Webinar | Farmers Scientists Network discute estratégias “Do Prado ao Prato” e “Biodiversidade”

A FSN-Farmers Scientists Network vai realizar um debate em direto sobre as estratégias da Comissão Europeia “Do Prado ao Prato” e “Biodiversidade 2030”, que contará com a intervenção de investigadores e agricultores. O evento terá lugar no dia 3 de julho, entre as 10H00 e as 11H45. A inscrição prévia é obrigatória.

No Webinar promovido pela FSN-Farmers Scientists Network, investigadores e agricultores vão falar dos desafios que se impõem a toda a produção agrícola europeia depois de a Comissão Europeia ter apresentado, recentemente, as estratégias “Do Prado ao Prato” (F2F) e “Biodiversidade 2030”. Para além de soluções que ajudam os agricultores a cumprirem as metas definidas em ambas as estratégias, e tendo em conta o impacto da Covid-19 em todo o sistema alimentar, os participantes irão discutir o potencial da edição do genoma para fortalecer a segurança alimentar e tornar as culturas locais mais resilientes.

Registe-se até 2 de julho e veja o programa aqui.

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COVID-19| O que tem a sociedade a aprender com os agricultores?

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Créditos da imagem: Vida Rural

Por António Lopes Dias, engenheiro agrónomo e director executivo da ANIPLA

Numa altura em que uma pandemia assolou os nossos dias e tomou conta de todas as nossas preocupações, a alimentação é uma das questões que mais nos inquieta: conseguiremos alimentar-nos devidamente? Haverá o que comer para todos? Teremos acesso aos alimentos desejados? Mais do que isso: o que comemos, é seguro?

Mas em tempos de COVID-19, em que todos, sob múltiplas formas, somos afectados, terá a sociedade consciência que esta é uma realidade constante para os agricultores? O que pode a sociedade aprender com uma das profissões que nunca pára? Segurança, protecção, ciência, investigação e tecnologia são conceitos base na produção alimentar com os quais os agricultores convivem 365 dias por ano. Declarado o Estado de Emergência a sociedade obriga-se a uma pausa, a um desacelerar forçado, mas a natureza não. A natureza está lá e nunca pára. A mesma que todos os anos confronta os agricultores com pragas, doenças e infestantes com efeitos potencialmente devastadores para a generalidade das culturas, e que se não forem tratadas, põem em causa a existência de alimentos à nossa mesa.

Porque quando olhamos para o fenómeno de propagação de um vírus na população e para a velocidade de destruição de culturas, provocada pela entrada inusitada de pragas e doenças no sistema agrícola, não falamos de universos assim tão distantes. Da mesma forma que não falamos línguas distintas quando percebemos que a única forma de combater este flagelo é através do recurso à ciência. Quando falamos de segurança alimentar, falamos da quantidade de movimentos globais que são feitos todos os dias e que nos fazem chegar, de todas as partes do mundo, infestações que só a ciência consegue prevenir ou combater.

As pragas com maior impacto nas culturas agrícolas, como a Xylella Fastidiosa, por exemplo, num cenário de propagação por toda a EU, podem causar perdas anuais de produção no valor de 5,5 mil milhões de euros, afectando 70% do valor da produção de árvores de fruto e, por isso, à semelhança dos tempos que vivemos, só podemos contar com a ciência para nos proteger.

Da mesma forma que, perante o momento que estamos a viver, só a ciência nos ajudará a proteger a saúde, a economia e sustentabilidade dos países, o mesmo acontece quando de Janeiro a Dezembro, de todos os anos, o sector agrícola trabalha para combater pragas, doenças e infestantes que chegam de todos os cantos do mundo, assegurando-nos que o que comemos é seguro.

Nesta altura em que o medo tomou conta das cidades, que a pouco e pouco, e bem, foram ficando vazias, alguém permaneceu nas estradas, como no campo: os agricultores. Que vieram pôr ao serviço deste combate as mesmas armas com que todos os dias lutam para manter um acesso a alimentos seguros – as suas. Em GrândolaMonforte um pouco por todo o país, agricultores saíram à rua, com as suas proteções e pulverizadores, desta vez não para proteger as culturas, mas para proteger as pessoas. Porque em nenhum momento como neste se esbateram tanto as diferenças e fomos tanto uns sectores pelos outros, numa luta que, de repente, é de todos e em que nos tornámos tão iguais. Tão dependentes da ciência para nos ajudar a ficar bem, na expectativa de tão rápido quanto possível, estarmos de volta.

Por isso, o que tem a sociedade a aprender com os agricultores? De que forma é a ciência o único aliado em quem temos de confiar quando falamos de proteger a nossa saúde e a saúde do que comemos? De que forma poderemos ser, cada vez mais, preventivos na segurança individual e global? Tantas questões que pairam e uma só resposta que ecoa: precisamos de confiar na ciência. Perante um vírus que nos colocou a todos em suspenso e perante outros que surgem, a cada dia com um maior potencial de devastar o que comemos. Se no primeiro caso falamos de salvar vidas humanas, no segundo falamos de salvar alimentos, os mesmos que nos mantêm vivos e com saúde. Ciência, ciência, ciência: a palavra de ordem quando falamos de proteger pessoas, plantas, economias, o mundo.

António Lopes Dias

Engenheiro Agrónomo e Director Executivo da ANIPLA

Artigo escrito segundo o antigo acordo ortográfico (e originalmente publicado no Agroportal, em 1 de abril de 2020)

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Relatório | As contradições da UE sobre a aplicação da biotecnologia na agricultura

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De acordo com o relatório anual de Biotecnologia Agrícola, que acaba de ser publicado, “há mais de duas décadas que os consumidores europeus estão expostos a um constante medo infligido por grupos anti-biotecnologia”, resultando em opiniões negativas dos consumidores em relação aos produtos geneticamente modificados (GE). Realizado pelo USDA Foreign Agricultural Service para a União Europeia, este relatório, de março de 2020, diz que o cultivo comercial de variedades transgénicas na UE foi limitado a dois países – Portugal e Espanha – e a apenas um por cento da área total de milho da UE (112 mil hectares na Península Ibérica). A variedade única autorizada para cultivo em Portugal e Espanha é proibida em todos ou em parte dos 19 Estados-Membros da União Europeia.

Segundo o relatório, a UE não exporta produtos geneticamente modificados, no entanto, importa anualmente mais de 30 milhões de toneladas de produtos de soja, entre 10 a 20 milhões de toneladas de produtos de milho e entre 2,5 a 5 milhões de toneladas de produtos de colza, principalmente para alimentação. A participação dos produtos geneticamente modificados no total de importações é estimada em 90 a 95% para os produtos de soja, pouco mais de 20% para o milho e menos de 25% para a colza.

Pode ler-se ainda no relatório que a estrutura política da UE para biotecnologia, desenvolvida com a forte influência de ativistas simpatizantes do movimento antiglobalização, cria uma carga regulatória desnecessária que não melhora a proteção do consumidor e não leva em consideração o conhecimento científico atual.

Veja-se o que aconteceu em julho de 2018, quando o Tribunal de Justiça Europeu decidiu que, no território da UE, os organismos criados com recurso a ferramentas biotecnológicas inovadoras deveriam ser regulamentados como organismos geneticamente modificados. Desde então, as partes interessadas que defendem a biotecnologia agrícola na UE são investigadores e profissionais do setor agrícola, incluindo agricultores, empresas de sementes e representantes da cadeia de fornecimento.

A decisão levou a União Europeia a solicitar à Comissão a realização de um estudo que clarificasse a situação.

Para informações mais detalhadas, leia o último relatório de Biotecnologia Agrícola.

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Edição do genoma|Mapa global da regulamentação e aplicação da tecnologia

rastreio global da edição do genoma

Partilhamos com os seguidores do CiB-Centro de Comunicação de Biotecnologia o importante documento “Human and Agriculture Gene Editing: Regulations and Index”, compilado pelo Genetic Literacy Project, onde encontram dados da situação global da tecnologia de edição do genoma.

É uma espécie de rastreio do que se fez e faz a nível de investigação, regulamentação e aplicação da tecnologia no mundo inteiro. Incluí ainda os artigos mais relevantes sobre o CRISPR e outras ferramentas desde 1987 até aos dias de hoje, entre outros itens fundamentais para perceber a importância e o funcionamento da edição do genoma em áreas tão cruciais como a saúde e a agricultura.

Sem dúvida, um documento muito interessante e esclarecedor.

https://crispr-gene-editing-regs-tracker.geneticliteracyproject.org/?mc_cid=823393fc09&mc_eid=867e279110

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NBTs | OGM e plantas editadas por CRISPR podem ajudar a evitar perdas nas colheitas no valor de 220 mil milhões de dólares anuais  

batata
A praga tardia é uma grande ameaça para a planta da batata. Crédito da imagem: Fry, Molecular Plant Pathology (2008) 

As doenças e as pragas são a maior ameaça para a agricultura. Causam custos económicos dramáticos e irrecuperáveis e colocam em risco a subsistência de agricultores em todo o mundo. Mas esse prejuízo pode ser minimizado substancialmente com a aplicação das Novas Técnicas de Melhoramento Genético de Plantas, como a edição do genoma (CRISPR) –  ou da já “velhinha” tecnologia dos OGM.

Segundo um artigo publicado no Genetic Literacy Project, assinado pelo economista Steven Cerier, “o CRISPR e os OGM podem ajudar a evitar perdas na produção agrícola no valor de 220 mil milhões de dólares, por ano”, graças ao seu poder de tornar as plantas resistentes a pragas e a doenças, o mal maior da agricultura.

Cerier aponta como exemplo de doença altamente destruidora a ferrugem. Causada por fungos, a devastou o Caribe e a América Central e Latina entre 2012 e 2015, resultando numa perda estimada em mil milhões de dólares. Também causado por um fungo, o oídio levou o estado norte-americano da Califórnia a gastar 239 milhões de dólares só na produção de uvas para o combater. E no Uganda, diz o autor, os prejuízos económicos anuais por causa da mirra da banana serão da ordem dos 200 milhões de dólares a 295 milhões de dólares.

A gravidade do problema já havia sido realçada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, que estimou que “a cada ano, as doenças de plantas custam à economia global cerca de 220 mil milhões de dólares.”

Felizmente, inovações tecnológicas na área da genética de plantas, como as Novas Técnicas de Melhoramento Genético (NBTs), em particular as ferramentas de edição do genoma (como, por exemplo, o CRISPR), estão a ganhar terreno no controlo das pragas e doenças que afetam as culturas. Também métodos de produção já estabelecidos, como a transgénese, usada para desenvolver culturas geneticamente modificadas (OGM), continuam a dar provas da sua capacidade na proteção das culturas contra pragas e doenças de um modo mais sustentável, garantindo mais rendimento para os agricultores.

Como salienta o autor, nos países em desenvolvimento, proteger as culturas com essas tecnologias pode ser a diferença entre uma colheita lucrativa e a fome. Saiba porquê no Genetic Literacy Project.

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Comunicado | Academias de Ciência da Europa acusam: “Leis da UE sobre OGM já não são adequadas”

PBi - Plant Breeding Innovation
Edição de genoma

Num comentário lançado pelo EASAC-Conselho Consultivo das Academias de Ciência da Europa, os Investigadores Principais europeus alertam que a atual legislação da EU para os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) já são desadequadas ao seu objetivo. Pedem, por isso, uma revisão radical do quadro jurídico, alegando que não usar as novas tecnologias de edição do genoma ou protelar a sua adoção acarreta um custo social grande. “Não temos tempo a perder na solução dos problemas de segurança alimentar e nutricional”, afirma Robin Fears, diretor do Programa de Biociências do EASAC.

Em 2018, o Tribunal de Justiça Europeu decidiu que as normas legais para os OGM também se aplicam a todos os organismos que foram alterados através da utilização de novas tecnologias de edição do genoma. Mas, como explica o professor Volker ter Meulen, presidente do Programa de Biociências do EASAC, “esta decisão dificulta o estudo, o desenvolvimento e o cultivo de variedades agrícolas melhoradas, necessárias e urgentes para uma agricultura produtiva, adaptada ao clima e mais sustentável”.

O EASAC salienta que, perante os desafios atuais – oferecer segurança alimentar e nutricional para todos, combater a desigualdade social e mitigar os efeitos das alterações climáticas -, as novas técnicas apresentam um enorme potencial para melhorar a saúde pública global.

A classificação atual de OGM não tem fundamento científico

O novo comentário do EASAC baseia-se em duas décadas de trabalho de investigação independente e apoia as recomendações recentes da Academia Nacional de Ciências da Alemanha, da União das Academias Alemãs de Ciências e Humanidades e da Fundação Alemã de Investigação (DFG).

A declaração destas três academias alemãs aponta oportunidades significativas das culturas produzidas com a tecnologia de edição do genoma, já comercializáveis em outros países, com benefícios para a nutrição e agricultura produtiva, com poucos pesticidas e conservadoras de recursos. Soja com ácidos gordos mais saudáveis, trigo com redução de glúten, batatas com vida útil mais longa, arroz resistente a bactérias, variedades de uvas resistentes a fungos, cacau, milho e trigo tolerantes à seca de milho e trigo são indicados como exemplos.

“Muito aconteceu desde a adoção da primeira legislação, há mais de 20 anos. Por isso, a revisão da legislação deve refletir as evidências científicas atuais para podermos enfrentar incertezas futuras. Ao mesmo tempo, precisamos de debater continuamente e de forma transparente as questões críticas, inclusive éticas, para que se estabeleça um clima confiança entre os investigadores e o público”, afirma Fears.

O Conselho Europeu já pediu à Comissão Europeia que esclareça as opções regulamentares e o EASAC vê nisso uma oportunidade a não perder para pedir uma reforma radical da legislação:

• A UE deve rever a definição de OGM. À semelhança das plantas modificadas com métodos convencionais de reprodução, os organismos editados pelo genoma não devem ser considerados OGM, a menos que contenham DNA de outras espécies. Além disso, combinações de informações genéticas que também podem ocorrer na natureza ou por métodos convencionais de reprodução não devem ser incluídas na classificação.

• A UE deve desenvolver um novo quadro jurídico que regule a característica e/ou o produto da planta e não a tecnologia usada no desenvolvimento desse produto. A avaliação da segurança deve aferir se os novos atributos da planta podem representar um risco para o meio ambiente e para a saúde humana, independentemente da tecnologia de melhoramento utilizada.

• De modo a fornecer ferramentas para futuras inovações nas práticas agrícolas, a Comissão Europeia deve reafirmar o seu apoio à ciência fundamental, aos ensaios de campo e à investigação sobre as consequências (sociais, económicas, ambientais, éticas e para a saúde) de produtos e cenários de aplicação de novos métodos moleculares.

Para a presidente do EASAC, Christina Moberg, “Um novo quadro legal transparente, flexível, proporcional e baseado em evidências contribuirá para fortalecer a competitividade e a bioeconomia, apoiará a inovação na Política Agrícola Comum e ajudará a União Europeia a alcançar os ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável “.

Comunicado em português, traduzido pelo CiB-Centro de Informação de Biotecnologia aqui: file:///C:/Users/cibga/OneDrive/Documentos/A%20partir%20de%2006.11.2018/EASAC%20Comunicado%20de%20Imprensa.pdf

Comunicado  original, em inglês, aqui: file:///C:/Users/cibga/AppData/Local/Microsoft/Windows/INetCache/Content.Outlook/UQLMEKC3/EASAC_Genome-Edited_Plants_Web%20(004).pdf

 

 

 

 

 

CRISPR | Tecnologia está a ser usada para tratar cegueira, curar cancro da mama e salvar bananas da extinção

CRISPR cegueira

Pela primeira vez, a tecnologia de edição do genoma CRISPR foi usada para editar o DNA dentro de um ser humano vivo. Os investigadores também utilizaram esta ferramenta de edição do genoma para acelerar o sequenciamento de DNA na esperança de personalizar os tratamentos contra o cancro da mama. Mais: com a ajuda da engenharia genética, a banana favorita do mundo pode ser salva da extinção. Está tudo explicado pelo geneticista de plantas norte americano Kevin Folta neste podcast da Science Facts & Fallacies,

 

Tratamentos mais precisos para o cancro da mama

Investigadores da Universidade de Medicina Johns Hopkins School, nos EUA, usaram o CRISPR para sequenciar rapidamente genes específicos envolvidos no desenvolvimento do cancro de mama, eliminando o processo de replicação do DNA normalmente necessário para o sequenciamento do genoma. O desenvolvimento poderia permitir a seleção de medicamentos personalizados que tratam a doença com base na composição genética de pacientes individuais.

Primeira edição de genes num corpo humano

A edição de genes produziu dezenas de tratamentos médicos importantes para doenças mortais, incluindo cancros como leucemia e linfoma . Normalmente, os médicos extraem células do sistema imunológico de um paciente, editam o seu DNA e voltam a introduzi-las no corpo da pessoa para atacar a doença. Agora, os cientistas deram um passo à frente nessa abordagem, injetando um vírus que leva as instruções para produzir o CRISPR-Cas9 diretamente no olho do paciente, onde se espera editar uma mutação  envolvida na amaurose congénita Leber, uma condição genética que causa cegueira.

Banana Cavendish pode ser salva da extinção

Devido a um fungo conhecido como Tropical Race 4 (TR-4), a banana Cavendish poderá desaparecer para sempre. O TR-4, que está a destruir as plantações de bananas na América do Sul, espalha-se rapidamente e é difícil de controlar com pesticidas, pelo que investigadores estão a trabalhar na imunização da banana cortando um segmento de DNA do seu genoma que a torna suscetível ao TR-4.

Leia o artigo completo no Genetic Literacy Project e ouça o podcast da Science Facts & Fallacies,

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Biotecnologia | Edição de genoma será um marco na agricultura moderna

CropLife
A sequência de um genoma vegetal é semelhante a uma biblioteca de letras. Dentro desta biblioteca de letras, há uma pequena proporção que corresponde a genes ou sequências com alguma função.

“A edição do genoma nas plantas é alcançada graças à biotecnologia de precisão e visa ser um marco significativo na agricultura moderna.

Atualmente, existem pedidos de permissão para vender tomate, arroz, milho, trigo, soja e cogumelos nos Estados Unidos. A edição genética promete mudanças nutricionais, como a produção de trigo sem glúten ou a redução de gorduras trans nos óleos de soja. Em que consiste?”

Está tudo explicado  aqui, no site da CropLife da América Latina.

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Edição do genoma | Cereais que fixam o nitrogénio são quase uma realidade

cereais nitrogénio
Cientistas do MIT (EUA) estão a testar novas técnicas de engenharia vegetal em plantas de tabaco. O objetivo é criar plantas com capacidade de fixação de nitrogénio através da edição genética. Créditos da imagem: Lisa Miller / J-WAFS

Um grupo de investigação do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, está muito perto de desenvolver variedades de cereais capazes de fixar o seu próprio nitrogénio. Num futuro próximo, já não serão necessários fertilizantes na produção de milho, arroz e trigo.

Com o esperado incremento da procura por alimentos – devido ao crescimento da população e às alterações climáticas -, o aumento da produção agrícola tem sido um alvo crucial da investigação no mundo inteiro.

Um dos laboratórios que se mobilizam para enfrentar esse desafio é o Voigt, do Departamento de Engenharia Biológica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, onde, nos últimos quatro anos, um grupo de investigadores liderado por Christopher Voigt está a transformar o modo de produção de cereais para que possam fixar o seu próprio nitrogénio, um nutriente essencial que permite que as plantas cresçam.

Além de inovadores, os resultados desta investigação são muito promissores. Se tudo correr como os cientistas almejam, num futuro próximo a produção de cereais deixará de ser dependente de fertilizantes.

Plantas como as leguminosas são capazes de se sustentar através de uma relação simbiótica com bactérias capazes de fixar o nitrogénio do ar e colocá-lo no solo, que é por sua vez recuperado pelas plantas através das raízes. Mas outros tipos de culturas, como o milho, trigo e arroz, carecem da ajuda adicional de fertilizantes, sem os quais seriam mais pequenas e teriam menos grãos.

Mais detalhes desta investigação no artigo científico publicado no MIT News.

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Edição do genoma| E se melhorássemos o bem-estar animal na pecuária?

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Com a ajuda da edição do genoma, os criadores de gado poderiam melhorar a saúde e o bem-estar dos animais de criação. Através da ferramenta biotecnológica TALLEN, as vacas leiteiras podiam crescer sem chifres e os porcos nasceriam já castrados, o que evitaria submetê-los a processos caros e dolorosos.

Para a segurança dos animais e dos agricultores, hoje, os bezerros são descornados num processo caro e doloroso. Mas não tem que ser assim. Em bovinos de corte, a falta de chifres é uma característica comum e, em teoria, o gado leiteiro pode ser criado sem chifres. Infelizmente, o processo de criação convencional levaria décadas, comprometendo outras características ligadas à produção de leite e à saúde animal.

Na criação de porcos, os leitões machos são castrados para impedir que a carne fique com o odor e o sabor desagradáveis ​​característicos na carne de javalis não castrados. Apesar disso, os agricultores preferem evitar esse ato cirúrgico.

A solução pode estar na edição do genoma, uma vez que permite prevenir as situações descritas, melhorando o bem-estar e a saúde dos animais. Através de uma nova ferramenta designada TALLEN, os investigadores da empresa de bioengenharia Recombinetics conseguiram introduzir um gene em vacas leiteiras e em porcos, que faz com que, no caso das vacas, cresçam sem chifres e, no caso dos leitões, nasçam castrados.

As técnicas de edição do genoma usadas permitem que os investigadores alterem letras individuais do código genético com uma alta precisão, tendo essencialmente o mesmo resultado que o cruzamento convencional com mutações espontâneas, masa com muito mais eficiência.

Outra via de investigação promissora também aberta pela edição do genoma, e em que o melhoramento convencional não é tão bem-sucedido, é a resistência dos animais a doenças. Na verdade, os investigadores já poderiam utilizar a edição do genoma em aves para serem resistentes à gripe aviária e em porcos para serem resistentes à peste suína africana e à síndrome respiratória e reprodutiva dos suínos (PRRS). Todas estas doenças afetam a saúde e o bem-estar de aves e suínos, bem como os meios de subsistência dos agricultores.

Saiba mais na ficha técnica da EuropaBio.

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