OGM | Milho transgénico pode ajudar a compensar os efeitos das alterações climáticas

Segundo um estudo que analisou 35 anos de produção de milho e 35 anos de dados sobre o clima em oito estados norte-americanos, tecnologias como a engenharia genética podem ajudar a compensar os efeitos do aumento global da temperatura.

Os investigadores norte-americanos Jesse Tack, da Universidade do Estado do Kansas, e Ariel Ortiz-Bobea, da Universidade de Cornell, publicaram recentemente um estudo na revista Environmental Research Letters, no qual analisam o impacto das alterações climáticas na produção de milho transgénico em oito estados do centro-oeste dos Estados Unidos.

O estudo mostra claramente que as variedades de milho melhoradas pela tecnologia moderna podem contribuir positivamente para superar as preocupações emergentes com as alterações climáticas.

Neste estudo, os investigadores analisaram 35 anos de produção de milho geneticamente modificado (GE) e as condições climáticas durante esse tempo e descobriram que a tecnologia pode compensar os efeitos de temperaturas mais altas e outros impactos relacionados com o clima.

Essas e outras tecnologias “podem ser uma estratégia frutífera para contrabalançar as alterações climáticas”, afirmaram os investigadores, pelo que técnicas de engenharia genética recentemente desenvolvidas, como o CRISPR, terão provavelmente um papel crucial no futuro.

O estudo mostrou que o rendimento aumentou em quase 70% durante o período de adoção rápida, ou seja, de 0,94% de ganhos aproximados ao ano antes de 1996 para 1,6% depois de 1996.

Leia o estudo integral aqui.

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OGM | Espanha desenvolve plantas resistentes à seca extrema

A seca é o principal problema da agricultura em todo o mundo, o que levou a que uma equipa de investigadores do CRAG – Centro de Investigação em Agrigenómica, em Espanha, desenvolvesse plantas resistentes a secas severas.

A seca afeta tudo e todos, mas de um modo muito particular afeta mais quem vive do campo. Quer a agricultura, quer a pecuária e a pastorícia são das primeiras atividades a sofrer os efeitos da falta de água, com a consequente redução da produção e o aumento da despesa para manter as culturas e os animais.

Em 2017 e 2018, a Península Ibérica foi devastada com uma seca extrema, traduzindo-se em prejuízos incalculáveis. Mas graças ao trabalho de uma equipa de investigadores do CRAG-Centro de Investigação em Agrigenómica, em Espanha, a solução do problema pode estar para breve. Através de modificação genética, os investigadores conseguiram desenvolver plantas resistentes à seca extrema.

Neste vídeo, a investigadora principal deste projeto, a espanhola Ana I. Caño-Delgado, resume as conclusões da investigação e explica a importância para a agricultura da modificação genética de plantas.

Além de ver a entrevista, a que poderá ter acesso neste vídeo, leia também o artigo científico aqui.

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OGM | Sorgo com altos níveis de vitamina A ajuda a combater a cegueira infantil

Todos os anos, cerca de 250 milhões de crianças em todo o mundo perdem a visão devido à falta de vitamina A na sua alimentação. O problema afeta os países mais pobres, sobretudo em África e no sudeste asiático. Para resolver o problema na África Oriental, os investigadores em plantas estão a fazer modificação genética numa das culturas mais comuns na região, o sorgo, para lhe acrescentar nutrientes.   

A deficiência de vitamina A é a principal causa de cegueira infantil evitável e aumenta o risco de doenças e morte por infeções graves. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, são 250 milhões as crianças que ficam cegas, todos os anos, em todo o mundo, por falta desse nutriente.

A situação é tão grave que se tornou num problema de saúde pública em mais da metade dos países no mundo, especialmente em África e no Sudeste Asiático, tendo como principais vítimas as crianças e as mulheres grávidas mais pobres.

Mas no Quénia, os investigadores em plantas já estão a trabalhar para resolver o problema. Como? Através da modificação genética de uma cultura muito comum no país – o sorgo – com o objetivo de produzir sorgo com caraterísticas nutricionais mais elevadas, nomeadamente níveis mais altos de vitamina A, ferro e zinco do que as variedades convencionais.  

O melhoramento do sorgo no Quénia faz parte do projeto África Biofortified Sorghum (ABS), uma parceria público-privada estabelecida para combater a deficiência crónica de vitamina A em crianças, bem como melhorar os níveis de zinco e ferro. Se obtiver aprovação comercial, será o primeiro sorgo biotecnológico do mercado.  

Mais informação aqui  e aqui .

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Biotecnologia | Estamos rodeados dela e não sabemos


Créditos da imagem: Shutterstock

Há quem acredite que a alimentação do futuro é a biotecnologia alimentar. Que a carne que iremos comer não será de animais, que o leite que iremos beber não será das vacas, que as claras de ovos serão produzidas sem galinhas. A verdade é que já há empresas a trabalhar para que isso seja possível. O que é uma realidade velha é o uso da biotecnologia na produção de medicamentos e de alimentos e, mais recentemente, na engenharia genética, permitindo editar, corrigir e alterar o genoma de qualquer célula. A biotecnologia está praticamente em tudo o que comemos, vestimos e usamos no dia-a-dia.

Há muito que se fala em biotecnologia, mas quantos de nós sabem realmente o que significa? Como o próprio nome indica, é a tecnologia ao serviço da biologia. E isso diz-nos o quê? Muito pouco, em especial para quem está fora desta área de investigação que envolve várias especialidades.

A biotecnologia é uma ciência multidisciplinar e consiste em qualquer aplicação tecnológica que utilize organismos vivos ou parte deles para fabricar ou modificar produtos ou processos é que ajudem a melhorar a nossa vida.

As áreas da biotecnologia com maior impacto em Portugal são as da biotecnologia farmacêutica e industrial. A farmacêutica está ligada principalmente ao desenvolvimento e comercialização de biofármacos, vacinas recombinantes e métodos de diagnóstico, permitindo oferecer tratamento para um alargado leque de doenças (incluindo certos tipos de cancro ou vacinas inovadoras) e detetar rapidamente agentes patogénicos. A industrial engloba as aplicações da biotecnologia em diferentes indústrias como a têxtil, pasta de papel, alimentar (nomeadamente no processamento de lacticínios, açúcar e produção de ingredientes), plásticos, químicos e biocombustíveis (essencialmente bio-etanol). Uma parte importante deste setor é a produção de enzimas (usadas, por exemplo, nos detergentes).

Nos países mais desenvolvidos, a biotecnologia é um dos setores com uma maior previsão de crescimento a médio prazo, pois é considerada a ciência chave do século XXI e promete progressos revolucionários e novas terapias. A biotecnologia aplicada à medicina é uma das áreas de maior crescimento do conhecimento humano e está relacionada com o desenvolvimento de sistemas terapêuticos emergentes como a terapia genética, a terapia celular ou a medicina regenerativa.  

Informações mais detalhadas aqui.

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OGM | Quantos mais anos são precisos para provar que são seguros?

Diagrama de Venn enumerando os genes diferencialmente expressos, num universo de 17 546, entre variedade de milho GM (MON 810) e não GM. Os genes de maior interesse foram os da Peroxidase, Ferredoxina, Lipoxigenase6 (LOX6), Kin-1 (Knotted 1-induced1), NAD(P)H Nitrato redutase, Oxidoredutase, 1,3-ß-glucanase e Proteína relacionada com patogenese5 (PR5)

O uso de Organismos Geneticamente Modificados
(OGM) é muito antigo e o desenvolvimento de plantas GM para fins alimentares já tem quase 30 anos, no entanto, ainda é profundo o desconhecimento geral sobre o que são, como se fazem e para que servem, o que talvez explique os receios infundados em torno de tudo o que é transgénico. Duas investigadoras do INIAV, Eugénia de Andrade e Isabel Rodrigues, desmontam mitos, esclarecem dúvidas sobre os OGM e até fazem uma breve história dos alimentos GM.

Sabia que a primeira planta GM para fins alimentares foi um tomate e que foi desenvolvido entre 1987 e 1992? E que esse tomate chegou a ser comercializado durante cinco anos? Apesar do consumo de alimentos GM se fazer há mais de duas décadas, o debate e as desconfianças continuam, porque, como explicamas investigadorasEugénia de Andrade e Isabel Rodrigues num artigo intitulado Alimentos Geneticamente Modificados – seguros ou não?, “uma vez instalados o medo e os receios na população, é muito difícil eliminá-los.”

Neste artigo bastante esclarecedor, publicado em junho de 2018 na Vida Rural, as investigadoras do INIAV, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, em Oeiras, realçam que “só se conseguem estabelecer os efeitos dos alimentos na saúde, quer sejam GM ou não, dentro de limites apertados”, pelo que os investigadores “conseguem prever efeitos com base na informação disponível sobre a composição química do alimento, dados epidemiológicos, variabilidade genética das populações e estudos conduzidos em cobaias.”

A maior preocupação associada às plantas e alimentos GM, lê-se no texto, “é poderem conter substâncias tóxicas e alergénios resultantes de alterações inesperadas, ou seja, alterações ‘secundárias’ em processos metabólicos originalmente não visados no processo de transformação e melhoramento. Como as técnicas de engenharia genética permitem fazer melhoramento muito dirigido e com grande controlo, o produto resultante do transgene é avaliado durante a fase de análise de risco e, portanto, nunca será esta a causa de risco para a saúde nos OGM aprovados.“

Assim, continuam Eugénia Andrade e Isabel Rodrigues, “as controvérsias assentam no argumento de que são mais prováveis as alterações não intencionais no DNA das plantas quando novos elementos genéticos são inseridos por técnicas de biotecnologia, do que pelos métodos de melhoramento convencional. Ora, esta visão não passa de um mito e, para o provar, podem-se enumerar casos de plantas obtidas por melhoramento convencional contendo elevados níveis de compostos tóxicos.”

Leia o artigo integral aqui.

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Conferência | Bruxelas discute Segurança alimentar na EU

Depois das recentes atualizações das normas europeias sobre segurança alimentar, política agrícola e informação transparente aos consumidores, a Conferência “Segurança alimentar na EU: manter padrões elevados e garantir a transparência das informações”, que terá lugar no dia 29 de janeiro, em Bruxelas, é uma oportunidade para especialistas em segurança alimentar, agências governamentais, representantes da indústria alimentar e outras partes interessadas avaliarem as perspetivas atuais e futuras do sistema de legislação alimentar da UE e da sua ação a nível mundial.
 

Segundo o relatório anual FoodDrink Europe 2016, a indústria alimentar e de bebidas constitui o maior sector transformador da União Europeia, liderando em termos de volume de negócios (15,6%), valor acrescentado (13%) e emprego (15,2%). Proteger a saúde dos cidadãos europeus, permitindo simultaneamente que a indústria alimentar opere nas melhores condições possíveis, é de importância capital, pelo que as instituições europeias introduziram fortes estruturas políticas que protegem os alimentos, desde o campo até ao prato.

Mas com a atualização das normas europeias sobre segurança alimentar, política agrícola e informação transparente aos consumidores, é necessário avaliar as perspetivas atuais e futuras do sistema de legislação alimentar da UE e da sua ação a nível mundial. É com esse objetivo que se vai realizar, em Bruxelas, no dia 29 de janeiro, a Conferência “Segurança alimentar na EU: manter padrões elevados e garantir a transparência das informações”. Será uma oportunidade para especialistas em segurança alimentar, agências governamentais, representantes da indústria alimentar e outras partes interessadas analisarem a atual regulamentação e delinearem os próximos passos.

Várias medidas e ações adicionais foram implementadas para aumentar a confiança do público nos padrões de segurança alimentar, mas a confiança dos consumidores voltou a ser abalada devido a escândalos como os “alimentos de qualidade dupla” – diferentes empresas multinacionais vendiam para os mercados da Europa Oriental produtos com ingredientes de menos qualidade ou substitutos mais baratos do que os produtos que colocavam nos mercados da Europa Ocidental com as mesmas embalagens e marcas -, e os casos de contaminação de ovos com fipronil e do uso de pesticidas como o “glifosato”. Estes casos estiveram no centro de uma controvérsia que causou grande impacto na confiança do público.

Para resolver estas questões, a Comissão Europeia apresentou em abril de 2018 uma proposta para restabelecer a confiança do público nos estudos científicos sobre segurança alimentar, sugerindo maior transparência na tomada de decisões e maior envolvimento dos especialistas dos Estados membros.

Tendo em conta os acontecimentos recentes, a Conferência “Segurança alimentar na EU: manter padrões elevados e garantir a transparência das informações”, não podia acontecer em momento mais oportuno. Nela, os intervenientes irão rever a regulamentação da informação alimentar aos consumidores e avaliar as suas alterações. Vão também obter insights sobre tendências recentes na rotulagem de produtos alimentícios e aprender sobre legislação abrangente sobre segurança de alimentos e ração animal. Além disso, vão partilhar as melhores práticas sobre como garantir que as importações mundiais cumpram os requisitos de segurança alimentar da EU, discutir as avaliações divergentes sobre o uso de glifosato, explorar formas de restabelecer a confiança do público na segurança alimentar e rever as medidas propostas. Por último, vão abordar a questão dos padrões duplos de alimentos e aferir formas de conseguir um cumprimento e verificações de regras eficazes.

Mais detalhes deste encontro aqui.

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Descoberta | Anti-OGM são quem menos sabe de OGM

De acordo com uma análise aos inquéritos realizados nos Estados Unidos da América, França e Alemanha, cujos resultados foram publicados no Nature’s Journal of Human Behavior, os adversários mais extremistas dos alimentos geneticamente modificados são quem sabe menos sobre OGM.

Esta descoberta pode ter implicações importantes para a comunicação científica e política das questões relacionadas com OGM. Leia mais no The Guardian, The New York Times e ArsTecnnica

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OGM | Nova variedade de batata ajuda a combater anemia nas crianças

Existe uma nova batata no Peru e os investigadores que a criaram, através de modificação genética, acreditam que esta variedade, de polpa roxa, será uma importante ajuda na luta contra a anemia infantil, uma vez que tem o dobro das quantidades de ferro e zinco encontradas nas batatas convencionais.

O ministro da Agricultura, Gustavo Mostajo, afirmou em Dezembro de 2018, na estação de radio peruana RPP, que a nova batata foi modificada geneticamente por investigadores do Instituto Nacional para a Investigação Agrícola (INIA), tendo sido designada de “INIA 328-Kulli batata“. “Kulli” significa roxo in Quechua, a língua indígena falada no sudeste do Peru.

Além de ter o dobro da quantidade de ferro e zinco das batatas que atualmente estão no mercado, a nova batata tem também capacidades antioxidantes excecionais.

A anemia provocada por carência em ferro atinge 46,6% das crianças até aos três anos de idade e já é considerada um problema de saúde pública no Peru, de acordo com dados oficiais. Na região andina de Puno, a doença afeta 75,9% dos menores.

Segundo os investigadores, a “INIA 328-Kulli batata” é um tubérculo com uma vasta capacidade de adaptação, podendo ser plantada a uma altitude até 4100 metros, em zonas onde, justamente por causa da alta atitude, não crescem plantas.  

É nos Andes, perto do Lago Titicaca, que fica o berço da batata, aí criada há cerca de sete mil anos. Acredita-se que atualmente existem mais de quatro mil variedades de batata diferentes. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, a batata é a terceira cultura mais consumida no mundo, depois do arroz e do trigo, segundo tubérculo, que tem mais de 4000 variedades, é a terceira safra mais consumida no mundo depois do arroz e do trigo, de acordo com a agência de alimentos das Nações Unidas.

Leia a história completa, em espanhol, no Argenpapa, o portal da batata na Argentina.

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OGM|O futuro do trigo resistente à seca está próximo

No sul da Austrália não existem campos agrícolas com culturas geneticamente modificadas (GM) porque a legislação do País não permite. Mas os agricultores australianos acreditam que virá o dia em que poderão produzir variedades GM tolerantes à seca, para fazer face aos longos períodos de seca severa que todos os anos destroem milhares de hectares cultivados.

Agricultora sul-australiana Heather Baldock, num campo experimental de trigo geneticamente modificado, resistente à seca, na Argentina.
Créditos da imagem: Global Farmer Network

Era primavera, faltavam três ou quatro meses para o início das colheitas de trigo quando a agricultora sul australiana Heather Baldock visitou a Argentina, há dois anos, numa excursão de agricultores, para observar as experiências que estavam a ser feitas em plantações sul-americanas. O objetivo dos agricultores era aprender novos métodos e novas tecnologias que no futuro pudessem aplicar nas suas próprias plantações. O que viram nos ensaios, sublinha H. Baldock, foi “o futuro do trigo.”

Na aparência, as culturas de trigo que os agricultores australianos observaram nos campos experimentais na Argentina eram semelhantes a quaisquer outras culturas de trigo na Austrália. Apenas um aspeto as diferenciava: aquelas foram geneticamente modificadas para serem tolerantes à seca e tiveram uma produção 25% maior do que as culturas não modificadas. Este facto despertou muito o interesse de H. Baldock e do resto do grupo, uma vez que na Austrália existem períodos de seca severos que destroem por completo milhares de hectares de culturas.

Campo experimental de trigo GM, na Argentina.
Créditos da imagem: Global Farmer Network

Os agricultores sul australianos chegaram à conclusão de que conseguiriam aumentar a produção e os rendimentos se pudessem cultivar trigo geneticamente modificado, como garante H. Baldock, num artigo de opinião que publicou na Global Farmer Network, no qual relata a sua visita aos campos experimentais de trigo GM na Argentina.

Leia aqui o artigo, em inglês, de H. Baldock.

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OGM | Culturas GM ajudam a conservar os solos

O Fundo Mundial para a Vida Selvagem diz que, nos últimos 150 anos, metade do solo mundial já desapareceu. A menos que os alimentos sejam produzidos de maneira diferente, a situação tende a piorar. A solução parece estar na agricultura de conservação que protege o solo, que consiste, entre outras práticas, na adoção de culturas geneticamente modificadas.

A riqueza das nações vem da fertilidade dos solos.  Um solo fértil é uma terra abundante em matéria orgânica com um minúsculo ecossistema, invisível aos nossos olhos por ser pequeno demais. No entanto, esse ecossistema retém e recicla os nutrientes que fertilizam as plantas que, por sua vez, nutrem a vida animal, incluindo a nossa.

Mas, o que é bom para as culturas é bom para as ervas daninhas e é aí que os problemas começam, porque as ervas daninhas competem por nutrientes com as culturas, roubando-lhes o alimento. Todos os anos, as ervas daninhas consomem nutrientes suficientes para alimentar mil milhões de pessoas em todo o mundo.  É claro que os agricultores têm que se livrar delas, já não através da lavragem da terra (que no passado era o método mais eficaz de destruição de ervas daninhas, mas caiu em desuso com a entrada nos campos de máquinas que fazem um pequeno buraco no chão e aí colocam uma semente), mas da adoção de uma agricultura de conservação e da utilização cada vez maior das culturas GM.

Antes do aparecimento da combinação de culturas GM [geneticamente modificadas] e herbicidas, há 20 anos, o agricultor tinha muitas vezes de escolher entre salvar as colheitas e os solos. De então para cá, graças a essa combinação, tornou-se mais fácil desenvolver uma agricultura de conservação que protege solos, permitindo ao agricultor adicionar herbicida (em menores quantidades do que antes) e matar as ervas daninhas sem prejudicar a colheita. Como bónus, as ervas daninhas são deixadas para trás, agindo como um cobertor que protege o solo dos efeitos erosivos da chuva.

A combinação de culturas GM e herbicidas teve, de facto, um efeito profundo na agricultura. Por um lado, os agricultores já não precisam de comprar combustível fóssil para tratores que lavram o solo; por outro, o solo não sofre erosão. Além disso, os produtos químicos atuais são muito menos tóxicos do que os do século passado e são usados ​​em menores quantidades. É uma vitória para os agricultores e para o meio ambiente.    

Saiba mais neste artigo, em inglês, publicado na revista norte-americana Medium e na plataforma GMO Answers, escrito por Wayne Parrott, mestre e doutor em Melhoramento e Genética de Plantas e  professor na Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, onde tem feito investigação sobre o desenvolvimento, utilização e segurança de culturas geneticamente modificadas e culturas produzidas com a aplicação de tecnologias de edição de genoma.

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