Arquivo de etiquetas: saude

Recomendações EASAC | Edição de Genoma

Genome Editing EASAC - Mar2017

Recomendações
– Edição de Genoma em plantas, animais,
microrganismos e pacientes –

Comunicado CiB – 10 Abril 2017

Um relatório com recomendações sobre a Edição de Genoma foi publicado, no final de Março de 2017, pelo Conselho Consultivo das Academias Europeias de Ciências (EASAC). O relatório Edição de Genoma: Oportunidades Científicas, interesses públicos e opções políticas na UE dirige-se principalmente a decisores políticos da União Europeia (UE) e fornece recomendações sobre a abordagem relativa à aplicação da Edição de Genoma em plantas, animais, microrganismos e pacientes.

 

O QUE É A EDIÇÃO DE GENOMA?
A Edição de Genoma refere-se à modificação intencional de uma sequência de DNA específica, pré-seleccionada, existente num determinado ser vivo. Esta tecnologia está a aumentar o conhecimento sobre as funções biológicas dos seres vivos e a revolucionar a investigação científica. Esta nova e poderosa ferramenta tem potencial para ser utilizada em diferentes áreas de aplicação: saúde humana e animal, agricultura e alimentação e bioeconomia. Contudo, associadas às perspectivas dos benefícios desta tecnologia, têm sido levantadas questões relacionadas com a segurança e a ética, assim como questões relacionadas com a sua regulamentação.

 

Segundo Pedro Fevereiro (presidente do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia, investigador e professor de Biotecnologia Vegetal), “as técnicas de Edição de Genoma possibilitam aos investigadores modificar um sequência precisa do DNA, criando modificações específicas, as quais permitem melhorar as características dos seres vivos sem que seja necessária a integração de DNA estranho. Esta tecnologia vai revolucionar os métodos de melhoramento vegetal e animal e auxiliar a cura e prevenção de doenças em humanos.”

O EASAC destacou que os decisores políticos devem assegurar que a regulamentação para a Edição de Genoma deve ter por base factos científicos, considere os benefícios, assim como os riscos hipotéticos e que seja proporcional, e suficientemente flexível, para abarcar os futuros avanços da ciência e da tecnologia.

O EASAC considera que o aumento da precisão, actualmente possível através da edição de genoma, representa uma grande mudança na investigação e na inovação. Neste contexto, destacam-se algumas das suas recomendações em relação a diferentes áreas:

PLANTAS
Os reguladores devem confirmar que os produtos de edição de genoma, quando não contêm DNA de outros organismos, não sejam considerados na legislação sobre Organismos Geneticamente Modificados (OGM). A regulamentação seja específica para os produtos / características agrícolas, em vez de se focar na tecnologia através da qual se concretiza a sua obtenção.

ANIMAIS
O melhoramento de gado para pecuária deve ser regulamentado tal como é proposto para o caso do melhoramento de plantas, ou seja, a regulamentação deve ser específica para as características e não para a tecnologia.

DIRECCIONAMENTO GENÉTICO
As aplicações genéticas para o controlo de vectores e outras modificações de populações-alvo no meio selvagem (por exemplo, para insectos vectores de doenças) oferecem oportunidades potenciais significativas para ajudar a enfrentar grandes desafios de saúde pública e de conservação.

MICRORGANISMOS
A Edição de Genoma em microrganismos não levanta novas questões para o quadro regulamentar e está actualmente sujeita a regras estabelecidas para utilização confinada e para libertação deliberada de OGM. Dado o potencial da sua aplicação, incluindo em produtos farmacêuticos, biocombustíveis, biosensores, bioremediação e cadeia alimentar, é importante considerar a sua aplicação no contexto da estratégia da União Europeia para a Inovação e Bioeconomia.

CÉLULAS HUMANAS
Investigação básica e clínica é necessária na edição de genoma em células humanas e deverá ser sujeita a regulamentação legal e ética e a práticas padronizadas. A aplicação clínica deverá ser rigorosamente avaliada dentro dos quadros regulamentares e considerar o consenso societal em relação a questões de relevância científica e ética, de segurança e de eficácia.

 

O Conselho Consultivo das Academias Europeias de Ciências chamou também a atenção para um aspecto que considera crucial, a “Justiça Global”, uma vez que existe o risco de aumento de desigualdade e tensão entre aqueles que têm acesso aos benefícios das aplicações da Edição de Genoma e aqueles que não têm. Segundo o EASAC, existem evidências de que decisões políticas têm criado dificuldades acrescidas a cientistas, agricultores e políticos de países em desenvolvimento, por exemplo, no caso das culturas geneticamente modificadas. Neste contexto, o EASAC considera vital que os decisores políticos avaliem as consequências de decisões tomadas em países externos à União Europeia. Reformular o actual quadro regulamentar na UE e criar a coerência necessária entre os objectivos internos da UE e a agenda para o desenvolvimento, com base em parcerias e na inovação, são importantes tanto para os países em desenvolvimento como para a Europa.

 

MAIS INFORMAÇÃO

 

 

Anúncios

Guia | Segurança alimentar das culturas GM / transgénicas

cover-GMO_ENG

Guia do Instituto ViB

Segurança alimentar das culturas GM (transgénicas)

February 2016 | Por ViB Institute

O Instituto ViB  –  Life Sciences Research Institute da Flanders-Bélgica produziu o guia “Food safety of genetically modified crops”, onde apresenta informações actualizadas sobre a segurança alimentar das culturas agrícolas geneticamente modificadas GM, ou transgénicas. Tal como existem cientistas que negam a existência do aquecimento global ou que descartam as vantagens efectivas das vacinas, haverá sempre pessoas mesmo dentro da comunidade científica que declaram que a tecnologia da engenharia genética para produzir plantas GM coloca riscos à saúde humana. Contudo, não existe nenhum argumento científico encontrado até agora para duvidar da segurança desta tecnologia e do seu uso na agricultura. As instituições que se dedicam à segurança alimentar, as empresas, os institutos de investigação científica e as universidades têm realizado testes em larga escala e estudos sobre as plantas transgénicas há mais de trinta anos. Existe um consenso científico significativo sobre a sua segurança em consequência do conhecimento acumulado.

O ViB esclarece que as aplicações desta tecnologia devem ser avaliadas caso a caso antes de ser autorizado o cultivo de plantas geneticamente modificadas e a sua utilização em alimentos e rações.

Mais guias do ViB sobre plantas geneticamente modificadas e o seu uso na agricultura e na alimentação humana e animal AQUI

Biotecnologia e Saúde: “Por favor, imprima-me uma orelha”

“Por favor, imprima-me uma orelha”

16.02.2016 | Público.pt | Nature Biotechnology

Cientistas criaram uma impressora que imprime orelhas, pedaços de osso e músculos feitos com células numa solução à base de gelatina e um polímero que dá a forma desejada ao órgão. Esta tecnologia inédita pode vir a ser utilizada na medicina regenerativa.

Medicina Regenerativa - Por favor imprima-me uma orelha - 16.02.2016

A produção tridimensional (3D) é o grande desafio actual da engenharia para a construção com fins clínicos de tecidos celulares vascularizados com dimensão, forma e estrutura integrada. Os autores desta investigação criaram agora esta impressora, de nome ITOP para construção  de tecidos e órgãos integrados.

Diz no Público.pt que esta impressora, criada pela equipa de Anthony Atala do Instituto Wake Forest para a Medicina Regenerativa, EUA, é uma máquina inédita que, em vez de tinta ou de plástico, usa células suspensas numa solução de gelatina e um polímero para criar orelhas, pedaços de osso e músculos que estão vivos.  Este estudo de investigação científica foi publicado na revista Nature Biotechnology. Os resultados são importantes para o futuro da medicina regenerativa. “Até agora, os métodos de bio-impressão de células costumavam produzir estruturas simples e pequenas. Nós ultrapassámos isso”, explicou Anthony Atala, falando sobre a impressora de tecidos e órgãos integrados.

 

Transgénicos | OGM na UE: Proibido cultivar, Permitido importar

OGM-Agrotec-Out 2015

Transgénicos | OGM na UE:
proibido cultivar, permitido importar

AGROTEC, Revista Técnico-Científica Agrícola | Outubro 2015

Cerca de 15% da área arável no mundo está ocupada com culturas melhoradas através da engenharia genética, estimando-se que esta área registe um crescimento de 10% ao ano. 76% dos benefícios económicos da aplicação da biotecnologia são canalizados para os agricultores. Estes foram alguns dos dados apresentados no “V Encontro de Biotecnologia na Agricultura“, realizado no passado dia 16 de outubro em Coimbra.

Ler Artigo Completo

COMUNICADO – “São raros os leites para bebé que não incluem transgénicos” é falso e demagógico

 icone_actividadesCIB_final

COMUNICADO

“São raros os leites para bebé que não incluem transgénicos”
é falso e demagógico

30 Junho 2015 | CiB Portugal

O CiB – Centro de Informação de Biotecnologia vem informar que a notícia “São raros os leites para bebé que não incluem transgénicos”, publicada no jornal Expresso no dia 29 de Junho de 2015, contém uma série de incorreções e falsidades que têm como única finalidade assustar injustificadamente a população Portuguesa.

Segundo, Pedro Fevereiro, Presidente da Direção do CiB e investigador de biotecnologia de plantas, “não existem quaisquer leites para bebés que incluam transgénicos, sendo que esta notícia pretende assustar os consumidores e os decisores políticos deliberadamente com o objetivo de incentivar à votação favorável da proibição do uso de milho e soja Geneticamente Modificados para a produção de rações para gado”.

O milho e a soja geneticamente modificados (conhecidos também por transgénicos) aprovados para comercialização na União Europeia foram sujeitos a análises de risco em instituições oficiais de vários países, incluindo a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) e o seu risco considerado não superior ao do milho e soja não transgénicos. Verifica-se até que os animais alimentados com este produtos apresentam melhores características, como comprova a redução do número de carcaças recusadas, no conjunto dos matadouros dos Estados Unidos da América, desde que as variedades transgénicas foram colocadas no mercado. Da mesma forma o grão transgénico apresenta menores teores de micotoxinas do que o grão de plantas não transgénicas, o que é benéfico para a saúde de pessoais e de animais que que consomem estes produtos. Não existe portanto, qualquer razão para apelar ao princípio da precaução.

Não foram até ao momento detetadas proteínas transgénicas ou DNA transgénico no leite produzido por vacas alimentadas com rações contendo milho ou soja geneticamente modificada. Por outro lado, um animal que consome rações contendo milho ou soja transgénica não se torna transgénico, nem é possível verificar na sua carne ou leite que se alimentou deste tipo de produtos. “Não existe nenhuma forma técnica de se provar “à posteriori” que um animal foi alimentado com rações contendo produtos geneticamente modificados e portanto seria ridícula a rotulagem destes animais”, explica Pedro Fevereiro.

A frase que inicia o último parágrafo desta notícia é paradigmática da falta de honestidade desta mensagem: “Não conseguimos ter garantias de risco zero e estamos longe de demonstrar uma relação de causa-efeito”. Não é possível garantir o risco zero de nenhum alimento. Contudo, é possível demonstrar que mesmo os “aclamados” produtos “biológicos” são arriscados e já existiram casos de internamentos e mesmo mortes, derivados do consumo desse tipo de produtos. Todos os alimentos que ingerimos contêm um risco associado. O risco zero não existe em nenhuma atividade humana. Nascer é um risco e viver também. A questão é decidir qual o nível de risco que estamos dispostos a assumir.

Se uma relação causa-efeito não é demonstrada, isso acontece porque não existe ou não foi devidamente avaliada. No entanto, só na Europa, já se gastaram 400 milhões de euros em investigação para tentar verificar esta causa-efeito e nada foi encontrado. Os poucos relatos que a pretendem demonstrar têm sido, por uma larga maioria, considerados incorretos cientificamente e os mais dramáticos, como aquele que diz que os transgénicos causam cancro, retirados de publicação, por serem considerados completamente falsos e os seus dados manipulados.

O objetivo desta notícia não é “…informar os consumidores sobre como podem evitar ingerir elementos transgénicos, mesmo quando estes não constam dos rótulos dos produtos.” O objetivo é assustar tentando transmitir a noção de que o leite é perigoso para as crianças que dele se alimentam, o que é completamente falso. Ao associar esta mensagem a determinadas marcas tenta também condicionar as próprias marcas, dando-lhes a entender que os consumidores, ao aceitarem esta mensagem, se recusarão a comprá-las.

Pedro Fevereiro diz ainda que “é pena que um órgão de comunicação com o prestígio do “Expresso” publique uma notícia com o nível de falsidade e de demagogia que esta transporta”.

Arroz Dourado contra a cegueira: Finalmente?

Arroz e  Arroz Dourado
Arroz convencional e Arroz Dourado

Arroz Dourado contra a cegueira:
Finalmente?

2 Fevereiro 2013 – The Observer-The Guardian

Em breve o arroz dourado será aprovado para cultivo e consumo nas Filipinas.  O arroz geneticamente modificado para produzir pró-vitamina A, conhecido por “arroz dourado”, terá um forte impacto na redução da cegueira nas crianças dos países em desenvolvimento. Este tipo de arroz transgénico será aprovado para alimentação nas Filipinas e é considerado por muitos como um campo de batalha da agricultura.

Trinta anos depois dos cientistas terem revelado a produção da primeira planta geneticamente modificada, ou transgénica,  podem ser concretizadas as esperanças no potencial deste arroz geneticamente modificado para aliviar problemas globais de malnutrição. O Bangladesh, a Indonésia, a Índia,  entre outros países,   deram indicações de aceitarem o arroz dourado no caso das Filipinas decidirem a sua autorização.

A falta de pró-vitamina A é mortal, afecta o sistema imunitário e provoca a morte de cerca de dois milhões de crianças por ano nos países em desenvolvimento. É também a maior causa de cegueira no mundo sub-desenvolvido. O aumento do teor de pró-vitamina A no arroz é uma forma simples e directa de resolver este problema.

Este tipo de arroz foi desenvolvido em 1999, mas o seu cultivo tem sofrido constantemente com a oposição dos movimentos anti-transgénicos, que recusaram a aceitar que poderia produzir pró-vitamina A em quantidades suficientes e argumentaram sempre que a sua introdução nos países em desenvolvimento tornariam os agricultores dependentes da industria ocidental. Os investigadores desta planta rejeitam estes pontos de vista. Primeiro, porque estudos recentes revelaram que uma quantidade substancial de pró-vitamina A pode ser obtida através da alimentação de apenas 60 gramas de arroz dourado. E segundo, porque o desenvolvimento do arroz dourado foi feito com o apoio de organizações sem fins lucrativos, como a Fundação de Bill e Melinda Gates, e com o objectivo de aliviar um dos maiores problemas de saúde pública dos países em desenvolvimento.

O arroz dourado foi criado por Peter Beyes da Universidade de Freiburg, Alemanha, e por Ingo Potrykus do Institute of Plant Sciences, Suíça, no final dos anos de 1990. Através da introdução de genes no DNA de plantas de arroz, cuja acção promove a produção do pigmento Beta-Caroteno de cor alaranjada ou dourada que é percursos da pró-vitamina A.

Continuar a LER a história do arroz dourado