Lançamento | História do arroz dourado em livro

arroz dourado livro ed harris

No seu mais recente livro, The Imperiled Birth of a GMO Superfood, o filósofo e escritor de ciência norte-americano acaba de lançar Ed Regis conta a história de como a produção do arroz dourado foi atrasada ​​e repetidamente prejudicada por um conjunto de diretrizes impostas pelos governos e sabotada por ativistas anti-OGM nos próprios Países onde o arroz com betacaroteno é mais necessário.

Por ano, cerca de um milhão de pessoas que sobrevivem do arroz ficam cegas ou morrem por deficiência de vitamina A. O arroz comum é pobre em nutrientes, sendo composto por pouco mais do que hidratos de carbono. Mas, o arroz dourado, desenvolvido por investigadores europeus no fim da década de 90 com o objetivo de combater esse problema, foi geneticamente modificado para fornecer betacaroteno, um nutriente essencial que falta ao arroz branco e que é convertido em vitamina A no corpo.

Sucede que vinte anos depois de ter sido desenvolvido, este alimento que tem o potencial de salvar vidas, ainda não chegou às populações que mais precisam dele, sobretudo na Índia, China, Bangladesh (este País já anunciou que deverá ser o primeiro a autorizar a produção de arroz dourado, em 2021) e no sul e sudeste da Ásia, onde dezenas de milhões de pessoas ficaram cegas ou morreram.

Os defensores do arroz dourado afirmam que o atraso de vinte anos na sua introdução no mercado é um crime contra a humanidade. Já os opositores contestam que o produto é uma “farsa”, “ouro de tolos” e “propaganda para a indústria de engenharia genética”.

No seu mais recente livro The Imperiled Birth of a GMO Superfood, o filósofo, educador e escritor de ciência norte-americano Ed Regis, argumenta que “o arroz dourado é o Organismo Geneticamente Modificado mais controverso, difamado e incompreendido do mundo”. O autor conta a história de como o desenvolvimento, o crescimento e a distribuição do arroz dourado foram atrasados ​​e repetidamente prejudicados por um conjunto complexo, porém ultrapassado, de diretrizes e regulamentos operacionais impostos pelos governos e sabotados por ativistas anti-OGM nos próprios Países onde o arroz com betacaroteno é mais necessário.

Leia aqui um excerto de The Imperiled Birth of a GMO Superfood, publicado na Foreign Policy.

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Arroz dourado | Bangladesh vai ser o primeiro País a aprovar plantação de arroz com vitamina A

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Uma porção de arroz dourado contém vitamina A e metade do betacaroteno que as crianças precisam diariamente.
FOTO: ISAGANI SERRANO / CPS / IRRI FOTO / FLICKR / CC BY-NC-SA

O arroz geneticamente modificado, também conhecido por arroz dourado, ajuda a prevenir a cegueira e a morte infantil, em particular nos Países em desenvolvimento e, mesmo assim, foram precisos 20 anos para ser aprovado. O primeiro País a autorizar a sua plantação vai ser o Bangladesh, onde a taxa de mortalidade infantil por cada mil nados vidos é de 26,13 e a carência de vitamina A afeta 21% das crianças.

Uma porção de arroz dourado contém a vitamina A e metade do betacaroteno que as crianças precisam diariamente. Além de causar cegueira infantil, a falta de vitamina A pode provocar morte precoce por doenças infeciosas, como o sarampo.

É o aporte nutricional que confere ao arroz dourado os benefícios que o tornaram mundialmente famoso. Ora aplaudido, ora criticado nas primeiras páginas dos jornais, o arroz geneticamente modificado esteve sempre rodeado de polémicas, gerando discussões acesas quanto à sua segurança alimentar, desde que foi desenvolvido nos anos 90 pelos investigadores alemães Ingo Potrykus e Peter Beyer para combater a deficiência de vitamina A.

Em colaboração com a multinacional agroquímica Syngenta, estes investigadores “criaram” o arroz dourado equipando as plantas com genes de betacaroteno do milho e doaram-nas a institutos públicos agrícolas, abrindo, dessa forma, caminho a outros investigadores para produzirem os genes do arroz dourado em variedades que se adaptam às necessidades, gostos e condições de produção locais.

Vinte anos e muitas controvérsias depois, o Bangladesh está prestes a tornar-se o primeiro País a produzir arroz dourado. A versão de arroz dourado que está em análise no Ministério do Ambiente desde 2017, onde um Comité Central de Biossegurança, formado por oito cientistas, analisa os riscos ambientais envolvidos no cultivo do arroz dourado, como o potencial da planta tornar-se uma erva daninha, bem como a segurança alimentar do produto, foi criada no Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (IRRI), em Los Baños, nas Filipinas. Os genes modificados foram criados a partir de uma variedade de arroz chamada dhan 29, muito comum no País e que representa 14% da colheita nacional.

Com uma taxa de mortalidade nas crianças de 26,13 (por cada mil nados vivos) e de carência de vitamina A, também nas crianças, de 21%, o Bangladesh não vê a hora de fazer chegar aos seus agricultores as sementes de arroz dourado para plantação. Se tudo correr como previsto, será até 2021.

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Leia o artigo original na Science.

Alterações climáticas|Como é que a biotecnologia pode salvar o arroz?

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Mais de metade da população mundial consome arroz todos os dias. Mas, apesar de poder ser cultivado em todos os continentes, precisa de muita água para crescer. Reside aqui o problema do arroz – com o agravamento das alterações climáticas, fenómenos extremos como secas e enchentes estão a tornar-se mais frequentes. A biotecnologia pode ajudar.

Para garantir a segurança alimentar a longo prazo, em todo o mundo, é urgente produzir alimentos básicos como o arroz, que possam sobreviver a estas condições extremas e descobrir formas de tornar o uso da água na agricultura mas preciso e eficiente.

Por outras palavras, em vez de despender esforços na procura por variedades que já são resistentes à seca, pode-se usar ferramentas biotecnológicas para produzir arroz que requere muito menos água ao longo de todo o processo de cultivo. De resto, é com este objetivo que Julie Gray, professora de sinalização de células vegetais na Universidade de Sheffield, trabalha.

A sala de cultivo onde Gray desenvolve a sua investigação permite a realização de experiências com arroz cujos estômatos – estruturas constituídas por um conjunto de células localizadas especialmente na epiderme inferior das folhas, e, em menor número em caules jovens – os tornam mais resistentes à seca.

Leia o artigo completo, em inglês, aqui.

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OGM | Gene OsBIG é crucial para o sucesso da transplantação da planta de arroz

Créditos da imagem: © 2015 Masoud Rezaeipoor

A planta do arroz tem um gene designado OsBIG que é vital para a sua sobrevivência e desenvolvimento normal. Em situação de carência desse gene, a planta desenvolve várias deficiências e não resiste à muda. Saiba o que mais descobriram investigadores chineses da Universidade de Wuhan, num estudo que pretendeu caraterizar a estrutura genética do OsBIG e saber qual a sua função.

Já se sabia que na planta do arroz existe um gene (OsBIG) semelhante ao gene AtBIG da Arabidopsis – um género pertencente à família das plantas herbáceas Brassicaceae, a que também pertencem as couves e a mostarda -, que codifica uma proteína necessária para o transporte de auxinas e altera a estrutura da planta, adaptando-a aos estímulos ambientais. Mas, apesar de ser conhecida as semelhanças entre os dois genes, ainda não era conhecida a função do OsBIG. Até agora.

Num estudo realizado por investigadores da Universidade de Wuhan, na China, para caracterizar a estrutura genética e saber qual a função do gene da planta do arroz, a análise sequencial e filogénica mostrou que as versões do OsBIG têm uma alta conservação de aminoácidos em vários domínios e em diferentes espécies.

No âmbito de uma análise mais aprofundada, os investigadores usaram a edição de genoma (concretamente, o sistema CRISPR-Cas9) para desenvolver plantas de arroz geneticamente modificadas (GM), interrompendo a expressão do gene OsBIG. Resultado: obtiveram plantas transgénicas com altos níveis de morte celular, um aumento da perda de eletrólitos, peroxidação lipídica (degradação oxidativa dos lípidos) na membrana e redução do teor de clorofila, o que provavelmente, acreditam, explica a inviabilidade das mudas (transplantação) das plantas.

Já as plantas de tipo selvagem analisadas apresentaram várias deficiências metabólicas e hormonais – incluindo ribossomos, replicação do DNA, fotossíntese e metabolismo da clorofila – como resultado da carência do gene OsBIG.

Os investigadores concluíram que o gene OsBIG é vital para o crescimento normal das plantas de arroz.

Leia o estudo, em inglês, e um artigo sobre o tema, em espanhol, na revista da Fundación Antama.

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