CRISPR | Tecnologia está a ser usada para tratar cegueira, curar cancro da mama e salvar bananas da extinção

CRISPR cegueira

Pela primeira vez, a tecnologia de edição do genoma CRISPR foi usada para editar o DNA dentro de um ser humano vivo. Os investigadores também utilizaram esta ferramenta de edição do genoma para acelerar o sequenciamento de DNA na esperança de personalizar os tratamentos contra o cancro da mama. Mais: com a ajuda da engenharia genética, a banana favorita do mundo pode ser salva da extinção. Está tudo explicado pelo geneticista de plantas norte americano Kevin Folta neste podcast da Science Facts & Fallacies,

 

Tratamentos mais precisos para o cancro da mama

Investigadores da Universidade de Medicina Johns Hopkins School, nos EUA, usaram o CRISPR para sequenciar rapidamente genes específicos envolvidos no desenvolvimento do cancro de mama, eliminando o processo de replicação do DNA normalmente necessário para o sequenciamento do genoma. O desenvolvimento poderia permitir a seleção de medicamentos personalizados que tratam a doença com base na composição genética de pacientes individuais.

Primeira edição de genes num corpo humano

A edição de genes produziu dezenas de tratamentos médicos importantes para doenças mortais, incluindo cancros como leucemia e linfoma . Normalmente, os médicos extraem células do sistema imunológico de um paciente, editam o seu DNA e voltam a introduzi-las no corpo da pessoa para atacar a doença. Agora, os cientistas deram um passo à frente nessa abordagem, injetando um vírus que leva as instruções para produzir o CRISPR-Cas9 diretamente no olho do paciente, onde se espera editar uma mutação  envolvida na amaurose congénita Leber, uma condição genética que causa cegueira.

Banana Cavendish pode ser salva da extinção

Devido a um fungo conhecido como Tropical Race 4 (TR-4), a banana Cavendish poderá desaparecer para sempre. O TR-4, que está a destruir as plantações de bananas na América do Sul, espalha-se rapidamente e é difícil de controlar com pesticidas, pelo que investigadores estão a trabalhar na imunização da banana cortando um segmento de DNA do seu genoma que a torna suscetível ao TR-4.

Leia o artigo completo no Genetic Literacy Project e ouça o podcast da Science Facts & Fallacies,

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Transgénicos | Ativistas anti-OGM comprometem segurança alimentar em África com mentiras sobre culturas GM

 

agricultura em áfrica
Créditos da imagem: Pablo García Saldaña

Grupos de ativistas contra as culturas geneticamente modificadas, como a Greenpeace e outros, têm vindo a disseminar falsidades sobre os alimentos transgénicos. O alerta foi feito pela bióloga molecular sul-africana Jennifer Thomson, investigadora na Universidade da Cidade do Cabo.

 

Num episódio da série de podcasts chamada Talking Biotech, da autoria do cientista Kevin Folta, da Universidade da Flórida, EUA, a investigadora e bióloga molecular sul-africana da Universidade do Cabo Jennifer Thomson afirma que África tem o máximo a ganhar com a biotecnologia na agricultura, no entanto, alerta, os agricultores e os consumidores desse continente estão a ser altamente prejudicados por não terem acesso a grande parte das culturas geneticamente modificadas (GM).

Segundo a especialista, é essencialmente por razões políticas que se está a negar aos produtores agrícolas africanos esse acesso. Não são questões científicas e como prova disso apresenta o exemplo do que está a acontecer em muitos laboratórios africanos, onde se desenvolvem variedades de culturas GM resistentes a pragas e outras com mais vitaminas dos que as variedades convencionais. O problema, diz, é que essas experiências estão exclusivamente confinadas aos laboratórios onde se faz investigação, não sabendo prever quando ou se virão algum dia a ser cultivadas em plantações não experimentais e comercializadas.

Para Jennifer Thomsom, a resistência à biotecnologia reside, em boa medida, às “mensagens falsas” transmitidas por grupos norte-americanos e europeus anti-OGM, como a Greenpeace e outras influentes. Mensagens como “os alimentos transgénicos provocam cancro e infertilidade”, lamenta a investigadora, além de mentirosas, prejudicam as pessoas que mais poderiam beneficiar das vantagens da implementação da biotecnologia na agricultura.

jennifer Thomson
Jennifer Thomsom

De recordar que não é a primeira vez que os grupos ativistas anti-OGM são desmentidos por cientistas. Em 2016, por exemplo, 110 investigadores galardoados com o Prémio Nobel acusaram a Greenpeace e outras de cometer um crime contra a humanidade. Numa carta tornada pública, os subscritores afirmaram que estas organizações “apresentaram os transgénicos de forma incorreta, incluindo seus riscos, benefícios e impactos, e apoiaram a destruição criminosa de plantações aprovadas para testes e pesquisas.”

O texto pedia à Greenpeace que “reconhecesse as conclusões das instituições científicas competentes” e “abandonasse a sua campanha contra os organismos geneticamente modificados em geral e o arroz dourado em particular.” Os investigadores mencionaram vários estudos publicados nos últimos anos que mostram que as plantações de alimentos transgénicos são seguras e não muito diferentes das plantações normais.

Ouça aqui o podcast com a entrevista de Kevin Folta a Jennifer Thomsome siga o CiB no Twitter, no Facebook e no LinkedIn. No CiB, comunicamos biotecnologia.