Opinião | Que lições aprendemos com o debate sobre os OGM?

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Artigo original publicado no Agroportal

 

Artigo de Opinião
Que lições aprendemos com o debate sobre os OGM?

Por Pedro Fevereiro (*) | Agroportal.pt
Julho 2018

 

No passado mês de Junho, na Feira Nacional da Agricultura, em Santarém, decorreu a Conferência Internacional sobre o tema em título. Desde 1998, ano em que os primeiros carregamentos de milho geneticamente modificado chegaram à Europa, que defendo que as variedades agrícolas melhoradas com recurso à engenharia genética devem ser adotadas em Portugal e na Europa. Neste texto, e no seguimento da Conferência a que assisti, pretendo apresentar um pouco do que aprendi deste então para cá.

Este texto tem de ser enquadrado pela realidade Europeia: a maioria dos países europeus continua a rejeitar o uso da tecnologia do DNA recombinante como método para introduzir melhorias nas características das culturas agrícolas e florestais. Apesar da regulação mais exigente e mais estrita de todo o mundo, a Europa não aprova o cultivo de variedades melhoradas com esta tecnologia, mesmo depois de ultrapassados todos os crivos técnicos e científicos. O único evento aprovado para cultivo introduzido em variedades de milho permitindo a resistência a brocas, é “velho” de 20 anos e apenas utilizado em 3 países europeus, sendo um deles Portugal. Pese embora todas as restrições a Europa importa de países terceiros matéria prima produzida com variedades melhoradas com esta tecnologia, e depende dessa importação para fazer sobreviver os seus sectores pecuário, suinícola e avícola.

Este texto enquadra-se ainda numa nova realidade: a de que existem novas metodologias moleculares de melhoramento (Novas Técnicas de Melhoramento, em Inglês – NBT – “New Breeding Techniques”), que utilizam a edição precisa do DNA, ou o controlo da expressão de genes, para introduzir características desejáveis nas culturas agrícolas. Presentemente a Europa está envolvida numa discussão sem prazo e sem perspectiva sobre a possibilidade de vir a regulamentar estas novas tecnologias e se estas tecnologias devem “cair” na alçada da diretiva que regulamenta o uso de OGM.

Antes de apresentar a minha lista, devo referir que reconheço que os aspetos que refiro estão, sobretudo, relacionados com a minha experiência como cidadão português e que poderia ter percepções diferentes se a minha experiência fosse a de uma realidade de outro país Europeu. Também referir que o texto representa somente a minha perspectiva pessoal. Finalmente esta lista não segue nenhuma ordem de importância.

1 – O pós-modernismo, o movimento verde e o movimento antiglobalização articularam as suas estratégias para se oporem à utilização dos produtos agrícolas desta tecnologia. As suas mensagens, mesmo quando anticientíficas, ou falsamente científicas, são suficientemente atraentes para um vasto público, sobretudo citadino, que as considera associadas à necessidade de proteger o ambiente e de ter um estilo de vida considerado mais saudável. São também fáceis de assumir pelos órgãos de comunicação social, que para além de as associar a uma agenda “ambientalista”, as utiliza por serem negativas e sensacionalistas. As mensagens e atitudes veiculadas por esta estratégia são assumidas por membros de todas as correntes políticas.

2 – A comunicação desta tecnologia e dos seus produtos ao público em geral implicou simplificações e em geral a sua idilização. Neste processo de comunicação foi esquecida toda a história da domesticação e de melhoramento das culturas agrícolas. Foi também esquecido que uma parte substancial da população europeia atual não tem ligação ao campo e à agricultura e não compreende a necessidade de se produzir mais e de uma forma mais eficiente e sustentável. De resto ainda há não muitos anos era comum dizer-se na Europa que não era necessário aumentar a produtividade e eficiência agrícola.

3 – A população urbana não tem conhecimento dos processos de domesticação e melhoramento das culturas, mas também, na sua grande maioria, não tem conhecimentos suficientes de biologia molecular e não compreende que as novas tecnologias são evoluções dos métodos de melhoramento praticados há centenas de anos. O público em geral não compreendem que não faz sentido falar de “integridade do DNA”, quando o conhecimento atual nos diz que esta molécula está em constante mutação, que os genomas dos diferentes organismos partilham entre si os mesmos componentes, que o genoma de qualquer espécie é constituído, por vezes em mais de 50% por componentes virais e que durante a evolução existiu (e continua a existir) transferencial horizontal de genes (entre espécies que não se cruzam sexualmente entre si). Toda esta informação, recolhida nos últimos 15 anos, associada à sequenciação e estudo dos genomas, não teve reflexo na regulamentação europeia desta tecnologia, que por isso se encontra obsoleta, mas que analisada pelo público em geral apresenta uma imagem de grande perigosidade para os produtos desta tecnologia.

4 – A população urbana não se revê nas atividades agrícolas e portanto não compreende a necessidade de se desenvolverem variedades vegetais que permitam ganhos efetivos de produtividade, resilientes às condições edafoclimáticas e adaptáveis às condições locais. O baixo custo dos produtos alimentares não reflete as dificuldades de produção no campo, as exigências que a regulamentação coloca à produção, os preços ao produtor, as cargas horários do trabalho rural, entre outras situações.

5 – A apresentação da Agro-Biotecnologia como um modo de produção agrícola condiciona a discussão e a aceitação de novos métodos de melhoramento. A Agro-Biotecnologia não é um modo de produção agrícola! É um conjunto de métodos de melhoramento molecular que aumentou a precisão com que se ajustam as características das culturas às necessidades da produção, da comercialização, do consumo e da saúde humana e animal. As variedades melhoradas com esta tecnologia são utilizáveis em qualquer modo de produção – convencional, proteção integrada, orgânico.

6 – Os decisores políticos regem-se por critérios diferentes dos critérios científicos e isso não pode ser ignorado. A exigência de que as decisões políticas sejam tomadas de acordo com o conhecimento científico é um equívoco. No entanto é inaceitável que se justifiquem decisões políticas com informações científicas falsas, desatualizadas ou que não se aplicam à situação a legislar. Há ainda que notar que muitos decisores políticos se regem por percepções, na perspectiva de que se não o fizerem perderão votos para os seus partidos. No entanto estas percepções não são, em geral, testadas.

7 – A excessiva regulamentação e legalismo que envolve a adopção de variedades melhoradas com recurso à engenharia genética tem origens que não podem ser ignoradas e que condicionam o desbloqueamento da situação atual. Não foram apenas os movimentos ditos “anti-transgénicos” que condicionaram a regulamentação atual. Na sua génese estiveram também interesses corporativos que aumentaram os níveis de exigência para reduzirem níveis de concorrência. Por outro lado a perspectiva de uma revisão morosa e politicamente sensível da regulamentação tem impedido o envolvimento de decisores políticos na revisão da regulamentação, motivável pelas experiências positivas da produção e consumo dos produtos desta tecnologia.

8 – Os opositores que desenvolvem estratégias contra o uso da Biotecnologia na Agricultura não são nem incultos nem incompetentes. A perspectiva de que “se as pessoas tiverem mais conhecimento científico esta tecnologia será vista de outra forma” não é verdadeira. Inquéritos suficientemente robustos demonstram que a concordância com o uso desta tecnologia não está associada à falta de literacia científica. De notar que o conhecimento científico está atualmente disponível para qualquer pessoa.

9 – A formação ao nível do ensino básico e secundário transcreve, muitas vezes sem justificação científica, a perspectiva negativa que se enraizou na sociedade urbana relativamente a esta tecnologia. Esta realidade releva a pouca formação ao nível da biologia molecular e da biotecnologia da maioria dos professores e também a forma pouco cuidada como os manuais escolares abordam esta temática. Mas esta realidade enforma as decisões que virão a ser tomadas pelas gerações mais jovens.

10 – Uma parte significativa das pessoas tem medo de debater esta temática. Uma parte daqueles que a debatem e que chegam à conclusão que ela é aceitável temem opor-se à visão, sobretudo urbana, de que “os OGM” são inimigos do ambiente.

11 – O valor económico gerado pelo “não” à aceitação da tecnologia é já relevante a vários níveis. Uma alteração da regulamentação que permita o uso da tecnologia na Europa criará mudanças importantes, que condicionará a vida de muitos cidadãos e que contrariará estratégias comerciais, como aquelas que são assumidas por grandes grupos distribuidores, relativas à não comercialização de produtos ditos “OGM”.

12 – A exigência de certezas absolutas sobre o não risco para a saúde humana e animal dos produtos desta tecnologia condiciona o debate sobre a sua utilização. Ninguém pode dar garantia absoluta de que não existe risco. No entanto, em mais de 20 anos de utilização, não é possível fazer um cálculo do risco, visto não ter existido qualquer incidente na saúde humana ou animal devido ao uso dos produtos desta tecnologia.

O que aprendi então com o debate sobre a utilização dos OGM? Que existe um conjunto de idiossincrasias sócio/político/económicas que impedem a evolução deste debate, e que nada têm a ver com o conhecimento científico atual ou com a prática da utilização dos produtos do melhoramento molecular de precisão.

O debate sobre a adoção das Novas Técnicas de Melhoramento está já inquinado pelas percepções criadas pelo debate sobre os “OGM”. Sendo um conjunto de tecnologias derivadas da anterior, sofrerá o mesmo tipo de argumentos para a sua não adoção na Europa.

Só um debate honesto, incluindo todas as partes, livre de preconceitos, aceitando a rápida evolução dos conhecimentos científicos e observando a prática da utilização destas tecnologias permitirá um passo em frente. Espero que Portugal contribua para que esse passo em frente possa ser dado na Europa.

(*) Pedro Fevereiro,
Biólogo, Professor Auxiliar, Agregado

Nota 1 – O Professor Doutor Pedro Fevereiro é também Presidente da Direcção do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

NOTA 2 – O original deste artigo aqui partilhado integralmente foi publicado no Agroportal.pt

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OGM | Área cultivada com milho Bt em Portugal aumentou 3,6 % em 2017

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Gráfico | Área cultivada com milho geneticamente modificado em Portugal, de 2005 a 2017 (Imagem adaptada pelo CiB Portugal)

Área cultivada com milho geneticamente modificado Bt em Portugal aumentou 3,6 por cento em 2017

DGAV, APA, REA, 2018

“Em Portugal a área de milho geneticamente modificado totalizou 7.307,55 hectares em 2017, tendo sido a grande maioria desta área semeada na região do Alentejo, onde foi registada uma área total de 3.187,21 hectares.”, segundo o relatório da DGAV – Direcção Geral de Alimentação e Veterinária.

A área cultivada de milho Bt (resistente ao ataque de praga broca do milho) aumentou assim cerca de 3,6 por cento em relação a 2016, segundo relatório da APA Agência Portuguesa de Ambiente.

No seu relatório, a DGAV esclarece ainda que ao “nível da União Europeia apenas um único organismo geneticamente modificado está autorizado: o milho MON810. Atualmente está a ser produzido maioritariamente em Espanha e em Portugal.”. No contexto do cultivo de milho convencional e transgénico, em Portugal e em 2017, o total da área cultivada foi de 115.667 hectares, segundo a ANPROMIS – Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo.

Na União Europeia, a área de cultivo de milho geneticamente modificado diminuiu em 2017 cerca de 3,5% face ao ano anterior, abrangendo 131 535 hectares, segundo a APA.

Os países que cultivaram milho Bt na União Europeia, em 2017, foram apenas Espanha e Portugal, uma vez que este o cultivo deste milho resistente ao ataque de insectos continua a ser fundamental para os agricultores de regiões específicas, nas quais existe uma elevada incidência de ataque de broca e consequente destruição das suas culturas.

A utilização deste tipo de milho traz benefícios económicos ao agricultor e ao ambiente, pois existe redução de aplicação de insecticidas, reduzindo o uso de tractores e consequentemente o uso de combustíveis fósseis (com diminuição de gases com efeito nas alterações climáticas). Existem ainda benefícios do uso de milho Bt para a saúde, pois as plantas resistentes ao ataque das lagartas não são feridas por estas, o que evita o desenvolvimento de fungos, que por sua vez produzem Micotoxinas, substâncias químicas as quais são cancerígenas, tanto para humanos como para animais.

 

MAIS INFORMAÇÃO

 

 

Opinião | Transgénicos…a Caricatura do Poder da Promoção do Medo

SciMed_OGM_jun2018

Artigo de Opinião
Transgénicos…
a Caricatura do Poder da Promoção do Medo


Por João Júlio Cerqueiro, Projeto SciMed (*)
Junho 2018

 

Texto de opinião do médico João Júlio Cerqueira, no seu projecto Scimed – Ciência baseada na Evidência, no qual descontrói mitos e ideias falsas dissiminada na Internet e nos Orgãos de Comunicação Social sobre Organismos Geneticamente Modificados (OGM) ou Transgénicos. O autor utiliza argumentos científicos fundamentados em artigos de investigação científica e de revisão por pares, ou seja, por outros membros da comunidade científica especializada nos assuntos focados.

João Júlio Cerqueira começa desta forma o seu post:

“Se me perguntarem quais as pseudociências ou movimentos anticiência que mais me irritam, a luta irracional contra os transgénicos está certamente no top. Argumentar a favor dos transgénicos é a mesma coisa que tentar convencer o leitor de que as alterações climáticas são de causa antropogénica, que o planeta Terra não é plano e que os chemtrails são um produto da ignorância associado a uma personalidade paranóide. A evidência a favor da segurança dos transgénicos é tão avassaladora que considero que este tema é um caso de estudo no que diz respeito à promoção do medo por parte de determinados grupos pseudocientíficos.

Mas vamos começar pelo princípio.

Os organismos geneticamente modificados andam cá há muito tempo…

Os organismos geneticamente modificados, no seu conceito mais amplo, não são uma invenção recente. Andam cá há cerca de 10.000 anos, mais milénio menos milénio.” [texto contínua…].

O autor aborda a relevância dos OGM no contexto da agricultura e alimentação actual, apresentando diferentes e extensos argumentos, fornecendo ainda as suas fontes científicas, num esforço contínuo para promover a decisão individual ou política com base nas evidências científicas.

Vale a pena ler o seu post, comentários, argumentos apresentados no Facebook e no Blog do projecto SciMed – Ciência Baseada na Evidência e ainda consultar as referências científicas citadas.

(*) João Júlio Cerqueiro é Médico e Divulgador de Ciência, Saúde e Ambiente. Coordena o Projeto SciMed – Ciência Baseada na Evidência

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Técnicas de Modificação de Plantas usadas no Melhoramento Genético para a Agricultura

Vídeo | O natural não é necessariamente bom | Por David Marçal em TEDxPorto

Video_TEDx_DavidMarcal2018

Vídeo TEDx 
O natural não é necessariamente bom

A comunicação TEDx de David Marçal, em Português, aborda um tema muito relevante na sociedade actual, maioritariamente vivendo em ambiente urbano no qual abundam os mitos sobre o que é natural, demonizando-se muitas vezes o que as pessoas consideram que não é natural.

[…] como bioquímico sempre achei muito curiosa uma certa ideia que existe acerca dos produtos naturais, que é a sua bondade intrinsica. Um produto natural é bom, porque é natural. Um produto químico é mau, porque é químico. E isso não é necessáriamente verdade. Mas sabem que não gera muita simpatia vir aqui falar destas coisas. Toda a gente gosta da natureza e dizer isto é quase como se eu fosse contra o pôr-do-sol. E na verdade eu adoro pores do sol. […]

Ao longo da sua explicação, David Marçal dá vários exemplos, incluindo o do milho biológico e da insulina geneticamente modificada fundamental para a saúde de diabéticos. Será que são naturais?

Video_TEDx_DavidMarcal_Milho

[…] Por exemplo, o milho de agricultura biológica deve ser considerado um produto natural? Mesmo que consideremos que ele não foi modificado geneticamente por modernas técnicas de biologia molecular, o milho como nós o conhecemos não existe natureza. Ele é o resultado de milhares e milhares de anos de seleção de sementes feitos por gerações sucessivas de agricultores. O milho que existe na natureza é na verdade bastante diferente do que nós conhecemos. É uma espécie muito mais pequenina. Mas, vamos tornar as coisas ainda mais interessantes. É possível modificar geneticamente bactérias para elas produzirem insulina humana. Essa insulina é igualzinha à produzida pelo pâncreas humano. É uma proteína feita de aminoácidos, cada um deles constítuido por átomos de carbono, de hidrogénio, oxigénio e azoto. Para os diabéticos essa insulina serve perfeitamente. Portanto, podemos perguntar: será que essa insulina produzida por organismos geneticamente modificados é natural? […]

Video_TEDx_DavidMarcal_InsulinaGM

Resumo desta comunicação “O natural não é necessariamente bom”
de David Marçal 

«Em certos meios está instalado um apartheid que segrega os produtos naturais dos “produtos químicos”. O argumento é tautológico: os produtos naturais são bons porque são naturais. E os produtos químicos são maus porque são químicos. E, como em todas as boas histórias, os bons resolvem os problemas causados pelos vilões. A primeira ideia para tornar esta história um pouco mais verdadeira é a de que um produto natural é necessariamente um produto químico. Num sentido lato, os produtos naturais são compostos produzidos por um qualquer organismo vivo. O colesterol (produzido por todos os animais) e a penicilina (produzida por um fungo) são produtos naturais. Os produtos naturais não são necessariamente perigosos, mas por vezes podem causar problemas graves de saúde. Em muitos casos os seus riscos são desconhecidos. Os remédios à base de produtos naturais não passam pelo exigente processo de ensaios clínicos necessários para a aprovação de um medicamento convencional. É desconhecida a sua eficácia e segurança e a sua toma comporta riscos que não estão avaliados.»

VISIONAR VÍDEO COMPLETO

 

MAIS INFORMAÇÃO

David Marçal doutorou-se em 2008 em Bioquímica pela Universidade Nova de Lisboa. É redator científico na Ciência Viva (Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica) e coordenador da rede GPS.PT (Global Portuguese Scientists). Publicou, em coautoria com Carlos Fiolhais, os livros “”Darwin aos tiros e outras histórias de ciência”, “Pipocas com telemóvel e outras histórias de falsa ciência” e “A ciência e os seus inimigos”. É também coordenador e autor do livro “Toda a Ciência (menos as partes chatas)” e assinou o ensaio “Pseudociência”. É autor de centenas de artigos na comunicação social, espetáculos e em programas de televisão sobre ciência. Já foi distinguido com os prémios Químicos Jovens (da Sociedade Portuguesa de Química), Ideias Verdes (da Fundação Luso e pelo Jornal Expresso) e COMCEPT (da Comunidade Céptica Portuguesa).

 

 

Conferência | Biotecnologia e OGM na Feira Nacional de Agricultura | 7 Jun

Evento-7Junho_OGM_CAP_Santarem

Conferência Internacional
Biotecnologia e OGM
na Feira Nacional de Agricultura 2018

Que Lições Aprendemos com o Debate sobre os OGM?
Lições para Impulsionar a Inovação
na Agricultura Moderna

7 Junho 2018, 10-13h30 | Sala Ribatejo
CNEMA – Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas
Santarém
Feira Nacional de Agricultura

Organização
CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal​

Registo gratuito, mas obrigatório
(lotação máxima da sala: 120 lugares)

 

DESCRIÇÃO

Entende-se por biotecnologia o conjunto de técnicas que envolvem a manipulação de organismos vivos para a obtenção de produtos específicos ou modificação de produtos.

A biotecnologia é utilizada desde a antiguidade, na produção de pão e bebidas fermentadas, porém este era um processo muito artesanal. Hoje a biotecnologia utiliza técnicas e materiais de última geração. Com o aparecimento de estudos em microbiologia e biologia molecular, o conhecimento na manipulação de micro-organismos e genes tornou possível a produção de diversos medicamentos e alimentos.

A agricultura e a biotecnologia aliaram-se para tornar o cultivo de plantas mais eficiente. Pragas, doenças e problemas climáticos, por exemplo, sempre foram obstáculos à produção de alimentos. Porém, a engenharia genética permitiu a criação de tecnologias que reduzem as perdas e aumentam a produtividade das lavouras.

O objectivo desta conferência internacional é dar a conhecer os avanços da biotecnologia e a sua aplicação na agricultura do futuro e contamos com as perspectivas de oradores nacionais e internacionais peritos nesta matéria.

PROGRAMA COMPLETO
Sessão inclui tradução simultânea

10.00 – SESSÃO DE ABERTURA
LUIS MIRA – SECRETÁRIO GERAL DA CAP

10.15 – QUAL O PAPEL DA INOVAÇÃO NO MODELO EUROPEU DE AGRICULTURA?
• DIRECÇÃO GERAL DE AGRUICULTURA DA COMISSÃO EUROPEIA
• PEDRO NARRO – EUROPABIO

10.45 – INOVAÇÃO NA CRIAÇÃO DE NOVAS PLANTAS, O QUE SIGNIFICA PARA A AGRICULTURA DA UE?
• MARISÉ BORJA – CIENTISTA
• JOANA LOPES ALEIXO – SECRETÁRIA GERAL DA ANSEME
• ELO (EUROPEAN LANDOWNERS ASSOCIATION)

11.45 – MESA REDONDA DEBATE: A INOVAÇÃO HOJE, A TRADIÇÃO AMANHÃ
PORQUE OS AGRICULTORES PRECISAM DE INOVAÇÃO E TECNOLOGIA?
O DÉFICE DE PROTEÍNA DA UE
AGRICULTURA BIOLÓGICA VERSUS AGRICULTURA CONVENCIONAL
INOVAÇÃO AGRÍCOLA E NOTÍCIAS FALSAS

MODERADOR – JOSÉ DIOGO SANTIAGO ALBUQUERQUE

• ASAJA- ESPANHA – PEDRO GALLARDO
• CAP PORTUGAL – JOSÉ PALHA
• NFU- UK – MIKE HAMBLY
• COPA – COGECA – FILAND – MAX SCHULMAN
• MAIZALL – BRASIL – SERGIO BORTOLOZZO

13.00 – SESSÃO DE ENCERRAMENTO
• EDUARDO OLIVEIRA E SOUSA – PRESIDENTE DA CAP
• LUIS VIEIRA – SECRETÁRIO DE ESTADO DA AGRICULTURA

 

 

Consórcio de cientistas quer sequenciar o DNA de todos os eucariotas

Sabia que neste ano de 2018 se celebram os 65 anos da descoberta do DNA (ADN em Português)? Neste contexto, parece oportuno divulgar esta notícia sobre o Projecto do Biogenoma da Terra.

Imagem do Artigo do Jornal Público.pt - Consórcio de cientistas quer sequenciar o ADN de todos os eucariotas (23 Abril 2018)

 

Consórcio de cientistas quer sequenciar o ADN de todos os eucariotas
Público.pt – 23 de Abril de 2018

Projecto vai durar dez anos e custar cerca de 3800 milhões de euros. Tudo para se descobrir mais pormenores sobre a vida na Terra.
A vida no nosso planeta ainda tem muitos mistérios. E os cientistas continuam empenhados em descobri-los. Um consórcio internacional de investigadores apresentou na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) uma das “propostas mais ambiciosas na história da biologia”: quer sequenciar, catalogar e analisar os genomas de todas as espécies de eucariotas que se conhecem no planeta. Chama-se Projecto do Biogenoma da Terra, vai durar dez anos e custar cerca de 3800 milhões de euros.

O projecto foi mencionado pela primeira vez em 2015 em dois encontros científicos e influenciado pelo Projecto do Genoma Humano, em que se sequenciou todo o genoma humano. Lançado em 1990 e concluído em 2003, esse projecto foi considerado um enorme contributo não só para a medicina humana mas também para a medicina veterinária, a biociência agrícola, a biotecnologia, as ciências ambientais ou para as ciências forenses. Outra iniciativa semelhante é o Projecto de Microbioma da Terra, que tem descodificado o genoma das bactérias e dos arquea (domínio dos seres vivos com semelhanças às bactérias).

Voltando aos encontros científicos de 2015: decidiu-se aí que teria de ser criado um projecto ambicioso em que se descodificaria todos os genomas da vida complexa do planeta. Aqui está ele, o Projecto do Biogenoma da Terra.

MAIS INFORMAÇÃO
SOBRE A DESCOBERTA DO ADN (DNA)

 

 

Vídeo TEDx | Transgénicos: Heróis ou Vilões

TEDx-Video-Transgenicos-Herois-Viloes

Vídeo TEDx
Transgénicos: Heróis ou Vilões

Podem pensar que a comida é natural, não? Mas a verdade é que um tomate cherry tem mais tecnologia do que um iPhone.

A comunicação TEDx de José Miguel Mulet, em Espanhol, leva o público a descobrir outra perspectiva sobre os organismos geneticamente modificados (OGM) produzidos para a agricultura e alimentação, que tanta controvérsia geram na actualidade. Discute o conceito de alimentos “naturais” e conta a história muito antiga do melhoramento genético de plantas para produção de alimentos presentes nas nossas refeições, dando o exemplo do desenvolvimento da cenoura, do tomate, das batatas, entre outros.

Na sua apresentação refere também produtos geneticamente modificados do nosso dia-a-dia, tais como: notas de euro, roupa, cotonetes, comprimidos, insulina, detergentes de roupa (produzidos com enzimas com origem na engenharia genética). Desmonta abordagens que disseminam desinformação passada pelos movimentos anti-OGM.

O divulgador de ciência explica que a tecnologia dos Organismos Geneticamente Modificados não é a tecnologia mais recente, mas a penúltima. Para descobrir qual é e em que consiste visualize o vídeo. No final, termina, declarando que está muito tranquilo e que come sem medo.

José Miguel Mulet é Investigador e Professor da Universidade Politécnica de Valência (Espanha), na área de química, biologia molecular e biotecnologia. A sua investigação dedica-se ao desenvolvimento de plantas resistentes à seca. É divulgador de ciência em áreas como biotecnologia e alimentação, tendo publicado vários livros como “Transgénicos sin Miedo”, “Comer sin Miedo”, entre outros.

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OGM | Milho Bt beneficia culturas biológicas e convencionais: Investigação de 40 anos de dados

Maçaroca de milho convencional com ataque de broca e fungos - CiB (2)

 

Investigação científica em OGM
Análise de 40 anos de dados:
Milho Bt beneficia culturas biológicas e convencionais

12 Março 2018 | Artigo científico PNAS

Uma meta-análise de dados de 40 anos de cultivo de milho Bt confirma que a utilização das variedades de milho geneticamente modificado contribuem para a grande redução de aplicação de insecticidas e beneficiam culturas vizinhas, tanto convencionais como biológicas (orgânicas), com redução dos impactos no meio ambiente, mas também na saúde de pessoas e animais.

O estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences – PNAS (ver referência em baixo) é uma análise de dados de 1976 a 2016 (40 anos), que compara os 20 anos anteriores e os 20 anos após a comercialização de milho Bt. Estudos anteriores tinham já demonstrado os benefícios da adopção de milho Bt ou de algodão Bt na redução de aplicação de insecticidas, para benefício económico dos agricultores e para uma melhor gestão de pragas. Contudo, este é o primeiro estudo a analisar os seus efeitos em culturas vizinhas.

 

Maçaroca de milho convencional com ataque de broca e fungos - CiB (1)
Legenda: Maçaroca de milho convencional afetada pela broca e infectada com fungos (que se instalam devido aos ferimentos provocados pelos insectos e produzem micotoxinas cancerígenas para animais e pessoas).

 

O milho Bt (exemplo na imagem em baixo) é geneticamente modificado para resistir a ataques de insectos, como a broca europeia, uma praga com incidência elevada em algumas em algumas regiões de Portugal e de outros países da Europa.  Visualise a imagem em cima e no topo que mostram maçarocas de milho convencional com praga da broca e fungos (que se instalam após o ataque do insecto e produzem micotoxinas cancerígenas para animais e pessoas). O milho Bt é cultivado em mais de 80 por cento das explorações agrícolas que produzem milho nos Estados Unidos da América.

 

Macaroca Milho Bt Mon810 (OGM) - FotoCiB
Legenda: Maçaroca de milho Bt geneticamente modificado para resistir ao ataque de broca

Os investigadores quantificaram os efeitos do milho Bt em campo. Os dados de monitorização mostram:

. A diminuição de actividade de insectos adultos (fase de traça ou borboleta nocturna);
. A diminuição de aspersão de insecticidas;
. A diminuição de danos noutras culturas, como: milho doce, pimentas e feijão verde.

Estes benefícios nunca tinham sido documentados e demonstram que as culturas Bt são ferramentas poderosas para reduzir populações de pragas, beneficiando também outras culturas vizinhas.

A segurança do milho Bt tem sido extensamente testada e tem sido comprovada, mas este estudo foca a sua eficácia na gestão de pragas e, em particular, os benefícios para outras culturas que não o milho Bt, explicou Dilip Venugopal, um dos autores deste estudo.

Outros dos autores, Galen Dively, explicou que “este é o primeiro trabalho publicado que mostra os benefícios paralelos noutras plantas hospedeiras da  broca europeia, uma praga severa para muitas culturas como o feijão verde e os pimentos”. E acrescentou “de facto observa-se mais de 90 por centro de supressão da população de broca europeia na nossa área para essas culturas, o que é incrível.”.

Há mais de 20 anos que os agricultores têm benefícios económicos pelo cultivo de variedades de milho GM, como referido por Brookes e Barfoot no seu relatório de 2017:  GM crops: global socio-economic and environmental impacts 1996-2015 (ver referência em baixo). Mas este artigo agora publicado na revista PNAS demonstra que o milho Bt traz ainda mais vantagens, pois promove a redução da aplicação de pesticidas e beneficia  as culturas vizinhas, tanto biológicas como convencionais.

Estas evidências demonstram que as críticas dos grupos anti-OGM, que afirmam que as culturas transgénicas aumentam o uso de pesticidas e são uma ameaça à agricultura biológica,  não fazem sentido.

INFORMAÇÃO ADICIONAL

GMOinfo.eu | Novo website pan-europeu sobre OGM na Agricultura

gmoinfoeuportugal

GMOinfo.eu
Novo website pan-europeu sobre OGM na Agricultura
em 10 línguas

Março de 2018 – Europabio

O tema dos Organismos Geneticamente Modificados (conhecidos por OGM)  continua a sofrer de desinformação na Internet, dada a constante dissiminação de notícias incorrectas ou falsas que espalham medos e reacções negativas sobre a sua utilização, principalmente quando  é abordado no contexto de produção Agrícola e Alimentar.

O website GMOinfo.eu foi lançado pela Europabio – Associação Europeia das Bioindústrias para divulgar informação credível, baseada em factos científicos, em colaboração com 11 países. O GMOinfo.eu está disponível em 10 línguas, incluindo o Português em GMOinfo.eu.pt. O projecto inclui ainda a divulgação através do Twitter. A versão Portuguesa é @GMOinfoEU_pt.

O website inclui quatro secções principais  – Comércio e Aprovações; Cultivo e Benefícios, Inovação e Propriedade Intelectual; e Ciência e Segurança – e ainda uma secção de notícias. Na secção “Ciência e Segurança” pode ler-se no texto de introdução:

A Biotecnologia Agrícola (ou Agrobiotecnologia) permite aos melhoradores de variedades vegetais introduzir genes, com origem da mesma espécie ou de diferentes espécies, numa planta e/ou editar genes existentes. O objectivo é melhorar essas variedades e promover características específicas nas culturas. Este processo permite aos agricultores contribuírem para a produção de alimentos, têxteis e combustíveis de forma mais eficiente e sustentável e ir de encontro às necessidades dos consumidores.

O melhoramento de culturas através da Biotecnologia permite tornar as culturas mais robustas contra doenças, resistência a determinadas pragas e herbicidas, a tolerarem condições de seca ou a tornarem-se mais nutritivas. Tem também a vantagem de usar técnicas mais específicas e rápidas do que as utilizadas no melhoramento convencional de variedades vegetais, porque apenas um ou alguns genes de interesse são introduzidos no genoma receptor, ultrapassando a necessidade de cruzar plantas múltiplas vezes, tal como é necessário no melhoramento tradicional.

Sendo apenas uma das ferramentas entre todas as que existem à disposição dos agricultores no contexto da agricultura moderna, o uso de Organismos Geneticamente Modificados (OGM) e de outras técnicas da Agrobiotecnologia tem um vasto potencial para enfrentar muitos desafios ambientais e sociais.

A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, sigla em Inglês) e a Comissão Europeia, conjuntamente com reguladores em todo o mundo e Academias de Ciência, incluindo o Conselho Consultivo das Academias Europeias de Ciências (EASAC, sigla em Inglês), concordam que as culturas geneticamente modificadas (conhecidas também por culturas GM ou transgénicas) são tão seguras como as culturas convencionais. Desde o início da sua comercialização, em 1996, não houve evidências de efeitos nocivos para a saúde de animais e pessoas ligados ao consumo de quaisquer culturas GM autorizadas.

Mais informação

  • Grandes destaques da página principal do GMOinfo.eu (em 20 de Março de 2018):
. Artigo Científico – Dados de 40 anos quantificam beneficios de milho GM em culturas biológicas e convencionais
. Artigo Cientifico – Milho Transgénico: 21 anos de dados confirmam segurança e benefícios para saúde e ambiente
. Guia Prático: Culturas GM e Políticas na UE
. Vídeo – O melhoramento genético de plantas no nosso dia-a-dia

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Convite | 29 Nov – Apresentação do Guia “Culturas GM e Políticas na UE”

Guia Culturas GM - Europabio 2017 - PT - 1000px2

Convite
Sessão de Apresentação
do Guia “Culturas GM e Políticas na UE”

29 Novembro, 16h, FCUL, Lisboa
Entrada Livre

 

A Associação Europeia das Bioindústrias (Europabio) publicou um caderno sobre culturas geneticamente modificadas (GM) – Guia Prático – Culturas GM e Políticas na UE -, com tradução em Português.

Convidam-se todos os interessados a participarem na sessão de apresentação do guia, a realizar em 29 de Novembro de 2017, pelas 16h, na Faculdade de Ciências – Universidade de Lisboa  (sala 2.2.14, no edifício C2, Campo Grande).

 

  • Apresentação do Guia “Culturas GM e Políticas na UE” 
    por Pedro Narro Sanchez
    Gestor de relações públicas para a área de Biotecnologia Verde da Europabio
  • Opinião
    por José Diogo Albuquerque 

    Director executivo do Agroportal e Consultor
  • Moderação por Pedro Fevereiro
    Presidente do CiB – Centro de Informação de Biotecnologia

 

O guia “Culturas GM e Políticas na UE” apresenta um ponto de situação sobre as Culturas Geneticamente Modificadas (GM) – conhecidas também por transgénicas – no mundo e o seu contexto na realidade da União Europeia. São abordados ainda os seguintes temas: funcionamento do comércio e das aprovações; o cultivo das culturas GM e os seus benefícios; e inovação e propriedade intelectual. Este é um guia útil para quem quiser compreender o potencial das culturas GM para a agricultura, para a alimentação, para o ambiente, para a economia e para a sociedade.

Durante a sessão, o caderno será distribuído gratuitamente. Também é possível fazer download da versão digital.