PBi | Consultores da CE alertam para risco de regulamentar edição de genoma ao abrigo da Directiva dos OGM.

O Grupo de Consultores Científico e Tecnológico da Comissão Europeia publicou uma declaração, recomendando que a atual Diretiva sobre Organismos Geneticamente Modificados (OGM) seja revista à luz dos últimos avanços científicos e tecnológicos, referindo-se especificamente à edição de genoma e às técnicas de modificação genética.

O posicionamento do Grupo de Consultores Científico e Tecnológico da União Europeia (em inglês, Scientific Advice Mechanism, SAM)é uma resposta ao acórdão do Tribunal de Justiça da EU, de 25 de julho de 2018, em que se estabelece que os organismos obtidos através de mutagénese constituem um OGM e devem estar sujeitos às obrigações estabelecidas na Diretiva sobre OGM. Na declaração, publicada no dia 13 de novembro, o SAM adverte que, se a legislação não for atualizada, poderá haver consequências graves para os consumidores e agricultores europeus, para o comércio internacional, para a cooperação com os países em desenvolvimento e também para o progresso científico europeu.

O Grupo solicita também que, ao legislar, se forem levados em conta fatores não científicos, nomeadamente considerações éticas, legais, sociais ou económicas, os mesmos devem ser identificados como tal e comunicados de forma transparente, ou seja, como razões não baseadas em evidências científicas.

Na declaração, o SAM afirma que os novos conhecimentos científicos e os últimos avanços técnicos fizeram com que a Diretiva Europeia sobre Organismos Geneticamente Modificados (OGM) não fosse mais adequada ao seu propósito e adverte que a Diretiva dá origem a problemas mais vastos, em especial no que se refere à definição de OGM no contexto de mutações naturais, considerações de segurança, deteção e identificação.

De lembrar que a definição de OGM incluída na referida Diretiva foi estabelecida em 1990, identificando-os como sendo aqueles organismos que foram geneticamente modificados de uma forma que não pode ocorrer na natureza. No entanto, desde então, a ciência avançou muito e mostrou que as mutações genéticas ocorreram naturalmente na natureza ao longo da história, sem intervenção humana, pelo que é um mecanismo subjacente da evolução natural.

Informação detalhada AQUI  e Statment do Grupo de Consultores Científico e Tecnológico da Comissão Europeia AQUI 

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PBi |Catorze países apoiam edição de genoma na agricultura

Os Governos e organismos regionais de vários países desenvolvidos e em desenvolvimento exigem a cooperação internacional e a concertação de esforços na regulamentação da biotecnologia de precisão, nomeadamente as técnicas de edição de genoma.

Para melhor enfrentarem os desafios ambientais e promoverem uma agricultura mais sustentável, a Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, Colômbia, República Dominicana, Guatemala, Honduras, Jordânia, Paraguai, Estados Unidos, Uruguai, Vietname e Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental assinaram uma declaração a favor da Biotecnologia de Precisão, incluindo as modernas técnicas de edição de genoma, na qual apelam à criação de uma legislação mais harmoniosa e que acompanhe os últimos avanços científicos nesta área.

A declaração surge na sequência dos obstáculos que as diferentes leis de cada país impõem à utilização das técnicas de melhoramento de plantas, apesar do  crescente reconhecimento de que  são ferramentas cruciais para combater pragas e doenças e enfrentar importantes desafios globais associados à segurança alimentar e nutricional, às mudanças climáticas e a outras ameaças ambientais.

Os signatários salientam que as políticas devem continuar a promover a inovação, inclusive no setor público e por pequenas e médias empresas, e mitigar barreiras desnecessárias à entrada de produtos agrícolas produzidos com a ajuda da biotecnologia de precisão, sob pena de se criar problemas comerciais entre os Países.

Em resposta à declaração, a representante mundial da indústria de ciência vegetal, CropLife International, defendeu que uma abordagem globalmente harmonizada para a biotecnologia de precisão garantiria a introdução oportuna e previsível de produtos agrícolas seguros e sustentáveis ​​no mercado, minimizando os travões comerciais.

Mais informações AQUI, ALI e ACOLÁ

OGM | Gana prepara-se para comercializar a primeira semente GM

Depois de concluírem os testes de campo ao feijão-frade Bt – resistente a pragas -, investigadores do Gana vão pedir a autorização para a comercialização da primeira colheita geneticamente modificada (GM) no País.

Com o feijão-frade Bt, os investigadores esperam ajudar os agricultores a reduzirem substancialmente a aplicação de pesticidas e a aumentarem a produção deste alimento, tão importante na dieta básica deste País africano.

Os resultados dos testes estão a ser revistos, mas, assim que este trabalho estiver concluído, o pedido para comercialização será submetido à Autoridade Nacional de Biossegurança do Gana.

Esta variedade de feijão-frade Bt foi desenvolvida pelo Instituto de Pesquisa Agrícola de Savannah (SARI), um organismo público de investigação e mostrou um alto nível de resistência à broca das vagens (Maruca Testuralis), cuja capacidade de destruição é tão elevada que pode arrasar com até quatro quintos dos rendimentos das culturas de feijão frade.

Informação mais detalhada AQUI e neste vídeo

PBi | Avanços na edição de genoma podem alterar lei que regula OGM

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Depois de dezenas de investigadores de vários países da Europa enviarem uma carta aos deputados europeus a solicitarem a criação de legislação mais favorável à inovação no melhoramento de plantas, também investigadores holandeses e suecos manifestaram publicamente o seu apoio a uma proposta recente do Ministério de Infraestrutura e Meio Ambiente da Holanda para alterar a Diretiva da UE sobre a libertação deliberada de organismos geneticamente modificados (OGM) no ambiente.

Com esta iniciativa, os investigadores pretendem apelar à alteração da legislação em vigor sobre OGM, questionando se será adequada à luz dos avanços até agora alcançados e emergentes nas tecnologias de edição de genoma. Num artigo publicado no jornal Trends in Biotechnology, argumentam que as novas técnicas de melhoramento de plantas (também conhecidas como Plant Breeding Innovation – PBi), desenvolvidas nas últimas duas décadas, permitiram um melhoramento mais eficiente e seletivo de plantas.

Apontando como exemplo o surgimento de tecnologias como o sistema CRISPR, que pode ser usado para editar genes dentro de organismos, e de outras, os investigadores garantem que estão a ser feitas mais inovações do que nunca no campo da codificação genética. Veja-se o caso do genoma do trigo de pão, a cultura mais amplamente cultivada no mundo, que, segundo o Consórcio Internacional de Sequenciamento do Genoma do Trigo (IWGSC), “irá preparar o caminho para a produção de variedades de trigo melhor adaptadas aos desafios climáticos, com maiores rendimentos, melhor qualidade nutricional e melhor sustentabilidade”.

Sucede que a lei que regulamenta os OGM está muito atrasada em relação a esta área da ciência, a que acresce o ceticismo da União Europeia quando se trata de modificação genética. É justamente esta realidade que os investigadores gostariam de ver alterada.

Saiba mais AQUI

PBI | Cientistas assinam carta a favor da inovação no melhoramento de plantas

Parceiros, CiB, Centro de Informação de Biotecnologia, CiB Portugal, CiB - Centro de Informação de Biotecnologia, Stakeholders, FSN, PRRI, Farmers & Scientists Network, Public Research & Regulation Initiative,

Preocupados com a recente decisão do Tribunal de Justiça Europeu relativamente às modernas técnicas de edição do genoma, investigadores de 85 institutos europeus de pesquisa em plantas e ciências biológicas, assinaram um documento em que apelam aos deputados europeus para que salvaguardem a inovação na ciência vegetal e na agricultura (Plant Breeding Innovation – PBi), manifestando, desta forma, o seu apoio à aplicação de técnicas inovadoras no processo de melhoramento de plantas.

Os cientistas justificam esta posição de força, garantindo que a decisão do Tribunal de Justiça Europeu poderia conduzir a uma proibição efetiva da criação de culturas vegetais inovadoras, o que por sua vez privaria os agricultores do acesso a uma nova geração de variedades de culturas mais nutritivas e mais resistentes ao clima e que, segundo os cientistas, são necessárias para responder aos atuais desafios ambientais e sociais.

Juntamente com as declarações que foram surgindo na internet nos últimos meses, por parte de vários institutos de pesquisa europeus, esta declaração é a prova do consenso sólido que existe entre a comunidade de investigação em ciências da vida sobre as consequências negativas desta decisão.

Segundo Margarida Oliveira, coordenadora e vice-directora da Green-it no ITQB NOVA, explica porque razão o ITQB subscreveu a declaração: “Assinámos este documento de apoio, como muitos outros em Portugal e em todo o mundo, para apoiar e destacar a necessidade das tecnologias de edição de genoma na agricultura.” Margarida Oliveira acredita que “os deputados nacionais e europeus querem definir políticas estratégicas com fundamento científico.”

De salientar que as técnicas inovadoras representam um próximo passo no melhoramento de plantas, permitindo fazer o desejado melhoramento genético com uma grande eficiência e precisão.

Mais informação AQUI ALI

 

 

Opinião | Que lições aprendemos com o debate sobre os OGM?

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Artigo original publicado no Agroportal

 

Artigo de Opinião
Que lições aprendemos com o debate sobre os OGM?

Por Pedro Fevereiro (*) | Agroportal.pt
Julho 2018

 

No passado mês de Junho, na Feira Nacional da Agricultura, em Santarém, decorreu a Conferência Internacional sobre o tema em título. Desde 1998, ano em que os primeiros carregamentos de milho geneticamente modificado chegaram à Europa, que defendo que as variedades agrícolas melhoradas com recurso à engenharia genética devem ser adotadas em Portugal e na Europa. Neste texto, e no seguimento da Conferência a que assisti, pretendo apresentar um pouco do que aprendi deste então para cá.

Este texto tem de ser enquadrado pela realidade Europeia: a maioria dos países europeus continua a rejeitar o uso da tecnologia do DNA recombinante como método para introduzir melhorias nas características das culturas agrícolas e florestais. Apesar da regulação mais exigente e mais estrita de todo o mundo, a Europa não aprova o cultivo de variedades melhoradas com esta tecnologia, mesmo depois de ultrapassados todos os crivos técnicos e científicos. O único evento aprovado para cultivo introduzido em variedades de milho permitindo a resistência a brocas, é “velho” de 20 anos e apenas utilizado em 3 países europeus, sendo um deles Portugal. Pese embora todas as restrições a Europa importa de países terceiros matéria prima produzida com variedades melhoradas com esta tecnologia, e depende dessa importação para fazer sobreviver os seus sectores pecuário, suinícola e avícola.

Este texto enquadra-se ainda numa nova realidade: a de que existem novas metodologias moleculares de melhoramento (Novas Técnicas de Melhoramento, em Inglês – NBT – “New Breeding Techniques”), que utilizam a edição precisa do DNA, ou o controlo da expressão de genes, para introduzir características desejáveis nas culturas agrícolas. Presentemente a Europa está envolvida numa discussão sem prazo e sem perspectiva sobre a possibilidade de vir a regulamentar estas novas tecnologias e se estas tecnologias devem “cair” na alçada da diretiva que regulamenta o uso de OGM.

Antes de apresentar a minha lista, devo referir que reconheço que os aspetos que refiro estão, sobretudo, relacionados com a minha experiência como cidadão português e que poderia ter percepções diferentes se a minha experiência fosse a de uma realidade de outro país Europeu. Também referir que o texto representa somente a minha perspectiva pessoal. Finalmente esta lista não segue nenhuma ordem de importância.

1 – O pós-modernismo, o movimento verde e o movimento antiglobalização articularam as suas estratégias para se oporem à utilização dos produtos agrícolas desta tecnologia. As suas mensagens, mesmo quando anticientíficas, ou falsamente científicas, são suficientemente atraentes para um vasto público, sobretudo citadino, que as considera associadas à necessidade de proteger o ambiente e de ter um estilo de vida considerado mais saudável. São também fáceis de assumir pelos órgãos de comunicação social, que para além de as associar a uma agenda “ambientalista”, as utiliza por serem negativas e sensacionalistas. As mensagens e atitudes veiculadas por esta estratégia são assumidas por membros de todas as correntes políticas.

2 – A comunicação desta tecnologia e dos seus produtos ao público em geral implicou simplificações e em geral a sua idilização. Neste processo de comunicação foi esquecida toda a história da domesticação e de melhoramento das culturas agrícolas. Foi também esquecido que uma parte substancial da população europeia atual não tem ligação ao campo e à agricultura e não compreende a necessidade de se produzir mais e de uma forma mais eficiente e sustentável. De resto ainda há não muitos anos era comum dizer-se na Europa que não era necessário aumentar a produtividade e eficiência agrícola.

3 – A população urbana não tem conhecimento dos processos de domesticação e melhoramento das culturas, mas também, na sua grande maioria, não tem conhecimentos suficientes de biologia molecular e não compreende que as novas tecnologias são evoluções dos métodos de melhoramento praticados há centenas de anos. O público em geral não compreendem que não faz sentido falar de “integridade do DNA”, quando o conhecimento atual nos diz que esta molécula está em constante mutação, que os genomas dos diferentes organismos partilham entre si os mesmos componentes, que o genoma de qualquer espécie é constituído, por vezes em mais de 50% por componentes virais e que durante a evolução existiu (e continua a existir) transferencial horizontal de genes (entre espécies que não se cruzam sexualmente entre si). Toda esta informação, recolhida nos últimos 15 anos, associada à sequenciação e estudo dos genomas, não teve reflexo na regulamentação europeia desta tecnologia, que por isso se encontra obsoleta, mas que analisada pelo público em geral apresenta uma imagem de grande perigosidade para os produtos desta tecnologia.

4 – A população urbana não se revê nas atividades agrícolas e portanto não compreende a necessidade de se desenvolverem variedades vegetais que permitam ganhos efetivos de produtividade, resilientes às condições edafoclimáticas e adaptáveis às condições locais. O baixo custo dos produtos alimentares não reflete as dificuldades de produção no campo, as exigências que a regulamentação coloca à produção, os preços ao produtor, as cargas horários do trabalho rural, entre outras situações.

5 – A apresentação da Agro-Biotecnologia como um modo de produção agrícola condiciona a discussão e a aceitação de novos métodos de melhoramento. A Agro-Biotecnologia não é um modo de produção agrícola! É um conjunto de métodos de melhoramento molecular que aumentou a precisão com que se ajustam as características das culturas às necessidades da produção, da comercialização, do consumo e da saúde humana e animal. As variedades melhoradas com esta tecnologia são utilizáveis em qualquer modo de produção – convencional, proteção integrada, orgânico.

6 – Os decisores políticos regem-se por critérios diferentes dos critérios científicos e isso não pode ser ignorado. A exigência de que as decisões políticas sejam tomadas de acordo com o conhecimento científico é um equívoco. No entanto é inaceitável que se justifiquem decisões políticas com informações científicas falsas, desatualizadas ou que não se aplicam à situação a legislar. Há ainda que notar que muitos decisores políticos se regem por percepções, na perspectiva de que se não o fizerem perderão votos para os seus partidos. No entanto estas percepções não são, em geral, testadas.

7 – A excessiva regulamentação e legalismo que envolve a adopção de variedades melhoradas com recurso à engenharia genética tem origens que não podem ser ignoradas e que condicionam o desbloqueamento da situação atual. Não foram apenas os movimentos ditos “anti-transgénicos” que condicionaram a regulamentação atual. Na sua génese estiveram também interesses corporativos que aumentaram os níveis de exigência para reduzirem níveis de concorrência. Por outro lado a perspectiva de uma revisão morosa e politicamente sensível da regulamentação tem impedido o envolvimento de decisores políticos na revisão da regulamentação, motivável pelas experiências positivas da produção e consumo dos produtos desta tecnologia.

8 – Os opositores que desenvolvem estratégias contra o uso da Biotecnologia na Agricultura não são nem incultos nem incompetentes. A perspectiva de que “se as pessoas tiverem mais conhecimento científico esta tecnologia será vista de outra forma” não é verdadeira. Inquéritos suficientemente robustos demonstram que a concordância com o uso desta tecnologia não está associada à falta de literacia científica. De notar que o conhecimento científico está atualmente disponível para qualquer pessoa.

9 – A formação ao nível do ensino básico e secundário transcreve, muitas vezes sem justificação científica, a perspectiva negativa que se enraizou na sociedade urbana relativamente a esta tecnologia. Esta realidade releva a pouca formação ao nível da biologia molecular e da biotecnologia da maioria dos professores e também a forma pouco cuidada como os manuais escolares abordam esta temática. Mas esta realidade enforma as decisões que virão a ser tomadas pelas gerações mais jovens.

10 – Uma parte significativa das pessoas tem medo de debater esta temática. Uma parte daqueles que a debatem e que chegam à conclusão que ela é aceitável temem opor-se à visão, sobretudo urbana, de que “os OGM” são inimigos do ambiente.

11 – O valor económico gerado pelo “não” à aceitação da tecnologia é já relevante a vários níveis. Uma alteração da regulamentação que permita o uso da tecnologia na Europa criará mudanças importantes, que condicionará a vida de muitos cidadãos e que contrariará estratégias comerciais, como aquelas que são assumidas por grandes grupos distribuidores, relativas à não comercialização de produtos ditos “OGM”.

12 – A exigência de certezas absolutas sobre o não risco para a saúde humana e animal dos produtos desta tecnologia condiciona o debate sobre a sua utilização. Ninguém pode dar garantia absoluta de que não existe risco. No entanto, em mais de 20 anos de utilização, não é possível fazer um cálculo do risco, visto não ter existido qualquer incidente na saúde humana ou animal devido ao uso dos produtos desta tecnologia.

O que aprendi então com o debate sobre a utilização dos OGM? Que existe um conjunto de idiossincrasias sócio/político/económicas que impedem a evolução deste debate, e que nada têm a ver com o conhecimento científico atual ou com a prática da utilização dos produtos do melhoramento molecular de precisão.

O debate sobre a adoção das Novas Técnicas de Melhoramento está já inquinado pelas percepções criadas pelo debate sobre os “OGM”. Sendo um conjunto de tecnologias derivadas da anterior, sofrerá o mesmo tipo de argumentos para a sua não adoção na Europa.

Só um debate honesto, incluindo todas as partes, livre de preconceitos, aceitando a rápida evolução dos conhecimentos científicos e observando a prática da utilização destas tecnologias permitirá um passo em frente. Espero que Portugal contribua para que esse passo em frente possa ser dado na Europa.

(*) Pedro Fevereiro,
Biólogo, Professor Auxiliar, Agregado

Nota 1 – O Professor Doutor Pedro Fevereiro é também Presidente da Direcção do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

NOTA 2 – O original deste artigo aqui partilhado integralmente foi publicado no Agroportal.pt

OGM | Área cultivada com milho Bt em Portugal aumentou 3,6 % em 2017

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Gráfico | Área cultivada com milho geneticamente modificado em Portugal, de 2005 a 2017 (Imagem adaptada pelo CiB Portugal)

Área cultivada com milho geneticamente modificado Bt em Portugal aumentou 3,6 por cento em 2017

DGAV, APA, REA, 2018

“Em Portugal a área de milho geneticamente modificado totalizou 7.307,55 hectares em 2017, tendo sido a grande maioria desta área semeada na região do Alentejo, onde foi registada uma área total de 3.187,21 hectares.”, segundo o relatório da DGAV – Direcção Geral de Alimentação e Veterinária.

A área cultivada de milho Bt (resistente ao ataque de praga broca do milho) aumentou assim cerca de 3,6 por cento em relação a 2016, segundo relatório da APA Agência Portuguesa de Ambiente.

No seu relatório, a DGAV esclarece ainda que ao “nível da União Europeia apenas um único organismo geneticamente modificado está autorizado: o milho MON810. Atualmente está a ser produzido maioritariamente em Espanha e em Portugal.”. No contexto do cultivo de milho convencional e transgénico, em Portugal e em 2017, o total da área cultivada foi de 115.667 hectares, segundo a ANPROMIS – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo.

Na União Europeia, a área de cultivo de milho geneticamente modificado diminuiu em 2017 cerca de 3,5% face ao ano anterior, abrangendo 131 535 hectares, segundo a APA.

Os países que cultivaram milho Bt na União Europeia, em 2017, foram apenas Espanha e Portugal, uma vez que este o cultivo deste milho resistente ao ataque de insectos continua a ser fundamental para os agricultores de regiões específicas, nas quais existe uma elevada incidência de ataque de broca e consequente destruição das suas culturas.

A utilização deste tipo de milho traz benefícios económicos ao agricultor e ao ambiente, pois existe redução de aplicação de insecticidas, reduzindo o uso de tractores e consequentemente o uso de combustíveis fósseis (com diminuição de gases com efeito nas alterações climáticas). Existem ainda benefícios do uso de milho Bt para a saúde, pois as plantas resistentes ao ataque das lagartas não são feridas por estas, o que evita o desenvolvimento de fungos, que por sua vez produzem Micotoxinas, substâncias químicas as quais são cancerígenas, tanto para humanos como para animais.

 

MAIS INFORMAÇÃO

 

 

Opinião | Transgénicos…a Caricatura do Poder da Promoção do Medo

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Artigo de Opinião
Transgénicos…
a Caricatura do Poder da Promoção do Medo


Por João Júlio Cerqueiro, Projeto SciMed (*)
Junho 2018

 

Texto de opinião do médico João Júlio Cerqueira, no seu projecto Scimed – Ciência baseada na Evidência, no qual descontrói mitos e ideias falsas dissiminada na Internet e nos Orgãos de Comunicação Social sobre Organismos Geneticamente Modificados (OGM) ou Transgénicos. O autor utiliza argumentos científicos fundamentados em artigos de investigação científica e de revisão por pares, ou seja, por outros membros da comunidade científica especializada nos assuntos focados.

João Júlio Cerqueira começa desta forma o seu post:

“Se me perguntarem quais as pseudociências ou movimentos anticiência que mais me irritam, a luta irracional contra os transgénicos está certamente no top. Argumentar a favor dos transgénicos é a mesma coisa que tentar convencer o leitor de que as alterações climáticas são de causa antropogénica, que o planeta Terra não é plano e que os chemtrails são um produto da ignorância associado a uma personalidade paranóide. A evidência a favor da segurança dos transgénicos é tão avassaladora que considero que este tema é um caso de estudo no que diz respeito à promoção do medo por parte de determinados grupos pseudocientíficos.

Mas vamos começar pelo princípio.

Os organismos geneticamente modificados andam cá há muito tempo…

Os organismos geneticamente modificados, no seu conceito mais amplo, não são uma invenção recente. Andam cá há cerca de 10.000 anos, mais milénio menos milénio.” [texto contínua…].

O autor aborda a relevância dos OGM no contexto da agricultura e alimentação actual, apresentando diferentes e extensos argumentos, fornecendo ainda as suas fontes científicas, num esforço contínuo para promover a decisão individual ou política com base nas evidências científicas.

Vale a pena ler o seu post, comentários, argumentos apresentados no Facebook e no Blog do projecto SciMed – Ciência Baseada na Evidência e ainda consultar as referências científicas citadas.

(*) João Júlio Cerqueiro é Médico e Divulgador de Ciência, Saúde e Ambiente. Coordena o Projeto SciMed – Ciência Baseada na Evidência

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Técnicas de Modificação de Plantas usadas no Melhoramento Genético para a Agricultura

Vídeo | O natural não é necessariamente bom | Por David Marçal em TEDxPorto

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Vídeo TEDx 
O natural não é necessariamente bom

A comunicação TEDx de David Marçal, em Português, aborda um tema muito relevante na sociedade actual, maioritariamente vivendo em ambiente urbano no qual abundam os mitos sobre o que é natural, demonizando-se muitas vezes o que as pessoas consideram que não é natural.

[…] como bioquímico sempre achei muito curiosa uma certa ideia que existe acerca dos produtos naturais, que é a sua bondade intrinsica. Um produto natural é bom, porque é natural. Um produto químico é mau, porque é químico. E isso não é necessáriamente verdade. Mas sabem que não gera muita simpatia vir aqui falar destas coisas. Toda a gente gosta da natureza e dizer isto é quase como se eu fosse contra o pôr-do-sol. E na verdade eu adoro pores do sol. […]

Ao longo da sua explicação, David Marçal dá vários exemplos, incluindo o do milho biológico e da insulina geneticamente modificada fundamental para a saúde de diabéticos. Será que são naturais?

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[…] Por exemplo, o milho de agricultura biológica deve ser considerado um produto natural? Mesmo que consideremos que ele não foi modificado geneticamente por modernas técnicas de biologia molecular, o milho como nós o conhecemos não existe natureza. Ele é o resultado de milhares e milhares de anos de seleção de sementes feitos por gerações sucessivas de agricultores. O milho que existe na natureza é na verdade bastante diferente do que nós conhecemos. É uma espécie muito mais pequenina. Mas, vamos tornar as coisas ainda mais interessantes. É possível modificar geneticamente bactérias para elas produzirem insulina humana. Essa insulina é igualzinha à produzida pelo pâncreas humano. É uma proteína feita de aminoácidos, cada um deles constítuido por átomos de carbono, de hidrogénio, oxigénio e azoto. Para os diabéticos essa insulina serve perfeitamente. Portanto, podemos perguntar: será que essa insulina produzida por organismos geneticamente modificados é natural? […]

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Resumo desta comunicação “O natural não é necessariamente bom”
de David Marçal 

«Em certos meios está instalado um apartheid que segrega os produtos naturais dos “produtos químicos”. O argumento é tautológico: os produtos naturais são bons porque são naturais. E os produtos químicos são maus porque são químicos. E, como em todas as boas histórias, os bons resolvem os problemas causados pelos vilões. A primeira ideia para tornar esta história um pouco mais verdadeira é a de que um produto natural é necessariamente um produto químico. Num sentido lato, os produtos naturais são compostos produzidos por um qualquer organismo vivo. O colesterol (produzido por todos os animais) e a penicilina (produzida por um fungo) são produtos naturais. Os produtos naturais não são necessariamente perigosos, mas por vezes podem causar problemas graves de saúde. Em muitos casos os seus riscos são desconhecidos. Os remédios à base de produtos naturais não passam pelo exigente processo de ensaios clínicos necessários para a aprovação de um medicamento convencional. É desconhecida a sua eficácia e segurança e a sua toma comporta riscos que não estão avaliados.»

VISIONAR VÍDEO COMPLETO

 

MAIS INFORMAÇÃO

David Marçal doutorou-se em 2008 em Bioquímica pela Universidade Nova de Lisboa. É redator científico na Ciência Viva (Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica) e coordenador da rede GPS.PT (Global Portuguese Scientists). Publicou, em coautoria com Carlos Fiolhais, os livros “”Darwin aos tiros e outras histórias de ciência”, “Pipocas com telemóvel e outras histórias de falsa ciência” e “A ciência e os seus inimigos”. É também coordenador e autor do livro “Toda a Ciência (menos as partes chatas)” e assinou o ensaio “Pseudociência”. É autor de centenas de artigos na comunicação social, espetáculos e em programas de televisão sobre ciência. Já foi distinguido com os prémios Químicos Jovens (da Sociedade Portuguesa de Química), Ideias Verdes (da Fundação Luso e pelo Jornal Expresso) e COMCEPT (da Comunidade Céptica Portuguesa).

 

 

Conferência | Biotecnologia e OGM na Feira Nacional de Agricultura | 7 Jun

Evento-7Junho_OGM_CAP_Santarem

Conferência Internacional
Biotecnologia e OGM
na Feira Nacional de Agricultura 2018

Que Lições Aprendemos com o Debate sobre os OGM?
Lições para Impulsionar a Inovação
na Agricultura Moderna

7 Junho 2018, 10-13h30 | Sala Ribatejo
CNEMA – Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas
Santarém
Feira Nacional de Agricultura

Organização
CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal​

Registo gratuito, mas obrigatório
(lotação máxima da sala: 120 lugares)

 

DESCRIÇÃO

Entende-se por biotecnologia o conjunto de técnicas que envolvem a manipulação de organismos vivos para a obtenção de produtos específicos ou modificação de produtos.

A biotecnologia é utilizada desde a antiguidade, na produção de pão e bebidas fermentadas, porém este era um processo muito artesanal. Hoje a biotecnologia utiliza técnicas e materiais de última geração. Com o aparecimento de estudos em microbiologia e biologia molecular, o conhecimento na manipulação de micro-organismos e genes tornou possível a produção de diversos medicamentos e alimentos.

A agricultura e a biotecnologia aliaram-se para tornar o cultivo de plantas mais eficiente. Pragas, doenças e problemas climáticos, por exemplo, sempre foram obstáculos à produção de alimentos. Porém, a engenharia genética permitiu a criação de tecnologias que reduzem as perdas e aumentam a produtividade das lavouras.

O objectivo desta conferência internacional é dar a conhecer os avanços da biotecnologia e a sua aplicação na agricultura do futuro e contamos com as perspectivas de oradores nacionais e internacionais peritos nesta matéria.

PROGRAMA COMPLETO
Sessão inclui tradução simultânea

10.00 – SESSÃO DE ABERTURA
LUIS MIRA – SECRETÁRIO GERAL DA CAP

10.15 – QUAL O PAPEL DA INOVAÇÃO NO MODELO EUROPEU DE AGRICULTURA?
• DIRECÇÃO GERAL DE AGRUICULTURA DA COMISSÃO EUROPEIA
• PEDRO NARRO – EUROPABIO

10.45 – INOVAÇÃO NA CRIAÇÃO DE NOVAS PLANTAS, O QUE SIGNIFICA PARA A AGRICULTURA DA UE?
• MARISÉ BORJA – CIENTISTA
• JOANA LOPES ALEIXO – SECRETÁRIA GERAL DA ANSEME
• ELO (EUROPEAN LANDOWNERS ASSOCIATION)

11.45 – MESA REDONDA DEBATE: A INOVAÇÃO HOJE, A TRADIÇÃO AMANHÃ
PORQUE OS AGRICULTORES PRECISAM DE INOVAÇÃO E TECNOLOGIA?
O DÉFICE DE PROTEÍNA DA UE
AGRICULTURA BIOLÓGICA VERSUS AGRICULTURA CONVENCIONAL
INOVAÇÃO AGRÍCOLA E NOTÍCIAS FALSAS

MODERADOR – JOSÉ DIOGO SANTIAGO ALBUQUERQUE

• ASAJA- ESPANHA – PEDRO GALLARDO
• CAP PORTUGAL – JOSÉ PALHA
• NFU- UK – MIKE HAMBLY
• COPA – COGECA – FILAND – MAX SCHULMAN
• MAIZALL – BRASIL – SERGIO BORTOLOZZO

13.00 – SESSÃO DE ENCERRAMENTO
• EDUARDO OLIVEIRA E SOUSA – PRESIDENTE DA CAP
• LUIS VIEIRA – SECRETÁRIO DE ESTADO DA AGRICULTURA