Speed Breeding|Vem aí a tecnologia que melhora a velocidade de produção?

Créditos da imagem: QUAAFI

Inspirado pela forma como os astronautas da NASA cultivam trigo no espaço, o australiano Lee Hickey e a sua equipa de investigadores estão a dar os primeiros passos numa tecnologia que tem o poder de melhorar a velocidade de produção de culturas agrícolas, permitindo até seis gerações de plantas por ano.

O melhoramento da velocidade de produção de culturas agrícolas é uma tecnologia poderosa para aumentar a qualidade e quantidade das colheitas. Através dela, o australiano Lee Hickey e a sua equipa de investigadores da Universidade de Queensland, na Austrália, estudam a genética da doença e da resistência à seca com o objetivo de conseguir colheitas mais robustas para os agricultores.

Hickey trabalha com trigo e cevada, as mais importantes culturas de cereais da Austrália, e é já considerado uma autoridade emergente no melhoramento de plantas por via da edição genética.

O papel de Hickey no desenvolvimento da tecnologia de ‘melhoramento da velocidade’ de produção tem sido crucial, pois permite colher até seis gerações de plantas por ano.

Saiba mais na palestra que o investigador deu num evento TEDx, organizado por uma comunidade local australiana, e num artigo, em inglês, no site da QUAAFI – Queensland Alliance for Agriculture and Foof Innovation.

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PBi | Genes de gramíneas utilizados para produzir melhores colheitas de milho e sorgo


Os genes de mais de 700 espécies de gramíneas Andropogoneae estão a ser estudados com o objetivo de produzir milho e sorgo mais resistentes às alterações climáticas.

Com o objetivo de tornar as culturas de milho e de sorgo mais produtivas e mais resilientes às condições climáticas extremas provocadas pelas alterações globais da temperatura, investigadores estão a estudar as informações genéticas encontradas em mais de 700 espécies de plantas gramíneas.  

Investigadores da universidade norte-americana de Cornell e do departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA)estão a estudar a família de plantas Andropogonae, que inclui milho, sorgo e cana-de-açúcar, culturas bastante comuns em todo o mundo e que movimentam a economia agrícola dos países produtores e consumidores destes produtos.

Ao estudar a genética de espécies de gramíneas tão intimamente relacionadas com o milho, o sorgo e a cana-de-açucar, os investigadores serão capazes de extrair genes que abrangem cerca de 1,5 mil milhões de anos de história evolutiva. Com este trabalho, pretendem identificar pares de bases funcionalmente importantes nos genomas que podem sofrer mutação no milho e no sorgo.

“Na natureza, cada geração de plantas enfrenta várias condições climáticas, pelo que, as que sobrevivem a essas variações ambientais extremas, passam os seus genes de resistência às gerações seguintes. Por isso é tão importante estudarmos as gramídeas Andropogonae”, afirmou Ed Buckler, investigador principal do projeto e geneticista do USDA.   

“À medida que tentamos criar culturas mais adaptadas às mudanças climáticas [através de técnicas de PBi-Plant Breeding Innovation], poderemos aproveitar essa enorme quantidade de tempo evolutivo e história genética que não conseguimos identificar apenas analisando uma espécie”, acrescentou.

Estas informações genéticas, garantem os investigadores, ao permitirem a criação de culturas de milho e de sorgo mais resistentes às alterações climáticas, permitem também que os agricultores aumentem os seus ganhos e tenham menos perdas.

Veja AQUI a versão integral (em inglês) desta notícia no Cornel Chronicle, o jornal diário da Universidade de Cornell.

Genética de Precisão | Proibição chumbada em reunião da ONU


Os mosquitos são o foco de grande parte da investigação em tecnologia genética de precisão. Fotografia de SolvinZankl / Naurepl.com

Representantes dos governos de 170 países consideraram proibir temporariamente a libertação de organismos transmissores de genes,  mas a moratória que propuseram no primeiro dia da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CDB), que decorre no Egito até 29 de novembro, não foi aceite pelos estados-membros favoráveis à tecnologia de alta precisão genética. Mesmo assim, os investigadores temem que a discussão possa ser o gatilho para, no futuro, se imporem restrições ao uso desta inovadora tecnologia na agricultura.

A investigação sobre a tecnologia de precisão genética está a avançar a passo acelerado, mas muitos estados-membros da Organização das Nações Unidas temem potenciais riscos, pelo que a ONU voltou a colocar o tema na sua ordem de trabalhos.

A tecnologia de precisão genética é uma inovadora tecnologia de melhoramento vegetal que tem sido alvo de muita controvérsia. Embora reconheçam que esta tecnologia pode ser uma grande aliada na erradicação de doenças e no controlo de pragas, os estados-membros que assinaram a moratória advertem que a mesma também pode alterar os ecossistemas com consequências imprevisíveis.  

A moratória provocou reações, mesmo antes de ser apresentada no primeiro dia da CDB. Além da declaração emitida na semana passada pela Royal Society britânica, um grupo de mais de cem investigadores, incluindo vários investigadores em transmissão de genes, escreveu uma carta aberta na qual instou os governos a rejeitar a moratória.

Como explicou Austin Burt, geneticista evolucionista do Imperial College London, que lidera um projeto internacional chamado Target Malaria, com o qual espera usar esta tecnologia para controlar a propagação da malária por mosquitos na África subsaariana, “uma moratória que deixa tudo em aberto sobre tecnologia genética de precisão, sem sequer definir o que se entende por transmissão de genes, é grosseira e completamente errada”.  

Saiba mais AQUI

Os mosquitos são o foco de grande parte da investigação em tecnologia genética de precisão. Fotografia de SolvinZankl / Naurepl.com

PBi | Consultores da CE alertam para risco de regulamentar edição de genoma ao abrigo da Directiva dos OGM.

O Grupo de Consultores Científico e Tecnológico da Comissão Europeia publicou uma declaração, recomendando que a atual Diretiva sobre Organismos Geneticamente Modificados (OGM) seja revista à luz dos últimos avanços científicos e tecnológicos, referindo-se especificamente à edição de genoma e às técnicas de modificação genética.

O posicionamento do Grupo de Consultores Científico e Tecnológico da União Europeia (em inglês, Scientific Advice Mechanism, SAM)é uma resposta ao acórdão do Tribunal de Justiça da EU, de 25 de julho de 2018, em que se estabelece que os organismos obtidos através de mutagénese constituem um OGM e devem estar sujeitos às obrigações estabelecidas na Diretiva sobre OGM. Na declaração, publicada no dia 13 de novembro, o SAM adverte que, se a legislação não for atualizada, poderá haver consequências graves para os consumidores e agricultores europeus, para o comércio internacional, para a cooperação com os países em desenvolvimento e também para o progresso científico europeu.

O Grupo solicita também que, ao legislar, se forem levados em conta fatores não científicos, nomeadamente considerações éticas, legais, sociais ou económicas, os mesmos devem ser identificados como tal e comunicados de forma transparente, ou seja, como razões não baseadas em evidências científicas.

Na declaração, o SAM afirma que os novos conhecimentos científicos e os últimos avanços técnicos fizeram com que a Diretiva Europeia sobre Organismos Geneticamente Modificados (OGM) não fosse mais adequada ao seu propósito e adverte que a Diretiva dá origem a problemas mais vastos, em especial no que se refere à definição de OGM no contexto de mutações naturais, considerações de segurança, deteção e identificação.

De lembrar que a definição de OGM incluída na referida Diretiva foi estabelecida em 1990, identificando-os como sendo aqueles organismos que foram geneticamente modificados de uma forma que não pode ocorrer na natureza. No entanto, desde então, a ciência avançou muito e mostrou que as mutações genéticas ocorreram naturalmente na natureza ao longo da história, sem intervenção humana, pelo que é um mecanismo subjacente da evolução natural.

Informação detalhada AQUI  e Statment do Grupo de Consultores Científico e Tecnológico da Comissão Europeia AQUI 

PBi | Avanços na edição de genoma podem alterar lei que regula OGM

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Depois de dezenas de investigadores de vários países da Europa enviarem uma carta aos deputados europeus a solicitarem a criação de legislação mais favorável à inovação no melhoramento de plantas, também investigadores holandeses e suecos manifestaram publicamente o seu apoio a uma proposta recente do Ministério de Infraestrutura e Meio Ambiente da Holanda para alterar a Diretiva da UE sobre a libertação deliberada de organismos geneticamente modificados (OGM) no ambiente.

Com esta iniciativa, os investigadores pretendem apelar à alteração da legislação em vigor sobre OGM, questionando se será adequada à luz dos avanços até agora alcançados e emergentes nas tecnologias de edição de genoma. Num artigo publicado no jornal Trends in Biotechnology, argumentam que as novas técnicas de melhoramento de plantas (também conhecidas como Plant Breeding Innovation – PBi), desenvolvidas nas últimas duas décadas, permitiram um melhoramento mais eficiente e seletivo de plantas.

Apontando como exemplo o surgimento de tecnologias como o sistema CRISPR, que pode ser usado para editar genes dentro de organismos, e de outras, os investigadores garantem que estão a ser feitas mais inovações do que nunca no campo da codificação genética. Veja-se o caso do genoma do trigo de pão, a cultura mais amplamente cultivada no mundo, que, segundo o Consórcio Internacional de Sequenciamento do Genoma do Trigo (IWGSC), “irá preparar o caminho para a produção de variedades de trigo melhor adaptadas aos desafios climáticos, com maiores rendimentos, melhor qualidade nutricional e melhor sustentabilidade”.

Sucede que a lei que regulamenta os OGM está muito atrasada em relação a esta área da ciência, a que acresce o ceticismo da União Europeia quando se trata de modificação genética. É justamente esta realidade que os investigadores gostariam de ver alterada.

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