Estudo | A maioria dos americanos acredita que OGM podem contribuir para aumentar a produção global de alimentos

Pew research center

Numa investigação realizada em 2019 para aferir a opinião dos cidadãos norte-americanos dobre os alimentos geneticamente modificados, o Pew Research Center revela que embora metade dos adultos norte-americanos desconfie dos efeitos, na saúde, dos OGM, muitos também vêem vantagens nesta tecnologia, entre as quais a capacidade de aumentar o fornecimento global de alimentos.

Segundo uma investigação do Pew Research Center, em Washington, nos EUA, a maioria dos cidadãos dos EUA têm opiniões contraditórias, no entanto, três quartos (74%) dos adultos inquiridos ​​consideram provável que os alimentos GM podem contribuir para aumentar a produção global de alimentos e 62% afirmam que os alimentos GE têm uma probabilidade muito alta de serem colocados no mercado a preços mais acessíveis.

Este estudo demonstra que as opiniões sobre os efeitos na saúde dos alimentos GM são agora (no estudo de 2019) mais positivas do que, por exemplo, no período entre 2016 e 2018. Ainda assim, metade dos adultos (51%) continua a pensar que os OGM são piores para a saúde humana do que os alimentos não OGM, enquanto 41% afirmam que os alimentos GM têm um efeito neutro na saúde. Apenas 7% referem que são melhores para a saúde do que outros alimentos.

A investigação de 2019 do Pew Research Center também mostra que os homens têm opiniões mais positivas sobre os alimentos GM do que as mulheres. Cerca de 58% das mulheres dizem que os alimentos geneticamente modificados são piores para a saúde e acreditam que têm pelo menos uma probabilidade razoável de provocarem problemas de saúde para a população e efeitos nocivos no ambiente.

Mais informações no Pew Research Center Fact Tank.

Informação adicional:

Homens mais positivos sobre alimentos GM, diz pesquisa

A maioria dos americanos aceita animais transgênicos para a saúde humana, estuda

Americanos divididos sobre ciência de alimentos

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Edição do genoma|Mapa global da regulamentação e aplicação da tecnologia

rastreio global da edição do genoma

Partilhamos com os seguidores do CiB-Centro de Comunicação de Biotecnologia o importante documento “Human and Agriculture Gene Editing: Regulations and Index”, compilado pelo Genetic Literacy Project, onde encontram dados da situação global da tecnologia de edição do genoma.

É uma espécie de rastreio do que se fez e faz a nível de investigação, regulamentação e aplicação da tecnologia no mundo inteiro. Incluí ainda os artigos mais relevantes sobre o CRISPR e outras ferramentas desde 1987 até aos dias de hoje, entre outros itens fundamentais para perceber a importância e o funcionamento da edição do genoma em áreas tão cruciais como a saúde e a agricultura.

Sem dúvida, um documento muito interessante e esclarecedor.

https://crispr-gene-editing-regs-tracker.geneticliteracyproject.org/?mc_cid=823393fc09&mc_eid=867e279110

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NBTs | OGM e plantas editadas por CRISPR podem ajudar a evitar perdas nas colheitas no valor de 220 mil milhões de dólares anuais  

batata
A praga tardia é uma grande ameaça para a planta da batata. Crédito da imagem: Fry, Molecular Plant Pathology (2008) 

As doenças e as pragas são a maior ameaça para a agricultura. Causam custos económicos dramáticos e irrecuperáveis e colocam em risco a subsistência de agricultores em todo o mundo. Mas esse prejuízo pode ser minimizado substancialmente com a aplicação das Novas Técnicas de Melhoramento Genético de Plantas, como a edição do genoma (CRISPR) –  ou da já “velhinha” tecnologia dos OGM.

Segundo um artigo publicado no Genetic Literacy Project, assinado pelo economista Steven Cerier, “o CRISPR e os OGM podem ajudar a evitar perdas na produção agrícola no valor de 220 mil milhões de dólares, por ano”, graças ao seu poder de tornar as plantas resistentes a pragas e a doenças, o mal maior da agricultura.

Cerier aponta como exemplo de doença altamente destruidora a ferrugem. Causada por fungos, a devastou o Caribe e a América Central e Latina entre 2012 e 2015, resultando numa perda estimada em mil milhões de dólares. Também causado por um fungo, o oídio levou o estado norte-americano da Califórnia a gastar 239 milhões de dólares só na produção de uvas para o combater. E no Uganda, diz o autor, os prejuízos económicos anuais por causa da mirra da banana serão da ordem dos 200 milhões de dólares a 295 milhões de dólares.

A gravidade do problema já havia sido realçada pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, que estimou que “a cada ano, as doenças de plantas custam à economia global cerca de 220 mil milhões de dólares.”

Felizmente, inovações tecnológicas na área da genética de plantas, como as Novas Técnicas de Melhoramento Genético (NBTs), em particular as ferramentas de edição do genoma (como, por exemplo, o CRISPR), estão a ganhar terreno no controlo das pragas e doenças que afetam as culturas. Também métodos de produção já estabelecidos, como a transgénese, usada para desenvolver culturas geneticamente modificadas (OGM), continuam a dar provas da sua capacidade na proteção das culturas contra pragas e doenças de um modo mais sustentável, garantindo mais rendimento para os agricultores.

Como salienta o autor, nos países em desenvolvimento, proteger as culturas com essas tecnologias pode ser a diferença entre uma colheita lucrativa e a fome. Saiba porquê no Genetic Literacy Project.

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Estudo |Como é que os consumidores reagem à edição do genoma na produção de alimentos?

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A resposta a esta pergunta está no Relatório “Consumer Acceptance of gene-edited foods” (A aceitação de alimentos geneticamente editados por parte dos consumidores”, da autoria da FMI Foundation e tornado público em março de 2020. Este documento de 86 páginas resulta de uma ampla investigação sobre as crenças, o conhecimento, o entendimento e a disposição dos consumidores norte-americanos para comprar alimentos que foram produzidos com a aplicação da edição do genoma de plantas, uma ferramenta biotecnológica que está a revolucionar a agricultura e outras áreas igualmente cruciais como a medicina e a indústria farmacêutica.

Para este estudo da FMI Foundation foram inquiridos 4.487consumidores norte-americanos que participaram em cenários de compra simulados com uma variada escolha de produtos a preços diferentes: por exemplo, produtos rotulados como biológicos, não OGM, de bioengenharia, geneticamente editados e de produção convencional.

As conclusões (em resumo) foram estas:

  • Independentemente do produto alimentar, da presença de processamento ou das informações, a disposição para consumir produtos rotulados como biológicos é maior do que os outros. Os inquiridos consideraram os alimentos biológicos mais saudáveis, seguros e mais benéficos para o bem-estar dos animais, mas também afirmaram que são mais caros.
  • A disposição de pagar pelos produtos geneticamente editados tende a ser menor do que os convencionais e de bioengenharia. No entanto, a disposição dos consumidores para comprar produtos geneticamente editados aumentou significativamente quando lhes foram fornecidas informações sobre os benefícios da tecnologia de edição do genoma. Este dado sugere que fornecendo aos inquiridos apenas informações sobre a tecnologia de edição do genoma não é suficiente para aumentar a sua disposição em comprar produtos geneticamente editados. Para que esta tecnologia seja mais amplamente aceite, é necessário complementar essas informações com mensagens específicas sobre os seus benefícios. Nos consumidores, o impacto dos benefícios ambientais da tecnologia é mais forte do que os benefícios para os agricultores.
  • Os consumidores têm um nível muito baixo de conhecimento sobre os produtos geneticamente editados. Cerca de metade dos inquiridos afirmou nunca ter ouvido falar em edição do genoma
  • Os entrevistados participaram em jogos de associação de palavras, que revelaram medo associado ao desconhecido. Palavras conotadas negativamente dominaram as referências a “geneediting” (edição de genes). Além disso, essas referências assemelhavam-se àquelas que lhes foram fornecidas para produtos geneticamente modificados.
  • Apesar da perceção positiva em relação aos produtos biológicos, os inquiridos compram principalmente alimentos produzidos por métodos convencionais. Quando perguntados diretamente sobre as motivações primárias de compra, os entrevistados geralmente classificam o preço e o sabor primeiro, enquanto os métodos de produção geralmente caem entre uma lista de possíveis motivações.
  • A análise de cluster resultou em três segmentos distintos de preferência pelo risco, aversão ao risco e neutro em relação ao risco. Uma análise mais detalhada dos segmentos por tratamento revela que, quando fornecidas informações básicas, a participação dos inquiridos no grupo avesso ao risco aumenta e o grupo que tem preferência pelo risco diminui. Esse efeito reverte quando são fornecidas informações sobre os benefícios ambientais.
  • A disposição para pagar alimentos produzidos com edição do genoma varia de acordo com o tipo de produtos e os níveis de processamento. Quanto ao primeiro, os consumidores estão dispostos a pagar relativamente mais pelos vegetais frescos geneticamente editados (tomate e espinafre) do que pela carne fresca, quando as informações são fornecidas. Para produtos vegetais frescos, a disposição para pagar é maior em comparação com a contrapartida processada. Por outro lado, a disposição para pagar pela carne geneticamente editada é maior no bacon do que nas costeletas de porco.
  • Apesar das opiniões negativas sobre os alimentos geneticamente editados, alguns consumidores valorizam a opção de pode comprá-los. Quando os consumidores são informados dos benefícios da reprodução genética, a participação no mercado de produtos geneticamente editados (quando comparados com biológicos, não OGM, convencionais e bioengenharia) excede 15%. A disposição do consumidor para pagar para ter alimentos geneticamente editados disponíveis varia de 0,00 dólares (0,00 €) a 0,23 dólares (0,21 €) por opção.
  • Os resultados deste estudo revelam que os consumidores geralmente pensam negativamente sobre a tecnologia da edição do genoma. No entanto, mais da metade dos entrevistados indica nunca ter ouvido falar da tecnologia. Apenas informar os consumidores sobre a tecnologia tem efeitos triviais na sua disposição para os comprar, mas informações específicas sobre os benefícios da edição do genoma podem melhorar significativamente a aceitação do consumidor pela tecnologia.

Leia o Relatório da Fundação FMI aqui: file:///C:/Users/cibga/AppData/Local/Microsoft/Windows/INetCache/Content.Outlook/UQLMEKC3/Gene_Editing_Report_Final__March_2020.pdf

A Fundação FMI fornece investigação, colaboração, educação e recursos na área da saúde, segurança alimentar e nutrição. Fundada em 1996, a Fundação FMI procura garantir qualidade e eficiência contínuas no sistema de análise e inspeção de alimentos para fins beneficentes, educacionais e científicos.

 

 

 

OGM | Produção de algodão Bt aprovada no Quénia

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Após muitos anos de espera, o Quénia iniciou esta semana a produção de algodão geneticamente modificado (GM) para fins comerciais, sendo já o sétimo país africano a comercializar algodão Bt. A plantação desta variedade GM é o primeiro lote dos mil lotes previstos em 23 municípios, para demonstração e treino de 40 mil agricultores quenianos.

Depois de o Gabinete para a Agricultura (GA) do Quénia ter aprovado, em 19 de dezembro de 2019, a produção para fins comerciais do algodão Bt, o Quénia lançou à terra, esta segunda-feira, na Universidade de Alupe, a primeira semente de algodão geneticamente modificada (GM).

Este é o primeiro de mil lotes com algodão GM para demonstração e treino de 40 mil agricultores, mas, no total, o governo queniano pretende ocupar mais de 90 mil hectares com algodão Bt para fins comercial cultivo comercial de algodão Bt até 2022, prevendo criar mais de 25 mil postos de trabalho ao longo da cadeia de valor.

“As oportunidades de emprego irão verificar-se no cultivo, no processamento e no comércio de roupas fabricadas localmente”, afirmou o secretário do GA, o secretário do Gabinete de Agricultura do Quénia, Peter Munya, salientando que “a produção de algodão Bt pelos nossos agricultores garantirá um fornecimento constante de matérias-primas para as indústrias de processamento de algodão e descaroçamento, apoiando, desta forma, a agregação de valor e a criação de empregos na cadeia de valor.”

O governo queniano aposta na comercialização de algodão Bt para revitalizar a indústria têxtil e de vestuário e aumentar a contribuição do setor manufatureiro para o PIB do País dos atuais 9,2% para 20% até 2022, um passo significativo para alcançar a Agenda dos “Big Four”, modelo de desenvolvimento económico no Quénia.

A produção para fins comerciais de algodão Bt é o culminar de um processo que teve início em 2001, quando foi feita a primeira tentativa para introduzir o algodão Bt no Quénia. Atualmente, o algodão Bt é plantado em 15 países, cobrindo uma área de 24 milhões de hectares. Os três principais produtores são Índia (11,6 milhões de hectares), EUA (5,06 milhões de hectares) e China (2,93 milhões de hectares). O Quénia é agora o mais novo participante da África do Sul, Sudão, Etiópia, Malawi, Nigéria e eSwatini (antiga Suazilândia) na produção de algodão geneticamente modificado em África.

Mais informações aqui, aqui e aqui.

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Aquecimento global | Bactérias convertem CO2  em biomassa 

E.coli
Representação esquemática da E. coli quimio-autotrófica sintética projetada

Em Israel, os investigadores conseguiram transformar a bactéria E. Coli em organismos capazes de metabolizar um dos principais gases com efeito de estufa. Os resultados deste trabalho pioneiro na diminuição da emissão de CO2  foi publicado recentemente na Cell Reports.

Investigadores israelitas do Instituto de Ciência Weizmann, em Rehovot (perto de Telavive), conseguiram criar uma linhagem de bactérias capazes de metabolizar dióxido de carbono (CO2 ). O novo organismo pode ser usado em tecnologias de combate às emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE), como se lê nos resultados publicados há dias na revista científica Cell Reports.

Ao conseguirem alterar o metabolismo da bactéria Escheria coli (E.coli), a causa mais comum de infeções urinárias no mundo, os investigadores conseguiram que a E.coli converta carbono orgânico em CO2. “De uma perspectiva científica básica, queríamos ver se é possível uma transformação tão grande na dieta de bactérias — da dependência do açúcar à síntese de toda a biomassa do CO2. Além de testar a viabilidade de tal transformação no laboratório, queríamos saber quão extrema é a adaptação em termos de mudanças no modelo de DNA bacteriano”, explicou o investigador Shmuel Gleizer, do Instituto de Ciência Weizmann.

Mas esta capacidade da bactéria E. coli, que os investigadores já apelidaram de  ‘cavalo de batalha da biotecnologia’, não permite apenas reduzir a libertação de gases para a atmosfera. Acreditam os investigadores que é um passo importante também na produção mais sustentável de alimentos: “O nosso principal objetivo era criar uma plataforma científica que pudesse aprimorar a fixação de CO2, o que poderia ajudar a enfrentar os desafios relacionados com o aquecimento global das temperaturas provocado pelas emissões de CO2 e com a produção sustentável de alimentos e de combustíveis”, afirmou o biólogo de sistemas Ron Milo, um dos autores deste estudo.

Financiado pelo Conselho Europeu de Pesquisa, pela Fundação Israelite de Ciência e por outras seis entidades de incentivo à pesquisa dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, este estudo descreve, pela primeira vez, uma transformação bem-sucedida do modo de crescimento de uma bactéria. “Ensinar uma bactéria intestinal a replicar os truques das plantas era um verdadeiro tiro no escuro. Quando começamos o processo evolutivo direcionado, não tínhamos ideia das possibilidades de sucesso e não havia precedentes na literatura para nos guiar ou sugerir a viabilidade de uma transformação tão extrema. Foi surpreendente verificar, no fim, como foi relativamente pequeno o número de mudanças genéticas necessárias para fazer essa transição”, argumentou Shmuel Gleizer.

Apesar dos resultados otimistas, são necessários mais investigações antes de se considerar o uso industrial desta descoberta. É que, como também é revelado no estudo, “o consumo de formiato por bactérias liberta mais CO2 do que o consumido pela fixação de carbono.”

Em investigações futuras, os cientistas querem encontrar uma solução para o problema das emissões de CO2 através da produção de energia renovável. “Isto abre uma nova e empolgante perspetiva de usar bactérias manipuladas para transformar produtos, que consideramos resíduos, em combustível, alimentos ou outros compostos de interesse. Também pode servir para entender e melhorar as máquinas moleculares que são a base da produção de alimentos e ajudar no futuro a aumentar a produtividade na agricultura”, acrescentou Ron Milo.

Leia o estudo original aqui.

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Agricultura | Auto suficiência em risco na UE

Agricultura na UE

Se não adotar rapidamente as novas biotecnologias de precisão, a União Europeia (UE) coloca em risco a sua produção agrícola, ficando totalmente dependente da importação de alimentos. O alerta é da Associação Francesa de Biotecnologia Vegetal (AFBV).

Proteger as culturas contra doenças e pragas é um dos principais desafios que todos os tipos de agricultura enfrentam para reduzir as perdas. Acresce que com as alterações climáticas e a globalização do comércio, a agricultura na Europa será, cada vez mais, confrontada com novas pragas, o que para a Associação Francesa de Biotecnologia Vegetal (AFBV) é uma séria ameaça à competitividade da produção agrícola europeia.

Numa nota de imprensa, esta ONG independente, que   agrupa pessoas de diversas áreas que consideram a biotecnologia uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável em França, lamenta que a UE coloque em risco a sua auto-suficiência na produção de alimentos por falta de medidas adequadas de proteção contra pragas e doenças.

Uma dessas medidas, defende a AFBV, é a adoção das novas tecnologias que permitem a redução na aplicação de produtos químicos. Para a associação, a biotecnologia tem um papel crucial naquilo a que chama transição agroecológica, na medida em que facilita e acelera a produção de plantas geneticamente modificadas para serem resistentes a doenças e insetos.

A AFBV reforça que a Europa não pode passar ao lado das novas biotecnologias de precisão, como a edição de genomas, se quiser que os consumidores europeus continuem a beneficiar de produtos de qualidade made in UE. Considerando urgente a procura de uma solução, a associação uniu-se a outras associações europeias para propor ao Parlamento Europeu alterações à Diretiva que regulamenta os OGM. « Se a UE não adotar rapidamente uma regulamentação adequada às novas biotecnologias de precisão, as nossas culturas estão em risco, a segurança alimentar da UE será comprometida e a competitividade agrícola europeia estará em desvantagem », afirmou George Freyssinet, presidente da AFBV, num workshop realizado em Paris, em 17 de outubro, com o tema «Biotecnologias vegetais enfrentam novos desafios na proteção de culturas ».

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Opinião | Não faz sentido ignorar a ciência: OGM e o dilema do PE*

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Crédito da imagem: MJ Graphics / Shutterstock 

“A Europa parece cada vez mais preparada para enfrentar os desafios do século XXI e liderar o caminho para um futuro “mais verde” e mais sustentável. Em lado nenhum isso é mais visível do que nas aspirações da nova Comissão Europeia de delinear um “Acordo Verde” e uma estratégia “Farm to Fork” com o objetivo de garantir o acesso da Europa a alimentos seguros, nutritivos e sustentáveis ​​num futuro próximo. Mas que papel o Parlamento Europeu (PE) pode desempenhar perante as recentes “objeções” sem fundamento contra os OGM (Organismos Geneticamente Modificados)?

As universidades europeias de Ciência afirmaram: “Há evidências convincentes de que as variedades agrícolas geneticamente modificadas (GM) podem contribuir alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável, com benefícios para agricultores, consumidores, economia e meio ambiente”. [1] Além disso, um relatório da Organização para a Agricultura e a Alimentação de 2016 [2] confirma que as biotecnologias agrícolas podem ajudar os pequenos produtores a serem mais resilientes e adaptarem-se às mudanças climáticas. Mas os europeus, incluindo alguns membros do PE, estão, no entanto, confusos. Desconfiam dos OGM, desconfiam dos organismos da UE encarregados da sua avaliação e desconfiam da ciência em geral.

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a Comissão Europeia e mais de 280 instituições científicas e técnicas em todo o mundo [3] declararam que os OGM são pelo menos tão seguros quanto as variedades agrícolas convencionais. Além disso, em quase 25 anos de comercialização, mostraram que os OGM oferecem uma infinidade de benefícios: permitem, por exemplo, que os agricultores cultivem mais alimentos usando menos recursos, como água, terra e energia, do que as culturas convencionais ou até biológicas. Significa que os agricultores que escolhem cultivar variedades GM – onde, face às características do solo e do clima, é conveniente usá-las – estão a preservar a biodiversidade em redor e a mitigar alguns dos efeitos das mudanças climáticas. Os benefícios da utilização de variedades agrícolas transgénicas estão bem documentados, mesmo na Europa, apesar do cultivo de OGM ser muito limitado neste território. Em Espanha, nos últimos 21 anos, o milho GM provou aumentou os rendimentos dos agricultores [4], tornando o País menos dependente das importações de milho. Resultados semelhantes foram observadas na Roménia entre 1999 e 2006, antes da proibição da soja GM neste País como resultado da sua adesão à UE. [5]

O recém-eleito Parlamento Europeu (PE) deverá trazer consigo um raio de esperança. Espero que a Europa tome medidas adequadas ao conhecimento científico atual para enfrentar os desafios globais, entre os quais as alterações climáticas e a insegurança alimentar. E os OGM – e a biotecnologia em geral – podem e devem fazer parte da solução. Infelizmente, após uma alteração de mais de 60% dos deputados europeus, as objeções do PE aos OGM, que começaram há vários anos, continuaram, com alguns deputados atribuindo as culpas aos OGM por muitos dos desafios globais que enfrentamos hoje.

As evidências mostram que o cultivo de OGM levou a uma redução de 37% na aplicação de produtos químicos agrícolas e mostram muito mais quando se trata de culturas GM resistentes a insetos. [6] O seu uso aumentou muito a segurança agrícola e ambiental: por exemplo, nos países em desenvolvimento, reduziu significativamente as taxas de suicídio e de intoxicação por pesticidas em pequenas propriedades agrícolas [7].

Acresce que o aumento da produção por hectare associado aos OGM poupa a pressão nas terras vizinhas, incluindo as florestas tropicais. Seja para alimentação animal ou para consumo humano direto, faz sentido fazer um cultivo eficiente para evitar a conversão adicional da terra. Um relatório recente do ISAAA [8] mostra que, entre 1996 e 2016, as culturas biotecnológicas pouparam 183 milhões de hectares de terra (22,5 milhões de hectares de terra apenas em 2016), conservando a biodiversidade e reduzindo as emissões de CO2. Em 2016, a poupança nas emissões de dióxido de carbono foi de 27,1 bilhões de kg, o equivalente a retirar 16,7 milhões de veículos das estradas a cada ano.

Hoje em dia, a realidade na Europa é que a maioria das pessoas usa algodão GM e come uma variedade de produtos alimentares produzidos com a ajuda da biotecnologia, incluindo OGM. Além dos muitos benefícios que os consumidores europeus usufruem todos os dias, os agricultores de outros continentes (da América, África e Ásia) estão a ser empoderados pela biotecnologia, entre os quais milhões de pequenos agricultores asiáticos que cultivam transgénicos. Embora, historicamente, os OGM tenham sido usados ​​para produzir soja, milho e colza para alimentação animal, atualmente os OGM também são usados ​​para consumo humano, melhorando a saúde e a nutrição das pessoas, evitando o desperdício de alimentos e tornando as culturas mais resistentes à seca e às doenças.

Então, por que ninguém fala dos benefícios dos OGM?

O facto é que, embora o Parlamento Eropeu esteja parcialmente implicado nas campanhas de desinformação de alguns ativistas anti-OGM, aceitando-as, os estados membros da UE também estão aquém das suas responsabilidades. Apesar de já beneficiarem das vantagens económicas dos OGM, países como Alemanha, França, Itália e Polónia não votaram a favor da aprovação de produtos OGM seguros, nem para importação. Este comportamento eleitoral, a que se soma a falta de apoio do PE e o fracasso geral das instituições da UE em combater a desinformação sobre os OGM, é a principal razão pela qual a Europa expulsou efetivamente a inovação agrícola nesse campo, o que prejudica e mina a confiança nos procedimentos de avaliação de segurança alimentar da UE. Uma decisão do Tribunal de Justiça da UE de julho de 2018, em que equipara os OGM aos produtos em que foi aplicada a edição de genoma, torna esta situação ainda mais insustentável.

Embora a Europa possa, em certa medida, permitir-se – temporariamente – ignorar a ciência e a tecnologia, é irresponsável e injusto demonizar os OGM e impedir que o mundo em desenvolvimento faça uso desses produtos. Em tempos como estes, é necessário que os líderes políticos defendam a ciência e apoiem os factos científicos divulgados pelas agências da UE responsáveis ​​por avaliar a segurança dos OGM. O Parlamento Europeu deve agora definir uma nova direção para a inovação na agricultura, apoiando, inclusive, a aprovação de produtos GM seguros, de acordo com evidências e procedimentos democraticamente adotados.

Chegou a hora de uma nova geração de decisores políticos europeus aproveitar todo o potencial dos OGM em benefício das pessoas e do planeta. A EuropaBio, representando a indústria de biotecnologia, está comprometida em comunicar esses benefícios. Instamos todos os decisores políticos, que pensam que a ciência pode e deve desempenhar um papel positivo na sociedade, a ler o nosso manifesto de biotecnologia agrícola e a juntarem-se a nós nessa missão.”

*Este texto é uma tradução integral de um artigo (em inglês) escrito por Beat Späth, diretor de biotecnologia agrícola da EuropaBio, e publicado no Euroactiv.

Mais informações em:

An antidote to fear-based politics?

GMOs: Time to stand up for EU law and innovation

EU nations should overcome GMO hypocrisy

[1] http://www.easac.eu/home/reports-and-statements/detail-view/article/planting-the.html

[2] http://www.fao.org/3/a-i6030e.pdf

[3] http://www.siquierotransgenicos.cl/2015/06/13/more-than-240-organizations-and-scientific-institutions-support-the-safety-of-gm-crops/

[4] https://gmoinfo.eu/eu/articles.php?article=Insect-resistant-GM-maize-has-benefited-farmers-and-the-environment-in-Iberia-

[5] https://www.europabio.org/sites/default/files/EU_protein_GAP_WCover.pdf (p.17)

[6] https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0111629https://www.e-elgar.com/shop/handbook-on-agriculture-biotechnology-and-development and https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0921800911002400

[7] https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/pbi.13261

[8] http://isaaa.org/resources/publications/briefs/54/executivesummary/default.asp

Carta | Investigadores pedem plantação de árvores transgénicas

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Créditos da imagem: Brodie Vissers /Burst

Numa carta publicada na revista Science, quinze investigadores de vários países solicitam às organizações florestais internacionais a suspensão da proibição de plantações de árvores geneticamente modificadas (GM) em áreas florestais com certificado de sustentabilidade. Como argumento, alegam que as árvores transgénicas podem ajudar a enfrentar os desafios ambientais atuais e melhorar a manutenção de uma floresta sustentável.

“Essa restrição não faz sentido”, assegura a investigadora Sofia Valenzuela, bioquímica da Universidade de Concepción, no Chile, referindo-se à lei que proíbe o cultivo de árvores GM em áreas florestais com certificação sustentável. “As organizações sem fins lucrativos como a FSC-Forest Stewardship Council, com sede na Alemanha, atestam a gestão sustentável das florestas, colocando nos produtos feitos a partir de árvores – uma resma de papel, uma caixa de papelão, madeira – o seu logótipo.”

Um dos requisitos para obter a certificação de sustentabilidade é ser uma árvore não-GM, o que, para a investigadora chilena, trava a investigação e priva a população de usufruir dos benefícios de uma tecnologia com um grande potencial para solucionar muitos dos problemas prementes que as florestas enfrentam.

Valenzuela e mais catorze investigadores que assinam a carta publicada no dia 23 de agosto na Science garantem também que a produtividade da plantação de árvores como o eucalipto poderia aumentar significativamente com eucaliptos geneticamente modificados para alcançarem um crescimento rápido.

Mais informação no artigo da Science, no ISAAA, no FSC e no PEFC-Programme for the Endorsement of Forest Certification, que, juntamente com o FSC, certificou mais de 440 milhões de hectares de floresta no mundo.

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September 2019

Agricultura| A edição de genoma tim-tim por tim-tim 

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Créditos da imagem: ZazzIRT/Science Picture Co/Getty/ Jackson Ryan

Segundo um documento elaborado pelo Conselho de Ciência e Tecnologia Agrícola dos Estados Unidos, a edição de genoma pode aumentar substancialmente os impactos positivos da criação de plantas e de animais no bem-estar humano e na sustentabilidade alimentar e ambiental.

No documento “Genome Editing in Agriculture: Methods, Applications and Governance”, o Conselho de Ciência e Tecnologia Agrícola dos Estados Unidos esclarece como a edição de genoma pode contribuir para o desenvolvimento exponencial da agricultura e de que modo influencia as práticas agrícolas.

O texto não é novo, mas permanece atual, explicando muito claramente o que é a edição de genoma, como se realiza, que tipos de edição se podem fazer, o que distingue esta tecnologia da reprodução convencional e de outros métodos de modificação genética.

Leia o documento integral aqui.

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