OGM | Cientistas defendem impacto positivo das culturas geneticamente modificadas

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Fonte: gmo answers

Um estudo publicado na Nature Biotechnology conclui que as culturas geneticamente modificadas (GM) têm um impacto positivo para os agricultores, principalmente nos países em desenvolvimento. Partindo de investigações realizadas em diferentes países, a autora, Janet E. Carpenter, analisou a base do sucesso global crescente de culturas GM.

Para o artigo intitulado ‘Peer-reviewed indicate positive impact of commercialized GM crops, publicado na revista Nature Biotechnology, a especialista em Economia Agrícola e de Recursos, Janet E. Carpenter, analisou 49 artigos científicos publicados nas principais revistas. A análise realizada sustenta que a principal razão pela qual mais e mais agricultores estão a adotar culturas GM é o aumento da produção.

Segundo a investigadora, que trabalha com questões relacionadas com a agricultura há mais de dez anos, “74% dos estudos analisados ​​corroboram que os rendimentos são maiores entre os agricultores que optaram por culturas transgénicas em comparação com aqueles que não o fizeram.” Janet E. Carpenter salienta que esta percentagem é impulsionada principalmente pelos países em desenvolvimento.

O artigo também apresenta evidências sobre os benefícios económicos das culturas GM, demonstrando que os produtores veem nas culturas GM uma possibilidade de economizar tempo e dinheiro, na medida em que permitem aumentar a produtividade de maneira eficiente e sustentável.

Relativamente à diferença no preço das sementes transgénicas, a autora do estudo afirma que, na maioria dos casos analisados, foi compensada pela alta redução nos custos dos inseticidas. Para se desenvolverem e permanecerem saudáveis desde até à colheira, as culturas GM não precisam da mesma quantidade de inseticidas e/ou de pesticidas como as culturas não GM.

Ler artigo original.

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OGM | Acredite ou não, estes alimentos são naturalmente transgénicos

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Alguma vez comeu bananas e batatas doces ou bebeu chá e cerveja? Surpresa!!! Então já ingeriu alimentos geneticamente modificados. Até podiam ser de produção biológica, que para o caso não importa pois esses são naturalmente transgénicos. Saiba porquê, neste texto publicado na revista Forbes

Um novo estudo revela que muitos alimentos comuns, incluindo cerveja e chá, acabam por ser OGM “naturais”.

Embora ninguém tenha encontrado nenhuma evidência de que os organismos geneticamente modificados (OGM) sejam prejudiciais, os ativistas anti-OGM têm feito campanha contra eles durante anos, com considerável sucesso. A partir deste escrito, 19 dos 28 países da União Europeia votaram pela proibição ou restrição severa de plantas geneticamente modificadas, e muitos outros países impõem proibições similares.

Mas, segundo Steven Salzberg, Professor de Engenharia Biomédica, Ciência da Computação e Bioestatística da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, “todas essas restrições podem ser em vão, porque a natureza chegou lá primeiro.” Isto porque muitos alimentos comuns já foram geneticamente modificados por uma bactéria chamada Agrobacterium.

Só para ter uma ideia, entre os alimentos naturalmente transgénicos estão a banana (Musa acuminata), a cerveja (Humulus lupulus), os arandos (Vaccinium macrocarponium), o diospiro (Diospyros lotus), a goiaba (Psidium guajava), os amendoins (Arachis hypogaea), o pomelo (Citrus maxima), a cereja Suriname (Eugenia uniflora), a batata doce (espécie Ipomoea), o chá (Camellia sinensis, usado para a maioria dos chás), as nozes (espécie Juglans) e o inhame (Dioscorea alata).

Ficou assustado? Não há razões para isso. Os OGM são perfeitamente seguros. Saiba porquê neste texto publicado na Forbes, escrito por Steven Salzberg, Professor de Engenharia Biomédica, Ciência da Computação e Bioestatística da Universidade Johns Hopkins, nos EUA.

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Arroz dourado | Bangladesh vai ser o primeiro País a aprovar plantação de arroz com vitamina A

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Uma porção de arroz dourado contém vitamina A e metade do betacaroteno que as crianças precisam diariamente.
FOTO: ISAGANI SERRANO / CPS / IRRI FOTO / FLICKR / CC BY-NC-SA

O arroz geneticamente modificado, também conhecido por arroz dourado, ajuda a prevenir a cegueira e a morte infantil, em particular nos Países em desenvolvimento e, mesmo assim, foram precisos 20 anos para ser aprovado. O primeiro País a autorizar a sua plantação vai ser o Bangladesh, onde a taxa de mortalidade infantil por cada mil nados vidos é de 26,13 e a carência de vitamina A afeta 21% das crianças.

Uma porção de arroz dourado contém a vitamina A e metade do betacaroteno que as crianças precisam diariamente. Além de causar cegueira infantil, a falta de vitamina A pode provocar morte precoce por doenças infeciosas, como o sarampo.

É o aporte nutricional que confere ao arroz dourado os benefícios que o tornaram mundialmente famoso. Ora aplaudido, ora criticado nas primeiras páginas dos jornais, o arroz geneticamente modificado esteve sempre rodeado de polémicas, gerando discussões acesas quanto à sua segurança alimentar, desde que foi desenvolvido nos anos 90 pelos investigadores alemães Ingo Potrykus e Peter Beyer para combater a deficiência de vitamina A.

Em colaboração com a multinacional agroquímica Syngenta, estes investigadores “criaram” o arroz dourado equipando as plantas com genes de betacaroteno do milho e doaram-nas a institutos públicos agrícolas, abrindo, dessa forma, caminho a outros investigadores para produzirem os genes do arroz dourado em variedades que se adaptam às necessidades, gostos e condições de produção locais.

Vinte anos e muitas controvérsias depois, o Bangladesh está prestes a tornar-se o primeiro País a produzir arroz dourado. A versão de arroz dourado que está em análise no Ministério do Ambiente desde 2017, onde um Comité Central de Biossegurança, formado por oito cientistas, analisa os riscos ambientais envolvidos no cultivo do arroz dourado, como o potencial da planta tornar-se uma erva daninha, bem como a segurança alimentar do produto, foi criada no Instituto Internacional de Pesquisa do Arroz (IRRI), em Los Baños, nas Filipinas. Os genes modificados foram criados a partir de uma variedade de arroz chamada dhan 29, muito comum no País e que representa 14% da colheita nacional.

Com uma taxa de mortalidade nas crianças de 26,13 (por cada mil nados vivos) e de carência de vitamina A, também nas crianças, de 21%, o Bangladesh não vê a hora de fazer chegar aos seus agricultores as sementes de arroz dourado para plantação. Se tudo correr como previsto, será até 2021.

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Leia o artigo original na Science.

Opinião | Não faz sentido ignorar a ciência: OGM e o dilema do PE*

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Crédito da imagem: MJ Graphics / Shutterstock 

“A Europa parece cada vez mais preparada para enfrentar os desafios do século XXI e liderar o caminho para um futuro “mais verde” e mais sustentável. Em lado nenhum isso é mais visível do que nas aspirações da nova Comissão Europeia de delinear um “Acordo Verde” e uma estratégia “Farm to Fork” com o objetivo de garantir o acesso da Europa a alimentos seguros, nutritivos e sustentáveis ​​num futuro próximo. Mas que papel o Parlamento Europeu (PE) pode desempenhar perante as recentes “objeções” sem fundamento contra os OGM (Organismos Geneticamente Modificados)?

As universidades europeias de Ciência afirmaram: “Há evidências convincentes de que as variedades agrícolas geneticamente modificadas (GM) podem contribuir alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável, com benefícios para agricultores, consumidores, economia e meio ambiente”. [1] Além disso, um relatório da Organização para a Agricultura e a Alimentação de 2016 [2] confirma que as biotecnologias agrícolas podem ajudar os pequenos produtores a serem mais resilientes e adaptarem-se às mudanças climáticas. Mas os europeus, incluindo alguns membros do PE, estão, no entanto, confusos. Desconfiam dos OGM, desconfiam dos organismos da UE encarregados da sua avaliação e desconfiam da ciência em geral.

A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), a Comissão Europeia e mais de 280 instituições científicas e técnicas em todo o mundo [3] declararam que os OGM são pelo menos tão seguros quanto as variedades agrícolas convencionais. Além disso, em quase 25 anos de comercialização, mostraram que os OGM oferecem uma infinidade de benefícios: permitem, por exemplo, que os agricultores cultivem mais alimentos usando menos recursos, como água, terra e energia, do que as culturas convencionais ou até biológicas. Significa que os agricultores que escolhem cultivar variedades GM – onde, face às características do solo e do clima, é conveniente usá-las – estão a preservar a biodiversidade em redor e a mitigar alguns dos efeitos das mudanças climáticas. Os benefícios da utilização de variedades agrícolas transgénicas estão bem documentados, mesmo na Europa, apesar do cultivo de OGM ser muito limitado neste território. Em Espanha, nos últimos 21 anos, o milho GM provou aumentou os rendimentos dos agricultores [4], tornando o País menos dependente das importações de milho. Resultados semelhantes foram observadas na Roménia entre 1999 e 2006, antes da proibição da soja GM neste País como resultado da sua adesão à UE. [5]

O recém-eleito Parlamento Europeu (PE) deverá trazer consigo um raio de esperança. Espero que a Europa tome medidas adequadas ao conhecimento científico atual para enfrentar os desafios globais, entre os quais as alterações climáticas e a insegurança alimentar. E os OGM – e a biotecnologia em geral – podem e devem fazer parte da solução. Infelizmente, após uma alteração de mais de 60% dos deputados europeus, as objeções do PE aos OGM, que começaram há vários anos, continuaram, com alguns deputados atribuindo as culpas aos OGM por muitos dos desafios globais que enfrentamos hoje.

As evidências mostram que o cultivo de OGM levou a uma redução de 37% na aplicação de produtos químicos agrícolas e mostram muito mais quando se trata de culturas GM resistentes a insetos. [6] O seu uso aumentou muito a segurança agrícola e ambiental: por exemplo, nos países em desenvolvimento, reduziu significativamente as taxas de suicídio e de intoxicação por pesticidas em pequenas propriedades agrícolas [7].

Acresce que o aumento da produção por hectare associado aos OGM poupa a pressão nas terras vizinhas, incluindo as florestas tropicais. Seja para alimentação animal ou para consumo humano direto, faz sentido fazer um cultivo eficiente para evitar a conversão adicional da terra. Um relatório recente do ISAAA [8] mostra que, entre 1996 e 2016, as culturas biotecnológicas pouparam 183 milhões de hectares de terra (22,5 milhões de hectares de terra apenas em 2016), conservando a biodiversidade e reduzindo as emissões de CO2. Em 2016, a poupança nas emissões de dióxido de carbono foi de 27,1 bilhões de kg, o equivalente a retirar 16,7 milhões de veículos das estradas a cada ano.

Hoje em dia, a realidade na Europa é que a maioria das pessoas usa algodão GM e come uma variedade de produtos alimentares produzidos com a ajuda da biotecnologia, incluindo OGM. Além dos muitos benefícios que os consumidores europeus usufruem todos os dias, os agricultores de outros continentes (da América, África e Ásia) estão a ser empoderados pela biotecnologia, entre os quais milhões de pequenos agricultores asiáticos que cultivam transgénicos. Embora, historicamente, os OGM tenham sido usados ​​para produzir soja, milho e colza para alimentação animal, atualmente os OGM também são usados ​​para consumo humano, melhorando a saúde e a nutrição das pessoas, evitando o desperdício de alimentos e tornando as culturas mais resistentes à seca e às doenças.

Então, por que ninguém fala dos benefícios dos OGM?

O facto é que, embora o Parlamento Eropeu esteja parcialmente implicado nas campanhas de desinformação de alguns ativistas anti-OGM, aceitando-as, os estados membros da UE também estão aquém das suas responsabilidades. Apesar de já beneficiarem das vantagens económicas dos OGM, países como Alemanha, França, Itália e Polónia não votaram a favor da aprovação de produtos OGM seguros, nem para importação. Este comportamento eleitoral, a que se soma a falta de apoio do PE e o fracasso geral das instituições da UE em combater a desinformação sobre os OGM, é a principal razão pela qual a Europa expulsou efetivamente a inovação agrícola nesse campo, o que prejudica e mina a confiança nos procedimentos de avaliação de segurança alimentar da UE. Uma decisão do Tribunal de Justiça da UE de julho de 2018, em que equipara os OGM aos produtos em que foi aplicada a edição de genoma, torna esta situação ainda mais insustentável.

Embora a Europa possa, em certa medida, permitir-se – temporariamente – ignorar a ciência e a tecnologia, é irresponsável e injusto demonizar os OGM e impedir que o mundo em desenvolvimento faça uso desses produtos. Em tempos como estes, é necessário que os líderes políticos defendam a ciência e apoiem os factos científicos divulgados pelas agências da UE responsáveis ​​por avaliar a segurança dos OGM. O Parlamento Europeu deve agora definir uma nova direção para a inovação na agricultura, apoiando, inclusive, a aprovação de produtos GM seguros, de acordo com evidências e procedimentos democraticamente adotados.

Chegou a hora de uma nova geração de decisores políticos europeus aproveitar todo o potencial dos OGM em benefício das pessoas e do planeta. A EuropaBio, representando a indústria de biotecnologia, está comprometida em comunicar esses benefícios. Instamos todos os decisores políticos, que pensam que a ciência pode e deve desempenhar um papel positivo na sociedade, a ler o nosso manifesto de biotecnologia agrícola e a juntarem-se a nós nessa missão.”

*Este texto é uma tradução integral de um artigo (em inglês) escrito por Beat Späth, diretor de biotecnologia agrícola da EuropaBio, e publicado no Euroactiv.

Mais informações em:

An antidote to fear-based politics?

GMOs: Time to stand up for EU law and innovation

EU nations should overcome GMO hypocrisy

[1] http://www.easac.eu/home/reports-and-statements/detail-view/article/planting-the.html

[2] http://www.fao.org/3/a-i6030e.pdf

[3] http://www.siquierotransgenicos.cl/2015/06/13/more-than-240-organizations-and-scientific-institutions-support-the-safety-of-gm-crops/

[4] https://gmoinfo.eu/eu/articles.php?article=Insect-resistant-GM-maize-has-benefited-farmers-and-the-environment-in-Iberia-

[5] https://www.europabio.org/sites/default/files/EU_protein_GAP_WCover.pdf (p.17)

[6] https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0111629https://www.e-elgar.com/shop/handbook-on-agriculture-biotechnology-and-development and https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0921800911002400

[7] https://onlinelibrary.wiley.com/doi/epdf/10.1111/pbi.13261

[8] http://isaaa.org/resources/publications/briefs/54/executivesummary/default.asp

Campanha | “Modified” comemora uso da biotecnologia na produção de alimentos

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Há vários dias que a campanha “Modified” anda nas ruas de São Francisco, nos EUA, a celebrar a aplicação de tecnologias inovadoras na produção de alimentos. A iniciativa é da Cornell Alliance for Science, que, através de uma carrinha colorida, quer que os alimentos geneticamente modificados passem a ser tema de conversa.

Tendo como meio uma carrinha às cores a circular nas ruas de São Francisco, no Estado norte-americano da Califórnia, a Cornell Alliance for Science lançou, no dia 1 de outubro, a campanha “Modified” (em português, modificado) para colocar na “boca” do mundo os OGM-Organismos Geneticamente Modificados. O objetivo é envolver os consumidores no tema, fazer com que conversem sobre alimentos GE e procurem saber mais sobre eles, tendo por base o conhecimento científico e não medos e mitos infundados.

Como explicou a diretora executiva da Alliance, Sara Evanega, “à medida que as novas ferramentas de biotecnologia sintética e de edição de genomas vão evoluindo, veremos chegar ao mercado mais produtos alimentares geneticamente modificados, em parte como resposta à necessidade de mitigar os impactos das alterações climáticas.”

Na carrinha “Modified”, as pessoas podem recolher informação científica sobre alimentos GM e também prová-los, porque, acredita Sara Evanega, “comer é acreditar”.

A carrinha começou a circular no primeiro dia da conferência SynBioBeta, que decorreu entre 1 e 3 de outubro, em São Francisco. Neste encontro, que reuniu centenas de investigadores em inovação e empresas tecnológicas para estarem a par dos mais recentes desenvolvimentos em áreas como a biologia sintética e a edição de genomas e as suas aplicações em alimentos, na agricultura, na medicina e na indústria, foram distribuídos dois alimentos GM: a maçã ártica resistente ao escurecimento depois de cortada e a papaia havaiana Rainbow resistente ao vírus.

“Ao combinar amostras de alimentos geneticamente modificados com conversas informadas, podemos ajudar os consumidores a perceber melhor a utilização da biotecnologia na alimentação e na agricultura”, acrescentou Sara Evanega, convicta que os consumidores muitas vezes desconhecem o papel que as variedades modificadas podem desempenhar para tornar a agricultura mais sustentável.

A redução da aplicação de pesticidas, do desperdício de alimentos e das emissões de carbono são apenas alguns dos benefícios dos produtos geneticamente modificados atualmente no mercado norte-americano.

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Nigéria | A importância da biotecnologia na segurança alimentar

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Ogbonnaya Onu, ministro da Ciência e Tecnologia da Nigéria 

Segurança alimentar, aumento da produção de alimentos e redução das importações de bens alimentares são algumas das mais-valias da biotecnologia. São também os fatores que levam o governo federal da Nigéria, o País mais populoso de África, a investir fortemente nas novas tecnologias de melhoramento.  

A Nigéria anunciou que está a investir fortemente em biotecnologia e engenharia genética. Em declaração oficial, o ministro da Ciência e Tecnologia do País mais populoso de África, Ogbonnaya Onu, enfatizou a importância das novas tecnologias de melhoramento para garantir a segurança alimentar no País e a melhoria do bem-estar socioeconómico da população.

Reconhecendo o papel crucial destas ferramentas no aumento da produção local de alimentos e na redução da necessidade de importação de produtos alimentares, o anúncio foi feito na presença de vinte e um cientistas de vários países, durante um ensaio de laboratório para deteção e identificação de OGM (Organismos Geneticamente Modificados), em Abuja, na Nigéria.

Onu afirmou que o Ministério da Ciência e Tecnologia continuará a apoiar a Agência Nacional de Desenvolvimento da Biotecnologia (ANDB), que tem por missão promover, desenvolver e coordenar investigações na área da biotecnologia de ponta. “A aplicação de ambas as tecnologias na agropecuária e um melhor conhecimento das mesmas por parte da população terá um impacto positivo no crescimento socioeconómico da Nigéria”, acredita o governante nigeriano.

Em agosto passado, a Nigéria anunciou a intenção de dotar a Agência de Biotecnologia de poderes para regulamentar várias novas tecnologias, entre as quais a edição de genomas, drives genéticos e biologia sintética. Desde a sua criação, em 2015, a ANDB permitiu aos investigadores desenvolverem novas culturas transgénicas, incluindo duas variedades de algodão e uma de feijão-frade resistentes a pragas, que já estão a ser utilizadas pelos agricultores do País.

Leia a declaração oficial do Ministério da Ciência e Tecnologia da Nigéria aqui.

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Evento | Europa celebra Semana da Biotecnologia

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Com mais de 140 ações em dezoito países europeus, incluindo Portugal, a sétima edição da Semana Europeia da Biotecnologia começou ontem e prolonga-se até 29 de setembro, prometendo ser a mais popular de todas. Pela primeira vez, este ano é celebrada também na Letônia e em Malta, com eventos sobre biotecnologia marinha.

São várias as entidades envolvidas na celebração da Semana Europeia da Biotecnologia (SEB). Além da EuropaBio, também comunidades locais, empresas, instituições académicas e governamentais de dezoito países europeus estão a promover iniciativas para comemorar os inúmeros benefícios da biotecnologia em áreas tão cruciais como a saúde e a agricultura e para explorar o seu potencial no desenvolvimento de soluções para os atuais desafios alimentares (com o aumento estimado da população) e ambientais (por efeito das alterações climáticas).

As iniciativas são muito variadas, desde conferências científicas, atividades recreativas, exposições e laboratórios abertos ao público para mostrar às

pessoas como é que se faz ciência. De destacar, o novo concurso de vídeo/ filmes (#BiotechFan), lançado este ano pela EuropaBio com o intuito de permitir a todos os estudantes europeus fanáticos por biotecnologia criarem um filme que retrate essa sua paixão.

Ontem, na abertura da SEB, a Secretária Geral da EuropaBio, Joanna Dupont-Inglis, comentou: “No que se refere a biotecnologia, temos muitos progressos para comemorar. Uma vez por ano, a Semana Europeia de Biotecnologia oferece a oportunidade perfeita para refletir sobre até onde chegamos e discutir como a biotecnologia pode ajudar-nos a garantir vidas mais longas, saudáveis ​​e sustentáveis ​​para as gerações futuras. ”

Para saber mais sobre as atividades previstas no decorrer da SEB, clique aqui.

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OGM | Ruanda testa batata resistente a pragas

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À semelhança de outros países da África Oriental, o Ruanda deverá começar a produzir a batata Victoria, uma variedade irlandesa geneticamente modificada para resistir a pragas e doenças. A lei que rege os organismos geneticamente modificados foi promulgada no ano passado, mas ainda está para ser aprovada.

Os agricultores ruandeses estão ansiosos para que a lei que rege os organismos geneticamente modificados (OGM) seja aprovada para poderem, finalmente, produzir a batata Victoria. Desenvolvida pelo Centro Internacional de Batata, na África Subsaariana, é uma variedade irlandesa e foi geneticamente modificada (GM) para ser resistente a pragas e doenças.

Tendo sido alvo de um amplo escrutínio público em 2018, esta tecnologia vai permitir menores perdas nas colheitas, aumentar a produção e mais rendimento. Em declarações aos associados da Associação Africana de Batata, em Kigali, o diretor-Geral do Conselho de Agricultura do Ruanda (RAB), Patrick Karangwa, disse “que o País irá experimentar esta variedade de batata, porque provou ser resistente à praga tardia”, uma doença destrutiva da batata, conhecida localmente como ‘Imvura’.

“Essa variedade de batata resistente a doenças, desenvolvida por meio de modificação genética, traz muitos benefícios para os agricultores, pois reduz os custos incorridos com as pulverizações de pesticidas. Além disso, diminuirá os efeitos nocivos que os pesticidas causam ao meio ambiente”, acrescentou Patrick Karangwa.

Afirmações confirmadas pelos investigadores que desenvolveram a batata Victoria, os quais garantiram que a adoção de culturas GM ajudaria a aumentar a produção e a proteger os agricultores contra perdas decorrentes de doenças. Eric Magembe, biólogo molecular do Centro Internacional de Batata, na África Subsaariana, afirmou que “as batatas geneticamente modificadas podem produzir cerca de 40 toneladas por hectare (a variedade convencional produz entre 10 e 12 toneladas). Além disso, a variedade convencional exige várias pulverizações com pesticidas”. September 2019 2

Segundo Magembe, os resultados são claramente positivos: “Verificamos que com esta batata GM temos mais 68% de lucros. E as qualidades como o sabor e o valor nutricional são as mesmas em comparação com a variedade convencional. De diferente tem apenas a capacidade de resistir a doenças.”

O Ruanda iniciou no ano passado a promulgação da lei que rege os organismos geneticamente modificados (OGM), mas ainda não foi aprovada.

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Mapa mundi dos OGM | Onde, quais e quantos se produzem?

 

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O último relatório do ISAAA-Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agro-Biotecnológicas, mais do que uma radiografia do desenvolvimento das culturas geneticamente modificadas em todo o mundo, fornece um manual de ações que, se postas em prática, permitiriam atender aos grandes desafios atuais: o crescimento global da população e o aumento das temperaturas.

Tornado público a 22 de agosto em Tóquio, no Japão, o relatório A Situação Mundial das Culturas Trangénicas comercializadas em 2018 mostra quais as tendências que têm determinado a evolução do mercado de OGM, que, no ano a que os dados se referem (2018), eram produzidos por dezassete milhões de agricultores e ocupavam uma área de cultivo de 191.7 milhões de hectares em 26 países.

O documento é extenso, mas deixamos-lhe aqui alguns dados que considerámos de importância significativa:

  • EUA, Brasil, Argentina, Canadá e Índia são os maiores produtores de culturas GM. 91% da área global de cultivo localiza-se nestes países;
  • A taxa de adesão dos cinco maiores produtores chegou perto da saturação: 93% nos Estados Unidos (soja, milho, algodão, colza, beterraba, alfafa, mamão, abóbora, batata, maçã), 93% no Brasil (soja, milho, algodão e cana-de-açúcar), 100% na Argentina (soja, milho e algodão), 92,5% no Canadá (colza, milho, soja, beterraba, alfafa e maçã) e 95% na India (algodão). Só estes cinco produzem 91% das culturas GM em todo o mundo;
  • A área de cultivo de OGM é 113 vezes maior do que em 1996 (nesse ano era de 2,5 mil milhões de hectares), o que significa que é a tecnologia agrícola mais rapidamente adotada;
  • As culturas GM estão presentes em 70 países (26 produzem e 44 importam);
  • A soja transgénica ocupa 50% da área global cultivada com variedades GM;
  • Portugal e Espanha continuam a ser os únicos países da União Europeia a produzir culturas GM (121 mil hectares), mas apenas milho para ração animal;
  • Com uma produção de alimentos mais diversificada, a biotecnologia já não se aplica exclusivamente aos produtos mais comercializados, como milho, soja, algodão e colza. Também é usada na produção de alfafa, beterraba, mamão, abóbora, beringela, batata e maça, já no mercado em alguns países;
  • Em termos de investigação, as experiências e estudos conduzidos por instituições públicas abrangem culturas como o arroz, banana, trigo, grão-de-bico, ervilha-de-pombo e mostarda com características nutricionais benéficas, sobretudo para consumidores em países em desenvolvimento.

Em 23 anos de comercialização, o aumento da produção e importação de culturas GM para alimentação, rações animais e produtos processados é um indicador claro da satisfação de mais de consumidores e de dezassete milhões de agricultores, dos quais 95% são pequenos agricultores no que respeita aos benefícios socioeconómicos e ambientais, à segurança alimentar e à mais-valia nutricional das culturas biotecnológicas.

Garantir a manutenção destes benefícios, hoje e no futuro, depende da criação de legislação baseada, não em crenças e receios infundados, mas em factos resultantes de anos e anos de investigação científica. Se a aplicação da biotecnologia na agricultura continuar a crescer, acreditam os investigadores na área que será um forte contributo para ajudar a aliviar os problemas da desnutrição e os efeitos das alterações climáticas.

Saiba como no relatório do ISAAA (file:///C:/Users/cibga/Desktop/A%20partir%20de%2006.11.2018/Imagens%20redimensionadas/ISAAA%20Brief%2054%20Executive%20Summary_August232019.pdf).

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Mapa mundial da produção de culturas geneticamente modificadas. Fonte: ISAAA 2018

OGM | Não, não é verdade

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Uma breve consulta ao site GMO Answers revela que o desconhecimento dos consumidores sobre tudo o que respeita aos alimentos transgénicos ainda é grande. Desde a tecnologia utilizada aos produtos realmente disponíveis no mercado, as crenças, os mitos e as inverdades sobre as culturas geneticamente modificadas continuam a “dar mais cartas” do que a ciência. Não acredita? Veja estes quatro exemplos.

 

Arroz dourado não está à venda

A maioria das pessoas já deverá ter ouvido falar do  arroz dourado (golden rice, em inglês), desenvolvido pela primeira vez na passagem de milénio, causando um enorme impacto nas notícias. Talvez por isso muitas pessoas pensem que este produto biofortificado já é comercializado, mas não. Estamos em 2019 e ainda não está disponível. As razões são várias, mas a principal é a oposição “cega” e infundada de grupos ativistas.

De salientar que o arroz dourado foi apresentado no ano 2000 por Ingo Potrykus, Professor do Institute of Plant Sciences do Swiss Federal Institute of Technology (ETH), de Zurique, como “um excelente exemplo de engenharia genética de plantas” e como uma solução para um problema nutricional (carência de vitamina A), que afeta milhares de crianças nos países menos desenvolvidos. Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, cerca de 670 mil crianças com menos de cinco anos morrem anualmente por não ingerirem vitamina A suficiente e entre 250 mil e meio milhão ficam cegas devido a esta deficiência.

Não existe trigo nem tomate transgénico

Contrariamente ao que muitas pessoas pensam, não existe trigo geneticamente modificado em mercado nenhum do mundo.  E também não há hoje tomate transgénico à venda; já houve, na década de 90, mas apenas por três anos. O tomate Flavr Savr, criado para ser menos perecível, acabou por ser retirado do mercado por causa do seu insucesso junto dos consumidores.

Uvas e melancia sem sementes não são OGM

Estávamos tão habituados a encontrar apenas frutas com sementes que quando as frutas sem sementes invadiram o mercado, muitas pessoas começaram logo a pensar que só poderiam ser resultado da modificação genética. Não é verdade. Embora toda a nossa comida seja geneticamente modificada (através da seleção natural, mas esta já seria outra conversa), as melancias sem sementes e as uvas sem grainha que encontramos atualmente à venda não são modificadas da mesma maneira que um OGM.

De resto, passada a desconfiança inicial, parece haver agora uma maior adesão dos consumidores às frutas sem sementes.

Os transgénicos não estão proibidos na Europa

Ao contrário da crença popular, os transgénicos não estão banidos em toda a Europa. Não só são cultivados em alguns países e com bastante sucesso –  veja-se neste relatório de Graham Brookes os casos de Portugal e Espanha -, como o seu cultivo está a ser seriamente considerado por agricultores de outros países europeus.

De referir que, apesar de haver grandes entraves à produção de OGM, a verdade é que a Europa importa vastas quantidades de culturas GM, como soja para ração animal.

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