Vídeo | Novas Técnicas de Melhoramento na Feira de Agricultura

PF na TV FNA2019 

FNA2019 TV   via

Pedro Fevereiro, Presidente do CiB, fala das Novas Técnicas de Melhoramento das Plantas e como podem elas beneficiar a agricultura portuguesa, tema de um seminário  promovido pelo CiB, em parceria com a CAP e a Embaixada dos EUA em Portugal, no dia 11 de junho, na Feira Nacional de Agricultura.

Anúncios

Descoberta | Fungo geneticamente modificado mata 99% dos mosquitos da malária

fungo malária

Num estudo feito no Burkina Faso, os investigadores garantem que um fungo geneticamente modificado pode matar 99% dos mosquitos transmissores da malária.

Investigadores da Universidade de Maryland, nos Estado Unidos da América, e do Instituto de Investigação em Ciências da Saúde, no Burkina Faso, identificaram pela primeira vez um fungo, designado Metarhizium Pingshaense, que infeta o mosquito Anopheles, o principal transmissor da malária em África.

O fungo foi geneticamente modificado para produzir a toxina encontrada no veneno de uma espécie de aranha-funil da Austrália e os resultados dos testes mostraram que 99% dos mosquitos morreram em 45 dias. Citado pela BBC News, Raymond Leger, um dos cientistas da Universidade de Maryland envolvidos no estudo, afirmou que os fungos Metarhizium Pingshaense “são muito maleáveis, sendo possível manipulá-los geneticamente com muita facilidade.”

As instruções genéticas para fabricar a toxina da aranha foram adicionadas ao código genético do fungo, de modo a produzir a toxina para o mosquito. Como explicou o investigador, “uma aranha usa as suas presas para perfurar a pele e injetar as toxinas. Substituímos as presas de aranha pelo fungo metarhizium”.

Os resultados da investigação e dos testes laboratoriais, publicados na revista Science, mostraram que o número de mosquitos aumentou quando não foi usado o fungo modificado. Contudo, recorrendo ao fungo da toxina de aranha, dos iniciais 1.500 mosquitos, no final dos testes, após 45 dias, existiam apenas 13. Mas, afiançam os investigadores, “o objetivo do estudo não é provocar a extinção do mosquito da malária”, é, sim, “ajudar a controlar a propagação da doença”.

A malária é uma doença infeciosa causada pelo parasita do género plasmodium que mata mais de 400 mil pessoas por ano. Transmite-se às pessoas pela picada do mosquito do género anófheles e os sintomas mais comuns são febre, fadiga, vómitos e dores de cabeça.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) já alertou que os casos de malária estão a aumentar nos dez países africanos mais afetados, porque os mosquitos estão a tornar-se resistentes a inseticidas.

Mais detalhes no estudo original, em inglês.

Siga o CiB no Twitter, no Facebook e no LinkedIn

Edição de genoma | 15 ministros da Agricultura europeus defendem alteração legislativa

 

foto seminário santarém

Os signatários da Declaração de Posicionamento “Regulamentar a edição do genoma como OGM tem consequências negativas para a agricultura, sociedade e economia” obtiveram um resultado positivo do Conselho AgriFish. Um passo em frente significativo, se comparado com os resultados de reuniões anteriores de regulamentação dos Organismos geneticamente modificados a nível da UE.

No âmbito de uma campanha para salvaguardar a edição de genoma para uma agricultura e produção de alimentos sustentável, alguns países da União Europeia assinaram a Declaração de Posicionamento “Regulamentar a edição do genoma como OGM tem consequências negativas para a agricultura, sociedade e economia”, a qual foi levada a discussão na última reunião do Conselho AgriFish.

O Conselho reúne mensalmente os ministros que tutelam a agricultura e pescas de cada Estado-Membro da União Europeia e, na reunião de 14 de maio, um grande número de países recebeu positivamente a proposta holandesa do Conselho AgriFish de apelar à nova Comissão para abordar a adequação do quadro legislativo europeu para os OGMs no contexto de novas técnicas de reprodução, como a edição de genes.

A proposta holandesa afirmava que todos os Estados membros beneficiariam de uma abordagem conjunta e compartilhada. Quinze ministros da agricultura defenderam um novo quadro legislativo. O documento holandês não contém propostas concretas de mudanças na legislação, mas tem como principal objetivo a inclusão da questão no programa de trabalho da Comissão.

O ministro francês da Agricultura declarou que estava à espera de uma decisão do seu próprio Conselho de Estado, que ainda precisa de implementar a decisão do Tribunal de Justiça Europeu no caso iniciado no Conselho de Estado por uma coalizão de ONGs.

A proposta colheu também o apoio de Portugal, Espanha, Itália, Finlândia, Estónia e Eslovénia.

Este resultado representa um progresso significativo, se comparado com os resultados de reuniões anteriores de regulamentação dos OGM a nível da UE.

 

Siga o CiB no Twitter, no Facebook e no LinkedIn

 

Seminário | Edição de genoma em debate na Feira Nacional de Agricultura

foto seminário santarém 2

As Novas Técnicas de Melhoramento de plantas, como a edição de genoma, vão marcar a manhã do dia 11 de junho na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém. Para além de investigadores e agricultores portugueses e espanhóis, o seminário “Poderá a agricultura portuguesa usufruir das Novas Técnicas de Melhoramento?”, promovido pelo CiB em parceria com a CAP, contará com a presença do reputado economista agrícola britânico, Graham Brookes, para apresentar e comentar o relatório da sua autoria “Vinte e um anos de milho resistente a insetos (GM) em Espanha e Portugal – contribuições agrícolas, económicas e ambientais.”

 

Pela primeira vez na história da Feira Nacional de Agricultura, as Novas Técnicas de Melhoramento de plantas, entre as quais a edição de genoma, vão ser tema em discussão na 56ª edição do evento, que decorre entre 8 e 16 de junho.

Na manhã do dia 11 de junho, a sala Scalabis do Centro Nacional de Exposições, em Santarém, vai acolher dezenas de investigadores e agricultores nacionais e espanhóis para discutirem os aspetos científicos, técnicos e regulatórios da edição de genoma e das suas aplicações na agricultura no Seminário “Poderá a agricultura portuguesa usufruir das Novas Técnicas de Melhoramento?”, promovido pelo CiB-Centro de Informação de Biotecnologia em parceria com a CAP-Confederação dos Agricultores de Portugal.

A intervenção da investigadora espanhola Pilar Cubas sobre os aspetos científicos da edição do genoma e a ciência por trás das Novas Técnicas de Melhoramento irá abrir este encontro, que contará também com as intervenções da adida para a agricultura da Embaixada dos Estados Unidos em Espanha e Andorra, para falar dos aspetos regulatórios da edição de genoma.

Para perspectivar o impacto que poderá ter o uso das novas tecnologias de melhoramento na agricultura em Espanha e em Portugal, estarão presentes como oradores o agricultor espanhol Pedro Gallardo, presidente da ALAS-Aliança para uma Agricultura Sustentável e vice-presidente da ASAJA- Associação Agrária de Jovens Agricultores, e o agricultor português José Palha, presidente da ANPOC-Associação Nacional de Produtores de Cereais e Diretor da CAP-Confederação dos Agricultores de Portugal.

Um dos momentos mais esperados deste evento será a intervenção do economista agrícola britânico Graham Brookes, que irá apresentar e comentar as conclusões do relatório da sua autoria “Vinte e um anos de milho resistente a insetos (GM) em Espanha e Portugal – contribuições agrícolas, económicas e ambientais.”

Este estudo inovador avalia os impactos económicos e ambientais do milho Bt, geneticamente modificado (GM) resistente a insetos, na Península Ibérica, desde 1998, altura em que foi semeado pela primeira vez em Espanha. Desde então, cerca de 1,65 milhão de hectares foram semeados com milho com esta caraterística, o que resultou num aumento acumulado no rendimento dos agricultores de mais de 285,4 milhões de euros. Segundo os cálculos de Graham Brookes, “por cada euro extra gasto com as sementes GM em relação às sementes convencionais, os agricultores ganharam um adicional de 4,95 € em rendimento extra.”

dryland-ag-day-tribune-photo

No relatório pode ler-se que a tecnologia utilizada reduziu a pulverização de inseticidas em 678.000 kg de ingrediente ativo (−37%) e, como resultado, diminuiu o impacto ambiental associado ao uso de inseticidas nessas culturas (em 21%, medido pelo indicador, o Quociente de Impacto Ambiental-EIQ).

Ainda segundo o economista agrícola britânico, a tecnologia também permitiu reduzir o consumo de combustível, o que também resultou na redução da libertação de emissões de gases de efeito estufa da área de cultivo de milho transgénico e contribuiu para a economia de recursos hídricos escassos.

A participação neste evento é sujeita a inscrição prévia ou a confirmação de presença por telefone ou email (abaixo indicados).

Programa

9h00 – Abertura

09h15 – 11h00: 1ª Sessão – Aspetos científicos, regulatórios e económicos

09h15 – 09h55: Aspetos científicos da edição de genoma e a ciência por trás das Novas Técnicas de Melhoramento – Pilar Cubas, investigadora do CNB – Centro Nacional de Biotecnologia | Genética Molecular Vegetal (Madrid)

09:55 – 10:35: Apresentação e discussão do relatório “Twenty one years of using resistant (GM) maize in Spain and Portugal: farm level, economic and environmental contributions of GM crops food” (“Vinte e um anos de utilização de milho resistente a insetos (GM) em Espanha e Portugal:  contribuições agrícolas, económicas e ambientais das culturas e alimentos GM” – Graham Brookes, economista agrícola, diretor da PG Economics (UK)

10:35 – 10:55: Aspetos regulatórios da edição de genoma – Jennifer Clever, adida para a agricultura da Embaixada dos Estados Unidos em Espanha e Andorra

10:55 ­- 11:10: Discussão

11:10 – 11:40: Pausa para café

11h20 – 13h00: 2ª sessão – As aplicações das Novas Técnicas de Melhoramento na perspetiva dos agricultores

11:40 – 12:10: A realidade em Espanha – Pedro Gallardo, agricultor e Presidente da ALAS-Aliança para uma Agricultura Sustentável, vice-Presidente da ASAJA- Associação Agrária de Jovens Agricultores (Espanha)

12:10 – 12:40: A realidade em Portugal – José Palha, Agricultor, Presidente da ANPOC-Associação Nacional de Produtores de Cereais e Diretor da CAP-Confederação dos Agricultores de Portugal

12:40 – 13:00: Discussão

13:00 – 13:10: Encerramento

 

Local do seminário:

CNEMA-Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas

Quinta das Cegonhas

2001-904 Santarém

 

Para informações adicionais e confirmação de presença, por favor contactar:

Carla Amaro

Gabinete de Comunicação | Communication Office

CiB – Centro de Informação de Biotecnologia, Portugal
E-mail – gabcom@cibpt.org

Tel. +351 21 446 9768 // +351 91 266 3482

Website || Blog || Twitter || Facebook

 

 

 

OGM | Nigéria é o primeiro país a aprovar o cultivo de feijão-frade resistente à broca

feijaofrade

A Nigéria está a caminho de se tornar no primeiro país do mundo a cultivar feijão-frade geneticamente modificado (GM). Esta conquista permitirá reduzir o uso de pesticidas de oito para cerca de dois pulverizadores por estação e aumentará a produção até 20%. 

A Agência Nacional de Biossegurança (NBMA) autorizou o Instituto de Pesquisa Agropecuária (IAR) a comercializar a variedade de feijão-frade resistente à podridão, que foi geneticamente molhorado para resistir à praga de insetos lepidópteros Maruca vitrata. A licença é válida até o final de 2022.

Num documento decisivo de 22 de janeiro de 2019, a NBMA informou que a emissão da licença foi feita após levar em consideração o parecer do Comité Nacional de Biossegurança, Subcomité Técnico Nacional de Biossegurança e o relatório de avaliação de risco e gestão de risco fornecido pelo IAR, o candidato. “Depois de uma análise minuciosa do dossier de aplicação, é improvável que a aprovação proposta tenha um impacto adverso no meio ambiente e na saúde humana”, lê-se no documento.

A aprovação é o culminar de mais de nove anos de testes intensivos em feijão-frade geneticamente modificado resistente à broca Maruca vitrata, um inseto que pode destruir até 80% das culturas de feijão-frade. Esta decisão é, pois, um alívio para milhões de agricultores nigerianos que dependem desta cultura para viver.

Os resultados da pesquisa, liderada pelo Instituto de Pesquisa Agrícola da Nigéria em parceria com a Fundação Africana de Tecnologia Agrícola (AATF), mostraram que o cultivo de feijão-frade Bt permitirá reduzirá o uso de pesticidas de oito para cerca de dois pulverizadores por estação e aumentará a produção até 20%. Isso significa que a Nigéria poderá ter um aumento de receita de mais de 117 milhões de euros por ano.

O feijão-frade Bt é a segunda cultura GM a ser lançada na Nigéria após o algodão Bt, aprovado para cultivo e comercialização em 2018.

Veja aqui o documento de decisão da NBMA.

Siga o CiB no Twitter @cibpt e no Facebook @cib.portugal.

TEDx | Transgénicos: Heróis ou Vilões?

Sabia que um tomate cherry tem mais tecnologia do que um iPhone? Nesta comunicação TEDx, de José Miguel Mulet, descubra outra perspetiva sobre alimentos geneticamente modificados (GM), que tanta controvérsia geram. O investigador discute o conceito de alimentos “naturais” e conta a história muito antiga do melhoramento genético de plantas que todos os dias incluímos nas nossas refeições, como a cenoura, o tomate, a batata, entre outros. Abre ainda o véu sobre as potencialidades de uma nova tecnologia: o CRISPR-cas9.

Na sua apresentação, além da cenoura, do tomate e da batata,o investigador espanhol e Professor da Universidade Politécnica de Valência, José Miguel Mulet refere também produtos geneticamente modificados do nosso dia-a-dia, tais como: notas de euro, roupa, cotonetes, comprimidos, insulina, detergentes de roupa (produzidos com enzimas com origem na engenharia genética). Desmonta abordagens que disseminam desinformação passada pelos movimentos anti-OGM.

O divulgador de ciência explica que a tecnologia dos Organismos Geneticamente Modificados não é a tecnologia mais recente, mas a penúltima. A mais recente é o CRISPR-cas9. Para saber em que consiste, visualize o vídeo. No final, José Miguel Mulet declara que está muito tranquilo e que come alimentos GM sem medo.

José Miguel Mulet é Investigador e Professor da Universidade Politécnica de Valência (Espanha), na área de química, biologia molecular e biotecnologia. A sua investigação dedica-se ao desenvolvimento de plantas resistentes à seca. É divulgador de ciência em áreas como biotecnologia e alimentação, tendo publicado vários livros como “Transgénicos sin Miedo”, “Comer sin Miedo”, entre outros.

Visione o vídeo TEDx Transgénicos: Heróis ou vilões? e visite o blogue de José Miguel Mulet Tomates con genes.

http://jmmulet.naukas.com/2018/03/28/transgenicos-en-tedxupv/

Siga o CiB no Twitter @cibpt e no Facebook @cib.portugal.

Biotecnologia | Porque sim na medicina, porque não na agricultura?


A introdução de culturas geneticamente modificadas (OGM) em 1996 desencadeou uma reação violenta por parte de ativistas ambientais e de consumidores preocupados com o facto de a “manipulação da natureza” poder levar a consequências potencialmente terríveis e imprevistas. No entanto, quase não se ouviram protestos públicos quando as técnicas de engenharia genética foram desenvolvidas pela primeira vez na década de 1970 para comercializar produtos farmacêuticos, como a insulina geneticamente modificada. O que leva à questão: por que razão as pessoas vêm a biotecnologia na agricultura de uma forma diferente da biotecnologia na medicina?

Dizem os especialistas que a opinião pública acolhe mais favoravelmente a aplicação da biotecnologia na medicina do que na agricultura porque sente os seus benefícios diretos na prevenção e tratamento de doenças graves. Os benefícios da biotecnologia em culturas agrícolas – como o aumento dos rendimentos e a redução dos custos de produção – são primeiro sentidos pelo agricultor, permanecendo invisíveis aos consumidores e, por isso, por eles subvalorizados.

Além disso, “o movimento anti-OGM capitalizou a ignorância dos consumidores com uma campanha de marketing eficaz contra os transgénicos, financiada em grande parte por defensores dos alimentos orgânicos e organizações ambientais”, lê-se num artigo da Genetic Literacy Project.

Apesar das amplas evidências de que as culturas geneticamente modificadas não ameaçam a saúde humana, grande parte do público em geral, no mundo inteiro, mantém o ceticismo em relação à biotecnologia na agricultura. Apesar dos investigadores serem favoráveis às culturas GM e garantirem a sua segurança e benefícios ambientais e económicos – um estudo de 2015, da Pew Research Center, descobriu que 88% dos investigadores da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) acreditam que a tecnologia é perfeitamente segura -, pouco mais de 50% dos consumidores nos Estados Unidos, onde a aplicação da tecnologia na agricultura até é das mais significativas no mundo, dizem que evitariam comprar alimentos rotulados como “transgénicos” ou submetidos a “modificação genética”, de acordo com uma investigação de junho de 2018.

Mas quando em causa estão avanços na medicina, os consumidores norte-americanos não são tão apreensivos. No mesmo estudo de 2015, que também considerou as opiniões sobre a aplicação da biotecnologia na medicina, os consumidores mostram-se claramente divididos em relação ao que pensam sobre a engenharia genética. Ainda que o procedimento nos OGM não envolva mais do que mover um ou mais genes de um animal ou planta para outro animal ou planta, muitas pessoas consideram os OGM artificiais e uma violação da ordem da natureza, especialmente quando se trata de algo tão pessoal e visceral quanto a comida. E quanto à introdução de culturas agrícolas editadas por CRISPR, não está claro como o público responderá a essa nova tecnologia, mas os ativistas anti-OGM já estão a soar o alarme sobre os supostos perigos da edição de genomas.

A ver vamos. Certo é que o uso de transgénicos na medicina cria muito pouca controvérsia e o curioso é que o processo para desenvolver um produto médico é quase idêntico ao que é usado para criar uma semente transgénica. Ambos são o resultado de processos de triagem muito longos e cuidadosos para encontrar as moléculas e as proteínas corretas, bem como os genes que as codificam.

Em ambos os casos, vários organismos são engenhados para os fins a que se destinam. As bactérias são os organismos que mais se utiliza neste processo, uma vez que são mais fáceis de cultivar e ampliar para produção. No entanto, dependendo da complexidade da estrutura molecular da droga, outros organismos, como leveduras e células de mamíferos, também podem ser usados ​​para chegar ao produto final.

A título de exemplo: os investigadores usam a biotecnologia para analisar novas doenças e produzir vacinas para nos proteger. Como afirma Jeff Bessen, químico da Universidade de Harvard, “muitas vacinas e produtos farmacêuticos de alto rendimento contêm proteínas como ingrediente principal. As proteínas são muito caras e delicadas para fabricar a partir do zero, mas as células vivas precisam de produzir proteínas para sobreviver e podem ser induzidas a produzir proteínas médicas a granel, exigindo pouco mais do que as instruções do DNA e o caldo açucarado como combustível. Uma vez que estas plantas genéticas são inseridas nas células, muitas vacinas e drogas são tecnicamente um produto transgénico.”


Este gráfico mostra quantas vacinas são feitas com recurso a engenharia genética. Crédito de imagem: GenScript

Não obstante as técnicas usadas para modificar os organismos na fabricação de drogas e na criação de novas culturas agrícolas sejam semelhantes, a intenção que prevalece em cada uma das áreas não poderia ser mais diferente. As empresas farmacêuticas procuram fabricar medicamentos destinados a tratar ou curar uma doença. As empresas agrícolas acrescentam características às plantas que ajudarão de forma direta os agricultores, sem prejuízo dos consumidores e do meio ambiente. Pelo contrário, não faltam estuds que mostram os benefícios para o consumidor e para o ambiente, na medida em que uma cultura GM não precisa de tantos produtos químicos para fazer face a doenças e pragas como uma cultura convencional.

O próximo passo é inserir os genes candidatos na cultura apropriada. Começa então a operação meticulosa de selecionar o organismo ou planta que expressa a característica desejada. Isto leva-nos à última semelhança entre as culturas biotecnológicas e as drogas: ambas passam por um processo de aprovação de vários anos. No caso de um medicamento, o processo de aprovação consiste em verificar que a droga é eficaz e segura, ou seja, que faz o que foi projetada para fazer, com efeitos colaterais mínimos. No caso de uma cultura agrícola, o processo de aprovação depende, basicamernte, da garantia de que os alimentos são tão seguros como os alimentos não OGM e que não reptresentam riscos para o meio ambiente.

Na investigação do Pew Research Center, os invrestigadores perguntaram aos consumidores se a utilização da biotecnologia para produzir orgãos artificiais era uma utilização apropriada dos avanços na medicina. 74% respondeu sim.
Créditos da imagem: Genetic Literacy Project.

As culturas transgénicas atualmente aprovadas não representam preocupações de saúde ou ambientais maiores do que suas contrapartes não transgénicas. Mas o processo de aprovação tem sido tão politizado que leva, em média, 13 anos e 130 milhões de dólares para obter uma cultura aprovada. No caso dos animais, leva mais tempo. O único animal de bioengenharia a ser aprovado – o salmão da AquaBounty – levou 17 anos e ainda não está no mercado graças a uma luta política liderada pela senadora do Alasca Lisa Murkowski, que teme que o salmão transgénico do Atlântico ameace o salmão selvagem do Pacífico.

Em suma: a opinião favorável ou desfavorável dos consumidores sobre a biotecnologia está associada ao seu benefício direto. A aplicação da biotecnologia na medicina acolhe simpatias e aceitação porque as inovações médicas têm impactos imediatos e palpáveis ​​na saúde pública. Veja-se ao exemplo da diabetes, que já foi uma ‘sentença de morte’ e agora é uma doença controlável graças à insulina produzida com bactérias geneticamente modificadas. Outras terapias aprovadas pela FDA e que envolvem a engenharia genética estão também disponíveis para silenciar os efeitos da leucemia e do linfoma, responsáveis pela morte de mais de 40 mil pessoas por ano.

Reforçando a convicção de que o público aceita melhor a botecnologia quando experimenta benefícios diretos, um estudo de 2016 publicado no PLOS One mostra que 68% dos consumidores estão dispostos a aceitar engenharia genética quando usada ​​para melhorar a saúde humana. A aceitação cai para 49% quando a engenharia genética é aplicada à agricultura.

Mais informação aqui e aqui.

Siga o CiB no Twitter, Facebook e no Linkedin

Biotecnologia | Estamos rodeados dela e não sabemos


Créditos da imagem: Shutterstock

Há quem acredite que a alimentação do futuro é a biotecnologia alimentar. Que a carne que iremos comer não será de animais, que o leite que iremos beber não será das vacas, que as claras de ovos serão produzidas sem galinhas. A verdade é que já há empresas a trabalhar para que isso seja possível. O que é uma realidade velha é o uso da biotecnologia na produção de medicamentos e de alimentos e, mais recentemente, na engenharia genética, permitindo editar, corrigir e alterar o genoma de qualquer célula. A biotecnologia está praticamente em tudo o que comemos, vestimos e usamos no dia-a-dia.

Há muito que se fala em biotecnologia, mas quantos de nós sabem realmente o que significa? Como o próprio nome indica, é a tecnologia ao serviço da biologia. E isso diz-nos o quê? Muito pouco, em especial para quem está fora desta área de investigação que envolve várias especialidades.

A biotecnologia é uma ciência multidisciplinar e consiste em qualquer aplicação tecnológica que utilize organismos vivos ou parte deles para fabricar ou modificar produtos ou processos é que ajudem a melhorar a nossa vida.

As áreas da biotecnologia com maior impacto em Portugal são as da biotecnologia farmacêutica e industrial. A farmacêutica está ligada principalmente ao desenvolvimento e comercialização de biofármacos, vacinas recombinantes e métodos de diagnóstico, permitindo oferecer tratamento para um alargado leque de doenças (incluindo certos tipos de cancro ou vacinas inovadoras) e detetar rapidamente agentes patogénicos. A industrial engloba as aplicações da biotecnologia em diferentes indústrias como a têxtil, pasta de papel, alimentar (nomeadamente no processamento de lacticínios, açúcar e produção de ingredientes), plásticos, químicos e biocombustíveis (essencialmente bio-etanol). Uma parte importante deste setor é a produção de enzimas (usadas, por exemplo, nos detergentes).

Nos países mais desenvolvidos, a biotecnologia é um dos setores com uma maior previsão de crescimento a médio prazo, pois é considerada a ciência chave do século XXI e promete progressos revolucionários e novas terapias. A biotecnologia aplicada à medicina é uma das áreas de maior crescimento do conhecimento humano e está relacionada com o desenvolvimento de sistemas terapêuticos emergentes como a terapia genética, a terapia celular ou a medicina regenerativa.  

Informações mais detalhadas aqui.

Siga o CiB no Twitter, Facebook e no Linkedin

OGM | Quantos mais anos são precisos para provar que são seguros?

Diagrama de Venn enumerando os genes diferencialmente expressos, num universo de 17 546, entre variedade de milho GM (MON 810) e não GM. Os genes de maior interesse foram os da Peroxidase, Ferredoxina, Lipoxigenase6 (LOX6), Kin-1 (Knotted 1-induced1), NAD(P)H Nitrato redutase, Oxidoredutase, 1,3-ß-glucanase e Proteína relacionada com patogenese5 (PR5)

O uso de Organismos Geneticamente Modificados
(OGM) é muito antigo e o desenvolvimento de plantas GM para fins alimentares já tem quase 30 anos, no entanto, ainda é profundo o desconhecimento geral sobre o que são, como se fazem e para que servem, o que talvez explique os receios infundados em torno de tudo o que é transgénico. Duas investigadoras do INIAV, Eugénia de Andrade e Isabel Rodrigues, desmontam mitos, esclarecem dúvidas sobre os OGM e até fazem uma breve história dos alimentos GM.

Sabia que a primeira planta GM para fins alimentares foi um tomate e que foi desenvolvido entre 1987 e 1992? E que esse tomate chegou a ser comercializado durante cinco anos? Apesar do consumo de alimentos GM se fazer há mais de duas décadas, o debate e as desconfianças continuam, porque, como explicamas investigadorasEugénia de Andrade e Isabel Rodrigues num artigo intitulado Alimentos Geneticamente Modificados – seguros ou não?, “uma vez instalados o medo e os receios na população, é muito difícil eliminá-los.”

Neste artigo bastante esclarecedor, publicado em junho de 2018 na Vida Rural, as investigadoras do INIAV, Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, em Oeiras, realçam que “só se conseguem estabelecer os efeitos dos alimentos na saúde, quer sejam GM ou não, dentro de limites apertados”, pelo que os investigadores “conseguem prever efeitos com base na informação disponível sobre a composição química do alimento, dados epidemiológicos, variabilidade genética das populações e estudos conduzidos em cobaias.”

A maior preocupação associada às plantas e alimentos GM, lê-se no texto, “é poderem conter substâncias tóxicas e alergénios resultantes de alterações inesperadas, ou seja, alterações ‘secundárias’ em processos metabólicos originalmente não visados no processo de transformação e melhoramento. Como as técnicas de engenharia genética permitem fazer melhoramento muito dirigido e com grande controlo, o produto resultante do transgene é avaliado durante a fase de análise de risco e, portanto, nunca será esta a causa de risco para a saúde nos OGM aprovados.“

Assim, continuam Eugénia Andrade e Isabel Rodrigues, “as controvérsias assentam no argumento de que são mais prováveis as alterações não intencionais no DNA das plantas quando novos elementos genéticos são inseridos por técnicas de biotecnologia, do que pelos métodos de melhoramento convencional. Ora, esta visão não passa de um mito e, para o provar, podem-se enumerar casos de plantas obtidas por melhoramento convencional contendo elevados níveis de compostos tóxicos.”

Leia o artigo integral aqui.

Siga o CiB no Twitter, Facebook e no Linkedin

2018 em revista | Segunda geração de OGM chegou e movimento anti transgénicos perdeu força

Créditos da imagem: Illinois Farm Bureau

No início de 2018, num artigo publicado na Genetic Literacy Project, o jornalista Marc Brazeou escreveu um conjunto de acontecimentos que esperava acontecerem nos Estados Unidos no decurso desse ano. O jornalista antevia que o movimento anti-OGM seria cada vez mais irrelevante, 2018 seria um marco para a segunda geração de culturas geneticamente modificadas, os novos substitutos de carne animal que dependem da biotecnologia para serem produzidos serão uma tendência.

Um ano depois, na mesma revista, Brazeou faz uma avaliação do que aconteceu em 2018 e conclui que as suas previsões estavam certas. Sobre o movimento anti-OGM, diz que enquanto na Europa o ativismo contra as culturas geneticamente modificadas continua em força – dando como exemplos terem conseguido fazer com que a edição de genoma fosse regulamentada da mesma forma que a engenharia genética recombinante -, nos Estados Unidos foram perdendo voz e influência sobre a opinião pública à medida que uma segunda geração de OGM começou a entrar no mercado.

Brazeou sublinha que não se refere ao CRISPR e outras tecnologias de edição genética, mas sim a “uma nova geração de alimentos transgénicos que, finalmente, está a ser comercializada”, como por exemplo salmão AquaAdvantage, maçã Artic Golden e beringela Bt. Mas não foi só nos Estados Unidos que novas culturas GM foram introduzidas. O salmão AquaAdvantage chegou também às mercearias do Canadá, a produção de Beringela Bt aumentou significativamente no Bangladesh em 2018 e na Costa Rica o abacaxi rosa Del Monte Fresh Produce começaram a aparecer na primavera (os abacaxis foram geneticamente modificados para produzir níveis mais baixos de enzimas que convertem o licopeno cor-de-rosa (material que dá ao tomate o vermelho e à melancia o rosa) ao beta-caroteno de pigmento amarelo.

Relativamente à ‘carne’ de plantas, Brazeou diz mesmo que a realidade superou as suas previsões. Como casos paradigmáticos aponta os nuguets de frango feitos à base de plantas, da Just Foods, e os hambúrgueres vegetarianos Impossible e Beyond, disponíveis em centenas de locais nos Estados Unidos e Canadá.

Leia o artigo integral sobre as previsões de Brazeou na revista Genetic Literacy Project.

Siga o CiB no Twitter @cibpt e no Facebook @cib.portugal.