PBi | Melhoradores de plantas precisam-se

Créditos: Genetic Literacy Project

O melhoramento vegetal está em alta nas frentes industrial e académica. Mas para fazer face à crescente demanda por alimentos, o mundo precisa de mais investigadores a trabalhar nesta área.

Nos últimos anos, e mais recentemente em Portugal, as novas tecnologias de melhoramento vegetal saíram de ambientes exclusivos e confinados à investigação e à produção e começaram a entrar no ouvido da população em geral.

Embora subsistam muitas incertezas, dúvidas e confusões sobre as “mil e uma” novas técnicas utilizadas no melhoramento genético de plantas, a verdade é que os termos já são familiares para a maioria das pessoas, estando mesmo debaixo dos holofotes da comunicação social em alguns países.

No entanto, merecidas atenções deviam ser dadas igualmente ao melhoramento de plantas. É que antes da aplicação de qualquer dessas novas ferramentas – entre as quais a edição de genoma e, entre esta, o sistema CRISPR-Cas9 -, há que ter acesso a uma grande variedade de plantas de altíssima qualidade (ou seja, melhoradas).

O problema é que para as necessidades atuais e futuras de alimentos, existem poucos melhoradores de plantas. Essa é a convicção dos jovens investigadores latino americanos Patricio Muñoz e Marcio Resende. Patricio trabalha com mirtilos e Marcio com milho doce e em ambas as culturas os jovens investigadores em início de carreira implementam as abordagens mais modernas de melhoramento e seleção de genoma, com o objetivo de acelerar a produção de novas variedades. Como recém-formados, garantem que encontraram na área do melhoramento de plantas uma carreira promissora e gratificante.

AQUI, além da notícia original, em inglês, publicada na Genetic Literacy Project, poderão também ouvir um podcast com uma entrevista a Patrício Muñoz e Marcio Resende.
 
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Debate | O papel da ciência na produção e segurança alimentar

Crédito: Fundación Antama

A população mundial está a crescer, os recursos existentes são insuficientes e é preciso produzir alimentos de forma eficaz, segura e em quantidade. Qual é o papel que a ciência assume na produção e segurança alimentar e na atividade agrícola atual? Saiba AQUI as respostas, num debate que a TSF realizou sobre o tema a 24 de novembro, a pretexto do Dia Mundial da Ciência.

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PBi | Genes de gramíneas utilizados para produzir melhores colheitas de milho e sorgo


Os genes de mais de 700 espécies de gramíneas Andropogoneae estão a ser estudados com o objetivo de produzir milho e sorgo mais resistentes às alterações climáticas.

Com o objetivo de tornar as culturas de milho e de sorgo mais produtivas e mais resilientes às condições climáticas extremas provocadas pelas alterações globais da temperatura, investigadores estão a estudar as informações genéticas encontradas em mais de 700 espécies de plantas gramíneas.  

Investigadores da universidade norte-americana de Cornell e do departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA)estão a estudar a família de plantas Andropogonae, que inclui milho, sorgo e cana-de-açúcar, culturas bastante comuns em todo o mundo e que movimentam a economia agrícola dos países produtores e consumidores destes produtos.

Ao estudar a genética de espécies de gramíneas tão intimamente relacionadas com o milho, o sorgo e a cana-de-açucar, os investigadores serão capazes de extrair genes que abrangem cerca de 1,5 mil milhões de anos de história evolutiva. Com este trabalho, pretendem identificar pares de bases funcionalmente importantes nos genomas que podem sofrer mutação no milho e no sorgo.

“Na natureza, cada geração de plantas enfrenta várias condições climáticas, pelo que, as que sobrevivem a essas variações ambientais extremas, passam os seus genes de resistência às gerações seguintes. Por isso é tão importante estudarmos as gramídeas Andropogonae”, afirmou Ed Buckler, investigador principal do projeto e geneticista do USDA.   

“À medida que tentamos criar culturas mais adaptadas às mudanças climáticas [através de técnicas de PBi-Plant Breeding Innovation], poderemos aproveitar essa enorme quantidade de tempo evolutivo e história genética que não conseguimos identificar apenas analisando uma espécie”, acrescentou.

Estas informações genéticas, garantem os investigadores, ao permitirem a criação de culturas de milho e de sorgo mais resistentes às alterações climáticas, permitem também que os agricultores aumentem os seus ganhos e tenham menos perdas.

Veja AQUI a versão integral (em inglês) desta notícia no Cornel Chronicle, o jornal diário da Universidade de Cornell.

Estudo | OGM podem mitigar impactos das alterações climáticas

As culturas de milho geneticamente modificado são mais produtivas que as variedades não trangénicas.

Novas investigações sugerem que os ganhos conseguidos pela utilização da engenharia genética na agricultura serão imprescindíveis para reduzir os efeitos das alterações climáticas. Os agricultores têm de produzir mais e com menos perdas para enfrentar esse enorme desafio.

Num estudo publicado há dias no jornal científico Environmental Research Letters, investigadores norte-americanos da Universidade de Cornell, em Nova Iorque, e da Universidade de Economia Agrícola, no Kansas, afirmam que o uso de novas tecnologias na agricultura pode ajudar a compensar as perdas que as alterações climáticas inevitavelmente irão causar na produção de alimentos no mundo inteiro, mas especialmente nas regiões onde essas tecnologias ainda são praticamente inexistentes.

As previsões indicam que os países da África e da Ásia serão os mais afetados pela mudança global das temperaturas e, mesmo assim, os governos desses países, “pressionados pela intensa oposição liderada por ativistas anti-OGM, continuam a hesitar adotar novas tecnologias de melhoramento de plantas”, lê-se num artigo da revista Alliance For Science sobre este estudo científico.

Afirmam os autores do estudo, Ariel Ortiz-Bobea, professor na Universidade de Cornell, e Jesse Tack, professor na Universidade do Kansas, que “apesar das previsões que apontam para um crescimento sustentado da produção de milho nos Estados Unidos, o negócio poderá estagnar, o que terá sérias implicações noutras culturas e noutros países”, uma vez que existem muitos países onde a adoção de tecnologia é escassa ou a produção de culturas transgénicas é pura e simplesmente proibida.

“Se os ganhos relativos de produtividade estimados nos Estados Unidos são um indicador do potencial das novas tecnologias se aplicadas a outras culturas e noutros países, então a produção de culturas transgénicas pode constituir uma estratégia de adaptação frutífera para contrabalançar os efeitos das mudanças climáticas”, concluem.

Leia o artigo na Alliance For Science AQUIe o estudo original publicado na Environmental Research Letters AQUI

  

Edição de genoma | Sabe qual é a diferença entre OGM e CRISPR?


O que é a edição de genoma, como funciona, o que distingue o CRISPR-Cas e o CRISPR-Cas9, quais as suas aplicações atuais e potenciais e o que distingue esta tecnologia dos OGM?   

Desde a sua descoberta pelo cientista espanhol Francisco Mojica, investigador microbiologista da Universidade de Alicante, em Espanha, a tecnologia CRISPR tornou-se uma verdadeira revolução no campo da edição genética, permitindo editar ou corrigir, com uma enorme precisão e exatidão, uma área do genoma de qualquer célula.

Aplicada pela primeira vez em 2012, desde então as novas aplicações desta tecnologia não pararam de crescer. E apesar de ser uma tecnologia diferente dos OGM – Organismos Geneticamente Modificados, também conhecidos como transgénicos, permanecem na população em geral muitas dúvidas quanto a esta dissociação.

Para facilitar sua compreensão, a Fundação Antama lançou um vídeo, que pode visualizar em cima, e um guia, no quais explica os conceitos básicos sobre a tecnologia CRISPR: o que é, como funciona, o que distingue o CRISPR-Cas e o CRISPR-Cas9, quais as suas aplicações atuais e potenciais e o que a distingue dos OGM?  

Leia o guia AQUI 

Edição de genoma| Mosquito da malária deve ser exterminado?

Fotografia de Jose Luis Ramirez

A malária mata quase meio milhão de pessoas todos os anos. É transmitida por mosquitos e é talvez a última doença infeciosa que ainda não conseguimos controlar. Mas as novas técnicas de edição de genoma prometem mudar essa realidade. Com o CRISPR/Cas9, os investigadores acreditam que é possível exterminar os mosquitos da face da Terra. No entanto, mesmo podendo, será que devemos eliminar uma espécie? 

Um novo estudo realizado por investigadores do Colégio Imperial de Londres, em Inglaterra, demonstrou que o CRISPR / Cas9, uma técnica de edição de genoma, pode provocar uma mutação genética que causa infertilidade nos mosquitos fêmeas e faz com que os machos “passem” a mutação para os descendentes.

Usando um condutor de genes (em inglês, gene drive), os investigadores procederam a um ajuste genético e descobriram que poderiam “estender” a mutação aos descendentes, em taxas suficientemente altas, o que praticamente aniquilou a população de Anopheles gambiae, uma espécie de mosquito responsável pela disseminação da malária, que os investigadores usaram nos seus testes.

Sendo o último flagelo infecioso que ainda não é controlado, a malária é responsável pela morte de mais de 400 mil pessoas todos os anos, principalmente na África subsaariana e na Índia, pelo que o trabalho dos investigadores do Colégio Imperial de Londres está longe de ser a única tentativa de extermínio dos mosquitos. Já houve várias tentativas, mas, até agora, esta parece ser a mais eficaz. Tão eficaz que, durante a conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, que termina hoje em Sharm El-Sheikh, no Egito, se tornou incontornável levantar a seguinte questão: apesar de podermos eliminar uma espécie, ainda que tão mortífera como o mosquito da malária, será que devemos?

Saiba o que pensam os investigadores AQUI, num artigo em inglês assinado por Andrew Porterfield e publicado na Genetic Literacy Project.

InnovPlantProtect vai desenvolver novas estratégias para proteção de plantas

Pedro Fevereiro, diretor do Plant Cell Biotechnology Laboratory do Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier (ITQB), esteve envolvido diretamente na criação do laboratório colaborativo InnovPlantProtect que vai funcionar em Elvas, no INIAV, a partir de 2020. O projeto vai trabalhar no sentido de encontrar soluções inovadoras para pragas e doenças existentes e que também começam a surgir devido às alterações climáticas.

Texto: Emília Freire l Fotografia: Rodrigo Cabrita

Entrevista já publicada nas edições impressa e online da Vida Rural ( https://goo.gl/o3fJYd)

Créditos: Rodrigo Cabrita

O que vai ser o InnovPlantProtect?

Vai ser um laboratório colaborativo, ou seja uma estrutura privada sem fins lucrativos, gerido por uma associação, que se vai dedicar a desenvolver novas estratégias para a proteger as plantas de pragas e doenças.

A associação tem diversos tipos de sócios: duas grandes empresas multinacionais (a Bayer e a Syngenta), uma empresa agrícola nacional (a Fertiprado), associações de produtores (a ANPOC), a ANPROMIS, a Casa do Arroz e a FNOP), bem como instituto de investigação (ITQB NOVA e CEBAL), além do INIAV e do município de Elvas. Todas estas instituições, algumas delas com caraterísticas bastante distintas, juntaram-se para desenvolver este laboratório.

E porquê desenvolver novas soluções para a proteção das plantas?

Existem várias razões e uma delas é a contestação aos métodos tradicionais. Os fitofármacos de origem química – em parte por causa dos impactos ambientais mas também pelos seus perfis toxicológicos e porque existe um movimento, sobretudo na Europa, para desenvolver métodos mais naturais –, estão a ser proibidos ou questionados.

Portanto o InnovPlantProtect vai desenvolver soluções não-químicas?

Depende do que se considera químico. Serão soluções químico-biológicas porque vão ser baseadas sobretudo em ácidos nucleicos e proteínas.

E vão-se tentar também desenvolver novas variedades de plantas que apresentem caraterísticas de resistência própria a algumas pragas e doenças e métodos para compreender, não só, a evolução das pragas mas também como é que estes novos métodos são capazes de controlar essas pragas. Isto num contexto importante que é o das alterações climáticas que trazem o aparecimento de novas pragas e doenças, que vêm de outras regiões, como o norte de África ou até do norte da Europa.

São pragas e doenças para as quais as soluções não estão adaptadas às condições do nosso país?

Para algumas não existe mesmo solução nenhuma. Por exemplo, para a traça da Guatemala que afeta a batata, e que pode entrar em Portugal via Galiza, não há forma de controlo. No caso também da Drosófila Susuki, que afeta principalmente fruteiras, que veio do norte de África e que já está em Portugal, tem ciclos de vida tão curtos que são menores do que os intervalos de segurança de aplicação dos fitofármacos existentes.

Mas há mais casos e vão surgir mais fungos e bactérias nos próximos anos devido a estas alterações relacionadas com a subida da temperatura média, variações da humidade do ar e chuvas bruscas e depois episódios de secas.

Créditos: Rodrigo Cabrita

Este laboratório vai funcionar em Elvas, no INIAV, em espaço que já existe ou novo?

Em espaço que já existe, que o INIAV vai disponibilizar mas que vai ser reestruturada com o apoio da Câmara Municipal de Elvas. A decisão teve a ver com vários fatores, nomeadamente o facto de o programa Colab não financiar infraestruturas, mas também por poder ficar associado à Estação de Melhoramento de Plantas. O que é muito importante do ponto de vista da interação porque a Estação trabalha com plantas, tem ensaios de campo e tem uma tradição muito interessante na investigação do melhoramento de plantas e que todos os parceiros consideram que é útil valorizar e revitalizar. Além disso, Elvas também é uma zona onde existe alguma atividade associativa por parte dos agricultores, por isso consideramos que é interessante para criar sinergias e desenvolver inovação na agricultura.

Saliento que chamamos ‘laboratório’ mas na prática vai ser uma unidade de desenvolvimento de soluções, não um laboratório ‘tradicional’ de investigação. O que vai fazer é agarrar no conhecimento existente e juntá-lo de forma a desenvolver soluções que serão patenteadas e depois licenciadas para serem comercializadas.

As empresas que fazem parte da associação terão prioridade?

Em princípio sim, se estiverem interessadas. Será exatamente por isso que as empresas se associaram ao projeto.

O InnovPlantProtect vai funcionar com os investigadores das unidades de investigação ou vai ter pessoal próprio?

Os laboratórios colaborativos são instalados numa perspetiva de autonomia relativamente às unidades públicas de investigação. Ou seja: são instituições privadas que têm de contratar os seus próprios colaboradores, sejam investigadores, técnicos e outros, de forma a poderem funcionar de forma completamente autónoma.

Neste laboratório, a perspetiva é ter, ao fim de cinco/seis anos, cerca de 50 pessoas contratadas, em diversas categorias. O que não quer dizer que o laboratório não venha a desenvolver projetos em cooperação com diversas unidades de investigação, uma vez que nunca será suficientemente grande para abarcar todas as valências.

E vão trabalhar também em colaboração com as associações de produtores para identificar os principais problemas que os preocupam nesta área?

Certamente. Esse é um aspeto importante do Colab, porque é precisamente direcionado para a resolução de problemas, para avaliarmos quais são os problemas que realmente existem e quais as soluções que podemos desenvolver para os resolver. E isso vai ter de ser decidido a cada momento pelos associados: quais são os objetivos específicos a cada momento. Não nos poderemos dedicar a dez pragas diferentes, por isso vai ter de se decidir que ‘resolvemos este e este problema agora’, uma vez que nem o financiamento nem as capacidades são ilimitados.

Isto é um projeto com um horizonte temporal limitado?

Não, o horizonte não é limitado. A ideia é garantir a sustentabilidade sem financiamento público desta unidade, por isso enquanto houver sustentabilidade o laboratório poderá funcionar.

Mas o financiamento deste programa Colab é limitado no tempo?

Sim, tem um limite de cinco anos.

Por isso o projeto tem cinco anos para ser sustentável, baseando-se no licenciamento das soluções patenteadas até lá?

Sim, mas também com projetos internacionais ou com projetos específicos desenvolvidos com a empresa A ou B. Tem de funcionar como uma empresa que vai vender Provas de Conceito, que terão de ser protegidas, por patentes, e licenciadas aos associados ou colocadas no mercado.

Quando está previsto começar a funcionar e como vai ser dirigido o InnovPlantProtect?

A associação vai ter de contratar um diretor e esse diretor terá a responsabilidade de desenvolver os processos de contratação e coordenar toda a atividade da instituição.

Idealmente gostaríamos de já ter alguma coisa para mostrar no Dia do Agricultor [15 de maio de 2019] mas parece que até final de 2019 as obras não ficarão concluídas. No entanto, é provável que nessa altura já haja, pelo menos, indicação de quem vai ser o diretor da unidade, porque temos de constituir formalmente a associação até ao final deste ano e no princípio do próximo ano terá de haver uma decisão relativamente à direção.

Falando agora um pouco do trabalho que o laboratório que dirige aqui no ITQB tem vindo a desenvolver, também na área mais agrícola, que projetos gostaria de destacar?

Há três projetos que espelham uma parte daquilo que fazemos. No âmbito do programa de Melhoramento e Biodiversidade, que foi lançado pelo Ministério da Agricultura em julho, ganhámos dois projetos sendo que um – o Programa de Conservação e Melhoramento Genético da Oliveira – é para seleção de oliveira, feito em colaboração com a BLC3 de Coimbra. O que estamos a fazer é tentar encontrar dentro da variedade Galega genótipos que tenham, não só maior capacidade produtiva, mas também maior resistência à gafa.

A Galega esteve esquecida durante muito tempo…

Pois… até tive algumas ‘discussões’ com alguns produtores que diziam que os investigadores não ligavam nenhuma à Galega, mas é preciso frisar que para investigarmos é preciso haver financiamento e quando é o próprio Ministério da Agricultura que não quer saber… as coisas são muito complicadas.

Em que consiste então este projeto?

Percorremos já uma boa parte do País onde existe Galega e selecionamos olivais menos antigos e outros muito antigos para tentar encontrar variabilidade genética, que existe e está identificada. E depois, dentro dessa variabilidade, temos de conseguir selecionar as plantas que consideramos ótimas e apresentam resistência à gafa, com finalidade de fazermos posteriormente multiplicação e resolver os problemas de enraizamento que a variedade costuma ter com enxertia, que aliás já se fazia há muito na oliveira.

E os outros projetos?

Um outro é com a Fertiprado – o Programa de Conservação e Melhoramento de Espécies Forrageiras e Pratenses. Queremos dar continuidade ao projeto do Micropropelite [através do qual se desenvolveu um novo procedimento que permite obter, por micropropagação, clones de várias espécies. Estes clones são testados, cruzados e multiplicados para se obterem novas variedades] e ampliar a base genética de seleção de variedades de leguminosas forrageiras com que a Fertiprado está a trabalhar. O programa tem, por um lado, uma parte de pesquisa no campo e seleção de genótipos interessantes e, por outro lado, uma parte de melhoramento em que tentaremos fazer cruzamentos controlados.

E o último programa?

É um programa na área da viticultura, com os viveiros Plansel, que é feito em colaboração com o INIAV Dois Portos, que tem várias componentes: o estudo da diversidade genética, inclusive com a pesquisa e caraterização de populações de Vitis Silvestris, e da resposta dessa diversidade genética ao oídio, através da análise da maior ou menor resistência no campo mas igualmente ao nível molecular, e também o estudo dos aspetos relacionados com a enxertia e a compatibilidade ou incompatibilidade de porta-enxertos, para depois ter ferramentas moleculares para selecionar os melhores pares porta-enxerto/enxerto.

Entrevista publicada na edição impressa e no site da revista Vida Rural 
https://goo.gl/o3fJYd

Edição de genoma | Doença renal hereditária poderá ter cura


Os investigadores usaram uma cadeia sintética de DNA para enganar as células e, desta forma, evitaram a mutação genética que provoca a doença renal hereditária. Fotografia de Pixabay.

Investigadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, descobriram uma nova abordagem para curar a Síndroma de Joubert, um distúrbio cerebral hereditário causado por uma mutação no gene CEP290 e que provoca insuficiência renal num terço dos pacientes. Através de uma forma de edição genética, designada “exon skipping”, os investigadores acreditam que podem corrigir o “erro” genético que está na origem da Síndrome de Joubert.


A Síndrome de Joubert afeta um em cada 80 mil recém-nascidos. Uma vez que a doença provoca insuficiência renal em cerca de um terço dos pacientes, muitos acabam por precisar de um transplante ou de diálise. Até agora, não existia cura possível para esta doença causada por uma mutação no gene CEP290, mas uma equipa de investigadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, liderada pelo nefrologista John Sayer, afirma ter provas de que uma forma de edição de genoma– em inglês, “exon skipping” – pode corrigir o “erro” genético que leva ao desenvolvimento da Síndrome de Joubert.

Num artigo publicado na Proceedings, revista da Academia de Ciências Britânica, a equipa relatou as experiências que realizou com as células renais de um paciente de dezanove anos portador da Síndrome de Joubert, com um rato portador da doença e com roedores que tinham cálculos renais e insuficiência renal, nos quais foi usada a técnica “exon skipping”. Resultado: a doença renal nos roedores foi travada. Os testes em humanos, esperam os investigadores, poderão começar dentro de três anos.

John Sayer garante que “este trabalho abre caminho para as terapias genéticas personalizadas em pacientes com a doença renal hereditária.”

Leia  AQUI  o artigo integral publicado na FierceBiotech, em inglês.

Edição de genoma | CRISPR é usado para criar variedades não transgénicas

 

O geneticista de plantas Li Yi usa o CRISPR para produzir árvores cítricas resistentes à doença Greening (HLB). Fotografia de UP Magazine.

Serão as técnicas convencionais de melhoramento de plantas eficientes para aumentar a produção agrícola? O geneticista de plantas chinês Li Yi, investigador na Universidade do Connecticut, EUA, garante que não e acredita que a solução para conseguirmos alimentar a crescente população mundial pode estar na nova tecnologia de edição de genoma,conhecida por CRISPR. Saiba porquê.

Num artigo publicado no portal da Genetic LiteracyProject, o geneticista de plantas chinês Li Yi, investigador da Universidade do Connecticut, nos EUA, garante que as técnicas convencionais de melhoramento de plantas são ineficientes para aumentar a produção agrícola.Para este investigador, que trabalha em estreita colaboração com equipas de investigação de algumas universidades chinesas e norte-americanas, é vital descobrir maneiras de aumentar a produção de alimentos de forma a enfrentar o crescimento da população.
A alternativa poderia estar na aplicação das tecnologias que permitem produzir plantas geneticamente modificadas (GM), uma vez que têm a capacidade de produzir rapidamente novas variedades, no entanto, e apesar de terem sido publicados estudos exaustivos que provam a sua segurança para consumo humano, a sua adoção tem sido controversa um pouco por todo o mundo, especialmente na Europa, onde muitos consumidores continuam a rejeitar os alimentos geneticamente modificados (OGM).

A solução, acredita Li Yi, pode ser a nova tecnologia de edição de genoma, conhecida por CRISPR (em inglês, Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats, em português, Repetições Palindrómicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas) e que está a ser usada pelos investigadores, incluindo Li Yi, para produzir variedades não transgénicas. Diz Li Yi, no artigo da Genetic Literacy Project: “Como geneticista de plantas, uma das minhas principais prioridades é desenvolver ferramentas que permitam produzir plantas lenhosas, como árvores cítricas resistentes à doença do Greening, o Huanglongbing (HLB), que dizimou essas árvores em todo o mundo. Detetada pela primeira vez na Flórida em 2005, a HLB dizimou 9 mil milhões de dólares de colheita só no estado da Flórida, levando a um declínio de 75% na produção de laranjas em 2017.”

A doença Greening dizimou os pomares de citrinos da Flórida. Fotografia de Edgloris Marys / shutterstock.com

As árvores de citrinos demoram entre cinco e dez anos a produzir fruta. A nova técnica usada pela equipa de investigadores de Li Yi, nomeada como uma das abordagens inovadoras de 2017, “tem o potencial de acelerar o desenvolvimento de árvores cítricas não transgénicas resistentes ao HLB.”

Mas por que é que as plantas criadas com a nova técnica de edição de DNA não são consideradas OGM?  Como explica Li Yi no artigo, “geneticamente modificado refere-se a plantas e animais que foram alterados de uma forma que não aconteceria naturalmente através da evolução – um exemplo muito óbvio consiste na transferência de um gene de uma espécie para outra, a fim de dotar o organismo de uma nova característica, como a resistência a pragas ou a tolerância à seca. Mas no trabalho que eu e a minha equipa desenvolvemos, não estamos a cortar e a colar genes de animais ou bactérias em plantas, estamos a usar as tecnologias de edição de genoma para introduzir novas características da planta, reescrevendo diretamente o seu código genético.”

Saiba mais AQUI , no artigo do investigador Yi Li, publicado no portal da Genetic Literacy Project.

Edição genética | Aplicação de CRISPR-Cas em hortícolas gera bons resultados

© Anphotos| Dreamstime.com


Para atender à crescente necessidade de garantir a segurança alimentar, alguns investigadores e produtores de hortícolas estão a direcionar o foco para a edição de genoma. Os resultados são muito satisfatórios em algumas culturas.

A edição de genoma é um tipo de engenharia genética em que o ADN é inserido, substituído ou removido de um genoma, utilizando nucleases modificadas artificialmente. Uma das técnicas usadas na edição de genoma é o CRISPR-Cas, cuja precisão e potência permite corrigir um ou mais genes em qualquer célula viva. As possibilidades da sua aplicação na agricultura são imensas, como o demonstram as publicações que têm sido feitas sobre o CRISPR-Cas e que aumentaram significativamente desde 2013.

Desta vez, uma equipa de investigadores da Universidade de Maringá, no Brasil, testou-o em frutas, vegetais, flores e plantas medicinais e aromáticas e verificou que a aplicação da edição genética foi bem-sucedida nas culturas de repolho-anão, cenoura roxa, pepino resistente ao stress hídrico, batata de amilose reduzida, morango de crescimento rápido,tomate de maturação tardia e melancia albina.

Os resultados não foram tão satisfatórios noutros produtos hortícolas, porque, como explicam os autores do estudo num artigo revisto, ainda não possuem os requisitos básicos necessários para a edição de genoma. Acreditam, no entanto, que conhecendo melhor as culturas hortícolas poderão, no futuro, alargar a aplicação do CRISPR-Cas.

No mesmo artigo, os investigadores salientam que a versatilidade, rapidez e baixo custo desta ferramenta faz com que a aplicação da edição de genoma na agricultura seja mais acessível e eficiente do que outras tecnologias.  
 

Mais informações sobre o CRISPR-Cas, em castelhano, AQUI e artigo original AQUI