OGM | Os factos devem ultrapassar o medo

WhatsApp Image 2019-04-17 at 16.21.34

Foi adotada hoje a revisão da lei que visa melhorar a transparência e a sustentabilidade do sistema da União Europeia para a avaliação dos riscos na cadeia alimentar. Em comunicado de imprensa, a EuropaBio responde à votação do Parlamento Europeu, lamentando que a desinformação e o medo estejam a sobrepôr-se ao conhecimento científico.

“A ciência e os fatos devem prevalecer sobre o medo e a desinformação”, disse Joanna Dupont-Inglis, Secretária-geral da EuropaBio, respondendo à alteração do Regulamento (CE) n.º 178/2002, relativo à Lei Geral de Alimentação e adotado hoje pelo Parlamento Europeu. “Esperamos que as novas regras ajudem a construir a confiança necessária na nossa cadeia alimentar, inclusive nos produtos avaliados como os transgénicos”, acrescentou.

Os procedimentos de avaliação de risco seguidos nos países da União Europeia são dos mais rigorosos e “apertados” do mundo, mas o atual sistema de avaliação dos OGMs é extremamente demorado e caro em comparação com avaliações semelhantes de outras agências, quer dentro da Europa, quer fora.

Joanna Dupont-Inglis saudou os esforços para melhorar a transparência do regulamento, desde que as informações comerciais confidenciais legítimas permaneçam protegidas. Para a Secretária-geral da EuropaBio, o processo de avaliação de riscos deve ser mais claro e simplificado, mas também deve haver mais transparência por parte da EFSA-Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar no que diz respeito, por exemplo, às comunicações de risco, as quais, defende, devem aumentar: “É lamentável que uma maior transparência não tenha sido proposta para todas as partes envolvidas na avaliação de risco, incluindo as próprias regras de procedimento da EFSA. O enfoque agora deve ser a entrega de um processo de avaliação de risco sustentável e eficiente e a informação ao público em geral sobre os riscos de saúde reais, o que significa combater alarmismos e perceções erradas. Para que o sistema seja confiável, é crucial que a ciência e os fatos sejam comunicados adequadamente. Os consumidores devem poder ter certeza de que a sua comida é segura”.

A EuropaBio acredita que a UE deve fazer muito mais para melhorar a eficiência do sistema e comunicaçar mais. Muito pode ser aprendido de outras partes do mundo que empregam uma abordagem baseada na ciência para avaliações de produtos.

Joanna concluiu o seu comentário com críticas à “recusa de alguns Estados Membros e decisores políticos em apoiar a aprovação de plantas geneticamente modificadas, que são comprovadamente tão seguras quanto as plantas convencionais”, garantido que essa posição “corrói enormemente a confiança dos consumidores na ciência e avaliação de risco”.

Da mesma forma, continuou, “quaisquer requisitos legislativos que sejam baseados em campanhas de medo e não no conhecimento científico sólido danificam e minam mais a confiança”. Joanna referia-se à obrigatoriedade de se efetuar estudos de alimentação animal de 90 dias. A Lei Geral da Alimentação revista contém agora uma ligação explícita à legislação da UE para proteger os animais utilizados para fins científicos, pelo que a Comissão deve abolir rapidamente este requisito obrigatório totalmente desnecessário no caso dos OGM.”

Em 2002, o regulamento relativo à legislação alimentar geral (n.º 178/2002) introduziu o princípio da análise dos riscos na legislação alimentar da UE e criou a EFSA como órgão independente responsável pela avaliação dos riscos na cadeia alimentar, ficando as instituições europeias responsáveis pela gestão dos riscos.

csm_eb_online_joannadupont_e3eda9500dNa sequência das controvérsias públicas e preocupações relacionadas com o glifosato, os organismos geneticamente modificados (OGM) e os desreguladores endócrinos, a Comissão propôs, em abril de 2018, uma revisão da legislação alimentar geral e a alteração de oito atos legislativos relativos a setores específicos da cadeia alimentar, nomeadamente, OGM, aditivos na alimentação animal, aromatizantes de fumo, materiais em contacto com géneros alimentícios, aditivos alimentares, enzimas alimentares e aromas alimentares, produtos fitofarmacêuticos e novos alimentos.

Informações adicionais:

EU Commission webpage,

EU Parliament vote highlights need to build trust in risk assessment

Position Paper “Transparency and sustainability of the EU risk assessment process”, March 2018

Food safety: more transparency, better risk prevention

Mission Possible: Removing double standards in EU safety assessment.

Pricing Innovation Out of the EU.

Siga o CiB no Twitter, no Facebook e no LinkedIn

 

 

Anúncios

Edição de genoma | O que é o CRISPR?

crisprcrop2224567
Image: R&D Magazine

De vez em quando ouvimos notícias sobre a edição genética, mas o que é isso exatamente, em que consiste, para que serve e como funciona?

Com a edição de genoma, os cientistas podem fazer alterações precisas e permanentes nos quatros blocos moleculares do DNA dos seres vivos. Embora já existam vários métodos para realizar este procedimento, o mais discutido atualmente é o CRISPR / Cas9. Este vídeo de um episódio de Tech-x-planations explica como é que esta ferramenta funciona.

Siga o CiB no Twitter, no Facebook e no LinkedIn

Edição de genoma | Investigadores dizem que Europa tem de mudar de atitude

crispr

A aplicação da biotecnologia na agricultura pode ser uma opção viável para aliviar a escassez que se tem vindo a registar na produção de alimentos em certas regiões do mundo, como resultado das alterações climáticas. Além de permitir uma redução do uso de pesticidas, pode tornar as culturas mais resilientes e férteis. E não serão só os agricultores que ficam a ganhar, seremos todos nós, como garante uma equipa de investigadores da Universidade de Göttingen, na Alemanha.

Num artigo publicado na revista Science, uma equipa internacional de investigadores da Universidade alemã de Göttingen defendeu que a Europa deve tomar uma posição progressista sobre as novas tecnologias de melhoramento de plantas (NPBTs), especialmente a edição de genoma, e criticam a legislação rígida que regulamenta e limita a aplicação dessas práticas.
“As culturas agrícolas submetidas à editação de genoma com mutações pontuais simples não contêm DNA estranho. Os riscos ambientais destas culturas não são de forma alguma diferentes das culturas produzidas de modo convencional”, explica o investigador do Departamento de Economia Agrícola e Desenvolvimento Rural da Universidade de Göttingen, Matin Qaim. “As posições negativas em relação aos OGM (Organismos Geneticamente Modificados) estão profundamente enraizadas na Europa, mas é importante esclarecer que as culturas editadas pelo genoma com mutações pontuais não contêm genes estranhos e são tão seguras quanto as culturas convencionais”, ressalta Matin Qaim.

De lembrar que em julho de 2018, o Tribunal de Justiça Europeu emitiu uma decisão no sentido de regulamentar as culturas editadas pelo genoma da mesma forma que os OGMs, o que limita bastante a aplicação das práticas biotecnológicas emergentes no melhoramento das culturas.

Os investigadores observam que as novas ferramentas atualmente à disposição dos melhoradores de plantas estão a expandir-se rapidamente e de várias maneiras e que a Europa não está a aproveitar os seus benefícios ao aprovar legislação que limita a aplicação de práticas de melhoramento agrícola.

298fdb60-67fd-4d68-a5ae-5671779575ddfarming
Ao tornar as culturas mais resistentes a pragas e doenças, a edição de genoma reduz substancialmente a necessidade de aplicação de agro-químicos

Qaim e a sua equipa entendem que a Europa, ao regulamentar as práticas, devia distinguir uma (edição de genoma) da outra (modificação genética de organismos), uma vez que na edição de genoma nunca ocorreria o que foi dito das culturas geneticamente modificadas: que estariam contaminados por genes estranhos. “Nunca ocorreria, porque a edição genética altera ou “desliga” certas sequências de DNA de uma forma tão precisa que permite que a planta se torne mais resistente a pragas e doenças e mais tolerante à seca e ao calor, não havendo necessidade de introduzir genes estranhos ao organismo”, esclarece M. Qaim.

De resto, os investigadores enfatizam que é justamente a ausência de transgenes em culturas editadas pelo genoma que poderia acelerar a inovação das aplicações agrícolas, aumentar a concorrência na indústria de sementes e tornar as sementes melhoradas mais acessíveis aos países em desenvolvimento.

China, Índia, Paquistão, Bangladesh e África do Sul estão entre as poucas economias emergentes que estão a explorar o potencial das culturas geneticamente modificadas no aumento da produtividade agrícola.

Leia na Science o artigo original.

Siga o CiB no Twitter, no Facebook e no LinkedIn.

OGM | Marca de chocolate quer desmistificar a biotecnologia  

chocolate

Uma nova marca de chocolate está a surpreender os aficionados por cacau com uma campanha inovadora pró-OGM. Numa edição limitada de quatro barras de chocolate, lançadas recentemente no mercado norte-americano, a Ethos Chocolate explica como a biotecnologia pode ajudar a proteger plantações importantes como a papaia do Havai, as laranjeiras da Flórida e até o próprio cacaueiro.

Lançada pela Fresh Look, uma associação sem fins lucrativos constituída por mais de 1600 agricultores, as barras de chocolate retratam a história da biotecnologia na agricultura, procurando fazer justiça às maravilhas da sua aplicação em culturas agrícolas como a papaia do Havai, a laranja da Flórida e até a própria árvore do cacau, que se encontra atualmente ameaçada pelo aumento global da temperatura, pela escassez de água e pelas pragas.

 

As previsões mais otimistas atribuem mais 30 anos de vida ao cacaueiro, pelo que a engenharia genética surge como uma solução para salvar a árvore do chocolate da extinção. “Sabemos que muitos norte-americanos são apaixonados por chocolate, por isso criámos um produto para ilustrar, de forma tangível, os benefícios de uma tecnologia que é muitas vezes mal-entendida”, justificou a investigadora e membro da Fresh Look, Rebecca Larson. “Vale a pena salvar o cacaueiro e o chocolate e para que as pessoas conheçam os benefícios da biotecnologia, o que poderia ser melhor do que criar nossa própria linha de chocolates?”, acrescentou R. Larson.

Feitas com cacau cultivado de forma sustentável da República Dominicana, as barras de chocolate Ethos são quatro e cada uma simboliza a história “heróica” de uma cultura transgénica, fazendo justiça às maravilhas da aplicação da biotecnologia na agricultura como solução viável para alimentar a população mundial.

A barra “The Optimist” (em português, Otimista) explica como a engenharia genética pode ser usada para proteger os cacaueiros de várias frentes de batalha provocadas pelas alterações climáticas. “The Surviver” (Sobrevivente) diz como a tecnologia dos OGM salvou toda a produção da papaia havaiana depois de ter sido dizimada pelo vírus ringspot. “The Hero” (Herói) conta como os OGM estão a ajudar os produtores de laranjas da Flórida a combater uma doença que ameaça todas as plantações de citrinos neste estado norte-americano. E “The Trendsetter” (criador de tendências) faz referência às maças que graças à biotecnologia permanecem frescas por mais tempo, evitando o desperdício de alimentos.  

Sobre as mensagens, ou histórias, em cada uma das barras de chocolate, Rebecca Larson afirma: “Queremos ajudar a educar o público sobre o valor dos OGM e o impacto positivo que a biotecnologia pode ter numa escala local e global, nomeadamente na redução substancial de pesticidas. Queremos que as pessoas apreciem estas deliciosas barras de chocolate, mas também que queiram ter um conhecimento mais aprofundado e real dos alimentos transgénicos.”

Leia o artigo original, em inglês, na AGDAILY.

Siga o CiB no Twitter, no Facebook e no LinkedIn

Concurso | Fotografa uma planta e habilita-te a um prémio

file-19 planta

18 de maio de 2019 | Dia Internacional do Fascínio das Plantas

DESAFIO

“À Descoberta das Plantas”

Tal como em anos anteriores, o ITQB NOVA, o IBET e o CiB-Centro de Informação de Biotecnologia, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras e a ANSEME-Associação Nacional dos Produtores e Comerciantes de Sementes, juntam-se à comemoração do Dia Internacional pelo Fascínio das Plantas, a 18 de maio, com um conjunto de atividades que apelam à participação da sociedade em geral.

Com o objetivo de sensibilizar os mais novos para a importância do conhecimento sobre as plantas o seu papel na nossa vida e sustentabilidade do planeta o ITQB NOVA, o IBET, o CiB e a ANSEME irão realizar várias iniciativas, entre as quais uma exposição de desenhos, subordinada ao tema “Porque precisamos das plantas?”, e um concurso de fotografia de plantas, de tema livre.

Neste sentido, convidamos a comunidade escolar a participar na celebração do dia do fascínio das plantas.

·        A exposição de desenhos “Porque precisamos das plantas?” está aberta à participação dos alunos que frequentam o ensino pré-escolar até ao 9º ano (inclusive). Os trabalhos deverão ser realizados em folha de tamanho A4 e enviados até 30 de abril, por correio, para: ITQB NOVA, gabinete de comunicação, Av. da República, 2780-157, Oeiras.

·        O concurso de fotografia dirige-se a alunos do terceiro ciclo e do ensino secundário. As fotografias deverão ser enviadas até 24 de abril, com tamanho 5 megas e em formato JPG, para o endereço de email: cfplantas@itqb.unl.pt. Haverá prémios para os três primeiros classificados do concurso, conforme regulamento.

A divulgação dos três primeiros classificados do concurso de fotografia será feita a partir de 6 de maio nos sites e redes sociais do ITQB, do CiB e da ANSEME e os prémios serão entregues a 18 de maio, no Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras. No mesmo dia e local, serão expostos os desenhos enviados para a exposição “Porque precisamos das plantas”, bem como as dez melhores fotografias.

Para além destas, estão previstas outras atividades no Palácio Marquês de Pombal, como a realização de uma visita guiada aos seus jardins, uma palestra informal sobre o melhoramento de plantas e uma mostra de desenhos de plantas feitos em ambiente de laboratório por artistas urban sketchers e integrados na exposição itinerantePlantLab Sketching”. Esta celebração contará ainda com a presença de cientistas, que guiarão os visitantes pelo admirável mundo das plantas, dando a conhecer um pouco do que se faz no laboratório.

Em baixo, encontra informação detalhada  no regulamento do concurso de fotografia e no programa das atividades.

O Dia Internacional do Fascínio das Plantas é organizado sob a égide da European Plant Science Organisation (EPSO), sendo promovido em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Fisiologia Vegetal.

Para esclarecimentos adicionais, por favor consultar a página online do Dia do Fascínio das Plantas ou contactar:

Carla Amaro  – Gabinete de Comunicação do CiB
E-mail: gabcom@cibpt.org
Tel. 214 469 768 | 912 663 482
Ana Fortunato – ITQB NOVA
E-mail: anasofia@itqb.unl.pt
Tel.: 214469642/962344902

 

CONCURSO DE FOTOGRAFIA DIGITAL
 
REGULAMENTO

 

  1. Introdução

1.1. O CiB – Centro de Informação de Biotecnologia e a ANSEME – Associação Nacional dos Produtores e Comerciantes de Sementes, com o apoio do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier e do iBET – Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica, promovem um concurso de fotografia digital, de tema livre, no âmbito da celebração do Dia do Fascínio pelas Plantas 2019.

  1. Objetivos

2.1. Promover o conhecimento e uma reflexão informada sobre a importância e o papel das plantas na nossa vida.
2.2. Estimular a curiosidade e o interesse pela investigação científica e tecnológica em plantas.

  1. Entidades Promotoras

3.1. As entidades promotoras deste concurso é o CiB – Centro de Informação de Biotecnologia, Associação sem fins lucrativos, cujo principal objetivo é divulgar o conhecimento científico sobre biotecnologia, e a ANSEME – Associação Nacional dos Produtores e Comerciantes de Sementes, para o qual contam com o apoio do ITQB NOVA – Instituto de Tecnologia Química e Biológica António Xavier e do iBET – Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica,

  1. Destinatários

4.1. Este concurso destina-se a alunos de todas as nacionalidades que frequentem o terceiro ciclo e o ensino secundário, em instituições de ensino localizadas em território nacional.
4.2. Cada fotografia submetida a concurso terá apenas um autor.
4.3. Cada aluno poderá participar apenas com uma fotografia.
4.4. No ato da candidatura, os participantes assumem o compromisso de conhecer e cumprir o presente regulamento.

  1. Prémios

5.1. O CiB e a ANSEME, com o acordo do ITQB NOVA e o iBET, irão premiar os autores de três das fotografias submetidas a concurso, vencedoras do 1º, 2º e 3º lugares.

             5.1.1.  O 1º prémio consiste em:

  • Uma máquina fotográfica Fujofilm Instax Mini, no valor de 70 euros, aproximadamente;
  • A impressão da fotografia vencedora, em tamanho 70×60 ou similar, no valor de 12,10 euros, oferecida pela Printão.

             5.1.2. O 2º prémio consiste em:

  • Um livro sobre plantas, “Flora – Inside the secret world of plants”, no valor de 34,25 euros.
  • A impressão da fotografia vencedora, em tamanho 70×60 ou similar, no valor de 12,10 euros, oferecida pela Printão.

             5.1.3.  O 3º prémio consiste em:

  • Um livro sobre plantas, “Ilustração Botânica – Técnicas para desenhar flores e plantas”, no valor de 15,50 euros.
  • A impressão da fotografia vencedora, em tamanho 70×60 ou similar, no valor de 12,10 euros, oferecida pela Printão.

5.2. Para além da seleção e atribuição de prémios aos autores das três melhores fotografias, o CiB e a ANSEME irão oferecer a impressão, em tamanho 50×60 ou similar, no valor de 12,10 euros cada, aos autores das fotografias classificadas entre o 4º e o 10º lugar e irão expô-las no dia 18 de maio, Dia Internacional do Fascínio pelas Plantas, no Palácio Marquês de Pombal, em Oeiras.

  1. Regras das fotografias a concurso

6.1. As fotografias a concurso, embora de tema livre, deverão enquadrar-se no âmbito da celebração do Dia Internacional pelo Fascínio das Plantas.
6.2. Os participantes deverão submeter as fotografias em formato digital, em tamanho 5 megas e em ficheiro JPG e enviá-las, por email, para o endereço cfplantas@itqb.unl.pt.
6.3. No corpo do email em que deverá ser anexada a fotografia a concurso, os autores deverão incluir o seu nome, idade, ano de escolaridade, escola que frequentam, contacto de telefone e de email, bem como uma pequena descrição da fotografia.

  1. Prazo de envio das fotografias

 7.1. As fotografias a concurso deverão ser enviadas até 24 de abril de 2019, não sendo considerados os envios com data posterior.

  1. Critérios de seleção

8.1. A seleção das dez melhores fotografias levará em consideração critérios estéticos da imagem, criatividade, originalidade e associação ao dia que se pretende comemorar – O Dia Internacional pelo Fascínio das Plantas.
8.2. Não serão admitidos a concurso trabalhos cujos conteúdos constituam plágio. As entidades promotoras deste concurso prestam particular atenção às situações designadas vulgarmente por copy & past, sendo imediatamente excluído qualquer trabalho em que tal infração seja detetada.

  1. Júri

9.1. A seleção das fotografias vencedoras do 1º, 2º e 3 lugares, bem como das fotografias classificadas entre o 4º e o 10º lugar, será realizada por um júri constituído por cinco elementos: um representante do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia, um representante da ANSEME, um representante do ITQB NOVA, um investigador em plantas e um profissional de fotografia.
9.2. O prazo de seleção das fotografias decorrerá até ao dia 3 de maio de 2019.

  1.  Resultados do concurso

10.1. O resultado do concurso será anunciado até 6 de maio de 2019 no website, blogue e redes sociais do CiB, do ITQB NOVA e da ANSEME, sendo que os premiados (classificados em 1º, 2º e 3º lugar), bem como os autores das restantes fotografias integradas nas dez melhores classificadas, serão contactados por e-mail e por telefone.
10.2. De acordo com a avaliação dos trabalhos, o Júri poderá decidir pela não atribuição de quaisquer prémios, caso considere que nenhum dos trabalhos enviados a concurso reúne condições de qualidade suficiente.
10.3. Das decisões do júri não haverá recurso.

  1. Direitos de autor e publicação das fotografias premiadas

11.1. As fotografias a concurso são da propriedade e da responsabilidade dos seus autores.
11.2. As fotografias premiadas poderão ser divulgadas através dos meios que o CiB, o ITQB NOVA e a ANSEME considerarem convenientes, no âmbito de quaisquer suportes ou veículos de promoção da iniciativa.
11.3. A participação no concurso implica a aceitação do seu regulamento.

  1.  Casos omissos

12.1.  Caberá ao júri, ao CiB, ao ITQB NOVA e à ANSEME decidir sobre os casos eventualmente omissos neste regulamento ou dúvidas de interpretação relativamente ao mesmo.

  1.  Informações Adicionais

 

  1. Para mais informações sobre este concurso, deverão os interessados escrever um email a pedir esclarecimentos adicionais para: anasofia@itqb.unl.pt; gabcom@cibpt.org; anseme@anseme.pt.

 

 18 DE MAIO | PALÁCIO DO MARQUÊS DE POMBAL | OEIRAS

PROGRAMA DE ATIVIDADES

Programa de atividades

Siga o CiB no Twitter, no Facebook e no LinkedIn

 

OGM | Milho transgénico está a transformar a vida dos agricultores nas Filipinas

Nas Filipinas, o milho Bt foi criado para ser resistente à broca asiática, Ostrinia furnacalis, uma das mais destruidoras do País. A tecnologia é uma solução prática e ecologicamente sustentável para os agricultores de milho mais pobres em todo o mundo, permitindo-lhes aumentar os rendimentos e diminuir o uso de pesticidas. Depois do milho, outras culturas transgénicas estarão a caminho, como o algodão Bt, a beringela Bt e o arroz dourado.

milho Bt
Créditos da imagem: Brasil agrícola

“Antes, eu não dormia bem quando semeava milho”, recorda o agricultor filipino Edwin Paraluman. “Sempre receei um dia acordar e encontrar o meu campo de milho totalmente destruído pela broca. Isso pode acontecer porque a broca, nas Filipinas, não respeita nenhuma estação. Onde houver milho, ela está sempre presente.”

Nenhum dos esforços empreendidos por Paraluman para reduzir as perdas na produção resultaram. “Ficava sempre a perder quando cultivava milho, até que chegou uma altura em que pensei seriamente em deixar de lado o milho e dedicar-me ao cultivo de vegetais, como abóbora, vagem e outros”, acrescentou.

Ano após ano, foi uma sucessão de perdas significativas na produção de milho para este Agricultor Filipino, para quem o cultivo de milho é um modo de sobrevivência há muitos anos, desde que era criança e vivia com os pais, também eles agricultores. Por isso é que a sua “alegria não teve limites” quando soube da existência de uma tecnologia que impede o ataque da broca do milho. Paraluman foi dos primeiros agricultores no seu País a adotar a tecnologia e a produzir milho Bt, geneticamente modificado, resistente a pragas.

As Filipinas são o primeiro País do sudeste asiático a aprovar, para comercialização, uma cultura geneticamente modificada para alimentação humana e ração animal. E o Bangladesh foi o primeiro País do sul da Ásia a aprovar, também para comercialização, o cultivo de beringela Bt resistente a pragas.

O milho Bt nas Filipinas foi criado para ser resistente à broca do milho asiática, Ostrinia furnacalis, uma das mais destruidoras do País. A tecnologia apresenta-se também como uma solução prática e ecologicamente sustentável para os agricultores de milho mais pobres em todo o mundo, permitindo-lhes aumentar os rendimentos e diminuir o uso de pesticidas.

Paraluman compartilhou a sua experiência na Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, em novembro de 2018, afirmando que o cultivo de milho Bt mudou a sua vida para melhor. Disse ter ganho paz de espírito e mais tempo para se dedicar a outras coisas, como cuidar da sua família e fazer trabalhos paralelos.

“Em dezembro de 2003, o milho Bt foi aprovado para comercialização e eu fui o primeiro agricultor a lançar as sementes na terra. A primeira vez que semeei milho Bt, fiquei tão impressionado que em sete hectares cultivados não vi nenhuma broca de milho”, lembrou. “Não tive mais danos no meu milho. Adotei o milho geneticamente modificado e isso mudou minha vida. Antes, a minha casa era muito pequena, mas agora é muito grande. Agora, tenho um bom rendimento, pelo que posso proporcionar à minha família coisas que antes não podia. Partilho a minha história com outros agricultores para que eles conheçam as vantagens desta tecnologia.”

Paraluman refutou alegações de que as culturas geneticamente modificadas causam problemas de saúde. “Não é verdade o que dizem e eu sou a prova disso, porque tenho cultivado e comido milho Bt nos últimos catorze anos e continuo forte e saudável”, observou. A adoção da tecnologia Bt tornou as Filipinas auto-suficientes na produção de milho”garantiu o agricultor. O país não importa mais milho e os agricultores planeiam exportar o excedente das colheitas.

Rhodora Aldemita, diretora do Centro Global de Conhecimento em Biotecnologia Agrícola do ISAAA, o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações Agro Biotecnológicas, disse que antes da adoção da tecnologia, os agricultores nas Filipinas registavam habitualmente uma perda da produção de milho para a broca na ordem de 30 a 50 por cento. “O problema da broca do milho nas Filipinas tinha um efeito devastador na produção”, disse Aldemita. “O custo do milho subiu porque éramos obrigados a importar, precisávamos de alimentos para o gado. Quando obtivemos a aprovação para cultivo [do milho transgénico], os agricultores começaram a semeá-lo em 2003. Os que adotaram a tecnologia passaram a palavra a outros agricultores porque verificaram que os benefícios eram enormes. A mensagem espalhou-se como fogo em mato seco. Já não é necessário fazer tantas pulverizações e o trabalho de gestão das culturas nos campos é mínimo.

“Atualmente, nas Filipinas, são mais de 400 mil os agricultores que trabalham com milho Bt. E “outros produtos Bt estão a caminho, como o algodão Bt, a beringela Bt e o arroz dourado”, disse Paraluman, esperando que esse dia não tarde. “A população nas Filipinas é de mais de 107 milhões e a nossa área cultivável está a diminuir. Por essa razão, a agricultura precisa de tecnologia moderna. Só assim poderemos cultivar e colher mais em menos menos terra”, acrescentou.

Este artigo foi escrito por Nkechi Isaac e publicado na Alliance for Science.

Siga o CiB no Twitter @cibpt e no Facebook @cib.portugal.

 

 

OGM | Nigéria é o primeiro país a aprovar o cultivo de feijão-frade resistente à broca

feijaofrade

A Nigéria está a caminho de se tornar no primeiro país do mundo a cultivar feijão-frade geneticamente modificado (GM). Esta conquista permitirá reduzir o uso de pesticidas de oito para cerca de dois pulverizadores por estação e aumentará a produção até 20%. 

A Agência Nacional de Biossegurança (NBMA) autorizou o Instituto de Pesquisa Agropecuária (IAR) a comercializar a variedade de feijão-frade resistente à podridão, que foi geneticamente molhorado para resistir à praga de insetos lepidópteros Maruca vitrata. A licença é válida até o final de 2022.

Num documento decisivo de 22 de janeiro de 2019, a NBMA informou que a emissão da licença foi feita após levar em consideração o parecer do Comité Nacional de Biossegurança, Subcomité Técnico Nacional de Biossegurança e o relatório de avaliação de risco e gestão de risco fornecido pelo IAR, o candidato. “Depois de uma análise minuciosa do dossier de aplicação, é improvável que a aprovação proposta tenha um impacto adverso no meio ambiente e na saúde humana”, lê-se no documento.

A aprovação é o culminar de mais de nove anos de testes intensivos em feijão-frade geneticamente modificado resistente à broca Maruca vitrata, um inseto que pode destruir até 80% das culturas de feijão-frade. Esta decisão é, pois, um alívio para milhões de agricultores nigerianos que dependem desta cultura para viver.

Os resultados da pesquisa, liderada pelo Instituto de Pesquisa Agrícola da Nigéria em parceria com a Fundação Africana de Tecnologia Agrícola (AATF), mostraram que o cultivo de feijão-frade Bt permitirá reduzirá o uso de pesticidas de oito para cerca de dois pulverizadores por estação e aumentará a produção até 20%. Isso significa que a Nigéria poderá ter um aumento de receita de mais de 117 milhões de euros por ano.

O feijão-frade Bt é a segunda cultura GM a ser lançada na Nigéria após o algodão Bt, aprovado para cultivo e comercialização em 2018.

Veja aqui o documento de decisão da NBMA.

Siga o CiB no Twitter @cibpt e no Facebook @cib.portugal.

Recursos | Alimentos GM são a salvação?

Copy march 2019

Além de benéficos para a saúde, os alimentos geneticamente modificados (GM) estão a ser considerados uma solução inteligente para enfrentar a iminente crise de recursos alimentares. Saiba porquê, neste artigo publicado na revista Mens Health.

Porque é que as cenouras são cor de laranja? A pergunta é séria, não é uma piada de Michael McIntyre, e a resposta resume o que está em jogo na produção de alimentos geneticamente modificados: ciência, moda e, acima de tudo, política.

Serão os benefícios dos alimentos GM demasiado grandes para deixarmos uma oposição ingénua descartá-los completamente?


Os benefícios dos alimentos transgénicos serão assim tão grandes para deixarmos a oposição instintiva e ingénua descartá-los completamente? Os nossos antepassados conheciam as cenouras, mas nesse tempo as cenouras não como nós as conhecemos hoje. Eram pequenas e grossas como rabanetes e em vez de cor de laranja eram amarelas, brancas, roxas ou vermelhas.

No século XVII, a Holanda tinha os principais tecnólogos de vegetais do mundo e a cenoura foi um dos alimentos básicos que os holandeses decidiram “melhorar”. Através de técnicas de produção seletivas, tornaram-na mais doce e menos lenhosa. Ao longo do tempo, a cenoura tornou-se no vegetal de raiz cor de laranja que atualmente se produz em todo o mundo. A sua cor, diz a lenda, estará associada a razões políticas: os holandeses quiseram homenagear o seu governante de então, Guilherme I, Príncipe de Orange, defensor da fé protestante e, a partir de 1689, também rei da Inglaterra.

O que é o CRISPR?

A sigla pode soar ao nome de uma start-up de alimentos sem glúten no leste de Londres, mas CRISPR é um novo sistema molecular que os investigadores podem usar para manipular o DNA mais rapidamente e de forma simples e precisa do que nunca.

Assim como o CRISPR é capaz de enriquecer os frutos com mais nutrientes e tornar os grãos resistentes aos efeitos das alterações climáticas, também poderá um dia ser usado em embriões humanos, embora, neste caso, se coloquem considerações éticas significativas.

O melhoramento seletivo é modificação genética: é a engenharia do DNA, o código dentro das células. Os seus resultados são visíveis no corredor de vegetais de qualquer supermercado e em animais domésticos. É o que faz um cão Dachshund ter uma aparência tão diferente da de um Great Dane, apesar de pertencerem à mesma espécie. Isso é evolução, acelerada e dirigida da maneira que nós, humanos, queremos – no caso dos cães, criar um animal socialmente amigável e de companhia, com um comportamento distinto dos lobos.

O cavalo de corrida puro é o produto de mais de três séculos de ajustes de DNA, emparelhando o melhor macho com a melhor fêmea. Apesar do entusiasmo da sua própria família por essa forma específica de modificação genética, o príncipe Charlos de Inglaterra opôs-se aos seres humanos que brincam com a natureza fazendo-se passar por Deus. Mas, como o cientista Richard Dawkins rebateu: “Nós temos vindo a fazer de Deus há séculos!”

Design inteligente

O problema com a aquisição de poderes divinos é que provavelmente faremos uso deles. Quando as técnicas de alteração de genes transitaram das estufas para os laboratórios, os investigadores concentraram-se em ajudar os produtores, criando plantas com maior produtividade, reduzindo a sua dependência de pesticidas e desenvolvendo frutos e vegetais com um prazo de validade mais longo. É por isso que temos hoje cogumelos que não são castanhos e tomates que estão mais uniformemente espaçados nos galhos da planta, para que possam ser colhidos mais facilmente pelas máquinas. E, no reino animal, já temos salmão que cresce duas vezes mais depressa.

 

O problema com a aquisição de poderes divinos é que provavelmente faremos uso deles

Mas a última safra é diferente. Os novos organismos geneticamente modificados (OGMs) prometem benefícios para todos nós, consumidores. Produzir alimentos mais saudáveis tornou-se o objetivo primordial dos usuários comerciais da tecnologia, até porque é uma maneira de conquistar os mais céticos. Temos trigo cujo glúten não afeta os que sofrem de doença celíaca, temos abacaxi (“milenar rosa”) enriquecido com licopeno e nutrientes anticancerígenos e temos pão branco desenvolvido para ser mais rico em fibra. O trabalho de Deus está em progressão e parece improvável que até mesmo o príncipe Carlos possa travá-lo.

Na próxima década, o número de novos cultivos focados na promoção e manutenção da saúde deverá aumentar exponencialmente. Isso é parcialmente resultado de uma nova técnica de edição de DNA, CRISPR (abreviação de “repetições palindrómicas curtas, agrupadas e regularmente interespaçadas”) que trabalha com características nativas de uma maneira que poderia ocorrer na natureza, mas com uma precisão sem precedentes. Isso difere dos métodos anteriores de modificação genética, nos quais uma cópia de um gene de um organismo seria colocada noutro, com o qual não se poderia reproduzir naturalmente.

Na “ponta afiada” desta nova tecnologia está Geoff Graham, vice-presidente de criação de plantas da empresa norte-americana Corteva Agriscience, que criou óleos vegetais modificados para conter níveis mais altos de gorduras monoinsaturadas.

“O CRISPR e a modificação genética podem ser usados para melhorar a qualidade nutricional”, afirma. “Por exemplo, CRISPR está a ser usado no tomate para torná-lo mais saudável, aumentando os níveis de Gaba [ácido gama-aminobutírico, que está associado à promoção de melhor sono e menor pressão arterial]. A tecnologia também está a ser explorada como uma ferramenta para reduzir as reações prejudiciais a certos alimentos, como amendoins que não provocam alergias”. O óleo de Corteva, chamado Plenish, é feito de soja modificada para conter 20% menos gordura saturada. Também é mais estável durante o cozimento.

As novas culturas GM prometem benefícios para os consumidores, sendo embalados com nutrientes extras

A partir do momento em que sabemos que a dieta pobre é responsável por uma em cada cinco mortes em todo o mundo – e a educação nutricional não está a causar o impacto esperado -, os superalimentos produzidos em laboratório parecem oferecer uma solução lógica. Afinal de contas, se não mudarmos os nossos hábitos, tentar melhorar os alimentos que estamos a comer é uma tarefa que pode valer a pena.

Mesmo os alimentos há muito considerados “saudáveis” sofreram um impacto nutricional nos últimos anos, já que a agricultura intensiva diminuiu os níveis de vitaminas e minerais presentes nos frutos e vegetais. A nova tecnologia que impulsiona a nutrição pode ser a nossa melhor oportunidade de corrigir isso. Mas, é claro, nem todos estão convencidos.

 

Os Superalimentos do futuro

01 / Hambúrgueres sem carne

Sem a leghemoglobina de soja, feita com levedura geneticamente modificada, não o seria possível confecionar o vegan Impossible Burger, preparado para os consumidores sentirem o gosto, o cheiro e a sensação de um verdadeiro pedaço de carne de vaca. Este hambúrguer é vendido em todos os Estados Unidos da América.

02 / Batatas fritas mais saudáveis

Vendido nos EUA desde 2015, os White Russets, da Simplot Plant Sciences, contêm menos asparagina com aminoácidos, o que poderia reduzir os níveis de acrilamida cancerígena quando fritos.

 

03 / Pão com baixo índice glicémico

A Calyxt está a desenvolver um trigo que poderia produzir farinha branca com o triplo da fibra e níveis de glicose mais baixos. A empresa espera lançar este produto nos EUA dentro de dois anos.

04 / “Óleo de peixe” vegan

Ao adicionar genes de algas a plantas de camelina, uma equipa da Rothamsted Research, em Hertfordshire, criou um óleo vegetal rico em ácidos graxos ómega-3 encontrados em peixes. É bom para o ambiente e é saboroso na salada.

05 / Tomate Roxo

Produzido no John Innes Center, em Norwich, este tomate contém níveis mais altos de antocianinas que protegem o coração e dão aos bagos a tonalidade roxa. Foi produzido para ter um efeito anti cancerígeno em camundongos.

 

Mentes suspeitas

A principal barreira para muitos desses alimentos que começam a ser produzidos é a desaprovação pública. Quando um novo fruto-maravilha transgénico “salta” dos jornais científicos para o Daily Mail, a notícia é transmitida com um destaque sobre “Comida Frankenstein”.

Desde o início que a engenharia genética levanta preocupações morais e práticas. Uma das preocupações reside no controlo: como podemos regular de forma justa e evitar que as empresas produtoras abusem dessas tecnologias? No Reino Unido, esta questão é mais relevante agora do que nunca. Embora as atuais leis da União Europeia garantam que o desenvolvimento e o uso de culturas GM sejam altamente restritos, a situação pode mudar em breve com o Brexit. Qualquer acordo comercial com os EUA provavelmente resultará no facto de o Reino Unido aceitar as regulamentações alimentares americanas mais frouxas.

A preocupação mais significativa é o risco para a nossa saúde. Ao tentar resolver um problema, corremos o risco de criar um pior? Em estudos recentes sobre a tecnologia usada na modificação genética, os investigadores descobriram efeitos preocupantes que podem afetar os seres humanos. Por exemplo, um artigo publicado na revista Plos One descreveu borboletas com asas deformadas que estavam a alimentar-se de plantas transgénicas, alteradas para produzir gorduras ómega-3 saudáveis. Mas, como é que os cientistas poderiam ter a certeza do que deformara as borboletas? E os humanos seriam igualmente afetados?

Michael Antoniou, do King’s College London, trabalha em terapia genética – em particular, na adaptação de genes para tratar doenças de base genética. “Há alegações dos Estados Unidos de que ninguém foi prejudicado comendo alimentos transgénicos. Mas ninguém realmente viu”, afirma este especialista ele. “Um número crescente de estudos laboratoriais em ratos e camundongos está a mostrar evidências de danos, principalmente na função renal, hepática e, em certa medida, digestiva e do sistema imunológico.” M. Antoniou acredita que “uma dieta GM pode causar os efeitos adversos observados nesses estudos.”

As opiniões deste especialista são controversas. Embora Antoniou faça parte de uma rede de centenas de cientistas que se juntam a grupos ecologistas em campanhas para restringir a investigação sobre transgénicos, em todo o mundo há mais cientistas pró-GM do que contra.

Uma das principais queixas do lobby pró-GM é que o medo do público e a cautela governamental – especialmente na Europa – estão a atrasar o progresso da investigação em técnicas com benefícios potencialmente amplos. Entre os cientistas que falam a favor de uma abordagem mais aberta está Jayson Lusk, professor de economia agrícola na Universidade Purdue, em Indiana. “É apenas uma ferramenta e uma ferramenta pode ser usada para o bem ou para o mal”, garante. “Uma rejeição generalizada de uma ferramenta é uma posição ingénua e não crítica. Precisamos de uma avaliação caso a caso”.

O futuro está nas mãos da opinião pública e dos decisores políticos e, no momento, estão ambos cautelosos com a tecnologia. A pesquisa de Lusk sobre as atitudes dos consumidores dos EUA mostra que, no mínimo, a indústria dos alimentos GM tem culpa desses medos públicos. Nos EUA, onde quase 90% das culturas agrícolas básicas, como milho, soja, algodão e beterraba, são GM, os consumidores “sabem muito pouco” sobre a tecnologia.

A indústria prefere que assim seja e fez campanha sem sucesso contra uma lei de 2016 que, em breve, tornará obrigatória a rotulagem de produtos GM. Esse ponto de vista poderia ter feito algum sentido quando o uso da tecnologia não oferecia nenhum benefício claro para o consumidor. Mas, com a chegada de, digamos, pães sem glúten, as empresas podem decidir reconsiderar a sua posição. Em qualquer caso, a transparência parece funcionar melhor. Em Vermont, o único estado americano onde já é obrigatório rotular os produtos, a resistência do consumidor à tecnologia baixou. Os rótulos dão às pessoas uma sensação de controlo e, portanto, de menor risco.

É difícil prever se a introdução dos novos superalimentos geneticamente modificados mudará a opinião dos consumidores, mas, no momento, as posições contra a tecnologia parecem estar a endurecer, sobretudo na Europa. Há três anos, nos Estado Unidos, o salmão transgénico – que contém DNA de diferentes espécies e cresce duas vezes mais depressa – foi considerado isento em termos de efeitos para a saúde, mas ainda está com problemas de aceitação pública.

Como muitos académicos, Lusk acredita que a oposição “ingénua” aos alimengtos GM é contraproducente – que os benefícios da tecnologia são grandes demais para permitir que os medos instintivos a descartem. E a comida mais saudável não é, provavelmente, a questão mais urgente. O maior benefício da tecnologia reside no seu potencial para ajudar a alimentar as 9,8 bilhões de pessoas que habitarão este planeta até 2050, já que as alterações climáticas dificultam cada vez mais o cultivo em regiões que antes eram adequadas.

Os animais geneticamente modificados também estão a caminho, embora esses ajustes não sejam tão extremos quanto os dos filmes de ficção científica, como a super-galinha em Oryx e Crake, de Margaret Atwood, que não tinha olhos nem pernas, apenas vinte mamas e uma boca. Mais subtis, mas imensamente importantes, são as alterações nas bactérias intestinais dos animais, permitindo-lhes ingerir resíduos como palha e, no caso de porcos e vacas, produzir menos metano (uma das principais causas do aquecimento global).

A próxima geração

Em última análise, será o sentido lógico da tecnologia, mais do que o desejo por frutas que combatem o cancro, que irá mudar a opinião pública. Veja-se o caso do autor Mark Lynas, que na década de 1990 foi um eco ativista determinado a impedir que as grandes corporações corrompessem a natureza em prol do lucro. Em investidas noturnas, Mark e os seus amigos destruíram plantações GM cultivadas em campos experimentais e chegaram a atirar uma torta a um economista pró-OGM. Os esforços de militantes anti-OGM levaram empresas como a Monsanto a tornarem-se, aos olhos da opinião pública, espiões globais, acusados ​​de “aprisionar” os agricultores às suas sementes transgénicas patenteadas e aos seus produtos químicos.

Mas Lynas é atualmente uma persona non grata na organização ecologista Greenpeace e noutros grupos ativistas ambientais. Ele é agora um dos mais ferozes críticos do movimento anti-OGM, apelidando-o de hipócrita.  “Não se pode defender o consenso científico sobre as alterações climáticas [com sendo responsabilidade da ação humana], ao mesmo tempo em que se nega o consenso científico, igualmente forte, de que a tecnologia usada nas culturas GM é segura e tem enormes benefícios”, justifica.

No seu livro Seeds of Science: Why We Got It So Wrong on OGMs, publicado no início deste ano, Lynas acusa a campanha anti-OGM de negar-nos essa tecnologia sem outra razão senão o preconceito, usando argumentos sem base científica. “Os OGM, tal como as máquinas de lavar ou os carros, é uma tecnologia e temos de tomar uma decisão política … quanto a se queremos usá-la ou não e até que ponto queremos usá-la”, escreveu o autor científico George Monbiot no livro de Lynas.

Os políticos hesitaram em relação à tecnologia de alteração de genes durante anos. Atualmente, na Grã-Bretanha e nos outros países da UE, a não ser que se tenha uma dieta estritamente biológica ou vegana, as pessoas estão seguramente a consumir produtos GM, uma vez que a forragem que se dá aos animais é autorizada no País. Mas a Europa continua a manter o muro que ergueu contra a tecnologia dos OGM: em julho, após meses de debates, o Tribunal de Justiça Europeu determinou que as novas tecnologias de edição genética, como o CRISPR, deve submeter-se às mesmas regras de controlo dos métodos de melhoramento de plantas mais antigos.

Ainda assim, estão a fazer-se progressos. A Costa Rica está a produzir abacaxis rosa, que receberam o selo de aprovação da Food and Drug Administration dos EUA. No ano passado, na Austrália, investigadores apresentaram uma banana cor de laranja com altos níveis de pró-vitamina A, desenvolvida para tratar deficiências nutricionais no Uganda. Com as preferências ocidentais em mente, os cientistas do Laboratório Sainsbury, em Norwich, Inglaterra, estão a modificar batatas para as tornar mais saudáveis quando fritas.

Com tais ferramentas agora disponíveis, parece improvável que se possa impedir de explorá-las. Se isso é bom ou mau, seguro ou preocupante, ainda é uma questão de em discussão. No entanto, uma coisa é certa: o futuro dos alimentos está cada vez mais próximo.

 

Siga o CiB no Twitter @cibpt e no Facebook @cib.portugal.

Alterações climáticas | Corais marinhos resistentes ao aumento das temperaturas?

cs_0322N_Coral_1280x720
Créditos da imagem: Mikaela Nordborg/Australian Institute of Marine

A ideia é radical, mas investigadores australianos acreditam que os corais podem tornar-se resistentes aos efeitos das alterações climáticas. No Simulador Nacional do Mar, em Townsville, na Austrália, está a fazer-se criação de corais para ver se isso é possível.

O aumento global das temperaturas está a colocar em perigo os recifes de coral em todo mundo. A apenas 75 quilómetros de Townsville, a Grande Barreira de Corais da Austrália (a maior do mundo) foi atingida por uma série de ondas de calor que mataram metade do seu coral. A ameaça fez com que uma geneticista de corais da Universidade de Melbourne, Madeleine Van Oppen, se tornasse numa das principais defensoras da criação de espécies de coral capazes de resistir ao aumento das temperaturas subaquáticas.

É com esse objetivo que a investigadora e a sua equipa estão a levar a cabo importantes experiências com corais no Simulador Nacional do Mar, reconhecido pelo seu trabalho em investigação e restauração de corais. Neste vasto centro de ciências marinhas, existem dezenas de tanques com água do mar e condições equiparadas às do oceano, hoje ou no futuro. Os cientistas não tiram os olhos desses grandes aquários, onde descansam diversos corais. Estão à espera de sinais de desova.

Van Oppen está a fazer criação de corais com técnicas tão antigas quanto o melhoramento de plantas e tão novas quanto as mais recentes ferramentas de edição de genes, esperando por resultados que possam ser transferidos do laboratório para o oceano.

Saiba mais aqui.

Siga o CiB no Twitter @cibpt e no Facebook @cib.portugal.

 

 

Desafio |Concurso de fotografia para celebrar Dia do Fascínio das Plantas

file-19 planta

18 de maio de 2019 | Dia Internacional do Fascínio das das Plantas

Convite

“À Descoberta das Plantas”

Tal como em anos anteriores, o ITQB NOVA, o IBET e o CiB-Centro de Informação de Biotecnologia, com o apoio da Câmara Municipal de Oeiras e a ANSEME-Associação Nacional dos Produtores e Comerciantes de Sementes, juntam-se à comemoração do Dia Internacional do Fascínio das Plantas, a 18 de maio, com um conjunto de atividades que apelam à participação da sociedade em geral.

Com o objetivo de sensibilizar os mais novos para a importância do conhecimento sobre as plantas o seu papel na nossa vida e sustentabilidade do planeta o ITQB NOVA, o IBET, o CiB e a ANSEME irão realizar várias iniciativas, entre as quais uma exposição de desenhos, subordinada ao tema “Porque precisamos das plantas?”, e um concurso de fotografia de plantas, de tema livre.

Neste sentido, convidamos a comunidade escolar a participar na celebração do dia do fascínio das plantas.

A exposição de desenhos “Porque precisamos das plantas?” está aberta à participação dos alunos que frequentam o ensino pré-escolar até ao 9º ano (inclusive). Os trabalhos deverão ser realizados em folha de tamanho A4 e enviados até 30 de abril, por correio, para: ITQB NOVA, gabinete de comunicação, Av. da República, 2780-157, Oeiras.

O concurso de fotografia dirige-se a alunos do terceiro ciclo e do ensino secundário. As fotografias deverão ser enviadas até 24 de abril, com tamanho 5 megas e em formato JPG, para o endereço de email: cfplantas@itqb.unl.pt. Haverá prémios para os três primeiros classificados do concurso, conforme regulamento em anexo.

A divulgação dos três primeiros classificados do concurso de fotografia será feita a partir de 6 de maio nos sites e redes sociais do ITQB, do CiB e da ANSEME e os prémios serão entregues a 18 de maio, em Oeiras, em local ainda a definir. No mesmo dia e local, serão expostos os desenhos enviados para a exposição “Porque precisamos das plantas”, bem como as dez melhores fotografias.

Para além destas, estão previstas outras atividades, como a realização de uma palestra informal sobre o melhoramento de plantas e uma mostra de desenhos de plantas feitos em ambiente de laboratório por artistas urban sketchers e integrados na exposição itinerantePlantLab Sketching”. Esta celebração contará ainda com a presença de cientistas, que guiarão os visitantes pelo admirável mundo das plantas, dando a conhecer um pouco do que se faz no laboratório.

Mais tarde, publicaremos aqui informação detalhada, nomeadamente o programa das atividades, instruções para os alunos participarem na exposição de desenhos  e o regulamento do concurso de fotografia.

O Dia Internacional do Fascínio das Plantas é organizado em todo o mundo sob a égide da European Plant Science Organisation (EPSO), sendo promovido em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Fisiologia Vegetal.

Para esclarecimentos adicionais, por favor consultar a página online do Dia do Fascínio das Plantas ou contactar:

Carla Amaro | Gabinete de Comunicação do CiB | 214 469 768 | 912 663 482 | gabcom@cibpt.org

 

PARTICIPEM