Opinião |O potencial da edição do genoma na cura de doenças genéticas

“O sucesso no tratamento de doenças como as SCIDS (do inglês severe combined immunodeficiency) veio trazer esperança e relançar a investigação das terapias génicas incluindo terapias com edição do genoma. A edição do genoma tem como principal vantagem a elevada precisão. Enquanto no tratamento por terapia génica aprovado para SCID a inserção do gene corrigido no ADN é aleatória, na edição do genoma a inserção é numa zona específica do ADN. Mas esta precisão é realizada à custa de eficiência e poderá não ser 100% precisa e nesse sentido a tecnologia terá de continuar a ser aperfeiçoada – Excerto do artigo de opinião “A edição do ADN vai curar as doenças genéticas?”, da investigadora Ana Sofia Coroadinha, publicado originalmente na revista Visão Saúde de Janeiro.

ASC

Este artigo de opinião resultou de um workshop de formação para jornalistas e comunicadores de ciência promovido pelo CiB-Centro de Informação de Biotecnologia, em Dezembro de 2019, sobre “Edição de genomas – aplicações na medicina e na agricultura”. Como oradores, o encontro contou com a intervenção da autora deste artigo de opinião, Ana Sofia Coroadinha, investigadora no ITQB NOVA, que falou das “Potencialidades da edição de DNA na cura de doenças genéticas”, e de Pedro Fevereiro, professor no ITQB NOVA, sobre o tema “CRISPR-Cas9 e outras ferramentas de edição de genomas para uma produção de alimentos mais sustentável.”

Siga o CiB no Twitter, no Instagram, no Facebook e no LinkedIn. No CiB, comunicamos biotecnologia.

Edição do genoma | CRISPR-Cas12b é a nova ferramenta CRISPR 3 em 1

CRISPR-Cas12b
Créditos: National Institutes of Healthn

A maior parte das pessoas que já ouviram falar em CRISPR pensa em CRISPR-Cas9. No entanto, investigadores da Universidade de Maryland, nos EUA, estabeleceram um novo sistema CRISPR para a edição do genoma de plantas. O CRISPR-Cas12b é versátil, personalizável e permite a edição, a ativação e a repressão eficaz de genes. Tudo, num único sistema.

Liderada por Yiping Qi, a equipa de investigadores da Universidade de Maryland, nos EUA, está constantemente a explorar novas ferramentas CRISPR mais eficazes, mais eficientes e mais sofisticadas para ajudar a controlar as doenças e pragas em diferentes culturas agrícolas e a mitigar os efeitos das alterações climáticas. Numa publicação na Nature Plants, estes investigadores estabeleceram, pela primeira vez, um novo sistema CRISPR para edição do genoma de plantas. Chama-se CRISPR-Cas12b e além de versátil e personalizável, é uma espécie de três em um: edita, ativa e reprime os genes. Tudo isto num único sistema.

Segundo Qi, esta é a primeira demonstração do CRISPR-Cas12b para edição do genoma de plantas focado não apenas na edição, mas também na ativação e repressão dos genes – este conjunto completo de métodos não está presente noutros sistemas CRISPR para aplicação em plantas como o CRISPR-Cas9 e o CRISPR-Cas12a.

Embora o CRISPR-Ca12a seja muito semelhante ao CRISPR-Cas12b, nunca demonstrou uma forte capacidade na ativação de genes em plantas. Já o CRISPR-Cas12b é mais eficiente na ativação de genes e permite locais de segmentação mais amplos para a repressão genética, tornando-o útil nos casos em que a expressão genética de uma característica precisa de ser ativada, desativada ou recusada. Esta capacidade confere ao CRISPR-Cas12b uma vantagem sobre o CRISPR-Cas12a, principalmente quando a ativação do gene é o objetivo. O CRISPR-Cas12b mantém aquilo que o CRISPR-Cas12a poderia fazer pelas plantas, incluindo a capacidade de personalizar cortes e a regulação de genes numa ampla gama de aplicações.

Qi e a sua equipa foram capazes de redirecionar o sistema CRISPR-Cas12b para a edição do genoma multiplexado, possibilitando o direcionar múltiplos genes em simultâneo numa única etapa.

Mais informações na Nature Plants e no comunicado de imprensa da Universidade de Maryland

Siga o CiB no Twitter, no Instagram, no Facebook e no LinkedIn. No CiB, comunicamos biotecnologia.

 

 

Biotecnologia | Edição de genoma será um marco na agricultura moderna

CropLife
A sequência de um genoma vegetal é semelhante a uma biblioteca de letras. Dentro desta biblioteca de letras, há uma pequena proporção que corresponde a genes ou sequências com alguma função.

“A edição do genoma nas plantas é alcançada graças à biotecnologia de precisão e visa ser um marco significativo na agricultura moderna.

Atualmente, existem pedidos de permissão para vender tomate, arroz, milho, trigo, soja e cogumelos nos Estados Unidos. A edição genética promete mudanças nutricionais, como a produção de trigo sem glúten ou a redução de gorduras trans nos óleos de soja. Em que consiste?”

Está tudo explicado  aqui, no site da CropLife da América Latina.

Siga o CiB no Twitter, Instagram, Facebook e LinkedIn. No CiB, comunicamos biotecnologia.

Media|CiB promove ação de formação sobre edição do genoma

crispr
Créditos da imagem: Natali_Mis

Tal como em anos anteriores, o CiB-Centro de Informação de Biotecnologia vai realizar mais um workshop de formação para jornalistas e comunicadores de ciência, desta vez sobre “Edição do genoma- aplicações na medicina e na produção de alimentos”. Esta ação de formação terá lugar na manhã do dia 18 de novembro, no ITQB NOVA, em Oeiras, e contará como formadores Ana Sofia Coroadinha e Pedro Fevereiro, investigadores e professores auxiliares no ITQB NOVA.

O CiB – Centro de Informação de Biotecnologia convida todos os jornalistas, em especial os que trabalham na área da medicina, agricultura, nutrição e ambiente, a participar no workshop de formação para jornalistas sobre “Edição de genomas – aplicações na medicina e na alimentação”, que se realizará no dia 18 de novembro, entre as 11:00H e as 13:00H, no 4º piso do ITQB NOVA-Instituto de Biotecnologia Química e Biológica António Xavier, da Universidade Nova de Lisboa, em Oeiras.

A formação aos jornalistas estará a cargo de Ana Sofia Coroadinha, Professora Auxiliar e investigadora no ITQB NOVA/IBET, que irá falar sobre “As potencialidades da edição de DNA na cura de doenças genéticas”, e de Pedro Fevereiro, Professor Auxiliar e investigador no ITQB NOVA, com o tema “CRISPR-Cas9 e outras ferramentas de edição de genomas para uma produção de alimentos mais sustentável.”

A edição de genomas é um tema controverso, não obstante os resultados bastante promissores em diferentes áreas de aplicação. Na medicina, permite perspetivar a correção de 89% das doenças genéticas humanas conhecidas. Na agricultura, esta tecnologia garante uma produção mais sustentável de alimentos e um aumento da eficiência do melhoramento vegetal, o que, atualmente, se afigura pertinente e da maior importância para fazer face aos efeitos das alterações climáticas e do aumento da população mundial. A edição de genomas é apontada pelos investigadores como uma das chaves cruciais para muitos dos problemas relacionados com a medicina, produção de alimentos e ambiente.

Sobre os oradores:

Ana Sofia Coroadinha é Professora Auxiliar no ITQB NOVA/IBET, tendo como principal área de investigação o desenvolvimento e aprimoramento de linhas de células animais para a produção de biofármacos complexos, como proteínas recombinantes e partículas virais recombinantes para vacinas e terapia genética.

Pedro Fevereiro é Professor Auxiliar com Agregação do Departamento de Biologia Vegetal na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e diretor do Laboratório de Biotecnologia de Células Vegetais no ITQB NOVA, tendo como áreas de investigação a Biotecnologia Vegetal, Engenharia Genética Vegetal, Diversidade Molecular e Genética de Plantas e Purificação e Caracterização de Enzimas Vegetais

 

Localização do ITQB Nova:

Avenida da República, Oeiras

http://www.itqb.unl.pt/contacts/itqb_location

Para mais informações e confirmação de presença, por favor contacte:

Carla Amaro

Gabinete de Comunicação | Communication Office

Logo CIB 4 cores png.png

CiB – Centro de Informação de Biotecnologia, Portugal
E-mail – gabcom@cibpt.org

Tel. +351 21 446 9768 // +351 91 266 3482

Website || Blog || Twitter || Facebook

 

Edição de genomas|E se os celíacos pudessem comer pão?

what if 2

Investigadores em Espanha, Holanda e EUA estão a usar a edição de genomas para retirar do trigo as proteínas responsáveis pela intolerância ao glúten. Os resultados dos testes já realizados são bastante animadores.

Aproximadamente uma pessoa em cada cem tem doença celíaca. Para os celíacos, a ingestão de glúten significa elevadas probabilidades de sofrer de diarreia, vómitos, desnutrição e até danos cerebrais e cancro intestinal. Se acrescentarmos a estas as pessoas que são sensíveis ao glúten, temos 7% da população ocidental a evitar o consumo de alimentos com glúten.

Mas o que é exatamente esta substância que afeta a vida de tantas pessoas, mas deixa as restantes ilesas. Glúten é o termo geral para as proteínas encontradas em vários cereais como trigo, cevada e centeio, pelo que está presente nos pães e bolos. Mas nem todo o glúten é formado de igual forma. São as proteínas chamadas gliadinas que desencadeiam a resposta auto-imune que danifica o revestimento intestinal, causando graves consequências nas pessoas intolerantes ao glúten.

Se houvesse possibilidade de remover essas proteínas, deixando intacta grande parte da estrutura e sabor característicos do pão, poderíamos produzir pão, bolos e outros produtos alimentares inofensivos para quem sofre da doença celíaca. Pães feitos de arroz e de farinha de batata não entram nesta equação, uma vez que o arroz e a batata não têm glúten.

Investigadores do Instituto de Agricultura Sustentável (IAS-CSIC), com sede em Córdoba, Espanha, tentaram reduzir de duas maneiras a gliadina no trigo. Primeiro, usando a técnica RNAi e, depois, aplicaram a técnica de edição de genomas CRISPR/Cas9. Ambas apresentaram resultados que mostram uma diminuição na intensidade da resposta imune: 95% no caso do RNAi e 85% no caso do CRISPR/Cas9.

Com a primeira técnica (RNA de interferência), os investigadores introduziram DNA estranho na planta, tornando-a geneticamente modificada. Com o CRISPR, sendo uma técnica de alta precisão e eficiência, os investigadores puderem entrar no genoma e interromper a ação especificamente dos genes causadores de doença. Desta forma, com o CRISPR, as plantas permanecem não transgénicas, o que poderá atenuar o receio que algumas pessoas ainda alimentam sobre as plantas geneticamente modificadas.

Os resultados dos testes de paladar também foram positivos. O pão com baixo teor de gliadina produzido quer pela técnica de RNAi, quer pela edição de genomas (CRISPR) foi considerado inócuo e saboroso, tendo-se verificado ainda uma melhoria da flora microbiana das pessoas celíacas (em relação ao período em que faziam uma dieta sem glúten).

As notícias são bastante promissoras para os intolerantes ao glúten.

Mais informação nesta ficha técnica da EuropaBio.

Siga o CiB no Twitter, no Facebook e no LinkedIn. No CiB, comunicamos biotecnologia.

PBi | Melhoradores de plantas precisam-se

Créditos: Genetic Literacy Project

O melhoramento vegetal está em alta nas frentes industrial e académica. Mas para fazer face à crescente demanda por alimentos, o mundo precisa de mais investigadores a trabalhar nesta área.

Nos últimos anos, e mais recentemente em Portugal, as novas tecnologias de melhoramento vegetal saíram de ambientes exclusivos e confinados à investigação e à produção e começaram a entrar no ouvido da população em geral.

Embora subsistam muitas incertezas, dúvidas e confusões sobre as “mil e uma” novas técnicas utilizadas no melhoramento genético de plantas, a verdade é que os termos já são familiares para a maioria das pessoas, estando mesmo debaixo dos holofotes da comunicação social em alguns países.

No entanto, merecidas atenções deviam ser dadas igualmente ao melhoramento de plantas. É que antes da aplicação de qualquer dessas novas ferramentas – entre as quais a edição de genoma e, entre esta, o sistema CRISPR-Cas9 -, há que ter acesso a uma grande variedade de plantas de altíssima qualidade (ou seja, melhoradas).

O problema é que para as necessidades atuais e futuras de alimentos, existem poucos melhoradores de plantas. Essa é a convicção dos jovens investigadores latino americanos Patricio Muñoz e Marcio Resende. Patricio trabalha com mirtilos e Marcio com milho doce e em ambas as culturas os jovens investigadores em início de carreira implementam as abordagens mais modernas de melhoramento e seleção de genoma, com o objetivo de acelerar a produção de novas variedades. Como recém-formados, garantem que encontraram na área do melhoramento de plantas uma carreira promissora e gratificante.

AQUI, além da notícia original, em inglês, publicada na Genetic Literacy Project, poderão também ouvir um podcast com uma entrevista a Patrício Muñoz e Marcio Resende.
 
Siga o CiB no Twitter @cibpt e no Facebook @cib.portugal

História da Biotecnologia | Novo website

História da Biotecnologia
– Novo website –
Setembro 2016 | Biotech Week

Na Semana Europeia da Biotecnologia / Biotech Week 2016 foi lançado um website ilustrado sobre a a evolução da Biotecnologia ao longo do tempo e desde há 10.000 anos, em 8.000 anos Antes de Cristo: The Evolution of the Revolution – Biotechnology Timeline Celebrating Innovation in Biotechnology

historybiotechnology

 

Revista Science: Descoberta do ano 2015 é CRISPR, poderosa técnica de edição de genoma

Revista Science:
Descoberta do ano 2015 é CRISPR,
poderosa técnica de edição de genoma

Science Magazine

A conceituada revista Science Magazine anunciou que a DESCOBERTA DO ANO 2015 foi a CRISPR, uma poderosa técnica de edição de genoma.

Apesar de a CRISPR já ser investigada há vários anos, em 2015, a Revista Science considerou que esta técnica revolucionária, pois transformou a forma de produzir ciência e despoletou o debate público sobre a sua utilização. A CRISPR permite a elevada precisão na edição do DNA e que os investigadores criem uma nova forma de inserirem um gene em várias populações de seres vivos, como insectos ou outros. Permite também a modificação do DNA de embriões humanos que eleva as esperanças e perspectivas de eliminação de algumas doenças genéticas. Contudo como todas as novas tecnologias revolucionárias, despoleta questões bioéticas relacionadas com a forma como esta tecnologia pode e deve ser utilizada no futuro.

Para saber mais sobre a CRISPR e conhecer as restantes escolhas da Science para o ano 2015 e ver o VIDEO visite o LINK.