Vídeo | O natural não é necessariamente bom | Por David Marçal em TEDxPorto

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Vídeo TEDx 
O natural não é necessariamente bom

A comunicação TEDx de David Marçal, em Português, aborda um tema muito relevante na sociedade actual, maioritariamente vivendo em ambiente urbano no qual abundam os mitos sobre o que é natural, demonizando-se muitas vezes o que as pessoas consideram que não é natural.

[…] como bioquímico sempre achei muito curiosa uma certa ideia que existe acerca dos produtos naturais, que é a sua bondade intrinsica. Um produto natural é bom, porque é natural. Um produto químico é mau, porque é químico. E isso não é necessáriamente verdade. Mas sabem que não gera muita simpatia vir aqui falar destas coisas. Toda a gente gosta da natureza e dizer isto é quase como se eu fosse contra o pôr-do-sol. E na verdade eu adoro pores do sol. […]

Ao longo da sua explicação, David Marçal dá vários exemplos, incluindo o do milho biológico e da insulina geneticamente modificada fundamental para a saúde de diabéticos. Será que são naturais?

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[…] Por exemplo, o milho de agricultura biológica deve ser considerado um produto natural? Mesmo que consideremos que ele não foi modificado geneticamente por modernas técnicas de biologia molecular, o milho como nós o conhecemos não existe natureza. Ele é o resultado de milhares e milhares de anos de seleção de sementes feitos por gerações sucessivas de agricultores. O milho que existe na natureza é na verdade bastante diferente do que nós conhecemos. É uma espécie muito mais pequenina. Mas, vamos tornar as coisas ainda mais interessantes. É possível modificar geneticamente bactérias para elas produzirem insulina humana. Essa insulina é igualzinha à produzida pelo pâncreas humano. É uma proteína feita de aminoácidos, cada um deles constítuido por átomos de carbono, de hidrogénio, oxigénio e azoto. Para os diabéticos essa insulina serve perfeitamente. Portanto, podemos perguntar: será que essa insulina produzida por organismos geneticamente modificados é natural? […]

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Resumo desta comunicação “O natural não é necessariamente bom”
de David Marçal 

«Em certos meios está instalado um apartheid que segrega os produtos naturais dos “produtos químicos”. O argumento é tautológico: os produtos naturais são bons porque são naturais. E os produtos químicos são maus porque são químicos. E, como em todas as boas histórias, os bons resolvem os problemas causados pelos vilões. A primeira ideia para tornar esta história um pouco mais verdadeira é a de que um produto natural é necessariamente um produto químico. Num sentido lato, os produtos naturais são compostos produzidos por um qualquer organismo vivo. O colesterol (produzido por todos os animais) e a penicilina (produzida por um fungo) são produtos naturais. Os produtos naturais não são necessariamente perigosos, mas por vezes podem causar problemas graves de saúde. Em muitos casos os seus riscos são desconhecidos. Os remédios à base de produtos naturais não passam pelo exigente processo de ensaios clínicos necessários para a aprovação de um medicamento convencional. É desconhecida a sua eficácia e segurança e a sua toma comporta riscos que não estão avaliados.»

VISIONAR VÍDEO COMPLETO

 

MAIS INFORMAÇÃO

David Marçal doutorou-se em 2008 em Bioquímica pela Universidade Nova de Lisboa. É redator científico na Ciência Viva (Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica) e coordenador da rede GPS.PT (Global Portuguese Scientists). Publicou, em coautoria com Carlos Fiolhais, os livros “”Darwin aos tiros e outras histórias de ciência”, “Pipocas com telemóvel e outras histórias de falsa ciência” e “A ciência e os seus inimigos”. É também coordenador e autor do livro “Toda a Ciência (menos as partes chatas)” e assinou o ensaio “Pseudociência”. É autor de centenas de artigos na comunicação social, espetáculos e em programas de televisão sobre ciência. Já foi distinguido com os prémios Químicos Jovens (da Sociedade Portuguesa de Química), Ideias Verdes (da Fundação Luso e pelo Jornal Expresso) e COMCEPT (da Comunidade Céptica Portuguesa).

 

 

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Conferência | Biotecnologia e OGM na Feira Nacional de Agricultura | 7 Jun

Evento-7Junho_OGM_CAP_Santarem

Conferência Internacional
Biotecnologia e OGM
na Feira Nacional de Agricultura 2018

Que Lições Aprendemos com o Debate sobre os OGM?
Lições para Impulsionar a Inovação
na Agricultura Moderna

7 Junho 2018, 10-13h30 | Sala Ribatejo
CNEMA – Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas
Santarém
Feira Nacional de Agricultura

Organização
CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal​

Registo gratuito, mas obrigatório
(lotação máxima da sala: 120 lugares)

 

DESCRIÇÃO

Entende-se por biotecnologia o conjunto de técnicas que envolvem a manipulação de organismos vivos para a obtenção de produtos específicos ou modificação de produtos.

A biotecnologia é utilizada desde a antiguidade, na produção de pão e bebidas fermentadas, porém este era um processo muito artesanal. Hoje a biotecnologia utiliza técnicas e materiais de última geração. Com o aparecimento de estudos em microbiologia e biologia molecular, o conhecimento na manipulação de micro-organismos e genes tornou possível a produção de diversos medicamentos e alimentos.

A agricultura e a biotecnologia aliaram-se para tornar o cultivo de plantas mais eficiente. Pragas, doenças e problemas climáticos, por exemplo, sempre foram obstáculos à produção de alimentos. Porém, a engenharia genética permitiu a criação de tecnologias que reduzem as perdas e aumentam a produtividade das lavouras.

O objectivo desta conferência internacional é dar a conhecer os avanços da biotecnologia e a sua aplicação na agricultura do futuro e contamos com as perspectivas de oradores nacionais e internacionais peritos nesta matéria.

PROGRAMA COMPLETO
Sessão inclui tradução simultânea

10.00 – SESSÃO DE ABERTURA
LUIS MIRA – SECRETÁRIO GERAL DA CAP

10.15 – QUAL O PAPEL DA INOVAÇÃO NO MODELO EUROPEU DE AGRICULTURA?
• DIRECÇÃO GERAL DE AGRUICULTURA DA COMISSÃO EUROPEIA
• PEDRO NARRO – EUROPABIO

10.45 – INOVAÇÃO NA CRIAÇÃO DE NOVAS PLANTAS, O QUE SIGNIFICA PARA A AGRICULTURA DA UE?
• MARISÉ BORJA – CIENTISTA
• JOANA LOPES ALEIXO – SECRETÁRIA GERAL DA ANSEME
• ELO (EUROPEAN LANDOWNERS ASSOCIATION)

11.45 – MESA REDONDA DEBATE: A INOVAÇÃO HOJE, A TRADIÇÃO AMANHÃ
PORQUE OS AGRICULTORES PRECISAM DE INOVAÇÃO E TECNOLOGIA?
O DÉFICE DE PROTEÍNA DA UE
AGRICULTURA BIOLÓGICA VERSUS AGRICULTURA CONVENCIONAL
INOVAÇÃO AGRÍCOLA E NOTÍCIAS FALSAS

MODERADOR – JOSÉ DIOGO SANTIAGO ALBUQUERQUE

• ASAJA- ESPANHA – PEDRO GALLARDO
• CAP PORTUGAL – JOSÉ PALHA
• NFU- UK – MIKE HAMBLY
• COPA – COGECA – FILAND – MAX SCHULMAN
• MAIZALL – BRASIL – SERGIO BORTOLOZZO

13.00 – SESSÃO DE ENCERRAMENTO
• EDUARDO OLIVEIRA E SOUSA – PRESIDENTE DA CAP
• LUIS VIEIRA – SECRETÁRIO DE ESTADO DA AGRICULTURA

 

 

Vídeo TEDx | Transgénicos: Heróis ou Vilões

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Vídeo TEDx
Transgénicos: Heróis ou Vilões

Podem pensar que a comida é natural, não? Mas a verdade é que um tomate cherry tem mais tecnologia do que um iPhone.

A comunicação TEDx de José Miguel Mulet, em Espanhol, leva o público a descobrir outra perspectiva sobre os organismos geneticamente modificados (OGM) produzidos para a agricultura e alimentação, que tanta controvérsia geram na actualidade. Discute o conceito de alimentos “naturais” e conta a história muito antiga do melhoramento genético de plantas para produção de alimentos presentes nas nossas refeições, dando o exemplo do desenvolvimento da cenoura, do tomate, das batatas, entre outros.

Na sua apresentação refere também produtos geneticamente modificados do nosso dia-a-dia, tais como: notas de euro, roupa, cotonetes, comprimidos, insulina, detergentes de roupa (produzidos com enzimas com origem na engenharia genética). Desmonta abordagens que disseminam desinformação passada pelos movimentos anti-OGM.

O divulgador de ciência explica que a tecnologia dos Organismos Geneticamente Modificados não é a tecnologia mais recente, mas a penúltima. Para descobrir qual é e em que consiste visualize o vídeo. No final, termina, declarando que está muito tranquilo e que come sem medo.

José Miguel Mulet é Investigador e Professor da Universidade Politécnica de Valência (Espanha), na área de química, biologia molecular e biotecnologia. A sua investigação dedica-se ao desenvolvimento de plantas resistentes à seca. É divulgador de ciência em áreas como biotecnologia e alimentação, tendo publicado vários livros como “Transgénicos sin Miedo”, “Comer sin Miedo”, entre outros.

MAIS INFORMAÇÃO

 

OGM | Milho Bt beneficia culturas biológicas e convencionais: Investigação de 40 anos de dados

Maçaroca de milho convencional com ataque de broca e fungos - CiB (2)

 

Investigação científica em OGM
Análise de 40 anos de dados:
Milho Bt beneficia culturas biológicas e convencionais

12 Março 2018 | Artigo científico PNAS

Uma meta-análise de dados de 40 anos de cultivo de milho Bt confirma que a utilização das variedades de milho geneticamente modificado contribuem para a grande redução de aplicação de insecticidas e beneficiam culturas vizinhas, tanto convencionais como biológicas (orgânicas), com redução dos impactos no meio ambiente, mas também na saúde de pessoas e animais.

O estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences – PNAS (ver referência em baixo) é uma análise de dados de 1976 a 2016 (40 anos), que compara os 20 anos anteriores e os 20 anos após a comercialização de milho Bt. Estudos anteriores tinham já demonstrado os benefícios da adopção de milho Bt ou de algodão Bt na redução de aplicação de insecticidas, para benefício económico dos agricultores e para uma melhor gestão de pragas. Contudo, este é o primeiro estudo a analisar os seus efeitos em culturas vizinhas.

 

Maçaroca de milho convencional com ataque de broca e fungos - CiB (1)
Legenda: Maçaroca de milho convencional afetada pela broca e infectada com fungos (que se instalam devido aos ferimentos provocados pelos insectos e produzem micotoxinas cancerígenas para animais e pessoas).

 

O milho Bt (exemplo na imagem em baixo) é geneticamente modificado para resistir a ataques de insectos, como a broca europeia, uma praga com incidência elevada em algumas em algumas regiões de Portugal e de outros países da Europa.  Visualise a imagem em cima e no topo que mostram maçarocas de milho convencional com praga da broca e fungos (que se instalam após o ataque do insecto e produzem micotoxinas cancerígenas para animais e pessoas). O milho Bt é cultivado em mais de 80 por cento das explorações agrícolas que produzem milho nos Estados Unidos da América.

 

Macaroca Milho Bt Mon810 (OGM) - FotoCiB
Legenda: Maçaroca de milho Bt geneticamente modificado para resistir ao ataque de broca

Os investigadores quantificaram os efeitos do milho Bt em campo. Os dados de monitorização mostram:

. A diminuição de actividade de insectos adultos (fase de traça ou borboleta nocturna);
. A diminuição de aspersão de insecticidas;
. A diminuição de danos noutras culturas, como: milho doce, pimentas e feijão verde.

Estes benefícios nunca tinham sido documentados e demonstram que as culturas Bt são ferramentas poderosas para reduzir populações de pragas, beneficiando também outras culturas vizinhas.

A segurança do milho Bt tem sido extensamente testada e tem sido comprovada, mas este estudo foca a sua eficácia na gestão de pragas e, em particular, os benefícios para outras culturas que não o milho Bt, explicou Dilip Venugopal, um dos autores deste estudo.

Outros dos autores, Galen Dively, explicou que “este é o primeiro trabalho publicado que mostra os benefícios paralelos noutras plantas hospedeiras da  broca europeia, uma praga severa para muitas culturas como o feijão verde e os pimentos”. E acrescentou “de facto observa-se mais de 90 por centro de supressão da população de broca europeia na nossa área para essas culturas, o que é incrível.”.

Há mais de 20 anos que os agricultores têm benefícios económicos pelo cultivo de variedades de milho GM, como referido por Brookes e Barfoot no seu relatório de 2017:  GM crops: global socio-economic and environmental impacts 1996-2015 (ver referência em baixo). Mas este artigo agora publicado na revista PNAS demonstra que o milho Bt traz ainda mais vantagens, pois promove a redução da aplicação de pesticidas e beneficia  as culturas vizinhas, tanto biológicas como convencionais.

Estas evidências demonstram que as críticas dos grupos anti-OGM, que afirmam que as culturas transgénicas aumentam o uso de pesticidas e são uma ameaça à agricultura biológica,  não fazem sentido.

INFORMAÇÃO ADICIONAL

GMOinfo.eu | Novo website pan-europeu sobre OGM na Agricultura

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GMOinfo.eu
Novo website pan-europeu sobre OGM na Agricultura
em 10 línguas

Março de 2018 – Europabio

O tema dos Organismos Geneticamente Modificados (conhecidos por OGM)  continua a sofrer de desinformação na Internet, dada a constante dissiminação de notícias incorrectas ou falsas que espalham medos e reacções negativas sobre a sua utilização, principalmente quando  é abordado no contexto de produção Agrícola e Alimentar.

O website GMOinfo.eu foi lançado pela Europabio – Associação Europeia das Bioindústrias para divulgar informação credível, baseada em factos científicos, em colaboração com 11 países. O GMOinfo.eu está disponível em 10 línguas, incluindo o Português em GMOinfo.eu.pt. O projecto inclui ainda a divulgação através do Twitter. A versão Portuguesa é @GMOinfoEU_pt.

O website inclui quatro secções principais  – Comércio e Aprovações; Cultivo e Benefícios, Inovação e Propriedade Intelectual; e Ciência e Segurança – e ainda uma secção de notícias. Na secção “Ciência e Segurança” pode ler-se no texto de introdução:

A Biotecnologia Agrícola (ou Agrobiotecnologia) permite aos melhoradores de variedades vegetais introduzir genes, com origem da mesma espécie ou de diferentes espécies, numa planta e/ou editar genes existentes. O objectivo é melhorar essas variedades e promover características específicas nas culturas. Este processo permite aos agricultores contribuírem para a produção de alimentos, têxteis e combustíveis de forma mais eficiente e sustentável e ir de encontro às necessidades dos consumidores.

O melhoramento de culturas através da Biotecnologia permite tornar as culturas mais robustas contra doenças, resistência a determinadas pragas e herbicidas, a tolerarem condições de seca ou a tornarem-se mais nutritivas. Tem também a vantagem de usar técnicas mais específicas e rápidas do que as utilizadas no melhoramento convencional de variedades vegetais, porque apenas um ou alguns genes de interesse são introduzidos no genoma receptor, ultrapassando a necessidade de cruzar plantas múltiplas vezes, tal como é necessário no melhoramento tradicional.

Sendo apenas uma das ferramentas entre todas as que existem à disposição dos agricultores no contexto da agricultura moderna, o uso de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) e de outras técnicas da Agrobiotecnologia tem um vasto potencial para enfrentar muitos desafios ambientais e sociais.

A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, sigla em Inglês) e a Comissão Europeia, conjuntamente com reguladores em todo o mundo e Academias de Ciência, incluindo o Conselho Consultivo das Academias Europeias de Ciências (EASAC, sigla em Inglês), concordam que as culturas geneticamente modificadas (conhecidas também por culturas GM ou transgénicas) são tão seguras como as culturas convencionais. Desde o início da sua comercialização, em 1996, não houve evidências de efeitos nocivos para a saúde de animais e pessoas ligados ao consumo de quaisquer culturas GM autorizadas.

Mais informação

  • Grandes destaques da página principal do GMOinfo.eu (em 20 de Março de 2018):
. Artigo Científico – Dados de 40 anos quantificam beneficios de milho GM em culturas biológicas e convencionais
. Artigo Cientifico – Milho Transgénico: 21 anos de dados confirmam segurança e benefícios para saúde e ambiente
. Guia Prático: Culturas GM e Políticas na UE
. Vídeo – O melhoramento genético de plantas no nosso dia-a-dia

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Caderno | Culturas GM e Políticas na UE | Quer receber?

Convite 
Sessão de Apresentação do Guia “Culturas GM e Políticas na EU”
29 Novembro, 16h, FCUL, Lisboa
+ Informações

 

GuiaPratico-CulturasGM.PoliticasUE-2017-Europabio

Guia
Culturas GM e Políticas na UE

Europabio 2017

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OS EXEMPLARES EM PAPEL ESTÃO ESGOTADOS

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No contexto da Semana Europeia da Biotecnologia (BiotechWeek), divulgamos  o Guia “Culturas GM e Políticas na UE” da Europabio – Associação Europeia das BioIndústrias, disponível agora em Português.

É apresentado um ponto de situação sobre as Culturas Geneticamente Modificadas (GM) – conhecidas também por transgénicas –  no mundo e o seu contexto da realidade na União Europeia. São abordados ainda os seguintes temas: funcionamento do comércio e das aprovações; o cultivo das culturas GM e os seus benefícios; e inovação e propriedade intelectual.

Citação da Introdução:

Hoje, provavelmente, está a vestir roupa criada com algodão GM e a comer algo produzido pela biotecnologia. Na Europa, o gado está a ser alimentado com quantidades significativas de rações produzidas com culturas GM, a maioria das quais são cultivadas e colhidas noutros continentes. No entanto, apesar de ter contribuído para a sua criação, a Europa tem feito tudo para expulsar a tecnologia mais rapidamente adotada na história da agricultura.

As culturas GM, também denominadas por vezes como Organismos Geneticamente Modificados (OGM), foram e continuam a ser consideradas seguras, fornecendo múltiplos benefícios. Então, porque é que a União Europeia (UE) e muitos dos seus Estados Membros colocam entraves à utilização desta tecnologia promissora, da qual nós já dependemos?

Este é um guia útil para qualquer pessoa que queira compreender o potencial das culturas geneticamente modificadas para agricultura, para a alimentação, para o ambiente, para a economia e para a sociedade da União Europeia.

O guia com o título original “The Green G-Nome’s Guide to GM crops & policies in the EUestá disponível em Inglês, Espanhol, Francês, Polaco, Italiano, Checo e Português. Em breve este guia estará disponível noutras línguas. Para mais informações consulte o website da Europabio.

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OS EXEMPLARES EM PAPEL ESTÃO ESGOTADOS

Website ilustrado | História da Biotecnologia desde há 10.000 anos

HistoryBiotechPT-Partida
Website  | A Evolução da Revolução: Cronologia da Inovação na Biotecnologia

Website Ilustrado
História da Biotecnologia desde há 10.000 anos

– Novo website em Português

No início da Semana Europeia da Biotecnologia (BiotechWeek) divulgamos um website ilustrado sobre a a Evolução da Biotecnologia desde há 10.000 anos, com a prática agrícola, até aos dias de hoje.

HistoryBiotechPT8000bc
A Biotecnologia teve início há 10.000 anos, quando o Homem cultivava batatas
HistoryBiotechPT4000bc
Há cerca de 6.000 mil anos (4000 AC), os Egípcios contribuiram para a evolução do conhecimento da Biotecnologia enquanto desenvolviam a produção de vinho
HistoryBiotechPT1919-Biotecnologia
Em 1919, utilizou-se a palavra “Biotecnologia” pela primeira vez.
HistoryBiotechPT1953DNA
Em 1953, a revista científica Nature publica a descrição da estrutura do ADN. Este evento marcou o início da era moderna da Genética e foi um momento fulcral para a História da Humanidade, pois originou importantes descobertas até hoje nas seguintes áreas: saúde, agricultura, energia, tratamento de águas residuais,  processos bioquímicos, entre outros.

Visite o Website  “A Evolução da Revolução:
Cronologia da Inovação na Biotecnologia

e todos os eventos mais importantes desta incrível História.

Conte aos seus amigos, partilhe com a sua família!
Ajude-nos a divulgar entre professores e estudantes!

Vídeo | Melhoramento genético de plantas no nosso dia-a-dia

Vídeo
Melhoramento genético de plantas no nosso dia-a-dia

CiB Brasil – Agosto 2017

O CiB Brasil – Conselho de Informações sobre Biotecnologia produziu uma animação em vídeo sobre o melhoramento de variedades vegetais com utilidade na agricultura.

O melhoramento genético de plantas é responsável por muitos dos alimentos que consumimos hoje. Desde a seleção de variedades por agricultores ancestrais, passando pela descoberta de como as características são transmitidas de uma geração para outra, até às modernas técnicas que modificam plantas ao nível molecular, o melhoramento tem contribuído para o desenvolvimento de alimentos mais saborosos e sustentáveis.

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Guia | Milho em África

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Caderno / Guia
“Milho em África”
ViB 2017

O caderno educativo “Maize in Africa”, produzido pelo International Plant Biotechnology Outreach (IPBO-ViB, Bélgica), aborda diferentes temas relacionados com: a diversidade do milho; a sua relevância para a África Sub-Sahariana; os inimigos desta cultura; as técnicas convencionais da moderna biotecnologia para o melhoramento de variedades que façam face a esses inimigos (pragas, doenças, seca e alterações climáticas); e formas de produção de milho rico em diferentes micronutrientes e vitaminas, ou seja, mais saudável para pessoas e animais.

O milho é o cereal mais produzido em todo o mundo. Só em África mais de 300 milhões de pessoas dependem do milho como principal alimento da sua dieta. Para além disso, é muito importante para as rações dos animais. Actualmente, aproximadamente mil milhões de toneladas de milho estão a ser produzidas em mais de 170 países, em cerca de 180 milhões de hectares de terra. Ao nível mundial, 90% do total produzido é milho amarelo, mas em África 90% do total é milho branco.

Em África, as culturas do milho sofrem severa e continuamente muitas ameaças, tais como: ervas daninhas, pragas de insectos, bactérias, vírus, nematodes, fungos, baixa qualidade das sementes, baixos níveis de mecanização, gestão pós-colheita subóptima, seca e alterações climáticas.

A produção de milho em África é assim muito baixa. Enquanto a média de produtividade mundial é aproximadamente de 5,5 T/ha/ano, em África é cerca de 2 T/ha/ano.

Para garantir a segurança alimentar a pessoas e animais em África é necessário implementar: boas práticas agrícolas; “intercropping”; novos híbridos obtidos com técnicas convencionais, engenharia genética e com outras técnicas de melhoramento vegetal para produzir variedades com maiores produtividade, maior resistência a pragas, a doenças, a ervas daninhas e à secura.

Opinião – As dez mentiras sobre os OGM

As dez mentiras sobre os OGM - Por Marcel Kuntz 2017

As dez mentiras sobre os OGM

Por Marcel Kuntz*

Os Dicionários Oxford elegeram “pós-verdade” (traduzido do Inglês “post-truth”) como a “Palavra do Ano” de 2016. A expressão “pós-verdade” é definida como “relacionar ou salientar circunstâncias em que os apelos à emoções ou crenças pessoais são mais importantes na formação da opinião pública do que os factos objectivos”. Os Dicionários Oxford comentam que “nesta era de pós-verdades políticas, torna-se fácil escolher os dados que mais convêm e induzir as conclusões pretendidas”. Os autores parecem aludir ao referendo sobre o Brexit e às eleições presidenciais dos Estados Unidos da América e, provavelmente, a outros governos qualificados como “populistas”.

Contudo, esta definição de “pós-verdade” aplica-se também ao que se tem passado nos últimos 20 anos no domínio científico e tecnológico.

Proponho ilustrar a minha tese usando como exemplo os “OGM” e as 10 “melhores” pós-verdades que lhes são, muitas vezes, associadas.

1 – A primeira não é literalmente uma “pós-verdade”, mas sim a demonstração de uma imaginação sem limites da União Europeia, quando se trata de implementar uma legislação tão absurda como contra produtiva. Em 1990, os Estado Membros criaram o conceito de “OGM” [a sigla para Organismos Geneticamente Modificados]. A Directiva enumera todos os métodos que permitem o melhoramento das características de um organismo (por exemplo, uma planta) para responder às necessidades do Homem (por exemplo, necessidades agrícolas), para depois os excluir de todos nos anexos desta mesma Directiva. Todos, excepto uma técnica, a mais recente, sobre a qual passarão a pesar, sem prova de uma qualquer necessidade científica, restrições associadas a avaliações complexas e dispendiosas. Devemos, portanto, ter presente que um OGM é legalmente definido pelo método da sua obtenção e não pelas suas propriedades, o que seria mais relevante e adequado.

2 – Para mim, a melhor demonstração da “pós-verdade” sobre os OGM é a afirmação de que estes são estéreis. Este mito advém de uma extrapolação abusiva: das patentes que descrevem abordagens para a produção de sementes estéreis. No entanto, no terreno, nenhuma cultura é estéril nesta categoria regulamentar de “OGM”.

3 – A “pós-verdade” não necessita de ser coerente: estas alegações de esterilidade estão em manifesta contradição com outras que afirmam que os OGM vão disseminar-se por todo o lado. É, portanto, preciso escolher entre: os OGM são “estéreis” ou são “invasivos”! Na verdade, nenhum dos casos é verdadeiro.

4 – O agricultor deixaria de ter o direito de voltar a semear uma parte da sua colheita por causa das patentes. Este argumento permitiu aos opositores mobilizar uma parte da Sociedade Civil contra os OGM dramatizando a temática da “propriedade” das sementes, e do “controlo da nossa alimentação”. No entanto tudo isto é falso: de facto, a legislação Europeia sobre as patentes associadas a descobertas biotecnológicas permite ao agricultor produzir sementes para uso próprio (ver a Directiva Europeia 98/44/EC e o artigo 14 do regulamento (CE) n° 2100/94).

5 – Uma mentira relacionada com a anterior é a de que um agricultor poderia ser forçado a pagar direitos sempre que um OGM germina, por acaso, na sua propriedade. Na realidade, em nenhum país um agricultor pagou direitos, se vestígios de OGM foram detectados no seu campo, por exemplo, como consequência de uma polinização acidental proveniente de um campo vizinho. Este mito foi construído em torno do agricultor canadiano Percy Schmeiser. Os lobbies anti-OGM exploraram habilmente a narrativa sobre o “pequeno bom agricultor” (David) e a “grande maléfica multinacional” (Golias) no seguimento de um processo judicial da Monsanto contra Scheimer. Na realidade, a justiça canadiana estabeleceu que esse agricultor tentou deliberadamente apropriar-se de sementes sem pagar os direitos devidos, de acordo com a legislação canadiana.

6 – Os OGM seriam uma farsa, pois não aumentariam as produtividades. Convém salientar que estes organismos foram melhorados sobretudo para evitar perdas de produtividade causadas por insectos herbívoros ou por ervas daninhas. A realidade é que cerca de 18 milhões de agricultores de 26 países (incluindo 19 países em desenvolvimento) escolheram livremente utilizar variedades GM (o que não é o caso da maioria dos agricultores dos países europeus).

7 – Existiriam estudos que teriam demonstrado a existência de efeitos tóxicos dos OGM na alimentação. Se fosse o caso e sabendo que numerosos países usam OGM para alimentar o seu gado desde 1996, tal teria sido constatado pelos criadores de gado e veterinários há muitos anos atrás. Para perceber as manipulações efectuadas sobre este assunto, basta examinar as fotografias disseminadas pelo investigador e activista Séralini em Setembro de 2012: todo o mundo viu na internet as fotos de ratos com tumores monstruosos. Serão eles uma prova? Vejamos as fotos com mais detalhe: um rato terá sido alimentado com um OGM, outro com um herbicida e o terceiro terá sido alimentado com OGM e com o herbicida (durante 2 anos, tempo superior à expectativa da sua média de vida). Mas, onde estão os ratos controlo ou testemunhas (sem terem consumido OGM ou sem terem ingerido o herbicida)? Os ratos controlo nunca foram mostrados pelo seguinte motivo: também tinham tumores, simplesmente, porque esta linhagem de ratos desenvolve tumores quando começa a envelhecer.

8 – Outra “pós-verdade”: não se sabe nada sobre os insecticidas produzidos pelos OGM. De facto, algumas culturas (como o milho MON810, que obteve autorização Europeia em 1998) foram melhoradas para produzir internamente uma proteína com efeitos extremamente específicos contra certos insectos herbívoros (as brocas no caso do milho). O mesmo princípio activo combate igualmente as pragas de insectos na agricultura (inclusive na agricultura biológica) e na jardinagem, neste caso através da pulverização. E isto há seis décadas! Sem que se tenha detectado qualquer problema!

9 – Induzirão os OGM o desenvolvimento de “super” ervas daninhas? De facto, se se utilizar o mesmo herbicida (ou qualquer outro produto) ano após ano, serão selecionadas populações tolerantes a esse herbicida nas plantas-alvo. Nada de novo, nem específico quando se utilizam OGM. É o que acontece com todos os herbicidas utilizados. O problema advém de uma má gestão agrícola destes procedimentos e não do facto de se utilizar, ou não, uma variedade considerada dentro da categoria jurídica “OGM”.

10 – Os OGM não seriam suficientemente estudados ou seriam estudados apenas pelas empresas. De facto, as avaliações impostas pela presente legislação Europeia são desproporcionadas e continuam a ser cada vez mais exigentes, sem razão científica. Independentemente das empresas, a investigação pública em muitos países realizou estudos em todos os domínios (nomeadamente nas áreas da saúde e do ambiente). Foram efectuados milhares de estudos. Um dos exemplos são os estudos toxicológicos levados a cabo pelo projecto europeu GRACE, cuja execução foi especificamente solicitada pela Comissão Europeia. Estes estudos demonstram não existir justificação para qualquer tipo de alarmismos.

A “pós-verdade” usa uma estratégia deliberada, infelizmente muitas vezes com sucesso, aplicada em muitos domínios técnicos, desde a Biologia (as biotecnologias verdes como os OGM, mas também as vacinas), à Química (os pesticidas são um grande clássico dos apregoadores do medo) ou ainda à Física (especialmente no domínio da energia). O ponto comum? O desejo de introduzir areia na engrenagem da economia por alguns activistas políticos. Ou explorar temores demagógicos. Ou retirar empresas concorrentes do mercados. Estas três vertentes aparecem muitas vezes associadas. De facto a “pós-verdade” é uma das maiores ameaças actuais à democracia.

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* Marcel Kuntz – Formado em Biologia, Director de investigação do CNRS, Professor na Universidade Grenole-Alpes (UGA), especialista em biotecnologias agrícolas. Desenvolve também trabalho sobre as relações entre ciência e sociedade, numa perspectiva histórica.

Artigo disponível em Polaco e em Francês