Vídeo | Graham Brookes apresenta estudo inédito sobre impactos do milho Bt em Portugal e Espanha

 

 

O CiB-Centro de Informação de Biotecnologia, teve o privilégio de receber no Seminário “Poderá a agricultura portuguesa usufruir das Novas Técnicas de Melhoramento?”, o economista agrícola britânico Graham Brookes, que, neste evento promovido pelo CiB em parceria com a CAP e a Embaixada dos EUA em Portugal, apresentou e comentou um estudo inédito da sua autoria sobre os impactos económicos e ambientais do cultivo de milho geneticamente modificado em Portugal e Espanha.

Veja a apresentação integral: https://www.youtube.com/watch?v=BiNuDXT94mQ&feature=share

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Vídeo | Novas Técnicas de Melhoramento na Feira de Agricultura

PF na TV FNA2019 

FNA2019 TV   via

Pedro Fevereiro, Presidente do CiB, fala das Novas Técnicas de Melhoramento das Plantas e como podem elas beneficiar a agricultura portuguesa, tema de um seminário  promovido pelo CiB, em parceria com a CAP e a Embaixada dos EUA em Portugal, no dia 11 de junho, na Feira Nacional de Agricultura.

Estudo inédito | Milho Bt tem impactos muito positivos na economia e no ambiente 

graos de milho

Desde que começou a ser cultivado em Portugal e Espanha, em 1998, o milho Bt permitiu uma produção adicional de 1,89 milhões de toneladas e um aumento substancial no rendimento dos agricultores. Mas os benefícios não se confinam à economia e à sustentabilidade na produção de alimentos. Para o ambiente, os ganhos são também inquestionáveis. Estas são algumas das conclusões de um estudo recente publicado em maio e apresentado e comentado ontem em Portugal pelo próprio autor, o economista agrícola Graham Brookes, no Seminário “Poderá a agricultura portuguesa usufruir das Novas Técnicas de Melhoramento?”, promovido pelo CiB e pela CAP na Feira Nacional da Agricultura.

  • Para atingir essa produção com milho convencional, teria sido necessário cultivar uma área agrícola adicional de 15.240 hectares;
  • Conseguir o mesmo resultado com sementes convencionais exigiria o uso adicional de 1.042 milhões de m3 de água de irrigação;
  • O rendimento dos agricultores portugueses e espanhóis nestes últimos 21 anos de utilização de milho Bt foi de 284,4 milhões de euros;
  • Por hectare, os ganhos financeiros dos agricultores subiram 173 euros, em média.

Em Portugal e Espanha, muitos agricultores têm cultivado continuamente milho Bt desde 1998. Decorridos 21 anos de investimento nesta variedade geneticamente modificada que protege o milho do ataque da broca (uma praga endémica presente em certas áreas da Península Ibérica responsável por grandes perdas na produção), os resultados são bastante positivos.

Essa é a grande conclusão do estudo recente “Vinte e um anos de milho resistente a insetos (GM) em Espanha e Portugal – contribuições agrícolas, económicas e ambientais”, do economista agrícola britânico Graham Brookes, da PG Economics (Reino Unido), publicado em maio na revista GM Crops & Food e apresentado e comentado em Portugal pelo próprio autor, no Seminário “Poderá a agricultura portuguesa usufruir das Novas Técnicas de Melhoramento”, organizado pelo CiB-Centro de Informação de Biotecnologia em parceria com a CAP e a Embaixada dos Estados Unidos em Portugal, no dia 11 de junho, no CNEMA, na Feira Nacional de Agricultura.

O estudo de Graham Brookes analisa exaustivamente, com vários exemplos e dados estatísticos, os impactos económicos e ambientais do cultivo desta variedade de milho, desde que se iniciou o seu cultivo em Portugal e Espanha. De salientar que o autor foi o primeiro a fazê-lo, tendo como foco a contribuição económica e ambiental do milho transgénico.

Benefícios económicos

Desde 1998, o cultivo do milho Bt permitiu que os agricultores portugueses e espanhóis obtivessem uma produção adicional de 1,89 milhões de toneladas, reduzindo substancialmente a utilização de recursos valiosos como a água. Para atingir esses níveis de produção com o milho convencional, teria sido necessário cultivar uma área agrícola adicional de 15.240 hectares nos dois países.

Em 21 anos de produção de milho Bt, por causa do aumento da produção, evitou-se a ocupação de terra na ordem dos 188.890 hectares. O cultivo desta variedade de milho também contribuiu para a economia de água graças ao aumento dos rendimentos e da produção, uma vez que para conseguir os mesmos resultados com sementes convencionais teriam de ser gastos adicionalmente 1.042 milhões de m3 de água de irrigação.

De 1998 até 2018, a área total cultivada com milho Bt nos dois países foi de 1,65 milhões de hectares, o que resultou num aumento de receita de 285,4 milhões de euros. Segundo o autor do estudo, por cada euro extra gasto na compra da semente transgénica em comparação com o custo da semente convencional, os agricultores ganharam mais 4,95 euros.

O aumento da produção  e a redução de custos aumentaram o rendimento dos agricultores em uma média de 173 euros por hectare, impulsionando as economias rurais dos dois países.

 Benefícios ambientais

No relatório pode ler-se que a tecnologia utilizada reduziu a pulverização de inseticidas em 678.000 kg de ingrediente ativo (−37%) e, como resultado, diminuiu o impacto ambiental associado ao uso de herbicidas e inseticidas nessas culturas (em 21%, conforme medido pelo indicador, o Quociente de Impacto Ambiental-EIQ).

Além disso, a redução das pulverizações resultou numa poupança de água entre 141.000 e 705.000 metros cúbicos em 21 anos de utilização de milho Bt (o que dá cerca de 7.250 e 36.260 metros cúbicos por ano). Em Portugal, a diminuição do consumo de água é de 0,2% do total anual de água gasta na irrigação.

Ainda segundo o economista agrícola britânico, a tecnologia também permitiu reduzir o consumo de combustível (593.000 litros), o que corresponde a uma redução substancial de CO2 libertado para a atmosfera. Só no ano de 2016, houve uma redução da emissão de dióxido de carbono na ordem dos 27,1 mil milhões de kg, o equivalente à retirada de 16,7 milhões de carros das estradas.

Outros benefícios

Os grãos de milho Bt são de melhor qualidade do que os grãos de milho convencionais, com níveis mais baixos de agentes cancerígenos.

Menor desperdício de grãos para utilização em alimentos e rações.

Melhor monitorização dos riscos de produção.

Redução do tempo gasto na monitorização das plantações devido a prejuízos causados por pragas.

Colheita mais fácil.

Impactos negativos

Segundo Graham Brookes, não há nenhuma evidência de impactos económicos ou ambientais negativos e também não há nenhuma evidência de que as pragas desenvolvem resistência à biotecnologia.

O CASO DE PORTUGAL

Em 2018, a área cultivada com milho Bt em Portugal era 6 mil hectares, o que representa 6% da área total cultivada com milho (em Espanha, no mesmo ano, era de 115 mil hectares e em onze países fora da EU somava 85 milhões de hectares).

Tal como em todos os países da União Europeia, em Portugal apenas é permitido o cultivo de milho geneticamente modificado e de uma só variedade – o milho Bt, resistente a insetos. Mas o facto de na União Europeia não ser permitida a produção de outras culturas e variedades geneticamente modificadas (GM), não significa que a UE não as compre a outros países.

Na verdade, como pode ler-se no estudo de Graham Brookes, a UE importa grandes quantidades de culturas geneticamente modificadas, principalmente para utilização em rações para animais. Por exemplo, importa anualmente 35 milhões de toneladas de soja e farelo de soja GM.

Estima-se que a cada ano, em Portugal, sejam afetados regularmente pela praga do milho mais de 15 mil hectares (cerca de 14%-15% da área total de milho) e a aplicação de inseticidas tem revelado uma eficácia limitada.

As regiões mais prejudicadas são o Alentejo, Litoral Centro, Lisboa e Vale do Tejo. Isso explica por que razão as maiores concentrações de culturas de milho Bt se verificaram nestas regiões quando a tecnologia se tornou disponível para os agricultores.

Estudo completo aqui: 

‘Twenty-one years of using insect resistant (GM) maize in Spain and Portugal: farm level economic and environmental contributions’

Infografía do Estudo Graham Brookes

Seminário | Edição de genoma em debate na Feira Nacional de Agricultura

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As Novas Técnicas de Melhoramento de plantas, como a edição de genoma, vão marcar a manhã do dia 11 de junho na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém. Para além de investigadores e agricultores portugueses e espanhóis, o seminário “Poderá a agricultura portuguesa usufruir das Novas Técnicas de Melhoramento?”, promovido pelo CiB em parceria com a CAP, contará com a presença do reputado economista agrícola britânico, Graham Brookes, para apresentar e comentar o relatório da sua autoria “Vinte e um anos de milho resistente a insetos (GM) em Espanha e Portugal – contribuições agrícolas, económicas e ambientais.”

 

Pela primeira vez na história da Feira Nacional de Agricultura, as Novas Técnicas de Melhoramento de plantas, entre as quais a edição de genoma, vão ser tema em discussão na 56ª edição do evento, que decorre entre 8 e 16 de junho.

Na manhã do dia 11 de junho, a sala Scalabis do Centro Nacional de Exposições, em Santarém, vai acolher dezenas de investigadores e agricultores nacionais e espanhóis para discutirem os aspetos científicos, técnicos e regulatórios da edição de genoma e das suas aplicações na agricultura no Seminário “Poderá a agricultura portuguesa usufruir das Novas Técnicas de Melhoramento?”, promovido pelo CiB-Centro de Informação de Biotecnologia em parceria com a CAP-Confederação dos Agricultores de Portugal.

A intervenção da investigadora espanhola Pilar Cubas sobre os aspetos científicos da edição do genoma e a ciência por trás das Novas Técnicas de Melhoramento irá abrir este encontro, que contará também com as intervenções da adida para a agricultura da Embaixada dos Estados Unidos em Espanha e Andorra, para falar dos aspetos regulatórios da edição de genoma.

Para perspectivar o impacto que poderá ter o uso das novas tecnologias de melhoramento na agricultura em Espanha e em Portugal, estarão presentes como oradores o agricultor espanhol Pedro Gallardo, presidente da ALAS-Aliança para uma Agricultura Sustentável e vice-presidente da ASAJA- Associação Agrária de Jovens Agricultores, e o agricultor português José Palha, presidente da ANPOC-Associação Nacional de Produtores de Cereais e Diretor da CAP-Confederação dos Agricultores de Portugal.

Um dos momentos mais esperados deste evento será a intervenção do economista agrícola britânico Graham Brookes, que irá apresentar e comentar as conclusões do relatório da sua autoria “Vinte e um anos de milho resistente a insetos (GM) em Espanha e Portugal – contribuições agrícolas, económicas e ambientais.”

Este estudo inovador avalia os impactos económicos e ambientais do milho Bt, geneticamente modificado (GM) resistente a insetos, na Península Ibérica, desde 1998, altura em que foi semeado pela primeira vez em Espanha. Desde então, cerca de 1,65 milhão de hectares foram semeados com milho com esta caraterística, o que resultou num aumento acumulado no rendimento dos agricultores de mais de 285,4 milhões de euros. Segundo os cálculos de Graham Brookes, “por cada euro extra gasto com as sementes GM em relação às sementes convencionais, os agricultores ganharam um adicional de 4,95 € em rendimento extra.”

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No relatório pode ler-se que a tecnologia utilizada reduziu a pulverização de inseticidas em 678.000 kg de ingrediente ativo (−37%) e, como resultado, diminuiu o impacto ambiental associado ao uso de inseticidas nessas culturas (em 21%, medido pelo indicador, o Quociente de Impacto Ambiental-EIQ).

Ainda segundo o economista agrícola britânico, a tecnologia também permitiu reduzir o consumo de combustível, o que também resultou na redução da libertação de emissões de gases de efeito estufa da área de cultivo de milho transgénico e contribuiu para a economia de recursos hídricos escassos.

A participação neste evento é sujeita a inscrição prévia ou a confirmação de presença por telefone ou email (abaixo indicados).

Programa

9h00 – Abertura

09h15 – 11h00: 1ª Sessão – Aspetos científicos, regulatórios e económicos

09h15 – 09h55: Aspetos científicos da edição de genoma e a ciência por trás das Novas Técnicas de Melhoramento – Pilar Cubas, investigadora do CNB – Centro Nacional de Biotecnologia | Genética Molecular Vegetal (Madrid)

09:55 – 10:35: Apresentação e discussão do relatório “Twenty one years of using resistant (GM) maize in Spain and Portugal: farm level, economic and environmental contributions of GM crops food” (“Vinte e um anos de utilização de milho resistente a insetos (GM) em Espanha e Portugal:  contribuições agrícolas, económicas e ambientais das culturas e alimentos GM” – Graham Brookes, economista agrícola, diretor da PG Economics (UK)

10:35 – 10:55: Aspetos regulatórios da edição de genoma – Jennifer Clever, adida para a agricultura da Embaixada dos Estados Unidos em Espanha e Andorra

10:55 ­- 11:10: Discussão

11:10 – 11:40: Pausa para café

11h20 – 13h00: 2ª sessão – As aplicações das Novas Técnicas de Melhoramento na perspetiva dos agricultores

11:40 – 12:10: A realidade em Espanha – Pedro Gallardo, agricultor e Presidente da ALAS-Aliança para uma Agricultura Sustentável, vice-Presidente da ASAJA- Associação Agrária de Jovens Agricultores (Espanha)

12:10 – 12:40: A realidade em Portugal – José Palha, Agricultor, Presidente da ANPOC-Associação Nacional de Produtores de Cereais e Diretor da CAP-Confederação dos Agricultores de Portugal

12:40 – 13:00: Discussão

13:00 – 13:10: Encerramento

 

Local do seminário:

CNEMA-Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas

Quinta das Cegonhas

2001-904 Santarém

 

Para informações adicionais e confirmação de presença, por favor contactar:

Carla Amaro

Gabinete de Comunicação | Communication Office

CiB – Centro de Informação de Biotecnologia, Portugal
E-mail – gabcom@cibpt.org

Tel. +351 21 446 9768 // +351 91 266 3482

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OGM | Milho transgénico está a transformar a vida dos agricultores nas Filipinas

Nas Filipinas, o milho Bt foi criado para ser resistente à broca asiática, Ostrinia furnacalis, uma das mais destruidoras do País. A tecnologia é uma solução prática e ecologicamente sustentável para os agricultores de milho mais pobres em todo o mundo, permitindo-lhes aumentar os rendimentos e diminuir o uso de pesticidas. Depois do milho, outras culturas transgénicas estarão a caminho, como o algodão Bt, a beringela Bt e o arroz dourado.

milho Bt
Créditos da imagem: Brasil agrícola

“Antes, eu não dormia bem quando semeava milho”, recorda o agricultor filipino Edwin Paraluman. “Sempre receei um dia acordar e encontrar o meu campo de milho totalmente destruído pela broca. Isso pode acontecer porque a broca, nas Filipinas, não respeita nenhuma estação. Onde houver milho, ela está sempre presente.”

Nenhum dos esforços empreendidos por Paraluman para reduzir as perdas na produção resultaram. “Ficava sempre a perder quando cultivava milho, até que chegou uma altura em que pensei seriamente em deixar de lado o milho e dedicar-me ao cultivo de vegetais, como abóbora, vagem e outros”, acrescentou.

Ano após ano, foi uma sucessão de perdas significativas na produção de milho para este Agricultor Filipino, para quem o cultivo de milho é um modo de sobrevivência há muitos anos, desde que era criança e vivia com os pais, também eles agricultores. Por isso é que a sua “alegria não teve limites” quando soube da existência de uma tecnologia que impede o ataque da broca do milho. Paraluman foi dos primeiros agricultores no seu País a adotar a tecnologia e a produzir milho Bt, geneticamente modificado, resistente a pragas.

As Filipinas são o primeiro País do sudeste asiático a aprovar, para comercialização, uma cultura geneticamente modificada para alimentação humana e ração animal. E o Bangladesh foi o primeiro País do sul da Ásia a aprovar, também para comercialização, o cultivo de beringela Bt resistente a pragas.

O milho Bt nas Filipinas foi criado para ser resistente à broca do milho asiática, Ostrinia furnacalis, uma das mais destruidoras do País. A tecnologia apresenta-se também como uma solução prática e ecologicamente sustentável para os agricultores de milho mais pobres em todo o mundo, permitindo-lhes aumentar os rendimentos e diminuir o uso de pesticidas.

Paraluman compartilhou a sua experiência na Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, em novembro de 2018, afirmando que o cultivo de milho Bt mudou a sua vida para melhor. Disse ter ganho paz de espírito e mais tempo para se dedicar a outras coisas, como cuidar da sua família e fazer trabalhos paralelos.

“Em dezembro de 2003, o milho Bt foi aprovado para comercialização e eu fui o primeiro agricultor a lançar as sementes na terra. A primeira vez que semeei milho Bt, fiquei tão impressionado que em sete hectares cultivados não vi nenhuma broca de milho”, lembrou. “Não tive mais danos no meu milho. Adotei o milho geneticamente modificado e isso mudou minha vida. Antes, a minha casa era muito pequena, mas agora é muito grande. Agora, tenho um bom rendimento, pelo que posso proporcionar à minha família coisas que antes não podia. Partilho a minha história com outros agricultores para que eles conheçam as vantagens desta tecnologia.”

Paraluman refutou alegações de que as culturas geneticamente modificadas causam problemas de saúde. “Não é verdade o que dizem e eu sou a prova disso, porque tenho cultivado e comido milho Bt nos últimos catorze anos e continuo forte e saudável”, observou. A adoção da tecnologia Bt tornou as Filipinas auto-suficientes na produção de milho”garantiu o agricultor. O país não importa mais milho e os agricultores planeiam exportar o excedente das colheitas.

Rhodora Aldemita, diretora do Centro Global de Conhecimento em Biotecnologia Agrícola do ISAAA, o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agro Biotecnológicas, disse que antes da adoção da tecnologia, os agricultores nas Filipinas registavam habitualmente uma perda da produção de milho para a broca na ordem de 30 a 50 por cento. “O problema da broca do milho nas Filipinas tinha um efeito devastador na produção”, disse Aldemita. “O custo do milho subiu porque éramos obrigados a importar, precisávamos de alimentos para o gado. Quando obtivemos a aprovação para cultivo [do milho transgénico], os agricultores começaram a semeá-lo em 2003. Os que adotaram a tecnologia passaram a palavra a outros agricultores porque verificaram que os benefícios eram enormes. A mensagem espalhou-se como fogo em mato seco. Já não é necessário fazer tantas pulverizações e o trabalho de gestão das culturas nos campos é mínimo.

“Atualmente, nas Filipinas, são mais de 400 mil os agricultores que trabalham com milho Bt. E “outros produtos Bt estão a caminho, como o algodão Bt, a beringela Bt e o arroz dourado”, disse Paraluman, esperando que esse dia não tarde. “A população nas Filipinas é de mais de 107 milhões e a nossa área cultivável está a diminuir. Por essa razão, a agricultura precisa de tecnologia moderna. Só assim poderemos cultivar e colher mais em menos menos terra”, acrescentou.

Este artigo foi escrito por Nkechi Isaac e publicado na Alliance for Science.

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Estudo | OGM podem mitigar impactos das alterações climáticas

As culturas de milho geneticamente modificado são mais produtivas que as variedades não trangénicas.

Novas investigações sugerem que os ganhos conseguidos pela utilização da engenharia genética na agricultura serão imprescindíveis para reduzir os efeitos das alterações climáticas. Os agricultores têm de produzir mais e com menos perdas para enfrentar esse enorme desafio.

Num estudo publicado há dias no jornal científico Environmental Research Letters, investigadores norte-americanos da Universidade de Cornell, em Nova Iorque, e da Universidade de Economia Agrícola, no Kansas, afirmam que o uso de novas tecnologias na agricultura pode ajudar a compensar as perdas que as alterações climáticas inevitavelmente irão causar na produção de alimentos no mundo inteiro, mas especialmente nas regiões onde essas tecnologias ainda são praticamente inexistentes.

As previsões indicam que os países da África e da Ásia serão os mais afetados pela mudança global das temperaturas e, mesmo assim, os governos desses países, “pressionados pela intensa oposição liderada por ativistas anti-OGM, continuam a hesitar adotar novas tecnologias de melhoramento de plantas”, lê-se num artigo da revista Alliance For Science sobre este estudo científico.

Afirmam os autores do estudo, Ariel Ortiz-Bobea, professor na Universidade de Cornell, e Jesse Tack, professor na Universidade do Kansas, que “apesar das previsões que apontam para um crescimento sustentado da produção de milho nos Estados Unidos, o negócio poderá estagnar, o que terá sérias implicações noutras culturas e noutros países”, uma vez que existem muitos países onde a adoção de tecnologia é escassa ou a produção de culturas transgénicas é pura e simplesmente proibida.

“Se os ganhos relativos de produtividade estimados nos Estados Unidos são um indicador do potencial das novas tecnologias se aplicadas a outras culturas e noutros países, então a produção de culturas transgénicas pode constituir uma estratégia de adaptação frutífera para contrabalançar os efeitos das mudanças climáticas”, concluem.

Leia o artigo na Alliance For Science AQUIe o estudo original publicado na Environmental Research Letters AQUI

  

OGM | Área cultivada com milho Bt em Portugal aumentou 3,6 % em 2017

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Gráfico | Área cultivada com milho geneticamente modificado em Portugal, de 2005 a 2017 (Imagem adaptada pelo CiB Portugal)

Área cultivada com milho geneticamente modificado Bt em Portugal aumentou 3,6 por cento em 2017

DGAV, APA, REA, 2018

“Em Portugal a área de milho geneticamente modificado totalizou 7.307,55 hectares em 2017, tendo sido a grande maioria desta área semeada na região do Alentejo, onde foi registada uma área total de 3.187,21 hectares.”, segundo o relatório da DGAV – Direcção Geral de Alimentação e Veterinária.

A área cultivada de milho Bt (resistente ao ataque de praga broca do milho) aumentou assim cerca de 3,6 por cento em relação a 2016, segundo relatório da APA Agência Portuguesa de Ambiente.

No seu relatório, a DGAV esclarece ainda que ao “nível da União Europeia apenas um único organismo geneticamente modificado está autorizado: o milho MON810. Atualmente está a ser produzido maioritariamente em Espanha e em Portugal.”. No contexto do cultivo de milho convencional e transgénico, em Portugal e em 2017, o total da área cultivada foi de 115.667 hectares, segundo a ANPROMIS – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo.

Na União Europeia, a área de cultivo de milho geneticamente modificado diminuiu em 2017 cerca de 3,5% face ao ano anterior, abrangendo 131 535 hectares, segundo a APA.

Os países que cultivaram milho Bt na União Europeia, em 2017, foram apenas Espanha e Portugal, uma vez que este o cultivo deste milho resistente ao ataque de insectos continua a ser fundamental para os agricultores de regiões específicas, nas quais existe uma elevada incidência de ataque de broca e consequente destruição das suas culturas.

A utilização deste tipo de milho traz benefícios económicos ao agricultor e ao ambiente, pois existe redução de aplicação de insecticidas, reduzindo o uso de tractores e consequentemente o uso de combustíveis fósseis (com diminuição de gases com efeito nas alterações climáticas). Existem ainda benefícios do uso de milho Bt para a saúde, pois as plantas resistentes ao ataque das lagartas não são feridas por estas, o que evita o desenvolvimento de fungos, que por sua vez produzem Micotoxinas, substâncias químicas as quais são cancerígenas, tanto para humanos como para animais.

 

MAIS INFORMAÇÃO

 

 

OGM | Milho Bt beneficia culturas biológicas e convencionais: Investigação de 40 anos de dados

Maçaroca de milho convencional com ataque de broca e fungos - CiB (2)

 

Investigação científica em OGM
Análise de 40 anos de dados:
Milho Bt beneficia culturas biológicas e convencionais

12 Março 2018 | Artigo científico PNAS

Uma meta-análise de dados de 40 anos de cultivo de milho Bt confirma que a utilização das variedades de milho geneticamente modificado contribuem para a grande redução de aplicação de insecticidas e beneficiam culturas vizinhas, tanto convencionais como biológicas (orgânicas), com redução dos impactos no meio ambiente, mas também na saúde de pessoas e animais.

O estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences – PNAS (ver referência em baixo) é uma análise de dados de 1976 a 2016 (40 anos), que compara os 20 anos anteriores e os 20 anos após a comercialização de milho Bt. Estudos anteriores tinham já demonstrado os benefícios da adopção de milho Bt ou de algodão Bt na redução de aplicação de insecticidas, para benefício económico dos agricultores e para uma melhor gestão de pragas. Contudo, este é o primeiro estudo a analisar os seus efeitos em culturas vizinhas.

 

Maçaroca de milho convencional com ataque de broca e fungos - CiB (1)
Legenda: Maçaroca de milho convencional afetada pela broca e infectada com fungos (que se instalam devido aos ferimentos provocados pelos insectos e produzem micotoxinas cancerígenas para animais e pessoas).

 

O milho Bt (exemplo na imagem em baixo) é geneticamente modificado para resistir a ataques de insectos, como a broca europeia, uma praga com incidência elevada em algumas em algumas regiões de Portugal e de outros países da Europa.  Visualise a imagem em cima e no topo que mostram maçarocas de milho convencional com praga da broca e fungos (que se instalam após o ataque do insecto e produzem micotoxinas cancerígenas para animais e pessoas). O milho Bt é cultivado em mais de 80 por cento das explorações agrícolas que produzem milho nos Estados Unidos da América.

 

Macaroca Milho Bt Mon810 (OGM) - FotoCiB
Legenda: Maçaroca de milho Bt geneticamente modificado para resistir ao ataque de broca

Os investigadores quantificaram os efeitos do milho Bt em campo. Os dados de monitorização mostram:

. A diminuição de actividade de insectos adultos (fase de traça ou borboleta nocturna);
. A diminuição de aspersão de insecticidas;
. A diminuição de danos noutras culturas, como: milho doce, pimentas e feijão verde.

Estes benefícios nunca tinham sido documentados e demonstram que as culturas Bt são ferramentas poderosas para reduzir populações de pragas, beneficiando também outras culturas vizinhas.

A segurança do milho Bt tem sido extensamente testada e tem sido comprovada, mas este estudo foca a sua eficácia na gestão de pragas e, em particular, os benefícios para outras culturas que não o milho Bt, explicou Dilip Venugopal, um dos autores deste estudo.

Outros dos autores, Galen Dively, explicou que “este é o primeiro trabalho publicado que mostra os benefícios paralelos noutras plantas hospedeiras da  broca europeia, uma praga severa para muitas culturas como o feijão verde e os pimentos”. E acrescentou “de facto observa-se mais de 90 por centro de supressão da população de broca europeia na nossa área para essas culturas, o que é incrível.”.

Há mais de 20 anos que os agricultores têm benefícios económicos pelo cultivo de variedades de milho GM, como referido por Brookes e Barfoot no seu relatório de 2017:  GM crops: global socio-economic and environmental impacts 1996-2015 (ver referência em baixo). Mas este artigo agora publicado na revista PNAS demonstra que o milho Bt traz ainda mais vantagens, pois promove a redução da aplicação de pesticidas e beneficia  as culturas vizinhas, tanto biológicas como convencionais.

Estas evidências demonstram que as críticas dos grupos anti-OGM, que afirmam que as culturas transgénicas aumentam o uso de pesticidas e são uma ameaça à agricultura biológica,  não fazem sentido.

INFORMAÇÃO ADICIONAL

Milho transgénico MON 810 sem efeitos adversos: Estudo de 1 ano sobre toxicidade

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Milho transgénico MON 810 sem efeitos adversos
– Estudo de 1 ano sobre toxicidade –

20 Julho 2016 | Journal “Archives of Toxicology”

Um estudo de investigação científica, de um ano, sobre alimentação de ratos com milho  geneticamente modificado MON810 indicou que não houve efeitos adversos induzidos por aquele milho transgénico naqueles animais. Os resultados foram publicados na revista científica “Archives of Toxicology”.

Este trabalho foi concretizado por uma equipa internacional de investigadores do projecto GRACE – GMO Risk Assessment and Communication of Evidence -, envolveu 19 entidades parceiras de 13 países Europeus e foi financiado pela Comissão Europeia. Os ensaios laboratoriais tiveram em consideração as orientações da Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

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Os resultados obtidos nesta investigação, com duração de um ano, mostraram que para um nível de presença de 33% de milho Mon810 na dieta fornecida aos animais, não houve efeitos adversos induzidos em fêmeas e machos de ratos denominados por “Wistar Han RCC. Este tipo de exposição é considerada como uma exposição crónica àquele milho MON810, o único milho geneticamente modificado cultivado actualmente no espaço da União Europeia.

Foram comparadas dietas que incluíram diferentes tipos de milho (milho  geneticamente modificado MON810, milho convencional seu homólogo ou outras variedades de milho convencional)  e foram estudados diferentes parâmetros relacionados com as rações e com os próprios ratos: análises da composição das rações fornecidas; monitorização do consumo das rações e do peso dos animais; observações  clínicas e oftalmológicas dos ratos; análises histopatológicas e ao peso de órgãos após autópsia.

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Vídeo TedX – Ser ou não ser OGM, heis a questão

Vídeo TedX
Ser ou não ser OGM, heis a questão
por Stefan Jansson

A engenharia genética de plantas (culturas geneticamente modificadas – GM ou transgénicas) é um tema controverso para o público em geral, apesar de os dados científicos disponíveis e acumulados desde há décadas indicarem que não existem motivos para a sua utilização ser considerada um risco maior para a saúde ou para o ambiente do que as culturas convencionais – ler mais aqui. Mas a legislação existente em muitos países Europeus proíbe o seu cultivo e a sua utilização (em Portugal é permitido o cultivo de milho bt geneticamente modificado para resistir ao ataque de pragas de insectos da broca). Se existem leis que as proíbem, então é importante definir o que são. Este vídeo explica a evolução da investigação biológica e a forma como a fronteira entre plantas GM e não-GM está a desaparecer.

O autor desta conferência TedX é Stefan Jansson, investigador e professor de biologia de células vegetais e molecular do Centre/Umeå University. A sua investigação inclui estudos sobre como as plantas usam a luz solar na fotossíntese. Utiliza ainda a genética e a genómica para estudar as variações naturais em árvores, em particular para saber como as árvores sabem quando chega o Outono. Jansson pertence à Academia Real das Ciências da Suécia e participa em inúmeros debates públicos sobre utilização de organismos geneticamente modificados (OGM) ou transgénicos.