Estudo |Como é que os consumidores reagem à edição do genoma na produção de alimentos?

aliemntos

A resposta a esta pergunta está no Relatório “Consumer Acceptance of gene-edited foods” (A aceitação de alimentos geneticamente editados por parte dos consumidores”, da autoria da FMI Foundation e tornado público em março de 2020. Este documento de 86 páginas resulta de uma ampla investigação sobre as crenças, o conhecimento, o entendimento e a disposição dos consumidores norte-americanos para comprar alimentos que foram produzidos com a aplicação da edição do genoma de plantas, uma ferramenta biotecnológica que está a revolucionar a agricultura e outras áreas igualmente cruciais como a medicina e a indústria farmacêutica.

Para este estudo da FMI Foundation foram inquiridos 4.487consumidores norte-americanos que participaram em cenários de compra simulados com uma variada escolha de produtos a preços diferentes: por exemplo, produtos rotulados como biológicos, não OGM, de bioengenharia, geneticamente editados e de produção convencional.

As conclusões (em resumo) foram estas:

  • Independentemente do produto alimentar, da presença de processamento ou das informações, a disposição para consumir produtos rotulados como biológicos é maior do que os outros. Os inquiridos consideraram os alimentos biológicos mais saudáveis, seguros e mais benéficos para o bem-estar dos animais, mas também afirmaram que são mais caros.
  • A disposição de pagar pelos produtos geneticamente editados tende a ser menor do que os convencionais e de bioengenharia. No entanto, a disposição dos consumidores para comprar produtos geneticamente editados aumentou significativamente quando lhes foram fornecidas informações sobre os benefícios da tecnologia de edição do genoma. Este dado sugere que fornecendo aos inquiridos apenas informações sobre a tecnologia de edição do genoma não é suficiente para aumentar a sua disposição em comprar produtos geneticamente editados. Para que esta tecnologia seja mais amplamente aceite, é necessário complementar essas informações com mensagens específicas sobre os seus benefícios. Nos consumidores, o impacto dos benefícios ambientais da tecnologia é mais forte do que os benefícios para os agricultores.
  • Os consumidores têm um nível muito baixo de conhecimento sobre os produtos geneticamente editados. Cerca de metade dos inquiridos afirmou nunca ter ouvido falar em edição do genoma
  • Os entrevistados participaram em jogos de associação de palavras, que revelaram medo associado ao desconhecido. Palavras conotadas negativamente dominaram as referências a “geneediting” (edição de genes). Além disso, essas referências assemelhavam-se àquelas que lhes foram fornecidas para produtos geneticamente modificados.
  • Apesar da perceção positiva em relação aos produtos biológicos, os inquiridos compram principalmente alimentos produzidos por métodos convencionais. Quando perguntados diretamente sobre as motivações primárias de compra, os entrevistados geralmente classificam o preço e o sabor primeiro, enquanto os métodos de produção geralmente caem entre uma lista de possíveis motivações.
  • A análise de cluster resultou em três segmentos distintos de preferência pelo risco, aversão ao risco e neutro em relação ao risco. Uma análise mais detalhada dos segmentos por tratamento revela que, quando fornecidas informações básicas, a participação dos inquiridos no grupo avesso ao risco aumenta e o grupo que tem preferência pelo risco diminui. Esse efeito reverte quando são fornecidas informações sobre os benefícios ambientais.
  • A disposição para pagar alimentos produzidos com edição do genoma varia de acordo com o tipo de produtos e os níveis de processamento. Quanto ao primeiro, os consumidores estão dispostos a pagar relativamente mais pelos vegetais frescos geneticamente editados (tomate e espinafre) do que pela carne fresca, quando as informações são fornecidas. Para produtos vegetais frescos, a disposição para pagar é maior em comparação com a contrapartida processada. Por outro lado, a disposição para pagar pela carne geneticamente editada é maior no bacon do que nas costeletas de porco.
  • Apesar das opiniões negativas sobre os alimentos geneticamente editados, alguns consumidores valorizam a opção de pode comprá-los. Quando os consumidores são informados dos benefícios da reprodução genética, a participação no mercado de produtos geneticamente editados (quando comparados com biológicos, não OGM, convencionais e bioengenharia) excede 15%. A disposição do consumidor para pagar para ter alimentos geneticamente editados disponíveis varia de 0,00 dólares (0,00 €) a 0,23 dólares (0,21 €) por opção.
  • Os resultados deste estudo revelam que os consumidores geralmente pensam negativamente sobre a tecnologia da edição do genoma. No entanto, mais da metade dos entrevistados indica nunca ter ouvido falar da tecnologia. Apenas informar os consumidores sobre a tecnologia tem efeitos triviais na sua disposição para os comprar, mas informações específicas sobre os benefícios da edição do genoma podem melhorar significativamente a aceitação do consumidor pela tecnologia.

Leia o Relatório da Fundação FMI aqui: file:///C:/Users/cibga/AppData/Local/Microsoft/Windows/INetCache/Content.Outlook/UQLMEKC3/Gene_Editing_Report_Final__March_2020.pdf

A Fundação FMI fornece investigação, colaboração, educação e recursos na área da saúde, segurança alimentar e nutrição. Fundada em 1996, a Fundação FMI procura garantir qualidade e eficiência contínuas no sistema de análise e inspeção de alimentos para fins beneficentes, educacionais e científicos.

 

 

 

Biotecnologia | Edição de genoma será um marco na agricultura moderna

CropLife
A sequência de um genoma vegetal é semelhante a uma biblioteca de letras. Dentro desta biblioteca de letras, há uma pequena proporção que corresponde a genes ou sequências com alguma função.

“A edição do genoma nas plantas é alcançada graças à biotecnologia de precisão e visa ser um marco significativo na agricultura moderna.

Atualmente, existem pedidos de permissão para vender tomate, arroz, milho, trigo, soja e cogumelos nos Estados Unidos. A edição genética promete mudanças nutricionais, como a produção de trigo sem glúten ou a redução de gorduras trans nos óleos de soja. Em que consiste?”

Está tudo explicado  aqui, no site da CropLife da América Latina.

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Alimentação | Edição genética de plantas entre as soluções apontadas pelos cientistas

o futuro da alimentação SIC

Os efeitos das alterações climáticas na produção global de alimentos e o aumento da população previsto para daqui a poucos anos estão a pressionar as nações para encontrarem respostas a estes problemas emergentes. Ciência e indústria apresentam algumas soluções. Saiba quais n’ O futuro da alimentação, na Grande Reportagem SIC.

“Nas receitas que a ciência e a indústria preparam para o jantar de amanhã, a lista de ingredientes é diversa: carne produzida em laboratório a partir de células de animais. Edição genética de plantas. Proteínas vegetais que parecem proteínas animais. Insetos. Mudanças nos nossos hábitos de consumo e de produção que permitam reduzir o desperdício alimentar (1/3 de tudo o que produzimos acaba no lixo) e prevenir as doenças evitáveis que matam cada vez mais por excessos alimentares.”

1º episódio: https://sicnoticias.pt/…/2020-02-20-O-que-e-o-jantar-amanha-

“A agricultura pode reiventar-se para garantir alimentos para todos? A manipulação genética de plantas ajudará a reduzir o impacto no planeta? E a nanotecnologia, que papel terá na produção e distribuição de alimentos? Quando chegarão os insetos ao nosso prato? Em 2050, seremos 10 mil milhões de pessoas à mesa. Como garantir segurança alimentar, respeitando os limites do planeta? As respostas da ciência e da indústria no segundo episódio da Grande Reportagem SIC “O que é o jantar amanhã?”.

2º episódio: https://bit.ly/3cbXWPV

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Alterações climáticas|Como é que a biotecnologia pode salvar o arroz?

tipos-de-arroz

Mais de metade da população mundial consome arroz todos os dias. Mas, apesar de poder ser cultivado em todos os continentes, precisa de muita água para crescer. Reside aqui o problema do arroz – com o agravamento das alterações climáticas, fenómenos extremos como secas e enchentes estão a tornar-se mais frequentes. A biotecnologia pode ajudar.

Para garantir a segurança alimentar a longo prazo, em todo o mundo, é urgente produzir alimentos básicos como o arroz, que possam sobreviver a estas condições extremas e descobrir formas de tornar o uso da água na agricultura mas preciso e eficiente.

Por outras palavras, em vez de despender esforços na procura por variedades que já são resistentes à seca, pode-se usar ferramentas biotecnológicas para produzir arroz que requere muito menos água ao longo de todo o processo de cultivo. De resto, é com este objetivo que Julie Gray, professora de sinalização de células vegetais na Universidade de Sheffield, trabalha.

A sala de cultivo onde Gray desenvolve a sua investigação permite a realização de experiências com arroz cujos estômatos – estruturas constituídas por um conjunto de células localizadas especialmente na epiderme inferior das folhas, e, em menor número em caules jovens – os tornam mais resistentes à seca.

Leia o artigo completo, em inglês, aqui.

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Estudo inédito | Milho Bt tem impactos muito positivos na economia e no ambiente 

graos de milho

Desde que começou a ser cultivado em Portugal e Espanha, em 1998, o milho Bt permitiu uma produção adicional de 1,89 milhões de toneladas e um aumento substancial no rendimento dos agricultores. Mas os benefícios não se confinam à economia e à sustentabilidade na produção de alimentos. Para o ambiente, os ganhos são também inquestionáveis. Estas são algumas das conclusões de um estudo recente publicado em maio e apresentado e comentado ontem em Portugal pelo próprio autor, o economista agrícola Graham Brookes, no Seminário “Poderá a agricultura portuguesa usufruir das Novas Técnicas de Melhoramento?”, promovido pelo CiB e pela CAP na Feira Nacional da Agricultura.

  • Para atingir essa produção com milho convencional, teria sido necessário cultivar uma área agrícola adicional de 15.240 hectares;
  • Conseguir o mesmo resultado com sementes convencionais exigiria o uso adicional de 1.042 milhões de m3 de água de irrigação;
  • O rendimento dos agricultores portugueses e espanhóis nestes últimos 21 anos de utilização de milho Bt foi de 284,4 milhões de euros;
  • Por hectare, os ganhos financeiros dos agricultores subiram 173 euros, em média.

Em Portugal e Espanha, muitos agricultores têm cultivado continuamente milho Bt desde 1998. Decorridos 21 anos de investimento nesta variedade geneticamente modificada que protege o milho do ataque da broca (uma praga endémica presente em certas áreas da Península Ibérica responsável por grandes perdas na produção), os resultados são bastante positivos.

Essa é a grande conclusão do estudo recente “Vinte e um anos de milho resistente a insetos (GM) em Espanha e Portugal – contribuições agrícolas, económicas e ambientais”, do economista agrícola britânico Graham Brookes, da PG Economics (Reino Unido), publicado em maio na revista GM Crops & Food e apresentado e comentado em Portugal pelo próprio autor, no Seminário “Poderá a agricultura portuguesa usufruir das Novas Técnicas de Melhoramento”, organizado pelo CiB-Centro de Informação de Biotecnologia em parceria com a CAP e a Embaixada dos Estados Unidos em Portugal, no dia 11 de junho, no CNEMA, na Feira Nacional de Agricultura.

O estudo de Graham Brookes analisa exaustivamente, com vários exemplos e dados estatísticos, os impactos económicos e ambientais do cultivo desta variedade de milho, desde que se iniciou o seu cultivo em Portugal e Espanha. De salientar que o autor foi o primeiro a fazê-lo, tendo como foco a contribuição económica e ambiental do milho transgénico.

Benefícios económicos

Desde 1998, o cultivo do milho Bt permitiu que os agricultores portugueses e espanhóis obtivessem uma produção adicional de 1,89 milhões de toneladas, reduzindo substancialmente a utilização de recursos valiosos como a água. Para atingir esses níveis de produção com o milho convencional, teria sido necessário cultivar uma área agrícola adicional de 15.240 hectares nos dois países.

Em 21 anos de produção de milho Bt, por causa do aumento da produção, evitou-se a ocupação de terra na ordem dos 188.890 hectares. O cultivo desta variedade de milho também contribuiu para a economia de água graças ao aumento dos rendimentos e da produção, uma vez que para conseguir os mesmos resultados com sementes convencionais teriam de ser gastos adicionalmente 1.042 milhões de m3 de água de irrigação.

De 1998 até 2018, a área total cultivada com milho Bt nos dois países foi de 1,65 milhões de hectares, o que resultou num aumento de receita de 285,4 milhões de euros. Segundo o autor do estudo, por cada euro extra gasto na compra da semente transgénica em comparação com o custo da semente convencional, os agricultores ganharam mais 4,95 euros.

O aumento da produção  e a redução de custos aumentaram o rendimento dos agricultores em uma média de 173 euros por hectare, impulsionando as economias rurais dos dois países.

 Benefícios ambientais

No relatório pode ler-se que a tecnologia utilizada reduziu a pulverização de inseticidas em 678.000 kg de ingrediente ativo (−37%) e, como resultado, diminuiu o impacto ambiental associado ao uso de herbicidas e inseticidas nessas culturas (em 21%, conforme medido pelo indicador, o Quociente de Impacto Ambiental-EIQ).

Além disso, a redução das pulverizações resultou numa poupança de água entre 141.000 e 705.000 metros cúbicos em 21 anos de utilização de milho Bt (o que dá cerca de 7.250 e 36.260 metros cúbicos por ano). Em Portugal, a diminuição do consumo de água é de 0,2% do total anual de água gasta na irrigação.

Ainda segundo o economista agrícola britânico, a tecnologia também permitiu reduzir o consumo de combustível (593.000 litros), o que corresponde a uma redução substancial de CO2 libertado para a atmosfera. Só no ano de 2016, houve uma redução da emissão de dióxido de carbono na ordem dos 27,1 mil milhões de kg, o equivalente à retirada de 16,7 milhões de carros das estradas.

Outros benefícios

Os grãos de milho Bt são de melhor qualidade do que os grãos de milho convencionais, com níveis mais baixos de agentes cancerígenos.

Menor desperdício de grãos para utilização em alimentos e rações.

Melhor monitorização dos riscos de produção.

Redução do tempo gasto na monitorização das plantações devido a prejuízos causados por pragas.

Colheita mais fácil.

Impactos negativos

Segundo Graham Brookes, não há nenhuma evidência de impactos económicos ou ambientais negativos e também não há nenhuma evidência de que as pragas desenvolvem resistência à biotecnologia.

O CASO DE PORTUGAL

Em 2018, a área cultivada com milho Bt em Portugal era 6 mil hectares, o que representa 6% da área total cultivada com milho (em Espanha, no mesmo ano, era de 115 mil hectares e em onze países fora da EU somava 85 milhões de hectares).

Tal como em todos os países da União Europeia, em Portugal apenas é permitido o cultivo de milho geneticamente modificado e de uma só variedade – o milho Bt, resistente a insetos. Mas o facto de na União Europeia não ser permitida a produção de outras culturas e variedades geneticamente modificadas (GM), não significa que a UE não as compre a outros países.

Na verdade, como pode ler-se no estudo de Graham Brookes, a UE importa grandes quantidades de culturas geneticamente modificadas, principalmente para utilização em rações para animais. Por exemplo, importa anualmente 35 milhões de toneladas de soja e farelo de soja GM.

Estima-se que a cada ano, em Portugal, sejam afetados regularmente pela praga do milho mais de 15 mil hectares (cerca de 14%-15% da área total de milho) e a aplicação de inseticidas tem revelado uma eficácia limitada.

As regiões mais prejudicadas são o Alentejo, Litoral Centro, Lisboa e Vale do Tejo. Isso explica por que razão as maiores concentrações de culturas de milho Bt se verificaram nestas regiões quando a tecnologia se tornou disponível para os agricultores.

Estudo completo aqui: 

‘Twenty-one years of using insect resistant (GM) maize in Spain and Portugal: farm level economic and environmental contributions’

Infografía do Estudo Graham Brookes

Agricultura| A edição de genoma tim-tim por tim-tim 

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Créditos da imagem: ZazzIRT/Science Picture Co/Getty/ Jackson Ryan

Segundo um documento elaborado pelo Conselho de Ciência e Tecnologia Agrícola dos Estados Unidos, a edição de genoma pode aumentar substancialmente os impactos positivos da criação de plantas e de animais no bem-estar humano e na sustentabilidade alimentar e ambiental.

No documento “Genome Editing in Agriculture: Methods, Applications and Governance”, o Conselho de Ciência e Tecnologia Agrícola dos Estados Unidos esclarece como a edição de genoma pode contribuir para o desenvolvimento exponencial da agricultura e de que modo influencia as práticas agrícolas.

O texto não é novo, mas permanece atual, explicando muito claramente o que é a edição de genoma, como se realiza, que tipos de edição se podem fazer, o que distingue esta tecnologia da reprodução convencional e de outros métodos de modificação genética.

Leia o documento integral aqui.

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Biotecnologia | Estamos rodeados dela e não sabemos


Créditos da imagem: Shutterstock

Há quem acredite que a alimentação do futuro é a biotecnologia alimentar. Que a carne que iremos comer não será de animais, que o leite que iremos beber não será das vacas, que as claras de ovos serão produzidas sem galinhas. A verdade é que já há empresas a trabalhar para que isso seja possível. O que é uma realidade velha é o uso da biotecnologia na produção de medicamentos e de alimentos e, mais recentemente, na engenharia genética, permitindo editar, corrigir e alterar o genoma de qualquer célula. A biotecnologia está praticamente em tudo o que comemos, vestimos e usamos no dia-a-dia.

Há muito que se fala em biotecnologia, mas quantos de nós sabem realmente o que significa? Como o próprio nome indica, é a tecnologia ao serviço da biologia. E isso diz-nos o quê? Muito pouco, em especial para quem está fora desta área de investigação que envolve várias especialidades.

A biotecnologia é uma ciência multidisciplinar e consiste em qualquer aplicação tecnológica que utilize organismos vivos ou parte deles para fabricar ou modificar produtos ou processos é que ajudem a melhorar a nossa vida.

As áreas da biotecnologia com maior impacto em Portugal são as da biotecnologia farmacêutica e industrial. A farmacêutica está ligada principalmente ao desenvolvimento e comercialização de biofármacos, vacinas recombinantes e métodos de diagnóstico, permitindo oferecer tratamento para um alargado leque de doenças (incluindo certos tipos de cancro ou vacinas inovadoras) e detetar rapidamente agentes patogénicos. A industrial engloba as aplicações da biotecnologia em diferentes indústrias como a têxtil, pasta de papel, alimentar (nomeadamente no processamento de lacticínios, açúcar e produção de ingredientes), plásticos, químicos e biocombustíveis (essencialmente bio-etanol). Uma parte importante deste setor é a produção de enzimas (usadas, por exemplo, nos detergentes).

Nos países mais desenvolvidos, a biotecnologia é um dos setores com uma maior previsão de crescimento a médio prazo, pois é considerada a ciência chave do século XXI e promete progressos revolucionários e novas terapias. A biotecnologia aplicada à medicina é uma das áreas de maior crescimento do conhecimento humano e está relacionada com o desenvolvimento de sistemas terapêuticos emergentes como a terapia genética, a terapia celular ou a medicina regenerativa.  

Informações mais detalhadas aqui.

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Evento | ITQB NOVA acolhe terceira conferência anual iPlanta

Entre 27 de Fevereiro e 1 de Março, o Auditório do ITQB NOVA, em Oeiras, acolhe a terceira conferência anual iPlanta. Depois de Roma, em Itália, e de Poznań, na Polónia, onde se realizaram, respetivamente, a primeira e segunda edição, este ano será Portugal a receber um dos mais importantes debates internacionais sobre a necessidade de usar a biotecnologia para o desenvolvimento de novas formas de proteger as culturas agrícolas de doenças e pestes.

Promovida pelo CiB – Centro de Informação de Biotecnologia e pelo Laboratório de Biotecnologia de Células Vegetais, da Unidade de Investigação Green-it, a terceira Conferência anual iPlanta contará com a presença e a intervenção de vários investigadores de diferentes países, que falarão sobre o desenvolvimento de novas metodologias através da utilização do RNA de interferência, um processo biológico no qual as moléculas de RNA inibem a expressão de um gene, neutralizando as moléculas específicas do RNA mensageiro (ácido ribonucleico responsável pela transferência de informações do ADN).

Haverá ainda lugar para a divulgação de novidades sobre a estabilidade do RNA, nomeadamente no silenciamento genético induzido por pulverização (SIGS) e do silenciamento genético induzido por hospedeiro (HIGS).

A importância deste encontro reside na necessidade urgente de encontrar soluções mais eficazes, através da aplicação de RNAi, no combate das interações patogénicas enfrentadas pelas culturas, responsáveis pela perda de quantidades substanciais da produção agrícola mundial, incluindo em Portugal, onde todos os anos se perdem cerca de 40 % de culturas. Em termos globais, os números são semelhantes. Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), entre 20% a 40% das culturas são destruídas todos os anos devido a pragas e doenças.

Com o estimado aumento populacional, a agricultura moderna enfrenta um dos seus maiores desafios: garantir o abastecimento de alimentos para 10 mil milhões de pessoas daqui a apenas 30 anos. Mas poderá a produção de alimentos aumentar sem o recurso a metodologias como, por exemplo, o RNAi?

Para o investigador Pedro Fevereiro, presidente do CiB-Centro de Informação de Biotecnologia, Professor Auxiliar do Departamento de Biologia Vegetal na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Chefe do Laboratório do Grupo de Biotecnologia Vegetal no ITQB NOVA, a realização da III Conferência iPlanta em Portugal “é uma oportunidade para debater e divulgar os aspetos científicos e técnicos desta tecnologia, de forma a se efetivar a sua utilização na proteção das culturas agrícolas contra pragas e doenças.”

Tal como as Conferências iPlanta anteriores, esta é uma ação COST, uma organização europeia que promove e financia o networking em investigação e tecnologia.

A participação na iPlanta está sujeita a inscrição prévia (até ao dia 15 de fevereiro). Consulte o programa aqui.

OGM | Nova variedade de batata ajuda a combater anemia nas crianças

Existe uma nova batata no Peru e os investigadores que a criaram, através de modificação genética, acreditam que esta variedade, de polpa roxa, será uma importante ajuda na luta contra a anemia infantil, uma vez que tem o dobro das quantidades de ferro e zinco encontradas nas batatas convencionais.

O ministro da Agricultura, Gustavo Mostajo, afirmou em Dezembro de 2018, na estação de radio peruana RPP, que a nova batata foi modificada geneticamente por investigadores do Instituto Nacional para a Investigação Agrícola (INIA), tendo sido designada de “INIA 328-Kulli batata“. “Kulli” significa roxo in Quechua, a língua indígena falada no sudeste do Peru.

Além de ter o dobro da quantidade de ferro e zinco das batatas que atualmente estão no mercado, a nova batata tem também capacidades antioxidantes excecionais.

A anemia provocada por carência em ferro atinge 46,6% das crianças até aos três anos de idade e já é considerada um problema de saúde pública no Peru, de acordo com dados oficiais. Na região andina de Puno, a doença afeta 75,9% dos menores.

Segundo os investigadores, a “INIA 328-Kulli batata” é um tubérculo com uma vasta capacidade de adaptação, podendo ser plantada a uma altitude até 4100 metros, em zonas onde, justamente por causa da alta atitude, não crescem plantas.  

É nos Andes, perto do Lago Titicaca, que fica o berço da batata, aí criada há cerca de sete mil anos. Acredita-se que atualmente existem mais de quatro mil variedades de batata diferentes. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, a batata é a terceira cultura mais consumida no mundo, depois do arroz e do trigo, segundo tubérculo, que tem mais de 4000 variedades, é a terceira safra mais consumida no mundo depois do arroz e do trigo, de acordo com a agência de alimentos das Nações Unidas.

Leia a história completa, em espanhol, no Argenpapa, o portal da batata na Argentina.

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OGM|O futuro do trigo resistente à seca está próximo

No sul da Austrália não existem campos agrícolas com culturas geneticamente modificadas (GM) porque a legislação do País não permite. Mas os agricultores australianos acreditam que virá o dia em que poderão produzir variedades GM tolerantes à seca, para fazer face aos longos períodos de seca severa que todos os anos destroem milhares de hectares cultivados.

Agricultora sul-australiana Heather Baldock, num campo experimental de trigo geneticamente modificado, resistente à seca, na Argentina.
Créditos da imagem: Global Farmer Network

Era primavera, faltavam três ou quatro meses para o início das colheitas de trigo quando a agricultora sul australiana Heather Baldock visitou a Argentina, há dois anos, numa excursão de agricultores, para observar as experiências que estavam a ser feitas em plantações sul-americanas. O objetivo dos agricultores era aprender novos métodos e novas tecnologias que no futuro pudessem aplicar nas suas próprias plantações. O que viram nos ensaios, sublinha H. Baldock, foi “o futuro do trigo.”

Na aparência, as culturas de trigo que os agricultores australianos observaram nos campos experimentais na Argentina eram semelhantes a quaisquer outras culturas de trigo na Austrália. Apenas um aspeto as diferenciava: aquelas foram geneticamente modificadas para serem tolerantes à seca e tiveram uma produção 25% maior do que as culturas não modificadas. Este facto despertou muito o interesse de H. Baldock e do resto do grupo, uma vez que na Austrália existem períodos de seca severos que destroem por completo milhares de hectares de culturas.

Campo experimental de trigo GM, na Argentina.
Créditos da imagem: Global Farmer Network

Os agricultores sul australianos chegaram à conclusão de que conseguiriam aumentar a produção e os rendimentos se pudessem cultivar trigo geneticamente modificado, como garante H. Baldock, num artigo de opinião que publicou na Global Farmer Network, no qual relata a sua visita aos campos experimentais de trigo GM na Argentina.

Leia aqui o artigo, em inglês, de H. Baldock.

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