Farm to Fork| CE apresenta estratégia para tornar cadeia alimentar mais sustentável

A Comissão Europeia (CE) apresentou, na semana passada, a Estratégia Farm to Fork ,(Do Prado ao Prato) que pretende tornar mais sustentável toda a cadeia alimentar na União Europeia. A investigação e inovação é um tema com uma abordagem geral em todo o documento , mas há uma parte que faz uma referência específica à biotecnologia.

”As alterações climáticas trazem novas ameaças à saúde das plantas. O desafio da sustentabilidade exige medidas para proteger melhor as plantas contra pragas e doenças emergentes e inovação. Novas técnicas inovadoras, incluindo biotecnologia e desenvolvimento de produtos de base biológica, podem desempenhar um papel no aumento da sustentabilidade, desde que sejam seguras para os consumidores e para o meio ambiente, trazendo benefícios para a sociedade como um todo. Também podem acelerar o processo de redução da dependência de pesticidas”, lê-se no documento.

Em resposta ao pedido dos Estados-Membros, o comunicado de imprensa da CE refere que a Comissão está a realizar um estudo que analisará o potencial das novas técnicas genómicas para melhorar a sustentabilidade ao longo da cadeia de abastecimento alimentar.

A estratégia dá importância à Investigação e inovação (I&I) como fatores-chave para acelerar a transição para sistemas alimentares sustentáveis, saudáveis ​​e inclusivos, da produção primária ao consumo, salientando que “A I&I pode ajudar a desenvolver e testar soluções, superar barreiras e descobrir novas oportunidades de mercado.”

Na Seção 1 da estratégia Farm to Fork , é explicada a necessidade urgente da implementação das medidas propostas. Na Seção 2 são dadas indicações de como se deve construir uma cadeia alimentar funcional quer para os consumidores, quer para os produtores, e mais sustentável do ponto de vista ambiental, com menos impactos no clima global. O modo como essa transição deve ser feita está especificado na Seção 3.

Para além da estratégia “Do Prado ao Prato” (A Farm to Fork Strategy for a fair, healthy and environmentally-friendly food system), a CE apresentou também, no mesmo dia, a estratégia para a Biodiversidade 2030 ( EU Biodiversity Strategy for 2030 Bringing nature back into our lives), que define metas vinculativas para regenerar rios e ecossistemas degradados, melhorar a saúde de espécies e habitats protegidos na UE, devolver polinizadores às terras agrícolas, reduzir a poluição, tornar as cidades mais verdes, aumentar a produção agrícola “biológica” e outras práticas agrícolas que respeitem a biodiversidade e melhorem a saúde das florestas europeias.

A estratégia para a biodiversidade apresenta medidas concretas para empreender a regeneração da biodiversidade da Europa até 2030, incluindo:

– A transformação de pelo menos 30% das terras e mares da Europa em áreas protegidas e efetivamente geridas;

– A transformação de 10% (no mínimo) da área agrícola na Europa em cenários paisagísticos com caraterísticas diversificadas.

Segundo o comunicado de imprensa da Comissão Europeia, ambas as Estratégias estão em consonância com o Pacto Verde da UE, propondo “ações e compromissos ambiciosos para acabar com a perda de biodiversidade, na Europa e no mundo, e transformar os sistemas alimentares europeus numa referência e exemplo a nível global”.  

Diz ainda o comunicado da CE que a Estratégia para a Biodiversidade 2030 “funcionará em conjunto com a nova Estratégia Farm to Fork e a nova Política Agrícola Comum (PAC)”. A CE “ garantirá que os planos estratégicos da PAC sejam avaliados com base em critérios climáticos e ambientais robustos e que os Estados-Membros estabeleçam valores nacionais explícitos para os objetivos relevantes estabelecidos na Estratégia para a Biodiversidade, bem como na Estratégia Farm to Fork. Esses planos devem levar a práticas sustentáveis, como agricultura de precisão, agricultura biológica, agroecologia, agro-silvicultura, pastagens permanentes pouco intensivas e padrões mais rigorosos de bem-estar animal”.

O CiB está a preparar uma reação à estratégia  Farm to Fork , que publicaremos aqui.

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Fusariose |Descoberto gene que permite produzir trigo resistente a fungo altamente destruidor  

fungo Fusarium
À esquerda, uma linha de trigo infetada pelo fungo Fusarium graminearum; à direita, uma linha de trigo saudável. Créditos da imagem: Guihua Bai / ARS.

Investigadores da Universidade Agrícola de Shandon, na China, e do Serviço de Investigação Agrícola, nos EUA, descobriram um gene – chamado Fhb7 – que pode ser usado para desenvolver variedades de trigo mais resistentes à Fusariose, uma grande ameaça para as colheitas de trigo em todo o mundo.

A descoberta e a clonagem do gene Fhb7 é um grande avanço no controlo da doença e para continuar a garantir o fornecimento global de trigo. Provocada pelo fungo patogénico Fusarium graminearum, que se instala nas sementes, a Fusariose é responsável por significativas perdas nas colheitas de trigo, sobretudo na Europa, nos Estados Unidos, na China, no Canadá, e em muitos outros países. Além do trigo, também ataca cereais como a cevada e a aveia.

Quando o patogénico cresce sem controlo nos grãos infectados, liberta micotoxinas que podem induzir vómitos nos seres humanos, além de perda de peso nos animais que se recusam a comer os grãos. Mais: a prevalência e a gravidade dos surtos de Fusariose também podem ser potencialmente exacerbadas pelas alterações climáticas e pela tendência crescente de aumentar a produção de milho e o plantio direto, porque isso, alertam os cientistas, pode levar a uma maior prevalência do patogénico nos campos agrícolas.

Para reduzir os danos causados ​​pela Fusariose, os produtores usam geralmente fungicidas. Mas se os autores deste estudo estiverem certos ao afirmarem que “o gene Fhb7 reduz efetivamente o ataque do fungo, desintoxicando as micotoxinas secretadas pelo patogénico”, melhores dias virão para a produção mundial não só de trigo como também de cevada e aveia.

Segundo os investigadores, este estudo lança uma nova luz sobre os mecanismos moleculares que podem tornar o trigo, a cevada e a aveia resistentes ao patogénico que causa a Fusariose. Os autores do estudo esperam que novas variedades de trigo com melhor resistência à doença, usando o Fhb7, estejam disponíveis daqui a alguns anos.

Para mais informações, leia o artigo científico publicado no dia 10 de abril na revista Science e USDA ARS.

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COVID-19 |Impactos no mundo pela voz dos agricultores

Covid no mundo

A COVID-19 é um problema transversal a todos os países e a todos os setores de atividade. A Global Farmer Network convidou os agricultores de todo o mundo e partilharem entre si, nas redes sociais, os impactos locais do novo coronavírus, não apenas na produção agrícola como também noutras áreas de atividade.

Não há uma história igual a outra, embora todas revelem um denominador comum: a preocupação e a incerteza do que trazem os próximos tempos.

Veja aqui o ponto de vista de agricultores da Índia, Filipinas, Reino Unido, Colômbia, Nicarágua, Argentina, Estados Unidos, Nigéria e Zimbabué.

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Alimentação | Edição genética de plantas entre as soluções apontadas pelos cientistas

o futuro da alimentação SIC

Os efeitos das alterações climáticas na produção global de alimentos e o aumento da população previsto para daqui a poucos anos estão a pressionar as nações para encontrarem respostas a estes problemas emergentes. Ciência e indústria apresentam algumas soluções. Saiba quais n’ O futuro da alimentação, na Grande Reportagem SIC.

“Nas receitas que a ciência e a indústria preparam para o jantar de amanhã, a lista de ingredientes é diversa: carne produzida em laboratório a partir de células de animais. Edição genética de plantas. Proteínas vegetais que parecem proteínas animais. Insetos. Mudanças nos nossos hábitos de consumo e de produção que permitam reduzir o desperdício alimentar (1/3 de tudo o que produzimos acaba no lixo) e prevenir as doenças evitáveis que matam cada vez mais por excessos alimentares.”

1º episódio: https://sicnoticias.pt/…/2020-02-20-O-que-e-o-jantar-amanha-

“A agricultura pode reiventar-se para garantir alimentos para todos? A manipulação genética de plantas ajudará a reduzir o impacto no planeta? E a nanotecnologia, que papel terá na produção e distribuição de alimentos? Quando chegarão os insetos ao nosso prato? Em 2050, seremos 10 mil milhões de pessoas à mesa. Como garantir segurança alimentar, respeitando os limites do planeta? As respostas da ciência e da indústria no segundo episódio da Grande Reportagem SIC “O que é o jantar amanhã?”.

2º episódio: https://bit.ly/3cbXWPV

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Utopias| Os “ambientalistas simplórios” e os seus paradoxos

Já aqui partilhámos o artigo de opinião oportuno e provocador do jornalista Luís Ribeiro, publicado na revista Visão no dia 5 de junho de 2019. O mesmo artigo foi recentemente lido na íntegra pelo  jornalista da SIC José Gomes Ferreira, no programa “Negócios da Semana”, a pretexto da proibição da carne de vaca no refeitório da Universidade de Coimbra. Vale a pena assistir ao programa.

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Estudo | Milho GM pode ajudar Moçambique a resistir a secas e pragas

milho moçambique

Num estudo do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM), divulgado em julho, o milho geneticamente modificado (GM) é apontado como uma estratégia eficaz para resistir às secas e às pragas que com frequência afetam este País africano. Os cientistas esperam que, no futuro, as sementes transgénicas sejam acessíveis a todos os agricultores moçambicanos.

Quando foram divulgados os resultados da investigação realizada pelo Instituto de Investigação Agrária de Moçambique, em julho passado, o investigador do IIAM Pedro Fato afirmou que “a produção de milho geneticamente modificado aumentou duas vezes em relação à variedade convencional.”

A revelação é particularmente importante num País como Moçambique, em especial no Sul, onde a seca já provocou a destruição de 125.855 hectares de culturas alimentares. Mas não é só no sul que a disponibilidade de alimentos é escassa. Segundo dados oficiais, devido aos efeitos combinados de estiagem, pragas e inundações, após os ciclones Idai e Kenneth, cerca de 536 mil famílias de 103 distritos de Moçambique estão em risco de fome.

Realizado em quarentena no regadio de Gaza, província de Moçambique, o ensaio do IIAM demonstrou resultados muito positivos, pelo que os cientistas esperam que no futuro as sementes de milho GM sejam acessíveis  a todos os agricultores moçambicanos e garantem que não há indicação de efeitos adversos desta variedade  no que toca à biossegurança: “Não existe nenhuma evidencia científica sobre o trabalho que fizemos ou que tenha acontecido algo aos humanos, animais ou ambiente”, sublinhou Pedro Fato.

De salientar que o milho constitui a fonte básica de alimentação para a maioria da população.

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Relatório | Soluções para enfrentar os três maiores desafios atuais

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Alimentar 10 mil milhões de pessoas de maneira sustentável até 2050 exige a aplicação de medidas urgentes para solucionar três grandes problemas: aumentar a produção de alimentos (em 56%), ocupar mais área de terra com culturas agrícolas (são necessários mais 593 milhões de hectares) e reduzir a emissão de gases com efeito de estufa (cerca de 12 toneladas).

O novo relatório do World Resources Institute (WRI) diz como. Uma das soluções apresentadas é o investimento nas novas técnicas de melhoramento de plantas, como a edição de genomas.

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Estudo | Mercado dos alimentos transgénicos vai crescer 3,2%/ano    

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Um relatório recente da Research Nester, uma consultora britânica especialista em estratégias de mercado, prevê que, até ao final do ano 2021, o mercado dos alimentos que na sua composição contêm organismos geneticamente modificados (OGM) irá registar um crescimento anual de 3,1%.

 

O relatório “Análise do Mercado de Alimentos Geneticamente Modificados (OGM) & Oportunidades e Perspetivas até 2021”, publicado recentemente pela Research Nester dá-nos uma visão geral detalhada do mercado global de alimentos transgénicos, segmentando-o por tipo, característica e região, além de uma análise aprofundada dos agentes que mais têm contribuído para o crescimento do setor, das restrições ao cultivo, dos riscos da oferta e da procura, da competitividade e atratividade do mercado.

Distribuídos por segmentos – legumes, culturas, produtos de origem animal e frutas -, os alimentos que irão dominar o mercado num futuro próximo pertencem aos segmentos dos legumes e culturas. Ainda de acordo com o mesmo documento, o crescimento anual previsto de 3,2% durante os próximos dois anos dever-se-à a fatores como a fertilidade do solo, a alta taxa de produção e o alto valor nutricional dos alimentos.

Em termos de quantidades de produção, os autores do estudo estimam que a produção global de culturas geneticamente modificadas rondará, em 2021, os 130 milhões de toneladas (em 2015 era de 121 milhões de t), sendo na América do Norte que continua a verificar-se a maior área de ocupação. Os números falam por si: nos EUA, 86% do milho, 93% da soja e 90% do algodão são transgénicos. E os países enquadrados na região Ásia-Pacífico têm registado nos últimos anos um forte crescimento no Produto Interno Bruto (PBI), graças em grande medida à produção de culturas GM. Também de acordo com este relatório, a Índia e a China são apontados como os países emergentes no mercado de alimentos geneticamente modificados.

Este estudo permite-nos ainda ter uma noção clara da competição existente neste mercado em crescimento, traçando um perfil das maiores empresas que atuam na fileira dos OGM, nomeadamente a Syngenta (Suiça), Monsanto (EUA, que foi há meses adquirida pela Bayer), Sakata (Japão), Bayer Crop Science (Alemanha), BASF GmbH (Alemanha), DuPont (EUA), Groupe Limagrain (França), Dow Chemical Company (EUA), KWS SAAT SE (Alemanha) e outras.

O acesso ao relatório integral é pago, mas se pretender mais  informações sobre o conteúdo do mesmo clique aqui.

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Eurobarómetro | Preocupação com os OGM reduziu para metade em nove anos

vegetables on the cutting board are falling in the pot

O mais recente estudo de opinião pública sobre segurança alimentar na Europa, publicado no mês passado, mostra, uma vez mais, que é falso o argumento amplamente promovido de que “90% dos europeus são contra os OGM”. Na verdade, apenas 27% dos inquiridos afirmam estar preocupados com os ingredientes geneticamente modificados (GM) incluídos em alimentos e bebidas. A edição de genoma é o que menos preocupações suscita (4%).

Entre as 15 maiores preocupações da população relativamente à segurança alimentar, especificadas na lista do Eurobarómetro de 2019, os OGM estão em 8º lugar – 27% dos inquiridos dizem estar preocupados com a sua presença nos alimentos. Uma percentagem consideravelmente inferior à registada no inquérito anterior, de 2010, tendo diminuído para metade (no estudo de 2010, os alimentos com ingredientes GM ocupavam o 4º lugar dos maiores receios, com 66% das pessoas a afirmarem estar apreensivas quanto aos eventuais efeitos na saúde).

A edição de genoma foi uma das questões incluídas no inquérito e é a que menos preocupações suscita (4%), embora também seja o tema que 22% das pessoas assume perceber menos.

Mais problemáticos para a maioria dos inquiridos são os vestígios de antibióticos, hormonas e esteróides (44%), os resíduos de pesticidas (39%) e os aditivos alimentares (36%).

Resultados detalhados e referências por país aqui.

Fontes:

.Relatório integral do Eurobarómetro  sobre a segurança alimentar na UE.

.Mapas interativos das preocupações sobre segurança alimentar em todos os países da UE.

.Relatório do Eurobarómetro de 2010 em várias línguas.

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Alimentação |Uma reportagem onde a ciência é quem fala mais alto

revista Visão

“Numa altura em que a Humanidade enfrenta alguns dos maiores desafios à sua subsistência, como as alterações climáticas, a poluição dos solos e a escassez de água, só a tecnologia alimentar poderá garantir a sobrevivência dos dez mil milhões de seres humanos que habitarão a Terra em 2050”.

O lead é um excerto da reportagem da jornalista Sara Sá, A sustentável comida do laboratório, tema de capa da última edição da revista Visão.  No panorama da imprensa nacional, é exemplo raro este trabalho, que faz valer a abordagem científica em detrimento de mitos e fakenews sobre as “velhas” tecnologias de melhoramento de plantas e animais (como os OGM) e as “novas” tecnologias (como a edição de genoma). Mitos e fakenews repetidamente  propagados, apesar de sustentados em medos infundados e interesses que não são tão “verdes” quanto querem parecer.

O que este trabalho reporta não é uma premonição catastrófica do futuro da alimentação. Reporta o presente em alguns países que têm uma legislação favorável ao uso da biotecnologia nos alimentos e reporta um futuro alimentar otimista, justamente graças a tecnologias de edição de genoma o CRISPR-Cas 9, que a União Europeia decidiu equiparar aos Organismos Geneticamente Modificados, sujeitando-as à mesma legislação restritiva de 2001.

De errado, apenas as imagens que acompanham a reportagem: as seringas e ferramentas afins utilizadas no peixe e no tomate não ilustram a realidade. É que não têm mesmo nada a ver. Fora as imagens, esta é uma reportagem para ler, reler e difundir nas redes sociais.