Carta | Investigadores pedem plantação de árvores transgénicas

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Créditos da imagem: Brodie Vissers /Burst

Numa carta publicada na revista Science, quinze investigadores de vários países solicitam às organizações florestais internacionais a suspensão da proibição de plantações de árvores geneticamente modificadas (GM) em áreas florestais com certificado de sustentabilidade. Como argumento, alegam que as árvores transgénicas podem ajudar a enfrentar os desafios ambientais atuais e melhorar a manutenção de uma floresta sustentável.

“Essa restrição não faz sentido”, assegura a investigadora Sofia Valenzuela, bioquímica da Universidade de Concepción, no Chile, referindo-se à lei que proíbe o cultivo de árvores GM em áreas florestais com certificação sustentável. “As organizações sem fins lucrativos como a FSC-Forest Stewardship Council, com sede na Alemanha, atestam a gestão sustentável das florestas, colocando nos produtos feitos a partir de árvores – uma resma de papel, uma caixa de papelão, madeira – o seu logótipo.”

Um dos requisitos para obter a certificação de sustentabilidade é ser uma árvore não-GM, o que, para a investigadora chilena, trava a investigação e priva a população de usufruir dos benefícios de uma tecnologia com um grande potencial para solucionar muitos dos problemas prementes que as florestas enfrentam.

Valenzuela e mais catorze investigadores que assinam a carta publicada no dia 23 de agosto na Science garantem também que a produtividade da plantação de árvores como o eucalipto poderia aumentar significativamente com eucaliptos geneticamente modificados para alcançarem um crescimento rápido.

Mais informação no artigo da Science, no ISAAA, no FSC e no PEFC-Programme for the Endorsement of Forest Certification, que, juntamente com o FSC, certificou mais de 440 milhões de hectares de floresta no mundo.

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September 2019

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Agricultura| A edição de genoma tim-tim por tim-tim 

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Créditos da imagem: ZazzIRT/Science Picture Co/Getty/ Jackson Ryan

Segundo um documento elaborado pelo Conselho de Ciência e Tecnologia Agrícola dos Estados Unidos, a edição de genoma pode aumentar substancialmente os impactos positivos da criação de plantas e de animais no bem-estar humano e na sustentabilidade alimentar e ambiental.

No documento “Genome Editing in Agriculture: Methods, Applications and Governance”, o Conselho de Ciência e Tecnologia Agrícola dos Estados Unidos esclarece como a edição de genoma pode contribuir para o desenvolvimento exponencial da agricultura e de que modo influencia as práticas agrícolas.

O texto não é novo, mas permanece atual, explicando muito claramente o que é a edição de genoma, como se realiza, que tipos de edição se podem fazer, o que distingue esta tecnologia da reprodução convencional e de outros métodos de modificação genética.

Leia o documento integral aqui.

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Sustentabilidade | Seis maneiras de alimentar o mundo


Créditos da fotografia: Shutterstock

Cerca de 870 milhões de pessoas vivem com fome. E aquelas a quem não falta comida, no futuro não terão a mesma facilidade em encontrar alimentos nos locais de comércio, porque alimentar a crescente população mundial não vai ser uma tarefa fácil. Estima-se que daqui a 80 anos seremos onze mil milhões de pessoas, mais três mil milhões do que agora. Como alimentar tanta gente, de um modo sustentável, se não há mais terra para cultivar?

Muitos especialistas acreditam que podemos produzir alimentos suficientes para a quantidade de população prevista em 2100 – onze mil milhões de pessoas -, mas saber se seremos capazes de o fazer de uma forma sustentável ou se poderemos pagar esses alimentos são questões diferentes. A solução não está numa estratégia única, está em várias e cada uma das quais tem de ter em vista reduzir a lacuna existente entre a quantidade de comida que temos e a que verdadeiramente precisamos.  

Aqui estão seis estratégias possíveis para ajudar a alimentar o mundo quando formos onze mil milhões: 

  • Comer menos carne;
  • Comer “carne” produzida em laboratório;
  • Reduzir o desperdício de alimentos;
  • Investir na aquaponia (produção de vegetais sem terra, usando tanques de peixes. Os peixes, através dos seus detritos, alimentam as plantas e as plantas limpam a água dos peixes);
  • Quintas verticais;
  • Usar as novas tecnologias de melhoramento vegetal.

Mais informação sobre cada uma destas sugestões (e como podem ser exequíveis) AQUI, num artigo publicado na Live Science.

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Guia | Milho em África

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Caderno / Guia
“Milho em África”
ViB 2017

O caderno educativo “Maize in Africa”, produzido pelo International Plant Biotechnology Outreach (IPBO-ViB, Bélgica), aborda diferentes temas relacionados com: a diversidade do milho; a sua relevância para a África Sub-Sahariana; os inimigos desta cultura; as técnicas convencionais da moderna biotecnologia para o melhoramento de variedades que façam face a esses inimigos (pragas, doenças, seca e alterações climáticas); e formas de produção de milho rico em diferentes micronutrientes e vitaminas, ou seja, mais saudável para pessoas e animais.

O milho é o cereal mais produzido em todo o mundo. Só em África mais de 300 milhões de pessoas dependem do milho como principal alimento da sua dieta. Para além disso, é muito importante para as rações dos animais. Actualmente, aproximadamente mil milhões de toneladas de milho estão a ser produzidas em mais de 170 países, em cerca de 180 milhões de hectares de terra. Ao nível mundial, 90% do total produzido é milho amarelo, mas em África 90% do total é milho branco.

Em África, as culturas do milho sofrem severa e continuamente muitas ameaças, tais como: ervas daninhas, pragas de insectos, bactérias, vírus, nematodes, fungos, baixa qualidade das sementes, baixos níveis de mecanização, gestão pós-colheita subóptima, seca e alterações climáticas.

A produção de milho em África é assim muito baixa. Enquanto a média de produtividade mundial é aproximadamente de 5,5 T/ha/ano, em África é cerca de 2 T/ha/ano.

Para garantir a segurança alimentar a pessoas e animais em África é necessário implementar: boas práticas agrícolas; “intercropping”; novos híbridos obtidos com técnicas convencionais, engenharia genética e com outras técnicas de melhoramento vegetal para produzir variedades com maiores produtividade, maior resistência a pragas, a doenças, a ervas daninhas e à secura.