Arquivo da categoria: BioÉtica

Vídeo | Biólogo explica CRISPR a pessoas com 5 níveis diferentes de conhecimento

Biologist explains CRISPR - 5 people

VÍDEO
Biólogo explica CRISPR a pessoas
com 5 níveis diferentes de conhecimento

O Biólogo Neville Sanjana conversa com cinco pessoas com níveis de conhecimento diferente (desde criança com 7 anos a especialista) sobre a técnica de edição de genoma CRISPR.

Neville Sanjana é investigador da Universidade de Nova Iorque e do Centro de Genoma de Nova Iorque.

A Wired divulga informação sobre tecnologia e inovação e de que forma influenciam o dia-a-dia da vida das pessoas, desde a cultura, os negócios, a ciência, a industria e o design.

 

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Recomendações EASAC | Edição de Genoma

Genome Editing EASAC - Mar2017

Recomendações
– Edição de Genoma em plantas, animais,
microrganismos e pacientes –

Comunicado CiB – 10 Abril 2017

Um relatório com recomendações sobre a Edição de Genoma foi publicado, no final de Março de 2017, pelo Conselho Consultivo das Academias Europeias de Ciências (EASAC). O relatório Edição de Genoma: Oportunidades Científicas, interesses públicos e opções políticas na UE dirige-se principalmente a decisores políticos da União Europeia (UE) e fornece recomendações sobre a abordagem relativa à aplicação da Edição de Genoma em plantas, animais, microrganismos e pacientes.

 

O QUE É A EDIÇÃO DE GENOMA?
A Edição de Genoma refere-se à modificação intencional de uma sequência de DNA específica, pré-seleccionada, existente num determinado ser vivo. Esta tecnologia está a aumentar o conhecimento sobre as funções biológicas dos seres vivos e a revolucionar a investigação científica. Esta nova e poderosa ferramenta tem potencial para ser utilizada em diferentes áreas de aplicação: saúde humana e animal, agricultura e alimentação e bioeconomia. Contudo, associadas às perspectivas dos benefícios desta tecnologia, têm sido levantadas questões relacionadas com a segurança e a ética, assim como questões relacionadas com a sua regulamentação.

 

Segundo Pedro Fevereiro (presidente do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia, investigador e professor de Biotecnologia Vegetal), “as técnicas de Edição de Genoma possibilitam aos investigadores modificar um sequência precisa do DNA, criando modificações específicas, as quais permitem melhorar as características dos seres vivos sem que seja necessária a integração de DNA estranho. Esta tecnologia vai revolucionar os métodos de melhoramento vegetal e animal e auxiliar a cura e prevenção de doenças em humanos.”

O EASAC destacou que os decisores políticos devem assegurar que a regulamentação para a Edição de Genoma deve ter por base factos científicos, considere os benefícios, assim como os riscos hipotéticos e que seja proporcional, e suficientemente flexível, para abarcar os futuros avanços da ciência e da tecnologia.

O EASAC considera que o aumento da precisão, actualmente possível através da edição de genoma, representa uma grande mudança na investigação e na inovação. Neste contexto, destacam-se algumas das suas recomendações em relação a diferentes áreas:

PLANTAS
Os reguladores devem confirmar que os produtos de edição de genoma, quando não contêm DNA de outros organismos, não sejam considerados na legislação sobre Organismos Geneticamente Modificados (OGM). A regulamentação seja específica para os produtos / características agrícolas, em vez de se focar na tecnologia através da qual se concretiza a sua obtenção.

ANIMAIS
O melhoramento de gado para pecuária deve ser regulamentado tal como é proposto para o caso do melhoramento de plantas, ou seja, a regulamentação deve ser específica para as características e não para a tecnologia.

DIRECCIONAMENTO GENÉTICO
As aplicações genéticas para o controlo de vectores e outras modificações de populações-alvo no meio selvagem (por exemplo, para insectos vectores de doenças) oferecem oportunidades potenciais significativas para ajudar a enfrentar grandes desafios de saúde pública e de conservação.

MICRORGANISMOS
A Edição de Genoma em microrganismos não levanta novas questões para o quadro regulamentar e está actualmente sujeita a regras estabelecidas para utilização confinada e para libertação deliberada de OGM. Dado o potencial da sua aplicação, incluindo em produtos farmacêuticos, biocombustíveis, biosensores, bioremediação e cadeia alimentar, é importante considerar a sua aplicação no contexto da estratégia da União Europeia para a Inovação e Bioeconomia.

CÉLULAS HUMANAS
Investigação básica e clínica é necessária na edição de genoma em células humanas e deverá ser sujeita a regulamentação legal e ética e a práticas padronizadas. A aplicação clínica deverá ser rigorosamente avaliada dentro dos quadros regulamentares e considerar o consenso societal em relação a questões de relevância científica e ética, de segurança e de eficácia.

 

O Conselho Consultivo das Academias Europeias de Ciências chamou também a atenção para um aspecto que considera crucial, a “Justiça Global”, uma vez que existe o risco de aumento de desigualdade e tensão entre aqueles que têm acesso aos benefícios das aplicações da Edição de Genoma e aqueles que não têm. Segundo o EASAC, existem evidências de que decisões políticas têm criado dificuldades acrescidas a cientistas, agricultores e políticos de países em desenvolvimento, por exemplo, no caso das culturas geneticamente modificadas. Neste contexto, o EASAC considera vital que os decisores políticos avaliem as consequências de decisões tomadas em países externos à União Europeia. Reformular o actual quadro regulamentar na UE e criar a coerência necessária entre os objectivos internos da UE e a agenda para o desenvolvimento, com base em parcerias e na inovação, são importantes tanto para os países em desenvolvimento como para a Europa.

 

MAIS INFORMAÇÃO

 

 

Revista Science: Descoberta do ano 2015 é CRISPR, poderosa técnica de edição de genoma

Revista Science:
Descoberta do ano 2015 é CRISPR,
poderosa técnica de edição de genoma

Science Magazine

A conceituada revista Science Magazine anunciou que a DESCOBERTA DO ANO 2015 foi a CRISPR, uma poderosa técnica de edição de genoma.

Apesar de a CRISPR já ser investigada há vários anos, em 2015, a Revista Science considerou que esta técnica revolucionária, pois transformou a forma de produzir ciência e despoletou o debate público sobre a sua utilização. A CRISPR permite a elevada precisão na edição do DNA e que os investigadores criem uma nova forma de inserirem um gene em várias populações de seres vivos, como insectos ou outros. Permite também a modificação do DNA de embriões humanos que eleva as esperanças e perspectivas de eliminação de algumas doenças genéticas. Contudo como todas as novas tecnologias revolucionárias, despoleta questões bioéticas relacionadas com a forma como esta tecnologia pode e deve ser utilizada no futuro.

Para saber mais sobre a CRISPR e conhecer as restantes escolhas da Science para o ano 2015 e ver o VIDEO visite o LINK.

 

 

PRRI – Public Research & Regulation Initiative | Iniciativa Pública de Investigação e Regulamentação

PRRI (2)

O CiB – Centro de Informação de Biotecnologia é parceiro da PRRI – Public Research and Regulation Initiative | Iniciativa Pública de Investigação e Regulamentação é uma iniciativa organizada desde 2004, ao nível global, por investigadores científicos do sector público que investigam a moderna biotecnologia para o bem comum.

O objectivo do PRRI é promover um fórum de cientistas do sector público para partilharem informações e envolverem-se na regulamentação internacional e nas políticas relacionadas com a moderna biotecnologia.

As principais actividades do PRRI são aumentar a consciência para a necessidade de haver progressos na investigação pública nesta área e promover mais discussão e debate científico biotecnológico ao nível internacional.

Artigo de Séralini foi retirado e retractado da revista científica Food & Chemical Toxicology

Artigo de Séralini foi retirado da revista científica
Food & Chemical Toxicology:
consequência do normal processo científico

29 Novembro 2013

A revista científica “Food & Chemical Toxicology” retirou o artigo de Gilles-Eric Séralini e outros autores, publicado em Setembro de 2012, onde os autores  pretendiam revelar indícios de que o milho transgénico NK 603  e o herbicida Roundup são perigosos para a saúde animal.

Esta não é de todo uma conspiração ou um complô contra Gilles-Eric Séralini. É uma consequência do trabalho fundamental de assegurar a exactidão dos dados científicos publicados no artigo que a revista científica “Food & Chemical Toxicology” não concretizou, tal como seria suposto acontecer. Retirar um artigo científico de uma publicação científica é o procedimento normal quando, como aconteceu neste caso, o artigo em causa contém problemas graves de exactidão nos métodos que utiliza, nos resultados obtidos e na discussão que apresenta.

Várias foram as instituições e organizações científicas que apontaram os problemas sérios do conteúdo do artigo de Séralini e que declaram que as conclusões do seu estudo não poderiam ser verificadas, tal como deve acontecer no processo de produção científica.

Alguns documentos que explicam os motivos da falta de qualidade científica deste artigo e porque foi retirado podem ser consultados nos links em baixo:

– Comunicado de imprensa da editora Elsevier retratando a publicação deste artigo na sua revista científica “Food and Chemical Toxicology”

EFSA descredibiliza artigo sobre toxicidade de milho transgénico em ratos

– Opinião da PRRI – Public Research & Regulation Initiative

– Parecer do ViB –  Life Sciences Research Institute in Flanders

– Comunicado do CiB Portugal – Estudo de Séralini que sugere toxicidade de milho transgénico não é credível

– Comunicado do CiB Portugal  – Seis Academias Nacionais Francesas comentam publicação sobre toxicidade dos OGM

Transgénicos: “Autorizem o Arroz Dourado Agora!” reclama antigo líder da Greenpeace

GoldenRicePetition

Comunicado

Transgénicos

“Autorizem o Arroz Dourado Agora!”
reclama antigo líder da Greenpeace

3 Outubro 2013

Um dos fundadores da Greenpeace Patrick Moore está a organizar a campanha internacional “Allow Golden Rice Now!” – www.allowgoldenricenow.org – para lutar contra um crime perpetuado pela própria Greenpeace. Aquela organização ambientalista mantém há muitos anos a sua posição anti arroz-dourado com consequências devastadoras para milhões de crianças em todo o mundo em desenvolvimento.
A campanha “Autorizem o arroz dourado Agora!” defende a produção daquele arroz transgénico e foi ontem lançada com Patrick Moore a liderar uma manifestação em frente aos escritórios da Greenpeace divulgando a mensagem: “Crime Contra a Humanidade da Greenpeace – Oito milhões de crianças mortas”.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, todos os anos, mais de 500 mil crianças ficam cegas devido à falta de pró-vitamina A. Metade dessas crianças morre um ano depois de ficarem cegas. Das 3 mil milhões de pessoas que depende do arroz como alimento principal na sua dieta alimentar, cerca de 250 milhões de crianças têm falta de pró-vitamina A.

O objectivo desta campanha é convencer a Greenpeace de que tem de abrir uma excepção para a sua posição de tolerância zero aos OrganismosGeneticamente Modificados (OGM) no caso do arroz dourado, porque esta é uma causa humanitária.

O arroz convencional não tem beta-caroteno, o nutriente que os seres humanos necessitam para produzir vitamina A. Em 1999, Ingo Potrykus e Peter Beyer, investigadores que estavam cientes desta crise humanitária, inventaram o Arroz Dourado depois de nove anos de esforços. Através da inserção de genes do milho no arroz foram capazes de fazer com que as plantas do arroz produzissem beta-caroteno nas bagas do arroz. É o beta-caroteno que dá a cor dourada ao milho e a cor laranja às cenouras. O Arroz Dourado tem a capacidade de acabar com a cegueira, o sofrimento e a morte causada por falta de pró-vitamina A.

Ao longo dos últimos anos foi comprovado que o Arroz Dourado pode ser produzido com sucesso e segurança. Os ensaios clínicos de nutrição – com animais, seres humanos adultos e crianças com deficiência em pró-vitamina – provaram que o Arroz Dourado pode facilitar a produção de vitamina A e acabar com este problema devastador.

Mesmo assim, a Greenpeace continua a apoiar a destruição violenta dos campos de ensaio e a fingir que não existem estudos científicos de revisão por pares que provam que o Arroz Dourado é eficiente e seguro.

Recentemente cerca de 6000 mil cientistas de todo o mundo assinaram uma petição mostrando a sua indignação contra a destruição de campos de ensaio nas Filipinas que ocorreram recentemente – http://chn.ge/1bpsp7f

A campanha “Autorizem o arroz dourado!” exige que a Greenpeace pare de apoiar estas actividades, que pare de financiar projectos anti-Arroz-Dourado e declare que não se opõem ao Arroz Dourado.
Patrick Moore acredita que as acções continuadas para bloquear o Arroz Dourado constituem um crime contra a humanidade, tal como definido pelas Nações Unidas.

O Instituto Internacional de Investigação do Arroz (IRRI), nas Filipinas, está a coordenar a investigação e o desenvolvimento em Arroz Dourado. O IRRI é apoiado pela The Rockefeller Foundation, The Bill and Melinda Gates Foundation, Helen Keller International, USAID e muitas instituições de investigação agrária em todo o mundo. O Arroz Dourado é controlado por organizações sem fins lucrativos e os agricultores não dependem de nenhum fornecedor em particular.

A Campanha “Allow Golden Rice Now!” irá protestar nos escritórios da Greenpeace em todo o mundo, declarou Moore. “Oito milhões de crianças morreram desnecessariamente desde que o Arroz Dourado foi inventado. Quantos mais milhões pode a Greenpeace carregar na sua própria consciência?”.

MAIS INFORMAÇÕES

– Campanha “Allow Golden Rice Now!
• Página para os Media e Fotogragrafias
• Artigo de Patrick Moore – “Has Greenpeace lost its moral compass?

Petição de cientistas contra destruição de campos de ensaio

Entrevista ao “pai” da 1ª planta transgénica: “A tecnologia OGM é como respirar”

Marc Van Montagu e a equipa de investigadores há 30 anos

Entrevista 

Marc Van Montagu
Cientista responsável pela criação da primeira planta transgénica

A tecnologia OGM é como respirar

Julho-Agosto 2013
Por Sofia Frazoa | Revista Vida Rural

Trinta anos depois de ter criado a primeira planta transgénica, o biólogo molecular belga Marc Van Montagu foi um dos laureados com o World Food Prize 2013. Apesar de ter esperado maiores avanços na aplicação da Tecnologia dos Organismos Geneticamente Modificados, acredita que algo está a mudar. Entrevistado no instituto que criou, em Ghent, na Bélgica, garantiu que os OGM são inofensivos e uma solução de futuro para a produção de alimentos para seres humanos e animais.

Ler Entrevista

Versão em PORTUGUÊS | Versão em INGLÊS

NOTA-CORRECÇÃO – Na versão Portuguesa, página 7, deve ler-se “A maior prova de que os OGM são inofensivos é o facto de serem cultivados desde 1994 [e não 2006] sem risco para a saúde humana e para o ambiente”.

4 Dezembro, Lisboa – Biossegurança e OGM – Palestra e Debate

Palestra e Debate 

A importância do ambiente regulatório
para a adoção da biotecnologia moderna:
o exemplo Brasileiro

4 Dezembro 2012 – 15h

FLAD – Fundação para o Desenvolvimento Luso-Americano, Lisboa

Entrada Livre – Inscrição Obrigatória
(Enviar Nome e Contacto para o e-mail – cib@cibpt.org) 

 

 

PROGRAMA

15.00 – Recepção

15h15 – Palestra “A importância do ambiente regulatório para a adoção da biotecnologia moderna: o exemplo Brasileiro” e Apresentação de Livro “Guia para a Avaliação do Risco Ambiental de Organismos Geneticamente Modificados” – Professor e Investigador Paulo Paes de Andrade

16.15 – Pausa para Café

16h45 – Painel de Comentadores com moderação por Sofia Frazoa (jornalista)

Comentadores:

Fátima Quedas (professora e investigadora de genética e melhoramento de plantas)

Vítor Faustino (sociólogo e investigador)

José Maria Falcão (agricultor)

17.30 – Debate alargado ao público com moderação por Sofia Frazoa (jornalista)

18.45 – Conclusão

—–

RESUMO

A importância do ambiente regulatório para a adoção da biotecnologia moderna: o exemplo Brasileiro

Apresentação por Paulo Paes de Andrade
Depto. Genética, Universidade Federal de Pernambuco, RECIFE, PE, Brasil

 

As discussões sobre a avaliação de risco dos organismos geneticamente modificados sempre foram permeadas por uma forte dose de ideologia e isto se refletiu na criação em muitos países de um arcabouço legal não condizente com o real nível de risco que estes organismos podem apresentar para o ambiente ou para a saúde humana.  Ao longo dos últimos 15 anos, contudo, a experiência acumulada pelos avaliadores de risco, tanto das agências governamentais como das empresas e instituições de pesquisa e ensino, levou à consolidação de um procedimento sistematizado e robusto para a avaliação de riscos de OGMs, em especial de plantas transgênicas.

Em resposta ao estabelecimento deste patamar seguro de avaliação, muitas agências de avaliação de risco e, em especial, aquelas de países produtores de plantas geneticamente modificadas, atualizaram seus procedimentos de avaliação de risco. Em alguns casos, o país e sua agência regulatória foram também beneficiados por novas leis, que eliminaram choques entre leis antigas e pavimentaram o caminho para a adoção da biotecnologia moderna, tanto na área agrícola como em muitas outras.

Apesar do inegável ganho econômico representado pela consolidação da sistemática de avaliação de risco, da modernização do arcabouço legal para a adoção de OGMs e do emprego extensivo destes produtos no avanço da economia do país, muitas vezes o custo do regulatório é ainda muito alto, o que cria obstáculos importantes para o desenvolvimento de tecnologia nacional e para a competitividade sadia entre empresas.

Nesta apresentação mostraremos o trajeto seguido pelo país para mudar sua posição de pequeno exportador de grãos para uma posição de liderança, assumindo desde 2010 a segunda posição na produção de grãos transgênicos no Mundo. Mostraremos também o que há ainda para ser alcançado e como esta experiência elucidadora pode trazer subsídios aos reguladores e administradores de Portugal, em Particular, e da Europa, em geral.

Contactos

CiB – Centro de Informação de Biotecnologia, Portugal
E-mail – cib@cibpt.org  ||    Tel. 00351 214 469 461  || Website – http://www.cibpt.org

 

Organização

ICAAM – Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas

CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

Apoio

FLAD – Fundação para o desenvolvimento Luso-Americano

Seis Academias Nacionais Francesas comentam publicação sobre toxicidade dos OGM

Comunicado

Seis Academias Nacionais Francesas
de Agricultura, Medicina, Farmácia, Ciência, Tecnologia e Veterinária

divulgam comunicado sobre publicação de Séralini et al. relativa à toxicidade dos OGM

 Outubro, 2012

As Academias Nacionais de Agricultura, Medicina, Farmácia, Ciência, Tecnologia e Veterinária tomaram consciência, ao mesmo tempo que o público em geral, do artigo da equipa de Gilles-Eric Seralini recentemente aceite para publicação na revista Food and Chemical Toxicology, onde se relata um resultado tóxico e carcinogénico significativo, em ratos, resultante do consumo de milho geneticamente modificado (GM) NK 603, ou da exposição a doses baixas do herbicida Roundup, ao qual o milho GM NK 603 é resistente.

As seis academias acreditam que, devido às muitas deficiências na metodologia e interpretação dos dados apresentados neste artigo, não é possível impugnar outros estudos que concluíram anteriormente pela segurança sanitária do milho GM NK603 e de uma maneira geral das plantas geneticamente modificadas, cujo consumo por animais ou seres humanos esteja autorizado.
Resumindo a análise apresentada em maior detalhe pelas Academias (http://www.academie-sciences.fr/activite/rapport/avis1012.pdf), verifica-se que, neste trabalho, a concepção do plano experimental é insuficiente, em muitos aspectos, os métodos tradicionais de estatística não foram utilizados relativamente à ocorrência tumores, a escolha dos animais utilizados para esta experiência é questionável, e, finalmente, elementos quantitativos essenciais para a interpretação dos resultados não foram tidos em conta.
A análise convencional estatística dos resultados, tal como foram apresentados no artigo, mostra que não há diferenças significativas entre os grupos de ratos em estudo relativamente à ocorrência de tumores devido aos Organismos Geneticamente Modificados (OGM) resistentes ao Roundup, ou à sua associação, o que contradiz o que o texto dos autores sugere.
Por conseguinte, este trabalho não permite qualquer conclusão confiável. É raro um evento não-científico desta natureza despertar paixões em França e até mobilizar tão rapidamente os membros do Parlamento. A manipulação da reputação de um cientista ou de uma equipa de investigação é um erro grave quando ajuda a espalhar temores, sem qualquer base estabelecida, para o público em geral.
Além do julgamento do mérito do conteúdo do artigo em questão, a forma da sua comunicação levanta muitas questões, incluindo a saída simultânea de dois livros, um filme e um artigo científico, com a exclusividade do conteúdo a um jornal semanário, sujeito a uma cláusula de confidencialidade, inclusive para investigadores, e uma conferência de imprensa. Estas condições de distribuição para a imprensa, sem qualquer oportunidade de comentar conscientemente não são eticamente correctas.
Pode-se ainda questionar a ausência de declaração de conflito de interesses por Séralini e seus colaboradores, quando se sabe do seu compromisso ambiental e do apoio financeiro recebido por grandes grupos de distribuição.
As Academias estão surpreendidas com o facto de o artigo ter sido aceite para análise e lembram que a publicação de um artigo numa revista científica com revisores não é, em si, uma garantia de qualidade científica. Alguns artigos publicados em revistas internacionais, incluindo as mais famosas, são de má qualidade e são por vezes retractados.
As Academias lembram que é natural que se proceda à luz da evolução dos conhecimentos e desenvolvimento de técnicas, reavaliações periódicas dos procedimentos utilizados para detectar qualquer possível toxicidade e / ou a carcinogenicidade dos alimentos.

Tirando as primeiras lições da emoção suscitada pela publicação do Séralini e seus associados, as seis academias:

• Esperam que as universidades e institutos públicos de investigação introduzam disposições éticas em relação à comunicação dos resultados científicos, relativamente à sua distribuição pelos meios de comunicação e pelo público em geral, de modo a evitar que os investigadores prefiram o debate mediático que deliberadamente suscitam, em relação ao debate científico que o deve necessariamente preceder, no seio da comunidade científica;
• Propõem que o presidente do Conselho Superior de Audiovisual nomeie uma Comissão de Alto Nível de Ciência e Tecnologia para o informar, numa uma base regular, de como são tratadas as questões científicas pelos actores da comunicação audiovisual;
• Pedem aos poderes públicos e ao governo que tudo façam para repor o crédito na experiência colectiva e na palavra da comunidade científica, a qual merece toda a confiança, muitas vezes negada, quando todos concordam que o futuro da França depende, em parte, da qualidade da sua investigação.

Mais informações

  • Artigo – “Long-term Toxicity of a Roundup Herbicide and a Roundup-Tolerant Genetically Modified Maize”. Gilles-Eric Seralini, Emilie Clair, Robin Mesnage, Steeve Gress, Nicolas Defarge, Manuela Malatesta, Didier Hennequin, and Joel Spiroux de Vendomois. Food and Chemical Toxicology. 19th September, 2012. in press. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0278691512005637

Comunicado do CiB – Artigo sobre efeito de milho transgénico NK603 em ratos não tem credibilidade

COMUNICADO

Artigo sobre efeito de milho transgénico NK603 em ratos
não tem credibilidade

21 Setembro 2012 – CiB Portugal

A 19 de Setembro foi publicado um artigo (ref 1) numa revista científica (Food and Chemical Toxicology) assinado por uma equipa de investigação francesa sobre o efeito da alimentação prolongada de ratos com uma variedade de milho não identificada que contém o evento transgénico NK603. A publicação desse artigo é enquadrada num projecto de comunicação que inclui o lançamento de um livro e de um filme.

Os resultados aparentemente chocantes, sobretudo aqueles apresentados sob a forma de fotografias, parecem comprometer a segurança alimentar do consumo prolongado desta variedade de milho. Os autores e os seus apoiantes questionam assim o uso da tecnologia do DNA recombinante para o melhoramento vegetal e a sua utilização na alimentação humana e animal.

As variedades de milho com este evento são amplamente utilizadas há mais de 10 anos (autorização para comercialização concedida para os Estados Unidos em 2000 e em 14 países, incluindo a União Europeia). Isto significa que milhões de animais já consumiram este milho.

Uma leitura mais atenta deste artigo levanta de imediato uma série de questões, algumas fundamentais, sobre os resultados obtidos. Porque se usou uma variedade de ratos que se sabe desenvolverem tumores com facilidade, sobretudo a partir da segunda metade do seu tempo de vida? Porque é que o efeito é superior com uma percentagem de farinha transgénica menor? Porque é que os ratos controlo têm níveis de mortalidade idênticos, e em alguns casos superiores, aos dos ratos que foram alimentados com o milho transgénico? Porque é que não existem barras de erro nos resultados apresentados? Porque é que não existe qualquer tratamento estatístico? Porque é que não existe uma justificação biológica para o hipotético efeito observado? De onde veio o milho utilizado? Porque é que o autor não quer que seja analisado o milho com que fez os ensaios? Porque é que passados dez anos de uso continuado destas variedades de milho nenhum veterinário, produtor ou tratador de animais que consomem regularmente estes produtos relatou estes efeitos? Finalmente como é possível generalizar estes resultados sabendo que cada transgene configura uma modificação genética claramente distinta?

Este artigo nunca deveria ter sido publicado. Os seus autores dizem que é o primeiro estudo de longo prazo em animais. A mesma revista publicou em 2011 uma revisão de 12 estudos de longo prazo (ref 2) de alimentação com produtos transgénicos onde se verifica que em nenhum caso foram encontrados efeitos negativos na saúde animal. O artigo agora publicado não foi devidamente revisto pelos revisores desta revista e deveria ser imediatamente retirado. Existem centenas de dados e relatos científicos credíveis que provam precisamente o oposto do que é apresentado. Existirá uma conspiração mundial para propositadamente utilizar os produtos transgénicos para fazer mal a pessoas e animais?

Curiosamente este artigo é publicado ao mesmo tempo que se apresenta um filme e um livro sobre o mesmo assunto. Passadas duas ou três semanas de o governo francês ter sido condenado pelo tribunal europeu por proibir o cultivo de milho transgénico resistente aos insectos. E na mesma altura que a DG Sanco pretende fazer aprovar o cultivo de soja transgénica no espaço europeu.

Este estudo nunca deveria ter sido tornado público nestas condições e tem como única função assustar as pessoas e condicionar o uso desta tecnologia. Deveria ser dada a oportunidade a grupos de investigadores independentes para analisarem em detalhe os métodos seguidos e os resultados brutos obtidos e para replicarem a experiência de forma a serem verificados os resultados obtidos.

Pedro Fevereiro,
Presidente do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia
Investigador e Professor de Biotecnologia Vegetal
21 de Setembro de 2012

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
Ref 1 — “Long-term Toxicity of a Roundup Herbicide and a Roundup-Tolerant Genetically Modified Maize”. Gilles-Eric Seralini, Emilie Clair, Robin Mesnage, Steeve Gress, Nicolas Defarge, Manuela Malatesta, Didier Hennequin, and Joel Spiroux de Vendomois. Food and Chemical Toxicology. 19th September, 2012. in press.
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0278691512005637
Ref 2 – “Assessment of the health impact of GM plant diets in long-term and multigenerational animal feeding trials: A literature review”. Chelsea Snell, Aude Bernheim, Jean-Baptiste Bergé, Marcel Kuntz, Gérard Pascal, Alain Paris, Agnès E. Ricroch. Food and Chemical Toxicology. Volume 50. Issues 3–4. March–April 2012. Pages 1134–1148.
http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0278691511006399

Nova forma de produzir células estaminais embrionárias humanas

Novas formas de produzir células estaminais
embrionárias humanas

The Scientist – 5 Outubro 2011

Uma equipa de investigadores descobriu uma nova forma de produzir células estaminais embrionárias a partir dos genes do próprio paciente, o que poderá evitar a utilização deste tipo de células geradas a partir de embriões humanos, cuja utilização levanta importantes questões éticas.

Nesta investigação, foram produzidas, pela primeira vez,  células estaminais embrionárias pluripotentes em seres humanos através da tecnologia da transferência nuclear somática. Esta tecnologia permite a transferência de um núcleo de uma célula  somática de um paciente (ou seja, que é a denominação para qualquer tipo de célula humana, com excepção das células envolvidas na reprodução) para  um óvulo, do qual foi retirado o seu núcleo. A fusão do núcleo da célula somática com esse óvulo dá origem a uma célula que se multiplica noutras células, originando um embrião. Desse embrião podem ser retiradas células estaminais embrionárias com material genético do próprio paciente a serem utilizadas em tratamentos que sejam necessários, tais como transplante de pele e outros orgãos ou noutras terapêuticas para doenças degenerativas.

Este método tem vantagens sobre o método utilizado hoje em dia para obter células estaminais embrionárias que utiliza células de embriões excedentários de tratamentos de fertilização in vitro, o que levanta muitas questões éticas, pois a utilização desses embriões originará a sua morte.

Os resultados desta investigação foram publicados na revista científica  Nature.

Ler mais

Como vê a Sociedade das questões éticas e a biotecnologia

Como vê a Sociedade
das questões éticas e a biotecnologia

Até 15 de Junho de 2011

Como a sociedade vê o desenvolvimento das novas biotecnologias e as questões éticas ligadas a este processo é o objectivo de um estudo do Conselho Nuffield de Bioética, instituição que tem publicado relatórios sobre questões éticas na área de biologia e medicina.

Está disponível um documento introdutório a ser consultado. A participação do público está aberta até 15 de Junho de 2011 através de um questionário.

Boletim Informativo do CiB – Nº 0 – Jan-Abr 2006


Boletim Informativo do CiB

Nº 0 – Jan-Abr 2006


Destaque

  • Conferência Internacional sobre Coexistência

Actividades CiB

  • Zonas Livres de Transgénicos em Portugal sem Fundamento Científico
  • Sessões de esclarecimento com agricultores
  • Conversas com Política sobre Agrobiotecnologia

Reportagem CiB

  • Projecto “Despertar para a Bioética”

Download do Boletim Informativo do CiB