Gene drive | Técnica de transmissão específica de genes foi usada pela primeira vez em mamíferos

Depois das experiências em mosquitos, os investigadores usaram ratos para demonstrar que alguns genes específicos, muitas vezes modificados, podem ser transmitidos de uma geração de roedores para a geração seguinte. Foi a primeira vez que se aplicou em mamíferos este procedimento, designado gene drive (gene condutor ou condução de genes), que, apesar de controverso, tem um enorme potencial para combater doenças como a malária.

Gene drive é uma técnica que consiste na transmissão de um gene ou genes específicos de uma espécie para as gerações seguintes dessa mesma espécie.

Antes dos testes em ratos, o gene drive já tinha sido demonstrado em mosquitos, tornando-os inférteis e retirando-lhes a capacidade de transmitir as doenças de que eram portadores, como por exemplo a malária. Se estes mosquitos tivessem sido libertados para a natureza, é muito provável que toda a população de mosquitos, incapaz de se reproduzir, seria erradicada.

No fundo, o que o gene drive faz é quebrar o ciclo normal de transmissão genética entre as espécies (de uma geração para a outra) para garantir que certos genes, que podem ou não ser modificados, passem para as gerações seguintes a uma taxa superior ao normal. Outras experiências com gene drive tiveram como finalidade aumentar a resistência dos insetos à infeção pelo parasita Plasmodium (parasita da malária).

Muitos investigadores acreditam que a mesma abordagem pode ser uma alternativa mais eficaz aos projetos de erradicação de pestes usados para limpar ilhas remotas de espécies invasoras. A título de exemplo, veja-se o que sucedeu na Geórgia do sul, onde o maior esforço de erradicação de ratos do mundo declarou, finalmente, a região livre de roedores – os ratos devastaram a vida selvagem daquele território durante mais de 250 anos.

Apesar do seu potencial, o gene drive não acolhe o apoio de toda a comunidade científica mas na comunidade científica. Muitos investigadores mantém-se cautelosos em relação a relação a este procedimento, temendo que se a técnica não for usada para o bem, pode causar danos irreparáveis aos ecossistemas. Por isso é que em 2016, as Academias Nacionais de Ciências dos EUA determinaram que era necessário muito mais trabalho de investigação para controlar os genes, antes que eles pudessem ser usados ​​com segurança na natureza. Um dos aspetos que preocupam os investigadores mais reticentes é que as mutações deixadas nos machos os tornassem resistentes ao gene drive e isso poderia prejudicar o seu uso para erradicar roedores invasivos.

Se a libertação na natureza de espécies com “genes condutores” causa muitos receios, o mesmo não acontece com as experiências em laboratório, onde a técnica poderia ser usada para criar animais com múltiplas mutações ou falhas genéticas associadas ao desenvolvimento de doenças, como o cancro, a diabetes e a artrite”, como afirmou Kimberly Cooper, bióloga e investigadora na Universidade da Califórnia em São Diego.

Christophe Boëte, da Universidade de Montpellier, acredita que, embora as experiências realizadas em ratos fossem uma prova de princípio para o gene drive em mamíferos, o uso desta técnica para controlar espécies invasoras é uma realidade ainda distante.

Para informações adicionais, leia um artigo no The Guardian sobre o uso de gene drive em mamíferos e um estudo, também em inglês, publicado na Nature.

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