Estudo |Como é que os consumidores reagem à edição do genoma na produção de alimentos?

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A resposta a esta pergunta está no Relatório “Consumer Acceptance of gene-edited foods” (A aceitação de alimentos geneticamente editados por parte dos consumidores”, da autoria da FMI Foundation e tornado público em março de 2020. Este documento de 86 páginas resulta de uma ampla investigação sobre as crenças, o conhecimento, o entendimento e a disposição dos consumidores norte-americanos para comprar alimentos que foram produzidos com a aplicação da edição do genoma de plantas, uma ferramenta biotecnológica que está a revolucionar a agricultura e outras áreas igualmente cruciais como a medicina e a indústria farmacêutica.

Para este estudo da FMI Foundation foram inquiridos 4.487consumidores norte-americanos que participaram em cenários de compra simulados com uma variada escolha de produtos a preços diferentes: por exemplo, produtos rotulados como biológicos, não OGM, de bioengenharia, geneticamente editados e de produção convencional.

As conclusões (em resumo) foram estas:

  • Independentemente do produto alimentar, da presença de processamento ou das informações, a disposição para consumir produtos rotulados como biológicos é maior do que os outros. Os inquiridos consideraram os alimentos biológicos mais saudáveis, seguros e mais benéficos para o bem-estar dos animais, mas também afirmaram que são mais caros.
  • A disposição de pagar pelos produtos geneticamente editados tende a ser menor do que os convencionais e de bioengenharia. No entanto, a disposição dos consumidores para comprar produtos geneticamente editados aumentou significativamente quando lhes foram fornecidas informações sobre os benefícios da tecnologia de edição do genoma. Este dado sugere que fornecendo aos inquiridos apenas informações sobre a tecnologia de edição do genoma não é suficiente para aumentar a sua disposição em comprar produtos geneticamente editados. Para que esta tecnologia seja mais amplamente aceite, é necessário complementar essas informações com mensagens específicas sobre os seus benefícios. Nos consumidores, o impacto dos benefícios ambientais da tecnologia é mais forte do que os benefícios para os agricultores.
  • Os consumidores têm um nível muito baixo de conhecimento sobre os produtos geneticamente editados. Cerca de metade dos inquiridos afirmou nunca ter ouvido falar em edição do genoma
  • Os entrevistados participaram em jogos de associação de palavras, que revelaram medo associado ao desconhecido. Palavras conotadas negativamente dominaram as referências a “geneediting” (edição de genes). Além disso, essas referências assemelhavam-se àquelas que lhes foram fornecidas para produtos geneticamente modificados.
  • Apesar da perceção positiva em relação aos produtos biológicos, os inquiridos compram principalmente alimentos produzidos por métodos convencionais. Quando perguntados diretamente sobre as motivações primárias de compra, os entrevistados geralmente classificam o preço e o sabor primeiro, enquanto os métodos de produção geralmente caem entre uma lista de possíveis motivações.
  • A análise de cluster resultou em três segmentos distintos de preferência pelo risco, aversão ao risco e neutro em relação ao risco. Uma análise mais detalhada dos segmentos por tratamento revela que, quando fornecidas informações básicas, a participação dos inquiridos no grupo avesso ao risco aumenta e o grupo que tem preferência pelo risco diminui. Esse efeito reverte quando são fornecidas informações sobre os benefícios ambientais.
  • A disposição para pagar alimentos produzidos com edição do genoma varia de acordo com o tipo de produtos e os níveis de processamento. Quanto ao primeiro, os consumidores estão dispostos a pagar relativamente mais pelos vegetais frescos geneticamente editados (tomate e espinafre) do que pela carne fresca, quando as informações são fornecidas. Para produtos vegetais frescos, a disposição para pagar é maior em comparação com a contrapartida processada. Por outro lado, a disposição para pagar pela carne geneticamente editada é maior no bacon do que nas costeletas de porco.
  • Apesar das opiniões negativas sobre os alimentos geneticamente editados, alguns consumidores valorizam a opção de pode comprá-los. Quando os consumidores são informados dos benefícios da reprodução genética, a participação no mercado de produtos geneticamente editados (quando comparados com biológicos, não OGM, convencionais e bioengenharia) excede 15%. A disposição do consumidor para pagar para ter alimentos geneticamente editados disponíveis varia de 0,00 dólares (0,00 €) a 0,23 dólares (0,21 €) por opção.
  • Os resultados deste estudo revelam que os consumidores geralmente pensam negativamente sobre a tecnologia da edição do genoma. No entanto, mais da metade dos entrevistados indica nunca ter ouvido falar da tecnologia. Apenas informar os consumidores sobre a tecnologia tem efeitos triviais na sua disposição para os comprar, mas informações específicas sobre os benefícios da edição do genoma podem melhorar significativamente a aceitação do consumidor pela tecnologia.

Leia o Relatório da Fundação FMI aqui: file:///C:/Users/cibga/AppData/Local/Microsoft/Windows/INetCache/Content.Outlook/UQLMEKC3/Gene_Editing_Report_Final__March_2020.pdf

A Fundação FMI fornece investigação, colaboração, educação e recursos na área da saúde, segurança alimentar e nutrição. Fundada em 1996, a Fundação FMI procura garantir qualidade e eficiência contínuas no sistema de análise e inspeção de alimentos para fins beneficentes, educacionais e científicos.

 

 

 

Relatório do WRI | Edição de genoma é uma das soluções para a crise de alimentos

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A produção de alimentos com a ajuda de ferramentas biotecnológicas, como os OGM e a edição de genoma, são uma das soluções apresentadas no último relatório do World Resources Institute para responder à necessidade de mais alimentos com o aumento da população mundial, que até ao ano 2050, estima-se, ultrapassará os 10 mil milhões de pessoas.

Realizado em colaboração com o Banco Mundial e as Nações Unidas (ONU), o estudo do World Resources Institute (WRI), “Creating a Sustainable Food Future“, avança vinte e duas medidas que poderão mitigar os efeitos do aumento da população mundial, entre os quais a escassez de recursos alimentares.

Segundo o documento do WRI, se continuarmos a produzir como produzimos hoje, a utilizar as ferramentas atuais e a travar as potencialidades de outras ferramentas na área da biotecnologia, não haverá comida para tantas pessoas (mais de 10 mil milhões em 2050).

Para os investigadores deste estudo conduzido por Tim Searchinger (investigador do WRI e professor na Universidade de Princeton, EUA), a alimentação tal como a conhecemos deve sofrer alterações, quer na sua constituição, quer no modo como é produzida. Uma das soluções é dar mais espaço de manobra à engenharia genética, através da sua implementação fora dos laboratórios e da criação de leis menos restritivas à sua aplicação no terreno.

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Tim Searchinger, autor principal do estudo do WRI

Aumentar o investimento público nesta área é apontado como fundamental para o desenvolvimento de novas técnicas de melhoramento de plantas e para um futuro alimentar mais sustentável, como pode ler-se na página 24 do documento.

Leia aqui o relatório completo do World Resources Institute (WRI) e siga o CiB no Twitter, no Facebook e no LinkedIn. No CiB, comunicamos biotecnologia.

 

OGM | Culturas GM ajudam a conservar os solos

O Fundo Mundial para a Vida Selvagem diz que, nos últimos 150 anos, metade do solo mundial já desapareceu. A menos que os alimentos sejam produzidos de maneira diferente, a situação tende a piorar. A solução parece estar na agricultura de conservação que protege o solo, que consiste, entre outras práticas, na adoção de culturas geneticamente modificadas.

A riqueza das nações vem da fertilidade dos solos.  Um solo fértil é uma terra abundante em matéria orgânica com um minúsculo ecossistema, invisível aos nossos olhos por ser pequeno demais. No entanto, esse ecossistema retém e recicla os nutrientes que fertilizam as plantas que, por sua vez, nutrem a vida animal, incluindo a nossa.

Mas, o que é bom para as culturas é bom para as ervas daninhas e é aí que os problemas começam, porque as ervas daninhas competem por nutrientes com as culturas, roubando-lhes o alimento. Todos os anos, as ervas daninhas consomem nutrientes suficientes para alimentar mil milhões de pessoas em todo o mundo.  É claro que os agricultores têm que se livrar delas, já não através da lavragem da terra (que no passado era o método mais eficaz de destruição de ervas daninhas, mas caiu em desuso com a entrada nos campos de máquinas que fazem um pequeno buraco no chão e aí colocam uma semente), mas da adoção de uma agricultura de conservação e da utilização cada vez maior das culturas GM.

Antes do aparecimento da combinação de culturas GM [geneticamente modificadas] e herbicidas, há 20 anos, o agricultor tinha muitas vezes de escolher entre salvar as colheitas e os solos. De então para cá, graças a essa combinação, tornou-se mais fácil desenvolver uma agricultura de conservação que protege solos, permitindo ao agricultor adicionar herbicida (em menores quantidades do que antes) e matar as ervas daninhas sem prejudicar a colheita. Como bónus, as ervas daninhas são deixadas para trás, agindo como um cobertor que protege o solo dos efeitos erosivos da chuva.

A combinação de culturas GM e herbicidas teve, de facto, um efeito profundo na agricultura. Por um lado, os agricultores já não precisam de comprar combustível fóssil para tratores que lavram o solo; por outro, o solo não sofre erosão. Além disso, os produtos químicos atuais são muito menos tóxicos do que os do século passado e são usados ​​em menores quantidades. É uma vitória para os agricultores e para o meio ambiente.    

Saiba mais neste artigo, em inglês, publicado na revista norte-americana Medium e na plataforma GMO Answers, escrito por Wayne Parrott, mestre e doutor em Melhoramento e Genética de Plantas e  professor na Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, onde tem feito investigação sobre o desenvolvimento, utilização e segurança de culturas geneticamente modificadas e culturas produzidas com a aplicação de tecnologias de edição de genoma.

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CRISPR | A tecnologia de edição de genoma que está a conquistar cada vez mais pessoas

O título tem origem numa afirmação do CEO e co-fundador da Synthego, uma empresa norte-americana que produz software e kits de RNA que abrem caminho a novas descobertas científicas na área da edição de genoma e aceleram a sua aplicação terapêutica. Diz Paul Dabrowski que as pessoas estão a transitar da fase em que querem aprender sobre o CRISPR-Cas9 para a fase em que querem usá-lo.” Saiba porquê.

Há um ano e meio, Paul Dabrowski, CEO e co-fundador da Synthego, estimava que 33% das pessoas que poderiam utilizar o CRISPR-Cas9 estavam a usá-lo. Atualmente, pensa, esse valor estará “mais perto dos 40%, graças a uma mudança de mentalidade.”

Sendo uma das mais recentes e inovadores tecnologias de edição de genoma, o CRISPR-Cas9 está a tornar-se uma ferramenta regular para um universo de utilizadores cada vez mais amplo, de diferentes áreas de atividade, e está a começar a ser aplicada no desenvolvimento de terapias, o que é uma boa notícia para a Synthego, já que parte desta mudança de mentalidade, acredita, foi “impulsionada pela empresa”.

Mas Dabrowski não se contenta com o recurso cada vez mais significativo e abrangente do CRISPR. A sua maior ambição é que a tecnologia não se fique pela medicina genética avançada e transite o mais rapidamente possível para a área clínica, para que a edição de genoma possa, realmente, curar doenças de origem genética.

As primeiras terapias genéticas e celulares estão a chegar só agora ao mercado americano, mas a preços impossíveis de pagar, quer pelos pacientes, quer pelos contribuintes: “A maioria custa entre 800 mil dólares [cerca de 700 mil euros] e 1,5 milhões de dólares [um milhão e 315 mil euros]. Dabrowski acredita que seria possível curar doenças genéticas por 10 mil dólares [8.700 euros] por paciente, desde que se procedesse a alterações radicais no modus operandi em áreas como a I&D, a indústria e a comercialização. Nos Estados Unidos e no resto do mundo, acrescentaríamos nós.

Mais informação neste artigo, em inglês, da Genetic Engineering & Biotecnology News.

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OGM | Medo das culturas GM não permite que sociedade beneficie da tecnologia

Dois dos vencedores do Prémio Nobel da Química 2018, a norte-americana Frances Arnold e o britânico Gregory Winter, afirmaram na cerimónia de apresentação do Prémio que “as preocupações excessivas acerca dos alimentos geneticamente modificados estão a impedir a sociedade de usufruir dos benefícios da tecnologia.”

Para os laureados, tais receios sobre os eventuais efeitos dos OGM na saúde e no ambiente são infundados e apresentam como exemplo de prova a experiência de milhares de anos, em que o Homem tem vindo a modificar o DNA do mundo biológico.

“De algum modo, surgiu um medo alargado sobre o que nós já estamos a fazer há imenso tempo e esse medo está a impedir-nos de responder aos problemas adequadamente através de soluções reais que só as tecnologias de melhoramento de plantas permitem”, disse Frances Arnold.

A investigadora referia-se a problemas como o esperado aumento significativo da população e o uso excessivo de agroquímicos na produção de alimentos, reforçando que “as culturas GM poderiam ajudar a aumentar a produção de alimentos e torná-la mais sustentável do ponto de vista ambiental.”

Gregory Winter acrescentou que as leis que regulamentam as culturas GM deviam ser menos restritivas.

O Prémio Nobel da Química 2018 foi entregue a três cientistas, pelos estudos que desenvolveram sobre a evolução das proteínas. Graças a esse trabalho, produziram-se novos combustíveis e novos produtos farmacêuticos. Leia o artigo original, em inglês, na revista Crop Biotech Update e saiba mais na Central Maine e no The Guardian.

Leia o artigo original, em inglês, na revista Crop Biotech Update e saiba mais na Central Maine e no The Guardian.  

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PBi | Melhoradores de plantas precisam-se

Créditos: Genetic Literacy Project

O melhoramento vegetal está em alta nas frentes industrial e académica. Mas para fazer face à crescente demanda por alimentos, o mundo precisa de mais investigadores a trabalhar nesta área.

Nos últimos anos, e mais recentemente em Portugal, as novas tecnologias de melhoramento vegetal saíram de ambientes exclusivos e confinados à investigação e à produção e começaram a entrar no ouvido da população em geral.

Embora subsistam muitas incertezas, dúvidas e confusões sobre as “mil e uma” novas técnicas utilizadas no melhoramento genético de plantas, a verdade é que os termos já são familiares para a maioria das pessoas, estando mesmo debaixo dos holofotes da comunicação social em alguns países.

No entanto, merecidas atenções deviam ser dadas igualmente ao melhoramento de plantas. É que antes da aplicação de qualquer dessas novas ferramentas – entre as quais a edição de genoma e, entre esta, o sistema CRISPR-Cas9 -, há que ter acesso a uma grande variedade de plantas de altíssima qualidade (ou seja, melhoradas).

O problema é que para as necessidades atuais e futuras de alimentos, existem poucos melhoradores de plantas. Essa é a convicção dos jovens investigadores latino americanos Patricio Muñoz e Marcio Resende. Patricio trabalha com mirtilos e Marcio com milho doce e em ambas as culturas os jovens investigadores em início de carreira implementam as abordagens mais modernas de melhoramento e seleção de genoma, com o objetivo de acelerar a produção de novas variedades. Como recém-formados, garantem que encontraram na área do melhoramento de plantas uma carreira promissora e gratificante.

AQUI, além da notícia original, em inglês, publicada na Genetic Literacy Project, poderão também ouvir um podcast com uma entrevista a Patrício Muñoz e Marcio Resende.
 
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História da Biotecnologia | Novo website

História da Biotecnologia
– Novo website –
Setembro 2016 | Biotech Week

Na Semana Europeia da Biotecnologia / Biotech Week 2016 foi lançado um website ilustrado sobre a a evolução da Biotecnologia ao longo do tempo e desde há 10.000 anos, em 8.000 anos Antes de Cristo: The Evolution of the Revolution – Biotechnology Timeline Celebrating Innovation in Biotechnology

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Revista Science: Descoberta do ano 2015 é CRISPR, poderosa técnica de edição de genoma

Revista Science:
Descoberta do ano 2015 é CRISPR,
poderosa técnica de edição de genoma

Science Magazine

A conceituada revista Science Magazine anunciou que a DESCOBERTA DO ANO 2015 foi a CRISPR, uma poderosa técnica de edição de genoma.

Apesar de a CRISPR já ser investigada há vários anos, em 2015, a Revista Science considerou que esta técnica revolucionária, pois transformou a forma de produzir ciência e despoletou o debate público sobre a sua utilização. A CRISPR permite a elevada precisão na edição do DNA e que os investigadores criem uma nova forma de inserirem um gene em várias populações de seres vivos, como insectos ou outros. Permite também a modificação do DNA de embriões humanos que eleva as esperanças e perspectivas de eliminação de algumas doenças genéticas. Contudo como todas as novas tecnologias revolucionárias, despoleta questões bioéticas relacionadas com a forma como esta tecnologia pode e deve ser utilizada no futuro.

Para saber mais sobre a CRISPR e conhecer as restantes escolhas da Science para o ano 2015 e ver o VIDEO visite o LINK.