Estudo | A maioria dos americanos acredita que OGM podem contribuir para aumentar a produção global de alimentos

Pew research center

Numa investigação realizada em 2019 para aferir a opinião dos cidadãos norte-americanos dobre os alimentos geneticamente modificados, o Pew Research Center revela que embora metade dos adultos norte-americanos desconfie dos efeitos, na saúde, dos OGM, muitos também vêem vantagens nesta tecnologia, entre as quais a capacidade de aumentar o fornecimento global de alimentos.

Segundo uma investigação do Pew Research Center, em Washington, nos EUA, a maioria dos cidadãos dos EUA têm opiniões contraditórias, no entanto, três quartos (74%) dos adultos inquiridos ​​consideram provável que os alimentos GM podem contribuir para aumentar a produção global de alimentos e 62% afirmam que os alimentos GE têm uma probabilidade muito alta de serem colocados no mercado a preços mais acessíveis.

Este estudo demonstra que as opiniões sobre os efeitos na saúde dos alimentos GM são agora (no estudo de 2019) mais positivas do que, por exemplo, no período entre 2016 e 2018. Ainda assim, metade dos adultos (51%) continua a pensar que os OGM são piores para a saúde humana do que os alimentos não OGM, enquanto 41% afirmam que os alimentos GM têm um efeito neutro na saúde. Apenas 7% referem que são melhores para a saúde do que outros alimentos.

A investigação de 2019 do Pew Research Center também mostra que os homens têm opiniões mais positivas sobre os alimentos GM do que as mulheres. Cerca de 58% das mulheres dizem que os alimentos geneticamente modificados são piores para a saúde e acreditam que têm pelo menos uma probabilidade razoável de provocarem problemas de saúde para a população e efeitos nocivos no ambiente.

Mais informações no Pew Research Center Fact Tank.

Informação adicional:

Homens mais positivos sobre alimentos GM, diz pesquisa

A maioria dos americanos aceita animais transgênicos para a saúde humana, estuda

Americanos divididos sobre ciência de alimentos

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NBTs | OGM e plantas editadas por CRISPR podem ajudar a evitar perdas nas colheitas no valor de 220 mil milhões de dólares anuais  

batata
A praga tardia é uma grande ameaça para a planta da batata. Crédito da imagem: Fry, Molecular Plant Pathology (2008) 

As doenças e as pragas são a maior ameaça para a agricultura. Causam custos económicos dramáticos e irrecuperáveis e colocam em risco a subsistência de agricultores em todo o mundo. Mas esse prejuízo pode ser minimizado substancialmente com a aplicação das Novas Técnicas de Melhoramento Genético de Plantas, como a edição do genoma (CRISPR) –  ou da já “velhinha” tecnologia dos OGM.

Segundo um artigo publicado no Genetic Literacy Project, assinado pelo economista Steven Cerier, “o CRISPR e os OGM podem ajudar a evitar perdas na produção agrícola no valor de 220 mil milhões de dólares, por ano”, graças ao seu poder de tornar as plantas resistentes a pragas e a doenças, o mal maior da agricultura.

Cerier aponta como exemplo de doença altamente destruidora a ferrugem. Causada por fungos, a devastou o Caribe e a América Central e Latina entre 2012 e 2015, resultando numa perda estimada em mil milhões de dólares. Também causado por um fungo, o oídio levou o estado norte-americano da Califórnia a gastar 239 milhões de dólares só na produção de uvas para o combater. E no Uganda, diz o autor, os prejuízos económicos anuais por causa da mirra da banana serão da ordem dos 200 milhões de dólares a 295 milhões de dólares.

A gravidade do problema já havia sido realçada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, que estimou que “a cada ano, as doenças de plantas custam à economia global cerca de 220 mil milhões de dólares.”

Felizmente, inovações tecnológicas na área da genética de plantas, como as Novas Técnicas de Melhoramento Genético (NBTs), em particular as ferramentas de edição do genoma (como, por exemplo, o CRISPR), estão a ganhar terreno no controlo das pragas e doenças que afetam as culturas. Também métodos de produção já estabelecidos, como a transgénese, usada para desenvolver culturas geneticamente modificadas (OGM), continuam a dar provas da sua capacidade na proteção das culturas contra pragas e doenças de um modo mais sustentável, garantindo mais rendimento para os agricultores.

Como salienta o autor, nos países em desenvolvimento, proteger as culturas com essas tecnologias pode ser a diferença entre uma colheita lucrativa e a fome. Saiba porquê no Genetic Literacy Project.

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Comunicado | Academias de Ciência da Europa acusam: “Leis da UE sobre OGM já não são adequadas”

PBi - Plant Breeding Innovation
Edição de genoma

Num comentário lançado pelo EASAC-Conselho Consultivo das Academias de Ciência da Europa, os Investigadores Principais europeus alertam que a atual legislação da EU para os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) já são desadequadas ao seu objetivo. Pedem, por isso, uma revisão radical do quadro jurídico, alegando que não usar as novas tecnologias de edição do genoma ou protelar a sua adoção acarreta um custo social grande. “Não temos tempo a perder na solução dos problemas de segurança alimentar e nutricional”, afirma Robin Fears, diretor do Programa de Biociências do EASAC.

Em 2018, o Tribunal de Justiça Europeu decidiu que as normas legais para os OGM também se aplicam a todos os organismos que foram alterados através da utilização de novas tecnologias de edição do genoma. Mas, como explica o professor Volker ter Meulen, presidente do Programa de Biociências do EASAC, “esta decisão dificulta o estudo, o desenvolvimento e o cultivo de variedades agrícolas melhoradas, necessárias e urgentes para uma agricultura produtiva, adaptada ao clima e mais sustentável”.

O EASAC salienta que, perante os desafios atuais – oferecer segurança alimentar e nutricional para todos, combater a desigualdade social e mitigar os efeitos das alterações climáticas -, as novas técnicas apresentam um enorme potencial para melhorar a saúde pública global.

A classificação atual de OGM não tem fundamento científico

O novo comentário do EASAC baseia-se em duas décadas de trabalho de investigação independente e apoia as recomendações recentes da Academia Nacional de Ciências da Alemanha, da União das Academias Alemãs de Ciências e Humanidades e da Fundação Alemã de Investigação (DFG).

A declaração destas três academias alemãs aponta oportunidades significativas das culturas produzidas com a tecnologia de edição do genoma, já comercializáveis em outros países, com benefícios para a nutrição e agricultura produtiva, com poucos pesticidas e conservadoras de recursos. Soja com ácidos gordos mais saudáveis, trigo com redução de glúten, batatas com vida útil mais longa, arroz resistente a bactérias, variedades de uvas resistentes a fungos, cacau, milho e trigo tolerantes à seca de milho e trigo são indicados como exemplos.

“Muito aconteceu desde a adoção da primeira legislação, há mais de 20 anos. Por isso, a revisão da legislação deve refletir as evidências científicas atuais para podermos enfrentar incertezas futuras. Ao mesmo tempo, precisamos de debater continuamente e de forma transparente as questões críticas, inclusive éticas, para que se estabeleça um clima confiança entre os investigadores e o público”, afirma Fears.

O Conselho Europeu já pediu à Comissão Europeia que esclareça as opções regulamentares e o EASAC vê nisso uma oportunidade a não perder para pedir uma reforma radical da legislação:

• A UE deve rever a definição de OGM. À semelhança das plantas modificadas com métodos convencionais de reprodução, os organismos editados pelo genoma não devem ser considerados OGM, a menos que contenham DNA de outras espécies. Além disso, combinações de informações genéticas que também podem ocorrer na natureza ou por métodos convencionais de reprodução não devem ser incluídas na classificação.

• A UE deve desenvolver um novo quadro jurídico que regule a característica e/ou o produto da planta e não a tecnologia usada no desenvolvimento desse produto. A avaliação da segurança deve aferir se os novos atributos da planta podem representar um risco para o meio ambiente e para a saúde humana, independentemente da tecnologia de melhoramento utilizada.

• De modo a fornecer ferramentas para futuras inovações nas práticas agrícolas, a Comissão Europeia deve reafirmar o seu apoio à ciência fundamental, aos ensaios de campo e à investigação sobre as consequências (sociais, económicas, ambientais, éticas e para a saúde) de produtos e cenários de aplicação de novos métodos moleculares.

Para a presidente do EASAC, Christina Moberg, “Um novo quadro legal transparente, flexível, proporcional e baseado em evidências contribuirá para fortalecer a competitividade e a bioeconomia, apoiará a inovação na Política Agrícola Comum e ajudará a União Europeia a alcançar os ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável “.

Comunicado  original, em inglês, aqui: file:///C:/Users/cibga/AppData/Local/Microsoft/Windows/INetCache/Content.Outlook/UQLMEKC3/EASAC_Genome-Edited_Plants_Web%20(004).pdf

 

Abaixo, o comunicado em português, traduzido pelo CiB-Centro de Informação de Biotecnologia:

 

A regulação da edição do genoma das plantas na União Europeia

Comentário do EASAC-Conselho Consultivo das Academias Europeias de Ciências sobre a declaração da Academia Nacional de Ciências Leopoldina da Alemanha (ANCL da Alemanha), da União das Academias de Ciências e Humanidades Alemãs e da Fundação Alemã de Investigação.

Introdução às Novas Técnicas de Melhoramento de Plantas (NBT)

A agricultura continua a enfrentar grandes desafios para oferecer segurança alimentar e nutricional num momento de pressões crescentes causadas pela desigualdade e instabilidade socioeconómica, pelo crescimento populacional, pelas alterações climáticas e pela necessidade de evitar mais perdas na biodiversidade dos ecossistemas.

Aumentar a produção de alimentos de forma mais sustentável requer o desenvolvimento de culturas que possam fazer um uso mais eficiente dos recursos limitados e contribuir significativamente para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Neste comentário, o Conselho das Academias Europeias de Ciências (EASAC) expressa total apoio à recente declaração da Academia Nacional de Ciências Leopoldina da Alemanha, da União das Academias de Ciências e Humanidades Alemãs e da Fundação Alemã de Investigação (Leopoldina et al. 2019) intitulada “Por uma regulamentação cientificamente diferenciada e justificada da edição do genoma de plantas”, preparada em resposta à decisão do Tribunal de Justiça Europeu (TJE) de 2018 (C-528/16). Analisamos também o significado da recente decisão do Conselho Europeu (Conselho da União Europeia, 2019) de solicitar à Comissão Europeia um esclarecimento sobre a situação das novas técnicas genómicas no que respeita às opções a seguir para atualizar a legislação existente.

As novas técnicas de melhoramento de plantas (NBT- New Breeding Tecniques) estão a emergir rapidamente graças aos avanços da investigação genómica. Estas técnicas  possibilitam introduzir no genoma alterações precisas, tendo um potencial significativo para a intensificação sustentável da agricultura quando usadas como parte do desenvolvimento de todas as abordagens disponíveis para alcançar a segurança alimentar e nutricional com base nas boas práticas agronómicas existentes.

Ao contrário da mutagénese induzida por produtos químicos ou por radiação, muitas vezes usada nas ferramentas tradicionais de melhoramento das culturas, as novas técnicas de melhoramento não criam mutações múltiplas, desconhecidas e não intencionais em todo o genoma.

Além disso, os produtos das NBT também diferem dos organismos geneticamente modificados (OGM) já usados na agricultura, porque são direcionados com maior precisão e não tendo DNA estranho nos seus produtos finais. Os avanços na tecnologia de edição do genoma de plantas também podem ajudar outras aplicações da bioeconomia, contribuindo, dessa forma, para a competitividade europeia (ver mais adiante).

As oportunidades científicas que se avizinham no domínio do melhoramento de plantas, para, por exemplo,  desenvolver uma agricultura mais resiliente ao clima e mais resistente aos stresses abiótico e biótico, foram examinadas anteriormente pelo Conselho Consultivo das Academias Europeias (EASAC 2017a, 2017b) e exploradas em detalhe na literatura científica (por exemplo na recente e bastante abrangente revisão de Bailey-Serres et al. 2019).

Decisão do TJE e recomendações da declaração alemã

Em 2018, o Tribunal de Justiça Europeu (THE) decidiu que os organismos obtidos através de novas tecnologias de edição do genoma são organismos geneticamente modificados (OGM), na aceção da Diretiva 2001/18/CE relativa à libertação de OGM no meio ambiente, estando sujeitos às mesmas obrigações estabelecidas na Diretiva para os OGM. Esta declaração do TJE tem causado controvérsia (ver, por exemplo, Holme et al. 2019) e os pressupostos desta decisão, com implicações para a ciência, inovação e regulamentação da EU, foram discutidos detalhadamente pelos investigadores e políticos, como por exemplo pelo GCSA-Grupo de Conselheiros Científicos da Comissão Europeia (2018). Na opinião do GCSA, à luz dos novos conhecimentos científicos a Diretiva para os OGM é desadequada, a abordagem atual não respeita adequadamente a motivação que está na base do princípio da precaução para garantir a segurança do produto, e a estrutura regulatória deve enfatizar as características do produto final e não a técnica de produção.

A recente declaração das instituições alemãs fornece uma avaliação detalhada da história dos métodos de melhoramento molecular na agricultura, das atuais abordagens regulatórias de investigação e inovação usadas em todo o mundo, com particular atenção para as questões de avaliação de segurança e proteção de propriedade intelectual. A declaração alemã também examina as consequências, em particular para o comércio mundial, decorrentes da falta de consistência nas abordagens regulatórias e dos problemas de verificabilidade do produto. Em resposta à decisão do TJE, Leopoldina et al. (2019) propõem uma série de recomendações para reformar a diretiva sobre os Organismos Geneticamente Modificados da EU, a qual levaria em consideração critérios científicos no processo de aprovação. Essa alteração da legislação exige ações acessórias para fortalecer a ciência e a competitividade na UE (ver Caixa 1).

Estas recomendações recentes, que incluem sugestões concretas para a alteração da diretiva dos organismos geneticamente modificados da EU, são consistentes com as mensagens do EASAC nas últimas duas décadas (EASAC 2004, 2011, 2013, 2015, 2017a, 2017b, 2018) e com outras iniciativas internacionais de desenvolvimento de políticas.

Aos exemplos internacionais que a declaração alemã cita para diferentes abordagens regulatórias fora da UE (e a probabilidade de crescente divergência), pode-se acrescentar os exemplos da Austrália e da Nova Zelândia. Nestes países, recomendações muito recentes da Autoridade para as Normas Alimentares (2019) incluem uma proposta para rever e modernizar definições no Código para os alimentos produzidos com a utilização da tecnologia genética, de modo a garantir que a regulamentação das novas técnicas de melhoramento seja proporcional ao risco que representam.

O desenvolvimento de opções estratégicas para a UE deve refletir o aumento do conhecimento científico e a experiência acumulada em todo o mundo, no uso de métodos moleculares modernos para entender a biologia vegetal. Importantes oportunidades são descritas na declaração alemã, entre as quais culturas editadas pelo genoma, já comercializáveis em outros países, que a presentam benefícios nutricionais e que são geradoras de uma agricultura mais produtiva, que conserva melhor os recursos e requer menos pesticidas. A par disso, há uma necessidade coletiva para se fazer mais para se entender a diversidade genética naturalmente existente dentro de uma espécie. Embora o genoma nuclear seja compartilhado por todas as variedades de uma espécie, duas variedades de uma mesma espécie podem diferir na sequência de determinados genes de tal forma que possam existir mais diferenças, e mais significativas, entre duas variedades convencionais do que entre uma variedade convencional e a sua contraparte editada.

Neste breve comentário, o EASAC defende as recomendações resumidas na Caixa 1 e aproveita a oportunidade para atualizar e reiterar algumas das nossas mensagens anteriores.

Implicações globais

Ao refletir sobre as opções políticas, é de crucial importância levar em consideração as mudanças no mundo e os avanços científicos. As reformas da UE na regulamentação do melhoramento de plantas são urgentemente necessárias para que os objetivos de inovação da UE sejam atingidos, incluindo os da Política Agrícola Comum, do Acordo Verde e da bioeconomia. Também se deve ter em conta que as decisões políticas da UE têm implicações muito significativas em outras partes do mundo. Veja-se o que sucedeu no passado com a regulamentação excessiva dos OGM na UE e o seu impacto negativo na ciência e na inovação nos países em desenvolvimento, que temiam pelos seus mercados de exportação e estavam inclinados a procurar a UE para expressar liderança em investigação e desenvolvimento. O bloqueio da UE ao acesso à inovação nos países em desenvolvimento pode ser entendido como um enfraquecimento das políticas de desenvolvimento da UE, com o objetivo de criar uma cooperação internacional em ciência e tecnologia. No resto do mundo, estes problemas de segurança e sustentabilidade alimentar e nutricional criados pelas decisões da UE são agravados pelas exportações e pela falta de sustentabilidade agrícola da EU (EASAC, 2013, 2017b), em parte por não empregar no seu território todas as tecnologias disponíveis promotoras da intensificação de uma agricultura sustentável.

Tendo em conta os problemas crescentes associados, por exemplo, às alterações climáticas, é vital que as ações da UE levem em conta as nossas responsabilidades no contexto global para que não repetirmos os erros passados ao não capitalizarmos os avanços nas biociências.

Políticas desconexas

Além da desconexão observada acima entre os objetivos da política de desenvolvimento da UE para a colaboração científica e tecnológica e as consequências de uma política de OGM super regulamentada e inconsistente, o EASAC enfatizou anteriormente (EASAC 2013, 2018) outras contradições que prejudicam o desejo da UE por uma estratégia coerente para enfrentar os principais desafios da sociedade. Essas contradições incluem aquelas entre:

  • A liderança da Comissão Europeia no apoio à ciência e os impedimentos regulatórios à inovação, sentidos mais fortemente na academia e nas pequenas e médias empresas. Os cidadãos da UE são mal servidos se a sua contribuição para o financiamento de ciência de ponta não os beneficiar do conhecimento gerado.
  • Os objetivos de produtividade da EU para a agricultura resiliente ao clima (para a saúde do planeta), que também protege a saúde humana, e as dificuldades práticas no uso de todas as tecnologias apropriadas para responder às alterações climáticas.
  • Os objetivos ambientais da agricultura da UE para reduzir a aplicação externa de produtos químicos (fertilizantes, pesticidas e herbicidas) e os impedimentos para identificar e criar novas variedades de culturas que exigem menos aplicação desses produtos químicos. O Ano Internacional da Saúde Vegetal das Nações Unidas em 2020 é particularmente relevante para reafirmar a contribuição que o melhoramento de plantas pode dar à saúde vegetal e planetária. A UE poderia estar na linha da frente na redução global do uso de pesticidas e fertilizantes e na mitigação do impacto das alterações climáticas na produção sustentável de alimentos.
  • A prática atual da UE de importar alimentos e rações geneticamente modificados que não são aprovados para cultivo em território da EU tem consequências que são contrárias às aspirações da UE de reduzir os “quilómetros alimentares” [distância que os alimentos percorrem desde o ponto de produção até ao consumidor final]. A menos que a resposta da EU às alterações climáticas inclua o desenvolvimento de uma agricultura resiliente ao clima, pode-se prever que a EU precisará de importar mais alimentos e rações. E é provável que uma proporção crescente dessas matérias resulte do cultivo de variedades obtidas com as novas técnicas de melhoramento em outras partes do mundo.

Questões éticas e proporcionalidade

O EASAC salientou anteriormente (EASAC, 2017a) que existe uma obrigação moral de combater doenças e aliviar o sofrimento. Na medida em que as tecnologias de edição do genoma fornecem ferramentas úteis para alcançar esses objetivos, usá-las tarde demais ou nem sequer usá-las acarreta um “custo de oportunidade” (custo que incorre por não se usufruir do benefício associado à melhor opção alternativa), ainda mais se forem mais seguras, mais eficazes e mais baratas do que as tecnologias alternativas.

Problemas éticos são levantados por valores conflituantes, por interesses que levam a direções diferentes. Quando existe um choque entre os interesses ou valores (isto é, quando certos valores ou interesses só podem ser alcançados à custa de outros), são os princípios de devem orientar a tomada de decisão. Dois desses princípios com implicações para a questão específica do melhoramento de plantas são o da precaução e o da proporcionalidade.

Se o princípio da precaução implicar ‘não fazer nada se houver riscos desconhecidos’, isso travará o progresso, além de que não fazer nada também implica riscos (EASAC, 2015). Mas se significa ‘agir com cautela’ é preciso clarificar o que isso representa na pratica. A segurança é obviamente importante, mas também os benefícios. Uma possibilidade é dizer: ‘aja de acordo com o princípio da proporcionalidade’. O princípio da precaução, se estritamente interpretado, exige que o trabalho seja interrompido se houver incertezas sobre os riscos envolvidos e coloca o ónus da prova de segurança sobre aqueles que desejam promover uma mudança. Mas o princípio da proporcionalidade é mais aberto, nas suas quatro condições (Hermeren, 2012), as quais podem ser discutidas, avaliadas, argumentadas e aplicadas a todo o momento à luz das evidências atuais. Podem então ser tomadas decisões, que depois poderão ser alteradas se as evidências científicas e o cenário mudarem:

  1. Importância do objetivo – o objetivo pretendido, teórico ou prático, deve ser importante.
  2. Relevância dos meios – os meios devem permitir ou pelo menos ajudar a alcançar a meta.
  3. Opção mais favorável – não há outros meios menos controversos ou arriscados para alcançar o(s) objetivo(s).
  4. Contenção – os meios utilizados não devem ser excessivos em relação ao objetivo pretendido, o que requer análise, argumento e interpretação.

Isso sugere uma abordagem, denominada governança, implicando ou encorajando uma visão geral contínua dos processos à luz de evidências e valores alterados dentro de restrições impostas, por exemplo, pelo respeito aos direitos humanos. No entanto, a experiência dos membros do Painel para os OGM da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (Casacuberta e Puigdomenech, 2018) indica que houve uma redução na flexibilidade dos procedimentos de avaliação de riscos para aplicações de culturas OGM, mesmo enquanto a base de evidências aumentou em todo o mundo (incluindo evidências substanciais de ausência de dano). Sob essa perspetiva, é urgente fazer uso do princípio da proporcionalidade ao introduzir reformas para fortalecer o uso de evidências científicas e combater incertezas futuras.

Estas questões estão a ser alvo de uma considerável atenção dos Estados-Membros e da Comissão Europeia.  Por exemplo, o parecer publicado em França pelo Comité de Ética do INRA (2016) forneceu uma perspetiva importante sobre o vínculo entre considerações agrícolas e ambientais. O Grupo Europeu de Ética (EGE) em Ciência e Novas Tecnologias organizou recentemente uma mesa redonda sobre edição do genoma, incluindo aplicações em plantas (EGE, 2019), e a discussão foi claramente polarizada. Num contexto em que o conhecimento é contestado, continua a ser importante levar em consideração as perceções do público quando se definem políticas nessa área (ver a próxima secção) e o próximo parecer a ser publicado pelo Grupo Europeu de Ética deverá contribuir significativamente para catalisar uma discussão adicional.

Opinião Pública

A discussão pública sobre as variedades OGM tendeu a substituir outras discussões muito importantes sobre segurança alimentar, sistemas agrícolas, concorrência justa, justiça social, o poder económico de empresas multinacionais e o aparente conflito entre proteção da propriedade intelectual e distribuição de benefícios (EASAC, 2013). Se os diferentes valores públicos são melhor compreendidos como parte das tentativas para os reconciliar e se queremos evitar repetir os mesmos erros no envolvimento do público nas questões relacionadas com a edição do genoma, os múltiplos determinantes de cada controvérsia precisam de ser mais transparentes. Também é de vital importância aprender lições da história: uma consequência inadvertida da legislação da UE sobre OGM e os altos custos inerentes à busca de aprovação regulatória aumentaram o monopólio multinacional das empresas no modelo agrícola comercial. A declaração da Leopoldina et al. (2019) destaca a importância de aumentar a concorrência no mercado, visando incentivos para empresas mais pequenas. A concorrência também pode ser aprimorada pela exploração adicional das opções para proteger os direitos de propriedade intelectual, a fim de levar em consideração os problemas de manutenção da coexistência entre direitos e patentes de criadores (EASAC, 2013). Os Direitos dos Obtentores de Variedades Vegetais [Plant Breeders Rights] fornecem um sistema bem testado, no qual os melhoradores de plantas podem garantir retornos financeiros com a libertação de uma variedade bem-sucedida, sem comprometer os futuros benefícios sociais para outros e que possam resultar de mais aprimoramentos genéticos.

Não é objetivo deste breve comentário discutir detalhadamente as diferentes perceções do público sobre a edição do genoma de plantas, mas vale a pena ressalvar que segundo investigações públicas no Reino Unido, solicitadas em nome da Royal Society (van Mil et al. 2017)*, existe um significativo apoio público a esta tecnologia. Por exemplo, 77% dos inquiridos apoiam o uso da edição do genoma para evitar perdas por doenças fúngicas nas culturas, 70% para enriquecer as culturas do ponto de vista nutricional como forma de suplementar dietas pobres e 69% para a biossíntese de medicamentos mais baratos. Claro que para esta expressão significativa de aprovações foram determinantes algumas condições: o uso da edição do genoma deve ser parte de um pacote de soluções, com acesso equitativo, sem danos para o meio ambiente, informações acessíveis ao público, regulamentação eficaz e orientação ética.

A julgar pela iniciativa liderada pelos Países Baixos e pela Estónia e levada a cabo em 14 países, pode-se inferir que a opinião pública em muitos Estados-Membros da UE está disposta a considerar os benefícios da edição do genoma de plantas. Na sequência da decisão do TJE, o ministério da agricultura holandês e de outros países apelam à revisão das leis para os OGM, concretamente as partes referentes às novas técnicas de melhoramento, observando também que os organismos obtidos por mutagénese são utilizados na agricultura há muitos anos e têm um longo registro de segurança **. Como enfatizado recentemente pelo ex-comissário de saúde da UE, Vytenis Andriukaitis***, é necessário continuar o diálogo com todos os setores da sociedade e repensar a atual política para as novas tecnologias de melhoramento, ‘mas esse diálogo não deve ser mantido prejudicando o desenvolvimento da ciência e da inovação.

Na opinião do EASAC, não é necessário focar o diálogo no valor das tecnologias de edição de genoma ou nos OGM, porque esse valor já é demonstrável, é necessário sim debater como é que o valor dessas tecnologias pode ser obtido pela UE e como é que a UE pode contribuir para alcançar a segurança alimentar e nutricional global.

Outras aplicações das Novas tecnologias de Melhoramento de Plantas

A agrobiotecnologia, incluindo a edição do genoma, pode contribuir para a bioeconomia. Além da segurança alimentar e nutricional, pode ajudar as próximas gerações a alcançar a tão desejada bioenergia e biossíntese de medicamentos, outros produtos químicos de alto valor e os blocos químicos para a síntese industrial de produtos renováveis (ver, por exemplo, Tatsis e O’Connor, 2016; Liu et al. 2017; Mortimer, 2019; Najera et al. 2019).

* Esta investigação abrangeu um amplo foco geográfico, além de um inquérito quantitativa on-line (n = 2.000) para validar os resultados.

**14 países da UE pedem uma ‘abordagem unificada’ para a edição do genoma em plantas, http://www.euractiv.com, 24 de maio de 2019.

*** Andriukaitis: a Europa deve liderar a inovação em plantas baseada na ciência, http://www.eurativ.com, 4 de dezembro de 2019.

 

Resumo das mensagens do EASAC

O EASAC apoia a declaração da Academia Nacional de Ciências Leopoldina da Alemanha (Leopoldina et al. 2019) e reitera as principais recomendações do trabalho anterior do EASAC (2015, 2018) sobre as novas tecnologias de melhoramento:

  • Os produtos resultantes de novas tecnologias e o seu uso e produtos – não a própria tecnologia – devem ser avaliados com base em evidências científicas.
  • Os custos potenciais de não usar uma nova tecnologia, ou protelar a sua adoção, devem ser reconhecidos. Não há tempo a perder na resolução dos problemas de segurança alimentar e nutricional na Europa.
  • Se um produto de edição do genoma não tiver DNA estranho, não deve ser enquadrado na legislação dos OGM.
  • De uma maneira mais ampla, deve haver total transparência na divulgação do processo utilizado para o melhoramento vegetal e a UE deve procurar regulamentar a característica e/ou o produto, em vez da tecnologia usada no desenvolvimento desse produto. Ou seja, ao considerar questões de segurança, o foco deve ser este: avaliar se as características introduzidas na planta podem representar um risco para o meio ambiente ou para a saúde humana, independentemente da tecnologia de melhoramento aplicada.
  • A Comissão Europeia deve continuar a comprometer-se a apoiar a investigação fundamental em ciência das plantas de modo a fornecer ferramentas e outros recursos para futuras inovações no melhoramento de plantas e práticas agrícolas.
  • Também é necessário um amplo envolvimento na discussão de questões críticas, inclusive éticas, para construir confiança entre investigadores e a sociedade em geral.

O EASAC encaminhou estas mensagens para a Comissão Europeia, para o Conselho e Parlamento Europeu e para os deputados parlamentares dos Estados-Membros. O pedido do Conselho Europeu à Comissão Europeia para que esclareça as opções para atualizar a legislação pode ser interpretado, por alguns, apenas como uma análise de como lidar com produtos nos quais o método utilizado para a alteração molecular não pode ser detetado, mas, na nossa opinião, isso seria uma oportunidade perdida. O pedido dos Estados-Membros deve ser visto como um convite à Comissão Europeia para definir as opções estratégicas para a inovação e as responsabilidades agrícolas da UE num contexto internacional mais amplo, levando à reabertura da Diretiva 2001/18 / CE.

O EASAC reafirma a importância de implementar reformas radicais e insta as instituições da UE a explorarem as opções recomendadas pela Leopoldina et al. (2019) e outras instituições:

  • Primeiro, rever a definição/isenções de OGM de modo a permitir que a UE capitalize as oportunidades da edição do genoma no melhoramento de plantas.
  • Em segundo lugar, desenvolver um novo enquadramento jurídico, que se concentre em características e não em processos.

É necessária uma reforma urgente: se não for estabelecido, em breve, um novo quadro regulatório flexível e proporcional com base em evidências científicas, são poucas as perspetivas de que a inovação agrícola possa realizar todo o seu potencial para se alcançarem as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030 ou de a UE manter a competitividade internacional.

Reconhecimentos

Agradecemos aos membros do Conselho o seu apoio ao desenvolvimento deste comentário, expresso na reunião do EASAC em Zagreb, em novembro de 2019. Também agradecemos a especialistas individuais os seus conselhos, aos Grupos de Trabalho anteriores do EASAC (em particular, do EASAC 2013, 2017b) e à Direção do Painel de Biociências do EASAC. O comentário foi redigido pelo Diretor e Presidente do Programa de Biociências. O comentário foi redigido pelo Diretor e Presidente do Programa de Biociências.

Referências

Bailey-Serres J, Parker JE, Ainsworth EA, Oldroyd GED e Schroeder JI (2019). Genetic strategies for improving crop yields. Nature 575, 109–118.

Casacuberta JM e Puigdomenech P (2018). Proportionate and scientifically sound risk assessment of gene-edited plants. EMBO Reports 19, e46907.

Council of the European Union (2019). Council decision requesting the Commission to submit a study in light of the Court of Justice’s judgement in Case C-528/16 regarding the status of novel genomic techniques under Union law, and a proposal, if appropriate in view of the outcomes of the study. 12781/19.

EASAC (2004). Genomics and crop plant science in Europe. EASAC policy report 2.

EASAC (2011). Plant genetic resources for food and agriculture: roles and research priorities in the European Union. EASAC policy report 17.

EASAC (2013). Planting the future: opportunities and challenges for using crop genetic improvement technologies for sustainable agriculture. EASAC policy report 21.

EASAC (2015). New breeding techniques. EASAC statement.

EASAC (2017a). Genome editing: scientific opportunities, public interests and policy options in the European Union. EASAC policy report 31.

EASAC (2017b). Opportunities and challenges for research on food and nutrition security and agriculture in Europe. EASAC policy report 34.

EASAC (2018). EASAC and the new planting techniques. Ver  https://easac.eu/fileadmin/PDF_s/reports_statements/Genome_ Editing/EASAC_and_New_Plant_Breeding_Techniques_ July_2018_final.pdf.

EGE (2019). Open round table on the ethics of gene editing. European Commission.

Food Standards Authority (2019). Final report: Review of food derived using new breeding techniques. http://www.foodstandards. gov.au/consumer/gmfood/Documents/NBT%20Final%20 report.pdf.

Group of Chief Scientific Advisors (2018). A scientific perspective on the regulatory status of products derived from gene editing and the implications for the GMO Directive. European Commission.

Hermeren G (2012). The principle of proportionality revisited: interpretations and applications. Medicine, Health Care and Philosophy 15, 373–382.

Holme IB, Gregersen PL and Brinch-Pedersen H (2019). Induced genetic variation in crop plants by random or targeted mutagenesis: convergence and differences. Frontiers in Plant Science 10, 1468.

INRA (2016). Avis 11 sur les nouvelles techniques d’amelioration genetique des plantes. Comite consultatif commun d’ethiique Inra-Cirad-Ifremer.

Leopoldina et al. (2019). Towards a scientifically justified, differentiated regulation of genome edited plants in the EU. German National Academy of Sciences Leopoldina, the Union of the German Academies of Sciences and Humanities and the German Research Foundation.

Liu X, Wu S, Xu J, Sui C and Wei J. (2017). Application of CRISPR/Cas9 in plant biology. Acta Pharmaceutica Sinica B 7, 292–302.

Mortimer JC. (2019). Plant synthetic biology could drive a revolution in biofuels and medicine. Experimental Biology and Medicine 244, 323–331.

Najera VA, Twyman RM, Christou P and Zhu C. (2019). Application of multiplex genome editing in higher plants. Current Opinion in Biotechnology 59, 93–102.

Tatsis EC and O’Connor SE. (2016). New developments in engineering plant metabolic pathways. Current Opinion in Biotechnology 42, 126–132.

van Mil A, Hopkins H and Kinsella S. (2017). Potential uses for genetic technologies: dialogue and engagement research conducted on behalf of the Royal Society. Royal Society.

O EASAC

O EASAC-Conselho Consultivo de Ciências das Academias Europeias – é formado pelas academias nacionais de ciências dos Estados-Membros da EU, permitindo que colaborem entre si na assessoria aos deputados europeus. Deste modo, é um meio de propagação da voz da ciência europeia. O EASAC foi fundado em 2001 na Academia Real Sueca de Ciências. A sua missão reflete a visão das academias de que a ciência é central para muitos aspetos da vida moderna e que uma apreciação da dimensão científica é um pré-requisito para a elaboração de políticas inteligentes.

Essa visão já sustenta o trabalho de muitas academias a nível nacional. Com a crescente importância da União Europeia como uma arena política, as academias reconhecem que as suas funções consultivas precisam de ultrapassar fronteiras para alcançar um nível europeu. Este é mais um caso de que um agrupamento transeuropeu pode ser mais eficaz do que um organismo de um único país. As academias europeias formaram o EASAC para poderem falar a uma só voz e, dessa forma, integrar a ciência nas políticas da EU.

Através do EASAC, as academias trabalham em conjunto para oferecer consultoria independente, especializada e baseada em evidências, sobre os aspetos científicos da política pública para aqueles que fazem ou influenciam políticas nas instituições europeias.

Com base nas redes de associações e academias, o EASAC acede ao melhor do trabalho científico europeu. As suas opiniões são independentes de interesses comerciais ou políticos e os seus processos são abertos e transparentes. O EASAC tem como objetivo fornecer conselhos que sejam compreensíveis, relevantes e oportunos.

O EASAC abrange todas as disciplinas científicas e técnicas e os seus especialistas são oriundos de todos os países da União Europeia. O seu financiamento provem das suas Academias-membros e dos contratos com entidades interessados. Não tem patrocinadores comerciais ou de negócios.

Entre as atividades do EASAC, incluem-se estudos substantivos dos aspetos científicos de assuntos políticos, revisões e conselhos sobre documentos de políticas específicas, workshops destinados a informar os fazedores de políticas ou a identificar o pensamento científico atual sobre as principais questões políticas e declarações breves e oportunas sobre assuntos específicos.

O EASAC é constituído por 29 membros individuais – cientistas altamente experientes, nomeados pelas academias de ciências dos Estados-Membros da UE, pela Academia Europeia e pela ALLEA, estando também representadas as academias de ciências da Noruega, Suíça e Reino Unido. O Conselho é apoiado por um Secretariado profissional sedeado na Leopoldina, a Academia Nacional de Ciências da Alemanha, em Halle (Saale), e por um gabinete em Bruxelas sedeado nas Academias Reais de Ciências e Artes da Bélgica. O Conselho define o início dos projetos, nomeia membros de grupos de trabalho, revê as versões preliminares e aprova os relatórios para publicação.

Para saber mais sobre o EASAC visite o site – http://www.easac.eu – ou entre em contacto com o Secretariado do EASAC em secretariat@easac.eu

Secretariado do EASAC  

Deutsche Akademie der Naturforscher Leopoldina

German National Academy of Sciences Postfach 110543

06019 Halle (Saale) Germany

tel +49 (0)345 4723 9833

fax +49 (0)345 4723 9839 secretariat@easac.eu

Gabinete do EASAC em Bruxelas

Royal Academies for Science and the Arts of Belgium (RASAB)

Hertogsstraat 1 Rue Ducale

1000 Brussels

Belgium

tel +32 (2) 550 23 32 brusselsoffice@easac.eu

 

 

 

 

OGM | Acredite ou não, estes alimentos são naturalmente transgénicos

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Alguma vez comeu bananas e batatas doces ou bebeu chá e cerveja? Surpresa!!! Então já ingeriu alimentos geneticamente modificados. Até podiam ser de produção biológica, que para o caso não importa pois esses são naturalmente transgénicos. Saiba porquê, neste texto publicado na revista Forbes

Um novo estudo revela que muitos alimentos comuns, incluindo cerveja e chá, acabam por ser OGM “naturais”.

Embora ninguém tenha encontrado nenhuma evidência de que os organismos geneticamente modificados (OGM) sejam prejudiciais, os ativistas anti-OGM têm feito campanha contra eles durante anos, com considerável sucesso. A partir deste escrito, 19 dos 28 países da União Europeia votaram pela proibição ou restrição severa de plantas geneticamente modificadas, e muitos outros países impõem proibições similares.

Mas, segundo Steven Salzberg, Professor de Engenharia Biomédica, Ciência da Computação e Bioestatística da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, “todas essas restrições podem ser em vão, porque a natureza chegou lá primeiro.” Isto porque muitos alimentos comuns já foram geneticamente modificados por uma bactéria chamada Agrobacterium.

Só para ter uma ideia, entre os alimentos naturalmente transgénicos estão a banana (Musa acuminata), a cerveja (Humulus lupulus), os arandos (Vaccinium macrocarponium), o diospiro (Diospyros lotus), a goiaba (Psidium guajava), os amendoins (Arachis hypogaea), o pomelo (Citrus maxima), a cereja Suriname (Eugenia uniflora), a batata doce (espécie Ipomoea), o chá (Camellia sinensis, usado para a maioria dos chás), as nozes (espécie Juglans) e o inhame (Dioscorea alata).

Ficou assustado? Não há razões para isso. Os OGM são perfeitamente seguros. Saiba porquê neste texto publicado na Forbes, escrito por Steven Salzberg, Professor de Engenharia Biomédica, Ciência da Computação e Bioestatística da Universidade Johns Hopkins, nos EUA.

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Biossegurança | Filipinas aprova arroz dourado

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Após uma rigorosa avaliação de biossegurança, o arroz dourado foi considerado tão seguro quanto o arroz convencional pelo Departamento de Agricultura das Filipinas. Este País junta-se assim ao grupo restrito de Países que afirmaram a segurança do GR2E na alimentação humana, na produção de rações para animais e no processamento de produtos alimentares.

A aprovação do arroz dourado como alimento para pessoas e animais nas Filipinas surge poucas semanas depois de o Bangladesh ter anunciado publicamente estar a preparar-se para ser o primeiro País no mundo a autorizar a produção do arroz geneticamente modificado para conter um aporte nutricional de betacaroteno, que depois se converterá não tão necessária em vitamina A.

Esta aprovação de biossegurança do arroz dourado é o mais recente marco regulatório na longa jornada para desenvolver e implementar o arroz dourado nas Filipinas e, graças a ela, o País irá dispor de “uma solução muito acessível para o grave problema de carência de vitamina A que afeta as crianças em idade pré-escolar e as mulheres grávidas no nosso País”, congratulou-se o diretor executivo do Instituto de Investigação do Arroz nas Filipinas, John de Leon.

De salientar que, apesar do sucesso das intervenções de saúde pública, nomeadamente ao nível da suplementação oral, da alimentação complementar e da educação nutricional da população filipina, a deficiência de vitamina A nas crianças entre os seis meses e os cinco anos de idade aumentou de 15,2% em 2008 para 20,4% em 2013. O arroz dourado agora aprovado fornece entre 30% a 50% da necessidade diária de betacaroteno estimada para as crianças pequenas e mulheres grávidas.

O passo seguinte é a realização de análises sensoriais, que finalmente irão responder à pergunta “Qual é o sabor do arroz dourado?”, a que se seguirá, para concluir o processo regulatório de biossegurança, a aprovação para comercialização antes que possa ser disponibilizado ao público.

Com esta medida, as Filipinas juntam-se a um grupo restrito de países, como a Austrália, Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos, que publicaram avaliações positivas de segurança alimentar do Arroz Dourado.

Saiba mais aqui e aqui.

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Lançamento | História do arroz dourado em livro

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No seu mais recente livro, The Imperiled Birth of a GMO Superfood, o filósofo e escritor de ciência norte-americano acaba de lançar Ed Regis conta a história de como a produção do arroz dourado foi atrasada ​​e repetidamente prejudicada por um conjunto de diretrizes impostas pelos governos e sabotada por ativistas anti-OGM nos próprios Países onde o arroz com betacaroteno é mais necessário.

Por ano, cerca de um milhão de pessoas que sobrevivem do arroz ficam cegas ou morrem por deficiência de vitamina A. O arroz comum é pobre em nutrientes, sendo composto por pouco mais do que hidratos de carbono. Mas, o arroz dourado, desenvolvido por investigadores europeus no fim da década de 90 com o objetivo de combater esse problema, foi geneticamente modificado para fornecer betacaroteno, um nutriente essencial que falta ao arroz branco e que é convertido em vitamina A no corpo.

Sucede que vinte anos depois de ter sido desenvolvido, este alimento que tem o potencial de salvar vidas, ainda não chegou às populações que mais precisam dele, sobretudo na Índia, China, Bangladesh (este País já anunciou que deverá ser o primeiro a autorizar a produção de arroz dourado, em 2021) e no sul e sudeste da Ásia, onde dezenas de milhões de pessoas ficaram cegas ou morreram.

Os defensores do arroz dourado afirmam que o atraso de vinte anos na sua introdução no mercado é um crime contra a humanidade. Já os opositores contestam que o produto é uma “farsa”, “ouro de tolos” e “propaganda para a indústria de engenharia genética”.

No seu mais recente livro The Imperiled Birth of a GMO Superfood, o filósofo, educador e escritor de ciência norte-americano Ed Regis, argumenta que “o arroz dourado é o Organismo Geneticamente Modificado mais controverso, difamado e incompreendido do mundo”. O autor conta a história de como o desenvolvimento, o crescimento e a distribuição do arroz dourado foram atrasados ​​e repetidamente prejudicados por um conjunto complexo, porém ultrapassado, de diretrizes e regulamentos operacionais impostos pelos governos e sabotados por ativistas anti-OGM nos próprios Países onde o arroz com betacaroteno é mais necessário.

Leia aqui um excerto de The Imperiled Birth of a GMO Superfood, publicado na Foreign Policy.

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Arroz dourado | Bangladesh vai ser o primeiro País a aprovar plantação de arroz com vitamina A

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Uma porção de arroz dourado contém vitamina A e metade do betacaroteno que as crianças precisam diariamente.
FOTO: ISAGANI SERRANO / CPS / IRRI FOTO / FLICKR / CC BY-NC-SA

O arroz geneticamente modificado, também conhecido por arroz dourado, ajuda a prevenir a cegueira e a morte infantil, em particular nos Países em desenvolvimento e, mesmo assim, foram precisos 20 anos para ser aprovado. O primeiro País a autorizar a sua plantação vai ser o Bangladesh, onde a taxa de mortalidade infantil por cada mil nados vidos é de 26,13 e a carência de vitamina A afeta 21% das crianças.

Uma porção de arroz dourado contém a vitamina A e metade do betacaroteno que as crianças precisam diariamente. Além de causar cegueira infantil, a falta de vitamina A pode provocar morte precoce por doenças infeciosas, como o sarampo.

É o aporte nutricional que confere ao arroz dourado os benefícios que o tornaram mundialmente famoso. Ora aplaudido, ora criticado nas primeiras páginas dos jornais, o arroz geneticamente modificado esteve sempre rodeado de polémicas, gerando discussões acesas quanto à sua segurança alimentar, desde que foi desenvolvido nos anos 90 pelos investigadores alemães Ingo Potrykus e Peter Beyer para combater a deficiência de vitamina A.

Em colaboração com a multinacional agroquímica Syngenta, estes investigadores “criaram” o arroz dourado equipando as plantas com genes de betacaroteno do milho e doaram-nas a institutos públicos agrícolas, abrindo, dessa forma, caminho a outros investigadores para produzirem os genes do arroz dourado em variedades que se adaptam às necessidades, gostos e condições de produção locais.

Vinte anos e muitas controvérsias depois, o Bangladesh está prestes a tornar-se o primeiro País a produzir arroz dourado. A versão de arroz dourado que está em análise no Ministério do Ambiente desde 2017, onde um Comité Central de Biossegurança, formado por oito cientistas, analisa os riscos ambientais envolvidos no cultivo do arroz dourado, como o potencial da planta tornar-se uma erva daninha, bem como a segurança alimentar do produto, foi criada no Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (IRRI), em Los Baños, nas Filipinas. Os genes modificados foram criados a partir de uma variedade de arroz chamada dhan 29, muito comum no País e que representa 14% da colheita nacional.

Com uma taxa de mortalidade nas crianças de 26,13 (por cada mil nados vivos) e de carência de vitamina A, também nas crianças, de 21%, o Bangladesh não vê a hora de fazer chegar aos seus agricultores as sementes de arroz dourado para plantação. Se tudo correr como previsto, será até 2021.

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Leia o artigo original na Science.

OGM|Quais os custos da inovação?

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Antes de chegarem ao mercado, as culturas geneticamente modificadas são submetidas a um processo de avaliação de segurança rigoroso e bastante oneroso. Clique no link abaixo para saber quanto custa introduzir uma nova variedade GM e que caminhos percorre antes de ser aprovada.

https://www.europabio.org/sites/default/files/INFOGRAPHIC_PRICING_INNOVATION_OUT_PT_v2.pdf

Agricultura | Auto suficiência em risco na UE

Agricultura na UE

Se não adotar rapidamente as novas biotecnologias de precisão, a União Europeia (UE) coloca em risco a sua produção agrícola, ficando totalmente dependente da importação de alimentos. O alerta é da Associação Francesa de Biotecnologia Vegetal (AFBV).

Proteger as culturas contra doenças e pragas é um dos principais desafios que todos os tipos de agricultura enfrentam para reduzir as perdas. Acresce que com as alterações climáticas e a globalização do comércio, a agricultura na Europa será, cada vez mais, confrontada com novas pragas, o que para a Associação Francesa de Biotecnologia Vegetal (AFBV) é uma séria ameaça à competitividade da produção agrícola europeia.

Numa nota de imprensa, esta ONG independente, que   agrupa pessoas de diversas áreas que consideram a biotecnologia uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável em França, lamenta que a UE coloque em risco a sua auto-suficiência na produção de alimentos por falta de medidas adequadas de proteção contra pragas e doenças.

Uma dessas medidas, defende a AFBV, é a adoção das novas tecnologias que permitem a redução na aplicação de produtos químicos. Para a associação, a biotecnologia tem um papel crucial naquilo a que chama transição agroecológica, na medida em que facilita e acelera a produção de plantas geneticamente modificadas para serem resistentes a doenças e insetos.

A AFBV reforça que a Europa não pode passar ao lado das novas biotecnologias de precisão, como a edição de genomas, se quiser que os consumidores europeus continuem a beneficiar de produtos de qualidade made in UE. Considerando urgente a procura de uma solução, a associação uniu-se a outras associações europeias para propor ao Parlamento Europeu alterações à Diretiva que regulamenta os OGM. « Se a UE não adotar rapidamente uma regulamentação adequada às novas biotecnologias de precisão, as nossas culturas estão em risco, a segurança alimentar da UE será comprometida e a competitividade agrícola europeia estará em desvantagem », afirmou George Freyssinet, presidente da AFBV, num workshop realizado em Paris, em 17 de outubro, com o tema «Biotecnologias vegetais enfrentam novos desafios na proteção de culturas ».

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Opinião | Não faz sentido ignorar a ciência: OGM e o dilema do PE*

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Crédito da imagem: MJ Graphics / Shutterstock 

“A Europa parece cada vez mais preparada para enfrentar os desafios do século XXI e liderar o caminho para um futuro “mais verde” e mais sustentável. Em lado nenhum isso é mais visível do que nas aspirações da nova Comissão Europeia de delinear um “Acordo Verde” e uma estratégia “Farm to Fork” com o objetivo de garantir o acesso da Europa a alimentos seguros, nutritivos e sustentáveis ​​num futuro próximo. Mas que papel o Parlamento Europeu (PE) pode desempenhar perante as recentes “objeções” sem fundamento contra os OGM (Organismos Geneticamente Modificados)?

As universidades europeias de Ciência afirmaram: “Há evidências convincentes de que as variedades agrícolas geneticamente modificadas (GM) podem contribuir alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável, com benefícios para agricultores, consumidores, economia e meio ambiente”. [1] Além disso, um relatório da Organização para a Agricultura e a Alimentação de 2016 [2] confirma que as biotecnologias agrícolas podem ajudar os pequenos produtores a serem mais resilientes e adaptarem-se às mudanças climáticas. Mas os europeus, incluindo alguns membros do PE, estão, no entanto, confusos. Desconfiam dos OGM, desconfiam dos organismos da UE encarregados da sua avaliação e desconfiam da ciência em geral.

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a Comissão Europeia e mais de 280 instituições científicas e técnicas em todo o mundo [3] declararam que os OGM são pelo menos tão seguros quanto as variedades agrícolas convencionais. Além disso, em quase 25 anos de comercialização, mostraram que os OGM oferecem uma infinidade de benefícios: permitem, por exemplo, que os agricultores cultivem mais alimentos usando menos recursos, como água, terra e energia, do que as culturas convencionais ou até biológicas. Significa que os agricultores que escolhem cultivar variedades GM – onde, face às características do solo e do clima, é conveniente usá-las – estão a preservar a biodiversidade em redor e a mitigar alguns dos efeitos das mudanças climáticas. Os benefícios da utilização de variedades agrícolas transgénicas estão bem documentados, mesmo na Europa, apesar do cultivo de OGM ser muito limitado neste território. Em Espanha, nos últimos 21 anos, o milho GM provou aumentou os rendimentos dos agricultores [4], tornando o País menos dependente das importações de milho. Resultados semelhantes foram observadas na Roménia entre 1999 e 2006, antes da proibição da soja GM neste País como resultado da sua adesão à UE. [5]

O recém-eleito Parlamento Europeu (PE) deverá trazer consigo um raio de esperança. Espero que a Europa tome medidas adequadas ao conhecimento científico atual para enfrentar os desafios globais, entre os quais as alterações climáticas e a insegurança alimentar. E os OGM – e a biotecnologia em geral – podem e devem fazer parte da solução. Infelizmente, após uma alteração de mais de 60% dos deputados europeus, as objeções do PE aos OGM, que começaram há vários anos, continuaram, com alguns deputados atribuindo as culpas aos OGM por muitos dos desafios globais que enfrentamos hoje.

As evidências mostram que o cultivo de OGM levou a uma redução de 37% na aplicação de produtos químicos agrícolas e mostram muito mais quando se trata de culturas GM resistentes a insetos. [6] O seu uso aumentou muito a segurança agrícola e ambiental: por exemplo, nos países em desenvolvimento, reduziu significativamente as taxas de suicídio e de intoxicação por pesticidas em pequenas propriedades agrícolas [7].

Acresce que o aumento da produção por hectare associado aos OGM poupa a pressão nas terras vizinhas, incluindo as florestas tropicais. Seja para alimentação animal ou para consumo humano direto, faz sentido fazer um cultivo eficiente para evitar a conversão adicional da terra. Um relatório recente do ISAAA [8] mostra que, entre 1996 e 2016, as culturas biotecnológicas pouparam 183 milhões de hectares de terra (22,5 milhões de hectares de terra apenas em 2016), conservando a biodiversidade e reduzindo as emissões de CO2. Em 2016, a poupança nas emissões de dióxido de carbono foi de 27,1 bilhões de kg, o equivalente a retirar 16,7 milhões de veículos das estradas a cada ano.

Hoje em dia, a realidade na Europa é que a maioria das pessoas usa algodão GM e come uma variedade de produtos alimentares produzidos com a ajuda da biotecnologia, incluindo OGM. Além dos muitos benefícios que os consumidores europeus usufruem todos os dias, os agricultores de outros continentes (da América, África e Ásia) estão a ser empoderados pela biotecnologia, entre os quais milhões de pequenos agricultores asiáticos que cultivam transgénicos. Embora, historicamente, os OGM tenham sido usados ​​para produzir soja, milho e colza para alimentação animal, atualmente os OGM também são usados ​​para consumo humano, melhorando a saúde e a nutrição das pessoas, evitando o desperdício de alimentos e tornando as culturas mais resistentes à seca e às doenças.

Então, por que ninguém fala dos benefícios dos OGM?

O facto é que, embora o Parlamento Eropeu esteja parcialmente implicado nas campanhas de desinformação de alguns ativistas anti-OGM, aceitando-as, os estados membros da UE também estão aquém das suas responsabilidades. Apesar de já beneficiarem das vantagens económicas dos OGM, países como Alemanha, França, Itália e Polónia não votaram a favor da aprovação de produtos OGM seguros, nem para importação. Este comportamento eleitoral, a que se soma a falta de apoio do PE e o fracasso geral das instituições da UE em combater a desinformação sobre os OGM, é a principal razão pela qual a Europa expulsou efetivamente a inovação agrícola nesse campo, o que prejudica e mina a confiança nos procedimentos de avaliação de segurança alimentar da UE. Uma decisão do Tribunal de Justiça da UE de julho de 2018, em que equipara os OGM aos produtos em que foi aplicada a edição de genoma, torna esta situação ainda mais insustentável.

Embora a Europa possa, em certa medida, permitir-se – temporariamente – ignorar a ciência e a tecnologia, é irresponsável e injusto demonizar os OGM e impedir que o mundo em desenvolvimento faça uso desses produtos. Em tempos como estes, é necessário que os líderes políticos defendam a ciência e apoiem os factos científicos divulgados pelas agências da UE responsáveis ​​por avaliar a segurança dos OGM. O Parlamento Europeu deve agora definir uma nova direção para a inovação na agricultura, apoiando, inclusive, a aprovação de produtos GM seguros, de acordo com evidências e procedimentos democraticamente adotados.

Chegou a hora de uma nova geração de decisores políticos europeus aproveitar todo o potencial dos OGM em benefício das pessoas e do planeta. A EuropaBio, representando a indústria de biotecnologia, está comprometida em comunicar esses benefícios. Instamos todos os decisores políticos, que pensam que a ciência pode e deve desempenhar um papel positivo na sociedade, a ler o nosso manifesto de biotecnologia agrícola e a juntarem-se a nós nessa missão.”

*Este texto é uma tradução integral de um artigo (em inglês) escrito por Beat Späth, diretor de biotecnologia agrícola da EuropaBio, e publicado no Euroactiv.

Mais informações em:

An antidote to fear-based politics?

GMOs: Time to stand up for EU law and innovation

EU nations should overcome GMO hypocrisy

[1] http://www.easac.eu/home/reports-and-statements/detail-view/article/planting-the.html

[2] http://www.fao.org/3/a-i6030e.pdf

[3] http://www.siquierotransgenicos.cl/2015/06/13/more-than-240-organizations-and-scientific-institutions-support-the-safety-of-gm-crops/

[4] https://gmoinfo.eu/eu/articles.php?article=Insect-resistant-GM-maize-has-benefited-farmers-and-the-environment-in-Iberia-

[5] https://www.europabio.org/sites/default/files/EU_protein_GAP_WCover.pdf (p.17)

[6] https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0111629https://www.e-elgar.com/shop/handbook-on-agriculture-biotechnology-and-development and https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0921800911002400

[7] https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/pbi.13261

[8] http://isaaa.org/resources/publications/briefs/54/executivesummary/default.asp