Testes|Pastagens de azevém transgénico reduzem emissão de gases com efeito de estufa

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Investigadores da AgResearch começam a colher o azevém HME (altos níveis de energia metabolizada), cultivado em campos experimentais nos Estados Unidos. Créditos da imagem: AgResearch

Investigadores da AgResearch estão a fazer progressos nos ensaios de campo com azevém geneticamete modificado (GM). O objetivo é conseguir produzir esta gramínea forrageira com elevados níveis de energia metabolizada (HME) que permita reduzir as excreções de nitrogénio dos animais as emissões de gases com efeito de estufa.

Diminuir a libertação de gases que contribuem para o efeito de estufa é um grande problema para os agricultores, porque também se confrontam com a necessidade global de mitigar as consequências das alterações climáticas, o que não é fácil no setor agrícola, tantas vezes apontado como um dos maiores responsáveis pela degradação ambiental.

Mas este problema estar brevemente ultrapassado se a equipa de investigadores liderada pela AgResearch continuar a fazer progressos nos ensaios de campo com azevém geneticamete modificado (GM), que estão a ser realizados em pastagens nos Estados Unidos. Para já, garantem os cientistas, os resultados dos testes são encorajadores.

Todos os estudos até agora efetuados demonstraram que ao azevém geneticamente modificado estão associados benefícios ambientais e de produtividade, permitindo a diminuição das excreções de nitrogénio dos animais e, como tal, a redução da lixiviação de nitrato e das emissões de gases com efeito de estufa.

Neste caso, os investigadores estão a fazer ensaios de azevém GM com altos níveis de energia metabolizadora (HME) para descobrir se esta gramídea potencialmente sustentável do ponto de vista ambiental terá no campo o mesmo desempenho demonstrado em testes em ambientes controlados. O objetivo é “conseguir produzir azevém com as características que melhor se adaptem às condições climáticas e às propriedades do solo da Nova Zelândia”, afirma o investigador principal da AgResearch, Greg Bryan, acrescentando que no âmbito deste ensaio a sua equipa está também a  introduzir genes nas plantas que possuem padrões genéticos mais simples, que facilitarão futuros programas de melhoramento.”

Embora os resultados dos testes sejam encorajadores, Greg Bryan prefere ser cauteloso, mantendo um otimismo contido: “Trata-se de uma investigação desafiante mas também muito complexa e de longo prazo. São precisos vários anos para criar a característica HME (altos níveis de energia metabolizadora) em variedades selecionadas de azevém. Temos de testar o seu desempenho a cada passo e a caminhada é longa.”

Saiba mais neste vídeo e artigo do canal neo zelandês Newshub.

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Carta | Investigadores pedem plantação de árvores transgénicas

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Créditos da imagem: Brodie Vissers /Burst

Numa carta publicada na revista Science, quinze investigadores de vários países solicitam às organizações florestais internacionais a suspensão da proibição de plantações de árvores geneticamente modificadas (GM) em áreas florestais com certificado de sustentabilidade. Como argumento, alegam que as árvores transgénicas podem ajudar a enfrentar os desafios ambientais atuais e melhorar a manutenção de uma floresta sustentável.

“Essa restrição não faz sentido”, assegura a investigadora Sofia Valenzuela, bioquímica da Universidade de Concepción, no Chile, referindo-se à lei que proíbe o cultivo de árvores GM em áreas florestais com certificação sustentável. “As organizações sem fins lucrativos como a FSC-Forest Stewardship Council, com sede na Alemanha, atestam a gestão sustentável das florestas, colocando nos produtos feitos a partir de árvores – uma resma de papel, uma caixa de papelão, madeira – o seu logótipo.”

Um dos requisitos para obter a certificação de sustentabilidade é ser uma árvore não-GM, o que, para a investigadora chilena, trava a investigação e priva a população de usufruir dos benefícios de uma tecnologia com um grande potencial para solucionar muitos dos problemas prementes que as florestas enfrentam.

Valenzuela e mais catorze investigadores que assinam a carta publicada no dia 23 de agosto na Science garantem também que a produtividade da plantação de árvores como o eucalipto poderia aumentar significativamente com eucaliptos geneticamente modificados para alcançarem um crescimento rápido.

Mais informação no artigo da Science, no ISAAA, no FSC e no PEFC-Programme for the Endorsement of Forest Certification, que, juntamente com o FSC, certificou mais de 440 milhões de hectares de floresta no mundo.

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September 2019

Alterações climáticas|Como é que a biotecnologia pode salvar o arroz?

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Mais de metade da população mundial consome arroz todos os dias. Mas, apesar de poder ser cultivado em todos os continentes, precisa de muita água para crescer. Reside aqui o problema do arroz – com o agravamento das alterações climáticas, fenómenos extremos como secas e enchentes estão a tornar-se mais frequentes. A biotecnologia pode ajudar.

Para garantir a segurança alimentar a longo prazo, em todo o mundo, é urgente produzir alimentos básicos como o arroz, que possam sobreviver a estas condições extremas e descobrir formas de tornar o uso da água na agricultura mas preciso e eficiente.

Por outras palavras, em vez de despender esforços na procura por variedades que já são resistentes à seca, pode-se usar ferramentas biotecnológicas para produzir arroz que requere muito menos água ao longo de todo o processo de cultivo. De resto, é com este objetivo que Julie Gray, professora de sinalização de células vegetais na Universidade de Sheffield, trabalha.

A sala de cultivo onde Gray desenvolve a sua investigação permite a realização de experiências com arroz cujos estômatos – estruturas constituídas por um conjunto de células localizadas especialmente na epiderme inferior das folhas, e, em menor número em caules jovens – os tornam mais resistentes à seca.

Leia o artigo completo, em inglês, aqui.

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Mapa mundi dos OGM | Onde, quais e quantos se produzem?

 

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O último relatório do ISAAA-Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agro-Biotecnológicas, mais do que uma radiografia do desenvolvimento das culturas geneticamente modificadas em todo o mundo, fornece um manual de ações que, se postas em prática, permitiriam atender aos grandes desafios atuais: o crescimento global da população e o aumento das temperaturas.

Tornado público a 22 de agosto em Tóquio, no Japão, o relatório A Situação Mundial das Culturas Trangénicas comercializadas em 2018 mostra quais as tendências que têm determinado a evolução do mercado de OGM, que, no ano a que os dados se referem (2018), eram produzidos por dezassete milhões de agricultores e ocupavam uma área de cultivo de 191.7 milhões de hectares em 26 países.

O documento é extenso, mas deixamos-lhe aqui alguns dados que considerámos de importância significativa:

  • EUA, Brasil, Argentina, Canadá e Índia são os maiores produtores de culturas GM. 91% da área global de cultivo localiza-se nestes países;
  • A taxa de adesão dos cinco maiores produtores chegou perto da saturação: 93% nos Estados Unidos (soja, milho, algodão, colza, beterraba, alfafa, mamão, abóbora, batata, maçã), 93% no Brasil (soja, milho, algodão e cana-de-açúcar), 100% na Argentina (soja, milho e algodão), 92,5% no Canadá (colza, milho, soja, beterraba, alfafa e maçã) e 95% na India (algodão). Só estes cinco produzem 91% das culturas GM em todo o mundo;
  • A área de cultivo de OGM é 113 vezes maior do que em 1996 (nesse ano era de 2,5 mil milhões de hectares), o que significa que é a tecnologia agrícola mais rapidamente adotada;
  • As culturas GM estão presentes em 70 países (26 produzem e 44 importam);
  • A soja transgénica ocupa 50% da área global cultivada com variedades GM;
  • Portugal e Espanha continuam a ser os únicos países da União Europeia a produzir culturas GM (121 mil hectares), mas apenas milho para ração animal;
  • Com uma produção de alimentos mais diversificada, a biotecnologia já não se aplica exclusivamente aos produtos mais comercializados, como milho, soja, algodão e colza. Também é usada na produção de alfafa, beterraba, mamão, abóbora, beringela, batata e maça, já no mercado em alguns países;
  • Em termos de investigação, as experiências e estudos conduzidos por instituições públicas abrangem culturas como o arroz, banana, trigo, grão-de-bico, ervilha-de-pombo e mostarda com características nutricionais benéficas, sobretudo para consumidores em países em desenvolvimento.

Em 23 anos de comercialização, o aumento da produção e importação de culturas GM para alimentação, rações animais e produtos processados é um indicador claro da satisfação de mais de consumidores e de dezassete milhões de agricultores, dos quais 95% são pequenos agricultores no que respeita aos benefícios socioeconómicos e ambientais, à segurança alimentar e à mais-valia nutricional das culturas biotecnológicas.

Garantir a manutenção destes benefícios, hoje e no futuro, depende da criação de legislação baseada, não em crenças e receios infundados, mas em factos resultantes de anos e anos de investigação científica. Se a aplicação da biotecnologia na agricultura continuar a crescer, acreditam os investigadores na área que será um forte contributo para ajudar a aliviar os problemas da desnutrição e os efeitos das alterações climáticas.

Saiba como no relatório do ISAAA (file:///C:/Users/cibga/Desktop/A%20partir%20de%2006.11.2018/Imagens%20redimensionadas/ISAAA%20Brief%2054%20Executive%20Summary_August232019.pdf).

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Mapa mundial da produção de culturas geneticamente modificadas. Fonte: ISAAA 2018

 Evento | “Biotecnologia Vegetal para a Sustentabilidade e Economia Global”

 

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Créditos da imagem: ja ma, Unsplash

A Biotecnologia Vegetal pode ajudar a enfrentar os desafios de produzir mais produtos alimentícios derivados de plantas e matérias-primas, em condições mais sustentáveis ​​do ponto de vista ambiental. No seminário “Biotecnologia Vegetal para a Sustentabilidade e Economia Global”, que amanhã terá lugar no Auditório do ITQB NOVA, em Oeiras, vários exemplos serão dados e discutidos.

Num cenário de alterações climáticas e perante a necessidade de aumentar a produção global de produtos à base de plantas, a biotecnologia vegetal está a fornecer cada vez mais ferramentas para enfrentar o desafio de produzir mais produtos alimentícios e matérias-primas, aumentando os cuidados para a sustentabilidade ambiental.

Se utilizadas de maneira adequada, as ferramentas disponíveis podem ajudar a preservar os ecossistemas do planeta e apoiar uma economia de base biológica.

Neste encontro, alguns exemplos muito relevantes de investigação aplicada realizadas em duas empresas – uma no sul da Europa (Espanha) e outra em África (Uganda) – serão dados pelos cientistas responsáveis ​​e discutidos à luz do impacto que a biotecnologia teve ou pode vir ter na produção, no meio ambiente e economia.

Organizado no âmbito das comemorações do Dia Internacional do Fascínio das Plantas, este evento está integrado no Programa Internacional de Doutorado “Plants for Life”e contará com vários palestrantes convidados, entre os quais William Otim-Nape, do Instituto de Inovações da África (Kampala, Uganda) e Alfredo Mateo, da Corteva Agriscience (Sevilha, Espanha), que compartilharão as suas experiências e irão mostrar-nos duas realidades muito diferentes.

Haverá ainda lugar para um workshop, no qual os alunos do “Plants for Life” contribuirão com três estudos de caso de ameaças bióticas que afetam a produção agrícola – estado da arte e abordagens para obter proteção contra a Tuta absoluta (Bárbara Rebelo e Matilde Lopes), a Puccinia graminis ou ferrugem do caule (Maria Faustino e Merijn Moens) e a Drosophila susuki ou drosófila de asas pintadas (Hugo Alves e Diana Barata).

A presidir a esta iniciativa estará Benvindo Maçãs, criador e diretor da Unidade de Biotecnologia e Recursos Genéticos, INIAV, Portugal, e Margarida Oliveira, directora da Unidade de Investigação da FCT “Biorecursos para a Sustentabilidade” e do Plant Functional Laboratório de Genómica do ITQB NOVA.

A participação é gratuita e aberta ao público.

Programa completo aqui.

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Edição de genoma | Carta aberta ao ministro da Agricultura

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A CAP-Confederação dos Agricultores de Portugal e o CiB-Centro de Informação de Biotecnologia subscrevem a carta aberta aos Membros da União Europeia, na qual manifestam a sua preocupação quanto ao acórdão do Tribunal de Justiça da UE sobre Mutagénese. A carta foi também enviada a ao ministro da Agricultura de Portugal, Luís Capoulas Santos, pelas mesmas organizações.

Ex.mo Senhor Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural,

Dr. Luís Capoulas Santos,

Em baixo segue tradução da carta aberta subscrita por 27 Organizações Europeias aos Estados Membros da União sobre o acórdão do Tribunal de Justiça da UE sobre Mutagénese, assunto para o qual chamamos a atenção de V. Exa., numa época em que a confiança na ciência e no trabalho dos cientistas é crucial para fazer face aos enormes desafios que a humanidade enfrenta na atualidade.

 

Carta aberta sobre o acórdão do Tribunal de Justiça da UE sobre Mutagénese

Nós, as organizações europeias abaixo-assinadas, reiteramos a nossa preocupação relativamente ao acórdão do Tribunal Europeu de Justiça no processo C-528/16 (25 de julho de 2018), que interpreta as disposições da Diretiva OGM 2001/18 da EU de tal forma que os produtos resultantes de métodos inovadores de mutagénese direcionada poderão vir a ser indevidamente regulamentados ao abrigo da Diretiva dos OGM.

A introdução de mutações genéticas pontuais direcionadas em culturas e em outros organismos pode ajudar a alcançar importantes metas do desenvolvimento sustentável e contribuir para um ambiente mais limpo, para uma alimentação mais saudável e para a proteção da biodiversidade, tornando as culturas mais resilientes e mais resistentes às alterações climáticas.

O dispendioso e demorado processo de aprovação da UE para estes produtos, combinado com eventuais opt-out nacionais de cultivo, ao abrigo da Diretiva 2001/18, irá privar os agricultores e consumidores europeus dos seus benefícios. Além disso, o acórdão está já a dificultar a disponibilização de produtos inovadores de base biológica e soluções sustentáveis para a indústria, a agricultura e a saúde, que envolvem micro-organismos geneticamente editados. Alguns dos setores mais inovadores da UE ficarão efetivamente isolados do progresso científico e em desvantagem competitiva em comparação com um grupo de países em rápido crescimento e com legislação mais adequada.

Além de difícil de implementar, uma decisão concordante com o acórdão é virtualmente impossível de aplicar, dado que muitos dos produtos geneticamente editados não serão distinguíveis de produtos modificados por processos naturais ou por técnicas de melhoramento convencionais, como já foi reconfirmado pelo relatório “Detecção de produtos vegetais para alimentos e rações obtidos por novas técnicas de mutagénese”, realizado pelo Joint Research Center e publicado em 26 de março de 2019.

O relatório destaca dois aspetos de grande importância:

1) “Para alterações não-únicas que afetam um ou poucos pares de bases de DNA, um requerente pode não ser capaz de desenvolver um método específico para a identificação do evento.”

2) “Os produtos vegetais obtidos por edição de genoma podem entrar no mercado sem serem detetados. Além disso, se fosse detetado, no mercado da UE, um produto suspeito com uma alteração de DNA desconhecida ou não-única, seria difícil ou mesmo impossível fornecer prova em tribunal de que essa sequência modificada teria tido origem na edição intencional do genoma.”

Estamos plenamente de acordo com os investigadores, as partes interessadas e os parceiros comerciais, que se tornou urgente que a UE adapte a sua legislação ao progresso tecnológico atual, alinhando-a com a legislação vigente em outros países. Temos o compromisso de trabalhar em conjunto com decisores políticos e stakeholders para desenvolver uma mudança construtiva e direcionada. O nosso objetivo é ter regras práticas alicerçadas no conhecimento científico para os produtos resultantes dos mais recentes métodos de mutagénese, que estimulem a confiança do público. Isto iria desbloquear o caminho para soluções biotecnológicas diversificadas, inovadoras e de alta performance, em sectores como a criação de animais e plantas, agricultura, alimentação animal e humana, cuidados de saúde e produção de energia, contribuindo, assim, para a resiliência da Europa às alterações climáticas e beneficiando os consumidores, os pacientes e o ambiente.

Os produtos que também podem ser obtidos por métodos convencionais ou de processos espontâneos na natureza não devem estar sujeitos aos requisitos da Diretiva 2001/18 ou a outra regulamentação a ela associada. Desejamos enfatizar que esta posição é cada vez mais adotada num número crescente de países, a qual deverá igualmente criar segurança jurídica aos operadores da UE, evitando que os Estados-Membros adotem regras nacionais individuais para produtos resultantes de mutagénese convencional aleatória. Além disso, evitará que dois produtos ou organismos indistinguíveis sejam regulamentados de duas formas diferentes, o que abriria a porta à concorrência desleal, com as importações de países não pertencentes à UE.

Pelo exposto, exortamos os Estados membros e a Comissão da UE a iniciar um processo de alteração legislativa que implemente regras favoráveis à inovação.

Com os melhores cumprimentos,

(Assinaturas de 27 Organizações Europeias)
Céline Duroc, Director General of MAIZ’EUROP’ for the Platform Agriculture and Progress

Patrick Fox, Secretary General Association of Manufacturers and Formulators of Enzyme Products

Dirk Carrez, Executive Director of Bio-based Industries Consortium

Marc Vermeulen, Executive Director of Specialty Chemicals, The European Chemical Industry Council

Marie-Christine Ribera, Director General, European Association of Sugar Manufacturers

Jérôme Bandry, Secretary General, CEMA – European Agricultural Machinery

Elisabeth Lacoste, Director C.I.B.E.-International Confederation of European Beet Growers

Iliana Axiotiades, Secretary General, European Association of Cereals, Rice, Feedstuffs, Oil Seeds, Olive Oil, Oils and Fats and Agrosupply Trade

Marc Casier, President, Confederation of European Yeast Producers

Ana Granados Chapatte, Director, European Forum of Farm Animal Breeders

Jean-Philippe Azoulay, Director General, European Crop Protection Association

Bernard Valluis, President, European Flour Milling Association

Patrick FOX, Secretary General, EFFCA – European Food and Feed Cultures Association

Thierry de l’ESCAILLE, Secretary General – CEO, European Landowners’ Organization
Raquel Izquierdo, Secretary General, European Potato Trade Association

Susanne Meyer, Secretary General, EUVEPRO – European Vegetable Protein Association

Garlich von Essen, Secretary General, ESA – European Seed Association

Joanna Dupont-Inglis, Secretary General, EuropaBio – The European Association for Bioindustries

Aleksandra Malyska, Executive Manager, European Technology Platform Plants for the Future

Nick Major, President, European Feed Manufacturers’ Federation

Joerg Seifert, Secretary General, FEFANA Asbl – EU Association of Specialty Feed Ingredients and their Mixtures

Ernesto Morgado, President, Federation of European Rice Millers

Nathalie Lecocq, Director General, FEDIOL – EU Vegetable Oil and Protein Meal Industry Association

Mella Frewen, Director General, FoodDrinkEurope

Jamie Fortescue, Managing Director, Starch Europe

Sylvie Mamias, Secretary General, UNION FLEURS

Alterações climáticas | Corais marinhos resistentes ao aumento das temperaturas?

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Créditos da imagem: Mikaela Nordborg/Australian Institute of Marine

A ideia é radical, mas investigadores australianos acreditam que os corais podem tornar-se resistentes aos efeitos das alterações climáticas. No Simulador Nacional do Mar, em Townsville, na Austrália, está a fazer-se criação de corais para ver se isso é possível.

O aumento global das temperaturas está a colocar em perigo os recifes de coral em todo mundo. A apenas 75 quilómetros de Townsville, a Grande Barreira de Corais da Austrália (a maior do mundo) foi atingida por uma série de ondas de calor que mataram metade do seu coral. A ameaça fez com que uma geneticista de corais da Universidade de Melbourne, Madeleine Van Oppen, se tornasse numa das principais defensoras da criação de espécies de coral capazes de resistir ao aumento das temperaturas subaquáticas.

É com esse objetivo que a investigadora e a sua equipa estão a levar a cabo importantes experiências com corais no Simulador Nacional do Mar, reconhecido pelo seu trabalho em investigação e restauração de corais. Neste vasto centro de ciências marinhas, existem dezenas de tanques com água do mar e condições equiparadas às do oceano, hoje ou no futuro. Os cientistas não tiram os olhos desses grandes aquários, onde descansam diversos corais. Estão à espera de sinais de desova.

Van Oppen está a fazer criação de corais com técnicas tão antigas quanto o melhoramento de plantas e tão novas quanto as mais recentes ferramentas de edição de genes, esperando por resultados que possam ser transferidos do laboratório para o oceano.

Saiba mais aqui.

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Vinho | Edição genética das uvas é uma das soluções para enfrentar as alterações climáticas

Na conferência que trouxe Al Gore à cidade do Porto falou-se de alterações climáticas e dos seus efeitos na produção vinícola. Uma das muitas soluções apresentadas é a edição de genoma das uvas para as tornar mais resistentes ao aumento da temperatura e adaptar o seu ciclo de amadurecimento.

Na conferência Climate Change Leadership – Porto Soluções para a Indústria do Vinho, que termina hoje na Alfândega do Porto, uma preocupação comum em todas as palestras foi a forma como as alterações climáticas afetam a indústria do vinho: o aumento da temperatura tem condicionado as etapas de amadurecimento das uvas, a seca tem-se tornado mais preocupante e isso reflete-se até nos incêndios, que se têm acentuado com o aumento da temperatura global e têm destruído vinhas. Ainda assim, acredita o director de viticultura da Organização Internacional da Vinha e do Vinho, Alejandro Fuentes Espinoza, “as alterações climáticas são tanto uma ameaça como uma oportunidade para o sector vitivinicultural. É necessário fazer adaptações” com recurso a várias soluções, entre as quais a edição de genomas.

Além do antigo vice-Presidente norte-americano e ativista ambiental, Al Gore, e de dezenas de especialistas nacionais e internacionais, está também presente na conferência Climate Change Leadership o investigador suíço José Voullamoz, para quem “a edição genética pode ajudar a salvar certas castas de uva”, como a Pinot Noir. Mas, para isso, defende o especialista, “é preciso reduzir o estigma” em relação à aplicação desta tecnologia na agricultura.

Mais detalhes sobre o que foi debatido na conferência Climate Change Leadershipneste artigo do jornal Público.

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OGM | Milho transgénico pode ajudar a compensar os efeitos das alterações climáticas

Segundo um estudo que analisou 35 anos de produção de milho e 35 anos de dados sobre o clima em oito estados norte-americanos, tecnologias como a engenharia genética podem ajudar a compensar os efeitos do aumento global da temperatura.

Os investigadores norte-americanos Jesse Tack, da Universidade do Estado do Kansas, e Ariel Ortiz-Bobea, da Universidade de Cornell, publicaram recentemente um estudo na revista Environmental Research Letters, no qual analisam o impacto das alterações climáticas na produção de milho transgénico em oito estados do centro-oeste dos Estados Unidos.

O estudo mostra claramente que as variedades de milho melhoradas pela tecnologia moderna podem contribuir positivamente para superar as preocupações emergentes com as alterações climáticas.

Neste estudo, os investigadores analisaram 35 anos de produção de milho geneticamente modificado (GE) e as condições climáticas durante esse tempo e descobriram que a tecnologia pode compensar os efeitos de temperaturas mais altas e outros impactos relacionados com o clima.

Essas e outras tecnologias “podem ser uma estratégia frutífera para contrabalançar as alterações climáticas”, afirmaram os investigadores, pelo que técnicas de engenharia genética recentemente desenvolvidas, como o CRISPR, terão provavelmente um papel crucial no futuro.

O estudo mostrou que o rendimento aumentou em quase 70% durante o período de adoção rápida, ou seja, de 0,94% de ganhos aproximados ao ano antes de 1996 para 1,6% depois de 1996.

Leia o estudo integral aqui.

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Estudo | OGM podem mitigar impactos das alterações climáticas

As culturas de milho geneticamente modificado são mais produtivas que as variedades não trangénicas.

Novas investigações sugerem que os ganhos conseguidos pela utilização da engenharia genética na agricultura serão imprescindíveis para reduzir os efeitos das alterações climáticas. Os agricultores têm de produzir mais e com menos perdas para enfrentar esse enorme desafio.

Num estudo publicado há dias no jornal científico Environmental Research Letters, investigadores norte-americanos da Universidade de Cornell, em Nova Iorque, e da Universidade de Economia Agrícola, no Kansas, afirmam que o uso de novas tecnologias na agricultura pode ajudar a compensar as perdas que as alterações climáticas inevitavelmente irão causar na produção de alimentos no mundo inteiro, mas especialmente nas regiões onde essas tecnologias ainda são praticamente inexistentes.

As previsões indicam que os países da África e da Ásia serão os mais afetados pela mudança global das temperaturas e, mesmo assim, os governos desses países, “pressionados pela intensa oposição liderada por ativistas anti-OGM, continuam a hesitar adotar novas tecnologias de melhoramento de plantas”, lê-se num artigo da revista Alliance For Science sobre este estudo científico.

Afirmam os autores do estudo, Ariel Ortiz-Bobea, professor na Universidade de Cornell, e Jesse Tack, professor na Universidade do Kansas, que “apesar das previsões que apontam para um crescimento sustentado da produção de milho nos Estados Unidos, o negócio poderá estagnar, o que terá sérias implicações noutras culturas e noutros países”, uma vez que existem muitos países onde a adoção de tecnologia é escassa ou a produção de culturas transgénicas é pura e simplesmente proibida.

“Se os ganhos relativos de produtividade estimados nos Estados Unidos são um indicador do potencial das novas tecnologias se aplicadas a outras culturas e noutros países, então a produção de culturas transgénicas pode constituir uma estratégia de adaptação frutífera para contrabalançar os efeitos das mudanças climáticas”, concluem.

Leia o artigo na Alliance For Science AQUIe o estudo original publicado na Environmental Research Letters AQUI