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Opinião – As dez mentiras sobre os OGM

As dez mentiras sobre os OGM - Por Marcel Kuntz 2017

As dez mentiras sobre os OGM

Por Marcel Kuntz*

Os Dicionários Oxford elegeram “pós-verdade” (traduzido do Inglês “post-truth”) como a “Palavra do Ano” de 2016. A expressão “pós-verdade” é definida como “relacionar ou salientar circunstâncias em que os apelos à emoções ou crenças pessoais são mais importantes na formação da opinião pública do que os factos objectivos”. Os Dicionários Oxford comentam que “nesta era de pós-verdades políticas, torna-se fácil escolher os dados que mais convêm e induzir as conclusões pretendidas”. Os autores parecem aludir ao referendo sobre o Brexit e às eleições presidenciais dos Estados Unidos da América e, provavelmente, a outros governos qualificados como “populistas”.

Contudo, esta definição de “pós-verdade” aplica-se também ao que se tem passado nos últimos 20 anos no domínio científico e tecnológico.

Proponho ilustrar a minha tese usando como exemplo os “OGM” e as 10 “melhores” pós-verdades que lhes são, muitas vezes, associadas.

1 – A primeira não é literalmente uma “pós-verdade”, mas sim a demonstração de uma imaginação sem limites da União Europeia, quando se trata de implementar uma legislação tão absurda como contra produtiva. Em 1990, os Estado Membros criaram o conceito de “OGM” [a sigla para Organismos Geneticamente Modificados]. A Directiva enumera todos os métodos que permitem o melhoramento das características de um organismo (por exemplo, uma planta) para responder às necessidades do Homem (por exemplo, necessidades agrícolas), para depois os excluir de todos nos anexos desta mesma Directiva. Todos, excepto uma técnica, a mais recente, sobre a qual passarão a pesar, sem prova de uma qualquer necessidade científica, restrições associadas a avaliações complexas e dispendiosas. Devemos, portanto, ter presente que um OGM é legalmente definido pelo método da sua obtenção e não pelas suas propriedades, o que seria mais relevante e adequado.

2 – Para mim, a melhor demonstração da “pós-verdade” sobre os OGM é a afirmação de que estes são estéreis. Este mito advém de uma extrapolação abusiva: das patentes que descrevem abordagens para a produção de sementes estéreis. No entanto, no terreno, nenhuma cultura é estéril nesta categoria regulamentar de “OGM”.

3 – A “pós-verdade” não necessita de ser coerente: estas alegações de esterilidade estão em manifesta contradição com outras que afirmam que os OGM vão disseminar-se por todo o lado. É, portanto, preciso escolher entre: os OGM são “estéreis” ou são “invasivos”! Na verdade, nenhum dos casos é verdadeiro.

4 – O agricultor deixaria de ter o direito de voltar a semear uma parte da sua colheita por causa das patentes. Este argumento permitiu aos opositores mobilizar uma parte da Sociedade Civil contra os OGM dramatizando a temática da “propriedade” das sementes, e do “controlo da nossa alimentação”. No entanto tudo isto é falso: de facto, a legislação Europeia sobre as patentes associadas a descobertas biotecnológicas permite ao agricultor produzir sementes para uso próprio (ver a Directiva Europeia 98/44/EC e o artigo 14 do regulamento (CE) n° 2100/94).

5 – Uma mentira relacionada com a anterior é a de que um agricultor poderia ser forçado a pagar direitos sempre que um OGM germina, por acaso, na sua propriedade. Na realidade, em nenhum país um agricultor pagou direitos, se vestígios de OGM foram detectados no seu campo, por exemplo, como consequência de uma polinização acidental proveniente de um campo vizinho. Este mito foi construído em torno do agricultor canadiano Percy Schmeiser. Os lobbies anti-OGM exploraram habilmente a narrativa sobre o “pequeno bom agricultor” (David) e a “grande maléfica multinacional” (Golias) no seguimento de um processo judicial da Monsanto contra Scheimer. Na realidade, a justiça canadiana estabeleceu que esse agricultor tentou deliberadamente apropriar-se de sementes sem pagar os direitos devidos, de acordo com a legislação canadiana.

6 – Os OGM seriam uma farsa, pois não aumentariam as produtividades. Convém salientar que estes organismos foram melhorados sobretudo para evitar perdas de produtividade causadas por insectos herbívoros ou por ervas daninhas. A realidade é que cerca de 18 milhões de agricultores de 26 países (incluindo 19 países em desenvolvimento) escolheram livremente utilizar variedades GM (o que não é o caso da maioria dos agricultores dos países europeus).

7 – Existiriam estudos que teriam demonstrado a existência de efeitos tóxicos dos OGM na alimentação. Se fosse o caso e sabendo que numerosos países usam OGM para alimentar o seu gado desde 1996, tal teria sido constatado pelos criadores de gado e veterinários há muitos anos atrás. Para perceber as manipulações efectuadas sobre este assunto, basta examinar as fotografias disseminadas pelo investigador e activista Séralini em Setembro de 2012: todo o mundo viu na internet as fotos de ratos com tumores monstruosos. Serão eles uma prova? Vejamos as fotos com mais detalhe: um rato terá sido alimentado com um OGM, outro com um herbicida e o terceiro terá sido alimentado com OGM e com o herbicida (durante 2 anos, tempo superior à expectativa da sua média de vida). Mas, onde estão os ratos controlo ou testemunhas (sem terem consumido OGM ou sem terem ingerido o herbicida)? Os ratos controlo nunca foram mostrados pelo seguinte motivo: também tinham tumores, simplesmente, porque esta linhagem de ratos desenvolve tumores quando começa a envelhecer.

8 – Outra “pós-verdade”: não se sabe nada sobre os insecticidas produzidos pelos OGM. De facto, algumas culturas (como o milho MON810, que obteve autorização Europeia em 1998) foram melhoradas para produzir internamente uma proteína com efeitos extremamente específicos contra certos insectos herbívoros (as brocas no caso do milho). O mesmo princípio activo combate igualmente as pragas de insectos na agricultura (inclusive na agricultura biológica) e na jardinagem, neste caso através da pulverização. E isto há seis décadas! Sem que se tenha detectado qualquer problema!

9 – Induzirão os OGM o desenvolvimento de “super” ervas daninhas? De facto, se se utilizar o mesmo herbicida (ou qualquer outro produto) ano após ano, serão selecionadas populações tolerantes a esse herbicida nas plantas-alvo. Nada de novo, nem específico quando se utilizam OGM. É o que acontece com todos os herbicidas utilizados. O problema advém de uma má gestão agrícola destes procedimentos e não do facto de se utilizar, ou não, uma variedade considerada dentro da categoria jurídica “OGM”.

10 – Os OGM não seriam suficientemente estudados ou seriam estudados apenas pelas empresas. De facto, as avaliações impostas pela presente legislação Europeia são desproporcionadas e continuam a ser cada vez mais exigentes, sem razão científica. Independentemente das empresas, a investigação pública em muitos países realizou estudos em todos os domínios (nomeadamente nas áreas da saúde e do ambiente). Foram efectuados milhares de estudos. Um dos exemplos são os estudos toxicológicos levados a cabo pelo projecto europeu GRACE, cuja execução foi especificamente solicitada pela Comissão Europeia. Estes estudos demonstram não existir justificação para qualquer tipo de alarmismos.

A “pós-verdade” usa uma estratégia deliberada, infelizmente muitas vezes com sucesso, aplicada em muitos domínios técnicos, desde a Biologia (as biotecnologias verdes como os OGM, mas também as vacinas), à Química (os pesticidas são um grande clássico dos apregoadores do medo) ou ainda à Física (especialmente no domínio da energia). O ponto comum? O desejo de introduzir areia na engrenagem da economia por alguns activistas políticos. Ou explorar temores demagógicos. Ou retirar empresas concorrentes do mercados. Estas três vertentes aparecem muitas vezes associadas. De facto a “pós-verdade” é uma das maiores ameaças actuais à democracia.

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* Marcel Kuntz – Formado em Biologia, Director de investigação do CNRS, Professor na Universidade Grenole-Alpes (UGA), especialista em biotecnologias agrícolas. Desenvolve também trabalho sobre as relações entre ciência e sociedade, numa perspectiva histórica.

Artigo disponível em Polaco e em Francês

 

 

Vídeo | Biólogo explica CRISPR a pessoas com 5 níveis diferentes de conhecimento

Biologist explains CRISPR - 5 people

VÍDEO
Biólogo explica CRISPR a pessoas
com 5 níveis diferentes de conhecimento

O Biólogo Neville Sanjana conversa com cinco pessoas com níveis de conhecimento diferente (desde criança com 7 anos a especialista) sobre a técnica de edição de genoma CRISPR.

Neville Sanjana é investigador da Universidade de Nova Iorque e do Centro de Genoma de Nova Iorque.

A Wired divulga informação sobre tecnologia e inovação e de que forma influenciam o dia-a-dia da vida das pessoas, desde a cultura, os negócios, a ciência, a industria e o design.

 

13 Julho – VI Encontro Biotecnologia e Agricultura: O Futuro é Agora

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VI Encontro
Biotecnologia e Agricultura: O Futuro é Agora

13 Julho 2017, Porto

Universidade Católica Portuguesa, Porto
Campus Foz – Edifício Central – Auditório Carvalho Guerra

Co-organização
CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

CONTEXTO

Nos últimos 10 anos, houve um progresso significativo na investigação científica na área do melhoramento de plantas, nomeadamente no desenvolvimento de novos métodos que permitem introduzir ou revelar características de interesse de forma mais precisa e eficiente e em diferentes variedades vegetais. Este conjunto de tecnologias é conhecido por “New Breeding Techniques” (NBTs) – Novas Técnicas de Melhoramento.

A investigação científica levada a cabo na Europa tem tido um papel fundamental na evolução destas tecnologias, as quais apresentam um enorme potencial para desenvolver soluções inovadoras para os desafios globais relacionados com a segurança alimentar, a sustentabilidade da produção agrícola e as alterações climáticas.

O Centro de Informação de Biotecnologia organiza o seu sexto encontro nacional com o objectivo de apreciar as possibilidades da aplicação das NBT no melhoramento das culturas, em particular das variedades utilizáveis na agricultura portuguesa e de discutir as contingências da sua utilização no contexto europeu.

PROGRAMA

Em Português e em Inglês | Tradução simultânea disponível

10:00 – Sessão de Abertura

| Sessão da Manhã moderada por Marta Vasconcelos, ESB-UCP – Escola Superior de Biotecnologia da
Universidade Católica Portuguesa

10:15 – Margarida Oliveira, ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, Portugal
| NBTs (Novas Técnicas de Melhoramento): O que são e o que acrescentam ao melhoramento de plantas
11:00 – Coffee-break
11:15 – René Custers, ViB, Bélgica (em Inglês)
| Gene edited agricultural products: are they regulated and should they be regulated?
12:30 – Almoço (Serão distribuídas, aos participantes, senhas para almoço na cantina da Universidade Católica Portuguesa)

| Sessão da Tarde moderada por Pedro Fevereiro, CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

14:00 – Cecília Fialho, Nuffield International, Brasil
| A adoção de organismos geneticamente modificados e suas implicações legais
14h45 – Maria Gabriela Cruz, APSOLO – Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do Solo, Portugal
| Importância da Biotecnologia para a Agricultura Portuguesa
15:30 – Coffee-break

15:45 – Mesa Redonda entre os oradores convidados e Debate com o Público
| Moderação por Pedro Fevereiro e Marta Vasconcelos
16:45 – Conclusões
17:00 – Sessão de Encerramento

INSCRIÇÃO

A inscrição é gratuita, mas obrigatória por e-mail para: geral@cibpt.org
Enviar, por favor, as seguintes informações: Nome, E-mail, Nº Telemóvel e Institutição.
Os participantes irão receber certificado de presença.

CONTACTOS

CiB – Centro de Informação de Biotecnologia
www.cibpt.org  | E – geral@cibpt.org | T – 913 159 291

LOCALIZAÇÃO e MAIS INFORMAÇÕES

Download: Programa + Como chegar + Mapas

ORGANIZAÇÃO

CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

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Escola Superior de Biotecnologia
da Universidade Católica Portuguesa

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Recomendações EASAC | Edição de Genoma

Genome Editing EASAC - Mar2017

Recomendações
– Edição de Genoma em plantas, animais,
microrganismos e pacientes –

Comunicado CiB – 10 Abril 2017

Um relatório com recomendações sobre a Edição de Genoma foi publicado, no final de Março de 2017, pelo Conselho Consultivo das Academias Europeias de Ciências (EASAC). O relatório Edição de Genoma: Oportunidades Científicas, interesses públicos e opções políticas na UE dirige-se principalmente a decisores políticos da União Europeia (UE) e fornece recomendações sobre a abordagem relativa à aplicação da Edição de Genoma em plantas, animais, microrganismos e pacientes.

 

O QUE É A EDIÇÃO DE GENOMA?
A Edição de Genoma refere-se à modificação intencional de uma sequência de DNA específica, pré-seleccionada, existente num determinado ser vivo. Esta tecnologia está a aumentar o conhecimento sobre as funções biológicas dos seres vivos e a revolucionar a investigação científica. Esta nova e poderosa ferramenta tem potencial para ser utilizada em diferentes áreas de aplicação: saúde humana e animal, agricultura e alimentação e bioeconomia. Contudo, associadas às perspectivas dos benefícios desta tecnologia, têm sido levantadas questões relacionadas com a segurança e a ética, assim como questões relacionadas com a sua regulamentação.

 

Segundo Pedro Fevereiro (presidente do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia, investigador e professor de Biotecnologia Vegetal), “as técnicas de Edição de Genoma possibilitam aos investigadores modificar um sequência precisa do DNA, criando modificações específicas, as quais permitem melhorar as características dos seres vivos sem que seja necessária a integração de DNA estranho. Esta tecnologia vai revolucionar os métodos de melhoramento vegetal e animal e auxiliar a cura e prevenção de doenças em humanos.”

O EASAC destacou que os decisores políticos devem assegurar que a regulamentação para a Edição de Genoma deve ter por base factos científicos, considere os benefícios, assim como os riscos hipotéticos e que seja proporcional, e suficientemente flexível, para abarcar os futuros avanços da ciência e da tecnologia.

O EASAC considera que o aumento da precisão, actualmente possível através da edição de genoma, representa uma grande mudança na investigação e na inovação. Neste contexto, destacam-se algumas das suas recomendações em relação a diferentes áreas:

PLANTAS
Os reguladores devem confirmar que os produtos de edição de genoma, quando não contêm DNA de outros organismos, não sejam considerados na legislação sobre Organismos Geneticamente Modificados (OGM). A regulamentação seja específica para os produtos / características agrícolas, em vez de se focar na tecnologia através da qual se concretiza a sua obtenção.

ANIMAIS
O melhoramento de gado para pecuária deve ser regulamentado tal como é proposto para o caso do melhoramento de plantas, ou seja, a regulamentação deve ser específica para as características e não para a tecnologia.

DIRECCIONAMENTO GENÉTICO
As aplicações genéticas para o controlo de vectores e outras modificações de populações-alvo no meio selvagem (por exemplo, para insectos vectores de doenças) oferecem oportunidades potenciais significativas para ajudar a enfrentar grandes desafios de saúde pública e de conservação.

MICRORGANISMOS
A Edição de Genoma em microrganismos não levanta novas questões para o quadro regulamentar e está actualmente sujeita a regras estabelecidas para utilização confinada e para libertação deliberada de OGM. Dado o potencial da sua aplicação, incluindo em produtos farmacêuticos, biocombustíveis, biosensores, bioremediação e cadeia alimentar, é importante considerar a sua aplicação no contexto da estratégia da União Europeia para a Inovação e Bioeconomia.

CÉLULAS HUMANAS
Investigação básica e clínica é necessária na edição de genoma em células humanas e deverá ser sujeita a regulamentação legal e ética e a práticas padronizadas. A aplicação clínica deverá ser rigorosamente avaliada dentro dos quadros regulamentares e considerar o consenso societal em relação a questões de relevância científica e ética, de segurança e de eficácia.

 

O Conselho Consultivo das Academias Europeias de Ciências chamou também a atenção para um aspecto que considera crucial, a “Justiça Global”, uma vez que existe o risco de aumento de desigualdade e tensão entre aqueles que têm acesso aos benefícios das aplicações da Edição de Genoma e aqueles que não têm. Segundo o EASAC, existem evidências de que decisões políticas têm criado dificuldades acrescidas a cientistas, agricultores e políticos de países em desenvolvimento, por exemplo, no caso das culturas geneticamente modificadas. Neste contexto, o EASAC considera vital que os decisores políticos avaliem as consequências de decisões tomadas em países externos à União Europeia. Reformular o actual quadro regulamentar na UE e criar a coerência necessária entre os objectivos internos da UE e a agenda para o desenvolvimento, com base em parcerias e na inovação, são importantes tanto para os países em desenvolvimento como para a Europa.

 

MAIS INFORMAÇÃO

 

 

Vídeo | Os OGM são bons ou maus?

Vídeo | Animação
Os OGM são bons ou maus?
Engenharia Genética e a nossa comida

Com legendas em Português

Video - GMO are Good or Bad

Os Organismos Geneticamente Modificados (conhecidos pela sigla OGM ou por transgénicos) são um dos temas mais controversos da ciência e da tecnologia. Contudo, a controvérsia surge quando são levantadas questões relacionadas com o cultivo de plantas ou produção de alimentos transgénicos. O uso da engenharia genética, ou seja de OGM, para o tratamento da saúde das pessoas, como por exemplo a utilização de insulina transgénica para tratamento da diabetes,  não se caracteriza pelas mesmas controvérsias e debate público.
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Neste vídeo-animação são explorados os motivos que dão origem  às controvérsias e porque razão os OGM já têm e terão uma importância cada vez maior no futuro da agricultura, da alimentação, da sociedade e da protecção do meio ambiente.
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Nota: Caso as legendas em Português não apareçam em Português, clique no botão das definições do vídeo e depois na opção “legendas”.
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VÍDEO – Como a CRISPR permite a edição de DNA

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Como a CRISPR permite a edição de DNA

Jennifer Doudna foi uma das inventoras da nova tecnologia CRISPR-Cas9 que permite a modificação de DNA com o objectivo de, por exemplo, ser utilizada no tratamento de doenças com base genética.

Neste vídeo a investigadora explica como descobriu este sistema durante um dos seus projectos de investigação. Parte da CRISPR é a proteína Cas9, que consegue procurar e cortar uma parte do DNA de forma muito específica e com enorme precisão.

A investigadora explica como funciona a CRISPR-Cas9 e aborda as questões éticas que a utilização desta tecnologia pode originar.

Visione o vídeo com legendas em Português.

 

VIDEO | CRISPR – O que precisamos de saber

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CRISPR – O que precisamos de saber

 

É possível criar um mamute da pré-história? Ou editar o genoma de um bebé? Ou fazer desaparecer um espécie do planeta que é considerada prejudicial?

Ellen Jorgensen, investigadora, desmonta mitos e explica a realidade sobre a mais conhecida técnica de melhoramento genético da actualidade, a CRISPR.

Para que serve? Como funciona? Porquê é controversa? Quais as implicações da sua utilização?

Visione o vídeo com legendas em Português.

EXPLICAR OS OGMs

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EXPLICAR OS OGMs

A Faculdade de Agricultura da Universidade de Pardue (EUA) criou um website que clarifica o tema dos Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), conhecidos também por transgénicos, e a sua utilização na agricultura.

Os OGMs são um tema relevante sobre o qual a maior parte das pessoas conhece pouco. Desejamos saber o que comemos e a forma como o fazemos tem impactos no ambiente. Conhecer mais e melhor torna-nos mais capazes de decidir para nós próprios e para as gerações futuras.

Os OGMs são um tema complexo e por isso é apresentado neste website em diferentes sub-temas. Cada secção inclui respostas a perguntas frequentes e vídeos com entrevistas a investigadores.

* O que são os OGMs?
* Porque usamos OGMs?
* Os OGMs causam problemas de saúde?
* Como os OGMs afectam os insectos?
* Como funciona o processo de regulamentação da utilização de OGMs?
* Então e sobre os OGMs e as ervas daninhas?
* O que se passa com a questão dos OGMs e da rotulagem dos seus produtos?

Explorar o Website

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NBTs – É essencial «dissociar as Novas Técnicas de Melhoramento genético dos OGM»

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Oradores convidados e participantes no debate do seminário sobre NBTs, org. pelo CiB Portugal

NBTs
É essencial «dissociar as Novas Técnicas
de Melhoramento genético dos OGM»

14 Dez 2016 | Revista “Frutas, Legumes e Flores”

As novas técnicas de melhoramento vegetal (ou NBT, na sigla inglesa) não são o mesmo que organismos geneticamente modificados (OGM). Esta foi a principal mensagem transmitida durante o seminário subordinado ao tema “Novas técnicas de melhoramento vegetal – aspectos científicos, técnicos, sociais e legais», [organizado pelo CiB – Centro de Informação de Biotecnologia], no Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, a 12 de Dezembro.

«Os agricultores devem ter acesso a todas as tecnologias», defendeu Tiago Silva Pinto, secretário-geral da Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (Anpromis). Além disso, é essencial «dissociar as novas técnicas de melhoramento genético dos OGM».

Por seu turno, Jaime Piçarra, secretário-geral da Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais (IACA), salientou que as NBT «são essenciais para ir ao encontro dos objectivos de sustentabilidade e eficiência dos recursos. Por isso, não devem estar integrados na legislação dos OGM».

Da parte da Associação Nacional dos Produtores de Cereais (Anpoc), Bernardo Albino advogou que «os temas de cariz científico devem ser decididos com base na ciência». O sector dos cereais «tem beneficiado pouco de evoluções tecnológicas ao nível na produção, verificando-se um aumento residual de produtividade».

As NBT são técnicas que permitem o desenvolvimento de novas variedades de plantas de forma mais rápida e precisa do que os métodos convencionais. A Comissão Europeia ainda não decidiu se estas técnicas devem ser inseridas no mesmo quadro legal que os OGM.

LER NOTICIA

PROGRAMA DO SEMINÁRIO – “Novas Técnicas de Melhoramento: Aspectos Científicos, Técnicos, Sociais e Legais”

12 Dez – Seminário- Novas Técnicas de Melhoramento

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PROGRAMA em PORTUGUÊS – download pdf

PROGRAMA em INGLÊS – download pdf

SEMINÁRIO

Novas Técnicas de Melhoramento:
Aspectos Científicos, Técnicos, Sociais e Legais

12 Dezembro 2016 . Oeiras

Auditorium | ITQB NOVA
Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier

Em Português e em Inglês | Tradução simultânea disponível

OBJECTIVO

Para lançar e aprofundar o debate sobre o uso de Novas Tecnologias de Melhoramento Vegetal (NBTs) em Portugal, o que irá, sem dúvida, ser muito importante para o melhoramento das culturas agrícolas e que já está a ser implementado por empresas e centros de investigação.

Para dar visibilidade à posição de Portugal em relação à adopção das NBTs como ferramentas para o desenvolvimento de variedades vegetais agrícolas.

PROGRAMA

9h45 – Registo
10h00 – Sessão de Abertura
10h10 – O que são NBTs? (em Português)
– Pedro Fevereiro – Presidente do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia
10h50 – Aspectos científicos e aplicação das NBTs (em Inglês)
– Wendy Harwood – Investigadora Senior do Crop Genetics Department (Crop Transformation Group) do John Innes Centre, Norwich, Inglaterra.
11h30 – Coffee-break
11h45 – Enquadramento legal e social das NBTs(em Inglês)
– Joachim Schiemann – Director do Instituto de Biossegurança em Biotecnologia de Plantas do Julius Kuehn Institute (JKI), Federal Research Centre for Cultivated Plants, Alemanha.
12h25 – O Caso Português (a confirmar)
13h10 – Almoço
15h00 – Mesa Redonda com Parceiros | Uso ou não uso de NBTs: como reage Portugal
– Europabio – The European Association for Bioindustries, representada por Beat Späth
– ANSEME – Associação Nacional dos Produtores e Comerciantes de Sementes, representada por Joana Aleixo
– FIPA – Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares, representada por Jaime Piçarra
– IACA  – Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais por Jaime Piçarra
– ANPROMIS – Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo, representada por Tiago Silva Pinto
– ANPOC – Associação Nacional dos Produtores de Cereais, representada por Bernardo Albino
17h30 – Declarações finais

 

NOVAS TÉCNICAS DE MELHORAMENTO

As “New Breeding Techniques” (NBTs – Novas Técnicas deMmelhoramento Vegetal) são um conjunto de metodologias que permitem alterar as características das variedades agrícolas de uma forma molecularmente precisa, para aumentar a sua produtividade e tolerância a factores ambientais.

As NBT são oito e incluem: nucleases dirigidas para um local específico; RNA de interferência (RNAi); mutagénese dirigida para oligonucleótidos específicos; agro-infiltração; cisgénese; enxertia em porta-enxerto modificado; melhoramento reverso; e metilação do DNA dirigida por RNA.

Este conjunto de técnicas tem vindo a ser desenvolvidas para afinar características das variedades agrícolas. Por exemplo, a técnica de RNAi tem permitido obter variedades resistentes a diferentes vírus, como a introdução da resistência ao vírus do mosaico dourado em feijão, e a Cisgénese permitiu em poucos anos obter uma resistência durável à requeima (late blight) em batata.

A Comunidade Europeia discute atualmente a adopção destas tecnologias e em que quadro jurídico devem ser avaliados os seus produtos.

 

INSCRIÇÃO

A inscrição é gratuita, mas obrigatória por e-mail para: geral@cibpt.org

Enviar, por favor, as seguintes informações: Nome, E-mail, Nº Telemóvel e Institutição.

LOCALIZAÇÃO e MAPAS

 Morada:  ITQB NOVA –  Av. da República – 2780-157 Oeiras – Portugal

GPS: 38° 41′ 38″ (38.694 N) | 9° 19′ 7″ (-9.318 W)

Instruções:  http://www.itqb.unl.pt/diaaberto2015/como-chegar

 

ORGANIZAÇÃO

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CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

www.cibpt.org |  E – geral@cibpt.org  |   T – 913 159 291

 

APOIO

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ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica

 

 

História da Biotecnologia | Novo website

História da Biotecnologia
– Novo website –
Setembro 2016 | Biotech Week

Na Semana Europeia da Biotecnologia / Biotech Week 2016 foi lançado um website ilustrado sobre a a evolução da Biotecnologia ao longo do tempo e desde há 8000 anos: The Evolution of the Revolution – Biotechnology Timeline Celebrating Innovation in Biotechnology

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23 Set | Café de Ciência “GENES NO PRATO”, CCVAlviela

CAFÉ CIÊNCIA GENES NO PRATO

23 de setembro 2016 | 21h

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No dia 23 de setembro de 2016, pelas 21h00, há Café Ciência no Centro Ciência Viva do Alviela e a genética dos alimentos vai dar o mote à conversa – Genes no Prato. O crescimento da população mundial, o aparecimento de novas pragas e doenças, as mudanças climáticas tornam a modificação genética dos alimentos num desafio para a biotecnologia. Já ouviu falar em organismos geneticamente modificados (OGM), transgénicos e em melhoramento genético convencional?

Venha tomar café com Pedro Fevereiro, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Centro de Informação de Biotecnologia (CiB), e Ana Sofia Almeida, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e converse sobre os avanços da biotecnologia. Conhece o melhoramento genético que está a ser feito no arroz produzido no Ribatejo?

Sirva-se de ciência e descubra Genes no Prato. Participe.

As inscrições são gratuitas, obrigatórias e poderão ser efetuadas através do 249 881 805 ou info@alviela.cienciaviva.pt
Mais info: www.alviela.cienciaviva.pt

Livro gratuito – A Revolução dos OGM

The GMO revolution ebook

Livro gratuito
“The GMO Revolution”

O livro “The GMO Revolution”, dos autores Wim Grunewald e Jo Bury e publicado no final de 2015, ficou disponível online para download gratuito.

As culturas Geneticamente Modificadas  (GM) simbolizam uma evolução importante no melhoramento vegetal. Uma evolução baseada na moderna biotecnologia de plantas, uma nova disciplina científica, originária na Universidade de Ghent, Bélgica, que se dedica ao conhecimento científico sobre a base genética das características das plantas. Esse conhecimento constitui a base de uma série de estratégias de melhoramento de culturas.

“As culturas GM vão banir a fome no mundo?
– Não.

As culturas GM são a única solução adequada?
– Definitivamente não.

As culturas GM têm algo para oferecer?
– O livro é sobre isto mesmo.

Se um tomate é susceptível a determinados fungos aos quais um pimento é resistente, a única forma de um agricultor poder proteger as suas plantas de tomate é aspergir fungicidas. Mas através da tecnologia da engenharia genética (vulgarmente conhecida por tecnologia dos OGM – Organismos Geneticamente Modificados) a resistência do pimento aos fungos pode ser transferida para o tomate sem alterar outras características da cultivar do tomate.

Resultado? A planta do tomate é capaz de se auto-proteger e deixa de ser necessário aplicar o fungicida nas plantas, deixando de ser necessário.

O livro “The GMO Revolution” (A revolução dos OGM – Organismos Geneticamente Modificados) apresenta uma visão equilibrada, baseada em evidências científicas, sobre a forma como as culturas GM podem ser úteis para solucionar desafios e futuras que a agricultura enfrenta nos dias de hoje. Algumas das plantas melhoradas através das tecnologias de engenharia genética de plantas encontram-se batatas melhoradas para se auto-proteger do ataque de fitóftora (fungo) , árvores que podem ser usadas para produção de biocombustíveis, arroz que contém maior conteúdo de vitaminas, trigo adequado para pessoas com intolerância ao glúten, entre outras.

Mais informações sobre o livro e os autores

O livro está em formato epub. Para ser lido em PCs ou em tablets pode usar-se o programa gratuito Calibre.

 

Artigo – Biotecnologia e Melhoramento Vegetal por Pedro Fevereiro

Cultivar - 4 - GPP-MAM - Art PeF - Biotec Melhoramento Veg

Artigo de Comunicação e Agricultura
Biotecnologia e Melhoramento Vegetal
Pedro Fevereiro – ITQB, CiB Portugal
Junho 2016 | Revista Cultivar nº 4 GPP – pag.  27-35

 

A biotecnologia tem como programa racionalizar e tornar eficientes os processo que recorrem aos organismos vivos ou seus componentes para a obtenção de produtos e serviços.

Não admira, portanto, que historicamente seja a agricultura – uma atividade que tem como um dos seus objetivos a produção de matéria-prima para a alimentação humana e animal – uma das áreas que mais tende a incorporar a inovação desenvolvida pela biotecnologia.

Dependendo da perspetiva, é possível assumir que a biotecnologia, entendida como atividade humana que recorre aos “serviços” dos seres vivos, sempre esteve presente desde que o homem se sedentarizou. De facto, os processos de seleção artificial que foram sendo impostos por nós a espécies vegetais e animais e que deram origem às atuais variedades vegetais cultivadas e às raças de animais domésticos, bem como os múltiplos usos que delas foram sendo feitos, são considerados por alguns como biotecnologia, embora a componente de racionalização destes processos só nos últimos dois séculos se tenha vindo a impor, devido à compreensão dos fenómenos biológicos subjacentes aos processos utilizados.

Nos últimos cem anos, a acumulação do conhecimento biológico, fruto da aplicação do método científico ao estudo dos seres vivos que nos rodeiam, tem permitido o desenvolvimento de várias tecnologias para otimizar os processos de melhoramento das espécies vegetais. O desiderato final é permitir o desenvolvimento de cultivares, das diferentes espécies vegetais que são utilizadas na agricultura, adequadas às diferentes condições edafoclimáticas, aos diferentes modos de produção e aos diferentes ataques bióticos (doenças e pragas). Estes objetivos são tanto mais relevantes quanto as perdas relativas aos stresses bióticos se estimam entre 30 a 40 porcento atuais (figura 1), podendo as perdas de produtividade potencial resultantes dos impactos abióticos ultrapassar os 60%.

LER ARTIGO COMPLETO nas pág. 27-35

Pedro Fevereiro (2016) “Biotecnologia e Melhoramento Vegetal”. Revista Cultivar. 4. GPP (*) – Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral. pp. 27-35. Url: http://www.gpp.pt/pbl/Period/Cultivar_4_digital.pdf. 

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Sessão de Apresentação da Revista Cultiva nº 4

O GPP (*) organizou no Ministério da Agricultura e Mar uma sessão de reflexão, com intervenções sobre o tema, na sessão de apresentação desta publicação.

APRESENTAÇÃO “Biotecnologia e Agricultura” de Pedro Fevereiro

Programa do evento

* O GPP – Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral tem por missão apoiar a definição das linhas estratégicas, das prioridades e dos objetivos das políticas do Ministério da Agricultura e do Mar (MAM) e coordenar, acompanhar e avaliar a sua aplicação, bem como assegurar a sua representação no âmbito comunitário e internacional e prestar o apoio técnico e administrativo aos gabinetes dos membros do governo e aos demais órgãos e serviços integrados no MAM.

Vídeo TedX – Ser ou não ser OGM, heis a questão

Vídeo TedX
Ser ou não ser OGM, heis a questão
por Stefan Jansson

A engenharia genética de plantas (culturas geneticamente modificadas – GM ou transgénicas) é um tema controverso para o público em geral, apesar de os dados científicos disponíveis e acumulados desde há décadas indicarem que não existem motivos para a sua utilização ser considerada um risco maior para a saúde ou para o ambiente do que as culturas convencionais – ler mais aqui. Mas a legislação existente em muitos países Europeus proíbe o seu cultivo e a sua utilização (em Portugal é permitido o cultivo de milho bt geneticamente modificado para resistir ao ataque de pragas de insectos da broca). Se existem leis que as proíbem, então é importante definir o que são. Este vídeo explica a evolução da investigação biológica e a forma como a fronteira entre plantas GM e não-GM está a desaparecer.

O autor desta conferência TedX é Stefan Jansson, investigador e professor de biologia de células vegetais e molecular do Centre/Umeå University. A sua investigação inclui estudos sobre como as plantas usam a luz solar na fotossíntese. Utiliza ainda a genética e a genómica para estudar as variações naturais em árvores, em particular para saber como as árvores sabem quando chega o Outono. Jansson pertence à Academia Real das Ciências da Suécia e participa em inúmeros debates públicos sobre utilização de organismos geneticamente modificados (OGM) ou transgénicos.

Guia | Segurança alimentar das culturas GM / transgénicas

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Guia do Instituto ViB

Segurança alimentar das culturas GM (transgénicas)

February 2016 | Por ViB Institute

O Instituto ViB  –  Life Sciences Research Institute da Flanders-Bélgica produziu o guia “Food safety of genetically modified crops”, onde apresenta informações actualizadas sobre a segurança alimentar das culturas agrícolas geneticamente modificadas GM, ou transgénicas. Tal como existem cientistas que negam a existência do aquecimento global ou que descartam as vantagens efectivas das vacinas, haverá sempre pessoas mesmo dentro da comunidade científica que declaram que a tecnologia da engenharia genética para produzir plantas GM coloca riscos à saúde humana. Contudo, não existe nenhum argumento científico encontrado até agora para duvidar da segurança desta tecnologia e do seu uso na agricultura. As instituições que se dedicam à segurança alimentar, as empresas, os institutos de investigação científica e as universidades têm realizado testes em larga escala e estudos sobre as plantas transgénicas há mais de trinta anos. Existe um consenso científico significativo sobre a sua segurança em consequência do conhecimento acumulado.

O ViB esclarece que as aplicações desta tecnologia devem ser avaliadas caso a caso antes de ser autorizado o cultivo de plantas geneticamente modificadas e a sua utilização em alimentos e rações.

Mais guias do ViB sobre plantas geneticamente modificadas e o seu uso na agricultura e na alimentação humana e animal AQUI

VÍDEO | Seminário “Plant Sciences: Discover, Innovate, Communicate with Society”

VÍDEO
Seminário de Marc Van Montagu
“Plant Sciences: Discover, Innovate, Communicate with Society”

O CiB – Centro de Informação de Biotecnologia considera que este seminário de Marc Van Montagu foi muito interessante e relevante, pois para além de abordar a inovação na investigação de plantas, focou também a enorme importância da comunicação com os públicos por parte dos investigadores.

Marc Van Montagu é considerado o mais importante investigador de plantas da actualidade. Recebeu o Prémio World Food Prize 2013 (considerado um equivalente a um “Nobel” das áreas da investigação de plantas e da agricultura) e foi um dos primeiros investigadores a apresentar provas de que seria possível modificar plantas geneticamente. É considerado o “pai” da primeira planta transgénica.

Este seminário foi organizado no âmbito da abertura do 2º ano do Programa de Doutoramento “Plants for Life” do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier da Universidade Nova de Lisboa.

7 Mar | Prof. Montagu | “Pai” da 1º Planta Transgénica no ITQB, Oeiras

Marc Van Montagu
Marc Van Montagu | Por ViB

Seminário 
Plant Sciences: Discover, Innovate, communicate with Society
7 Março 2016 – 11h30 | Marc Van Montagu

O Professor Doutor Marc Van Montagu, considerado o “Pai” da primeira planta transgénica, estará em Portugal no próximo dia 7 de Março de 2016, pelas 11h30, para apresentar o seminário Plant Sciences: Discover, Innovate, communicate with Society, no ITQB NOVA, em Oeiras (na antiga Estação Agronómica Nacional).

Montagu e o seu colega Jeff Schell descobriram o mecanismo de transferência de genes entre a bactéria Agrobaterium e plantas, do que resultou o desenvolvimento da primeira planta transgénica. Essa descoberta abriu caminho para a tremenda evolução da investigação em Plantas durante as últimas três décadas. Em 2013, Marc Van Montagu recebeu o World Food Prize 2013, considerado um prémio equivalente a um “Nobel” na área da Alimentação e da Agricultura. O Professor Montagu é o mais reconhecido cientista vivo na área das Plantas.

Este seminário realiza-se no âmbito da Cerimónia de Abertura do 2º ano do Programa de Doutoramento “Plants for Life” do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa.

A entrada é livre. Instruções para chegar ao ITQB AQUI

 

MAIS INFORMAÇÕES

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Fotografia de uma antiga foto de Marc Van Montagu e equipa de investigadores há mais de 30 anos | Por Sofia Frazoa, 2013

 

Exposição online – Rabiscos [com Ciência] no Dia Aberto ITQB

Exposição online de Diários Gráficos
RABISCOS [COM CIÊNCIA] NO DIA ABERTO DO ITQB NOVA

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Visitar em:
http://rabiscos.itqb.unl.pt

O Dia Aberto do ITQB NOVA é um dia de portas abertas ao público, que é convidado a vir conversar com investigadores, a fazer experiências, a visitar exposições e laboratórios do Instituto de Tecnologia Química e Biológica, Oeiras.

Agradecemos aos investigadores José Esperança e Pedro Fevereiro, pela disponibilidade de realizarem as visitas guiadas aos seus laboratórios e explicarem brevemente o seu trabalho de investigação científica, acolhendo os Rabiscadores.

Agradecemos a todos os participantes por terem enfrentado o desafio de RABISCAR AO VIVO – em tão pouco tempo! – e pela partilha dos seus desenhos connosco.

Está ainda patente na entrada do bar no piso 2 do ITQB (na antiga Estação Agronómica Nacional, em Oeiras) uma exposição resultante da Actividade de Rabiscos no Dia Internacional do Fascínio das Plantas. Podem visitar!

Organização

. ITQB-NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade de Lisboa

Apoios

. CiB – Centro de Informação de Biotecnologia
. Europea Biotech Week
. Projecto Papiro papirus – Rabiscos e Aguarelas
. Projecto –  De quatro em quatro – Cadernos Artesanais
. Foto&Sketchers 2´´ . Cascais | Sintra Lisboa

Artigo de Opinião – OGM: Bom Senso ou Hipocrisia?

Opiniao Jaime Picarra - 5fev2016

OGM: Bom Senso ou Hipocrisia?

Jaime Piçarra (Eng. Agrónomo)
AgroVida – Semanário Económico

5 Fevereiro 2016

Depois de 20 anos de utilização a nível mundial, com crescente adoção nos principais países exportadores de matérias-primas para a alimentação animal, a Biotecnologia Agrícola, mais concretamente, os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) continuam a ser objeto de grande controvérsia, numa discussão que já nada tem de científico, sendo claramente política e ideológica. Curiosamente, a biotecnologia é utilizada em inúmeros setores, desde logo na saúde (insulina), sem que ninguém a questione. Na União Europeia, o milho transgénico foi autorizado em 1998 e em Portugal, em 2005, há exatamente 10 anos, iniciou-se o seu cultivo regular. Depois de intermináveis debates e inúmeros estudos, com larga experiência de campo e de consumo a nível mundial, a controvérsia tende a subir de tom na Europa, como se fosse possível não ter em conta toda a experiência e monitorização, os interesses de produtores, utilizadores e consumidores, o impacto no ambiente, nos mercados e na competitividade dos sectores, o direito á informação, à liberdade de escolha e, sobretudo, as avaliações científicas efectuadas pela EFSA, a Agência Europeia para a Segurança dos Alimentos.

Será que podemos ignorar que estas plantas são cultivadas por 18 milhões de agricultores em todo o mundo, 90% dos quais pequenos agricultores, em 181.5 milhões de hectares? Que as principais matérias-primas para a alimentação animal, desde logo a soja, que a Europa não produz, é cerca de 90% GM? Que vivemos numa economia globalizada, com normas estabelecidas na OMC, ou em acordos comerciais bilaterais, e que temos um Mercado Único na União Europeia? Que estão definidas regras muito claras de rotulagem para os alimentos compostos para animais e para os géneros alimentícios? Que os eventos autorizados para cultivo e importação, são avaliados com grande rigor, não só na União Europeia como nos países exportadores (Estados Unidos, Argentina, Brasil, Canadá… que connosco competem nos mercados do leite, carne e ovos), sendo apenas autorizados quando se comprovam que não têm maiores riscos e são tão seguros para a saúde, humana ou animal e ambiente, como os seus congéneres convencionais? Que Portugal tem uma legislação sobre a coexistência que é particularmente exigente, quer para os que optam pela agricultura convencional, pelo milho geneticamente modificado (cujas práticas e formação assumem grande rigor e responsabilidade) ou pela agricultura biológica, não se tendo verificado quaisquer incidentes que ponham em causa a eficácia da mesma?

Nos últimos meses, o dossier dos OGM conheceu uma evolução significativa, com sinais contraditórios: ao nível do cultivo, a decisão de proibir ou autorizar, passou para a competência dos Estados-membros (EM); a introdução de uma proposta da Comissão no sentido de deixar ao critério de cada País a possibilidade de importar matérias-primas GM; a constatação, da parte do Provedor Europeu de Justiça, de que a Comissão atrasou deliberadamente as aprovações de novos eventos devido à ausência de consensos dos EM, recomendando o rigoroso cumprimento da Lei; em Portugal, já em janeiro de 2016, a apresentação de vários projetos de Lei visando a proibição da cultura de milho geneticamente modificado; por último, a apresentação, em Bruxelas, de um parecer dos serviços jurídicos do Conselho que considera que a proposta da Comissão é contrária aos princípios do Mercado Único e da OMC, reforçando os argumentos, de todas as organizações europeias e do Parlamento Europeu, que, pelo impacto fortemente negativo para os interesses da União, se assumiram contra o projecto de Bruxelas, solicitando à Comissão a sua urgente retirada.

Felizmente, no nosso País, a Assembleia da República recusou a proibição pretendida pelo Bloco, PCP, PEV e PAN, demonstrando um enorme bom senso e uma aposta no conhecimento, na ciência e investigação, na liberdade de escolha e na melhoria da competitividade da agricultura e do sector agroalimentar. Sem esquecer a precaução, a avaliação e monitorização.

Numa Sociedade que julga ser possível viver com risco zero, o debate na Europa tem sido marcado pelo ruído e pela manipulação. Por movimentos que recusam tudo o que não seja coerente com a sua linha de pensamento e que consideram apenas como aceitável as suas regras, em nome do ambiente, do bem-estar animal ou da saúde pública. Mas essas bandeiras, não são, não podem ser, exclusivos dos que defendem a agricultura biológica, dos ambientalistas ou dos partidos de esquerda. São de todos aqueles que, tal como nós, se preocupam com o futuro da Agricultura enquanto motor da economia nacional, da Sustentabilidade. Da utilização de todas as tecnologias que permitam a criação de emprego e de riqueza, a construção de uma Sociedade melhor.

Por agora, parece ter ganho o bom senso mas a hipocrisia espreita a todo o momento, podendo acrescentar mais crise à crise. De valores e atraso tecnológico. É que o dossier dos OGM, qual “via-sacra”, continuará no centro da agenda política.

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