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Convite | 29 Nov – Apresentação do Guia “Culturas GM e Políticas na UE”

Guia Culturas GM - Europabio 2017 - PT - 1000px2

Convite
Sessão de Apresentação
do Guia “Culturas GM e Políticas na UE”

29 Novembro, 16h, FCUL, Lisboa
Entrada Livre

 

A Associação Europeia das Bioindústrias (Europabio) publicou um caderno sobre culturas geneticamente modificadas (GM) – Guia Prático – Culturas GM e Políticas na UE -, com tradução em Português.

Convidam-se todos os interessados a participarem na sessão de apresentação do guia, a realizar em 29 de Novembro de 2017, pelas 16h, na Faculdade de Ciências – Universidade de Lisboa  (sala 2.2.14, no edifício C2, Campo Grande).

 

  • Apresentação do Guia “Culturas GM e Políticas na UE” 
    por Pedro Narro Sanchez
    Gestor de relações públicas para a área de Biotecnologia Verde da Europabio
  • Opinião
    por José Diogo Albuquerque 

    Director executivo do Agroportal e Consultor
  • Moderação por Pedro Fevereiro
    Presidente do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

 

O guia “Culturas GM e Políticas na UE” apresenta um ponto de situação sobre as Culturas Geneticamente Modificadas (GM) – conhecidas também por transgénicas – no mundo e o seu contexto na realidade da União Europeia. São abordados ainda os seguintes temas: funcionamento do comércio e das aprovações; o cultivo das culturas GM e os seus benefícios; e inovação e propriedade intelectual. Este é um guia útil para quem quiser compreender o potencial das culturas GM para a agricultura, para a alimentação, para o ambiente, para a economia e para a sociedade.

Durante a sessão, o caderno será distribuído gratuitamente. Também é possível fazer download da versão digital.

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Opinião – As dez mentiras sobre os OGM

As dez mentiras sobre os OGM - Por Marcel Kuntz 2017

As dez mentiras sobre os OGM

Por Marcel Kuntz*

Os Dicionários Oxford elegeram “pós-verdade” (traduzido do Inglês “post-truth”) como a “Palavra do Ano” de 2016. A expressão “pós-verdade” é definida como “relacionar ou salientar circunstâncias em que os apelos à emoções ou crenças pessoais são mais importantes na formação da opinião pública do que os factos objectivos”. Os Dicionários Oxford comentam que “nesta era de pós-verdades políticas, torna-se fácil escolher os dados que mais convêm e induzir as conclusões pretendidas”. Os autores parecem aludir ao referendo sobre o Brexit e às eleições presidenciais dos Estados Unidos da América e, provavelmente, a outros governos qualificados como “populistas”.

Contudo, esta definição de “pós-verdade” aplica-se também ao que se tem passado nos últimos 20 anos no domínio científico e tecnológico.

Proponho ilustrar a minha tese usando como exemplo os “OGM” e as 10 “melhores” pós-verdades que lhes são, muitas vezes, associadas.

1 – A primeira não é literalmente uma “pós-verdade”, mas sim a demonstração de uma imaginação sem limites da União Europeia, quando se trata de implementar uma legislação tão absurda como contra produtiva. Em 1990, os Estado Membros criaram o conceito de “OGM” [a sigla para Organismos Geneticamente Modificados]. A Directiva enumera todos os métodos que permitem o melhoramento das características de um organismo (por exemplo, uma planta) para responder às necessidades do Homem (por exemplo, necessidades agrícolas), para depois os excluir de todos nos anexos desta mesma Directiva. Todos, excepto uma técnica, a mais recente, sobre a qual passarão a pesar, sem prova de uma qualquer necessidade científica, restrições associadas a avaliações complexas e dispendiosas. Devemos, portanto, ter presente que um OGM é legalmente definido pelo método da sua obtenção e não pelas suas propriedades, o que seria mais relevante e adequado.

2 – Para mim, a melhor demonstração da “pós-verdade” sobre os OGM é a afirmação de que estes são estéreis. Este mito advém de uma extrapolação abusiva: das patentes que descrevem abordagens para a produção de sementes estéreis. No entanto, no terreno, nenhuma cultura é estéril nesta categoria regulamentar de “OGM”.

3 – A “pós-verdade” não necessita de ser coerente: estas alegações de esterilidade estão em manifesta contradição com outras que afirmam que os OGM vão disseminar-se por todo o lado. É, portanto, preciso escolher entre: os OGM são “estéreis” ou são “invasivos”! Na verdade, nenhum dos casos é verdadeiro.

4 – O agricultor deixaria de ter o direito de voltar a semear uma parte da sua colheita por causa das patentes. Este argumento permitiu aos opositores mobilizar uma parte da Sociedade Civil contra os OGM dramatizando a temática da “propriedade” das sementes, e do “controlo da nossa alimentação”. No entanto tudo isto é falso: de facto, a legislação Europeia sobre as patentes associadas a descobertas biotecnológicas permite ao agricultor produzir sementes para uso próprio (ver a Directiva Europeia 98/44/EC e o artigo 14 do regulamento (CE) n° 2100/94).

5 – Uma mentira relacionada com a anterior é a de que um agricultor poderia ser forçado a pagar direitos sempre que um OGM germina, por acaso, na sua propriedade. Na realidade, em nenhum país um agricultor pagou direitos, se vestígios de OGM foram detectados no seu campo, por exemplo, como consequência de uma polinização acidental proveniente de um campo vizinho. Este mito foi construído em torno do agricultor canadiano Percy Schmeiser. Os lobbies anti-OGM exploraram habilmente a narrativa sobre o “pequeno bom agricultor” (David) e a “grande maléfica multinacional” (Golias) no seguimento de um processo judicial da Monsanto contra Scheimer. Na realidade, a justiça canadiana estabeleceu que esse agricultor tentou deliberadamente apropriar-se de sementes sem pagar os direitos devidos, de acordo com a legislação canadiana.

6 – Os OGM seriam uma farsa, pois não aumentariam as produtividades. Convém salientar que estes organismos foram melhorados sobretudo para evitar perdas de produtividade causadas por insectos herbívoros ou por ervas daninhas. A realidade é que cerca de 18 milhões de agricultores de 26 países (incluindo 19 países em desenvolvimento) escolheram livremente utilizar variedades GM (o que não é o caso da maioria dos agricultores dos países europeus).

7 – Existiriam estudos que teriam demonstrado a existência de efeitos tóxicos dos OGM na alimentação. Se fosse o caso e sabendo que numerosos países usam OGM para alimentar o seu gado desde 1996, tal teria sido constatado pelos criadores de gado e veterinários há muitos anos atrás. Para perceber as manipulações efectuadas sobre este assunto, basta examinar as fotografias disseminadas pelo investigador e activista Séralini em Setembro de 2012: todo o mundo viu na internet as fotos de ratos com tumores monstruosos. Serão eles uma prova? Vejamos as fotos com mais detalhe: um rato terá sido alimentado com um OGM, outro com um herbicida e o terceiro terá sido alimentado com OGM e com o herbicida (durante 2 anos, tempo superior à expectativa da sua média de vida). Mas, onde estão os ratos controlo ou testemunhas (sem terem consumido OGM ou sem terem ingerido o herbicida)? Os ratos controlo nunca foram mostrados pelo seguinte motivo: também tinham tumores, simplesmente, porque esta linhagem de ratos desenvolve tumores quando começa a envelhecer.

8 – Outra “pós-verdade”: não se sabe nada sobre os insecticidas produzidos pelos OGM. De facto, algumas culturas (como o milho MON810, que obteve autorização Europeia em 1998) foram melhoradas para produzir internamente uma proteína com efeitos extremamente específicos contra certos insectos herbívoros (as brocas no caso do milho). O mesmo princípio activo combate igualmente as pragas de insectos na agricultura (inclusive na agricultura biológica) e na jardinagem, neste caso através da pulverização. E isto há seis décadas! Sem que se tenha detectado qualquer problema!

9 – Induzirão os OGM o desenvolvimento de “super” ervas daninhas? De facto, se se utilizar o mesmo herbicida (ou qualquer outro produto) ano após ano, serão selecionadas populações tolerantes a esse herbicida nas plantas-alvo. Nada de novo, nem específico quando se utilizam OGM. É o que acontece com todos os herbicidas utilizados. O problema advém de uma má gestão agrícola destes procedimentos e não do facto de se utilizar, ou não, uma variedade considerada dentro da categoria jurídica “OGM”.

10 – Os OGM não seriam suficientemente estudados ou seriam estudados apenas pelas empresas. De facto, as avaliações impostas pela presente legislação Europeia são desproporcionadas e continuam a ser cada vez mais exigentes, sem razão científica. Independentemente das empresas, a investigação pública em muitos países realizou estudos em todos os domínios (nomeadamente nas áreas da saúde e do ambiente). Foram efectuados milhares de estudos. Um dos exemplos são os estudos toxicológicos levados a cabo pelo projecto europeu GRACE, cuja execução foi especificamente solicitada pela Comissão Europeia. Estes estudos demonstram não existir justificação para qualquer tipo de alarmismos.

A “pós-verdade” usa uma estratégia deliberada, infelizmente muitas vezes com sucesso, aplicada em muitos domínios técnicos, desde a Biologia (as biotecnologias verdes como os OGM, mas também as vacinas), à Química (os pesticidas são um grande clássico dos apregoadores do medo) ou ainda à Física (especialmente no domínio da energia). O ponto comum? O desejo de introduzir areia na engrenagem da economia por alguns activistas políticos. Ou explorar temores demagógicos. Ou retirar empresas concorrentes do mercados. Estas três vertentes aparecem muitas vezes associadas. De facto a “pós-verdade” é uma das maiores ameaças actuais à democracia.

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* Marcel Kuntz – Formado em Biologia, Director de investigação do CNRS, Professor na Universidade Grenole-Alpes (UGA), especialista em biotecnologias agrícolas. Desenvolve também trabalho sobre as relações entre ciência e sociedade, numa perspectiva histórica.

Artigo disponível em Polaco e em Francês

 

 

13 Julho – VI Encontro Biotecnologia e Agricultura: O Futuro é Agora

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VI Encontro
Biotecnologia e Agricultura: O Futuro é Agora

13 Julho 2017, Porto

Universidade Católica Portuguesa, Porto
Campus Foz – Edifício Central – Auditório Carvalho Guerra

Co-organização
CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

CONTEXTO

Nos últimos 10 anos, houve um progresso significativo na investigação científica na área do melhoramento de plantas, nomeadamente no desenvolvimento de novos métodos que permitem introduzir ou revelar características de interesse de forma mais precisa e eficiente e em diferentes variedades vegetais. Este conjunto de tecnologias é conhecido por “New Breeding Techniques” (NBTs) – Novas Técnicas de Melhoramento.

A investigação científica levada a cabo na Europa tem tido um papel fundamental na evolução destas tecnologias, as quais apresentam um enorme potencial para desenvolver soluções inovadoras para os desafios globais relacionados com a segurança alimentar, a sustentabilidade da produção agrícola e as alterações climáticas.

O Centro de Informação de Biotecnologia organiza o seu sexto encontro nacional com o objectivo de apreciar as possibilidades da aplicação das NBT no melhoramento das culturas, em particular das variedades utilizáveis na agricultura portuguesa e de discutir as contingências da sua utilização no contexto europeu.

PROGRAMA

Em Português e em Inglês | Tradução simultânea disponível

10:00 – Sessão de Abertura

| Sessão da Manhã moderada por Marta Vasconcelos, ESB-UCP – Escola Superior de Biotecnologia da
Universidade Católica Portuguesa

10:15 – Margarida Oliveira, ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier, Portugal
| NBTs (Novas Técnicas de Melhoramento): O que são e o que acrescentam ao melhoramento de plantas
11:00 – Coffee-break
11:15 – René Custers, ViB, Bélgica (em Inglês)
| Gene edited agricultural products: are they regulated and should they be regulated?
12:30 – Almoço (Serão distribuídas, aos participantes, senhas para almoço na cantina da Universidade Católica Portuguesa)

| Sessão da Tarde moderada por Pedro Fevereiro, CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

14:00 – Cecília Fialho, Nuffield International, Brasil
| A adoção de organismos geneticamente modificados e suas implicações legais
14h45 – Maria Gabriela Cruz, APSOLO – Associação Portuguesa de Mobilização de Conservação do Solo, Portugal
| Importância da Biotecnologia para a Agricultura Portuguesa
15:30 – Coffee-break

15:45 – Mesa Redonda entre os oradores convidados e Debate com o Público
| Moderação por Pedro Fevereiro e Marta Vasconcelos
16:45 – Conclusões
17:00 – Sessão de Encerramento

INSCRIÇÃO

A inscrição é gratuita, mas obrigatória por e-mail para: geral@cibpt.org
Enviar, por favor, as seguintes informações: Nome, E-mail, Nº Telemóvel e Institutição.
Os participantes irão receber certificado de presença.

CONTACTOS

CiB – Centro de Informação de Biotecnologia
www.cibpt.org  | E – geral@cibpt.org | T – 913 159 291

LOCALIZAÇÃO e MAIS INFORMAÇÕES

Download: Programa + Como chegar + Mapas

ORGANIZAÇÃO

CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

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Escola Superior de Biotecnologia
da Universidade Católica Portuguesa

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Vídeo | Os OGM são bons ou maus?

Vídeo | Animação
Os OGM são bons ou maus?
Engenharia Genética e a nossa comida

Com legendas em Português

Video - GMO are Good or Bad

Os Organismos Geneticamente Modificados (conhecidos pela sigla OGM ou por transgénicos) são um dos temas mais controversos da ciência e da tecnologia. Contudo, a controvérsia surge quando são levantadas questões relacionadas com o cultivo de plantas ou produção de alimentos transgénicos. O uso da engenharia genética, ou seja de OGM, para o tratamento da saúde das pessoas, como por exemplo a utilização de insulina transgénica para tratamento da diabetes,  não se caracteriza pelas mesmas controvérsias e debate público.
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Neste vídeo-animação são explorados os motivos que dão origem  às controvérsias e porque razão os OGM já têm e terão uma importância cada vez maior no futuro da agricultura, da alimentação, da sociedade e da protecção do meio ambiente.
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Nota: Caso as legendas em Português não apareçam em Português, clique no botão das definições do vídeo e depois na opção “legendas”.
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Arroz transgénico com uso eficaz de nitrogénio para agricultores Africanos

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Arroz NERICA – New Rice for Africa – Ver fonte da imagem em baixo

Arroz transgénico com uso eficaz de nitrogénio
para agricultores Africanos

Chilibio | Plant Biotecnology – Nov 2016

Uma investigação com base no Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT) e na empresa Arcadia Biosciences desenvolveram linhas de arroz transgénico africano para uso mais eficaz do nitrogénio por parte das plantas. Essas plantas de arroz geneticamente moficado (ou transgénico) sobre-expressam um gene com origem em plantas de cevada e outro com origem em plantas do mesmo arroz convencional. Esta tecnologia pode aumentar os rendimentos agrícolas e ao mesmo tempo reduzir a utilização de fertilizantes nitrogenados, evitar a contaminação pela sua aplicação excessiva, e ainda evitar emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera.

A utilização dos fertilizantes nitrogenados implica elevados custos na produção de arroz e o excesso da sua aplicação provoca importantes contaminações ambientais. Assim, o desenvolvimento de variedades de arroz transgénico com maior eficácia no uso de nitrogénio é essencial para a prática de uma agricultura mais sustentável.

Um estudo de investigação publicado na revista científica “Plant Biotechnology apresenta resultados de ensaios de campo de linhas de arroz geneticamente modificado NERICA4 (Novo Arroz para África 4).

Os ensaios de campo realizados durante três épocas de desenvolvimento, em dois ecossistemas de cultivo de arroz diferentes (em terras altas e em terras baixas), revelaram que, após diferentes aplicações de nitrogénio, o rendimento do grão das linhas transgénicas foi significativamente maior que o das linhas nulas e das linhas de controlo com variedades tradicionais. Os resultados demonstraram que a modificação genética testada pode aumentar significativamente a biomessa seca e a produção de grão.

Esta tecnologia aplicada a estas variedades africanas de arroz tem, assim, o potencial de reduzir significativamente a necessidade de fertilizantes nitrogenados e ao mesmo tempo permite melhorar a qualidade alimentar, aumentar o rendimento dos agricultores e reduzir as emissões de gases com efeitos de estufa (prejudiciais ao ambiente).

Fontes
– Chilibio
– Artigo original da Plant Biotechnology “Development and field performance of nitrogen use efficient rice lines for Africa
Imagem de arroz NERICA – New Rice for África

 

A adopção dos OGM e implicações legais: Análise comparativa

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Relatório Nuffield International
Adopção de OGM e implicações legais
– Uma análise comparativa –

Cecília de Medeiros Fialho, 2016

OBJECTIVOS

O estudo “The adoption of genetically modified organisms and legal implications: a comparative analyzes” apresentado no relatório da Nuffield International Farming Scholars, com autoria de Cecília de Medeiros Fialho, tem como objectivos:

  • Comparar o sistema de regulamentação para aprovação da comercialização de Organismos Geneticamente Modificados (OGM), nos últimos 10 a 20 anos, no Brasil, a China, os Estados Unidos da América (EUA) e a União Europeia (UE).
  • Explicar as tendências que envolvem a biotecnologia agrícola, sujeitas à sua implementação  a curto e a longo prazo nestes países/regiões, através de entrevistas realizadas a funcionários, investigadores científicos e agricultores de cada país/região.

RESUMO

As leis que controlam a aprovação de OGM em cada país/região são muito importantes e têm que demonstrar a sua legitimidade para manter a segurança da sua utilização em animais, seres humanos e que não são danosas para plantas não-alvo. Existem duas grandes variáveis que determinam a evolução da utilização de transgenes agrícolas na sociedade (assim como acontece para outras áreas da ciência): a investigação científica e o desenvolvimento e o suporte legal para que actuem efectivamente. Este estudo explorou os processos de regulamentação da aprovação de OGM no Brasil, China, Estados Unidos da América e União Europeia.

Utilizou-se um método comparativo. Actualizaram-se e validaram-se os dados primários e secundários. Processaram-se esses dados, confrontando os objectos de estudo  tendo em consideração quatro áreas macro-temáticas: histórica, institucional, regulatória e técnica. Os países foram classificados, sendo a legislação do Brasil a mais sofisticada e funcional, seguida dos EUA, China e UE.

O Brasil, embora não tenha originado o estudo de caso da lei que regulamenta a biotecnologia, foi o único país que aprovou o maior número de eventos de OGMs no prazo mais curto.

Os EUA, apesar da sua tradição na adopção da biotecnologia, enfrenta actualmente um período de clara necessidade de revisão legislativa:. estas leis parecem muitas vezes ininteligíveis, tanto para empresas requerentes como para a população em geral, e são caras e de demorada aplicação.

A China é bem organizada estruturalmente na avaliação dos OGM, mas enfrenta o desafio de educar uma população numerosa para a sua utilização, o que para além de ser um desafio e uma tarefa complexa se comparada com a de outros países/regiões. A ausência de produtos geneticamente modificados nacionais é uma dificuldade adicional, apontando para uma postura reservada do governo Chinês à permissão do acesso comercial a empresas biotecnológicas estrangeiras. Esta posição conservadora pode reflectir o desejo de fazer com que a tecnologia Chinesa se torne mais competitiva ao nível internacional.

O sistema de avaliação da União Europeia apresenta falhas, uma vez que todas as decisões relativas à aprovação de acontecimentos geneticamente modificados na UE recaem na Comissão Europeia. Os Estados Membros, na maioria dos casos, não têm motivações puramente científicas, dando mais peso a motivos políticos e ideológicos quando refutam a tecnologia. Consequentemente, são muitas vezes incapazes de declarar as suas razões oficialmente, graças a um sistema que legitima a ciências como o único critério de avaliação possível.

Conclui-se que, no futuro, o Brasil está a caminhar para melhorar as técnicas de  edição de genoma e para o uso da biotecnologia na saúde. Os EUA procuram simplificar, dentro dos critérios de biossegurança, o seu sistema regulatório e liderar a investigação para melhorar as técnicas de gestão e a utilização de dados científicos no terreno. A China tem como objectivo preparar e estabelecer uma nova posição no mercado agrícola global, mesmo sendo considerado como potencial agente exportador, para aumentar a competitividade, utilizando a biotecnologia para lançar produtos geneticamente modificados nacionais. A União Europeia está a passar por mudanças nos processos de decisão para definir o papel da Comissão Europeia, actualmente responsável indevidamente pela aprovação de eventos transgénicos. Se for aprovado que os Estados Membros tenham total responsabilidade pelas decisões para a biotecnologia, é possível que a situação leve à liberalização do comércio – a possibilidade do fim do mercado único poderá transformar permanentemente a forma como a região interage com os mercados internacionais. É também expectável que a biotecnologia terá maior aceitação da população noutras áreas da biotecnologia para além da agrícola, o que poderá em último caso promover a compreensão de como a tecnologia pode ser usada na produção de alimentos.

 

História da Biotecnologia | Novo website

História da Biotecnologia
– Novo website –
Setembro 2016 | Biotech Week

Na Semana Europeia da Biotecnologia / Biotech Week 2016 foi lançado um website ilustrado sobre a a evolução da Biotecnologia ao longo do tempo e desde há 10.000 anos, em 8.000 anos Antes de Cristo: The Evolution of the Revolution – Biotechnology Timeline Celebrating Innovation in Biotechnology

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23 Set | Café de Ciência “GENES NO PRATO”, CCVAlviela

CAFÉ CIÊNCIA GENES NO PRATO

23 de setembro 2016 | 21h

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No dia 23 de setembro de 2016, pelas 21h00, há Café Ciência no Centro Ciência Viva do Alviela e a genética dos alimentos vai dar o mote à conversa – Genes no Prato. O crescimento da população mundial, o aparecimento de novas pragas e doenças, as mudanças climáticas tornam a modificação genética dos alimentos num desafio para a biotecnologia. Já ouviu falar em organismos geneticamente modificados (OGM), transgénicos e em melhoramento genético convencional?

Venha tomar café com Pedro Fevereiro, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Centro de Informação de Biotecnologia (CiB), e Ana Sofia Almeida, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e converse sobre os avanços da biotecnologia. Conhece o melhoramento genético que está a ser feito no arroz produzido no Ribatejo?

Sirva-se de ciência e descubra Genes no Prato. Participe.

As inscrições são gratuitas, obrigatórias e poderão ser efetuadas através do 249 881 805 ou info@alviela.cienciaviva.pt
Mais info: www.alviela.cienciaviva.pt

Livro gratuito – A Revolução dos OGM

The GMO revolution ebook

Livro gratuito
“The GMO Revolution”

O livro “The GMO Revolution”, dos autores Wim Grunewald e Jo Bury e publicado no final de 2015, ficou disponível online para download gratuito.

As culturas Geneticamente Modificadas  (GM) simbolizam uma evolução importante no melhoramento vegetal. Uma evolução baseada na moderna biotecnologia de plantas, uma nova disciplina científica, originária na Universidade de Ghent, Bélgica, que se dedica ao conhecimento científico sobre a base genética das características das plantas. Esse conhecimento constitui a base de uma série de estratégias de melhoramento de culturas.

“As culturas GM vão banir a fome no mundo?
– Não.

As culturas GM são a única solução adequada?
– Definitivamente não.

As culturas GM têm algo para oferecer?
– O livro é sobre isto mesmo.

Se um tomate é susceptível a determinados fungos aos quais um pimento é resistente, a única forma de um agricultor poder proteger as suas plantas de tomate é aspergir fungicidas. Mas através da tecnologia da engenharia genética (vulgarmente conhecida por tecnologia dos OGM – Organismos Geneticamente Modificados) a resistência do pimento aos fungos pode ser transferida para o tomate sem alterar outras características da cultivar do tomate.

Resultado? A planta do tomate é capaz de se auto-proteger e deixa de ser necessário aplicar o fungicida nas plantas, deixando de ser necessário.

O livro “The GMO Revolution” (A revolução dos OGM – Organismos Geneticamente Modificados) apresenta uma visão equilibrada, baseada em evidências científicas, sobre a forma como as culturas GM podem ser úteis para solucionar desafios e futuras que a agricultura enfrenta nos dias de hoje. Algumas das plantas melhoradas através das tecnologias de engenharia genética de plantas encontram-se batatas melhoradas para se auto-proteger do ataque de fitóftora (fungo) , árvores que podem ser usadas para produção de biocombustíveis, arroz que contém maior conteúdo de vitaminas, trigo adequado para pessoas com intolerância ao glúten, entre outras.

Mais informações sobre o livro e os autores

O livro está em formato epub. Para ser lido em PCs ou em tablets pode usar-se o programa gratuito Calibre.

 

AGROBIOTECNOLOGIA PERMITE REDUZIR IMPACTOS AMBIENTAIS

Agrobiotecnologia permite reduzir impactos ambientais
na actividade agrícola

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Tabela 1 – Impacto da alteração do uso de herbicidas e pesticidas por utilização mundial de variedades biotecnológicas entre 1996 e 2013 – Clique para ver maior
Tab2-Artigo-PFevereiro-Cultivar4-2016 - 1
Tabela 2 – Contexto do impacto da sequestração de carbono em 2013: carro / equivalente – Clique para ver maior

“A utilização da biotecnologia tem permitido aos agricultores reduzir significativamente o impacto da sua atividade no meio ambiente, aumentando a sustentabilidade dos sistemas.
Ao nível mundial é possível verificar, por exemplo, a redução da aplicação de inseticidas e herbicidas, bem como a redução da emissão de gases devido ao uso de variedades melhoradas com recurso à biotecnologia (tabelas 1 e 2). Estes valores dão uma
perspetiva do aumento da sustentabilidade gerado pelo uso das variedades melhoradas com recurso à biotecnologia.”

Fonte: Pedro Fevereiro (2016) “Biotecnologia e Melhoramento Vegetal”. Revista Cultivar. 4. GPP – Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral. pp. 27-35.

Ler Artigo Completo AQUI

 

Artigo – Biotecnologia e Melhoramento Vegetal por Pedro Fevereiro

Cultivar - 4 - GPP-MAM - Art PeF - Biotec Melhoramento Veg

Artigo de Comunicação e Agricultura
Biotecnologia e Melhoramento Vegetal
Pedro Fevereiro – ITQB, CiB Portugal
Junho 2016 | Revista Cultivar nº 4 GPP – pag.  27-35

 

A biotecnologia tem como programa racionalizar e tornar eficientes os processo que recorrem aos organismos vivos ou seus componentes para a obtenção de produtos e serviços.

Não admira, portanto, que historicamente seja a agricultura – uma atividade que tem como um dos seus objetivos a produção de matéria-prima para a alimentação humana e animal – uma das áreas que mais tende a incorporar a inovação desenvolvida pela biotecnologia.

Dependendo da perspetiva, é possível assumir que a biotecnologia, entendida como atividade humana que recorre aos “serviços” dos seres vivos, sempre esteve presente desde que o homem se sedentarizou. De facto, os processos de seleção artificial que foram sendo impostos por nós a espécies vegetais e animais e que deram origem às atuais variedades vegetais cultivadas e às raças de animais domésticos, bem como os múltiplos usos que delas foram sendo feitos, são considerados por alguns como biotecnologia, embora a componente de racionalização destes processos só nos últimos dois séculos se tenha vindo a impor, devido à compreensão dos fenómenos biológicos subjacentes aos processos utilizados.

Nos últimos cem anos, a acumulação do conhecimento biológico, fruto da aplicação do método científico ao estudo dos seres vivos que nos rodeiam, tem permitido o desenvolvimento de várias tecnologias para otimizar os processos de melhoramento das espécies vegetais. O desiderato final é permitir o desenvolvimento de cultivares, das diferentes espécies vegetais que são utilizadas na agricultura, adequadas às diferentes condições edafoclimáticas, aos diferentes modos de produção e aos diferentes ataques bióticos (doenças e pragas). Estes objetivos são tanto mais relevantes quanto as perdas relativas aos stresses bióticos se estimam entre 30 a 40 porcento atuais (figura 1), podendo as perdas de produtividade potencial resultantes dos impactos abióticos ultrapassar os 60%.

LER ARTIGO COMPLETO nas pág. 27-35

Pedro Fevereiro (2016) “Biotecnologia e Melhoramento Vegetal”. Revista Cultivar. 4. GPP (*) – Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral. pp. 27-35. Url: http://www.gpp.pt/pbl/Period/Cultivar_4_digital.pdf. 

Apres.Cultivar4-GPP-MAM-5jul2016-FotoGPP
Sessão de Apresentação da Revista Cultiva nº 4

O GPP (*) organizou no Ministério da Agricultura e Mar uma sessão de reflexão, com intervenções sobre o tema, na sessão de apresentação desta publicação.

APRESENTAÇÃO “Biotecnologia e Agricultura” de Pedro Fevereiro

Programa do evento

* O GPP – Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral tem por missão apoiar a definição das linhas estratégicas, das prioridades e dos objetivos das políticas do Ministério da Agricultura e do Mar (MAM) e coordenar, acompanhar e avaliar a sua aplicação, bem como assegurar a sua representação no âmbito comunitário e internacional e prestar o apoio técnico e administrativo aos gabinetes dos membros do governo e aos demais órgãos e serviços integrados no MAM.

Mais de 100 Prémios Nobel apoiam Agricultura de Precisão com OGMs

Arroz Dourado - Fonte - Golden Rice Project
Arroz convencional e Arroz dourado geneticamente modificado

Carta
Mais de 100 Prémios Nobel
apoiam Agricultura de Precisão com OGMs

1 Julho 2016 | Campanha “Support Precision Agriculture”

Mais de 100 galardoados com o Prémio Nobel assinaram uma carta enviada aos líderes da Greenpeace, das Nações Unidas e aos Governos de todo o mundo, apoiando a Agricultura de Precisão com utilização de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs).

O Programa das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura fez notar que será necessário duplicar a produção global de alimentos, rações e têxteis até 2050, para colmatar as necessidades de uma população global em crescimento. Várias organizações se opõem à utilização de tecnologia moderna no melhoramento de plantas. A Greenpeace  lidera essa oposição, nega repetidamente estes factos e opõe-se à inovação biotecnológica na agricultura. Essas organizações deturpam a informação sobre os riscos, os benefícios e os impactos e apoiam a destruição criminosa de campos de ensaios  e projectos de investigação.

Os signatários da carta instam a Greenpeace e os seus apoiantes a reexaminarem a experiência com culturas e alimentos melhorados através da biotecnologia, de agricultores e consumidores em todo o mundo, a reconhecerem as evidências das autoridades científicas e de regulamentação,e a abandonarem as suas campanhas contras os OGMs em geral e o Arroz Dourado em particular.

As autoridades científicas e de regulamentação em todo o mundo têm mostrado repetida e consistentemente evidências de que as culturas e os alimentos melhorados através da biotecnologia são tão seguros, ou mais seguros, do que os derivados de outros métodos de produção. Não existe um único caso confirmado de consequências para a saúde humana ou animal do consumo de produtos com OGMs.

Tem-se mostrado também repetidamente que os impactos ambientais do uso de culturas geneticamente modificadas é menos danoso para o ambiente e para a biodiversidade global.

A Greenpeace tem liderado a oposição ao Arroz Dourado, com potencial para reduzir ou eliminar muitas das mortes e doenças causadas pela Deficiência em Vitamina A (sigla em Inglês VAD). A VAD tem um grande impacto nas populações mais pobres de África e do Sudeste Asiático.

A Organização Mundial de Saúde estima que 250 milhões de pessoas sofrem de Deficiência em Vitamina A, incluindo 40 por cento de crianças com menos de cinco anos no mundo em desenvolvimento. Com base em estatísticas da UNICEF, um total de um a dois milhões de mortes desnecessárias ocorrem anualmente como consequência de VAD, uma vez que a doença compromete o sistema imunitário, colocando bebés e crianças em grande risco. A VAD provoca directamente a cegueira afectando 250 mil a 500 mil crianças em cada ano. Metade das quais morre após 12 meses depois de perder a visão.

Os signatários desta carta pedem à Greenpeace que cesse e desista das suas campanhas contra o Arroz Dourado e contra as culturas e os alimentos melhorados através da biotecnologia;

Pedem aos Governos de todo o mundo para rejeitarem as campanhas da Greenpeace contra o arroz dourado e contra as culturas e alimentos melhorados através da biotecnologia; e que façam tudo o que estiver ao seu alcance para se oporem às acções da Greenpeace e para acelerarem o acesso dos agricultores a todas as ferramentas da biologia moderna, principalmente às sementes melhoradas através da biotecnologia. A oposição com base nas emoções e nos dogmas contrários às evidências têm que parar.

Quantas pessoas pobres no mundo têm que morrer antes que este seja considerado um “crime contra a humanidade”?

 

Vídeo TedX – Ser ou não ser OGM, heis a questão

Vídeo TedX
Ser ou não ser OGM, heis a questão
por Stefan Jansson

A engenharia genética de plantas (culturas geneticamente modificadas – GM ou transgénicas) é um tema controverso para o público em geral, apesar de os dados científicos disponíveis e acumulados desde há décadas indicarem que não existem motivos para a sua utilização ser considerada um risco maior para a saúde ou para o ambiente do que as culturas convencionais – ler mais aqui. Mas a legislação existente em muitos países Europeus proíbe o seu cultivo e a sua utilização (em Portugal é permitido o cultivo de milho bt geneticamente modificado para resistir ao ataque de pragas de insectos da broca). Se existem leis que as proíbem, então é importante definir o que são. Este vídeo explica a evolução da investigação biológica e a forma como a fronteira entre plantas GM e não-GM está a desaparecer.

O autor desta conferência TedX é Stefan Jansson, investigador e professor de biologia de células vegetais e molecular do Centre/Umeå University. A sua investigação inclui estudos sobre como as plantas usam a luz solar na fotossíntese. Utiliza ainda a genética e a genómica para estudar as variações naturais em árvores, em particular para saber como as árvores sabem quando chega o Outono. Jansson pertence à Academia Real das Ciências da Suécia e participa em inúmeros debates públicos sobre utilização de organismos geneticamente modificados (OGM) ou transgénicos.

Vídeo e FAQ – O que são culturas geneticamente modificadas?

Vídeo e Perguntas Frequentes (FAQ)
O que é a modificação genética
e o que são as culturas geneticamente modificadas (transgénicas)?

Maio 2016 – Royal Society (UK)

Download das Perguntas Frequentes

Culturas e alimentos transgénicos são seguros diz Academia de Ciências dos EUA

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“Culturas GM são seguras”
Nova Avaliação da Academia Nacional de Ciências,
Engenharia e Medicina dos EUA

17 Maio 2016 | Acad. Nac. Ciências EUA e CiB Brasil

A Academia Nacional das Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos da América (EUA) declarou que o uso de culturas agrícolas e alimentos geneticamente modificados (conhecidos por culturas GM ou transgénicos) é seguro. 

Foi realizada uma nova e extensa avaliação por 20 peritos em diferentes áreas do conhecimento científico e publicado o  relatório “Genetically Engineered Crops: Experiences and Prospects”, com mais de 400 páginas que inclui extensa informação compilada dos últimos 30 anos de investigação, pareceres e recomendações.

No website de divulgação deste estudo estão também disponíveis outros relatórios científicos, respostas a perguntas frequentes (FAQ) sobre as culturas GM, sobre este estudo de avaliação e ainda material de divulgação geral na secção de comunicação pública (com apresentação de slides e vídeos).

A Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos reúne cientistas reconhecidos pela comunidade científica e, desde 1863, funciona como conselheira para as decisões do governo norte-americano. A produção deste relatório de avaliação das culturas e alimentos GM foi realizada a partir da avaliação de cerca de 1000 publicações científicas, foram ouvidas mais de 80 opiniões em audiências públicas e em seminários e foram analisados mais de 700 comentários enviados pela população.

A CONCLUSÃO é de que não foram encontradas diferenças para a segurança do ambiente entre as culturas e os alimentos geneticamente modificados quando comparados com os seus homólogos convencionais. O relatório aborda também as implicações para a saúde e conclui que não há evidências de que os alimentos transgénicos causem obesidade, doenças gastrointestinais, diabetes, doenças renais, autismo, alergias ou cancro.

Estas conclusões confirmam mais uma vez o que tem vindo a ser reconfirmado desde há mais de vinte anos. Estes produtos foram rigorosamente e extensamente testados e analisados pela comunidade científica e pelas autoridades internacionais. A agricultura e os agricultores, as fileiras alimentares, a sociedade em geral e o ambiente têm benefícios da utilização destes produtos biotecnológicos.

LINKS PARA INFORMAÇÕES

  • Relatório – “Genetically Engineered Crops: Experiences and Prospects” -, Resumo do Relatório e Recomendações
  • Website de divulgação do estudo com relatório e documentos complementares

 

Culturas Transgenicas no Mundo 2015 - NAS-EUA
Distribuição das culturas GM (transgénicas) comercializadas no mundo em 2015. Foram cultivados 180 milhões ha  – 12% do total cultivado – por cerca de 18 milhões de agricultores – 90% dos quais estão em países em desenvolvimento – (pág. 47 do relatório completo).

 

5 DESTAQUES SOBRE O ESTUDO
“Genetically Engineered Crops: Experiences and Prospects”

18 Maio 2016 | Vox Energy and Environment

1 – A evidência + importante sugere que as culturas GM são tão seguras como as culturas convencionais.
2 – As Culturas GM usadas até agora provaram que têm elevado valor para muitos agricultores, mas o contexto da sua utilização é importante.
3 – É necessário cuidado com argumentos simplistas sobre as culturas GM poderem “alimentar o mundo”.
4 – Algumas Culturas GM têm efeitos ambientais positivos, mas há que ter cuidado com a gestão da resistência das “super ervas-daninhas”.
5 – A Engenharia Genética de plantas está a mudar radicalmente e é necessário ajustar as regulamentações de acordo com a realidade dos avanços do conhecimento, como em qualquer outra área da inovação tecnológica.
LER MAIS

Uso Insecticidas Culturas Transgenicas 2015 - NAS-EUA
Redução nas taxas de aplicação de pesticidas em Algodão e Milho entre 1995-2010 nos EUA (pág. 75 do relatório completo)

Genes

COMENTÁRIOS DE 15 ESPECIALISTAS AO ESTUDO
“Genetically Engineered Crops: Experiences and Prospects”

17 Maio 2016 | GENeS – Genetic Expert News Service

A GENes divulga os comentários de 15 especialistas sobre este estudo da Academia Nacional das Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA sobre o conhecimento acumulado ao longo dos últimos 30 anos de investigação científica.  Esses especialistas são académicos de diferentes áreas das ciências da vida e medicina (plantas,  insectos, genética e engenharia genética, saúde das plantas, toxicologia em seres humanas e animais, alergias humanas e animais), da gestão ambiental e agrícola e da gestão económica.

 

Guia | Segurança alimentar das culturas GM / transgénicas

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Guia do Instituto ViB

Segurança alimentar das culturas GM (transgénicas)

February 2016 | Por ViB Institute

O Instituto ViB  –  Life Sciences Research Institute da Flanders-Bélgica produziu o guia “Food safety of genetically modified crops”, onde apresenta informações actualizadas sobre a segurança alimentar das culturas agrícolas geneticamente modificadas GM, ou transgénicas. Tal como existem cientistas que negam a existência do aquecimento global ou que descartam as vantagens efectivas das vacinas, haverá sempre pessoas mesmo dentro da comunidade científica que declaram que a tecnologia da engenharia genética para produzir plantas GM coloca riscos à saúde humana. Contudo, não existe nenhum argumento científico encontrado até agora para duvidar da segurança desta tecnologia e do seu uso na agricultura. As instituições que se dedicam à segurança alimentar, as empresas, os institutos de investigação científica e as universidades têm realizado testes em larga escala e estudos sobre as plantas transgénicas há mais de trinta anos. Existe um consenso científico significativo sobre a sua segurança em consequência do conhecimento acumulado.

O ViB esclarece que as aplicações desta tecnologia devem ser avaliadas caso a caso antes de ser autorizado o cultivo de plantas geneticamente modificadas e a sua utilização em alimentos e rações.

Mais guias do ViB sobre plantas geneticamente modificadas e o seu uso na agricultura e na alimentação humana e animal AQUI

7 Mar | Prof. Montagu | “Pai” da 1º Planta Transgénica no ITQB, Oeiras

Marc Van Montagu
Marc Van Montagu | Por ViB

Seminário 
Plant Sciences: Discover, Innovate, communicate with Society
7 Março 2016 – 11h30 | Marc Van Montagu

O Professor Doutor Marc Van Montagu, considerado o “Pai” da primeira planta transgénica, estará em Portugal no próximo dia 7 de Março de 2016, pelas 11h30, para apresentar o seminário Plant Sciences: Discover, Innovate, communicate with Society, no ITQB NOVA, em Oeiras (na antiga Estação Agronómica Nacional).

Montagu e o seu colega Jeff Schell descobriram o mecanismo de transferência de genes entre a bactéria Agrobaterium e plantas, do que resultou o desenvolvimento da primeira planta transgénica. Essa descoberta abriu caminho para a tremenda evolução da investigação em Plantas durante as últimas três décadas. Em 2013, Marc Van Montagu recebeu o World Food Prize 2013, considerado um prémio equivalente a um “Nobel” na área da Alimentação e da Agricultura. O Professor Montagu é o mais reconhecido cientista vivo na área das Plantas.

Este seminário realiza-se no âmbito da Cerimónia de Abertura do 2º ano do Programa de Doutoramento “Plants for Life” do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa.

A entrada é livre. Instruções para chegar ao ITQB AQUI

 

MAIS INFORMAÇÕES

Montagu-e-a-equipa-ha-30-anos-sofiafrazoa-2013
Fotografia de uma antiga foto de Marc Van Montagu e equipa de investigadores há mais de 30 anos | Por Sofia Frazoa, 2013

 

Artigo de Opinião – OGM: Bom Senso ou Hipocrisia?

Opiniao Jaime Picarra - 5fev2016

OGM: Bom Senso ou Hipocrisia?

Jaime Piçarra (Eng. Agrónomo)
AgroVida – Semanário Económico

5 Fevereiro 2016

Depois de 20 anos de utilização a nível mundial, com crescente adoção nos principais países exportadores de matérias-primas para a alimentação animal, a Biotecnologia Agrícola, mais concretamente, os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) continuam a ser objeto de grande controvérsia, numa discussão que já nada tem de científico, sendo claramente política e ideológica. Curiosamente, a biotecnologia é utilizada em inúmeros setores, desde logo na saúde (insulina), sem que ninguém a questione. Na União Europeia, o milho transgénico foi autorizado em 1998 e em Portugal, em 2005, há exatamente 10 anos, iniciou-se o seu cultivo regular. Depois de intermináveis debates e inúmeros estudos, com larga experiência de campo e de consumo a nível mundial, a controvérsia tende a subir de tom na Europa, como se fosse possível não ter em conta toda a experiência e monitorização, os interesses de produtores, utilizadores e consumidores, o impacto no ambiente, nos mercados e na competitividade dos sectores, o direito á informação, à liberdade de escolha e, sobretudo, as avaliações científicas efectuadas pela EFSA, a Agência Europeia para a Segurança dos Alimentos.

Será que podemos ignorar que estas plantas são cultivadas por 18 milhões de agricultores em todo o mundo, 90% dos quais pequenos agricultores, em 181.5 milhões de hectares? Que as principais matérias-primas para a alimentação animal, desde logo a soja, que a Europa não produz, é cerca de 90% GM? Que vivemos numa economia globalizada, com normas estabelecidas na OMC, ou em acordos comerciais bilaterais, e que temos um Mercado Único na União Europeia? Que estão definidas regras muito claras de rotulagem para os alimentos compostos para animais e para os géneros alimentícios? Que os eventos autorizados para cultivo e importação, são avaliados com grande rigor, não só na União Europeia como nos países exportadores (Estados Unidos, Argentina, Brasil, Canadá… que connosco competem nos mercados do leite, carne e ovos), sendo apenas autorizados quando se comprovam que não têm maiores riscos e são tão seguros para a saúde, humana ou animal e ambiente, como os seus congéneres convencionais? Que Portugal tem uma legislação sobre a coexistência que é particularmente exigente, quer para os que optam pela agricultura convencional, pelo milho geneticamente modificado (cujas práticas e formação assumem grande rigor e responsabilidade) ou pela agricultura biológica, não se tendo verificado quaisquer incidentes que ponham em causa a eficácia da mesma?

Nos últimos meses, o dossier dos OGM conheceu uma evolução significativa, com sinais contraditórios: ao nível do cultivo, a decisão de proibir ou autorizar, passou para a competência dos Estados-membros (EM); a introdução de uma proposta da Comissão no sentido de deixar ao critério de cada País a possibilidade de importar matérias-primas GM; a constatação, da parte do Provedor Europeu de Justiça, de que a Comissão atrasou deliberadamente as aprovações de novos eventos devido à ausência de consensos dos EM, recomendando o rigoroso cumprimento da Lei; em Portugal, já em janeiro de 2016, a apresentação de vários projetos de Lei visando a proibição da cultura de milho geneticamente modificado; por último, a apresentação, em Bruxelas, de um parecer dos serviços jurídicos do Conselho que considera que a proposta da Comissão é contrária aos princípios do Mercado Único e da OMC, reforçando os argumentos, de todas as organizações europeias e do Parlamento Europeu, que, pelo impacto fortemente negativo para os interesses da União, se assumiram contra o projecto de Bruxelas, solicitando à Comissão a sua urgente retirada.

Felizmente, no nosso País, a Assembleia da República recusou a proibição pretendida pelo Bloco, PCP, PEV e PAN, demonstrando um enorme bom senso e uma aposta no conhecimento, na ciência e investigação, na liberdade de escolha e na melhoria da competitividade da agricultura e do sector agroalimentar. Sem esquecer a precaução, a avaliação e monitorização.

Numa Sociedade que julga ser possível viver com risco zero, o debate na Europa tem sido marcado pelo ruído e pela manipulação. Por movimentos que recusam tudo o que não seja coerente com a sua linha de pensamento e que consideram apenas como aceitável as suas regras, em nome do ambiente, do bem-estar animal ou da saúde pública. Mas essas bandeiras, não são, não podem ser, exclusivos dos que defendem a agricultura biológica, dos ambientalistas ou dos partidos de esquerda. São de todos aqueles que, tal como nós, se preocupam com o futuro da Agricultura enquanto motor da economia nacional, da Sustentabilidade. Da utilização de todas as tecnologias que permitam a criação de emprego e de riqueza, a construção de uma Sociedade melhor.

Por agora, parece ter ganho o bom senso mas a hipocrisia espreita a todo o momento, podendo acrescentar mais crise à crise. De valores e atraso tecnológico. É que o dossier dos OGM, qual “via-sacra”, continuará no centro da agenda política.

Versão também disponível em ESPANHOL e em INGLÊS

Culturas Transgénicas | 27 Anos de Investigação +

25 anos Investigação Relatório CE - Culturas GM - Transgénicas  UE - PNG

Culturas Transgénicas
 27 Anos de Investigação +
(3 Estudos em 1985-2000 + 2001-2010 + 2002-2012)

17 Dezembro de 2015 | CiB Portugal

A Comissão Europeia (CE) tem publicados dois relatórios que incluem 25 anos (1985-2010) de investigação científica na UE financiada pela  própria CE que concluiem a elevada qualidade e segurança do uso de Culturas Geneticamente Modificadas (conhecidas também por culturas GM, ou transgénicas ou OGM) na agricultura.

O relatório mais recente (2000-2010) tem como base a investigação realizada em consórcio e co-financiado pela União Europeia (UE) em 200 milhões de euros, sumarizando os resultados de 50 projectos. Esses projectos tiveram como objectivo avaliar a segurança do uso de OGM na agricultura para o ambiente e para a saúde humana e animal e fazem parte de um enorme esforço de investigação já com 25 anos.

Este relatório (2000-2010) seguiu-se a outro que relatava os financiamentos e os resultados obtidos nesta mesma área entre 1985 e 2010. Este primeiro relatório investigou na UE os aspectos chave do melhoramento vegetal, como a resistência a doenças provocadas por fungos, nemátodes e vírus, e o uso eficiente do azoto. Foram também abordadas questões relacionadas com o fluxo de genes, quer vertical, quer horizontalmente, bem como os efeitos em organismos não-alvo e na ecologia do solo. Desde 1985, a UE investiu um total de 300 milhões de euros e envolveu mais de 400 grupos de investigação europeus. Dos resultados dessa investigação o que sobressai é a conclusão de que a utilização das variedades vegetais transgénicas (obtidas com recurso à tecnologia do DNA recombinante) não constitui um risco acrescido, quer para a saúde humana e animal, quer para o ambiente, quando comparado com o uso de variedades vegetais obtidas com outras técnicas de melhoramento.

Estas conclusões podem ser observadas em centenas de artigos científicos explicitando os resultados da investigação efectuada referidos nesses dois relatórios da CE, mas também num Artigo de Revisão de 2013 “An overview of the last 10 years of genetically engineered crop safety research , publicado no jornal científico “Critical Reviews in Biotechnology”. Investigadores da Universidade de Perugia (Itália) analisaram 1783 estudos (artigos científicos, artigos de revisão, opiniões científicas e relatórios) publicados durante 10 anos (2002 e 2012), que abrangiam  todos os aspectos das questões da segurança das culturas  transgénicas, desde a forma como as plantas cultivadas interagem com o ambiente, os seus impactos e forma como elas podem afectar potencialmente os animais ou seres humanos que se alimentam delas. Os autores Italianos sumarizaram o conhecimento da sua análise, cujas conclusões desse artigo de revisão indicam que não foram detectados quaisquer malefícios directos relacionados com o uso de culturas e alimentos transgénicos por animais e humanos.

As informações divulgadas por estes dois relatórios da CE e este artigo de revisão  contrastam com todos os argumentos utilizados e dissiminados pelos grupos de activistas “anti-transgénicos” Portugueses e Internacinais (incluindo informações incorrectas – e sem fundamento científico – de que as culturas transgénicas causam cancros, malformações congénitas, consequências graves para o equilibrios dos ecossistemas, perdas para a biodiversidade), com o cepticismo de muitos decisores políticos e com a hesitação constante da Comissão Europeia em agilizar os processos de aprovação de novas culturas GM para importação e consumo por animais e seres humanos, mas também para o seu cultivo pelos próprios agricultores dos países da União Europeia.

 

REFERÊNCIAS 

Comunicado de Imprensa da Comissão Europeia 25 anos de investigação na UE em culturas transgénicas / GM (1985-2000 e 2001-2010)

Relatório (2001-2010) – A decade of EU-funded GMO research (2001-2010

Relatório (1985 – 2000) – EC-sponsored research on Safety of Genetically Modified Organisms (1985-2000)

• Artigo de Revisão (2013) – An overview of the last 10 years of genetically engineered crop safety research publicado no jornal científico “Critical Reviews in Biotechnology”.

A lenda negra dos Transgénicos: desmontando mitos que rodeiam as culturas geneticamente modificadas

Maçaroca de Milho Transgénico resistente à broca versus Maraçorca de Milho convencional atacado por branco e já infestado com fungos tóxicos nas feridas provocadas pelas brocas - Qual das maçarocas acha que e mais saudável na alimentação? E mais rentável ao agricultor?

A lenda negra dos Transgénicos:
Desmontando mitos que rodeiam as culturas geneticamente modificadas”

Fundação Antama | Actualizado em 2015

Os produtos transgénicos são os alimentos mais avaliados de toda a história da agricultura e são-no através das entidades científicas públicas competentes criadas com essa funçã. A União Europeia conta com a EFSA – Autoridade Europeia de Segurança Alimenta, uma entidade independente formada por um comité de cientistas internacionais e altamente qualificados (em nutrição, toxicologia, alergologia e meio ambiente) para realizar as avaliações de risco desses produtos.

LER MAIS AQUI