Conclusões do III Encontro Biotecnologia e Agricultura

CONCLUSÕES

III Encontro

Biotecnologia e Agricultura: 

O Futuro é Agora

 

14 Junho de 2013

 CNEMA, Feira Nacional da Agricultura, Santarém

Conclusions in English

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Trinta anos após a primeira demonstração de que é possível obter plantas geneticamente modificadas, 170 milhões de hectares e mais de 17,3 milhões de agricultores em todo o mundo utilizam variedades melhoradas com recurso a esta tecnologia, o que corresponde a cerca de 10% de ocupação da área arável mundial.

Durante estes trinta anos 300 milhões de euros foram gastos, por mais de 400 grupos de investigação, só na Europa, para se estudar os níveis de segurança destas variedades, confirmando-se que estas variedades são mais seguras que as convencionais e que não colocam riscos superiores aos das variedades melhoradas por outras metodologias.

Após três milhares de milhões de refeições contendo produtos provenientes destas variedades, não se detectaram quaisquer casos de saúde pública. Da mesma forma não existem registos de impactos negativos na saúde dos animais que são alimentados com rações contendo estas variedades.

Durante estes trinta anos, novos métodos foram sendo desenvolvidos com recurso à tecnologia do DNA recombinante e novas variedades vegetais foram produzidas através do métodos de RNA de interferência ou da transformação de cloroplastos. Métodos mais recentes que permitem a edição do DNA das plantas estão já disponíveis. Por todo o mundo as instituições públicas desenvolveram soluções para os mais variados problemas agrícolas, agro-alimentares e ambientais, os quais se encontram à espera de uma oportunidade para serem testados.

Apesar do grande sucesso desta tecnologia de melhoramento, a União Europeia encontra-se numa situação de impasse político sendo incapaz de tomar uma decisão quanto à utilização dos produtos desta tecnologia e recusando a aprovação de novos eventos com base no conhecimento científico.

Existem acumulados cerca de 50 anos de atrasos na tomada de decisão sobre produtos submetidos para aprovação. Esta incapacidade prejudica a economia europeia: calculam-se em mais de 9,6 mil milhões de euros os custos desnecessários associados e mais de 443 milhões de euros de lucros perdidos pelos agricultores europeus. Devido a esta incapacidade para decidir o número de ensaios de campo na Europa tem vindo a diminuir, apesar de existirem novos eventos, como o que permite melhorar a absorção do fósforo pelos animais ruminantes, reduzindo os impactos ambientais da excreção e acumulação no solo de fósforo, ou o que aumenta o teor de omega3 em soja e em colza, melhorando as características dos óleos alimentares produzidos a partir destas plantas.

Com a sua posição, a União Europeia não só está a prejudicar a sua economia, impedindo os seus agricultores de usufruírem desta tecnologia e obrigando-os a competir em desigualdade com agricultores de países terceiros, como também condiciona a utilização desta tecnologia em países de outros continentes como é o caso de muitos países africanos.

Há vantagens económicas claras para o agricultor em utilizar, nas situações em que tal se justifica, em sistemas agrícolas integradas e devidamente geridos, as variedades melhoradas com recurso à biotecnologia. Os agricultores europeus têm que ter o direito a optar pelas variedades que lhes permitem rentabilizar as suas explorações, garantindo-lhes reduções de custos de produção e maximizando-lhes as produtividades.

Na Europa, a Rede de Agricultores e Cientistas (Farmers-Scientists Network) desenvolve-se com a finalidade de fortalecer a voz dos agricultores e da ciência no debate europeu sobre a adopção da agrobiotecnologia.

Num mundo em mudança, em que serão necessários aumentos de produtividade de cerca de 30% para alimentar uma população, que em 2050 se espera ser de 9 mil milhões de pessoas, em que as alterações climáticas condicionam as produções e em que é impossível aumentar a área de solo arável, só a utilização de todo o conhecimento científico disponível permitirá à agricultura alcançar os objectivos de sustentabilidade ambiental, mas também social e económica, que lhe são exigidos. A agrobiotecnologia tem um contributo decisivo a dar neste contexto.

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