Manifesto |Para uma Europa mais “biotecnológica”

EuropaBio Manifesto
Este conteúdo é parte do “Manifesto da Indústria de Biotecnologia 2019”, da EuropaBio

No dia 2 de julho, quando o “novo” Parlamento Europeu se reuniu para a sessão inaugural, em Estrasburgo, a EuropaBio publicou o seu Manifesto da Indústria de Biotecnologia 2019, convidando os decisores políticos da UE a abraçarem a ambição de construir uma Europa mais saudável. mais eficiente em termos de recursos e mais aberta à aplicação da biotecnologia, em especial na agricultura.

O documento apela também à promoção da ciência e inovação, através da tomada de decisões políticas baseadas na ciência e não em mitos e medos infundados.

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RNAi| A agricultura do futuro produzirá alimentos com base nesta tecnologia

Chegou ao fim a terceira edição da Conferência anual iPlanta, promovida pelo CiB – Centro de Informação de Biotecnologia e pelo Laboratório de Biotecnologia de Células Vegetais, do ITQB NOVA. Uma das novidades apresentadas foi o controlo, através de RNAi, da Drosophila Suzukii, uma mosca da fruta que é responsável pela perda considerável de vários tipos de frutos e não é possível de controlar com os pesticidas tradicionais.

Durante três dias, no Auditório do ITQB NOVA, em Oeiras, cerca de 120 investigadores de 26 países debateram as potencialidades do uso de RNA de interferência (RNAi) na agricultura – seja por modificação genética seja por aplicação tópica de moléculas – e divulgaram os aspetos científicos e técnicos desta tecnologia, de forma a se efetivar a sua utilização na proteção das culturas agrícolas contra pragas e doenças.

Na terceira edição da Conferência iPlanta, que decorreu entre 27 de fevereiro e 1 de março, foram apresentadas novas estratégias para a utilização de pequenos RNA ou de RNA de cadeia dupla para o controlo de pragas e doenças em culturas agrícolas e discutidos os aspetos relacionados com a regulamentação e a segurança destas novas tecnologias, bem como o interesse para a atividade agrícola.

Novidades apresentadas

Numa das apresentações falou-se do controlo de uma mosca da fruta (Drosophila Suzukii), que é responsável pela perda considerável de vários tipos de frutos e que não é possível controlar com os pesticidas tradicionais. Neste caso, foi utilizado um RNA de cadeia dupla, que permitiu seletivamente reduzir o número de efetivos desta mosca.

Outra novidade apresentada neste encontro foi a alteração genética do trigo para expressar um pequeno RNA, que tem como alvo um afídio, um inseto que ataca as plantas e que transmite o vírus do nanismo amarelo, letal para o trigo. A expressão desse pequeno RNA permitiu reduzir significativamente a disseminação da doença transmitida pelo vírus, por redução do número de afídios.

Com a apresentação dos trabalhos que estão a ser desenvolvidos em vários países com base nestas tecnologias, os participantes concluíram que é possível desenvolver novas metodologias baseadas na utilização de biomoléculas para o controlo efetivo de pragas e doenças em diferentes culturas.

Casa cheia nos três dias de Conferência iPlanta, no Auditório do ITQB NOVA. Presentes, investigadores de vários países para falar da tecnologia RNAi na agricultura.

Tão seguras como as técnicas convencionais

Apesar de algumas destas soluções já se encontrarem numa fase de pré-comercialização, os investigadores esperam agora que estas tecnologias não sejam consideradas, na União Europeia, mais arriscadas do que as técnicas convencionais de controlo de pragas e doenças, uma vez que “as biomoléculas em que se baseiam estas tecnologias são ubíquas e degradam-se rapidamente na natureza”, como garante Pedro Fevereiro, presidente do CiB, Professor Auxiliar do Departamento de Biologia Vegetal na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Diretor do Laboratório do Grupo de Biotecnologia Vegetal no ITQB NOVA.

Para este investigador, “as tecnologias baseadas nestas biomoléculas têm um enorme potencial, não só porque terem uma ação mais específica para as pragas e doenças que se pretende controlar, mas também por serem seguras, quer para os organismos não alvo, quer para o ambiente.”  porque as biomoléculas em que se baseiam estas tecnologias são ubíquas e degradam-se rapidamente na natureza. Além disso, os diferentes organismos, incluindo o Homem, têm uma enorme familiaridade com estas biomoléculas.”

iPlanta

A importância das Conferências iPlanta reside na necessidade urgente de encontrar soluções mais eficazes, através da aplicação de RNAi, uma das novas técnicas de reprodução, no combate às interações patogénicas enfrentadas pelas culturas, responsáveis pela perda de quantidades substanciais da produção agrícola mundial, incluindo em Portugal, onde todos os anos se perdem cerca de 40 % de culturas. Em termos globais, os números são semelhantes: segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), entre 20% a 40% das culturas são destruídas todos os anos devido a pragas e doenças.

Com o estimado aumento populacional, a agricultura moderna enfrenta um dos seus maiores desafios: garantir o abastecimento de alimentos para 10 mil milhões de pessoas daqui a apenas 30 anos. De acordo com os investigadores presentes neste encontro, a aplicação da tecnologia RNAi promete responder com eficácia a esse desafio.

Tal como as Conferências iPlanta anteriores – a primeira, em 2017, em Itália, a segunda, em 2018, na Polónia -, a terceira edição é uma ação COST, uma organização europeia que promove e financia o networking em investigação e tecnologia.

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OGM | Culturas GM ajudam a conservar os solos

O Fundo Mundial para a Vida Selvagem diz que, nos últimos 150 anos, metade do solo mundial já desapareceu. A menos que os alimentos sejam produzidos de maneira diferente, a situação tende a piorar. A solução parece estar na agricultura de conservação que protege o solo, que consiste, entre outras práticas, na adoção de culturas geneticamente modificadas.

A riqueza das nações vem da fertilidade dos solos.  Um solo fértil é uma terra abundante em matéria orgânica com um minúsculo ecossistema, invisível aos nossos olhos por ser pequeno demais. No entanto, esse ecossistema retém e recicla os nutrientes que fertilizam as plantas que, por sua vez, nutrem a vida animal, incluindo a nossa.

Mas, o que é bom para as culturas é bom para as ervas daninhas e é aí que os problemas começam, porque as ervas daninhas competem por nutrientes com as culturas, roubando-lhes o alimento. Todos os anos, as ervas daninhas consomem nutrientes suficientes para alimentar mil milhões de pessoas em todo o mundo.  É claro que os agricultores têm que se livrar delas, já não através da lavragem da terra (que no passado era o método mais eficaz de destruição de ervas daninhas, mas caiu em desuso com a entrada nos campos de máquinas que fazem um pequeno buraco no chão e aí colocam uma semente), mas da adoção de uma agricultura de conservação e da utilização cada vez maior das culturas GM.

Antes do aparecimento da combinação de culturas GM [geneticamente modificadas] e herbicidas, há 20 anos, o agricultor tinha muitas vezes de escolher entre salvar as colheitas e os solos. De então para cá, graças a essa combinação, tornou-se mais fácil desenvolver uma agricultura de conservação que protege solos, permitindo ao agricultor adicionar herbicida (em menores quantidades do que antes) e matar as ervas daninhas sem prejudicar a colheita. Como bónus, as ervas daninhas são deixadas para trás, agindo como um cobertor que protege o solo dos efeitos erosivos da chuva.

A combinação de culturas GM e herbicidas teve, de facto, um efeito profundo na agricultura. Por um lado, os agricultores já não precisam de comprar combustível fóssil para tratores que lavram o solo; por outro, o solo não sofre erosão. Além disso, os produtos químicos atuais são muito menos tóxicos do que os do século passado e são usados ​​em menores quantidades. É uma vitória para os agricultores e para o meio ambiente.    

Saiba mais neste artigo, em inglês, publicado na revista norte-americana Medium e na plataforma GMO Answers, escrito por Wayne Parrott, mestre e doutor em Melhoramento e Genética de Plantas e  professor na Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, onde tem feito investigação sobre o desenvolvimento, utilização e segurança de culturas geneticamente modificadas e culturas produzidas com a aplicação de tecnologias de edição de genoma.

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Tomate | Ácido ou picante?


Créditos da imagem: Tracie Hall/Flickr

Já imaginou um tomate picante? Com a engenharia genética e as mexidas certas nos genes do tomate é possível criar um fruto capaz de incendiar a boca dos aficionados de comida hiper-picante. A co-habitação ancestral do tomate com pimentas, como o jalapeno, facilita o processo.

A motivação para tornar o tomate picante não é apenas gastronómica, é também terapêutica, uma vez que o capsaína – químico que confere aos alimentos o sabor picante – tem-se mostrado promissor como analgésico, sendo até usado em produtos como o spray de pimenta. A estas vantagens acresce outra: o tomate é mais fácil de cultivar e mais produtivo do que as pimentas, pelo que, ao ajustar os genes do tomate para que produza capsaína, os investigadores poderiam ajudar os agricultores a aumentar os ganhos e a reduzir os custos de produção.

Num estudo publicado recentemente na revista Trends in Plant Science, os investigadores descrevem dois caminhos genéticos para conferir ao tomate o sabor picante das pimentas mais fortes. Saiba quais, aqui.  

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2018 em revista | Segunda geração de OGM chegou e movimento anti transgénicos perdeu força

Créditos da imagem: Illinois Farm Bureau

No início de 2018, num artigo publicado na Genetic Literacy Project, o jornalista Marc Brazeou escreveu um conjunto de acontecimentos que esperava acontecerem nos Estados Unidos no decurso desse ano. O jornalista antevia que o movimento anti-OGM seria cada vez mais irrelevante, 2018 seria um marco para a segunda geração de culturas geneticamente modificadas, os novos substitutos de carne animal que dependem da biotecnologia para serem produzidos serão uma tendência.

Um ano depois, na mesma revista, Brazeou faz uma avaliação do que aconteceu em 2018 e conclui que as suas previsões estavam certas. Sobre o movimento anti-OGM, diz que enquanto na Europa o ativismo contra as culturas geneticamente modificadas continua em força – dando como exemplos terem conseguido fazer com que a edição de genoma fosse regulamentada da mesma forma que a engenharia genética recombinante -, nos Estados Unidos foram perdendo voz e influência sobre a opinião pública à medida que uma segunda geração de OGM começou a entrar no mercado.

Brazeou sublinha que não se refere ao CRISPR e outras tecnologias de edição genética, mas sim a “uma nova geração de alimentos transgénicos que, finalmente, está a ser comercializada”, como por exemplo salmão AquaAdvantage, maçã Artic Golden e beringela Bt. Mas não foi só nos Estados Unidos que novas culturas GM foram introduzidas. O salmão AquaAdvantage chegou também às mercearias do Canadá, a produção de Beringela Bt aumentou significativamente no Bangladesh em 2018 e na Costa Rica o abacaxi rosa Del Monte Fresh Produce começaram a aparecer na primavera (os abacaxis foram geneticamente modificados para produzir níveis mais baixos de enzimas que convertem o licopeno cor-de-rosa (material que dá ao tomate o vermelho e à melancia o rosa) ao beta-caroteno de pigmento amarelo.

Relativamente à ‘carne’ de plantas, Brazeou diz mesmo que a realidade superou as suas previsões. Como casos paradigmáticos aponta os nuguets de frango feitos à base de plantas, da Just Foods, e os hambúrgueres vegetarianos Impossible e Beyond, disponíveis em centenas de locais nos Estados Unidos e Canadá.

Leia o artigo integral sobre as previsões de Brazeou na revista Genetic Literacy Project.

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OGM | Medo das culturas GM não permite que sociedade beneficie da tecnologia

Dois dos vencedores do Prémio Nobel da Química 2018, a norte-americana Frances Arnold e o britânico Gregory Winter, afirmaram na cerimónia de apresentação do Prémio que “as preocupações excessivas acerca dos alimentos geneticamente modificados estão a impedir a sociedade de usufruir dos benefícios da tecnologia.”

Para os laureados, tais receios sobre os eventuais efeitos dos OGM na saúde e no ambiente são infundados e apresentam como exemplo de prova a experiência de milhares de anos, em que o Homem tem vindo a modificar o DNA do mundo biológico.

“De algum modo, surgiu um medo alargado sobre o que nós já estamos a fazer há imenso tempo e esse medo está a impedir-nos de responder aos problemas adequadamente através de soluções reais que só as tecnologias de melhoramento de plantas permitem”, disse Frances Arnold.

A investigadora referia-se a problemas como o esperado aumento significativo da população e o uso excessivo de agroquímicos na produção de alimentos, reforçando que “as culturas GM poderiam ajudar a aumentar a produção de alimentos e torná-la mais sustentável do ponto de vista ambiental.”

Gregory Winter acrescentou que as leis que regulamentam as culturas GM deviam ser menos restritivas.

O Prémio Nobel da Química 2018 foi entregue a três cientistas, pelos estudos que desenvolveram sobre a evolução das proteínas. Graças a esse trabalho, produziram-se novos combustíveis e novos produtos farmacêuticos. Leia o artigo original, em inglês, na revista Crop Biotech Update e saiba mais na Central Maine e no The Guardian.

Leia o artigo original, em inglês, na revista Crop Biotech Update e saiba mais na Central Maine e no The Guardian.  

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OGM | Área cultivada com milho Bt em Portugal aumentou 3,6 % em 2017

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Gráfico | Área cultivada com milho geneticamente modificado em Portugal, de 2005 a 2017 (Imagem adaptada pelo CiB Portugal)

Área cultivada com milho geneticamente modificado Bt em Portugal aumentou 3,6 por cento em 2017

DGAV, APA, REA, 2018

“Em Portugal a área de milho geneticamente modificado totalizou 7.307,55 hectares em 2017, tendo sido a grande maioria desta área semeada na região do Alentejo, onde foi registada uma área total de 3.187,21 hectares.”, segundo o relatório da DGAV – Direcção Geral de Alimentação e Veterinária.

A área cultivada de milho Bt (resistente ao ataque de praga broca do milho) aumentou assim cerca de 3,6 por cento em relação a 2016, segundo relatório da APA Agência Portuguesa de Ambiente.

No seu relatório, a DGAV esclarece ainda que ao “nível da União Europeia apenas um único organismo geneticamente modificado está autorizado: o milho MON810. Atualmente está a ser produzido maioritariamente em Espanha e em Portugal.”. No contexto do cultivo de milho convencional e transgénico, em Portugal e em 2017, o total da área cultivada foi de 115.667 hectares, segundo a ANPROMIS – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo.

Na União Europeia, a área de cultivo de milho geneticamente modificado diminuiu em 2017 cerca de 3,5% face ao ano anterior, abrangendo 131 535 hectares, segundo a APA.

Os países que cultivaram milho Bt na União Europeia, em 2017, foram apenas Espanha e Portugal, uma vez que este o cultivo deste milho resistente ao ataque de insectos continua a ser fundamental para os agricultores de regiões específicas, nas quais existe uma elevada incidência de ataque de broca e consequente destruição das suas culturas.

A utilização deste tipo de milho traz benefícios económicos ao agricultor e ao ambiente, pois existe redução de aplicação de insecticidas, reduzindo o uso de tractores e consequentemente o uso de combustíveis fósseis (com diminuição de gases com efeito nas alterações climáticas). Existem ainda benefícios do uso de milho Bt para a saúde, pois as plantas resistentes ao ataque das lagartas não são feridas por estas, o que evita o desenvolvimento de fungos, que por sua vez produzem Micotoxinas, substâncias químicas as quais são cancerígenas, tanto para humanos como para animais.

 

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Vídeo TEDx | Transgénicos: Heróis ou Vilões

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Vídeo TEDx
Transgénicos: Heróis ou Vilões

Podem pensar que a comida é natural, não? Mas a verdade é que um tomate cherry tem mais tecnologia do que um iPhone.

A comunicação TEDx de José Miguel Mulet, em Espanhol, leva o público a descobrir outra perspectiva sobre os organismos geneticamente modificados (OGM) produzidos para a agricultura e alimentação, que tanta controvérsia geram na actualidade. Discute o conceito de alimentos “naturais” e conta a história muito antiga do melhoramento genético de plantas para produção de alimentos presentes nas nossas refeições, dando o exemplo do desenvolvimento da cenoura, do tomate, das batatas, entre outros.

Na sua apresentação refere também produtos geneticamente modificados do nosso dia-a-dia, tais como: notas de euro, roupa, cotonetes, comprimidos, insulina, detergentes de roupa (produzidos com enzimas com origem na engenharia genética). Desmonta abordagens que disseminam desinformação passada pelos movimentos anti-OGM.

O divulgador de ciência explica que a tecnologia dos Organismos Geneticamente Modificados não é a tecnologia mais recente, mas a penúltima. Para descobrir qual é e em que consiste visualize o vídeo. No final, termina, declarando que está muito tranquilo e que come sem medo.

José Miguel Mulet é Investigador e Professor da Universidade Politécnica de Valência (Espanha), na área de química, biologia molecular e biotecnologia. A sua investigação dedica-se ao desenvolvimento de plantas resistentes à seca. É divulgador de ciência em áreas como biotecnologia e alimentação, tendo publicado vários livros como “Transgénicos sin Miedo”, “Comer sin Miedo”, entre outros.

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OGM | Milho Bt beneficia culturas biológicas e convencionais: Investigação de 40 anos de dados

Maçaroca de milho convencional com ataque de broca e fungos - CiB (2)

 

Investigação científica em OGM
Análise de 40 anos de dados:
Milho Bt beneficia culturas biológicas e convencionais

12 Março 2018 | Artigo científico PNAS

Uma meta-análise de dados de 40 anos de cultivo de milho Bt confirma que a utilização das variedades de milho geneticamente modificado contribuem para a grande redução de aplicação de insecticidas e beneficiam culturas vizinhas, tanto convencionais como biológicas (orgânicas), com redução dos impactos no meio ambiente, mas também na saúde de pessoas e animais.

O estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences – PNAS (ver referência em baixo) é uma análise de dados de 1976 a 2016 (40 anos), que compara os 20 anos anteriores e os 20 anos após a comercialização de milho Bt. Estudos anteriores tinham já demonstrado os benefícios da adopção de milho Bt ou de algodão Bt na redução de aplicação de insecticidas, para benefício económico dos agricultores e para uma melhor gestão de pragas. Contudo, este é o primeiro estudo a analisar os seus efeitos em culturas vizinhas.

 

Maçaroca de milho convencional com ataque de broca e fungos - CiB (1)
Legenda: Maçaroca de milho convencional afetada pela broca e infectada com fungos (que se instalam devido aos ferimentos provocados pelos insectos e produzem micotoxinas cancerígenas para animais e pessoas).

 

O milho Bt (exemplo na imagem em baixo) é geneticamente modificado para resistir a ataques de insectos, como a broca europeia, uma praga com incidência elevada em algumas em algumas regiões de Portugal e de outros países da Europa.  Visualise a imagem em cima e no topo que mostram maçarocas de milho convencional com praga da broca e fungos (que se instalam após o ataque do insecto e produzem micotoxinas cancerígenas para animais e pessoas). O milho Bt é cultivado em mais de 80 por cento das explorações agrícolas que produzem milho nos Estados Unidos da América.

 

Macaroca Milho Bt Mon810 (OGM) - FotoCiB
Legenda: Maçaroca de milho Bt geneticamente modificado para resistir ao ataque de broca

Os investigadores quantificaram os efeitos do milho Bt em campo. Os dados de monitorização mostram:

. A diminuição de actividade de insectos adultos (fase de traça ou borboleta nocturna);
. A diminuição de aspersão de insecticidas;
. A diminuição de danos noutras culturas, como: milho doce, pimentas e feijão verde.

Estes benefícios nunca tinham sido documentados e demonstram que as culturas Bt são ferramentas poderosas para reduzir populações de pragas, beneficiando também outras culturas vizinhas.

A segurança do milho Bt tem sido extensamente testada e tem sido comprovada, mas este estudo foca a sua eficácia na gestão de pragas e, em particular, os benefícios para outras culturas que não o milho Bt, explicou Dilip Venugopal, um dos autores deste estudo.

Outros dos autores, Galen Dively, explicou que “este é o primeiro trabalho publicado que mostra os benefícios paralelos noutras plantas hospedeiras da  broca europeia, uma praga severa para muitas culturas como o feijão verde e os pimentos”. E acrescentou “de facto observa-se mais de 90 por centro de supressão da população de broca europeia na nossa área para essas culturas, o que é incrível.”.

Há mais de 20 anos que os agricultores têm benefícios económicos pelo cultivo de variedades de milho GM, como referido por Brookes e Barfoot no seu relatório de 2017:  GM crops: global socio-economic and environmental impacts 1996-2015 (ver referência em baixo). Mas este artigo agora publicado na revista PNAS demonstra que o milho Bt traz ainda mais vantagens, pois promove a redução da aplicação de pesticidas e beneficia  as culturas vizinhas, tanto biológicas como convencionais.

Estas evidências demonstram que as críticas dos grupos anti-OGM, que afirmam que as culturas transgénicas aumentam o uso de pesticidas e são uma ameaça à agricultura biológica,  não fazem sentido.

INFORMAÇÃO ADICIONAL

GMOinfo.eu | Novo website pan-europeu sobre OGM na Agricultura

gmoinfoeuportugal

GMOinfo.eu
Novo website pan-europeu sobre OGM na Agricultura
em 10 línguas

Março de 2018 – Europabio

O tema dos Organismos Geneticamente Modificados (conhecidos por OGM)  continua a sofrer de desinformação na Internet, dada a constante dissiminação de notícias incorrectas ou falsas que espalham medos e reacções negativas sobre a sua utilização, principalmente quando  é abordado no contexto de produção Agrícola e Alimentar.

O website GMOinfo.eu foi lançado pela Europabio – Associação Europeia das Bioindústrias para divulgar informação credível, baseada em factos científicos, em colaboração com 11 países. O GMOinfo.eu está disponível em 10 línguas, incluindo o Português em GMOinfo.eu.pt. O projecto inclui ainda a divulgação através do Twitter. A versão Portuguesa é @GMOinfoEU_pt.

O website inclui quatro secções principais  – Comércio e Aprovações; Cultivo e Benefícios, Inovação e Propriedade Intelectual; e Ciência e Segurança – e ainda uma secção de notícias. Na secção “Ciência e Segurança” pode ler-se no texto de introdução:

A Biotecnologia Agrícola (ou Agrobiotecnologia) permite aos melhoradores de variedades vegetais introduzir genes, com origem da mesma espécie ou de diferentes espécies, numa planta e/ou editar genes existentes. O objectivo é melhorar essas variedades e promover características específicas nas culturas. Este processo permite aos agricultores contribuírem para a produção de alimentos, têxteis e combustíveis de forma mais eficiente e sustentável e ir de encontro às necessidades dos consumidores.

O melhoramento de culturas através da Biotecnologia permite tornar as culturas mais robustas contra doenças, resistência a determinadas pragas e herbicidas, a tolerarem condições de seca ou a tornarem-se mais nutritivas. Tem também a vantagem de usar técnicas mais específicas e rápidas do que as utilizadas no melhoramento convencional de variedades vegetais, porque apenas um ou alguns genes de interesse são introduzidos no genoma receptor, ultrapassando a necessidade de cruzar plantas múltiplas vezes, tal como é necessário no melhoramento tradicional.

Sendo apenas uma das ferramentas entre todas as que existem à disposição dos agricultores no contexto da agricultura moderna, o uso de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) e de outras técnicas da Agrobiotecnologia tem um vasto potencial para enfrentar muitos desafios ambientais e sociais.

A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, sigla em Inglês) e a Comissão Europeia, conjuntamente com reguladores em todo o mundo e Academias de Ciência, incluindo o Conselho Consultivo das Academias Europeias de Ciências (EASAC, sigla em Inglês), concordam que as culturas geneticamente modificadas (conhecidas também por culturas GM ou transgénicas) são tão seguras como as culturas convencionais. Desde o início da sua comercialização, em 1996, não houve evidências de efeitos nocivos para a saúde de animais e pessoas ligados ao consumo de quaisquer culturas GM autorizadas.

Mais informação

  • Grandes destaques da página principal do GMOinfo.eu (em 20 de Março de 2018):
. Artigo Científico – Dados de 40 anos quantificam beneficios de milho GM em culturas biológicas e convencionais
. Artigo Cientifico – Milho Transgénico: 21 anos de dados confirmam segurança e benefícios para saúde e ambiente
. Guia Prático: Culturas GM e Políticas na UE
. Vídeo – O melhoramento genético de plantas no nosso dia-a-dia

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