Edição de genoma | CRISPR-Cas9 aumenta eficácia da quimioterapia contra o cancro do pulmão

Investigadores nos EUA descobriram que a tecnologia de edição de genoma CRISPR-Cas9 pode ser usada para restaurar a eficácia das quimioterapias de primeira linha contra o cancro do pulmão. Como? Através da destruição de um gene tumoral que atua como um regulador mestre dos genes envolvidos no desenvolvimento de resistência.

Uma equipa de investigadores do Gene Editing Institute, no estado norte-americano de Delaware, usou a tecnologia de edição genética CRISPR-Cas9 para desativar um gene tumoral em células do pulmão cultivadas em laboratório. Os testes mostraram que as células cancerígenas foram menos capazes de proliferar em cultura e foram mais sensíveis aos agentes quimioterápicos (incluindo cisplatina e carboplatina). E quando transplantadas em ratos, as células cancerígenas modificadas cresceram mais lentamente do que as células cancerígenas não modificadas.

Os cientistas observaram também que o tumor parou de crescer durante dezasseis dias em animais recetores, tratados com diferentes formas de quimioterapia, e que houve uma diminuição considerável no volume do tumor. Num artigo publicado na revista Molecular Therapy Oncolytics, Eric B. Kmiec, investigador principal do estudo, afirmou que o objetivo da investigação “foi saber se o sistema CRISPR pode ser usado com quimioterapia de uma forma segura e acessível para os pacientes que não estão a responder aos tratamentos.”

A quimioterapia continua a ser o principal tratamento para o cancro de pulmão. O problema é que, na maioria dos casos, os tumores tornam-se resistentes às drogas (agentes quimioterápicos). Estudos anteriores dizem que o desenvolvimento de resistência aos agentes quimioterápicos está associado à regulação positiva de diferentes genes envolvidos no transporte de drogas para fora das células. Um desses genes, eritróide 2 (NRF2), é considerado um regulador mestre de outros genes envolvidos na capacidade de resposta das células ao stresse oxidativo e/ou eletrofílico.  

Com os resultados do estudo realizado por Eric B. Kmiec e a sua equipa de investigadores deu-se mais um importante passo na descoberta dos benefícios da edição genética para a saúde.

Saiba mais neste artigo, em inglês, da Genetic Engineering & Biotecnology News.

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CRISPR | A tecnologia de edição de genoma que está a conquistar cada vez mais pessoas

O título tem origem numa afirmação do CEO e co-fundador da Synthego, uma empresa norte-americana que produz software e kits de RNA que abrem caminho a novas descobertas científicas na área da edição de genoma e aceleram a sua aplicação terapêutica. Diz Paul Dabrowski que as pessoas estão a transitar da fase em que querem aprender sobre o CRISPR-Cas9 para a fase em que querem usá-lo.” Saiba porquê.

Há um ano e meio, Paul Dabrowski, CEO e co-fundador da Synthego, estimava que 33% das pessoas que poderiam utilizar o CRISPR-Cas9 estavam a usá-lo. Atualmente, pensa, esse valor estará “mais perto dos 40%, graças a uma mudança de mentalidade.”

Sendo uma das mais recentes e inovadores tecnologias de edição de genoma, o CRISPR-Cas9 está a tornar-se uma ferramenta regular para um universo de utilizadores cada vez mais amplo, de diferentes áreas de atividade, e está a começar a ser aplicada no desenvolvimento de terapias, o que é uma boa notícia para a Synthego, já que parte desta mudança de mentalidade, acredita, foi “impulsionada pela empresa”.

Mas Dabrowski não se contenta com o recurso cada vez mais significativo e abrangente do CRISPR. A sua maior ambição é que a tecnologia não se fique pela medicina genética avançada e transite o mais rapidamente possível para a área clínica, para que a edição de genoma possa, realmente, curar doenças de origem genética.

As primeiras terapias genéticas e celulares estão a chegar só agora ao mercado americano, mas a preços impossíveis de pagar, quer pelos pacientes, quer pelos contribuintes: “A maioria custa entre 800 mil dólares [cerca de 700 mil euros] e 1,5 milhões de dólares [um milhão e 315 mil euros]. Dabrowski acredita que seria possível curar doenças genéticas por 10 mil dólares [8.700 euros] por paciente, desde que se procedesse a alterações radicais no modus operandi em áreas como a I&D, a indústria e a comercialização. Nos Estados Unidos e no resto do mundo, acrescentaríamos nós.

Mais informação neste artigo, em inglês, da Genetic Engineering & Biotecnology News.

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OGM | Gene OsBIG é crucial para o sucesso da transplantação da planta de arroz

Créditos da imagem: © 2015 Masoud Rezaeipoor

A planta do arroz tem um gene designado OsBIG que é vital para a sua sobrevivência e desenvolvimento normal. Em situação de carência desse gene, a planta desenvolve várias deficiências e não resiste à muda. Saiba o que mais descobriram investigadores chineses da Universidade de Wuhan, num estudo que pretendeu caraterizar a estrutura genética do OsBIG e saber qual a sua função.

Já se sabia que na planta do arroz existe um gene (OsBIG) semelhante ao gene AtBIG da Arabidopsis – um género pertencente à família das plantas herbáceas Brassicaceae, a que também pertencem as couves e a mostarda -, que codifica uma proteína necessária para o transporte de auxinas e altera a estrutura da planta, adaptando-a aos estímulos ambientais. Mas, apesar de ser conhecida as semelhanças entre os dois genes, ainda não era conhecida a função do OsBIG. Até agora.

Num estudo realizado por investigadores da Universidade de Wuhan, na China, para caracterizar a estrutura genética e saber qual a função do gene da planta do arroz, a análise sequencial e filogénica mostrou que as versões do OsBIG têm uma alta conservação de aminoácidos em vários domínios e em diferentes espécies.

No âmbito de uma análise mais aprofundada, os investigadores usaram a edição de genoma (concretamente, o sistema CRISPR-Cas9) para desenvolver plantas de arroz geneticamente modificadas (GM), interrompendo a expressão do gene OsBIG. Resultado: obtiveram plantas transgénicas com altos níveis de morte celular, um aumento da perda de eletrólitos, peroxidação lipídica (degradação oxidativa dos lípidos) na membrana e redução do teor de clorofila, o que provavelmente, acreditam, explica a inviabilidade das mudas (transplantação) das plantas.

Já as plantas de tipo selvagem analisadas apresentaram várias deficiências metabólicas e hormonais – incluindo ribossomos, replicação do DNA, fotossíntese e metabolismo da clorofila – como resultado da carência do gene OsBIG.

Os investigadores concluíram que o gene OsBIG é vital para o crescimento normal das plantas de arroz.

Leia o estudo, em inglês, e um artigo sobre o tema, em espanhol, na revista da Fundación Antama.

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Vídeo | Biólogo explica CRISPR a pessoas com 5 níveis diferentes de conhecimento

Biologist explains CRISPR - 5 people

VÍDEO
Biólogo explica CRISPR a pessoas
com 5 níveis diferentes de conhecimento

O Biólogo Neville Sanjana conversa com cinco pessoas com níveis de conhecimento diferente (desde criança com 7 anos a especialista) sobre a técnica de edição de genoma CRISPR.

Neville Sanjana é investigador da Universidade de Nova Iorque e do Centro de Genoma de Nova Iorque.

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