem adoptado este tipo de culturas.

Tendo em conta os seus benefícios, o “índice de repetição” das culturas GM (i.e. a proporção de agricultores que, após experimentarem uma variedade GM, optam por plantá-la novamente) é bastante elevado. Estimular os rendimentos agrícolas e a segurança agrícola – que se traduz num aumento do rendimento familiar e em melhores padrões de vida – torna-se particularmente importante nos países em desenvolvimento, que apresentam os níveis de rendimento mais reduzidos, mas onde os benefícios, por hectare, do cultivo de variedades GM foram os mais elevados.

Mas as culturas GM não beneficiam somente aqueles que as cultivam e consomem. De acordo com um estudo realizado em 2010, os campos de milho GM resistente a insectos têm um “efeito de supressão de ampla extensão”, beneficiando os campos vizinhos que tenham variedades convencionais de milho.

Os investigadores calcularam que, entre 1996 e 2010, o cultivo de variedades geneticamente modificadas aumentou os lucros dos agricultores, em três estados dos EUA, em cerca de 3,2 mil milhões de dólares – dos quais 2,4 mil milhões reverteram a favor dos agricultores cujos terrenos adjacentes não tinham sido plantados com variedades GM. Os agricultores que cultivam variedades convencionais beneficiam de forma desproporcional, uma vez que não têm que comprar as sementes GM, que são mais caras.

As futuras gerações de culturas geneticamente modificadas trarão ainda mais benefícios – mas somente se for permitido que esta prática floresça. Para isso, os consumidores devem entender que as culturas GM têm grande potencial, apresentando riscos negligenciáveis e os governos devem adoptar políticas de regulamentação que se rendam às evidências e que rejeitem a ciência patológica.

Henry I. Miller, médico e biólogo molecular, é investigador em Filosofia Científica e Políticas Públicas na Hoover Institution da Universidade de Stanford. Graham Brookes é economista e co-director da britânica PG Economics Limited.

Tradução: Teresa Bettencourt in Público.pt

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s