Culturas e alimentos transgénicos são seguros diz Academia de Ciências dos EUA

Cover-Image-High-Resolution-201x300

“Culturas GM são seguras”
Nova Avaliação da Academia Nacional de Ciências,
Engenharia e Medicina dos EUA

17 Maio 2016 | Acad. Nac. Ciências EUA e CiB Brasil

A Academia Nacional das Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos da América (EUA) declarou que o uso de culturas agrícolas e alimentos geneticamente modificados (conhecidos por culturas GM ou transgénicos) é seguro. 

Foi realizada uma nova e extensa avaliação por 20 peritos em diferentes áreas do conhecimento científico e publicado o  relatório “Genetically Engineered Crops: Experiences and Prospects”, com mais de 400 páginas que inclui extensa informação compilada dos últimos 30 anos de investigação, pareceres e recomendações.

No website de divulgação deste estudo estão também disponíveis outros relatórios científicos, respostas a perguntas frequentes (FAQ) sobre as culturas GM, sobre este estudo de avaliação e ainda material de divulgação geral na secção de comunicação pública (com apresentação de slides e vídeos).

A Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos reúne cientistas reconhecidos pela comunidade científica e, desde 1863, funciona como conselheira para as decisões do governo norte-americano. A produção deste relatório de avaliação das culturas e alimentos GM foi realizada a partir da avaliação de cerca de 1000 publicações científicas, foram ouvidas mais de 80 opiniões em audiências públicas e em seminários e foram analisados mais de 700 comentários enviados pela população.

A CONCLUSÃO é de que não foram encontradas diferenças para a segurança do ambiente entre as culturas e os alimentos geneticamente modificados quando comparados com os seus homólogos convencionais. O relatório aborda também as implicações para a saúde e conclui que não há evidências de que os alimentos transgénicos causem obesidade, doenças gastrointestinais, diabetes, doenças renais, autismo, alergias ou cancro.

Estas conclusões confirmam mais uma vez o que tem vindo a ser reconfirmado desde há mais de vinte anos. Estes produtos foram rigorosamente e extensamente testados e analisados pela comunidade científica e pelas autoridades internacionais. A agricultura e os agricultores, as fileiras alimentares, a sociedade em geral e o ambiente têm benefícios da utilização destes produtos biotecnológicos.

LINKS PARA INFORMAÇÕES

  • Relatório – “Genetically Engineered Crops: Experiences and Prospects” -, Resumo do Relatório e Recomendações
  • Website de divulgação do estudo com relatório e documentos complementares

 

Culturas Transgenicas no Mundo 2015 - NAS-EUA
Distribuição das culturas GM (transgénicas) comercializadas no mundo em 2015. Foram cultivados 180 milhões ha  – 12% do total cultivado – por cerca de 18 milhões de agricultores – 90% dos quais estão em países em desenvolvimento – (pág. 47 do relatório completo).

 

5 DESTAQUES SOBRE O ESTUDO
“Genetically Engineered Crops: Experiences and Prospects”

18 Maio 2016 | Vox Energy and Environment

1 – A evidência + importante sugere que as culturas GM são tão seguras como as culturas convencionais.
2 – As Culturas GM usadas até agora provaram que têm elevado valor para muitos agricultores, mas o contexto da sua utilização é importante.
3 – É necessário cuidado com argumentos simplistas sobre as culturas GM poderem “alimentar o mundo”.
4 – Algumas Culturas GM têm efeitos ambientais positivos, mas há que ter cuidado com a gestão da resistência das “super ervas-daninhas”.
5 – A Engenharia Genética de plantas está a mudar radicalmente e é necessário ajustar as regulamentações de acordo com a realidade dos avanços do conhecimento, como em qualquer outra área da inovação tecnológica.
LER MAIS

Uso Insecticidas Culturas Transgenicas 2015 - NAS-EUA
Redução nas taxas de aplicação de pesticidas em Algodão e Milho entre 1995-2010 nos EUA (pág. 75 do relatório completo)

Genes

COMENTÁRIOS DE 15 ESPECIALISTAS AO ESTUDO
“Genetically Engineered Crops: Experiences and Prospects”

17 Maio 2016 | GENeS – Genetic Expert News Service

A GENes divulga os comentários de 15 especialistas sobre este estudo da Academia Nacional das Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA sobre o conhecimento acumulado ao longo dos últimos 30 anos de investigação científica.  Esses especialistas são académicos de diferentes áreas das ciências da vida e medicina (plantas,  insectos, genética e engenharia genética, saúde das plantas, toxicologia em seres humanas e animais, alergias humanas e animais), da gestão ambiental e agrícola e da gestão económica.

 

Anúncios

DA SEGURANÇA DOS OGM – Uma década de financiamento de investigação na UE (2001-2010)

DA SEGURANÇA DOS OGM
Uma década de financiamento de investigação na UE (2001-2010)

28 Dezembro 2010 – CiB Portugal

A comissão europeia publicou recentemente o relatório “A decade of EU-funded GMO research (2001 – 2010)” que conclui a elevada qualidade e segurança do uso de Organismos Geneticamente Modificados (OGM). O relatório tem como base a investigação realizada em consórcio nos últimos dez anos e co-financiado pela União Europeia (UE) em 200 milhões de euros, sumarizando os resultados de 50 projectos.

Estes projectos tiveram como objectivo avaliar a segurança dos OGM para o ambiente e para a saúde humana e animal e fazem parte de um enorme esforço de investigação já com 25 anos.

Este relatório segue-se a um outro publicado em finais de 2000 onde se relatavam os financiamentos e os resultados obtidos nesta área. Desde há mais de duas décadas que se investiga na UE os aspectos chave do melhoramento vegetal, como a resistência a doenças provocadas por fungos, nemátodes e vírus, e o uso eficiente do azoto. Foram também abordadas questões relacionadas com o fluxo de genes, quer vertical, quer horizontal, bem como os efeitos em organismos não-alvo e na ecologia do solo.

Depois de 25 anos de pesquisas, de um total de 300 milhões de euros investidos e o envolvimento de mais de 400 grupos de investigação europeus, o que sobressai é a conclusão de que a utilização das variedades vegetais transgénicas (obtidas com recurso à tecnologia do DNA recombinante) não constitui um risco acrescido, quer para a saúde humana e animal, quer para o ambiente, quando comparado com o uso de variedades vegetais obtidas com outras técnicas de melhoramento. Estas conclusões podem ser observadas em centenas de artigos científicos explicitando os resultados da investigação efectuada.

Segundo Pedro Fevereiro, presidente do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia, professor e investigador de biotecnologia vegetal, esta conclusão contrasta claramente com toda a parafrenália de manifestações de grupos “anti-transgénicos”, com o cepticismo de muitos políticos e com a hesitação da Comissão Europeia em agilizar os processos de aprovação de novos eventos e variedades obtidas com esta tecnologia.

Esta conclusão contrasta também com as notícias de que os OGM produzem cancros, malformações congénitas, disrupções dos ecossistemas e perdas de biodiversidade. Pedro Fevereiro declara ainda que nenhuma destas notícias tem fundamento científico, embora alguns orgãos de comunicação se empenhem em as divulgar.

As variedades vegetais transgénicas são actualmente produzidas em cerca de 10% do solo arável disponível no mundo. Permitem ganhos de produtividade de cerca de 15-20%, com redução de 10-15% do uso de fitofármacos. Permitem ainda a redução da mobilização de solos, contribuindo para a preservação de milhões de toneladas de solo arável em todo o mundo. A estas vantagens acresce a redução do uso de máquinas agrícolas e a consequente redução de uso de combustível e de emissões de carbono. Curiosamente, em contraste com o referido normalmente, 80% dos utilizadores são pequenos agricultores, que vêem os seus lucros acrescidos devido à utilização destas sementes.

Pedro fevereiro questiona por que razão na Europa, e em particular em Portugal, se continua a desconfiar desta tecnologia, 17 anos após as primeiras colheitas com estas variedades sem que existam relatos de quaisquer problemas de saúde animal ou humano, resultante do consumo destes produtos e sem que nenhum problema ecológico relevante tenha sido encontrado? Quem está efectivamente a beneficiar com esta tensão e com a indisponibilização desta tecnologia aos agricultores portugueses?

MAIS INFORMAÇÕES (nota – links foram actualizados em Dezembro de 2015)

Informação da Comissão Europeia 25 anos de investigação na UE em culturas transgénicas / GM (1985-2000 e 2001-2010)

Relatório (2001-2010) – A decade of EU-funded GMO research (2001-2010

Relatório (1985 – 2000) – EC-sponsored research on Safety of Genetically Modified Organisms (1985-2000)

 • Ler Comunicado do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia (Links do comunicado estão desactualizados) – Consultar os mencionados neste post por favor).