CRISPR | Tecnologia vai ser usada para desenvolver resistência a piolhos no salmão

Os piolhos do mar são um problema persistente para o salmão do Atlântico. Créditos da imagem: Martin KRkosek

Cientistas estão a tentar descobrir se a ferramenta de edição do genoma CRISPR-Cas9 pode ser a solução para o problema dos piolhos do mar. Para isso, vão tentar descobrir as diferenças no código genético entre o salmão do Atlântico e o salmão do Pacífico, que fazem com que os piolhos se instalem e desenvolvam no primeiro e rejeitem o segundo.

Um dos grandes problemas na produção de salmão é o piolho do mar (Lepeophtheirus salmonis), que tem causado graves prejuízos económicos no mundo inteiro, quer para os consumidores, que compram mais caro, quer para os produtores – segundo informações da Fish Farmer Magazine, revista norte-americana especializada em aquicultura e piscicultura, os piolhos do mar causaram um prejuízo de mil milhões de dólares aos principais fornecedores de salmão (EUA, Canadá, Escócia, Noruega e Chile).

Para controlar a praga, investigadores do Instituto Norueguês de Investigação em Pesca, Aquicultura e Alimentos – Nofima vai usar a tecnologia de edição do genoma CRISPR para tentar desenvolver no salmão do Atlântico resistência a um problema persistente: os piolhos.

Os cientistas acreditam que as diferenças genéticas entre o salmão do Atlântico e o salmão do Pacífico podem explicar por que razão várias espécies de salmão do Pacífico são muito menos propensas a hospedar os piolhos do mar. Para o investigador que lidera o estudo, Nick Robinson, “o conhecimento que criarmos com este novo projeto poderá fazer com que o salmão do Atlântico desenvolva alta ou total resistência aos piolhos e, em consequência, poderá transformar a indústria da aquicultura norueguesa.”

Para isso, Nick Robinson e a sua equipa terão de conseguir revelar as diferenças no código genético entre o salmão do Atlântico e o salmão do Pacífico, que fazem com que os piolhos se instalem e desenvolvam no primeiro e rejeitem o segundo.

Neste projeto, os cientistas vão utilizar a “tesoura genética” CRISPR-Cas9, um sistema desenvolvido por Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna e graças ao qual foram laureadas este ano com o Prémio Nobel da Química. “O CRISPR-Cas9 ainda é uma tecnologia relativamente nova na pesquisa de aquicultura, mas pode permitir alterações muito precisas e direcionadas no genoma do salmão. O sucesso na utilização este tecnologia depende do tipo de alteração que é necessária e da posição e do código do gene a ser editado”, explicou Ross Houston, investigador do Instituto Roslin do Reino Unido, um dos parceiros do instituto Nofima.

Este projeto vai ser liderado pelo Instituto Norueguês de Investigação em Pesca, Aquicultura e Alimentos – Nofima e envolverá uma estreita colaboração com os parceiros de investigação:  Instituto Roslin (Universidade de Edimburgo, UK), o Instituto de Aquacultura (Universidade de Stirling, UK), Rothamsted Research (Reino Unido), Universidade de Melbourne (Austrália), Universidade de Prince Edward Island (Canadá), Laboratório Bigelow para as Ciências do Mar (EUA), Universidade de Gotemburgo (Suécia) e Instituto de Investigação Marinha (Noruega).

 Mais informação na Fisch Farmer.

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