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Opinião – As dez mentiras sobre os OGM

As dez mentiras sobre os OGM - Por Marcel Kuntz 2017

As dez mentiras sobre os OGM

Por Marcel Kuntz*

Os Dicionários Oxford elegeram “pós-verdade” (traduzido do Inglês “post-truth”) como a “Palavra do Ano” de 2016. A expressão “pós-verdade” é definida como “relacionar ou salientar circunstâncias em que os apelos à emoções ou crenças pessoais são mais importantes na formação da opinião pública do que os factos objectivos”. Os Dicionários Oxford comentam que “nesta era de pós-verdades políticas, torna-se fácil escolher os dados que mais convêm e induzir as conclusões pretendidas”. Os autores parecem aludir ao referendo sobre o Brexit e às eleições presidenciais dos Estados Unidos da América e, provavelmente, a outros governos qualificados como “populistas”.

Contudo, esta definição de “pós-verdade” aplica-se também ao que se tem passado nos últimos 20 anos no domínio científico e tecnológico.

Proponho ilustrar a minha tese usando como exemplo os “OGM” e as 10 “melhores” pós-verdades que lhes são, muitas vezes, associadas.

1 – A primeira não é literalmente uma “pós-verdade”, mas sim a demonstração de uma imaginação sem limites da União Europeia, quando se trata de implementar uma legislação tão absurda como contra produtiva. Em 1990, os Estado Membros criaram o conceito de “OGM” [a sigla para Organismos Geneticamente Modificados]. A Directiva enumera todos os métodos que permitem o melhoramento das características de um organismo (por exemplo, uma planta) para responder às necessidades do Homem (por exemplo, necessidades agrícolas), para depois os excluir de todos nos anexos desta mesma Directiva. Todos, excepto uma técnica, a mais recente, sobre a qual passarão a pesar, sem prova de uma qualquer necessidade científica, restrições associadas a avaliações complexas e dispendiosas. Devemos, portanto, ter presente que um OGM é legalmente definido pelo método da sua obtenção e não pelas suas propriedades, o que seria mais relevante e adequado.

2 – Para mim, a melhor demonstração da “pós-verdade” sobre os OGM é a afirmação de que estes são estéreis. Este mito advém de uma extrapolação abusiva: das patentes que descrevem abordagens para a produção de sementes estéreis. No entanto, no terreno, nenhuma cultura é estéril nesta categoria regulamentar de “OGM”.

3 – A “pós-verdade” não necessita de ser coerente: estas alegações de esterilidade estão em manifesta contradição com outras que afirmam que os OGM vão disseminar-se por todo o lado. É, portanto, preciso escolher entre: os OGM são “estéreis” ou são “invasivos”! Na verdade, nenhum dos casos é verdadeiro.

4 – O agricultor deixaria de ter o direito de voltar a semear uma parte da sua colheita por causa das patentes. Este argumento permitiu aos opositores mobilizar uma parte da Sociedade Civil contra os OGM dramatizando a temática da “propriedade” das sementes, e do “controlo da nossa alimentação”. No entanto tudo isto é falso: de facto, a legislação Europeia sobre as patentes associadas a descobertas biotecnológicas permite ao agricultor produzir sementes para uso próprio (ver a Directiva Europeia 98/44/EC e o artigo 14 do regulamento (CE) n° 2100/94).

5 – Uma mentira relacionada com a anterior é a de que um agricultor poderia ser forçado a pagar direitos sempre que um OGM germina, por acaso, na sua propriedade. Na realidade, em nenhum país um agricultor pagou direitos, se vestígios de OGM foram detectados no seu campo, por exemplo, como consequência de uma polinização acidental proveniente de um campo vizinho. Este mito foi construído em torno do agricultor canadiano Percy Schmeiser. Os lobbies anti-OGM exploraram habilmente a narrativa sobre o “pequeno bom agricultor” (David) e a “grande maléfica multinacional” (Golias) no seguimento de um processo judicial da Monsanto contra Scheimer. Na realidade, a justiça canadiana estabeleceu que esse agricultor tentou deliberadamente apropriar-se de sementes sem pagar os direitos devidos, de acordo com a legislação canadiana.

6 – Os OGM seriam uma farsa, pois não aumentariam as produtividades. Convém salientar que estes organismos foram melhorados sobretudo para evitar perdas de produtividade causadas por insectos herbívoros ou por ervas daninhas. A realidade é que cerca de 18 milhões de agricultores de 26 países (incluindo 19 países em desenvolvimento) escolheram livremente utilizar variedades GM (o que não é o caso da maioria dos agricultores dos países europeus).

7 – Existiriam estudos que teriam demonstrado a existência de efeitos tóxicos dos OGM na alimentação. Se fosse o caso e sabendo que numerosos países usam OGM para alimentar o seu gado desde 1996, tal teria sido constatado pelos criadores de gado e veterinários há muitos anos atrás. Para perceber as manipulações efectuadas sobre este assunto, basta examinar as fotografias disseminadas pelo investigador e activista Séralini em Setembro de 2012: todo o mundo viu na internet as fotos de ratos com tumores monstruosos. Serão eles uma prova? Vejamos as fotos com mais detalhe: um rato terá sido alimentado com um OGM, outro com um herbicida e o terceiro terá sido alimentado com OGM e com o herbicida (durante 2 anos, tempo superior à expectativa da sua média de vida). Mas, onde estão os ratos controlo ou testemunhas (sem terem consumido OGM ou sem terem ingerido o herbicida)? Os ratos controlo nunca foram mostrados pelo seguinte motivo: também tinham tumores, simplesmente, porque esta linhagem de ratos desenvolve tumores quando começa a envelhecer.

8 – Outra “pós-verdade”: não se sabe nada sobre os insecticidas produzidos pelos OGM. De facto, algumas culturas (como o milho MON810, que obteve autorização Europeia em 1998) foram melhoradas para produzir internamente uma proteína com efeitos extremamente específicos contra certos insectos herbívoros (as brocas no caso do milho). O mesmo princípio activo combate igualmente as pragas de insectos na agricultura (inclusive na agricultura biológica) e na jardinagem, neste caso através da pulverização. E isto há seis décadas! Sem que se tenha detectado qualquer problema!

9 – Induzirão os OGM o desenvolvimento de “super” ervas daninhas? De facto, se se utilizar o mesmo herbicida (ou qualquer outro produto) ano após ano, serão selecionadas populações tolerantes a esse herbicida nas plantas-alvo. Nada de novo, nem específico quando se utilizam OGM. É o que acontece com todos os herbicidas utilizados. O problema advém de uma má gestão agrícola destes procedimentos e não do facto de se utilizar, ou não, uma variedade considerada dentro da categoria jurídica “OGM”.

10 – Os OGM não seriam suficientemente estudados ou seriam estudados apenas pelas empresas. De facto, as avaliações impostas pela presente legislação Europeia são desproporcionadas e continuam a ser cada vez mais exigentes, sem razão científica. Independentemente das empresas, a investigação pública em muitos países realizou estudos em todos os domínios (nomeadamente nas áreas da saúde e do ambiente). Foram efectuados milhares de estudos. Um dos exemplos são os estudos toxicológicos levados a cabo pelo projecto europeu GRACE, cuja execução foi especificamente solicitada pela Comissão Europeia. Estes estudos demonstram não existir justificação para qualquer tipo de alarmismos.

A “pós-verdade” usa uma estratégia deliberada, infelizmente muitas vezes com sucesso, aplicada em muitos domínios técnicos, desde a Biologia (as biotecnologias verdes como os OGM, mas também as vacinas), à Química (os pesticidas são um grande clássico dos apregoadores do medo) ou ainda à Física (especialmente no domínio da energia). O ponto comum? O desejo de introduzir areia na engrenagem da economia por alguns activistas políticos. Ou explorar temores demagógicos. Ou retirar empresas concorrentes do mercados. Estas três vertentes aparecem muitas vezes associadas. De facto a “pós-verdade” é uma das maiores ameaças actuais à democracia.

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* Marcel Kuntz – Formado em Biologia, Director de investigação do CNRS, Professor na Universidade Grenole-Alpes (UGA), especialista em biotecnologias agrícolas. Desenvolve também trabalho sobre as relações entre ciência e sociedade, numa perspectiva histórica.

Artigo disponível em Polaco e em Francês

 

 

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7 Mar | Prof. Montagu | “Pai” da 1º Planta Transgénica no ITQB, Oeiras

Marc Van Montagu
Marc Van Montagu | Por ViB

Seminário 
Plant Sciences: Discover, Innovate, communicate with Society
7 Março 2016 – 11h30 | Marc Van Montagu

O Professor Doutor Marc Van Montagu, considerado o “Pai” da primeira planta transgénica, estará em Portugal no próximo dia 7 de Março de 2016, pelas 11h30, para apresentar o seminário Plant Sciences: Discover, Innovate, communicate with Society, no ITQB NOVA, em Oeiras (na antiga Estação Agronómica Nacional).

Montagu e o seu colega Jeff Schell descobriram o mecanismo de transferência de genes entre a bactéria Agrobaterium e plantas, do que resultou o desenvolvimento da primeira planta transgénica. Essa descoberta abriu caminho para a tremenda evolução da investigação em Plantas durante as últimas três décadas. Em 2013, Marc Van Montagu recebeu o World Food Prize 2013, considerado um prémio equivalente a um “Nobel” na área da Alimentação e da Agricultura. O Professor Montagu é o mais reconhecido cientista vivo na área das Plantas.

Este seminário realiza-se no âmbito da Cerimónia de Abertura do 2º ano do Programa de Doutoramento “Plants for Life” do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa.

A entrada é livre. Instruções para chegar ao ITQB AQUI

 

MAIS INFORMAÇÕES

Montagu-e-a-equipa-ha-30-anos-sofiafrazoa-2013
Fotografia de uma antiga foto de Marc Van Montagu e equipa de investigadores há mais de 30 anos | Por Sofia Frazoa, 2013

 

Transgénicos: Resposta do CiB a deputado do PAN

Maçaroca de Milho convencional com broca - CiB
Exemplo de Maçaroca de Milho Transgénico (geneticamente modificado) versus Maçaroca de Milho Convencional atacada por broca e fungos (pragas).

Resposta do Presidente do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia e investigador de Biotecnologia de Plantas (FCUL e ITQB NOVA), Professor Doutor Pedro Fevereiro, ao artigo de opinião do deputado André Silva do PAN (publicado no jornal Público.pt):

O Centro de Informação de Biotecnologia (CiB) foi ouvido pela Comissão de Agricultura da Assembleia da República, onde em 10 minutos (não mais) teve que responder a cerca de 40 perguntas de 5 deputados diferentes, entre os quais o senhor André Silva. Deputado que apesar de solicitado, se recusou a receber o CiB para discutir o tema em questão. Grotesco é, portanto, a queixa de que não lhe foi dada resposta. Quando a pergunta mais relevante era se o presidente do CiB era pago pela “Monsanto”. Grotesca é a perspectiva de que apenas os OGM são sujeitos ao uso de pesticidas. Grotesca é a continua desinformação que é veiculada por arautos do “ambientalismo purificador” enquanto usam plataformas informáticas que permitem lucros milionários. Grotesca é a forma trauliteira com que se dirigem a terceiros, porque alcandorados a deputados, sem respeito pelo trabalho e opinião dos outros. Grotesco é o facto de transmitir mensagens falsas, sem qualquer suporte científico e técnico. Grotesco é não saber e não querer saber nada de agricultura e de alimentação e poder estar sentado numa comissão sobre o tema. Grotesco é deturpar informações e dizer que na Argentina há problemas com o glifosato, quando em Portugal 70% de todos os herbicidas utilizados são à base de glifosato, por este ser o menos tóxico de todos os disponíveis no mercado. E que é utilizado em jardins públicos e privados, sem qualquer prejuízo para a saúde humana e animal quando devidamente utilizado. Grotesco é pensar que pode falar pelos agricultores, sem os ouvir e sem saber da sua experiência do uso das variedades geneticamente modificadas. Claro: da sua poltrona citadina e confortável, é bem simples divulgar balelas e esperar retorno, na forma de votos, na expectativa que a demagogia funcione.

O artigo original de André Silva no Público.pt está disponível AQUI

 

Artigo de Opinião – OGM: Bom Senso ou Hipocrisia?

Opiniao Jaime Picarra - 5fev2016

OGM: Bom Senso ou Hipocrisia?

Jaime Piçarra (Eng. Agrónomo)
AgroVida – Semanário Económico

5 Fevereiro 2016

Depois de 20 anos de utilização a nível mundial, com crescente adoção nos principais países exportadores de matérias-primas para a alimentação animal, a Biotecnologia Agrícola, mais concretamente, os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) continuam a ser objeto de grande controvérsia, numa discussão que já nada tem de científico, sendo claramente política e ideológica. Curiosamente, a biotecnologia é utilizada em inúmeros setores, desde logo na saúde (insulina), sem que ninguém a questione. Na União Europeia, o milho transgénico foi autorizado em 1998 e em Portugal, em 2005, há exatamente 10 anos, iniciou-se o seu cultivo regular. Depois de intermináveis debates e inúmeros estudos, com larga experiência de campo e de consumo a nível mundial, a controvérsia tende a subir de tom na Europa, como se fosse possível não ter em conta toda a experiência e monitorização, os interesses de produtores, utilizadores e consumidores, o impacto no ambiente, nos mercados e na competitividade dos sectores, o direito á informação, à liberdade de escolha e, sobretudo, as avaliações científicas efectuadas pela EFSA, a Agência Europeia para a Segurança dos Alimentos.

Será que podemos ignorar que estas plantas são cultivadas por 18 milhões de agricultores em todo o mundo, 90% dos quais pequenos agricultores, em 181.5 milhões de hectares? Que as principais matérias-primas para a alimentação animal, desde logo a soja, que a Europa não produz, é cerca de 90% GM? Que vivemos numa economia globalizada, com normas estabelecidas na OMC, ou em acordos comerciais bilaterais, e que temos um Mercado Único na União Europeia? Que estão definidas regras muito claras de rotulagem para os alimentos compostos para animais e para os géneros alimentícios? Que os eventos autorizados para cultivo e importação, são avaliados com grande rigor, não só na União Europeia como nos países exportadores (Estados Unidos, Argentina, Brasil, Canadá… que connosco competem nos mercados do leite, carne e ovos), sendo apenas autorizados quando se comprovam que não têm maiores riscos e são tão seguros para a saúde, humana ou animal e ambiente, como os seus congéneres convencionais? Que Portugal tem uma legislação sobre a coexistência que é particularmente exigente, quer para os que optam pela agricultura convencional, pelo milho geneticamente modificado (cujas práticas e formação assumem grande rigor e responsabilidade) ou pela agricultura biológica, não se tendo verificado quaisquer incidentes que ponham em causa a eficácia da mesma?

Nos últimos meses, o dossier dos OGM conheceu uma evolução significativa, com sinais contraditórios: ao nível do cultivo, a decisão de proibir ou autorizar, passou para a competência dos Estados-membros (EM); a introdução de uma proposta da Comissão no sentido de deixar ao critério de cada País a possibilidade de importar matérias-primas GM; a constatação, da parte do Provedor Europeu de Justiça, de que a Comissão atrasou deliberadamente as aprovações de novos eventos devido à ausência de consensos dos EM, recomendando o rigoroso cumprimento da Lei; em Portugal, já em janeiro de 2016, a apresentação de vários projetos de Lei visando a proibição da cultura de milho geneticamente modificado; por último, a apresentação, em Bruxelas, de um parecer dos serviços jurídicos do Conselho que considera que a proposta da Comissão é contrária aos princípios do Mercado Único e da OMC, reforçando os argumentos, de todas as organizações europeias e do Parlamento Europeu, que, pelo impacto fortemente negativo para os interesses da União, se assumiram contra o projecto de Bruxelas, solicitando à Comissão a sua urgente retirada.

Felizmente, no nosso País, a Assembleia da República recusou a proibição pretendida pelo Bloco, PCP, PEV e PAN, demonstrando um enorme bom senso e uma aposta no conhecimento, na ciência e investigação, na liberdade de escolha e na melhoria da competitividade da agricultura e do sector agroalimentar. Sem esquecer a precaução, a avaliação e monitorização.

Numa Sociedade que julga ser possível viver com risco zero, o debate na Europa tem sido marcado pelo ruído e pela manipulação. Por movimentos que recusam tudo o que não seja coerente com a sua linha de pensamento e que consideram apenas como aceitável as suas regras, em nome do ambiente, do bem-estar animal ou da saúde pública. Mas essas bandeiras, não são, não podem ser, exclusivos dos que defendem a agricultura biológica, dos ambientalistas ou dos partidos de esquerda. São de todos aqueles que, tal como nós, se preocupam com o futuro da Agricultura enquanto motor da economia nacional, da Sustentabilidade. Da utilização de todas as tecnologias que permitam a criação de emprego e de riqueza, a construção de uma Sociedade melhor.

Por agora, parece ter ganho o bom senso mas a hipocrisia espreita a todo o momento, podendo acrescentar mais crise à crise. De valores e atraso tecnológico. É que o dossier dos OGM, qual “via-sacra”, continuará no centro da agenda política.

Versão também disponível em ESPANHOL e em INGLÊS

OGM – “E agora, que vão dizer os opositores aos Transgénicos?” por António Coutinho

Artigo de Opinião de António Coutinho (ex-director do Instituto Gulbenkian de Ciência 1998-2012, presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa) no Jornal Observador
Artigo de Opinião de António Coutinho – ex-director do Instituto Gulbenkian de Ciência 1998-2012, presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa – no Jornal Observador

“E agora, que vão dizer os opositores aos TRANSGÉNICOS?”

4 Agosto 2015 – António Coutinho in Jornal Observador

Por António Coutinho, ex-director do Instituto Gulbenkian de Ciência 1998-2012, presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa

«Lobby muito poderoso e vocal, promotor frequente de arruaças, o “movimento anti-transgénico” é fruto de uma total irracionalidade. “Se os factos acima não são suficientes, podemos juntar muitos outros. Aqui ficam os mais óbvios.»

Há ambientalistas que respeitam a racionalidade e conhecem a ciência, mas também há ambientalistas que se guiam apenas por chavões adoptados de interesses politiqueiros ou mesmo arruaceiros, sem fazerem a mínima ideia do que estão a falar. Têm o seu direito, naturalmente, longe de mim a ideia de proibir esta, entre tantas outras, irracionalidades. Na batalha contra a ignorância e a superstição não há melhor arma que a educação. E terá de ser por aí que os faremos desaparecer. Preocupa-me, todavia, que o “peso” mediático e consequentemente político dos lobbies que constituem tem graves consequências para o progresso do conhecimento e da economia.

A invenção da agricultura há uns 10.000 anos foi dos passos mais críticos na história da humanidade, permitindo entre muitas outras coisas, a sedentarização, a emergência das cidades e da cultura, da filosofia e da ciência. Como é bem sabido, a agricultura trouxe aos que a praticavam uma enorme vantagem competitiva, como o demonstra a sua progressão inexorável do crescente fértil até ao ocidente da Europa: os agricultores não ensinaram o que sabiam aos caçadores-recolectores, ou estes não quiseram (ou não souberam) aprender.

Os agricultores foram avançando e substituindo os povos anteriores nos espaços que eles ocupavam, alterando para sempre a composição genética das populações europeias. Mas a agricultura não foi inventada apenas no Médio Oriente; sabemos que apareceu independentemente em pelo menos mais uns 4 ou 5 lugares por esse mundo, dando de novo lugar à proeminência dos seus praticantes. O mesmo se passa, de resto, com espécies “sociais” de outros animais: muitas dezenas de espécies de formigas “inventaram” a agricultura e, também aqui, nenhuma destas “reverteu” para uma forma de vida e organização social sem agricultura.

LER ARTIGO COMPLETO AQUI

Vídeo – Melhoramento cruzado, engenharia genética (OGM) e polinização cruzada?

Vídeo

O que é produção de plantas por melhoramento cruzado, produção de plantas por engenharia genética ou transgenia e polinização cruzada?

Entrevista ao “pai” da 1ª planta transgénica: “A tecnologia OGM é como respirar”

Marc Van Montagu e a equipa de investigadores há 30 anos

Entrevista 

Marc Van Montagu
Cientista responsável pela criação da primeira planta transgénica

A tecnologia OGM é como respirar

Julho-Agosto 2013
Por Sofia Frazoa | Revista Vida Rural

Trinta anos depois de ter criado a primeira planta transgénica, o biólogo molecular belga Marc Van Montagu foi um dos laureados com o World Food Prize 2013. Apesar de ter esperado maiores avanços na aplicação da Tecnologia dos Organismos Geneticamente Modificados, acredita que algo está a mudar. Entrevistado no instituto que criou, em Ghent, na Bélgica, garantiu que os OGM são inofensivos e uma solução de futuro para a produção de alimentos para seres humanos e animais.

Ler Entrevista

Versão em PORTUGUÊS | Versão em INGLÊS

NOTA-CORRECÇÃO – Na versão Portuguesa, página 7, deve ler-se “A maior prova de que os OGM são inofensivos é o facto de serem cultivados desde 1994 [e não 2006] sem risco para a saúde humana e para o ambiente”.

OGM – Os críticos insistem, mas os factos mostram o contrário

Opinião

Os reaccionários da modificação genética

Os críticos dos OGM insistem que estes não são seguros,
regulamentados, necessários ou desejados.
Mas os factos mostram o contrário.

8 Janeiro 2012 – Público

As pessoas em todo o mundo estão cada vez mais vulneráveis ??ao uso daquilo a que o químico vencedor do Prémio Nobel, Irving Langmuir, denominou “ciência patológica” – a “ciência das coisas que não o são” – para justificar a regulamentação governamental ou outras políticas.

É uma especialidade de grupos autodesignados de interesse público, cujo objectivo, muitas vezes, não se traduz na protecção da saúde pública ou do ambiente, mas sim numa oposição à investigação, produtos ou tecnologia de que não gostam.

Por exemplo, as técnicas modernas de engenharia genética – também conhecidas como biotecnologia, tecnologia de ADN recombinante, ou a modificação genética (GM) – fornecem as ferramentas que permitem que plantas velhas façam coisas novas espectaculares. No entanto, estas ferramentas são constantemente mal apresentadas ao público.

Mais de 17 milhões de agricultores em cerca de três dezenas de países em todo o mundo utilizam culturas geneticamente modificadas para produzir maiores rendimentos com menos recursos e com menor impacto ambiental. A maioria dessas novas variedades são concebidas para resistir aos ataques de pragas e doenças, de modo a que os agricultores possam adoptar práticas de plantio directo mais ecológicas e utilizar herbicidas menos nocivos.

Os críticos de produtos produzidos a partir de OGM insistem que estes não são submetidos a testes, não são seguros, não são regulamentados, não são necessários nem desejados. Mas os factos mostram o contrário.

Para começar, existe um amplo consenso de longa data entre cientistas que consideram que as técnicas de ADN recombinante são essencialmente uma extensão, ou um refinamento, de anteriores métodos de modificação genética e que a transferência de genes com recurso a estas técnicas moleculares precisas e previsíveis não apresenta por si qualquer risco.

Na sequência do cultivo de mais de mil milhões de hectares de culturas GM em todo o mundo – e do seu consumo que, só na América do Norte, representa mais de dois biliões de doses de alimentos que contêm ingredientes geneticamente modificados – não se registou um único caso de danos causados a pessoas nem de perturbação de ecossistemas. Entretanto, nos benefícios das culturas GM estão incluídos rendimentos mais elevados, um menor recurso a pesticidas químicos e a produção de biocombustíveis.

Benefícios significativos

Longe de estarem pouco regulamentadas, as plantas (e outros organismos) geneticamente modificadas foram alvo de uma a sobre-regulamentação dispendiosa, discriminatória e não científica, que limitou o sucesso comercial do milho, do algodão, da colza, da soja e da papaia, entre outras culturas.

Na verdade, frequentemente, as opiniões contrárias consideram que o cultivo comercial de culturas GM foi uma decepção, porque ofereceu pouco benefício directo aos consumidores. Mas muitos benefícios foram já conseguidos. E as culturas GM actualmente em desenvolvimento trarão ao consumidor ainda mais benefícios directos e facilmente identificáveis.

Considere-se, por exemplo, que, dado que as culturas GM não requerem uma quantidade tão elevada de pesticidas químicos, é menor o risco de toxicidade para os agricultores e respectivas famílias, por via do escoamento para os cursos de água e lençóis freáticos. De 1996 a 2009, a quantidade de pesticidas pulverizados sobre as culturas em todo o mundo sofreu uma diminuição de 393 milhões de kg – 1,4 vezes a quantidade total de pesticidas aplicados anualmente nas culturas na União Europeia.

Além disso, os níveis mais baixos de micotoxinas em milho resistente a pragas significam uma menor ocorrência de malformações congénitas, como spina bifida e menor toxicidade para o gado. Estas culturas de alimentos de consumo geral também podem ser modificadas por forma a conterem nutrientes adicionais.

As técnicas agrícolas de plantio directo, nas quais o solo não é arado, implicam menor erosão do solo, menor escoamento de produtos químicos agrícolas e menor consumo de combustíveis e de emissões de carbono por parte dos equipamentos mecânicos agrícolas. De 1996 a 2009, a mudança para as culturas biotecnológicas reduziu as emissões de carbono em 17,6 mil milhões kg, o equivalente à remoção de 7,8 milhões de carros das estradas, por um ano.

As culturas GM apresentam igualmente benefícios económicos significativos. O aumento dos rendimentos e a redução dos custos de produção provocaram a redução dos preços globais dos produtos de base (milho, soja e derivados), resultando em maiores rendimentos agrícolas, num melhor abastecimento de produtos alimentares e alimentos para animais e numa maior disponibilidade de calorias de alta qualidade.

Rendimento elevado

Com efeito, o rendimento da exploração agrícola registou um aumento de cerca de 65 milhões de dólares entre 1996 e 2009, as culturas biotecnológicas aumentaram a produção mundial de milho e soja em 130 milhões e 83 milhões de toneladas, respectivamente, devido ao aumento do rendimento e, no caso da Argentina, em resultado do cultivo da soja de segunda cultura. Como resultado, em 2007, os preços globais do milho e da soja registaram um decréscimo de cerca de 6% e 10%, respectivamente, uma redução que não teria sido possível, se os agricultores não tivessem adoptado este tipo de culturas.

Tendo em conta os seus benefícios, o “índice de repetição” das culturas GM (i.e. a proporção de agricultores que, após experimentarem uma variedade GM, optam por plantá-la novamente) é bastante elevado. Estimular os rendimentos agrícolas e a segurança agrícola – que se traduz num aumento do rendimento familiar e em melhores padrões de vida – torna-se particularmente importante nos países em desenvolvimento, que apresentam os níveis de rendimento mais reduzidos, mas onde os benefícios, por hectare, do cultivo de variedades GM foram os mais elevados.

Mas as culturas GM não beneficiam somente aqueles que as cultivam e consomem. De acordo com um estudo realizado em 2010, os campos de milho GM resistente a insectos têm um “efeito de supressão de ampla extensão”, beneficiando os campos vizinhos que tenham variedades convencionais de milho.

Os investigadores calcularam que, entre 1996 e 2010, o cultivo de variedades geneticamente modificadas aumentou os lucros dos agricultores, em três estados dos EUA, em cerca de 3,2 mil milhões de dólares – dos quais 2,4 mil milhões reverteram a favor dos agricultores cujos terrenos adjacentes não tinham sido plantados com variedades GM. Os agricultores que cultivam variedades convencionais beneficiam de forma desproporcional, uma vez que não têm que comprar as sementes GM, que são mais caras.

As futuras gerações de culturas geneticamente modificadas trarão ainda mais benefícios – mas somente se for permitido que esta prática floresça. Para isso, os consumidores devem entender que as culturas GM têm grande potencial, apresentando riscos negligenciáveis e os governos devem adoptar políticas de regulamentação que se rendam às evidências e que rejeitem a ciência patológica.

Henry I. Miller, médico e biólogo molecular, é investigador em Filosofia Científica e Políticas Públicas na Hoover Institution da Universidade de Stanford. Graham Brookes é economista e co-director da britânica PG Economics Limited.

Tradução: Teresa Bettencourt in Público.pt

 

Vídeo – Antigo activista anti-transgénicos pede desculpa e defende eng. genética na agricultura

Vídeo

Antigo activista anti-transgénicos pede desculpa
e defende engenharia genética para agricultura mais sustentável

Durante a conferência Oxford Farming Conferenc Mark Lynas, antigo activista anti-transgénicos, pede desculpa  por ter destruído campos de culturas geneticamente modificadas durante vários anos. No vídeo Lynas explica os seus motivos para actualmente defender a aplicação da engenharia genética para a prática de uma agricultura cada vez mais sustentável.

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Entrevista com Nova Conselheira Científica da UE – Debate sobre transgénicos baseia-se na “emoção e não em evidências”

Entrevista com Nova Conselheira Científica da UE
Debate sobre transgénicos
baseia-se na “emoção e não em evidências”

20 Fevereiro 2012 – PublicServiceEurope.com

Segundo a nova conselheira científica da União Europeia (UE), Anne Glover, as evidências científicas, peças chave para suportarem a maior utilização de culturas e animais geneticamente modificados – desenvolvidos ao longo das últimas décadas na América do Norte – devem ser reconhecidas e superadas nas questões de segurança alimentar.

Na sua primeira entrevista sobre o tema, a conselheira científica da UE denunciou que o debate sobre Organismos Geneticamente Modificados (OGM) na Europa é mais emocional do que científico.

Anne Glover é bióloga molecular e foi assessora do conselheiro científico da Escócia. Os OGM foram tema da sua investigação científica em sistemas biológicos e no ambiente. Glover declarou que os transgénicos revolucionaram os cuidados na saúde e a compreensão de doenças. Houve uma aceleração do conhecimento produzido sem paralelo na história através da utilização da engenharia genética, o que segundo a conselheira científica da UE é “fantástico”. Glover disse que “as pessoas na Europa estão ansiosas sobre as culturas e os animais geneticamente modificados e isso preocupa-me, porque não vejo evidências que sugiram que existem riscos substâncias associados”.

Olhando para a América do Norte onde se têm cultivado culturas transgénicas e se têm comido alimentos transgénicos, nos últimos 15 anos, e não se verificaram impactos negativos ao longo desse tempo. Existe grande quantidade de evidências sobre este os riscos relacionados com os OGM.

Como cientista, Glover explica que não pode dizer às pessoas que não existem riscos em comer plantas transgénicas, acrescentando que existe risco de comermos quaisquer que sejam os alimentos, porque existem riscos associados com a agricultura convencional, com a agricultura biológica ou qualquer outra forma de agricultura.

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Agricultora Portuguesa pede liberdade de escolha de tecnologia na Europa

 

Artigo de Opinião de Gabriela Cruz

Agricultora Portuguesa pede liberdade de escolha de tecnologia
que ajuda a alimentar o mundo
e decisões da Comissão Europeia baseadas em conhecimento científico

15 Março 2012
Gabriela Cruz – Truth About Trade Technology

(Tradução livre da responsabilidade do CiB)

Podemos comprar, mas não podemos produzir.

É a loucura a que se chegou no que toca às políticas da União Europeia sobre os alimentos biotecnológicos. Os decisores políticos permitem-nos produzir rações com plantas geneticamente modificadas, mas apenas se essas culturas forem produzidas fora da União Europeia. Não nos é permitido produzir essas mesmas plantas nas nossas explorações agrícolas.

Não faz qualquer sentido e a hostilidade ilógica da Europa contra a utilização da tecnologia agrícola custa-nos caro.

Em Janeiro, a BASF – a maior empresa de químicos do mundo, sedeada na Alemanha – declarou que as suas actividades de investigação em plantas iriam mudar para Raleigh, na Carolina do Norte. Essas são grandes noticias para as pessoas nos Estados Unidos da América, que irão receber todos os beneficios da criação de novos postos de trabalho que terão origem no crescimento económico.

Aqui na Europa, contudo, a mudança será uma tragédia.

“A decisão da BASF não é boa para a Europa”, disse Carel du Marchie Sarvaas da EuropaBio. “É a reacção de uma empresa essencialmente europeia a um ambiente político e legislativo sufocante. […] A investigação, emprego e dinheiro vão para onde são bem-vindos.”

A BASF não está sozinha. Apenas uma semana depois da empresa alemã anunciar que sairia da Europa, a Monsanto disse que iria afastar-se do mercado Europeu e de tentar vender milho resistente a insectos em França.

Até que a Europa decida parar de virar as costas ao futuro da produção de alimentos, à inovação e ao empreendedorismo as empresa vão continuar a fugir.

O caso das culturas biotecnológicas é claro: produzem maiores rendimentos, necessitam de menos água e menos químicos e trazem mais benefícios ambientais. Sei-o por experiência pessoal, porque cultivo milho Bt em Portugal desde 2006. É o único tipo de cultura biotecnológica que posso utilizar – e quero ter liberdade para escolher outras variedades, como acontece com os agricultores dos Estados Unidos da América, do Canadá, do Brasil, da Argentina e muitos outros países.

Desde 1996, os agricultores em todo o mundo cultivaram mais de mil milhões de hectares de culturas geneticamente modificadas. No ano passado, segundo o ISAAA – International Service for the Acquisition of Agri-Biotech Applications, quase 17 milhões de agricultores utilizaram culturas biotecnológicas e a sua maioria foram pequenos agricultores de países em desenvolvimento.

Os agricultores Europeus contaram apenas com uma pequena fracção do total – tão poucos que foram irrelevantes. Nações como Burkina Faso, Myanmar e Uruguai aceitam melhor a biotecnologia do que a maioria dos países mais avançados da Europa.

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“É errado excluir os transgénicos. Não vão alimentar África, mas podem ajudar”

 

Entrevista a Charles Godfray
“É errado excluir os transgénicos.
Não vão alimentar África, mas podem ajudar”

12 Março 2012 – Green Savers

A comida nunca foi tão barata como é hoje nos países ocidentais e, talvez por isso, haja tanto desperdício, afirmou Charles Godfray, professor da Universidade de Oxford e director do programa Oxford Martin para o Futuro da Alimentação, na primeira conferência do ciclo que a Fundação Gulbenkian e o Público dedicam ao Futuro da Alimentação.

Numa conferência presenciada por centenas de pessoas – incluindo um repórter do Green Savers – e que tinha como tema “O desafio de alimentar 10 mil milhões de pessoas de forma sustentável e equitativa”, Charles Godfray começou por alertar para o facto de os alimentos que comemos – e o modo como são produzidos – terem um impacto significativo na saúde pública, no ambiente e na economia.

“Nos países ricos a comida é muito barata, nunca nenhuma civilização gastou tão pouco em alimentos como a nossa”, afirmou, acrescentando ainda que aumentar moderadamente o preço dos alimentos seria um bom compromisso para diminuir a fome e o desperdício alimentar.

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  • APRESENTAÇÃO de Charles Godfray na Fundação Calouste Gulbenkian

Entrevista – Diferença entre produtos ecológicos e transgénicos: os primeiros são mais caros

 

Entrevista a José Miguel Mulet

“A única diferença entre os produtos ecológicos e os transgénicos
é que os primeiros são mais caros”

16 Novembro 2011 – El Correo – Ciencia

José Miguel Mulet, doutorado em bioquímica e biologia molecular, defende que a maioria dos que estão contra os organismos geneticamente modificados “sabem muito pouco sobre ciência” e muitos desconhecem também ao que se opõem.

Um transgénico é um organismo no qual é inserido um pedaço de DNA de outro organismo, explica o investigador. Isto pode ser muito artificial, mas é algo que acontece na própria natureza há milhões de anos. O que o ser humano aprendeu nas ultimas décadas foi a fazê-lo por si próprio com o gene que pretende inserir na espécie que seleccionou e que convém ser melhorada.

Em vez de o fazer às cegas e em bruto, como se faz nas técnicas de melhoramento convencional, utiliza o homem usa a engenharia genética para melhorar de uma forma muito precisa uma espécie vegetal.

Apesar de muitos pretenderem vender produtos com a etiqueta de “natural”, o investigador defende que quase nada do que comemos é “natural”. Se o homem se extinguir, as espécies agrícolas extinguem-se com ele.

A sabedoria popular defende que os produtos ecológicos são mais sãos que os transgénicos, mas os especialistas defendem que não há nenhum estudo cientifico que o tenha demonstrado. Os transgénicos são muitissimo mais seguros que os produtos ecológicos, porque têm de ultrapassar análises muito mais rigorosas que os ecológicos e os convencionais.

A única diferença entre os produtos ecológicos e os transgénicos é que os primeiros são mais caros, defende o autor do livro ‘Los productos naturales ¡vaya timo!‘, publicado em 2011.

 

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“A agricultura biológica deveria usar transgénicos”

Entrevista com Mertxe de Renobales 
“A agricultura biológica deveria usar transgénicos”

24 Janeiro 2012 – Nuestra Terra | Agro-Bio

Mertxe de Renobales, investigadora do País Basco, considera que a tecnologia da engenharia genética de plantas para produzir plantas transgénicas pode coexistir e até apoiar a agricultura biológica.

A agricultura biológica utiliza práticas de cultivo menos agressivas para o meio ambiente do que a agricultura convencional, explicou a investigadora ao jornalista Luis Alfonso Gámez do jornal Nuestra Terra. A certificação biológica  proíbe o uso de herbicidas, insecticidas e fertilizantes sintéticos. Já os transgénicos não necessitam de insecticidas, porque já estão protegidos contra esse tipo de ataque, portanto não faz falta utilizá-los.

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Entrevista a Daniel Ramón Vidal, investigador de agrobiotecnologia


Entrevista a Daniel Ramón Vidal
“Alimentos transgénicos são os alimentos mais seguros
e para além disso são ecológicos”

1 Novembro 2011 – Revista Consumer

Antes de um transgénico ser comercializado passa por um controlo rigoroso que dura entre sete a dez anos. São portanto, os alimentos mais sguros da história, segundo Daniel Ramón Vidal, investigador espanhol premiado em Espanha e na Europa pelo seu trabalho em biotecnologia de alimentos.  Segundo Ramón Vidal não existe um único dado científico que demonstre que os alimentos geneticamente modificados têm maiores riscos do que os restantes alimentos, ditos convencionais.

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Reportagem da TV Galicia – Milho transgénico em Portugal


Reportagem da TV Galicia (visionar a partir do minuto 14:49) sobre milho Bt – milho geneticamente modificado para resistir ao ataque de insectos – em Portugal. Inclui reportagens com entrevistas a vários agricultores portugueses, dirigentes de associações, um investigador da área da biotecnologia de plantas e uma técnica do Ministério da Agricultura que faz o acompanhamento das culturas transgénicas em Portugal .

Proibir produção de OGM é “ridículo e desastroso”

Proibir produção de OGM é “ridículo e desastroso”:
Pedro Fevereiro, presidente do CiB, comenta relatório da UE

29 Dezembro 2010 – Ciência Hoje

A modificação genética de organismos é um tema que levanta questões éticas e que divide a opinião pública por haver dúvidas quanto à segurança e qualidade dos produtos que derivam dessa tecnologia.

Tendo por base a investigação realizada nesta área nos últimos dez anos e co-financiada pela União Europeia (UE) em 200 milhões de euros, a Comissão Europeia (CE) publicou recentemente um relatório onde sumariza os resultados de 50 projectos e assevera que a utilização de organismos geneticamente modificados (OGM) não representa riscos para o ambiente e para a saúde humana e animal.

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Entrevista – “Os OGM são um problema político”

“Os OGM são um problema político”
Entrevista a Pedro Fevereiro

20 de Dezembro – 2010 – Vida Rural

Dá a cara pela defesa das culturas geneticamente modificadas e é o ‘homem dos transgénicos’ em Portugal. Cientista e Professor, Pedro Fevereiro faz o ponto de situação da produção de OGM no nosso país e explica as vantagens de a Europa autorizar, a curto e médio prazo, variedades resistentes a herbicidas, à secura e à salinidade.

Tem acompanhado de perto os produtores que estão a apostar em culturas transgénicas em Portugal. Já são cerca de 5000 hectares de milho resistente à broca, mas a tendência é de estagnação de área…

Tem uma explicação. A cultura do milho viu reduzida a sua área no último ano por questões de mercado. Alguns produtores do Alentejo deixaram de produzir para optar por outras culturas. Também há outra situação que é a questão dos apoios agro-ambientais. O ministério da Agricultura não aceita candidaturas às agro-ambientais de agricultores que produzam OGM e alguns agricultores, embora acreditem nestas variedades, deixaram de produzir. Daí a estabilização da área.

Mas na realidade, segundo o relatório da Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, a área aumentou ligeiramente.

Sobretudo no Norte e o Centro do país, onde predomina o minifúndio. A produção adapta -se bem nestas regiões, dadas as restrições da ‘coexistência’?

Felizmente há uma figura na legislação portuguesa que permite ‘zonas de produção’, de que o Baixo Mondego é um exemplo típico. Os agricultores estão-se a associar e, produzam ou não OGM, aceitam juntar-se e constituir estas ‘zonas de produção’ onde é muito mais fácil cumprir com a legislação, pois só a zona limítrofe é que está sujeita à regra da coexistência. E produzam ou não milho transgénico, tudo é vendido em conjunto para a indústria das rações, onde não é feita discriminação e o preço é o mesmo.

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a Pedro Fevereiro
Presidente do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

Plantas transgénicas “não ameaçam saúde pública”

Plantas transgénicas
“não ameaçam saúde pública”

20 Novembro 2010 – DN.pt

Investigador de Coimbra aponta vantagens no uso destas plantas: maior resistência a fungos, à salinidade ou uma maior sobrevivência em solos com menos quantidade de água.

Podem as plantas transgénicas ser importantes para a sociedade e não pôr em perigo a saúde pública? Um investigador português que desenvolveu trabalho nesta área acredita que sim. “Constituem mais uma ferramenta com o objectivo de melhorar as espécies que são cultivadas”, salienta Jorge Canhoto, docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Em Portugal, reconhece, a cultura transgénica “ainda é residual”. Segundo dados da Direcção-Geral de Agricultura e Pescas, de 11 de Outubro, a área de cultivo de milho geneticamente modificado ocupa 4868,5 hectares, correspondentes a 191 plantações, a maioria no Alentejo.

Curiosamente, diz Jorge Canhoto, “foi muito cultivada em Portugal uma espécie que não existia na natureza e que foi criada pelos cientistas: o triticale, um híbrido resultante do cruzamento entre o trigo e o centeio”. Porém, destaca o investigador, “esta situação não parece preocupar muito o movimento ecologista”. “Talvez não saibam que existe”, ironiza.

Jorge Canhoto explica que o uso da engenharia genética permite ultrapassar limitações no melhoramento das plantas e acrescenta que as “técnicas de engenharia genética não devem ser vistas como alternativa às técnicas convencionais, são antes complementares”.

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3 PERGUNTAS A Jorge Canhoto
“São ferramenta para melhorar espécies”

Agricultora Portuguesa recebeu Prémio Kleckner Trade and Technology Advancement 2010

Agricultora Portuguesa recebeu Prémio
Kleckner Trade and Technology Advancement 2010

13 Outubro 2010

Maria Gabriela Cruz, agricultora Portuguesa, recebeu o prestigiado Prémio Kleckner Trade and Technology Advancement 2010, pelo seu empenho na informação, apoio e defesa dos agricultores na adesão a novas culturas, práticas culturais e novas tecnologias, e ainda pelo seu esforço no sentido de mudar as atitudes dos governos Europeus que bloqueiam o acesso à liberdade de escolha dos agricultores para utilizarem produtos da biotecnologia, mais concretamente, as culturas geneticamente modificadas.

O Prémio, entregue pela Truth about Trade and Technology (TATT), procura reconhecer a capacidade de liderança, visão e determinação na defesa da liberdade de todos os agricultores escolherem as tecnologias e as ferramentas que promovam o aumento da qualidade, quantidade e disponibilidade de produtos agrícolas em todo o mundo.

Maria Gabriela Cruz é formada em Engenharia Agronómica pelo Instituto Superior de Agronomia de Lisboa e é presidente da APOSOLO – Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do Solo. Na sua exploração são utilizadas algumas das práticas e tecnologias agrícolas mais modernas ao seu dispor, com o objectivo de combater a erosão dos solos e de minimizar o impacto dos fitofarmacêuticos, que utiliza nas culturas, na saúde dos seus colaboradores e no ambiente.

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