Arroz dourado | Bangladesh vai ser o primeiro País a aprovar plantação de arroz com vitamina A

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Uma porção de arroz dourado contém vitamina A e metade do betacaroteno que as crianças precisam diariamente.
FOTO: ISAGANI SERRANO / CPS / IRRI FOTO / FLICKR / CC BY-NC-SA

O arroz geneticamente modificado, também conhecido por arroz dourado, ajuda a prevenir a cegueira e a morte infantil, em particular nos Países em desenvolvimento e, mesmo assim, foram precisos 20 anos para ser aprovado. O primeiro País a autorizar a sua plantação vai ser o Bangladesh, onde a taxa de mortalidade infantil por cada mil nados vidos é de 26,13 e a carência de vitamina A afeta 21% das crianças.

Uma porção de arroz dourado contém a vitamina A e metade do betacaroteno que as crianças precisam diariamente. Além de causar cegueira infantil, a falta de vitamina A pode provocar morte precoce por doenças infeciosas, como o sarampo.

É o aporte nutricional que confere ao arroz dourado os benefícios que o tornaram mundialmente famoso. Ora aplaudido, ora criticado nas primeiras páginas dos jornais, o arroz geneticamente modificado esteve sempre rodeado de polémicas, gerando discussões acesas quanto à sua segurança alimentar, desde que foi desenvolvido nos anos 90 pelos investigadores alemães Ingo Potrykus e Peter Beyer para combater a deficiência de vitamina A.

Em colaboração com a multinacional agroquímica Syngenta, estes investigadores “criaram” o arroz dourado equipando as plantas com genes de betacaroteno do milho e doaram-nas a institutos públicos agrícolas, abrindo, dessa forma, caminho a outros investigadores para produzirem os genes do arroz dourado em variedades que se adaptam às necessidades, gostos e condições de produção locais.

Vinte anos e muitas controvérsias depois, o Bangladesh está prestes a tornar-se o primeiro País a produzir arroz dourado. A versão de arroz dourado que está em análise no Ministério do Ambiente desde 2017, onde um Comité Central de Biossegurança, formado por oito cientistas, analisa os riscos ambientais envolvidos no cultivo do arroz dourado, como o potencial da planta tornar-se uma erva daninha, bem como a segurança alimentar do produto, foi criada no Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (IRRI), em Los Baños, nas Filipinas. Os genes modificados foram criados a partir de uma variedade de arroz chamada dhan 29, muito comum no País e que representa 14% da colheita nacional.

Com uma taxa de mortalidade nas crianças de 26,13 (por cada mil nados vivos) e de carência de vitamina A, também nas crianças, de 21%, o Bangladesh não vê a hora de fazer chegar aos seus agricultores as sementes de arroz dourado para plantação. Se tudo correr como previsto, será até 2021.

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Leia o artigo original na Science.

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