Opinião |O potencial da edição do genoma na cura de doenças genéticas

“O sucesso no tratamento de doenças como as SCIDS (do inglês severe combined immunodeficiency) veio trazer esperança e relançar a investigação das terapias génicas incluindo terapias com edição do genoma. A edição do genoma tem como principal vantagem a elevada precisão. Enquanto no tratamento por terapia génica aprovado para SCID a inserção do gene corrigido no ADN é aleatória, na edição do genoma a inserção é numa zona específica do ADN. Mas esta precisão é realizada à custa de eficiência e poderá não ser 100% precisa e nesse sentido a tecnologia terá de continuar a ser aperfeiçoada – Excerto do artigo de opinião “A edição do ADN vai curar as doenças genéticas?”, da investigadora Ana Sofia Coroadinha, publicado originalmente na revista Visão Saúde de Janeiro.

ASC

Este artigo de opinião resultou de um workshop de formação para jornalistas e comunicadores de ciência promovido pelo CiB-Centro de Informação de Biotecnologia, em Dezembro de 2019, sobre “Edição de genomas – aplicações na medicina e na agricultura”. Como oradores, o encontro contou com a intervenção da autora deste artigo de opinião, Ana Sofia Coroadinha, investigadora no ITQB NOVA, que falou das “Potencialidades da edição de DNA na cura de doenças genéticas”, e de Pedro Fevereiro, professor no ITQB NOVA, sobre o tema “CRISPR-Cas9 e outras ferramentas de edição de genomas para uma produção de alimentos mais sustentável.”

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Alimentação | Edição genética de plantas entre as soluções apontadas pelos cientistas

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Os efeitos das alterações climáticas na produção global de alimentos e o aumento da população previsto para daqui a poucos anos estão a pressionar as nações para encontrarem respostas a estes problemas emergentes. Ciência e indústria apresentam algumas soluções. Saiba quais n’ O futuro da alimentação, na Grande Reportagem SIC.

“Nas receitas que a ciência e a indústria preparam para o jantar de amanhã, a lista de ingredientes é diversa: carne produzida em laboratório a partir de células de animais. Edição genética de plantas. Proteínas vegetais que parecem proteínas animais. Insetos. Mudanças nos nossos hábitos de consumo e de produção que permitam reduzir o desperdício alimentar (1/3 de tudo o que produzimos acaba no lixo) e prevenir as doenças evitáveis que matam cada vez mais por excessos alimentares.”

1º episódio: https://sicnoticias.pt/…/2020-02-20-O-que-e-o-jantar-amanha-

“A agricultura pode reiventar-se para garantir alimentos para todos? A manipulação genética de plantas ajudará a reduzir o impacto no planeta? E a nanotecnologia, que papel terá na produção e distribuição de alimentos? Quando chegarão os insetos ao nosso prato? Em 2050, seremos 10 mil milhões de pessoas à mesa. Como garantir segurança alimentar, respeitando os limites do planeta? As respostas da ciência e da indústria no segundo episódio da Grande Reportagem SIC “O que é o jantar amanhã?”.

2º episódio: https://bit.ly/3cbXWPV

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Edição de genomas|FDA aprova sementes de algodão comestíveis 

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São comestíveis , geneticamente modificadas e editadas por CRISPR. A nova variedade de sementes de algodão aprovada recentemente pela FDA-Food and Drug Administration tem um alto valor proteico e isso, acredita Kevin M. Folta, Professor do Departamento de Ciências Hortícolas da Universidade da Flórida, poderá contribuir significativamente para reduzir a desnutrição e a fome nos países em desenvolvimento.  

Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), aproximadamente 815 milhões das 7,6 mil milhões de pessoas no mundo são classificadas como cronicamente subnutridas e, destas, nove milhões morrem a cada ano devido a doenças relacionadas com a fome.

A situação é trágica, mas também é solucionável. Quem o diz é Kevin M. Folta, Professor do Departamento de Ciências Hortícolas da Universidade da Flórida, num artigo publicado recentemente na Genetic Literacy Project.

A solução mais recente para combater a desnutrição que grassa em muitos países em desenvolvimento é o algodão comestível, aprovado pela agência norte-americana FDA-Food and Drugs Administration.

Através da engenharia genética, os investigadores conseguiram remover da semente do algodão uma toxina prejudicial à saúde humana chamada gossipol, o que significa que, potencialmente, todas as sementes de algodão produzidas anualmente (cerca de 40 milhões de toneladas) podem ser transformadas numa fonte sustentável de proteína, um dos nutrientes mais importantes, mas disponíveis em quantidades manifestamente insuficientes, para as pessoas mais pobres.

Como é que os investigadores conseguiram esse feito? Tendo como alvo uma enzima necessária para a produção de gossipol, usaram uma técnica de silenciamento de genes chamada RNA interference (RNAi). E para diminuir o nível da enzima, criaram plantas de algodão geneticamente modificadas que suprimem o gene delta-Cadinene Synthase (dCS). Ao “desligar” este gene, que codifica as instruções para uma etapa inicial da síntese do gossipol, reduzir substancialmente a quantidade de gossipol produzido.

A ideia não é nova. Há muito tempo que os investigadores tentam produzir algodão com baixo teor de gossipol, mas a redução desse composto deixou as plantas vulneráveis ​​ao ataque de insetos. Uma equipa de investigadores da Universidade Texas A&M finalmente resolveu o problema, eliminando o gossipol apenas da semente. Este feito resultou na produção de uma planta que pode defender-se contra a invasão de insetos e produz uma semente não tóxica.

As sementes serão usadas para criar farinhas com um teor de proteína alto e de gossipol ultra baixo, para produção de rações para animais e  de alimentos para consumo humano. Para Kevin M. Folta, “tais produtos serão bem-vindos nos países em desenvolvimento”, onde as dietas à base de grãos e tubérculos geralmente contêm proteínas insuficientes.

Afirma o Professor do Departamento de Ciências Hortícolas da Universidade da Flórida: “Esst inovação, mais uma vez, ressalta a importância da engenharia genética no  aumento da produção sustentável de alimentos. Embora não possamos eliminar a fome da noite para o dia, o desenvolvimento e a libertação, no mercado, desta variedade inovadora de algodão ajudarão a combater muitos sofrimentos desnecessários em todo o mundo.“

Esta inovação foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) em outubro de 2019.

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Leia o artigo original, em inglês, aqui.

Edição de genomas|E se os celíacos pudessem comer pão?

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Investigadores em Espanha, Holanda e EUA estão a usar a edição de genomas para retirar do trigo as proteínas responsáveis pela intolerância ao glúten. Os resultados dos testes já realizados são bastante animadores.

Aproximadamente uma pessoa em cada cem tem doença celíaca. Para os celíacos, a ingestão de glúten significa elevadas probabilidades de sofrer de diarreia, vómitos, desnutrição e até danos cerebrais e cancro intestinal. Se acrescentarmos a estas as pessoas que são sensíveis ao glúten, temos 7% da população ocidental a evitar o consumo de alimentos com glúten.

Mas o que é exatamente esta substância que afeta a vida de tantas pessoas, mas deixa as restantes ilesas. Glúten é o termo geral para as proteínas encontradas em vários cereais como trigo, cevada e centeio, pelo que está presente nos pães e bolos. Mas nem todo o glúten é formado de igual forma. São as proteínas chamadas gliadinas que desencadeiam a resposta auto-imune que danifica o revestimento intestinal, causando graves consequências nas pessoas intolerantes ao glúten.

Se houvesse possibilidade de remover essas proteínas, deixando intacta grande parte da estrutura e sabor característicos do pão, poderíamos produzir pão, bolos e outros produtos alimentares inofensivos para quem sofre da doença celíaca. Pães feitos de arroz e de farinha de batata não entram nesta equação, uma vez que o arroz e a batata não têm glúten.

Investigadores do Instituto de Agricultura Sustentável (IAS-CSIC), com sede em Córdoba, Espanha, tentaram reduzir de duas maneiras a gliadina no trigo. Primeiro, usando a técnica RNAi e, depois, aplicaram a técnica de edição de genomas CRISPR/Cas9. Ambas apresentaram resultados que mostram uma diminuição na intensidade da resposta imune: 95% no caso do RNAi e 85% no caso do CRISPR/Cas9.

Com a primeira técnica (RNA de interferência), os investigadores introduziram DNA estranho na planta, tornando-a geneticamente modificada. Com o CRISPR, sendo uma técnica de alta precisão e eficiência, os investigadores puderem entrar no genoma e interromper a ação especificamente dos genes causadores de doença. Desta forma, com o CRISPR, as plantas permanecem não transgénicas, o que poderá atenuar o receio que algumas pessoas ainda alimentam sobre as plantas geneticamente modificadas.

Os resultados dos testes de paladar também foram positivos. O pão com baixo teor de gliadina produzido quer pela técnica de RNAi, quer pela edição de genomas (CRISPR) foi considerado inócuo e saboroso, tendo-se verificado ainda uma melhoria da flora microbiana das pessoas celíacas (em relação ao período em que faziam uma dieta sem glúten).

As notícias são bastante promissoras para os intolerantes ao glúten.

Mais informação nesta ficha técnica da EuropaBio.

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Agricultura | Auto suficiência em risco na UE

Agricultura na UE

Se não adotar rapidamente as novas biotecnologias de precisão, a União Europeia (UE) coloca em risco a sua produção agrícola, ficando totalmente dependente da importação de alimentos. O alerta é da Associação Francesa de Biotecnologia Vegetal (AFBV).

Proteger as culturas contra doenças e pragas é um dos principais desafios que todos os tipos de agricultura enfrentam para reduzir as perdas. Acresce que com as alterações climáticas e a globalização do comércio, a agricultura na Europa será, cada vez mais, confrontada com novas pragas, o que para a Associação Francesa de Biotecnologia Vegetal (AFBV) é uma séria ameaça à competitividade da produção agrícola europeia.

Numa nota de imprensa, esta ONG independente, que   agrupa pessoas de diversas áreas que consideram a biotecnologia uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável em França, lamenta que a UE coloque em risco a sua auto-suficiência na produção de alimentos por falta de medidas adequadas de proteção contra pragas e doenças.

Uma dessas medidas, defende a AFBV, é a adoção das novas tecnologias que permitem a redução na aplicação de produtos químicos. Para a associação, a biotecnologia tem um papel crucial naquilo a que chama transição agroecológica, na medida em que facilita e acelera a produção de plantas geneticamente modificadas para serem resistentes a doenças e insetos.

A AFBV reforça que a Europa não pode passar ao lado das novas biotecnologias de precisão, como a edição de genomas, se quiser que os consumidores europeus continuem a beneficiar de produtos de qualidade made in UE. Considerando urgente a procura de uma solução, a associação uniu-se a outras associações europeias para propor ao Parlamento Europeu alterações à Diretiva que regulamenta os OGM. « Se a UE não adotar rapidamente uma regulamentação adequada às novas biotecnologias de precisão, as nossas culturas estão em risco, a segurança alimentar da UE será comprometida e a competitividade agrícola europeia estará em desvantagem », afirmou George Freyssinet, presidente da AFBV, num workshop realizado em Paris, em 17 de outubro, com o tema «Biotecnologias vegetais enfrentam novos desafios na proteção de culturas ».

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Opinião | Não faz sentido ignorar a ciência: OGM e o dilema do PE*

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Crédito da imagem: MJ Graphics / Shutterstock 

“A Europa parece cada vez mais preparada para enfrentar os desafios do século XXI e liderar o caminho para um futuro “mais verde” e mais sustentável. Em lado nenhum isso é mais visível do que nas aspirações da nova Comissão Europeia de delinear um “Acordo Verde” e uma estratégia “Farm to Fork” com o objetivo de garantir o acesso da Europa a alimentos seguros, nutritivos e sustentáveis ​​num futuro próximo. Mas que papel o Parlamento Europeu (PE) pode desempenhar perante as recentes “objeções” sem fundamento contra os OGM (Organismos Geneticamente Modificados)?

As universidades europeias de Ciência afirmaram: “Há evidências convincentes de que as variedades agrícolas geneticamente modificadas (GM) podem contribuir alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável, com benefícios para agricultores, consumidores, economia e meio ambiente”. [1] Além disso, um relatório da Organização para a Agricultura e a Alimentação de 2016 [2] confirma que as biotecnologias agrícolas podem ajudar os pequenos produtores a serem mais resilientes e adaptarem-se às mudanças climáticas. Mas os europeus, incluindo alguns membros do PE, estão, no entanto, confusos. Desconfiam dos OGM, desconfiam dos organismos da UE encarregados da sua avaliação e desconfiam da ciência em geral.

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a Comissão Europeia e mais de 280 instituições científicas e técnicas em todo o mundo [3] declararam que os OGM são pelo menos tão seguros quanto as variedades agrícolas convencionais. Além disso, em quase 25 anos de comercialização, mostraram que os OGM oferecem uma infinidade de benefícios: permitem, por exemplo, que os agricultores cultivem mais alimentos usando menos recursos, como água, terra e energia, do que as culturas convencionais ou até biológicas. Significa que os agricultores que escolhem cultivar variedades GM – onde, face às características do solo e do clima, é conveniente usá-las – estão a preservar a biodiversidade em redor e a mitigar alguns dos efeitos das mudanças climáticas. Os benefícios da utilização de variedades agrícolas transgénicas estão bem documentados, mesmo na Europa, apesar do cultivo de OGM ser muito limitado neste território. Em Espanha, nos últimos 21 anos, o milho GM provou aumentou os rendimentos dos agricultores [4], tornando o País menos dependente das importações de milho. Resultados semelhantes foram observadas na Roménia entre 1999 e 2006, antes da proibição da soja GM neste País como resultado da sua adesão à UE. [5]

O recém-eleito Parlamento Europeu (PE) deverá trazer consigo um raio de esperança. Espero que a Europa tome medidas adequadas ao conhecimento científico atual para enfrentar os desafios globais, entre os quais as alterações climáticas e a insegurança alimentar. E os OGM – e a biotecnologia em geral – podem e devem fazer parte da solução. Infelizmente, após uma alteração de mais de 60% dos deputados europeus, as objeções do PE aos OGM, que começaram há vários anos, continuaram, com alguns deputados atribuindo as culpas aos OGM por muitos dos desafios globais que enfrentamos hoje.

As evidências mostram que o cultivo de OGM levou a uma redução de 37% na aplicação de produtos químicos agrícolas e mostram muito mais quando se trata de culturas GM resistentes a insetos. [6] O seu uso aumentou muito a segurança agrícola e ambiental: por exemplo, nos países em desenvolvimento, reduziu significativamente as taxas de suicídio e de intoxicação por pesticidas em pequenas propriedades agrícolas [7].

Acresce que o aumento da produção por hectare associado aos OGM poupa a pressão nas terras vizinhas, incluindo as florestas tropicais. Seja para alimentação animal ou para consumo humano direto, faz sentido fazer um cultivo eficiente para evitar a conversão adicional da terra. Um relatório recente do ISAAA [8] mostra que, entre 1996 e 2016, as culturas biotecnológicas pouparam 183 milhões de hectares de terra (22,5 milhões de hectares de terra apenas em 2016), conservando a biodiversidade e reduzindo as emissões de CO2. Em 2016, a poupança nas emissões de dióxido de carbono foi de 27,1 bilhões de kg, o equivalente a retirar 16,7 milhões de veículos das estradas a cada ano.

Hoje em dia, a realidade na Europa é que a maioria das pessoas usa algodão GM e come uma variedade de produtos alimentares produzidos com a ajuda da biotecnologia, incluindo OGM. Além dos muitos benefícios que os consumidores europeus usufruem todos os dias, os agricultores de outros continentes (da América, África e Ásia) estão a ser empoderados pela biotecnologia, entre os quais milhões de pequenos agricultores asiáticos que cultivam transgénicos. Embora, historicamente, os OGM tenham sido usados ​​para produzir soja, milho e colza para alimentação animal, atualmente os OGM também são usados ​​para consumo humano, melhorando a saúde e a nutrição das pessoas, evitando o desperdício de alimentos e tornando as culturas mais resistentes à seca e às doenças.

Então, por que ninguém fala dos benefícios dos OGM?

O facto é que, embora o Parlamento Eropeu esteja parcialmente implicado nas campanhas de desinformação de alguns ativistas anti-OGM, aceitando-as, os estados membros da UE também estão aquém das suas responsabilidades. Apesar de já beneficiarem das vantagens económicas dos OGM, países como Alemanha, França, Itália e Polónia não votaram a favor da aprovação de produtos OGM seguros, nem para importação. Este comportamento eleitoral, a que se soma a falta de apoio do PE e o fracasso geral das instituições da UE em combater a desinformação sobre os OGM, é a principal razão pela qual a Europa expulsou efetivamente a inovação agrícola nesse campo, o que prejudica e mina a confiança nos procedimentos de avaliação de segurança alimentar da UE. Uma decisão do Tribunal de Justiça da UE de julho de 2018, em que equipara os OGM aos produtos em que foi aplicada a edição de genoma, torna esta situação ainda mais insustentável.

Embora a Europa possa, em certa medida, permitir-se – temporariamente – ignorar a ciência e a tecnologia, é irresponsável e injusto demonizar os OGM e impedir que o mundo em desenvolvimento faça uso desses produtos. Em tempos como estes, é necessário que os líderes políticos defendam a ciência e apoiem os factos científicos divulgados pelas agências da UE responsáveis ​​por avaliar a segurança dos OGM. O Parlamento Europeu deve agora definir uma nova direção para a inovação na agricultura, apoiando, inclusive, a aprovação de produtos GM seguros, de acordo com evidências e procedimentos democraticamente adotados.

Chegou a hora de uma nova geração de decisores políticos europeus aproveitar todo o potencial dos OGM em benefício das pessoas e do planeta. A EuropaBio, representando a indústria de biotecnologia, está comprometida em comunicar esses benefícios. Instamos todos os decisores políticos, que pensam que a ciência pode e deve desempenhar um papel positivo na sociedade, a ler o nosso manifesto de biotecnologia agrícola e a juntarem-se a nós nessa missão.”

*Este texto é uma tradução integral de um artigo (em inglês) escrito por Beat Späth, diretor de biotecnologia agrícola da EuropaBio, e publicado no Euroactiv.

Mais informações em:

An antidote to fear-based politics?

GMOs: Time to stand up for EU law and innovation

EU nations should overcome GMO hypocrisy

[1] http://www.easac.eu/home/reports-and-statements/detail-view/article/planting-the.html

[2] http://www.fao.org/3/a-i6030e.pdf

[3] http://www.siquierotransgenicos.cl/2015/06/13/more-than-240-organizations-and-scientific-institutions-support-the-safety-of-gm-crops/

[4] https://gmoinfo.eu/eu/articles.php?article=Insect-resistant-GM-maize-has-benefited-farmers-and-the-environment-in-Iberia-

[5] https://www.europabio.org/sites/default/files/EU_protein_GAP_WCover.pdf (p.17)

[6] https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0111629https://www.e-elgar.com/shop/handbook-on-agriculture-biotechnology-and-development and https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0921800911002400

[7] https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/pbi.13261

[8] http://isaaa.org/resources/publications/briefs/54/executivesummary/default.asp

Campanha | “Modified” comemora uso da biotecnologia na produção de alimentos

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Há vários dias que a campanha “Modified” anda nas ruas de São Francisco, nos EUA, a celebrar a aplicação de tecnologias inovadoras na produção de alimentos. A iniciativa é da Cornell Alliance for Science, que, através de uma carrinha colorida, quer que os alimentos geneticamente modificados passem a ser tema de conversa.

Tendo como meio uma carrinha às cores a circular nas ruas de São Francisco, no Estado norte-americano da Califórnia, a Cornell Alliance for Science lançou, no dia 1 de outubro, a campanha “Modified” (em português, modificado) para colocar na “boca” do mundo os OGM-Organismos Geneticamente Modificados. O objetivo é envolver os consumidores no tema, fazer com que conversem sobre alimentos GE e procurem saber mais sobre eles, tendo por base o conhecimento científico e não medos e mitos infundados.

Como explicou a diretora executiva da Alliance, Sara Evanega, “à medida que as novas ferramentas de biotecnologia sintética e de edição de genomas vão evoluindo, veremos chegar ao mercado mais produtos alimentares geneticamente modificados, em parte como resposta à necessidade de mitigar os impactos das alterações climáticas.”

Na carrinha “Modified”, as pessoas podem recolher informação científica sobre alimentos GM e também prová-los, porque, acredita Sara Evanega, “comer é acreditar”.

A carrinha começou a circular no primeiro dia da conferência SynBioBeta, que decorreu entre 1 e 3 de outubro, em São Francisco. Neste encontro, que reuniu centenas de investigadores em inovação e empresas tecnológicas para estarem a par dos mais recentes desenvolvimentos em áreas como a biologia sintética e a edição de genomas e as suas aplicações em alimentos, na agricultura, na medicina e na indústria, foram distribuídos dois alimentos GM: a maçã ártica resistente ao escurecimento depois de cortada e a papaia havaiana Rainbow resistente ao vírus.

“Ao combinar amostras de alimentos geneticamente modificados com conversas informadas, podemos ajudar os consumidores a perceber melhor a utilização da biotecnologia na alimentação e na agricultura”, acrescentou Sara Evanega, convicta que os consumidores muitas vezes desconhecem o papel que as variedades modificadas podem desempenhar para tornar a agricultura mais sustentável.

A redução da aplicação de pesticidas, do desperdício de alimentos e das emissões de carbono são apenas alguns dos benefícios dos produtos geneticamente modificados atualmente no mercado norte-americano.

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Nigéria | A importância da biotecnologia na segurança alimentar

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Ogbonnaya Onu, ministro da Ciência e Tecnologia da Nigéria 

Segurança alimentar, aumento da produção de alimentos e redução das importações de bens alimentares são algumas das mais-valias da biotecnologia. São também os fatores que levam o governo federal da Nigéria, o País mais populoso de África, a investir fortemente nas novas tecnologias de melhoramento.  

A Nigéria anunciou que está a investir fortemente em biotecnologia e engenharia genética. Em declaração oficial, o ministro da Ciência e Tecnologia do País mais populoso de África, Ogbonnaya Onu, enfatizou a importância das novas tecnologias de melhoramento para garantir a segurança alimentar no País e a melhoria do bem-estar socioeconómico da população.

Reconhecendo o papel crucial destas ferramentas no aumento da produção local de alimentos e na redução da necessidade de importação de produtos alimentares, o anúncio foi feito na presença de vinte e um cientistas de vários países, durante um ensaio de laboratório para deteção e identificação de OGM (Organismos Geneticamente Modificados), em Abuja, na Nigéria.

Onu afirmou que o Ministério da Ciência e Tecnologia continuará a apoiar a Agência Nacional de Desenvolvimento da Biotecnologia (ANDB), que tem por missão promover, desenvolver e coordenar investigações na área da biotecnologia de ponta. “A aplicação de ambas as tecnologias na agropecuária e um melhor conhecimento das mesmas por parte da população terá um impacto positivo no crescimento socioeconómico da Nigéria”, acredita o governante nigeriano.

Em agosto passado, a Nigéria anunciou a intenção de dotar a Agência de Biotecnologia de poderes para regulamentar várias novas tecnologias, entre as quais a edição de genomas, drives genéticos e biologia sintética. Desde a sua criação, em 2015, a ANDB permitiu aos investigadores desenvolverem novas culturas transgénicas, incluindo duas variedades de algodão e uma de feijão-frade resistentes a pragas, que já estão a ser utilizadas pelos agricultores do País.

Leia a declaração oficial do Ministério da Ciência e Tecnologia da Nigéria aqui.

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Evento | Europa celebra Semana da Biotecnologia

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Com mais de 140 ações em dezoito países europeus, incluindo Portugal, a sétima edição da Semana Europeia da Biotecnologia começou ontem e prolonga-se até 29 de setembro, prometendo ser a mais popular de todas. Pela primeira vez, este ano é celebrada também na Letônia e em Malta, com eventos sobre biotecnologia marinha.

São várias as entidades envolvidas na celebração da Semana Europeia da Biotecnologia (SEB). Além da EuropaBio, também comunidades locais, empresas, instituições académicas e governamentais de dezoito países europeus estão a promover iniciativas para comemorar os inúmeros benefícios da biotecnologia em áreas tão cruciais como a saúde e a agricultura e para explorar o seu potencial no desenvolvimento de soluções para os atuais desafios alimentares (com o aumento estimado da população) e ambientais (por efeito das alterações climáticas).

As iniciativas são muito variadas, desde conferências científicas, atividades recreativas, exposições e laboratórios abertos ao público para mostrar às

pessoas como é que se faz ciência. De destacar, o novo concurso de vídeo/ filmes (#BiotechFan), lançado este ano pela EuropaBio com o intuito de permitir a todos os estudantes europeus fanáticos por biotecnologia criarem um filme que retrate essa sua paixão.

Ontem, na abertura da SEB, a Secretária Geral da EuropaBio, Joanna Dupont-Inglis, comentou: “No que se refere a biotecnologia, temos muitos progressos para comemorar. Uma vez por ano, a Semana Europeia de Biotecnologia oferece a oportunidade perfeita para refletir sobre até onde chegamos e discutir como a biotecnologia pode ajudar-nos a garantir vidas mais longas, saudáveis ​​e sustentáveis ​​para as gerações futuras. ”

Para saber mais sobre as atividades previstas no decorrer da SEB, clique aqui.

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Estudo |Consumidores pagariam mais por alimentos mais nutritivos produzidos através de edição de genomas  

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Créditos da imagem: Dan Gold

Um estudo recente que envolveu 3100 pessoas em vários países europeus revela que nove em cada dez estão dispostas a gastar mais dinheiro em produtos alimentares mais nutritivos, produzidos através de novas técnicas de melhoramento.

Solicitado pela Corteva Agriscience e realizado pela empresa Longitude do Grupo Financial Times, o estudo “Sistemas alimentares sustentáveis na Europa” garante que os consumidores e agricultores de vários países europeus priorizam a sustentabilidade, estando abertos à aplicação de tecnologias inovadoras na produção de alimentos com mais valias nutritivas.

Para esta investigação foram inquiridos 2500 consumidores e 600 agricultores em França, Alemanha, Itália, Holanda, Polónia, Roménia, Reino Unido e Ucrânia. No caso dos produtores, mais de dois terços pretendem usar nos próximos cinco anos variedades derivadas de novas técnicas de melhoramento, nomeadamente o CRISPR-Cas, uma das tecnologias de edição genética mais utilizadas; quanto aos consumidores, mais de metade diz estar disposto a aceitar comprar alimentos produzidos com essas tecnologias.

Leia o estudo completo aqui.

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