Alterações climáticas | Mais insetos e aumento das perdas agrícolas

O percevejo marmoreado já se encontra na Europa. E uma das pragas que começa a ter proporções alarmantes em todo o mundo e para o qual não existe controlo eficaz. Imagem: © DR

Estudos recentes mostram que o aquecimento global pode aumentar o número de pragas de insetos e alterar os seus padrões de migração, o que pode representar uma ameaça ainda maior à produção agrícola global. Um tema para refletir neste Dia Mundial do Meio Ambiente.


Os insetos são e sempre foram um grande problema para os agricultores em todo o mundo. Se não forem controlados, podem dizimar colheitas inteiras, reduzir a produção e afetar a qualidade e segurança dos alimentos. Com as alterações climáticas, a situação tende a piorar. Segundo os resultados de investigações recentes, o aquecimento global pode aumentar o número de pragas de insetos e alterar os seus padrões de migração, que representa uma ameaça ainda maior à produção agrícola global.

A subida de apenas 2 graus na temperatura global pode provocar um aumento das perdas de produtividade de trigo (46%), de arroz (19%) e milho (31%) nas perdas de produtividade. Isto, no que se refere a perdas relacionadas com pragas de insetos.

Neste mapa elaborado pela CropLife international, saiba quais as regiões do mundo (cores quentes) em que as pragas podem tornar-se um desafio ainda maior por causa das alterações climáticas.  

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F2F e Biodiversidade | Estratégias colocam em risco produção e competitividade agrícola da UE

Em comunicado de imprensa enviado às redações, o CiB-Centro de Informação de Biotecnologia reagiu às estratégias da Comissão Europeia “Do Prado ao Prato” e “Biodiversidade 2030”. Sobre o uso das novas tecnologias, incluindo a biotecnologia e o desenvolvimento de produtos de base biológica, o CIB espera que a visão apresentada seja levada à prática, assegurando aos agricultores a liberdade de escolherem as tecnologias que melhor se adequam à sua exploração. No entanto, a implementação de muitas outras medidas colocarão em risco a produção e a competitividade dos produtores da União Europeia face aos produtores de países fora da UE que não estão sujeitos às mesmas regras.

A Comissão Europeia (CE) apresentou, na semana passada, a “Estratégia Do Prado ao Prato” (Farm to Fork ou F2F) e a “Estratégia para a Biodiversidade 2030” (EU Biodiversity Strategy for 2030). Em linhas gerais, na “Estratégia Do Prado ao Prato”, a CE pretende tornar mais sustentável toda a cadeia alimentar nos países da União Europeia, através de ações que permitam “reduzir a pegada ambiental e climática do Setor Agroalimentar da UE e reforçar a sua resiliência, protegendo a saúde dos consumidores e garantindo os meios de subsistência dos agentes económicos”. Na Estratégia para a Biodiversidade 2030, a CE pretende “contrariar os efeitos de perda de biodiversidade, como o uso insustentável do solo e do mar, a sobre-exploração dos recursos naturais, a contaminação e as espécies exóticas invasoras. Outro dos objetivos é prevenir e reforçar a resistência a pandemias futuras e trazer oportunidades de negócio e investimento para a recuperação da economia da UE”. 

A Investigação e Inovação são referidas, em ambos os documentos, como tendo um papel importante. Na Estratégia Do Prado ao Prato, reconhece-se que “as novas tecnologias, incluindo a biotecnologia e o desenvolvimento de produtos de base biológica, podem desempenhar um papel no aumento da sustentabilidade, desde que sejam seguras para os consumidores e para o meio ambiente, trazendo benefícios para a sociedade como um todo. Também podem acelerar o processo de redução da dependência de pesticidas”.

Neste sentido, e em resposta ao pedido dos Estados-Membros, “a Comissão está a realizar um estudo que analisará o potencial das novas técnicas genómicas para melhorar a sustentabilidade ao longo da cadeia de abastecimento alimentar.” O CiB espera que esta visão seja levada à prática e que as decisões políticas sejam consentâneas com o uso seguro e com o conhecimento científico atual dos produtos da biotecnologia, assegurando a preocupação de dar aos agricultores a liberdade de escolher as tecnologias que melhor se adequarão à sua exploração.

Entre as muitas medidas propostas na “Estratégia Do Prado ao Prato”, a “redução em 50% do uso e risco dos produtos fitofarmacêuticos”, a redução em 20%, no mínimo, no uso de fertilizantes”, “a redução em 50% das vendas dos antimicrobianos utilizados na pecuária e na aquacultura” e aumentar as terras agrícolas com produção biológica dos atuais 8% para 25%” são as primeiras grandes ambições para 2030. 

Tudo muito certo, não se levantasse uma questão fundamental: é exequível para os produtores nacionais implementarem todas as medidas propostas? A concretização das metas e grandes objetivos têm de ter um orçamento adequado à altura das ambições. Caso contrário, estaremos perante uma estratégia completamente irrealista, até porque a reforma da PAC terá de incorporar necessariamente estas metas e ambições, desde logo nos Planos Estratégicos dos Estados-membros.            

Sem rodeios, a resposta é Não. Sem grandes apoios financeiros não será exequível. E não se trata sequer de apenas pedir apoios. As exigências da Estratégia do “Prado para o Prato” são muito grandes e porquê? Porque os produtores nacionais terão que produzir o mesmo mas com menos e sem ferramentas alternativas às que a Estratégia lhes retira, agravado pelas novas ameaças emergentes de pragas e doenças ainda sem soluções no seu combate. 

Preocupado com o futuro do setor agrícola nacional, o CiB-Centro de Informação de Biotecnologia levanta sérias questões a que a “Estratégia Do Prado ao Prato” não dá resposta e que podem colocar em risco a produção de alimentos, não só em Portugal como na União Europeia e podem levar a uma perda de competitividade nas produções e da importância da atividade agrícola e agroalimentar, com o abandono das zonas rurais. Isto, com a agravante de que assistimos a fenómenos imparáveis como a globalização e o aumento da população mundial. Perguntamos: “Qual é o papel da União Europeia nos sistemas de abastecimento à escala global? Como garantir que as metas vão ser atingidas nos nossos principais parceiros e concorrentes nos mercados internacionais e uma equidade nas regras de importação? Seremos capazes de impor taxas para os produtos importados desses países, sem ter em conta as regras da OMC-Organização Mundial do Comércio? Até porque, para além do peso das exportações, que continuarão a ser essenciais, importamos muitas matérias-primas de Países Terceiros. 

Como grandes linhas para atingir os objetivos da “Estratégia para a Biodiversidade 2030”, a CE propõe: “regenerar os rios e os ecossistemas degradados”, “melhorar a saúde das espécies e dos habitats protegidos da UE”, “devolver polinizadores às terras agrícolas”, “reduzir a contaminação”, “tornar as cidades mais ecológicas”, “aumentar a agricultura biológica e outras práticas agrícolas respeitosas da biodiversidade” e “melhorar a saúde das florestas na UE”. E como se propõe a CE concretizar estes objetivos? Em concreto, através da “conversão, no mínimo, de 30% das terras e mares da Europa em zonas protegidas administradas com eficácia e da “devolução em mais de 10% da superfície agrícola de elementos paisagísticos muito variados”. 

O problema é que as estratégias apresentadas são ambiciosas e muito baseadas em metas e não em caminhos, que se não forem acompanhadas da preocupação de que todos, os que do sector agrícola vivem, mantenham ou melhorem os seus rendimentos, poderão ter um impacto deveras negativo no mundo rural dos países e muito particularmente de Portugal. Tal obrigará a um êxodo rural maior para as grandes cidades, acentuando, ainda mais, a degradação dos ecossistemas.  Para os agricultores em geral, e de Portugal em especial, as linhas gerais apresentadas geram alguma preocupação, porque “reduzir o uso de fitofármacos em 50% e dos fertilizantes em, pelo menos, 20%”, sem alternativas viáveis para os substituir, pode comprometer, em muito, a competitividade das explorações agrícolas europeias e portuguesas, que competem com produtos vindos de países terceiros, onde os produtores não enfrentam iguais condicionantes e exigências. Produtos importados são produzidos mediante regras e recurso a fitofármacos não estão autorizados na EU. 

De lembrar que, nos últimos anos, os agricultores já viram reduzido o número de substâncias ativas para controle de pragas, doenças e infestantes, comprometendo o seu nível de produção e a possibilidade da tão necessária diversificação de culturas, tendo, no entanto, respondido, de forma eficaz, às exigências de um uso mais profissional e sustentável de fitofármacos e fertilizantes – com formação profissional obrigatória para todos os aplicadores, mediante a implementação de Boas Praticas de na aplicação de fitofármacos, no controlo apertado de equipamentos de aplicação e do uso de fitofármacos, entre outos, o que lhes permitiu fornecer produtos seguros, suficientes e com qualidade reconhecida a nível mundial. 

É importante a Comissão Europeia não menorizar que, para os agricultores europeus, a disponibilidade ou não de uma ferramenta para proteger as suas culturas pode fazer toda a diferença em termos económicos. 

Aspetos em falta na Estratégia são também os procedimentos de análise e autorização baseados na ciência, que deveriam ser mais implementados. Se o fossem, provavelmente a CE concluiria que muitos fitofármacos não teriam de ser retirados do mercado, sobretudo os mais essenciais para a produção agrícola. 

Se a União Europeia reduzir a sua capacidade produtiva, o sector agrícola não conseguirá enfrentar uma procura crescente por alimentos, forragens e produção não alimentar. O que levanta mais uma questão: As medidas propostas não contrariam as necessidades de abastecimento na União Europeia? Contrariam. Quadruplicar a área da UE em agricultura biológica” – menos produtiva do que a agricultura convencional em mais de 30% – “converter, no mínimo, 30% das terras e mares da Europa em zonas protegidas administradas com eficácia – por quem? E devolver em mais de 10% da superfície agrícola elementos paisagísticos muito variados – são medidas que retirarão área para produção agrícola”, levando-nos a pensar que a UE verá comprometido o seu objetivo de garantir uma maior autossuficiência do espaço europeu em alimentos. Modos de produção menos produtivos, uma agricultura convencional com menos ferramentas para produzir na mesma medida de hoje, e menos área dedicada à agricultura só poderão ter como consequência uma redução na capacidade exportadora da agricultura da União Europeia, e, ainda, um aumento na sua dependência do exterior com o consequente aumento do risco de insegurança alimentar. 

De resto, os agricultores têm vindo a implementar, nas suas explorações, práticas mais sustentáveis, bem como uma crescente prestação de serviços aos ecossistemas. Não será por acaso que as normas de segurança alimentar da UE estão entre as mais altas do mundo. A agricultura e a agroindústria europeias já têm vindo a apostar nesta estratégia, preocupados com as emissões dos GEE, o bem-estar animal, a sustentabilidade, a eficiência da utilização de recursos. Ou seja, nada disto é novo e disso são exemplo os inúmeros Centros de Competência e a partilha de projetos que envolvem as empresas, universidades e investigação. A preocupação com os consumidores também tem promovido diferentes tipos de oferta, bem como e a autorregulação, porque queremos ter sistemas de produção e de consumo sustentáveis. 

A UE deveria estar preocupada, a todo o momento, em aumentar a competitividade da sua agricultura e não em sobrecarregá-la com exigências, monetariamente dispendiosas e sem alternativas viáveis, sem ter a certeza do exato impacto que as suas intenções podem ter no sector. Também, não deverão ser os agricultores os únicos a suportar os custos com uma maior preocupação ambiental e climática na UE. 

A CE, ao defender, justamente, no seu documento, que os consumidores devem ter acesso a dietas “sãs”, deverá ter consciência de que a escolha do que é uma dieta saudável se deve basear em recomendações fundamentadas na ciência e não em modas ou agendas comerciais, que, em muito, podem prejudicar o rendimento das explorações agrícolas, ao inviabilizar, sem justificação séria, as reduzidas alternativas que muitas explorações têm em Portugal.   

Para concluir, se alguma lição pode ser retirada da crise que enfrentamos com a COVID-19 é que a UE não pode arriscar-se a não ter alimentos numa outra crise futura. Porque, na próxima crise, poderemos não ter alimentos suficientes. As metas e ambições necessitam de tempo, de harmonização à escala global, de investimento em novas tecnologias e, sobretudo, de um orçamento adequado para o processo de transição. 

Gabriela Cruz, produtora, associada do CiB 

Jaime Piçarra, Presidente da Mesa da Assembleia Geral do CiB 

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Farm to Fork| CE apresenta estratégia para tornar cadeia alimentar mais sustentável

A Comissão Europeia (CE) apresentou, na semana passada, a Estratégia Farm to Fork ,(Do Prado ao Prato) que pretende tornar mais sustentável toda a cadeia alimentar na União Europeia. A investigação e inovação é um tema com uma abordagem geral em todo o documento , mas há uma parte que faz uma referência específica à biotecnologia.

”As alterações climáticas trazem novas ameaças à saúde das plantas. O desafio da sustentabilidade exige medidas para proteger melhor as plantas contra pragas e doenças emergentes e inovação. Novas técnicas inovadoras, incluindo biotecnologia e desenvolvimento de produtos de base biológica, podem desempenhar um papel no aumento da sustentabilidade, desde que sejam seguras para os consumidores e para o meio ambiente, trazendo benefícios para a sociedade como um todo. Também podem acelerar o processo de redução da dependência de pesticidas”, lê-se no documento.

Em resposta ao pedido dos Estados-Membros, o comunicado de imprensa da CE refere que a Comissão está a realizar um estudo que analisará o potencial das novas técnicas genómicas para melhorar a sustentabilidade ao longo da cadeia de abastecimento alimentar.

A estratégia dá importância à Investigação e inovação (I&I) como fatores-chave para acelerar a transição para sistemas alimentares sustentáveis, saudáveis ​​e inclusivos, da produção primária ao consumo, salientando que “A I&I pode ajudar a desenvolver e testar soluções, superar barreiras e descobrir novas oportunidades de mercado.”

Na Seção 1 da estratégia Farm to Fork , é explicada a necessidade urgente da implementação das medidas propostas. Na Seção 2 são dadas indicações de como se deve construir uma cadeia alimentar funcional quer para os consumidores, quer para os produtores, e mais sustentável do ponto de vista ambiental, com menos impactos no clima global. O modo como essa transição deve ser feita está especificado na Seção 3.

Para além da estratégia “Do Prado ao Prato” (A Farm to Fork Strategy for a fair, healthy and environmentally-friendly food system), a CE apresentou também, no mesmo dia, a estratégia para a Biodiversidade 2030 ( EU Biodiversity Strategy for 2030 Bringing nature back into our lives), que define metas vinculativas para regenerar rios e ecossistemas degradados, melhorar a saúde de espécies e habitats protegidos na UE, devolver polinizadores às terras agrícolas, reduzir a poluição, tornar as cidades mais verdes, aumentar a produção agrícola “biológica” e outras práticas agrícolas que respeitem a biodiversidade e melhorem a saúde das florestas europeias.

A estratégia para a biodiversidade apresenta medidas concretas para empreender a regeneração da biodiversidade da Europa até 2030, incluindo:

– A transformação de pelo menos 30% das terras e mares da Europa em áreas protegidas e efetivamente geridas;

– A transformação de 10% (no mínimo) da área agrícola na Europa em cenários paisagísticos com caraterísticas diversificadas.

Segundo o comunicado de imprensa da Comissão Europeia, ambas as Estratégias estão em consonância com o Pacto Verde da UE, propondo “ações e compromissos ambiciosos para acabar com a perda de biodiversidade, na Europa e no mundo, e transformar os sistemas alimentares europeus numa referência e exemplo a nível global”.  

Diz ainda o comunicado da CE que a Estratégia para a Biodiversidade 2030 “funcionará em conjunto com a nova Estratégia Farm to Fork e a nova Política Agrícola Comum (PAC)”. A CE “ garantirá que os planos estratégicos da PAC sejam avaliados com base em critérios climáticos e ambientais robustos e que os Estados-Membros estabeleçam valores nacionais explícitos para os objetivos relevantes estabelecidos na Estratégia para a Biodiversidade, bem como na Estratégia Farm to Fork. Esses planos devem levar a práticas sustentáveis, como agricultura de precisão, agricultura biológica, agroecologia, agro-silvicultura, pastagens permanentes pouco intensivas e padrões mais rigorosos de bem-estar animal”.

O CiB está a preparar uma reação à estratégia  Farm to Fork , que publicaremos aqui.

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Pragas e doenças|”Temos três anos para conseguir pelo menos duas soluções capazes de funcionar em condições reais”

“Há novas pragas e doenças para as quais não existe atualmente nenhuma planta resistente e nenhum pesticida que as consiga controlar”. – Parte de um excerto da entrevista de Pedro Fevereiro, diretor-geral executivo do Laboratório Colaborativo InnovPlantProtect (InPP), na edição de maio da Voz do Campo.  

Leia o excerto completo, publicado na edição online da revista a 12 de maio.

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OGM | Cientistas defendem impacto positivo das culturas geneticamente modificadas

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Fonte: gmo answers

Um estudo publicado na Nature Biotechnology conclui que as culturas geneticamente modificadas (GM) têm um impacto positivo para os agricultores, principalmente nos países em desenvolvimento. Partindo de investigações realizadas em diferentes países, a autora, Janet E. Carpenter, analisou a base do sucesso global crescente de culturas GM.

Para o artigo intitulado ‘Peer-reviewed indicate positive impact of commercialized GM crops, publicado na revista Nature Biotechnology, a especialista em Economia Agrícola e de Recursos, Janet E. Carpenter, analisou 49 artigos científicos publicados nas principais revistas. A análise realizada sustenta que a principal razão pela qual mais e mais agricultores estão a adotar culturas GM é o aumento da produção.

Segundo a investigadora, que trabalha com questões relacionadas com a agricultura há mais de dez anos, “74% dos estudos analisados ​​corroboram que os rendimentos são maiores entre os agricultores que optaram por culturas transgénicas em comparação com aqueles que não o fizeram.” Janet E. Carpenter salienta que esta percentagem é impulsionada principalmente pelos países em desenvolvimento.

O artigo também apresenta evidências sobre os benefícios económicos das culturas GM, demonstrando que os produtores veem nas culturas GM uma possibilidade de economizar tempo e dinheiro, na medida em que permitem aumentar a produtividade de maneira eficiente e sustentável.

Relativamente à diferença no preço das sementes transgénicas, a autora do estudo afirma que, na maioria dos casos analisados, foi compensada pela alta redução nos custos dos inseticidas. Para se desenvolverem e permanecerem saudáveis desde até à colheira, as culturas GM não precisam da mesma quantidade de inseticidas e/ou de pesticidas como as culturas não GM.

Ler artigo original.

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Q&A|”Desta vez não faltou comida? E da próxima?”

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Créditos da imagem: Rodrigo Cabrita/CiB

Quem não teve oportunidade de ouvir ontem o programa “Que Vida é a Nossa?”, na Antena 1, tem aqui a oportunidade de ouvir a resposta do investigador Pedro Fevereiro à pergunta da jornalista Eduarda Maio: “Desta vez não faltou comida? E da próxima? 

São sete minutos de conversa que nos levam a refletir sobre aquilo que não é mas temos como adquirido – os alimentos. A COVID-19 levou-nos a comportamentos desajustados, impulsionados pelo medo. Medo, talvez, de passar fome? Numa primeira fase crise sanitária esvaziamos os supermercados, açambarcamos enlatados e outros não perecíveis, como se fossemos viver os próximos meses num bunker.

Mas, como a pergunta deste programa alerta, “Desta vez não faltou comida”. E da próxima?”

Num tempo em que se colocam grandes desafios à produção de alimentos – e citando uma parte da resposta de Pedro Fevereiro, nunca é demais “reconhecer o trabalho dos agricultores”. São eles que nos alimentam.

Veja o programa aqui.

Pedro Fevereiro é CEO do InnovPlantProtect, Professor Auxiliar com Agregação do Departamento de Biologia Vegetal na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, diretor do Laboratório de Biotecnologia de Células Vegetais no ITQB NOVA e presidente do CiB-Centro de Informação de Biotecnologia.

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Estudo | Arroz  Bt e milho Bt são inofensivos para insetos benéficos

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Créditos da imagem: Opoterser/Wikimedia Commons

Dois novos estudos científicos demonstram que variedades de arroz e milho geneticamente modificadas para se tornarem resistentes a pragas não prejudicam os insetos benéficos para as culturas agrícolas. A tecnologia GM utiliza a bactéria Bacillus thuringiensis (Bt) que produz uma proteína com efeito inseticida, sendo graças a ela que os produtores conseguem controlar, de um modo muito direcionado, as pragas que destroem as culturas. Mas as aranhas, as vespas e outros insetos não são afetados. 

Estes novos estudos, publicados em fevereiro de 2020, vêm demonstrar uma vez mais que o controlo muito direcionado de pragas através da tecnologia GM tem imensas vantagens para o meio ambiente. Ao utilizar uma proteína inseticida chamada Bacillus thuringiensis (Bt), expressa em tecidos vegetais, os produtores podem reduzir a aplicação as pulverizações de inseticidas de largo espetro, protegendo a biodiversidade a uma escala mais ampla.

Um estudo, liderado por investigadores na China, incidiu sobre o arroz Bt e outro, realizado por investigadores no Brasil, teve como objeto de investigação o milho Bt.

Num artigo publicado no Plant Biotechnology Journal, os investigadores que estudaram o arroz Bt afirmam que após vários anos de ensaios de campo não encontraram diferenças significativas nas populações de aranhas que vivem nos campos de arroz Bt e nas populações de aranhas que vivem nos campos de arroz não-Bt. Foram feitas comparações ao longo de todo o período em que durou o estudo e, garantem, não há diferenciações relevantes a assinalar.

Além disso, como de resto já esperavam os investigadores chineses, quando as plantações de arroz Bt e as de arroz não-Bt foram tratadas com inseticidas químicos, verificou-se uma redução nas populações de aranhas. Ou seja, embora os inseticidas permitam reduzir as perdas na produção de arroz não-Bt, também mata insetos benéficos como as aranhas, que desempenham um papel importante no controle natural de pragas.  “Estes resultados sugerem que o arroz Bt não tem impactos a longo prazo na estrutura da comunidade de aranhas, enquanto os inseticidas químicos expõem impactos negativos”, escrevem os investigadores no artigo divulgado no Plant Biotechnology Journal.

Uma outra equipa de investigadores estudou o potencial impacto do milho Bt no Brasil numa minúscula vespa parasitária chamada Trichogramma pretiosum. Muito comum no Brasil, este inseto alimenta-se dos ovos das mariposas-do-outono (traça) e de outras pragas agrícolas e por esta razão é altamente valorizado pelos agricultores como agente de bio controlo.

Os cientistas brasileiros afirmam que se as proteínas inseticidas expressas nas culturas de milho Bt – que se mostraram extremamente eficazes no combate às pragas de lepidópteros (onde se incluem as borboletas e as mariposas) – também prejudicassem insetos benéficos como a vespa Trichogramma pretiosum, seria um problema sério e motivo de grande preocupação para os agricultores e ambientalistas. Mas esse parece não ser o caso. Conforme relatado pelos autores do artigo publicado na revista Biocontrol Science and Technology, “todos os híbridos Bt [de milho] avaliados foram inofensivos ao Trichogramma pretiosum”.

Os investigadores reforçam: “Todas as proteínas Bt avaliadas neste estudo visam especificamente os lepidópteros e não têm efeitos mortíferos sobre o T. pretiosum, nem mesmo quando foram testadas exposições extremas produzidas em condições de laboratório.”

As conclusões destes dois estudos aumentam o consenso de que as culturas Bt não prejudicam organismos não-alvo, o que significa que podem ser usadas como parte de uma ampla variedade de técnicas de manutenção integrada de pragas. Isso é importante também para tentar impedir uma evolução da resistência às proteínas Bt entre as espécies de pragas.

Leia o artigo científico dos investigadores chineses sobre o arroz Bt  aqui e o artigo dos investigadores brasileiros sobre o milho Bt aqui. Este texto foi originalmente publicado na Cornell Alliance For Science.

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Fusariose |Descoberto gene que permite produzir trigo resistente a fungo altamente destruidor  

fungo Fusarium
À esquerda, uma linha de trigo infetada pelo fungo Fusarium graminearum; à direita, uma linha de trigo saudável. Créditos da imagem: Guihua Bai / ARS.

Investigadores da Universidade Agrícola de Shandon, na China, e do Serviço de Investigação Agrícola, nos EUA, descobriram um gene – chamado Fhb7 – que pode ser usado para desenvolver variedades de trigo mais resistentes à Fusariose, uma grande ameaça para as colheitas de trigo em todo o mundo.

A descoberta e a clonagem do gene Fhb7 é um grande avanço no controlo da doença e para continuar a garantir o fornecimento global de trigo. Provocada pelo fungo patogénico Fusarium graminearum, que se instala nas sementes, a Fusariose é responsável por significativas perdas nas colheitas de trigo, sobretudo na Europa, nos Estados Unidos, na China, no Canadá, e em muitos outros países. Além do trigo, também ataca cereais como a cevada e a aveia.

Quando o patogénico cresce sem controlo nos grãos infectados, liberta micotoxinas que podem induzir vómitos nos seres humanos, além de perda de peso nos animais que se recusam a comer os grãos. Mais: a prevalência e a gravidade dos surtos de Fusariose também podem ser potencialmente exacerbadas pelas alterações climáticas e pela tendência crescente de aumentar a produção de milho e o plantio direto, porque isso, alertam os cientistas, pode levar a uma maior prevalência do patogénico nos campos agrícolas.

Para reduzir os danos causados ​​pela Fusariose, os produtores usam geralmente fungicidas. Mas se os autores deste estudo estiverem certos ao afirmarem que “o gene Fhb7 reduz efetivamente o ataque do fungo, desintoxicando as micotoxinas secretadas pelo patogénico”, melhores dias virão para a produção mundial não só de trigo como também de cevada e aveia.

Segundo os investigadores, este estudo lança uma nova luz sobre os mecanismos moleculares que podem tornar o trigo, a cevada e a aveia resistentes ao patogénico que causa a Fusariose. Os autores do estudo esperam que novas variedades de trigo com melhor resistência à doença, usando o Fhb7, estejam disponíveis daqui a alguns anos.

Para mais informações, leia o artigo científico publicado no dia 10 de abril na revista Science e USDA ARS.

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COVID-19 |Impactos no mundo pela voz dos agricultores

Covid no mundo

A COVID-19 é um problema transversal a todos os países e a todos os setores de atividade. A Global Farmer Network convidou os agricultores de todo o mundo e partilharem entre si, nas redes sociais, os impactos locais do novo coronavírus, não apenas na produção agrícola como também noutras áreas de atividade.

Não há uma história igual a outra, embora todas revelem um denominador comum: a preocupação e a incerteza do que trazem os próximos tempos.

Veja aqui o ponto de vista de agricultores da Índia, Filipinas, Reino Unido, Colômbia, Nicarágua, Argentina, Estados Unidos, Nigéria e Zimbabué.

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Estudo | A maioria dos americanos acredita que OGM podem contribuir para aumentar a produção global de alimentos

Pew research center

Numa investigação realizada em 2019 para aferir a opinião dos cidadãos norte-americanos dobre os alimentos geneticamente modificados, o Pew Research Center revela que embora metade dos adultos norte-americanos desconfie dos efeitos, na saúde, dos OGM, muitos também vêem vantagens nesta tecnologia, entre as quais a capacidade de aumentar o fornecimento global de alimentos.

Segundo uma investigação do Pew Research Center, em Washington, nos EUA, a maioria dos cidadãos dos EUA têm opiniões contraditórias, no entanto, três quartos (74%) dos adultos inquiridos ​​consideram provável que os alimentos GM podem contribuir para aumentar a produção global de alimentos e 62% afirmam que os alimentos GE têm uma probabilidade muito alta de serem colocados no mercado a preços mais acessíveis.

Este estudo demonstra que as opiniões sobre os efeitos na saúde dos alimentos GM são agora (no estudo de 2019) mais positivas do que, por exemplo, no período entre 2016 e 2018. Ainda assim, metade dos adultos (51%) continua a pensar que os OGM são piores para a saúde humana do que os alimentos não OGM, enquanto 41% afirmam que os alimentos GM têm um efeito neutro na saúde. Apenas 7% referem que são melhores para a saúde do que outros alimentos.

A investigação de 2019 do Pew Research Center também mostra que os homens têm opiniões mais positivas sobre os alimentos GM do que as mulheres. Cerca de 58% das mulheres dizem que os alimentos geneticamente modificados são piores para a saúde e acreditam que têm pelo menos uma probabilidade razoável de provocarem problemas de saúde para a população e efeitos nocivos no ambiente.

Mais informações no Pew Research Center Fact Tank.

Informação adicional:

Homens mais positivos sobre alimentos GM

A maioria dos americanos aceita animais transgénicos

Americanos divididos sobre a ciência dos alimentos

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